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Quem Nos Salva?

Taxa de juro aumenta 249% em 11 meses. Portugal irá necessitar de 20 anos para conseguir regularizar a dívida. Doze bancos espanhóis têm de reforçar capital em 15 mil milhões. Fitch: Bancos espanhóis precisam de pelo menos 38 mil milhões. Moody’s: Bancos espanhóis necessitam no mínimo de 40 mil milhões. Molycorp diz que a China em 2015 passará a ser importadora de elementos raros. A contaminação do plástico no oceano Atlântico. Japão vai rever a lei de mineração, para tentar chegar até aos 3,6 biliões em recursos subaquáticos. A doença do derrame de petróleo está a destruir vidas.

Portugal, Espanha, China e mundo de candeias às avessas, aos solavancos, aos trambolhões na insanidade de uns quantos.

Ficámos hoje a saber, não é que seja uma surpresa, pelo menos para quem tem andando minimamente atento, que os juros cobrados a Portugal aumentaram, desde Abril do ano passado, 249%249%!!!!!
Portanto, já todos(?) deverão estar cientes que Portugal irá ter de pagar em juros, simplisticamente falando, mais 249% em milhares milhões de juros, para além dos imensos milhares de milhões que tem em dívida.
Se acham que tal é pagável, quem sou eu para contrariar tal convicção, mas mesmo assim gostava de referir que os sonhos não são necessariamente passíveis de serem transformados em realidades…

A realidade é, como ficámos hoje a saber, que Portugal irá necessitar de pelo menos 20 anos, duas décadas, para conseguir regularizar a sua dívida de modo que esta fique abaixo de 60% do seu PIB.
Isto para mim é puramente um sonho dentro da actual funcionalidade deste sistema monetário. Teria de escrever imensas linhas para tentar justificar toda essa minha opinião, por isso irei utilizar apenas os dados mais facilmente palpáveis para a tentar justificar, baseando-me apenas e como sempre em notícias dos meios de comunicação generalistas que saíram nos dias mais recentes.

20 anos… duas décadas… Será que estão cientes que isso poderá significar que irão ser duas décadas de contracção económica, duas décadas de aumentos nos impostos, duas décadas de redução da qualidade de vida, duas décadas de redução no rendimento per capita disponível, duas décadas de perdas de direitos adquiridos, duas décadas de diminuição do Estado Social, duas décadas de aperto no cinto? Duas décadas! Vinte anos!
Estará o Zé Povinho disponível para aguentar a contracção deste sistema e a regressão no seu nível e qualidade de vida durante duas décadas, vinte anos?
O povo é sereno, dizem alguns… por isso, talvez… mas também talvez não…

E então se forem (muito) mais que apenas duas décadas, como pessoalmente considero que é o mais provável, dados os indicadores que temos actualmente disponíveis?
Comecemos por pegar nos indicadores que nos chegam de Espanha…
Então, ficámos hoje a saber que doze, 12!, bancos espanhóis chumbaram nos testes de stress desenvolvidos pelo governo de nuestros hermanos, e que terão de aumentar em 15 mil milhões de euros o seu capital.
Ok, nada de mais, poderão alguns pensar… Talvez peçam uns empréstimos e tapem esses buracos com numerário (ilusório)… talvez… ou talvez não…
E se o tamanho do buraco for como a Moodys e a Fitch anunciam?
E se o buraco for de até 100 mil milhões de euros, cinco vezes mais que o total que o Estado português necessita de financiamento para este ano? Hmmm… quando analisado desta forma as semelhanças com a Irlanda são realmente peculiares, no mínimo… e no mínimo o Estado espanhol irá cair… de joelhos…
Hmmm, com que então vinte anos para Portugal conseguir acertar as suas contas, mas essa análise baseia-se no facto que a Espanha se mantenha de pé. Então, se a Espanha ruir, quantos mais anos teremos de adicionar a esses vinte? (Isto sem sequer contemplar a hipótese de Portugal cair)

Seguindo…
E ontem conheci a Molycorp, a maior produtora de elementos raros do planeta fora da China, que disse esta coisinha importante que poderá escapar à mente dos mais incautos:

“Elementos do governo chinês alertam consistentemente sobre a intento da China continuar a restringir as exportações dos elementos raros, e a possibilidade da China se tornar importadora dessas elementos por volta de 2015,” afirmou a companhia com sede no Colorado, Greenwood Village, quando anunciava os seus resultados do quarto trimestre do ano que findou. “O consumo interno de elementos raros da China irá continuar a aumentar ao ritmo do crescimento do seu PIB.”
In Bloomberg

Como para muitos esta coisa dos elementos raros do planeta poderá ser território desconhecido, irei fazer uma pequena abordagem a eles (simplista).
1 – Quase tudo o que são tecnologias modernas necessitam deles, sem eles não seria possível o seu desenvolvimento – LCDs, telemóveis, todos os desenvolvimentos tecnológicos nas renováveis, carros eléctricos, etc, etc, etc, etc,…
2 – A China é o maior produtor e exportador mundial, com uma cota de produção de 95% de todos os elementos raros do planeta.
Pegando nestes dados verdadeiramente primários… depois do mundo ocidental ter “despachado” quase toda a indústria transformadora para a Ásia e ter ficado “apenas” com as indústrias de tecnologia de ponta, que são as grandes sorvedouras dos elementos raros do planeta, vê-se agora a braços com o seu mundo a ficar sem as matérias-primas que são a base funcional dessas indústrias. A China já começou este ano a reduzir e significativamente as suas exportações de elementos raros e em breve, segundo o relato disponibilizado, juntar-se-á a todo o restante mundo na luta pelos restantes 5% do total produzido não extraído no seu território.
Hmmmm… portanto, aquilo que temos ouvido recorrentemente dos nossos bananas, “Portugal está a investir nas indústrias de ponta, nas novas tecnologias”, será realmente algo com futuro e que poderá realmente ajudar na redução de dívida?
Hmmm… talvez sim, se descobertas muito em breve formas para contornar esse problema… mas talvez não… muito provavelmente, não, e dados os dados que temos em mão, Portugal, que é quase insignificante neste mundo, dado o seu tamanho geográfico, não irá conseguir angariar matéria-prima para sustentar as suas empresas de tecnologias de ponta.
Portanto, ainda consideram que em vinte anos, duas décadas, Portugal poderá conseguir reduzir a sua dívida?

Ainda temos o mar. A nossa costa marítima é a mais extensa da Europa. Poderá estar por aí o nosso futuro, poderão alguns pensar… e bem, diga-se de passagem…
É sem dúvida uma das formas de Portugal desenvolver a sua economia, mas infelizmente também cada vez mais os oceanos são a casa de banho, a lixeira e zona aberta das loucuras de uma sociedade que está dependente do petróleo e das matérias-primas, e que vive em estado de espiral crescente sofreguidão.

A imagem dos oceanos como a casa de banho e lixeira das sociedades humanas:

O SES recolheu mais de 6000 amostras de plástico(…). Um dos espólios mais chocantes foi efectuado durante uma recolha que durou 30 minutos em 1997, quando os cientistas recolheram 1069 pedaços nesse pequeno espaço de tempo. Calcularam que isso equivalia a 580 mil pedaços de plástico por quilómetro quadrado.
Os plásticos contêm também químicos que são gradualmente libertados nas águas e na atmosfera. Os peixes ao respirar esses químicos presentes na água acabam por ficar contaminados. Depois são capturados pelos pescadores e essa contaminação acaba por entrar na cadeia alimentar humana.
In Earth Times

Portanto, se em 1997 andavam à deriva nos oceanos 580 mil pedaços de plástico por quilómetro quadrado, passados 14 anos, como acham que estará o quilómetro quadrado nos mares?
Ainda teremos mar, disso não restam dúvidas, mas que mar teremos e em que estado estará para ajudar a aliviar a dívida nacional?

