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A Verdade é uma Aberração

Hoje vou começar pelo aberrante histerismo patente em muitas das parangonas dos meios de comunicação generalistas para escrever sobre os mais recentes desenvolvimentos que nos ajudam a compreender um pouco melhor o que podemos esperar, nos próximos tempos, do excedente de energia indispensável para o carburar desta sociedade moderna.

Ora então… nos espaço de 11 horas, os meios de comunicação deram destaque de parangona a isto:

Petróleo mais forte com reconstrução do Japão.
In Agência Financeira
Preços do petróleo recuam com receios de descida na procura pelo Japão.
In Jornal de Negócios

Compreendo que ainda todos andem a tentar compreender que influência na economia irão ter os problemas que assolam o Japão, mas um pouco mais de tino e bom senso, de modo a não nomearem logo os culpados mais fáceis, seria uma forma muito mais correcta de abordar esta questão e seria principalmente muito menos histérica. Este é apenas um dos incontáveis “erros” expostos diariamente nos meios de comunicação generalistas, culpa do aberrante copy\paste, pois, na maioria das vezes, nem se dão ao trabalho de verificar se o que escrevem hoje não choca de frente em incongruências fatais com o que escreveram ontem… mas enfim…
Continuando…
O engraçado nestas duas parangonas antagónicas é que ambas poderão reflectir o que se irá passar no futuro mais próximo com o preço do petróleo e, por inerência, a pressão da inflação, e não só, sobre todo o globo.
É uma verdade que os preços do petróleo tenderão nos tempos mais próximos a descer, culpa da quase paragem das industrias no Japão e de muitas outras noutros países que estavam e estão dependentes daquilo que as industrias japonesas produzem. É também verdade que quando as industrias japonesas voltarem a carburar a fundo, essa desalavancagem de pressão sobre a oferta de petróleo irá desaparecer, isto para além de que com o desaparecer de parte da capacidade geradora de energia eléctrica no Japão, especialmente das centrais nucleares que irão ser desactivadas, iremos assistir a um aumentar da pressão sobre a oferta de petróleo e consequente aumento do seu preço.
Podemos juntar a estes sinais de pressão mais um… quase todos os investimentos que estavam a ser feitos no mundo em novas centrais nucleares estão parados, novas centrais que iriam ajudar este mundo a reduzir uma fatia daquilo que consome de petróleo… iriam – nos tempos mais próximos…

A pressão que o Japão irá gerar sobre a oferta mundial de petróleo é apenas mais um dos factores que irão muito provavelmente conduzir este mundo até a um choque económico que porá todo o globo de gatas, que poderá ser em breve… se até lá isto não estoirar por culpa do vício da banca ao jogo, ou pelo excessivo endividamento das economias (ditas) desenvolvidas.

Para nos ajudar a compreender um pouco melhor as pressões que estão a ser exercidas sobre o petróleo, Robert Lenzner escreveu um excelente artigo na Forbes, que nos diz:

Iremos necessitar de 126 milhões de barris de petróleo por dia dentro de duas décadas – dos 90 milhões que actualmente a economia global requer. E metade desses 36 milhões de barris adicionais por dia estão ainda por desenvolver, até mesmo descobrir, de acordo com o relatório anual da Schlumberger para 2011.
In Forbes

Portanto, este mundo irá necessitar de mais 36 milhões de barris por dia daqui a 20 anos – isto claro se a economia global “não der o peido” até lá, sendo que mais de metade desse valor ainda não está desenvolvido, até mesmo descoberto e o que está actualmente a ser explorado nunca irá reduzir a sua produção? (Não existem poços de petróleo infinitos, por isso daqui a 20 anos a maioria poderá já ter deixado de produzir – isto nem vou levar em consideração, o que faria aumentar exponencialmente a insuficiência de petróleo para os próximos 20 anos)
Hmmm… portanto isto indirectamente diz-nos que o mundo tem uma margem de manobra para acomodar um aumento da procura de petróleo inferior a, na melhor das hipóteses, 18 milhões de barris por dia – a outra metade está por descobrir ou perfurar… ainda não conta, tal como ainda não conta para estas contas as reservas que daqui a 20 anos irão estar a produzir muito menos que hoje em dia, se é que mesmo grande parte delas ainda existirão como tal.
Para os mais incautos, que vivem num presente que para eles será sempre de crescimento eterno, tal número seja mais que suficiente para que este globo económico consiga continuar a crescer e que o amanhã venha a ser sempre melhor do que este presente… mas…

“Para encontrar petróleo, tem de perfurar. Mas não tem apenas de perfurar, também tem de aumentar a intensidade com que perfura em termos de sofisticação tecnológica, complexidades com os poços e reservatórios e eficiência operacional e a sua efectividade.”
In Forbes

Portanto, esses 18 milhões de barris aventados como colchão para o crescimento futuro deste mundo estarão intimamente dependentes dos factores acima destacados… hmmm… então este mundo está dependente da capacidade da tecnologia conseguir resolver essas questões, a mesma tecnologia que causou indirectamente o derrame de petróleo no Golfo do México e o acidente com as centrais nucleares no Japão… a mesma tecnologia que terá de ser cada vez mais infalível porque a margem será cada vez menor para acolchoar erros… hmmm…
Sabem, como pessoalmente não gosto nada de basear a minha vida em contos de fadas em que o bem triunfa sempre sobre o mal, gosto de fazer contas com os números que me vão surgindo à frente… Ora então, tendo este mundo actualmente capacidade de produzir, para lá do que consome, “apenas” mais dois milhões de barris por dia e que terá de encontrar\desenvolver mais 16 milhões barris por dia nos próximos 10 anos (metade do aventado na notícia da Forbes), ou seja, mais 1,6 milhões de barris a mais por ano durante os próximos 10 anos, significa que o mundo terá de margem apenas pouco mais de um ano de colchão para amparar problemas… Não sei se compreendem que 1 ano é igual a quase nada neste mundo económico que baseia todas as suas assumpções de que a economia irá continuar a crescer eternamente… 1 ANO!!!!
O nosso futuro está dependente que nada de mal corra que possa colocar em causa esse ANO de margem entre o precipício e o eterno crescimento eterno…
Sabem como reagem os mercados económicos mundiais quando colocados perante o risco?
1 ANO é NADA!

E que tal juntar a esta noção os problemas que estão a assolar actualmente o globo e a economia mundial?

O mundo está actualmente em modo de crise, culpa de um impensável desastre natural no Japão até às revoltas que assolam o Médio Oriente e a África do Norte.
Como se estes eventos não fossem já de si suficientemente preocupantes, está provavelmente a desenvolver-se uma crise ainda maior que poderá “abanar os mercados globais”, afirma o colunista da Forbes Gordon Chang: A luta pelos recursos globais de energia irá crescer conforme se forem agravando as pressões e os receios de uma diminuição na oferta de energia, já de si com preços bastante elevados.
In Yahoo! Finance

Portanto, este mundo, que tem pouco mais de 1 ano de colchão, está a ser acossado por problemas… hmmm…
E acho que o Gordon Chang não estava a falar sobre o futuro mas sim sobre o presente, pois a “guerra” na Líbia encaixa na perfeição na sua última frase – digo eu.
1 ANO… hmmm

E voltando um pouco atrás nesta história, quem no mundo tem capacidade para aumentar a produção diária de petróleo?A Arábia Saudita, correcto?

Impulsionada pelo crescimento populacional, aumento da qualidade de vida e crescimento da industrialização, está em crescendo a demanda de energia da região e uma diminuição não se perfila no horizonte.
Nos últimos anos, Kuwait, Qatar, Arábia Saudita e UAU, todos sentiram falhas no fornecimento de energia que resultaram em “blackouts” localizados que por vezes se estenderam durante vários dias. O consumo por vezes ultrapassa a capacidade de oferta disponível, principalmente nos meses de Verão quando o consumo destes países atinge o pico em resultado de aumento no uso dos ar condicionado.
In Arabian Business

Hmmm… a zona do planeta que é o colchão do globo – 1 ANO – está ela a braços com falta de energia?!?!?!
1 ANO, onde?!?!?!
Talvez haja 1 ANO a mais para esses países, ou então… guerra… por… petróleo… quer dizer, já está a ser tudo preparado para tal! Verdade? Será? Líbia? Bahrein? Síria? Iémen? Arábia Saudita? Todos?
1 ANO? Para quem? Para onde?

Conclusão:
E não é que as aberrações por vezes dizem a verdade… mesmo que a verdade seja antagónica da real verdade? E não é que é verdade que este globo poderá crescer ainda mais além… além das fronteiras da razão?
E não é verdade que um ano é mais que nenhum… mesmo que o nada seja apenas pouco mais que um?
E não é verdade que quem ainda tem já pouco mais terá?
Sabem… as ditas verdades são suspeitas nesta aberração…

Notícia da Agência Financeira – Petróleo mais forte com reconstrução do Japão
Notícia do Jornal de Negócios – Preços do petróleo recuam com receios de descida na procura pelo Japão
Notícia da Forbes – We Need To Find 36 Million More Barrels Of Oil A Day
Notícia do Yahoo! Finance – World at Crossroads Over Energy Supply: “This Is Not Over Yet,” Chang Says
Notícia do Arabian Business – Energy, not politics is Gulf’s top challenge

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Tsunami Económico

Continuação do artigo: Tsunami Nuclear

As certezas da vida moderna foram num pequeno instante colocadas em causa por um terramoto imenso, por um tsunami de dimensões cataclísmicas e por um desastre nuclear.
O Japão, a terceira maior economia deste nosso mundo, ficou de rastos. Quais os impactos para o restante do mundo deste tsunami económico que se está a formar?
Esta é a pergunta que vou tentar parcialmente responder, e escrevo parcialmente porque a amplitude de tal solavanco para a economia mundial tem tantas ramificações que se torna quase impossível de conseguir extrair todos os seus impactos directos e indirectos.

Antes demais, para não variar, muita da informação que iremos ter acesso nos meios de informação generalistas tenderá a fornecer-nos uma visão optimista, na melhor das hipóteses… isto caso os meios de comunicação generalistas sigam com a sua conduta habitual, tal como podemos facilmente constatar neste caso:

Desastres no Japão não causarão recessão mundial, acreditam economistas.
In Deutsche Welle

Mas pior, é que esta informação anda quase esquecida nos meios de informação… e quando escrevo “quase”, estou a ser simpático para com a ausência de análises a este problema, pelo menos nos meios de comunicação em língua portuguesa.
Mas seguindo com as palavras dos economistas optimistas:

Wolfgang Leim, acredita que no momento não há perigo de recaída numa recessão. Ele acredita que, como ocorre após grandes greves, a redução provocada pelo cancelamento da produção em alguns setores pode ser recuperada. Parte da produção pode ser deslocada das empresas afetadas para suas unidades em outros países.
O economista-chefe do Unicredit, Andreas Rees, opina que, mesmo havendo um recuo nas atividades econômicas japonesas nos próximos dois ou três meses, este efeito será compensado posteriormente.
O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, (…) o Japão pode até mesmo experimentar um boom econômico, comparável ao dos Estados Unidos na década de 1930, durante o “New Deal” do presidente Franklin Roosevelt.
In Deutsche Welle

Quase tudo positivo e bonito, não é verdade? O Japão vai recuperar num instante, o mundo não sofrerá consequências e isto até poderá mesmo representar um “boom” económico para o Japão. Estarão estas noções correctas? Porque razão quase só deram voz a noções positivas? Será isto uma vez mais informação tendenciosa, a quase regra da informação presente nos meios de comunicação generalistas? A ver vamos, mas os indicadores…

Quais os impactos para o sistema económico, para as energias e para o crescimento económico deste mundo?

O desastre na terceira economia do mundo é um factor inesperado que veio baralhar todos os outros que estavam previstos e descontados por analistas e mercados financeiros.  (…) está agora em risco não só o crescimento económico no Japão e na Ásia, como também a nível global. Para além do drama humano, começam-se a fazer cálculos económicos, após os efeitos imediatos da destruição de cidades, infra-estruturas rodoviárias e ferroviárias, fábricas, bens de consumo duradouro, campos agrícolas e fontes energéticas.
Também serão severamente afectadas as relações comerciais com os seus principais parceiros, nomeadamente a China que é o seu principal fornecedor. Não só se quebrará parte da procura nipónica para as suas cidades e fábricas na parte norte do país (no cenário futuro de reconstrução esta situação será fortemente invertida), como as exportações serão menores, com os efeitos que tudo isto acarreta a montante e a jusante.
In Diário Económico

Comecemos então pelo sistema económico:

Weinberg questiona se as pessoas afectadas pelo desastre irão pagar as suas hipotecas, os seus créditos e as dívidas dos seus cartões de crédito.
Ele afirma: “Poderemos assistir aos bancos a terem de assumir perdas em parte do seu portefólio de empréstimos.”
In CNBC

Esta é uma questão de análise tão simples no entanto nem sequer tem sido identificada pela grande maioria dos meios de comunicação generalistas.
Que perdas terão de ser assumidas pela banca japonesa que está intimamente ligada à banca mundial?
Sabemos que o Banco Central japonês já injectou mais de 300 mil milhões no mercado. Terá de injectar quanto mais para “salvar” os portfolios dos seus bancos? E a inflação que daí resultará?