Talvez por lá exista para Portugal o mesmo que os japoneses estão a pensar conseguir amealhar:

O ministro do Comércio japonês planeia simplificar a lei de mineração dos recursos marinhos, pela primeira vez desde 1950, para ajudar no desenvolvimento da exploração de recursos subaquáticos que poderão ascender a 300 mil milhões de yenes.
In Bloomberg

Talvez também tenhemos por lá ouro e outros minerais que tal. Mas quais poderão ser as consequências para o futuro da riqueza marinha e para a saúde da nossa população?
Talvez a melhor forma de se analisar isso seja tentar entender que danos foram até agora estabelecidos como causa directa do derrame e dos dispersantes usados para tentar controlar o desastre da BP no Golfo do México:

“Os dispersantes estão a diluir-se na água e a deixar solúveis os compostos químicos, que são depois transportados pelo ar, que chegam a terra através das águas da chuva.”
“Estou assustado com o que tenho descoberto. Estes compostos cíclicos misturam-se com o Corexit [dispersante] e geram outros compostos cíclicos que não são nada bons. Esta é uma catástrofe ambiental sem precedentes.”
In AlJazeera

Este é o resultado dos sonhos e vícios do Homem em sociedades que não medem as consequências dos seus actos para o seu futuro. O investimento nos oceanos, tal como é analisado por esta estrutura económico-social actual, resulta num perigo monumental para a natureza, para o Homem e para o planeta.

“Sr. Presidente, a minha preocupação é que estes componentes tóxicos lesivos ainda estejam a ser utilizados e que irão, a longo prazo, criar um grave problema ao nosso Estado, aos nossos cidadãos, ao nosso ecossistema, à nossa economia, à nossa indústria pesqueira, à nossa vida marinha e à nossa cultura.” Senador da Luisiana, AG Crowe.
“Não seremos enganados a acreditar que o petróleo e as toxinas já desapareceram. Como os dispersantes tóxicos foram, e ainda estão em uso actualmente, o petróleo está a descer até às colunas submarinas de água e entrar num ciclo interminável na corrente do Golfo afectando de forma adversa o nosso meio-ambiente.”
In AlJazeera

A corrente do Golfo passa mesmo aqui ao lado…
Nos oceanos não existem fronteiras, assim como no ar… a poluição e destruição causadas noutros pontos do planeta chegam quase sempre à nossa costa… e como poderá Portugal desenvolver uma solução económica para si próprio quando aquilo que julga ser seu é na realidade de todos? E pior, é na realidade a casa de banho do mundo…

Portanto, vinte anos poderá ser uma previsão no mínimo muito optimista, para não escrever mesmo sonhadora.
Não irão ser apenas vinte anos de prisão económica, de retracção social, irão ser muitos mais a não ser que todo este mundo em que vivemos comece a olhar para o seu mundo com olhos de gente realmente preocupada.
Só será possível em vinte anos se as desigualdades entre classes forem rebatidas, se os Estados aumentarem os apoios à união social através de estudos para todos, se os seus Zé Povinhos passarem a ser o seu maior bem e se a natureza que nos envolve passar a ser mais que apenas matéria-prima para ajudar nos ganhos pessoais, lucro, de uns quantos, muito poucos, homens que vivem como se não houvesse amanhã.

Conclusão:
O juro cobrado à nossa vida é medido pela taxa de loucura de uns quantos, muito poucos, que viveram e vivem num presente sem futuro… e que sem uma mudança radical na sua forma de viver a vida que é de todos, nem 40, nem 30, nem 20 anos mais haverão… até pode ser que os quantos, muito poucos, dos nuestros hermanos que viveram e vivem nesse presente sem futuro consigam desencantar mais uns anos para nós… mesmo que os árbitros das finanças dos loucos digam que os anos estão já contados para eles… até pode ser que o crescimento continuado da loucura chinesa nos possa vir a ajudar, mesmo que a sofreguidão com que cresce faça decrescer as esperanças de uma vida vivida para além deste presente… e talvez os mares nos salvem… mas… primeiro… temos todos de salvar os mares que vivem hoje ao ritmo de uma vida sem futuro…
Ao fim ao cabo, afinal de contas, quem nos salva… a nós… e ao mundo?

Notícia do Correio da Manhã – Taxa de juro dispara 249% em 11 meses
Notícia do Diário de Notícias – Portugal vai demorar 20 anos para regularizar dívida
Notícia do Diário Económico – Doze bancos espanhóis forçados a reforçar capital em 15 mil milhões
Notícia do Destak – Bancos espanhóis precisam de pelo menos 38 mil milhões de euros- Fitch
Notícia da Reuters – Moody’s reduz nota da Espanha e cita custo para recuperar bancos
Notícia da Bloomberg – Molycorp Says China May Become Net Importer of Rare-Earth Minerals by 2015
Notícia da Earth Times – Plastic Contamination in the Atlantic Ocean
Notícia da Bloomberg – Japan to Revise Mining Law, Seeking $3.6 Trillion in Undersea Resources
Notícia da AlJazeera – Gulf spill sickness wrecking lives

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Os Telhados de Vidro

Espanha coloca apenas 3,5 mil milhões de euros, 500 milhões abaixo da oferta. BCE já terá comprado 18 mil milhões de dívida portuguesa. O reembolso da dívida pública está garantido? Economia já recebeu 63 mil milhões para sobreviver. Empréstimos do BCE à banca sobem para máximos de 20 meses. Antigos quadros do Santander colocam a nu esquema para fugir aos impostos. Como a classe média passou a ser a classe inferior.

Estará o telhado de vidro a começar a rachar?
Hoje a Espanha não conseguiu vender toda a dívida que disponibilizou no mercado. Tentou vender 4 mil milhões e  conseguiu apenas angariar compradores para 3,5 mil milhões…
Hoje pode ter sido o dia de misericórdia para Portugal pois com os investidores a fugir da dívida espanhola é quase inevitável que irão fugir a sete pés da dívida soberana portuguesa. Talvez a China nos salve(?)… quer dizer, Macau. Talvez o BCE continue a não recear o aumento da inflação e venha em nosso socorro(?)… talvez… talvez o nosso telhado seja de vidro resistente… talvez…

Mas o mesmo BCE, que hoje não conseguiu cobrir toda a oferta colocada pela Espanha no mercado, que segundo o Société Générale, já comprou, desde Maio de 2010, 18 mil milhões de dívida portuguesa, aproximadamente 15% do valor total.
Estará o BCE então em condições de continuar a financiar\comprar a nossa economia?
Acho que hoje tivemos direito a parte da resposta a essa questão: Não!
Para além disso, convém fazer uma continha de somar para se entender um pouco melhor a profundidade da questão central:
Qual o total da dívida soberana portuguesa?
Temos de ser nós a fazer essa continha porque ela continua quase a ser o segredo número 1 do Estado…
Então, se o BCE comprou 18 mil milhões que correspondem a 15% do total… 100% será equivalente a aproximadamente 120 mil milhões de euros de dívida acumulada! 120 mil milhões!!!!
Convém salientar que este valor em dívida contempla apenas a dívida directa do Estado português, não engloba as dívidas, chamadas indirectas, das empresas do Estado, as dívidas do BCP, nem as dívidas das entidades privadas nacionais. Digamos que este valor poderá representar apenas 1\3 de toda a dívida acumulada pela economia portuguesa — não, não estou a esticar a corda para o negativo!

Hoje o diário económico ajudou-nos a entender, mesmo que ele próprio, Diário Económico, mal perceba o que realmente escreveu, um pouco melhor o porquê do Estado português continuar a endividar-se, ora vejamos:

O Estado vendeu ontem mais mil milhões de euros de dívida, elevando os valores colocados este ano para 9,16 mil milhões de euros, mais 12% que em igual período do ano passado. O montante de dívida colocado desde Janeiro é similar aos 9,25 mil milhões de euros que o Estado terá de devolver aos credores em Abril e Junho referentes a obrigações que atingem a sua maturidade.
In Diário Económico

Portanto, analisando de forma simplista, tal e qual como está representado nesta notícia, Portugal endividou-se em mês e meio em 9,16 mil milhões de euros que servirão para pagar 9,35 mil milhões em dívida, em Junho(?).
Portanto, Portugal contraiu dívida apenas para pagar dívida já existente!
Esta é a verdadeira história deste sistema de dívida de crescimento imparável… o motor deste sistema económico… dívida que gera (pseudo)riqueza e (pseudo)crescimento económico.
Mas esta notícia está enviesada de erros por omissão.
Primeiro, esse valor não irá cobrir a dívida que irá saldar em Julho pela simples razão que grande parte dele está e irá servir para cobrir o défice mensal das contas públicas, algo aproximado a 3 mil milhões até Julho. Portanto ficam a sobrar (apenas) 6 mil milhões para amortizar a dívida relatada.
Segundo, até Julho o Estado terá ainda de saldar os juros que vencem em Fevereiro, Março, Abril e Maio… digamos, mais 500 milhões. Portanto sobrarão(?) 5,5 mil milhões de euros para pagar 9,25 mil milhões.
Portanto, o Estado terá muito provavelmente de vender mais dívida num valor aproximado de 4 mil milhões de euros de forma a cobrir a dívida que terá de ser saldada em Julho.
Crescimento exponencial da dívida! Não para! É sempre mais! E se for reduzido a economia deixa de crescer… é este o paradigma deste sistema económico dependente da dívida.