A economia japonesa, já enfraquecida, talvez já mesmo em recessão antes da calamidade, irá ficar ainda mais fraca.
In New York Times

Portanto, é quase uma inevitabilidade o Japão entrar em recessão, Japão que representa aproximadamente 6% do PIB do mundo…6%! Se o Japão entrar em acentuada recessão o que irá acontecer ao crescimento no mundo? Sabem, em matemática 1+1=2, e neste caso é igual a uma provável recessão…

“Uma acentuada desaceleração no PIB do mundo, na segunda metade deste ano, é algo que não pode ser descartado.”
In The Globe and Mail

Num mundo já assolado pela crise no petróleo, pelas “revoluções” no Norte de África e Médio Oriente, pela alta da inflação na Ásia e nos mercados emergentes, pelas crises do crédito e descrédito com a banca, e pela dívida monumental que assola as economias desenvolvidas do mundo, tem agora de se juntar a isso tudo a crise de fundo no Japão.

Analistas dizem ser possível que as consequências venham a ser sentidas pelo mundo na forma de inflação mais elevada, diminuição no crescimento, ou num choque potencial para o sistema financeiro.
In The Washington Post

Porquê uma aceleração da inflação?

Especialistas em logística afirmam que o terramoto expôs pontos fracos críticos para uma vasta gama de negócios comerciais, tal como para as indústrias electrónicas e de produção automóvel.
In The Wall Street Journal

Uma aceleração na inflação porque o Japão representava quase 40% das exportações de componentes electrónicos para o mundo. A destruição das áreas costeiras japonesas levou com elas tanto as centrais nucleares como outras centrais geradoras de energia eléctrica, assim como muitas fábricas produtoras. O Japão não tem actualmente capacidade geradora de energia eléctrica para alimentar todo o seu tecido produtor, nem tal será exequível num espaço de tempo inferior a seis meses. O mundo terá de encontrar novos fornecedores, ao mesmo tempo em que a oferta diminui, o que fará inevitavelmente disparar o preço dos bens… preço que daqui a uns meses estará reflectido no mercado para os consumidores.
E há outro factor que está a ser recorrentemente “esquecido”… o Japão tenderá a passar de economia exportadora para uma economia importadora de forma a conseguir reabilitar as infra-estruturas que ficaram destruídas, assim como para conseguir aumentar a sua produção de energia através dos métodos convencionais, petróleo e carvão, que irão ser mais um dos factores a criar pressão inflacionária sobre o mundo. O Japão irá aumentar a pressão da procura sobre matérias-primas que já estavam sobre pressão na produção, e em vários casos, até mesmo em declínio, o que criará uma vaga inflacionária sobre o mundo.

Para além de que esta falta de componentes já estar a arrasar com parte da economia mundial:

Na quinta feira passada, a General Motors Co. tornou-se no primeiro produtor de automóveis a ter de encerrar uma fábrica por causa da crise no Japão.
In The Wall Street Journal

Desengane-se quem pensar que será apenas um problema para as fábricas de automóveis… Quase todas as indústrias que necessitam de componentes electrónicos estão a ser afectadas de forma violenta, levando que a maioria das fábricas produtoras no mundo estejam a reduzir a produção de modo a tentar evitar a todo o custo a paragem, e a tentarem arranjar tempo para encontrar novos fornecedores num mercado já de si espremido.

Mas existe um problema que poderá vir a ser mesmo uma bomba atómica para a economia mundial:

As suas corporações e bancos estão imensamente interligadas com o mundo e fazem parte do tecido que liga a economia global.
In The Washington Post

O Japão foi o segundo maior comprador de bilhetes do Tesouro americanos, e comprou em Janeiro mais de 20% (…) da dívida emitida pelo Fundo de Estabilidade do Euro para financiar os países em dificuldades na periferia do Euro.
In The Globe and Mail

O Japão é um dos maiores e mais activos financiadores das economias mundiais. O Japão é o segundo maior detentor de dívida americana e um dos maiores de dívida dos países europeus. Se actualmente já é tão difícil para a maioria dos países encontrarem financiadores para a sua dívida, o que irá acontecer daqui para a frente com o quase desaparecer do Japão do mercado enquanto comprador?

“As suas poupanças irão agora ser redireccionadas, directa ou indirectamente (através da aquisição de títulos japoneses), para a reconstrução, estes fundos deixarão de estar disponíveis para financiar economias estrangeiras.”
In The Globe and Mail

Mas há ainda pior… e se o Japão tiver de vender os seus investimentos em dívida dos outros países de modo a conseguir financiar a sua reconstrução?

O iene ganhou terreno durante toda a semana ao dólar – o oposto que se poderia esperar. Mas as companhias japonesas e investidores estiveram a fazer retornar o seu dinheiro para o território japonês, de modo a conseguirem pagar os imensos custos de reparação.
In New York Times

O Japão poderá vir a vender parte dos seus investimentos em dívida estrangeira, incluindo dívida dos Estados Unidos, para financiar um aumento da despesa depois do maior terramoto registado no país ter deixado milhões sem electricidade e sem água, de acordo com a Brown Brothers Harriman & Co.
In Bloomberg

Este é o terceiro factor de pressão inflacionária directamente ligado aos problemas que afectam o Japão. Mais dólares e mais euros entrarão no mercado se o Japão começar a vender os títulos de dívida de países estrangeiros. Eis o porquê do desespero dos bancos centrais das sete economias mais fortes do mundo andarem que nem doidos a vender ienes de modo a tentar controlar uma implosão das moedas mundiais.
Se o Japão começar a vender dívida de terceiros o mundo económico irá mais que provavelmente explodir em inflação e em contracção económica.

E o que fará este mundo casineiro e bananeiro quando tiver de enfrentar pelos cornos estes problemas?
O mesmo que tem vindo a fazer até aqui (Já o está a fazer)… irá imprimir dinheiro para tentar acolchoar a queda, acção que irá aumentar e agravar as pressões inflacionárias sobre o mundo… que irão por si ajudar a contrair ainda mais fortemente a economia mundial…

E falta juntar a todos estes tópicos a cereja no topo do bolo.
Se acontecer um desastre nuclear tipo Chernobyl no Japão, como se afigura cada vez mais provável? Pois é… todos estes factores tenderão a ser exponencializados N vezes… e a seguir será apenas o início do fim há muito anunciado…

Conclusão:
Japão papão em apagão… apagão que já se estende a todo o mundo… e inflação que irá papar tipo comilão aquele mundo que julgava estar desenvolvido… mas desenvolvido poderá ser apenas um desenvolver em marcha-atrás… atrás daqueles sonhos que são na realidade mais pesadelos, criados por homens que se julgavam superiores ao planeta… mas este planeta é vida, e a vida não se padece com sonhos de crescimento eterno… e de inflação em inflação iremos chegar até ao porto da desgraça em que seremos violentamente consumidos pela onda de um tsunami económico que engolirá todo este mundo… de eterno… e ilusório… crescimento.