Hoje também, o Jornal I, que vai sendo o meio de informação para as massas que ultimamente mais profundamente tem abordado as questões, dá-nos acesso à verdadeira profundidade desta situação, das ajudas do BCE e da economia portuguesa:

Portugal está transformado num filho que, ao mesmo tempo que exige independência e autonomia para decidir os seus assuntos, não abdica da mesada. (…)
Considerando todos os apoios extraordinários que o Banco Central Europeu (BCE) pôs em marcha para Portugal desde Maio de 2010 – quando estalou a crise da dívida -, e juntando a estes valores as jogadas contabilísticas e as receitas não recorrentes que Teixeira dos Santos vai descobrindo, vamos já em mais de 63 mil milhões de apoio artificial ao tecido económico português. Se às ajudas internacionais juntássemos ainda as “ajudas” internas – por exemplo, os aumentos de impostos, que em 2010 permitiram que o Estado recolhesse mais 2,3 mil milhões do que em 2009 -, este número seria bem maior. “Nós, neste momento, já temos ajuda externa do BCE e do Eurossistema. É um facto perfeitamente óbvio”, observou Teodora Cardoso, economista do Banco de Portugal, a 31 de Janeiro.
(…)Mas o BCE já avisou: a torneira está a fechar.
In Jornal I

63 mil milhões de euros de ajudas directas à economia… 63 mil milhões de euros de nova DÍVIDA desde Maio do ano passado, em menos de um ano!
6 mil milhões por mês de défice a juntar aos milhares de milhões que já estavam em dívida!
Terá Portugal, muito em breve, de estar a conseguir angariar 12 mil milhões por mês para cobrir dívida que terá de pagar nesse mês?
Talvez… talvez muito provavelmente…

E juntemos estes números dos empréstimos do BCE às economias europeias, aos concedidos à banca europeia:

Dados divulgados hoje mostram que os empréstimos de muito curta maturidade (24 horas) concedidos pelo BCE aos bancos da zona euro ascenderam hoje a 15 mil milhões de euros.
In Diário Económico

15 mil milhões de euros, em apenas 24 horas, em empréstimos à banca?!?!?!?! De curta maturidade, 24 horas?!?!?!?!
Isto cheira mesmo a jogadas altas no casino do desespero económico! Talvez… talvez seja apenas uma leitura incorrecta da minha parte… talvez… ou talvez não…
Mas isto dá direito a uma pergunta:
Mas a banca não anda por todo o lado a revelar lucros estrondosos?
Os cinco maiores bancos portugueses não lucraram em conjunto 1.724,3 milhões de euros no ano passado?
Só como exemplo mais recente… os lucros doo Barclays não foram de 4,23 mil milhões de euros no ano passado?
Quais as razões subjacentes aos empréstimos à banca por parte do BCE no valor de 15 mil milhões em apenas 24 horas?
O que se passa?
Será o lucro contabilístico da banca apenas isso, contabilístico?
Algo se virá a saber em breve em relação a estas questões… talvez…

E enquanto tentamos analisar o quase incompreensível, eis que hoje sai bomba nos meios de comunicação generalistas portugueses: Ex-quadros do Santander põem a nu esquema para reduzir factura fiscal!
Bomba!! Quer dizer… já não era sem tempo que alguém tivesse a decência de começar a colocar a nu as jogatanas dos casineiros, que têm constantemente o aval do silencio dos bananas, que colocam em causa a democracia transformando-a numa verdadeira demo-cracia.

Jorge Dias explica em declarações ao PÚBLICO que aqueles fundos eram investidos em condições anormais, e que nunca passou as declarações fiscais dos rendimentos dessas aplicações, porque a administração do banco, que geria os activos, apesar dos múltiplos pedidos, nunca o informou sobre quem eram os beneficiários económicos últimos. (…)
A documentação existente indica que os 350 milhões de dólares, Ptif (150 milhões de dólares) e Taf (200 milhões), foram colocados no início da década passada pela administração de Horta Osório numa conta da sucursal do Luxemburgo, onde a taxa de IRC é reduzida, e que a sua movimentação foi feita como se pertencesse a um cliente normal. Nos anos seguintes, a verba seria triangulada entre praças financeiras, respeitando as datas de vencimento dos pagamentos acordados com os titulares das duas sociedades. A casa-mãe emprestava os 350 milhões de dólares à sucursal luxemburguesa, a uma determinada taxa de juro, e, esta, por sua vez, aplicava-os junto da sede (tipo depósito a prazo), através da sala de mercados de Lisboa, à mesma taxa, acrescida de um spread (que dava à sucursal a margem de lucro e à sede um custo adicional). Depois, a sucursal do grão-ducado transferiria os juros vencidos para a de Londres, que por sua vez os encaminhava para a conta as Caimão [onde não há tributação de lucros]. (…)
Em síntese: o Santander Totta aumentava os custos em Portugal, pois as taxas de juro estavam desajustadas face ao mercado, e obtinha proveitos mais elevados nas ilhas Caimão, livres de taxas.
In Público

Estaremos cá para ver se os bananas e a justiça(?) irão mover alguma coisa para tentar sanar estas jogatanas com cartas fora do baralho da justiça social…
Pessoalmente estou cansado que os mesmos que tiveram de ser salvos, mesmo quando continuavam a ter lucros monumentais, que têm mais benefícios fiscais que qualquer outra entidade colectiva ou singular no país, que pagam menos impostos, muitíssimo menos, que qualquer outra entidade colectiva ou singular em Portugal, possam ainda continuar de forma despudorada a infringir quase todas as regras do jogo que eles jogam, lesando o Estado e principalmente o Zé povinho!
Já chega!!!!!
Já chega de tanta trampa junta!!!!!!

E isto tudo talvez nos ajuda a entender melhor o porquê desta democracia já estar totalmente desvirtuada numa demo-cracia, e compreender que o principal sinal que é face da realidade dessa afirmação é o fosso social que está a ser cavado entre aquilo que já foi outrora uma classe média vibrante e aquilo que hoje é uma classe rica desproporcionadamente mais rica que nunca.

Os rendimentos de 90% dos americanos ficaram “pregados” em neutro, e não é apenas devido à recente recessão. Os rendimentos da classe média estão estagnados há pelo menos uma geração, enquanto os da ala dos mais ricos cresceu à velocidade da luz.
Em 1988, o rendimento médio de um contribuinte americano era de 33.400 dólares, ajustados pela inflação. Avancemos 20 anos, e muito pouco mudou: o rendimento médio ainda era de 33,000 dólares em 2008, de acordo com os dados do IRS.
Entretanto, o 1% dos americanos, que representam os mais ricos, – os que ganham acima de 380.000 dólares ou mais – viram os seus rendimentos crescer 33% nos últimos 20 anos, deixando os americanos da classe média a comer o seu pó.
In CNN

Esta é a verdade do nosso mundo… mundo a ser conduzido e feito cada vez mais à medida de 1% da população em que os restantes 99% têm de trabalhar cada vez mais apenas para conseguirem ficar onde estão. Onde antigamente bastava o ordenado de um dos agregados familiares, agora são necessários dois e por vezes nem tal chega.
De que vale ao Zé Povinho refilar que a vida está má se não consegue perceber que não está má para todos, se não consegue entender que está muito melhor, e cada vez mais, para 1% da população?
É por aqui que os problemas devem ser combatidos… digo eu…

Conclusão:
Atenção! Atenção! O telhado de vidro dos espanhóis está a cair… Atenção! Atenção! O nosso telhado de vidro também vai partir… e atenção que o BCE, Banca Central dos Endividados, está mais endividado do que os em dívida… e atenção que o fosso entre a realidade pintada e a real realidade é apenas mais um telhado prestes a ceder… enquanto o mesmo Banco Central dos Endividados continuar a ceder ao vício das jogatanas dos senhores de fraque que apostam para que os telhados partam… E por vezes… Aleluia! Aleluia! Alguns dos senhores de fraque voltam a ser humanos e colocam em factos as jogadas trafulhas dos seus comparsas casineiros, colocando em xeque a anuência silenciosa dos seus amigos bananas… enquanto a classe média, o Zé Povinho, continua a comer o pó do vício insaciável de uma raça de Homens, 1% deles, que são canibais e carniceiros que se alimentam da pobreza e sofrimento de 99% dos seus irmãos e irmãs…
Mas que mundo é este senão um mundo de máscaras e mascarados que escondem a sua perversidade debaixo de telhados de vidro?