Notícia do The New York Times – Certainties of Modern Life Upended in Japan
Notícia do Deutsche Welle – Desastres no Japão não causarão recessão mundial, acreditam economistas
Notícia do Diário Económico – Godzilla existe!
Notícia da CNBC – Nikkei Losses to Double: Economist
Notícia do The New York Times – A Crisis That Markets Can’t Grasp
Notícia do The Globe and Mail – Global economy faced with a new recession
Notícia do The Washington Post – Japan earthquake’s aftermath: Economists more pessimistic about long-term impact
Notícia do The Wall Street Journal – Crisis Tests Supply Chain’s Weak Links
Notícia do The New York times – Stress Test for the Global Supply Chain
Notícia da Veja – Catástrofe no Japão pode mudar planos de montadoras
Notícia da Bloomberg – Japan May Sell U.S. Treasuries After Earthquake, Brown Brothers’ Thin Says

Renováveis na Esperança

O nosso vício do petróleo está a drenar todas as gotas. A corrida para a energia verde está a levantar importantes questões financeiras na Europa. Um aumento na produção de biocombustíveis poderá seguir o aumento do preço do petróleo. O défice alimentar está a agravar-se. Mervyn King afirma que o nível de vida poderá não voltar a recuperar da crise.

A esperança… que deve ser a última a desvanecer… quando para alguém passa ser o único porto seguro deixa de ser esperança e passa a ser quase apenas puro desespero… uma ilusão…
Estará este nosso mundo agarrado à esperança de que as energias renováveis conseguem salvar este sistema económico e social?
Infelizmente tenho-me deparado com cada vez mais pessoas agarradas a essa esperança, o que em muitos casos já profundamente ultrapassou a fronteira da esperança, tal a convicção com que é defendida, que mais parece um puro desespero sustentado por vezes em meras ilusões sonhadoras desprendidas da realidade das coisas e deste sistema…

Escrito isto…

Actualmente o fornecimento de energia providencia o equivalente a 22 mil milhões de escravos, de acordo com o antigo homem do petróleo Colin Campbell.
A noção que um problema fundamental se está a avolumar, em que um aumento da procura supera uma oferta incapaz de crescer, conduzirá a uma carência na oferta do sangue que faz mover a economia global.
A descoberta de novos poços de petróleo atingiu o seu pico em meados da década de 1960, e tendo por base várias estimativas, ou estamos lá muito perto, ou então já estamos a vivenciar o pico da produção mundial de petróleo. A seguir, a disparidade entre a procura e a oferta aumentará inexoravelmente.
Hoje em dia as principais preocupações são que um aumento no preço do petróleo, impulsionado pelas sublevações no Médio Oriente, possa fazer perigar a “recuperação” económica. Mas existe uma ameaça muito maior e sistémica do pico e declínio da produção global de petróleo. O conduzir até ao supermercado, a quantidade de alimentos nas prateleiras, até mesmo como de manhã lavamos os dentes – toda a natureza da vida moderna nos países ricos está dependente da existência de petróleo barato e abundante.
In The Guardian

Abri com esta explicação de modo a contextualizar parte dos problemas que estão, ou irão em breve ser colocados à nossa forma de vida, a este sistema e a este paradigma social.
É quando confrontados com estes problemas que muitos adoptam o caminho da esperança, que pode ser ilusória, sem que para tal se baseiem em factos, apenas em desejos. Depois tomam opções de vida com base em um “quase nada”…
Eis então que surgem as renováveis que irão gradualmente substituir os 22 milhões de escravos que o petróleo providencia… a esperança de muitos… também a minha esperança mas não são certamente parte da minha certeza…

Nos últimos anos, o espectacular crescimento no número e tamanho das fontes de energia renovável na União Europeia — especialmente as solar e eólica — impulsionadas por gordos subsídios e retórica sobre as alterações climáticas, por parte dos governos, deixaram as redes de distribuição de electricidade em maus lençóis.
(…)”são necessários e urgentes avultados investimentos na rede de distribuição.”
Os custos estimados para o fortalecimento, melhoramento e eficiência das redes de distribuição chegam aos 100 mil milhões de euros, apenas para a próxima década, numa época em que os orçamentos estão estrangulados e em que os Estados impõem ou contemplam reduções nos seus esquemas de subsídios.
In Scientific American

Um dos problemas, que por norma escapa a quem se agarra intensamente à esperança das renováveis, é que uma contracção na oferta de petróleo é igual a uma redução no crescimento, o que por si conduz a uma redução da capacidade de investimento dos Estados e dos privados. Numa época de contracção não é socialmente sustentável, quanto mais aceite, que uma boa parte do excedente disponível (monetário) tenha de ser retirado aos benefícios sociais para se poder continuar a desenvolver as energias alternativas. Num mundo em contracção, um dos lados terá sempre de perder em favor do outro. Qual deles?
Estarão as pessoas dispostas a abdicar dos seus benefícios sociais?
A história diz-nos que não sem que tal não conduza a revoluções… que são, nesta altura do campeonato, do pior que pode acontecer com o excedente para o investimento.

(A Alemanha) produz usualmente pouco mais de 5 giga watts de energia eólica, e quando recentemente a produção disparou para um recorde de 20 GW num fim de semana particularmente ventoso, as ligações às redes fronteiriças dos países vizinhos tiveram de ser desligadas por não conseguirem lidar com o aumento de energia disponibilizado.
In Scientific American

Outro dos pontos usualmente negligenciado é o da volatilidade das fontes primárias de energia renovável, solar e eólica, com a sua produção a ser afectada positiva e negativamente consoante os dias, o tempo… não são estáveis. Este sistema social e económico não sustenta a instabilidade… Depois ainda não existe uma forma economicamente viável, nem mesmo exequível em larga escala, de armazenamento do excedente de energia gerado por estas fontes.
Infelizmente nenhuma das soluções eólica e solar actualmente disponíveis dispensam a existência dos combustíveis fósseis e ficar na esperança que venham a surgir os avanços tecnológicos, que na sua grande maioria só serão possíveis com a existência de um excedente de capital para investimento, quando na realidade podemos ter de vir a enfrentar uma contracção, que até pode ser extrema, pode ser apenas um pregar para o deserto… um sonho… uma ilusão…
A realidade é que o mundo está com décadas de atraso no investimento que devia ter sido feito nestas tecnologias e, dependendo que como decorrerem os próximos anos, talvez se venha a testemunhar que agora já poderá ser tarde demais…

Abordei apenas as questões sociais e de investimento com que se depara o nosso mundo para conseguir funcionar a renováveis. Unam essas questões à escassez cada vez mais pronunciada das matérias-primas que servem de base à tecnologia verde, solar e eólica — tema já abordado aqui na mOsca. O facto das energias eólica e solar serem sucedâneos de energia e não fontes de energia como o petróleo que é “moldável” em, por exemplo: pasta de dentes — como referenciado no texto de abertura. As renováveis, solar e eólica, só geram electricidade e pouco mais, e o nosso mundo necessita de muito mais que “apenas” electricidade.