Noticia do OJE – Espanha coloca quase 3,5 mil milhões em Obrigações, abaixo do objectivo do Tesouro
Notícia do Expresso – BCE terá comprado €18 mil milhões de dívida portuguesa
Notícia do Diário Económico – Reembolso de dívida pública está garantido
Notícia do Jornal I – Economia já recebeu 63 mil milhões para sobreviver
Notícia do Diário Económico – Empréstimos do BCE sobem para máximos de 20 meses
Notícia do Publico – Ex-quadros do Santander põem a nu esquema para reduzir factura fiscal
Notícia da CNN – How the middle class became the underclass
Notícias de Apoio:
Notícia do Jornal de Notícias – Cinco maiores bancos ganharam 4,7 milhões de euros por dia
Notícia do Diário Económico – Lucro do Barclays sobe 36% e bate previsões

Um Mundo pintado a Números

A bomba relógio do desemprego entre os jovens. O porquê da importância da inflação no preço dos alimentos. Especialistas debatem os limites da aquacultura. Governos começam a dar aos seus cidadãos alimentos de graça. Apostas que o petróleo irá chegar aos 250 dólares, por causa dos riscos no canal do Suez. Arábia Saudita não consegue aumentar a produção de modo a controlar os preços no mercado. A teoria dominó e o síndroma saudita.

Os jovens…futuro das sociedades deste mundo… estão cada vez mais perdidos num mundo que está em provável contracção, mesmo que os números económicos queiram expressar exactamente o contrário.
Na Tunísia, no Egipto, em Portugal, na Europa, no mundo ocidental desenvolvido, são os jovens que mais estão a ficar desprotegidos, desamparados, desempregados… isolados… engolidos por uma onda de crescimento (numerário) económico desenfreado, desequilibrado e desprendido dos valores sociais.
Uma “monumental” peça jornalística da Bloomberg explica-nos de forma mais aprofundada esse crescente problema:

Os Hititas (tunisinos) e os Shabab (egípcios) têm irmãos e irmãs espalhados por todo o globo. Na Grã-Bretanha, são chamados de NEETs (Jovens que estão fora do sistema de educação, dos cursos profissionais, ou desempregados). No Japão, são os chamados “freeters” – uma amálgama da palavra inglesa freelancer e da palavra alemã, Arbeitr, ou trabalhador. Os espanhóis chamam-lhes os “mileuristas”, palavra que retracta os jovens que ganham menos de mil euros por mês. Nos Estados Unidos, são os “jovens boomerang”, jovens que terminaram a universidade e voltam para casa dos pais por não conseguirem encontrar trabalho. Até numa China em rápido crescimento, onde a falta de mão de obra é mais comum que o excesso de oferta, tem a sua “tribo-de-formigas”, jovens recentemente graduados que vão viver em grupos para apartamentos baratos nas franjas das grandes cidades por não conseguirem encontrar empregos suficientemente bem remunerados.
In Bloomberg

Isto devia servir de mensagem de alerta para todos os bananas deste mundo… mas não, o numerário económico, o excedente que a banca gere, a dívida para gerar mais crescimento, são invariavelmente preferidas ao abordar deste problema… e isto poderá vir a ter custos muito mais elevados do que os gerados por uma contracção do numerário (por vezes fictício) impulsionada pela contracção do crescimento…

A fissura entre os jovens e os que já não são jovens está a alargar-se. O antigo Primeiro Ministro italiano Giuliano Amato disse ao Corriere della Sera: “As gerações passadas consumiram o futuro das mais jovens”. Na Grã-Bretanha, o Ministro do Trabalho, Chris Grayling, comparou o desemprego crónico a uma “bomba relógio”. A. Jeffrey A. Joerres, chefe executivo da Manpower (MAN), uma companhia de trabalho temporário com escritórios em 82 países, acrescenta: “o desemprego nos jovens irá claramente ser uma epidemia na próxima década, a não ser que o abordemos já no imediato. Não se pode fechar os olhos a isto.”
In Bloomberg

Alguém vê por aí alguém (bananas, instituições internacionais, etc.) a abordar este problema de forma capaz… até mesmo ao de leve?
Eu não! O que vejo são os números… os números da economia a serem abordados de forma quase insana perante a realidade de um mundo que não se contabiliza nas folhas de cálculo de uns quantos economistas viciados no 1, no 2, no 3, na escala dos números, nos números que reflectem mais o mundo dos “eles” do que o verdadeiro mundo de todos nós:

No ano passado a ILO encontrou uma réstia de esperança. Depois de analisar os dados de 56 países, os investigadores estimaram que o número de desempregados entre os 15 e os 24 anos, em 2010, tinha regredido nessas nações, em quase 2 milhões, para menos de 78 milhões. “Inicialmente pensámos ser um bom sinal”, disse Steven Kapsos, economista da ILO. “Parecia que os jovens estavam a conseguir penetrar no mercado de trabalho. Mas depois apercebemo-nos que era o número de trabalhadores em busca de um emprego que estava a declinar. Os jovens estavam a desistir.”
In Bloomberg

Estará este sistema económico a criar párias? Revolucionários? Ladrões e criminosos? Pobres?
Talvez um pouco de tudo… jovens destruídos pela incapacidade de um sistema que se baseia nos números e que se afasta cada vez mais da realidade do real.

E se juntarmos esse cocktail potencialmente explosivo de jovens à deriva com a inflação dos preços do alimentos que está a ocorrer  por todo o mundo, inflação que na sua génese está intimamente ligada aos pacotes de estímulo que foram injectados um pouco por todo o mundo desenvolvido e não só?

Dos dados da inflação são excluídos os preços voláteis dos alimentos e da energia numa tentativa de pintar um quadro mais real a longo prazo. É por isso que Bernanke pode dizer que a inflação continua quase silenciosa. Se retirarmos os preços dos alimentos e dos combustíveis, a inflação é realmente baixa.
Mas até alguns dos economistas “bullish” já não estão a ir na cantiga, como Ed Yardeni, presidente da Yardeny Research. Está a começar a ficar preocupado que Bernanke possa, com o QE2, ter libertado a besta da inflação pelo mundo.
In Daily Finance

Pois é, num mundo pintado e gerido a números, pelas classes banananeiras e casineiras, quase nada mais lógico existirá para eles que criar novos algoritmos que os ajudem a pintar no tom desejado o mundo em que todos nós vivemos, de modo a que o mundo dos “eles”, distante e ilusório para a grande maioria, possa continuar a crescer no papel.
Quem em seu perfeito juízo pode retirar das contas da inflação os alimentos e os combustíveis? Quem se não os doidos, ou os mentirosos?
Eu próprio respondo à minha pergunta: Os bananas e os casineiros!

E como o verdadeiro mundo não se rege pelos números artísticos de uma classe que vive num número próprio, eis que parte dessa classe, a medo depois dos recentes desenvolvimentos e revoluções na Tunísia, no Egipto, etc., resolve começar a doar alimentos à população de modo a tentar controlar possíveis sublevações sociais nos seus feudos. Os mesmo que arriscam a real realidade do mundo numa folha contabilística desvirtuada, apresentam-se a partir de agora como os bons… amigos…

O Ministro do Comércio e Indústria embarcou esta terça-feira numa campanha de distribuição e oferta de provisionamentos alimentares a todos os cidadãos elegíveis para os receber, como parte de uma oferta do Amir HH para o público do Kuwait.
In Arab Times

Hmmm… que mãos abertas… hmmm…
E para quem estiver menos atento e pensar que isto está a acontecer apenas nos países do Médio Oriente, relembro que 15% da população americana recebe do Estado cheques mensais para se conseguir alimentar … 15%!!!!!