Então e os biocombustíveis? (perguntarão alguns)

(…)a produção de biocombustíveis poderá enfrentar um ponto de viragem e começar a crescer exponencialmente consoante o aumento do preço do petróleo os for tornando cada vez mais rentáveis — em muitos países em desenvolvimento no mundo — os combustíveis que derivam de plantações.
(…)é provável que este crescimento na produção de biocombustíveis aconteça principalmente nos países em desenvolvimento que tenham populações em rápido crescimento e aumento da procura de bens alimentares. Isso é porque esses países, onde estão incluídas muitas nações africanas, são particularmente vulneráveis ao aumento do preço do petróleo, tanto para transporte como para a agricultura.
In The Guardian

Estará este mundo disposto a ter cada vez menos alimentos disponíveis de forma a ceder lugar a um crescendo da produção de biocombustíveis?

Os mais reduzidos inventários de milho desde há 37 anos são um sinal de que os agricultores do mundo não estão a conseguir produzir grãos suficientes para sustentar o aumento do consumo, mesmo com a expansão das plantações e com o aumento dos preços.
In Gulf News

Duvido! Porque entre a fome e a necessidade de energia, é a fome que assume o papel primordial.
Depois convém relembrar que os biocombustíveis são apenas isso… combustíveis… são também “apenas” um sucedâneo de energia e não uma energia moldável em por exemplo: pneus para o seu carro.
O futuro dos biocombustíveis está dependente da fome que existir no mundo para poder crescer, sob pena do mesmo mundo entrar em convulsões sociais. Talvez… talvez se houver um maior investimento no desenvolvimento da tecnologia se consiga descobrir uma fórmula mais eficaz, mas isso ficará dependente daquilo que já descrevi acima. Por isso os biocombustíveis irão, muito provavelmente, continuar a ser parentes pobres na produção de energia… e relembro que nem a energia eólica, nem a solar e nem os biocombustíveis ocupam o espaço usado pelo petróleo neste sistema social e económico. Energias eólica e solar: electricidade. Biocombustíveis: (pouco mais que) combustíveis.

E que futuro podemos esperar perante tal cenário de contracção do petróleo disponível e de fontes geradores de energia que estão atrasadas no seu desenvolvimento.
Ontem tivemos direito a uma frase de um dos maiores casineiros e banana deste nosso mundo que disse, o que para mim, foi algo inusitado, quase sem paralelo nos dias de hoje:

O Governador do Banco de Inglaterra alertou ontem que o nível de vida poderá não mais retornar ao que era antes da crise financeira, e que as famílias estavam apenas a começar a sentir o impacto total dos erros dos banqueiros.
“Estou surpreendido que a contestação popular tenha sido tão moderada.”
In The Independent

Sem dúvida que concordo com as suas afirmações, mas gostava de salientar que ele afirmou isso usando como base apenas a crise financeira causada pela banca no seu casino do mercado mundial. Imaginem o que teria de dizer caso juntasse a isso a mais que provável crise energética que está a aí à porta?
Revoluções… (?)
Juntem todos os factores, façam as continhas, e vejam lá bem onde poderá isto ir parar. Não usem como vosso sustento apenas as esperanças, que por muito importante que sejam para manter o ânimo, poderão não servir de sustento para uma tomada de opções para o vosso futuro e futuro dos vossos filhos que seja baseado no real.
Não se esqueçam… num mar de sonhos, por norma, afogam-se aqueles que mais sonham…

Conclusão:
Sopra uma brisa… o sol na praia… a mente que sonha em esperanças de uma vida vivida sem contratempos… enquanto isso, os bananas esticam… esticam… estiiiicam… a corda da realidade deste pesadelo tentando renovar os sonhos e esperanças daqueles que os vivenciam… e por aí fora… a fome… a fome dos combustíveis e um pesadelo que muitos perferem sonhar em esperanças profundas… mesmo que isso… seja apenas sinal de fome… e cada vez mais fome…
E entretanto, uns raros exemplares de uma espécie de sonhadores dizem… baixinho… será provavelmente o início deste FIM

Notícia do The Guardian – Our addiction to oil is draining every last drop
Notícia da Scientific American – Rush to Renewable Energy Generates Big Financial Questions in Europe
Notícia do The Guardian – Biofuel boom could follow oil price spike
Notícia do Gulf News – Worsening food deficit
Notícia do The Independent – King says living standards may never recover from the crisis

Este Mundo é Uma Mentira Inundada de Mentiras

Seis tabelas que demonstram que os bancos centrais pelo mundo estão a imprimir dinheiro de forma imprudente. Bernanke pede para que as regras do jogo sejam clarificadas. Como os biocombustíveis fazem aumentar o preço dos alimentos pelo mundo. Exportações de petróleo da OPEP caiem 2% empurradas pelo declínio na Arábia Saudita. Portugal endivida-se cada vez mais para comer. Portugal vive numa democracia podre. Nicolas Sarkozy diz que é necessário agir contra a grande ameaça da inflação. Economia americana: um grande esquema em pirâmide. Barclays pagou apenas 1% em impostos.

Inflação… o mundo bananeiro e casineiro está a começar a acordar (nas palavras) para o que se tem vindo a amontoar há pelo menos três décadas, desde quando o dólar deixou de ser resgatável em ouro, e exacerbado pela crise financeira de 2008 – excesso de liquidez nos mercados, vulgo, inflação.

Uma excelente compilação de dados no Business Insider ajuda-nos a compreender melhor a extensão da loucura desenfreada de um pseudo crescimento económico sustentado no numerário, quase afastado do real, conduzido por uma classe de Homens verdadeiramente, ou quase, dementes e diminutos na sua forma de analisar este mundo que devia ser de todos e para todos.

Se o dólar americano está a ser desvalorizado de forma tão intensa, então quais os porquês de por vezes ganhar valor a outras moedas do mundo? Bem, é porque actualmente estão todos a imprimir dinheiro de forma imprudente.
In Business Insider

Este tema devia ser uma preocupação central faz muito tempo… mas não… a mesma pandilha de bananas e casineiros que estão por detrás desta loucura monumental, apoiados por um silêncio ensurdecedor dos meios de comunicação generalistas e seus pseudo especialistas, são os mesmos que agora se dizem preocupados com o problema que eles conscientemente e ardentemente criaram.
Vejamos:

Estados Unidos

Fonte: Reserva Federal de Saint Louis

Um crescimento aproximado de 500% dos dólares em circulação no espaço de 30 anos!!!!! Aproximadamente 16% de aumento ao ano da moeda em circulação!!!!!

Europa


Um crescimento aproximado de 950%, ou 31,6% ao ano!!!!! (comparando com 1980)

Inglaterra


Fonte: Banco de Inglaterra

Um crescimento aproximado de 800%, ou aproximadamente 26% ao ano!!!!! (comparando com 1980)

China


Fonte: Banco Central da China

Um crescimento aproximado de 600%, ou aproximadamente 20% ao ano!!!! (comparando com 1980)
(Mais tabelas e exemplos estão presentes na notícia original – 6 Charts Which Prove That Central Banks All Over The Globe Are Recklessly Printing Money )

As conclusões a retirar destas tabelas são verdadeiramente simples: Um dia, este sistema que nos (des)governa irá deixar de conseguir absorver o excesso de dinheiro em circulação.
Acho que os sinais são mais que óbvios que estamos quase a lá chegar, se é que não estamos já por lá, mesmo que os insanos que nos conduziram até aqui consigam encontrar mais um coelho na cartola… mesmo assim é quase uma impossibilidade matemática o dinheiro fiat em circulação continuar a crescer a estes níveis…
Acho que já todos estão cientes que uma contracção do dinheiro em circulação é igual a recessão… por isso… que soluções existem para contornar isto?
Nenhuma que seja exequível dentro deste sistema que nos (des)governa sem que tal não exija taxas de crescimento negativo pelo mundo fora, ou seja, uma longa e continuada recessão durante décadas de forma a absorver gradualmente o dinheiro em excesso.
Qual o caminho que está a ser adoptado?
O da constante e contínua desvalorização das moedas em circulação, vulgo inflação, solução que é um imposto indirecto sobre os poupados e principalmente sobre as classes média e pobre.

Escrito isto, voltemos ao mundo da realidade pintada pelos meios de comunicação social para as massas…

O presidente da Reserva Federal dos EUA alertou hoje que os capitais que inundam os países emergentes ameaçam a estabilidade económica global, pedindo aos parceiros do G20, reunidos em Paris, que tomem medidas para resolver o problema.
“Os fluxos de capital estão, outra vez, a levantar desafios notáveis à estabilidade financeira e macroeconómica”, disse Bernanke, à margem da reunião dos ministros das Finanças e governadores de bancos centrais das 20 maiores economias desenvolvidas e emergentes.
In OJE

Depois de verem as tabelas expostas acima, o que me dizem de tais afirmações e vindo de um dos maiores impulsionadores da criação de moeda para impulsionar o (pseudo) crescimento (numerário)?
Pois é verdade, este é o mundo deles que infelizmente também é o nosso por ignorância da grande maioria dos Zé Povinhos deste mundo!

E então se analisarmos as pressões inflacionárias causadas pelo excesso de moeda fiat em circulação e o que está à acontecer com o sangue que tem sustentado esse crescimento do numerário, as energias?

As exportações de petróleo da OPEP caíram 2% em Dezembro, comparando com Novembro, com a Arábia Saudita, o maior exportador mundial, a reportar um declínio de 4,9%.
As exportações sauditas caíram para 6,05 milhões de barris por dia em Dezembro , quando comparado com Novembro, mesmo que a sua produção tenha aumentado para um máximo de dois anos de 8,37 milhões de barris por dia.
“Esta é uma diferença significativa,” disse John Sfakianakis, economista Chefe do banco com sede em Riade, Saudi Fransi, sinalizando a diferença de 2,32 milhões de barris por dia entre o que produz e o que exporta.
“Não é claro que a Arábia Saudita tenha consumido os 2,32 milhões de barris durante esse mês, mas é evidente que um aumento do consumo interno está eminente”, disse.
O total de exportações no mundo caiu 14% em Dezembro, comparando com o mês anterior, para 55,5 milhões de barris por dia, o valor mais baixo desde 2002, principalmente nos produtores não alinhados com a OPEP, especialmente os da América Latina.
In The Washington Post

Um declínio da produção na Arábia Saudita, um declínio na produção dos membros da OPEP, um declínio da produção na América Latina, um declínio monumental na produção do mundo e o constante crescimento das moedas fiat no mercado… Isto é verdadeiramente explosivo, digo eu, porque o petróleo é o principal motor gerador de riqueza neste mundo, e se ele está em contracção e as moedas continuam a ser imprimidas como se não houvesse amanhã, então a riqueza estará a ser delapidada em duas frentes, inflação e contracção do petróleo, que a continuar assim só trilham um caminho para este sistema económico: Hiperinflação!

E o que anda este mundo a tentar fazer para combater o declínio na produção de petróleo?
Anda a investir nos biocombustíveis.
Qual a influência destas medidas para tentar amenizar as quebras de oferta de petróleo no mundo?

O investigador de Princeton, Tim Searchinger, na semana passada numa coluna no The Washington Post, afirmou que os biocombustíveis estão a contribuir para a crise no preço dos alimentos. Constatou que os biocombustíveis – tanto o etanol de milho nos Estados Unidos como os biocombustíveis, que dependem do óleo de palma – consomem actualmente mais de 6,5% da produção mundial de grãos e 8% do óleo vegetal. Em 2004, estava entre os 2% e virtualmente nada. Num pressionado mercado de alimentos mundial, constrangido pelas condições atmosféricas, onde a dispersão de óleos e grãos é sentida no seu preço, especialmente nos países em desenvolvimento onde o aumento nos artigos de consumo é passado directamente para os consumidores. (Nos países desenvolvidos, o marketing e embalamento são os responsáveis pela fatia de leão no preço dos artigos o que amortece o aumento do preço dos artigos aos consumidores.) “Hoje em dia, o mercado está desequilibrado, escreveu Searchinger.
In Time Magazine

Em que ficamos?
Inflação gerada por excesso de moeda em circulação, mais inflação gerada por uma contracção na oferta de petróleo e mais inflação gerada pelas soluções desenvolvidas para controlar a inflação gerada pelo aperto nas exportações de petróleo!
Inflação + inflação + inflação!!!!!!!

Será diferente em Portugal?

As primeiras previsões agrícolas do ano, feitas pelo Instituto Nacional de Estatística não deixam margem para dúvidas: “as elevadas precipitações ocorridas até meados de Janeiro impediram a realização das sementeiras, levando inclusivamente à diminuição generalizada das superfícies semeada”.
O ano passado Portugal importou 80% das suas necessidades de cereais. Este ano será seguramente pior. Ou seja, o desequilíbrio da balança de pagamentos agrícola irá aumentar.
In Expresso

Obviamente que não! Já sabemos que os euros andam a inundar o mercado, que o petróleo não está a baixar e que este ano ainda irá ser o pior de sempre em termos de importação de alimentos.
Que podemos esperar deste ano?
Inflação!

E serei apenas eu que ando para aqui neste blogue a escrever recorrentemente sobre a inflação, tentando chamar à atenção de quem por aqui passa? Serei eu apenas um pessimista, um pseudo divulgador das histórias mais negras?
Joe Berardo:

Numa entrevista à agência Lusa, o empresário disse estar “muito preocupado com o aumento do custo de vida em Portugal” e elegeu o desemprego entre os jovens como “o problema mais grave a nível mundial” porque “vai resultar em revoluções”, como as da Tunísia e Egipto.
Sustentou que os aumentos do petróleo, IVA, impostos, redução dos ordenados na função pública, ou a duplicação do preço do trigo em menos de um ano são situações que vão provocar “uma inflação incontrolável daqui a pouco tempo”.
In Diário Económico

Nicolas Sarkozy:

A inflação coloca uma significativa ameaça ao crescimento global, arriscando o surgimento de sublevações perigosas se os preços dos alimentos crescerem para lá das possibilidades das pessoas”, Nicolas Sarkozy, o Presidente francês, em forma de aviso aos ministros das finanças do mundo.
“Um mercado sem regras é um mercado que será controlado pela especulação,” disse Sarkozy. “Mercados têm de ter, A market without rules is a market which is governed by speculation,” Mr Sarzoky said. “Markets have to have, tecidos neles, regras.”
In The Telegraph

Não, não sou apenas eu! Este é o problema do momento e o momento actual já poderá ser tarde demais para a controlar… digo eu… ate´pode ser que os bananas consigam desencantar mais um coelho da cartola para adiar esta conclusão.
Portanto… inflação causada pelo excesso de moeda em circulação, mais inflação gerada pela redução das exportações de petróleo, mais inflação causada pelas medidas tomadas para amenizar a redução nas exportações de petróleo, mais inflação causada por especuladores…
Onde irá isto parar?
Quase certamente, tal a pressão generalizada, à hiperinflação!!!