Enquanto isso, o mundo das ciências, e as suas constantes evoluções e soluções para quase todos os males que o apoquentam, líderes numa acção maioritariamente benéfica a nível social mas igualmente enganadora, vão também constantemente chocando de frente com os limites físicos de um planeta que não se coaduna com soluções finais e totais.
A aquacultura, método apontado como salvador dos bancos de pesca do mundo, está a chocar de frente com os seus limites:

“Vamo-nos deparar com cada vez mais constrangimentos em termos de espaço disponível, de acessibilidade à água  – principalmente água doce – e também com os impactos ambientais e no fornecimento de rações”, disse o Sr. Cochrane.
In The New York Times

Eis que passadas umas décadas depois de ter sido anunciada como a solução final para os problemas de excesso de exploração dos bancos de pesca do mundo, este mesmo mundo tem de chegar à conclusão que as soluções salvadoras finais não podem\devem ser vistas e analisadas como tal, sob pena de serem quase sempre apenas um engano. O mundo e o Homem são limitados… ilimitados são apenas os sonhos do Homem.
Portanto, para além das “brincadeiras” com os números que estão a levar os preços dos alimentos até ao inacessível a uma boa parte deste mundo, também temos de começar a analisar profundamente que não irão ser apenas os cereais, as frutas, as verduras e a carne que irão aumentar exponencialmente de preço.
É só boas notícias…

E para adicionar um pouco mais de sal a tudo isto, ficamos a saber que há casineiros a apostar que o petróleo irá em breve custar 250 dólares por barril. 250 dólares por barril!!!! Se os “eles” estão a apostar que o barril irá a estar a 250 dólares é porque na mente deles o preço tenderá, muito provavelmente, a passar largamente esse valor:

Os investidores subiram as apostas de que o preço do petróleo poderá chegar aos 250 dólares o barril, preocupados que a revolta no Egipto possa interromper o tráfego marítimo no canal do Suez e alastrar-se até à Arábia Saudita.
In Bloomberg

Quando li isto pensei: “custa-me a acreditar que seja apenas por causa do enunciado nesta notícia… 250 dólares é 150% a mais que o preço actual… é demasiado… e até os casineiros são minimamente sãos das ideias…
E eis que hoje surge algo que me parece bem mais real, para reflectir essas apostas, do que os problemas no canal do Suez:

A revelação do conteúdo de um telegrama liberado pelo Wikileaks urge Washington a levar seriamente em conta um aviso de um executivo petrolífero do governo saudita de que as reservas do reino podem ter sido exageradamente estimadas em mais de aproximadamente 300 mil milhões de barris – quase 40%.
In The Guardian

Bomba!!!! Se as reservas na Arábia forem menos 40% do que ao proclamado, detendo a Arábia as maiores reservas do mundo e sendo o maior produtor e exportador mundial, então este mundo poderá ter menos de 1\5 de todo o petróleo que julga ainda existir por explorar.
Talvez esta informação nos ajude a compreender muitos dos porquês de tantas das coisas que estão a acontecer fora das páginas contabilísticas do mundo dos “eles”. Quase tudo o que temos passado nos últimos tempos, sejam preços, bancos, petróleo, revoluções, dívida, quase tudo poderá não mais ser do que o mundo real a responder à falta do sangue que faz mover este sistema das coisas que nos (des)governa…

E levando tal cenário de menos 40% de reservas em consideração, o que poderemos esperar daqui para a frente?
Guerras? Revoluções? Fome? Colapsos? O quê?
Já assistimos a revoluções, já estamos acostumados a ver a fome, já vimos colapsos… aquilo que ainda não vimos, e que nos conta a História acontecer quase sempre em épocas de contracção, foram as guerras, ou guerra:

Obrigado, Chairman Bernanke, por alegremente ter derrubado o dominó de Eisenhower através de uma estúpida e míope negação dos impactos da sua política monetária no preço global dos alimentos e das energias. Obrigado por assumir o lixo do “hedonismo” que distorce os números da inflação, que também o defende por enviar para a rua desempregados quase esfomeados em áreas altamente instáveis do mundo.
No final do dia, Sr. Bernanke, o único grupo que talvez lhe vá agradecer poderá muito bem ser o complexo industrial militar americano… isto assumindo que a máquina de guerra não irá gripar por falta de petróleo.
In Taipan Daily

Conclusão:
Jovens sem tino nem destino, números de um papel escrito por quem os números são deuses… inflação que é bandeira que corrói e ao mesmo tempo defende os deuses dos números… números que são cada vez menos animadores para os grandes desenvolvimentos em forma de solução total desenvolvidos pelo Homem… os “eles” que de nós quase apenas têm só medo, já dão comida de graça para na graça do Zé Povinho voltarem a cair… e dos números para quem os números são deuses, ficamos a saber que o número para o futuro da nossa vida é imensamente inferior ao proclamado… número que na sua essência poderá mais não ser do que mais um algoriticamente embelezado de modo a pintar o nosso mundo num tom mais suave…
E no final?
No final a História é invariavelmente madrasta com os números… num mundo pintado a ilusões…  só nascem, por norma, desilusões…

Notícia da Bloomberg – The Youth Unemployment Bomb
Notícia do Daily Finance – Why Global Food Price Inflation Really Matters
Notícia do Arab Times – Govt starts giving citizens free food
Notícia do The New York Times – Experts Debate Limits of Fish Farming
Notícia da Bloomberg – Bets on $250 Oil Rise as Traders See Saudi, Suez Risk
Notícia do The Guardian – WikiLeaks cables: Saudi Arabia cannot pump enough oil to keep a lid on prices
Notícia do Taipan Daily – Domino Theory and Saudi Arabia Syndrome

A Confluência é a Regra

Espanha deve reformar o sistema fiscal para poder crescer, diz OCDE. Alívio da dívida da Guiné-Bissau é positivo para doadores e investidores, diz o FMI. Estado tem que deixar privados ocupar o seu lugar em determinados sectores.

Por vezes temos de sair um pouco de Portugal para se conseguir compreender melhor a lógica funcional das coisas… desta vez quais as noções da OCDE e do FMI sobre as suas políticas e as suas directrizes.

Começando pela OCDE e a sua visão do que há para fazer em Espanha.
Antes de mais, gostava de salientar que estas visões das entidades internacionais para a Espanha divergem no seu âmago muito pouco daquilo que preconizam para Portugal, por isso…
Primeira grande visão da OCDE:

“O sistema fiscal espanhol deve ser reformado para facilitar o crescimento, transferindo o impacto dos impostos do trabalho para o consumo e para o imobiliário.”
In Oje

Descodificando o que por aqui é dito…
O que isto quer dizer é que a OCDE defende que os impostos cobrados às empresas sejam reduzidos e  o seu peso transferido para o consumo e para a compra de habitação. Ou seja, que os impostos para os patrões sejam diminuídos e que os impostos para os restante 99% da população suportem o nível de redução fiscal efectuado nos impostos do 1%… tudo isto em defesa da competitividade da economia… deles(?)
Uma medida extremamente justa e social, sim senhor! Tirem ainda mais ao 99% e reduzam ainda mais a carga sobre o 1%!!!!

Depois a mesma OCDE – por vezes fico confuso com as inversões destes organizações – diz que a crise em Espanha está a ser mais aguda devido a um aumento insustentável do consumo privado, que conduziu ao aumento da dívida privada. (Mas o problema não é a dívida pública????)
Sim senhor… então aumenta-se os impostos sobre o consumo para reduzir o consumo que é insustentável?
Mas tais medidas não costumam levar à contracção económica dos mercados internos em que são adoptadas?
Muito bem, primeiro reduz-se os impostos sobre o 1% e aumenta-se os impostos sobre o consumo para fazer a economia crescer, sabendo-se de antemão que um aumento dos impostos sobre o consumo conduz sempre a uma contracção do mesmo, o que leva invariavelmente a uma menor recolha de impostos por parte do Estado e à deflação dos preços… deflação dos preços que conduz a mais despedimentos… mais despedimentos a mais gastos sociais, e mais gastos sociais a mais gastos do Estado… e a OCDE diz que o fortalecimento das contas públicas é essencial… e como podemos todos constatar, se forem adoptadas as medidas por si defendidas será isso mesmo o que não irá acontecer…
Bela volta esta…

Mas há mais… a OCDE defende a reforma do sistema de pensões, através do aumento da idade da reforma, dos 65 para os 67 anos, e a diminuição das reformas antecipadas – facto defendido também pela UE.
Portanto, o aumento da idade da reforma irá fazer a economia crescer?
Ajudará a reduzir as despesas do Estado?
De certeza que crescimento não gerará! É certinho como o destino!
Reduzir as despesas do Estado… talvez, numa primeira fase, mas pouco tempo depois não reduzirá, pois se mais tempo um trabalhador terá de trabalhar para ter direito à reforma menos postos de trabalho irão estar disponíveis para os jovens que entram no mercado de trabalho… e isso é igual a mais desemprego… sempre… e mais desemprego é igual… à catrefada de coisas que já escrevi acima…
Portanto… medidas que só eles entendem o porquê… por vezes também entendo, não quero é entrar em especulação, porque é garantido como o destino que eles próprios se irão dar ao trabalho de dizer isso por mim!