E pegando numa das últimas frase que expus de Sarkozy, “um mercado sem regras é um mercado que será controlado pela especulação”, o que nos contam as acções dos mesmos bananas que agora se mostram tão preocupados com a inflação?
Danny Schechter:

Economia americana: um grande esquema em pirâmide.
Enquanto Bernie Madoff desvanece na prisão, os banqueiros continuam a lucrar enquanto os pobres perdem a esperança e as suas casas.
O melhor relato sobre esta matéria não está nos meios de comunicação generalistas mas numa revista de música, na Rolling Stone, onde Matt Taibbi investiga o porquê de todos em Wall Street não estarem ainda na cadeia: “Financeiros desonestos colocaram a economia mundial de gatas – mas o Fed faz mais para os proteger do que para os processar,” escreveu.
Agora os republicanos querem diminuir as regulações sobre o mercado de derivados presentes na legislação financeira Dodd-Frank, afirmando que as regulações irão conduzir a um aumento do desemprego. Isto era previsível: todos os esforços para defender os grandes interesses económicos são sempre apresentados como medidas para ajudar o público.
O The New York Times reportou: “O representante Stephen Lynch, democrata de Massachusetts, avisou: “Acham que a regulamentação é dispendiosa? Então o que me dizem dos 7 biliões que perdemos por não haver regulação no mercado de derivados?
Não obteve resposta.
A passividade do público é em parte resultado da inundação de meios de informação que não aprofundam as questões e de uma eficiente privação de informação.
In Aljazeera

Pois… a verdade é que os bananas que (des)governam este mundo, que já por si é (des)governado por este sistema económico que é gerido por casineiros desgovernados, não fazem nada de nada, ou quase nada, para que o descontrolado comboio das economias mundiais consiga retornar aos seus carris.

E como ainda poderá haver por aí alguém que diga: Ah, isso é o Danny Schechter que está sempre a falar mal – para mim uma das vozes mais lúcidas no jornalismo mundial -, ou isso é da Aljazeera que está sempre contra o mundo ocidental:

O facto de o Barclays, terceiro maior banco britânico, ter pago apenas 113 milhões de libras (134,3 milhões de euros) de impostos no Reino Unido em 2009, o que equivale a cerca de um por cento dos lucros (11,6 mil milhões de libras), gerou hoje vários protestos de indignação.
In Público

Pois… a verdade é que não são os Danny Schechter’s e Aljazeeras deste mundo que estão a falar mal, a verdade é que a verdade é a vida sumptuosa cheia de benefícios de uns quantos muitos poucos, e a vida cada vez mais complicada de muitíssimos mais que são os penalizados.
E também poderá haver ainda alguém que pense que o que aconteceu com o Barclays em Inglaterra se cinge a Inglaterra… e para isso basta ver e saberem o que aconteceu em Portugal com o valor dos impostos pagos pela banca. Este é um sintoma generalizado neste mundo ocidental intitulado de desenvolvido. Desenvolvido? Sim… desenvolvido pela ganância, pelo engano, pela mentira, pelo abuso, pela traição, pela indecência, por desavergonhados indecorosos!

Conclusão:
Uma maré de papel fictício inundou a nossa vida… tal como inundada está de falsos profetas que se escondem debaixo de um manto de virtuosismo técnico… E as soluções (des)encontradas para suster parte da maré que aí vem mais não são que água que está ajudar a transbordar ainda mais o dique da desgraça… Enquanto isso, é bombeado cada vez mais de menos do sangue vital para o sistema mundial… E assim a fome é agua que paulatinamente inunda o nosso mundo… E por vezes: Verdade! A verdade! Alguém fala da verdade com verdades! Homens que sugaram e sugam o tutano deste mundo começam agora a abrir as goelas em terror… AHHHHHHH!!!!!!… Este mundo é uma mentira inundada de mentiras!!! Este mundo é como o Egipto, uma pirâmide construída acima dos Homens e só para alguns homens…

Notícia do Business Insider – 6 Charts Which Prove That Central Banks All Over The Globe Are Recklessly Printing Money
Notícia do Oje – Ben Bernanke pede controlo nos fluxos de capitais
Notícia do The Washington Post – OPEC Oil Exports Fall 2% as Saudi Shipments Decline
Notícia da Time – Why Biofuels Help Push Up World Food Prices
Notícia do Expresso – Portugal endivida-se mais para comer
Notícia do Diário Económico – Portugal vive uma “democracia podre”
Notícia do The Telegraph – G20 Paris: Nicolas Sarkozy calls for action against inflation’s ‘great threat’
Notícia da Aljazeera – US economics: One big Ponzi scheme
Notícia do Público – Notícia de que Barclays pagou impostos equivalentes a 1% dos lucros gera protestos

Um Mundo pintado a Números

A bomba relógio do desemprego entre os jovens. O porquê da importância da inflação no preço dos alimentos. Especialistas debatem os limites da aquacultura. Governos começam a dar aos seus cidadãos alimentos de graça. Apostas que o petróleo irá chegar aos 250 dólares, por causa dos riscos no canal do Suez. Arábia Saudita não consegue aumentar a produção de modo a controlar os preços no mercado. A teoria dominó e o síndroma saudita.