E a OCDE aplaude as medidas tomadas pelo governo espanhol para reduzir a “excessiva protecção” dos trabalhadores com contractos permanentes, e redução dos valores pagos por despedimentos e a facilidade com que é possível chegar a acordos colectivos.
Não anda isto a tentar ser implementado cá em Portugal? Acho que já ouvi falar em qualquer coisa do género… Meus senhores e minhas senhoras, isto é sempre o mesmo em todo o lado, a uniformidade e uniformização das leis e das políticas a favor dos mesmos 1% de sempre!
Em relação aos pontos positivos(?) desta noção de crescimento económico já descrevi isso uns artigos abaixo…
Ah! Mas atenção que a OCDE também aconselha que seja melhor gerido o sistema de águas… … de forma que reflicta o verdadeiro custo da sua exploração… Ou seja: PRIVATIZEM e deixem de subsidiar as águas de modo que o mercado se torne concorrencial e assim os privados possam capitalizar sobre um dos recursos básicos e mais sensíveis do mundo moderno!
Muito bom, correcto?

E agora salto para o FMI que diz estar verdadeiramente feliz com o facto da Guiné-Bissau ter aceite um empréstimo de mil milhões de dólares, nas suas palavras: “um alívio da dívida”… (?)
Esperem lá… a Guiné-Bissau endivida-se em MAIS um milhão de dólares para pagar dívidas e isso é um alívio?????
Ah! É um alívio para os DOADORES (quem empresta) e INVESTIDORES!!!! (Nas palavras do FMI!)
Ou seja… servem os mil milhões de dólares para pagar aos credores que na sua maioria foram aqueles que deram o aval ao empréstimo do FMI à Guiné-Bissau.
Servem também para o investimento privado externo, porque com os empréstimos do FMI vêm sempre linhas directoras económicas obrigatórias para os países que os recebem, para que sejam liberalizados os sectores económicos rentáveis.
Qual a diferença entre a Guiné-Bissau, a Grécia e a Irlanda? Qual a diferença quando cá entrar em Portugal?
É tudo farinha do mesmo saco para o FMI! Dinheiro que empresta para pagar aos credores da dívida desses países, que são sempre os mesmos que dão luz verde à existência desse empréstimo por parte do FMI, e liberalização dos sectores financeiros estratégicos de cada país para que os investidores privados dos países credores da dívida possam vir explorar e canalizar essa riqueza para fora das fronteiras do país ajudado… Bela ajuda esta, hein????

E agora gostava de acabar com Horta Osório, o novo CEO – palavra “chic” para dizer Presidente – do banco inglês LLoyds:

“os Estados fizeram bem intervir na economia, face a uma crise sem precedentes, mas agora têm de baixar o seu peso na economia e deixar os privados ocuparem determinados sectores”
“O Estado não é um bom detentor de activos. O Estado não percebe de lucro”
“É o sector privado e às empresas” que cabe “criar esse valor acrescentado”, pelo que o “Estado devia baixar o peso dos gastos na economia, sair de determinados sectores e deixar os privados ocuparem esses espaços. De certeza que os privados vão fazer melhor uso desses activos”

In Jornal de Negócios

Quis fechar com este senhor, com nome de agricultura que na verdade é um campino das finanças modernas, que tenta tourear a mente do Zé Povinho com conceitos desprovidos do social e mergulhados em numerário…
1º – Sabe senhor Horta, o Estado não existe para gerar lucro, o Estado existe para gerir os impostos pagos pelo Zé Povinho e pelas empresas e aplicar o valor dos impostos em infra-estruturas e serviços que sejam necessários à sociedade que lhe paga os impostos. Apenas no seu mundo, Sr. Horta, o Estado existe para gerar e gerir lucros!
2º – Sabe senhor Horta, sem dúvida que os privados irão fazer melhor uso desses activos, não tenho a mínima dúvida em relação a isso, o Sr. Horta esqueceu-se inadvertidamente foi de mencionar que os privados irão fazer melhor uso desses activos em BENEFÍCIO e PROVEITO PRÓPRIO!!!!
3º – Sabe senhor Horta, é o seu mundinho… pequenininho e minúsculo que vê apenas numerário, que faz com que tudo o que nos rodeia seja apenas “pilim”… sabe senhor Horta Osório, há mais vida para além da sua minúscula noção de vida!!!!!!

Quis fechar com o campino com nome de agricultor como forma de mostrar que as instituições internacionais de renome, FMI, OCDE, UE, etc, vêem tudo e todos com os mesmos óculos, são verdadeiros clones uns dos outros em que a uniformização de ideias, conceitos, reformas e pensamentos são algo digno de um Óscar, pois é mesmo difícil num mundo tão diverso e distinto conseguir seguir o mesmo texto tal e qual clones!

Conclusão:
OCDE que se confunde com FMI e banca que se confunde com OCDE… e UE que se confunde com FMI que também se confunde com OCDE… é esta a imagem das nossas (?) instituições internacionais de renome… uma uniformização de pensar e agir que mais parecem clones… talvez robôs… talvez ponto do teatro… quem sabe apenas caixas de voz, gravações… ou talvez seja uma convicção universal que tem escapado ao pensar e sentir de 99% dos homens que pensam e vivem este e neste mundo…
Já viram que dentro da (falsa) confusão de opiniões das várias instituições internacionais a confluência é a regra? Bastava uma organização chamada, por exemplo: FOMCIUDEE… para nos dizer tudo no formato de nada para nós… porquê tantas a dizerem sempre tudo igualzinho?

Notícia do OJE – Espanha deve reformar o sistema fiscal para poder crescer, diz a OCDE
Notícia do OJE – Alívio da dívida da Guiné-Bissau é positivo para doadores e investidores, diz FMI
Notícia do Jornal de Negócios – Vídeo: Estados têm que deixar os privados ocuparem o seu lugar em determinados sectores

À Razão da Ração Para os Pobres

Cimeira de Cancún sobre o aquecimento global: cientistas pedem racionamento nos países desenvolvidos. Citigroup diz que Portugal está insolvente. Krugman: Portugal, Grécia e Irlanda são aperitivos, Espanha o prato principal. González: Bruxelas poderá ter de enfrentar novo resgate no espaço de dois meses. Bancos espanhóis têm de refinanciar 85 mil milhões em 2011. Banco Central Europeu pressionou a Irlanda e agora está a fazer o mesmo a Portugal.

Por muito que queira, não consigo deixar de ficar abismado com muitas das coisas que as consideradas mentes mais pródigas da nossa sociedade conseguem desenvolver. Também se pode analisar esse «mentes mais pródigas» e chegar à conclusão que mais parecem robôs a debitar texto que prodígios do pensamento… (assunto que ficará para outro dia)
Então em Cancún, debaixo dos coqueiros junto à praia, as mentes brilhantes que tentam encontrar uma solução para o aquecimento global do planeta – mesmo que hoje por aqui faça um frio de rachar -, chegaram à monumentalmente brilhante conclusão de que a melhor solução é usar o sistema de racionamento de bens utilizado aquando da 2ª Guerra Mundial.
Esperem lá!
Colocamos todo o mundo desenvolvido a senhas de alimentação?
Mas que raio, o Homem do mundo desenvolvido é o problema? A solução? Fazê-lo passar fome?
Hmmm…
Que tal direccionarem a vossa atenção (mentes brilhantes) para o sistema mundial de produção de bens?
Que tal voltar a impulsionar a agricultura local e a combater o despesismo de gasto de energia do sistema actual?
Não?
Que tal limitar o tamanho das multinacionais que devastam o planeta em busca de lucros fáceis?
Não?
Que tal “obrigar” as multinacionais a construir bens duradouros que não avariem no espaço de um ano – método usado para impulsionar o comércio mundial-?
Não?
Proibir o uso de carvão para gerar energia?
Não?
Portanto a solução encontrada para reduzir as emissões de dióxido de carbono é colocar os Zé Povinhos do mundo ocidental a penar fome… Pessoalmente não conseguia pensar em coisa mais estúpida, quase irracional, quando comparado com as verdadeiras causas para o aquecimento global… quer dizer… lá bem no fundo na mente deles talvez esteja que a solução ideal seja proibir que os Zé Povinhos do mundo ocidental respirem, e assim deixem de emitir dióxido de carbono… talvez… enfim…
Este é mesmo um mundo muito estranho quando visto pelos olhos das altas esferas da nossa sociedade…

Ah! Talvez a solução esteja na actual crise! Talvez o mundo seja salvo com o colapso das sociedades ocidentais!
Portugal vai ajudar nisso!
O Citigroup afirma hoje que Portugal está insolvente.
Hello! Está aí alguém? Portugal está insolvente faz anos!
O problema não é de hoje, não é dos mercados é da Europa, como afirma o nosso elefante branco Mário Soares. Se o problema é da Europa, então podemos dizer que entrámos em insolvência quando adoptámos o euro como nossa moeda e perdemos o destino e o controlo da nossa economia.
Isto não é de hoje, e só não viu quem preferiu acreditar que a Cinderela é real.
Mas como em quase tudo que assistimos nas nossas altas esferas… Qual é o problema? O euro! A solução? Não sair do euro… hmmm… ilógico não é? Resolver os problemas nunca atacando a causa dos problemas… a verdadeira arte de inventar soluções…

Aqui entra Paul Krugman, um aluno e seguidor brilhante da Escola keynesiana, que é a linha condutora do sistema económico-financeiro que (des)governa as nossas vidas.
Então Krugman afirma que Portugal, a Irlanda e a Grécia são aperitivos do prato principal que é a Espanha.
Então como aperitivos que somos temos de ser consumidos antes da Espanha de forma a não causarmos uma indigestão aos “casineiros”.
E porque está a Espanha a ser aventada como o prato principal na ementa dos “casineiros”?

“Porque está Espanha com um problema tão grande? Numa palavra, é o euro”

In Jornal de Negócios
Ah é o euro, a Europa… hmmm… vindo de um defensor intransigente das teorias keynesianas posso afirmar que o que ele diz vai contra tudo o que ele defende… Ai, como é tão usual estas mentes serem tão incongruentes… solução?

(…)”baixar os salários no sector privado e reduzir os preços”(…)

In Jornal de Negócios
Digo: Deixem de respirar e todos os problemas serão resolvidos!

E logo a seguir ao Krugman, aparece uma personagem que andava meio adormecida… Felipe González, antigo Primeiro-Ministro espanhol que nos diz:

(…)”a UE poderá, em dois meses, enfrentar uma situação idêntica há que já viveu com a Irlanda e com a Grécia.”
(…)”dentro de dois meses, Janeiro ou Fevereiro, a Europa voltará a viver a mesma sensação de emergência”

In Diário Económico
Estará a falar de Portugal ou de Espanha? Sinceramente tenho as minhas dúvidas…

Para corroborar as minhas dúvidas, nada melhor que sabermos que a banca do nosso país vizinho irá necessitar de angariar 85 mil milhões de euros de forma a cobrir os empréstimos que ganham maturidade no próximo ano.
Pegamos nesses 85 mil milhões e juntamos os juros e os outros milhões que necessitarão para manter a liquidez do sistema e… entretenham-se a fazer contas… digo apenas que são muitos mais milhões do que os aventados nessa notícia.
E 2011 até é um ano “pacífico” para a banca espanhola quando comparado com 2012, onde terá de refinanciar 30% de toda a dívida dos bancos… 30%…
Um pouco de especulação: 200 mil milhões? 500 mil milhões? 1 Bilião?

Seguindo com o Ministro irlandês da Justiça que diz:

“Claramente, houve pessoas de fora deste país que tentaram forçar-nos, a nós Estado soberano, a fazer o pedido [de ajuda financeira], fazendo de nós uns perdedores mesmo antes de termos sequer considerado essa hipótese enquanto governo” (…)
E se repararem, neste momento eles estão a fazer o mesmo com Portugal”

In Jornal de Negócios

Hmmm… estará o Banco Central Europeu desejoso que Portugal caia? Estará o Banco Central Europeu desejo de chegar até ao prato principal?
Esta perguntas são mais que válidas porque nem o resgate da Grécia e muito menos o resgate da Irlanda acalmaram os mercados, antes pelo contrário.
Qual o interesse do Banco Central Europeu no colapso destas economias?
Existe para ajudar ou para destruir?
Será a destruição o seu alimento?
Fazendo o BCE parte do grupo mais poderoso no mundo dos “casineiros”, capitalizará muito mais com a queda do que com a sobrevivência das suas sucursais: Portugal e Espanha.
Nham, nham… papinha…

E “prontos”, dei uma volta para chegar ao início, e agora poder escrever que as mentes pródigas da nossa sociedade andam a desenvolver solução para combater o aquecimento global, quando essas soluções já estão a ser aplicadas por uma Europa do euro que se está a alimentar das suas sucursais. O futuro da vida dos Zé Povinhos nessas sucursais do BCE, Portugal, Grécia, Irlanda, Espanha e mais uns quantos países, poderá vir a ser vivida à base de senhas de racionamento, não por falta de bens, mas porque os párias que são os pobres só se conseguirão alimentar com as senhas fornecidas pelas sucursais do BCE, ou seja, iremos viver à razão da ração para os pobres.

Notícia do The Telegraph – Cancun climate change summit: scientists call for rationing in developed world
Notícia do Diário Económico – Citigroup diz que Portugal está “insolvente”
Notícia do Diário Económico – “A União Europeia é o problema”
Notícia do Jornal de Negócios – Krugman: Grécia, Irlanda e Portugal são Tapas; Espanha o prato principal
Notícia do Diário Económico – Bruxelas poderá enfrentar novo resgate em “dois meses”
Notícia do Jornal de Negócios – Bancos espanhóis têm que refinanciar 85 mil milhões de euros em 2011
Notícia do Jornal de Negócios – BCE pressionou Irlanda e está agora a fazer o mesmo a Portugal

A Máquina Infernal

Portugal é o próximo cliente da máquina infernal da UEE. Mercados dizem que o salvamento da Irlanda foi um falhanço, devido à falta de transparência. Clube da bancarrota: Irlanda sobe ao 3º lugar. Mercados prevêem recurso de Portugal à ajuda internacional. Portugal e Irlanda são casos muito diferentes.

E aí vamos nós no 3º acto da novela: “gasto aquilo que não tenho e peço emprestado aquilo que não posso pagar”.
Depois do Lehmans e da Grécia, temos um terceiro acto totalmente preenchido com a Irlanda.
Irá ser o 4º acto dedicado a Portugal?
Aquando da queda da Grécia, a maioria dos analistas apontava Portugal como sendo a estrela para o 3º acto da peça, e conseguimos que a Irlanda nos roubasse o papel principal.
Conseguiremos que Espanha ou Itália, ou mesmo os Estados Unidos (dólar) nos roubem o protagonismo antecipado pela esmagadora maioria dos analistas?
Irá a Espanha ser consumida pela sua bolha imobiliária ou pela sua monumental dívida das regiões?
Irá a Itália, que tem passado quase despercebida, cair porque as suas contas e corrupção são uma imagem fidedigna da Grécia mas em escala incomparavelmente superior?
Os próximos seis meses o dirão…

Por enquanto, enquanto os nossos meios de comunicação para as massas continuam a fingir (na maioria das situações) fazer jornalismo “à séria”, temos de nos contentar com a explicação da nossa real realidade nas palavras de quem cá não está, nem tem responsabilidade cívica para o fazer: Ambrose Evans-Pritchard, a figura de proa da secção de economia do inglês The Telegraph.
Serão os nossos jornalistas assim tão mentalmente manipuláveis?
Até prova em contrário, estão a sê-lo!

Aos números do nosso Portugal:

Antes de lá entrarmos, vou primeiro escrever sobre a retórica que está a ser usada e abusada por quase todos os quadrantes político-bananeiros para descrever a situação de Portugal em relação à Irlanda e à Grécia, ou seja, aquilo que está servir de defesa a Portugal:
Olli Rehn, comissário europeu dos Assuntos Económicos e Monetários (apenas como exemplo de um dos intervenientes que anda a usar a retórica “programada”):

“A «natureza dos problemas» da Irlanda é «muito diferente» da dos problemas portugueses.”

In Sol

Agora sim os números e as palavras de Ambrose Evans-Pritchard:

“Os Portugueses estão confusos – e feridos – que os investidores possam sequer comparar o seu país com a Grécia ou Irlanda. Temo que muito em breve tenham de enfrentar alguns factos muito pouco agradáveis.”
“Enquanto a maioria dos líderes europeus, que encontram conforto no facto da Grécia ser um caso especial porque trapaceou os números, e que a Irlanda é um caso especial porque permitiu que os seus bancos entrassem num frenesim de empréstimos, ainda não reconheceram a verdade mais profunda em que a União Europeia destabilizou insidiosamente grande parte da Europa e aprisionou vários países (quase) inocentes numa depressão.”

In The Telegraph

Estes parágrafos estabelecem o tom para a descrição da nossa real realidade, não apenas aquela realidade (?) que nos anda a ser transmitida aos bochechos pelos nossos malfadados meios de comunicação social.
E assim chegamos ao rol dos números dispostos em sequência:
Défice externo:
2010: 10,3%
2011: 8,8%
2012: 8%
(Dados da OCDE)

Como criar riqueza no país do mundo desenvolvido com o maior défice externo?
Este défice será pago com empréstimos… este valor é o verdadeiro valor da dívida da República, não as contas manipuladas e manipuladoras do défice das contas públicas (também mas não só).
O problema maior é que a torneira dos empréstimos a Portugal pode fechar a qualquer momento… e depois?
Bem… depois…
FMI:

“Quanto mais tempo se mantiver este desequilíbrio, maior será o risco que a correcção seja repentina e angustiante.”

In The Telegraph

E como estamos na fase das comparações dizendo que Portugal é substancialmente diferente da Irlanda e da Grécia, que tal analisar essas diferenças por este prisma:
A Irlanda irá ter um superavit de 0,7% em 2011 e 3,2% em 2012.
Somos realmente diferentes!

Dívida pública:
Dívida da República: 86% do PIB (A oposição no bananal diz ser 122%)
Dívida Privada: 239% do PIB (Em 2008 – A maior no mundo)

As comparações com a Grécia e a Irlanda:
Grécia com 126,8% do PIB (Estado) e Irlanda com 101%… em 2014!
Como no endividamento privado somos reis, e no público andamos lá por perto… sim, as diferenças são realmente significativas para pior

A Banca, o mercado de trabalho e o mercado imobiliário:
A banca portuguesa e o mercado imobiliário são realmente as principais diferenças entre Portugal, Irlanda e Grécia.
A banca portuguesa foi menos “brincalhona” no mercado da especulação, mesmo assim o seu endividamento externo ascende em média a 40% dos seus bens, e se a torneira dos empréstimos fechar…
É-nos dito que a legislação do mercado de trabalho em Portugal é a mais rígida na Europa e que os apoios sociais representam 22% do PIB.
Este é provavelmente o único ponto que discordo em todo o texto do Evans-Pritchard.
Gostava de destacar que a Noruega, que tem um sistema social muito mais pesado para o erário público do que o português, e uma legislação laboral ao nível de Portugal, é a nona classificada no ranking mundial da competitividade. A culpa não é da legislação, é da forma como os impostos não foram e não são canalizados para a economia do Zé Povinho, ainda para mais quando a Noruega é o país do mundo em que a desigualdade entre os quadros superiores e os inferiores é a menor, aproximadamente 1 para cada 4 euros.
O mercado imobiliário é também uma diferença. Em Portugal ainda não estoirou, volto a frisar… AINDA não estoirou. Os indicadores mais recentes começam a apontar para que tal venha a suceder, como a brutal contracção que o sector das obras públicas tem vindo a registar, agravado no último trimestre para uma queda de 16,4% nas novas encomendas!

Depois Pritchard pega numa afirmação do nosso incontornavelmente brilhante Ministro de Estado e das Finanças que disse: “Se Portugal não fizesse parte da UEE o risco de contágio seria menor”, para escrever:

“Senhor, se Portugal não fizesse parte da União Europeia, certamente não estaria nesta situação. O país, no início dos anos de 1990, tinha um superavit na sua balança de transacções. Foi impelido pelas ilusões do não risco da EEU até a uns vermelhos 109% do PIB. Se a sua moeda ainda fosse o escudo, nunca teria conseguido acumular tanta dívida externa, e agora teria a capacidade de reganhar riqueza com uma taxa de câmbio inferior.”

“A origem desta crise vem desde a fatal decisão de entrar para a União Europeia 20 anos mais cedo do que devia. Depois Lisboa falhou com um controlo insuficientemente das políticas fiscais e de endividamento de modo a contrabalançar uma queda nas taxas de juro de 16% para 3%, de forma a conseguir entrar para a UEE – se é que é possível contrabalançar um erro monetário em tal escala.”

Portugal viu a sua competitividade ser destruída pelo «boom», e nunca mais conseguiu recuperar. O país tem desde então vivido num estado de permanente declínio por causa de uma moeda Teutónica que está constantemente a exacerbar os desafios. Perdeu incontáveis indústrias de baixa tecnologia para os rivais chineses e da Europa de Leste mais rápido do que as industrias de alta tecnologia que conseguiu criar.”

Portugal tem, de certa forma, sido uma vítima a EEU, uma casualidade das ideologias, dos bons ideais, e de teorias académicas não comprovadas de laureados com prémios Nobel sobre a eficiência das uniões monetárias.”

In The Telegraph

Pouco mais à a acrescentar que dizer que o que ele escreveu é quase proibido nos nossos meios de comunicação social, tal o silêncio degradante que continuamos a vivenciar, e usou apenas a lógica e contas de somar… 1+1=2… nada que necessite de um curso ou saber de predestinado para ser desenvolvido… fez um verdadeiro trabalho de jornalista mais profundo do que os que por cá vivem… no mínimo desprestigiante para a classe que vive em Portugal (digo eu)…

Para o ano que vem:
4% do PIB serão consumidos pelo aperto fiscal e assistiremos a uma contracção da economia em 1,4%. (OCDE)
A dívida total deverá ficar nuns incomensuráveis, inacreditáveis, absurdos 325% do PIB!!!!!!!
Acreditem, isto é mesmo diferente dos casos irlandês e grego, mas para pior!

Agora talvez seja mais fácil de compreender o porquê dos mercados terem pura e simplesmente respondido que o resgate da Irlanda não vale de nada, com o risco da dívida irlandesa a continuar a subir na tabela, assim como o de Portugal e da Espanha.
Agora é certamente mais fácil de compreender que estamos num beco sem saída, que nos próximos seis meses iremos entrar no grupo das soberanias totalmente vendidas e dependentes de terceiros, que o nosso sistema bancário irá ser varrido por essa maré, assim como o nosso mercado imobiliário. Então, nesse dia, talvez as diferenças entre Portugal, Irlanda e Grécia venham a ser apenas: Somados todos os indicadores é Portugal que está em pior situação…
E depois?
Bem, depois…a máquina infernal da União Económica Europeia irá continuar a funcionar tipo monstro aglutinador de tudo e todos…

Notícia do The Telegraph – Portugal next as EMU’s Máquina Infernal keeps ticking
Notícia do Sol – Portugal e Irlanda são casos muito diferentes, diz comissário
Notícia do Sol – Mercados prevêem recurso de Portugal à ajuda internacional
Notícia do The Telegraph – Ireland bail-out: Markets brand rescue package a failure due to lack of detail
Notícia do Expresso – Clube da bancarrota: Irlanda sobe ao 3º lugar
Notícias de Apoio:
Notícia da Bloomberg – Most Competitive Economies 2010
Notícia do Jornal de Negócios – Irlanda compromete-se a reduzir défice para 9,25% em 2011
Notícia do Economia & Negócios – Dívida pública da Grécia atingiu 126,8% do PIB em 2009
Notícia do Público – Joseph Stiglitz põe a hipótese de Portugal ou Espanha falirem
Notícia do IOL – Dívida pública total ficou acima de 108% do PIB em 2009
Notícia do Público – Portugal vai ter o maior défice externo da OCDE no próximo ano

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