Os jovens…futuro das sociedades deste mundo… estão cada vez mais perdidos num mundo que está em provável contracção, mesmo que os números económicos queiram expressar exactamente o contrário.
Na Tunísia, no Egipto, em Portugal, na Europa, no mundo ocidental desenvolvido, são os jovens que mais estão a ficar desprotegidos, desamparados, desempregados… isolados… engolidos por uma onda de crescimento (numerário) económico desenfreado, desequilibrado e desprendido dos valores sociais.
Uma “monumental” peça jornalística da Bloomberg explica-nos de forma mais aprofundada esse crescente problema:

Os Hititas (tunisinos) e os Shabab (egípcios) têm irmãos e irmãs espalhados por todo o globo. Na Grã-Bretanha, são chamados de NEETs (Jovens que estão fora do sistema de educação, dos cursos profissionais, ou desempregados). No Japão, são os chamados “freeters” – uma amálgama da palavra inglesa freelancer e da palavra alemã, Arbeitr, ou trabalhador. Os espanhóis chamam-lhes os “mileuristas”, palavra que retracta os jovens que ganham menos de mil euros por mês. Nos Estados Unidos, são os “jovens boomerang”, jovens que terminaram a universidade e voltam para casa dos pais por não conseguirem encontrar trabalho. Até numa China em rápido crescimento, onde a falta de mão de obra é mais comum que o excesso de oferta, tem a sua “tribo-de-formigas”, jovens recentemente graduados que vão viver em grupos para apartamentos baratos nas franjas das grandes cidades por não conseguirem encontrar empregos suficientemente bem remunerados.
In Bloomberg

Isto devia servir de mensagem de alerta para todos os bananas deste mundo… mas não, o numerário económico, o excedente que a banca gere, a dívida para gerar mais crescimento, são invariavelmente preferidas ao abordar deste problema… e isto poderá vir a ter custos muito mais elevados do que os gerados por uma contracção do numerário (por vezes fictício) impulsionada pela contracção do crescimento…

A fissura entre os jovens e os que já não são jovens está a alargar-se. O antigo Primeiro Ministro italiano Giuliano Amato disse ao Corriere della Sera: “As gerações passadas consumiram o futuro das mais jovens”. Na Grã-Bretanha, o Ministro do Trabalho, Chris Grayling, comparou o desemprego crónico a uma “bomba relógio”. A. Jeffrey A. Joerres, chefe executivo da Manpower (MAN), uma companhia de trabalho temporário com escritórios em 82 países, acrescenta: “o desemprego nos jovens irá claramente ser uma epidemia na próxima década, a não ser que o abordemos já no imediato. Não se pode fechar os olhos a isto.”
In Bloomberg

Alguém vê por aí alguém (bananas, instituições internacionais, etc.) a abordar este problema de forma capaz… até mesmo ao de leve?
Eu não! O que vejo são os números… os números da economia a serem abordados de forma quase insana perante a realidade de um mundo que não se contabiliza nas folhas de cálculo de uns quantos economistas viciados no 1, no 2, no 3, na escala dos números, nos números que reflectem mais o mundo dos “eles” do que o verdadeiro mundo de todos nós:

No ano passado a ILO encontrou uma réstia de esperança. Depois de analisar os dados de 56 países, os investigadores estimaram que o número de desempregados entre os 15 e os 24 anos, em 2010, tinha regredido nessas nações, em quase 2 milhões, para menos de 78 milhões. “Inicialmente pensámos ser um bom sinal”, disse Steven Kapsos, economista da ILO. “Parecia que os jovens estavam a conseguir penetrar no mercado de trabalho. Mas depois apercebemo-nos que era o número de trabalhadores em busca de um emprego que estava a declinar. Os jovens estavam a desistir.”
In Bloomberg

Estará este sistema económico a criar párias? Revolucionários? Ladrões e criminosos? Pobres?
Talvez um pouco de tudo… jovens destruídos pela incapacidade de um sistema que se baseia nos números e que se afasta cada vez mais da realidade do real.

E se juntarmos esse cocktail potencialmente explosivo de jovens à deriva com a inflação dos preços do alimentos que está a ocorrer  por todo o mundo, inflação que na sua génese está intimamente ligada aos pacotes de estímulo que foram injectados um pouco por todo o mundo desenvolvido e não só?

Dos dados da inflação são excluídos os preços voláteis dos alimentos e da energia numa tentativa de pintar um quadro mais real a longo prazo. É por isso que Bernanke pode dizer que a inflação continua quase silenciosa. Se retirarmos os preços dos alimentos e dos combustíveis, a inflação é realmente baixa.
Mas até alguns dos economistas “bullish” já não estão a ir na cantiga, como Ed Yardeni, presidente da Yardeny Research. Está a começar a ficar preocupado que Bernanke possa, com o QE2, ter libertado a besta da inflação pelo mundo.
In Daily Finance

Pois é, num mundo pintado e gerido a números, pelas classes banananeiras e casineiras, quase nada mais lógico existirá para eles que criar novos algoritmos que os ajudem a pintar no tom desejado o mundo em que todos nós vivemos, de modo a que o mundo dos “eles”, distante e ilusório para a grande maioria, possa continuar a crescer no papel.
Quem em seu perfeito juízo pode retirar das contas da inflação os alimentos e os combustíveis? Quem se não os doidos, ou os mentirosos?
Eu próprio respondo à minha pergunta: Os bananas e os casineiros!

E como o verdadeiro mundo não se rege pelos números artísticos de uma classe que vive num número próprio, eis que parte dessa classe, a medo depois dos recentes desenvolvimentos e revoluções na Tunísia, no Egipto, etc., resolve começar a doar alimentos à população de modo a tentar controlar possíveis sublevações sociais nos seus feudos. Os mesmo que arriscam a real realidade do mundo numa folha contabilística desvirtuada, apresentam-se a partir de agora como os bons… amigos…

O Ministro do Comércio e Indústria embarcou esta terça-feira numa campanha de distribuição e oferta de provisionamentos alimentares a todos os cidadãos elegíveis para os receber, como parte de uma oferta do Amir HH para o público do Kuwait.
In Arab Times

Hmmm… que mãos abertas… hmmm…
E para quem estiver menos atento e pensar que isto está a acontecer apenas nos países do Médio Oriente, relembro que 15% da população americana recebe do Estado cheques mensais para se conseguir alimentar … 15%!!!!!

Enquanto isso, o mundo das ciências, e as suas constantes evoluções e soluções para quase todos os males que o apoquentam, líderes numa acção maioritariamente benéfica a nível social mas igualmente enganadora, vão também constantemente chocando de frente com os limites físicos de um planeta que não se coaduna com soluções finais e totais.
A aquacultura, método apontado como salvador dos bancos de pesca do mundo, está a chocar de frente com os seus limites:

“Vamo-nos deparar com cada vez mais constrangimentos em termos de espaço disponível, de acessibilidade à água  – principalmente água doce – e também com os impactos ambientais e no fornecimento de rações”, disse o Sr. Cochrane.
In The New York Times

Eis que passadas umas décadas depois de ter sido anunciada como a solução final para os problemas de excesso de exploração dos bancos de pesca do mundo, este mesmo mundo tem de chegar à conclusão que as soluções salvadoras finais não podem\devem ser vistas e analisadas como tal, sob pena de serem quase sempre apenas um engano. O mundo e o Homem são limitados… ilimitados são apenas os sonhos do Homem.
Portanto, para além das “brincadeiras” com os números que estão a levar os preços dos alimentos até ao inacessível a uma boa parte deste mundo, também temos de começar a analisar profundamente que não irão ser apenas os cereais, as frutas, as verduras e a carne que irão aumentar exponencialmente de preço.
É só boas notícias…

E para adicionar um pouco mais de sal a tudo isto, ficamos a saber que há casineiros a apostar que o petróleo irá em breve custar 250 dólares por barril. 250 dólares por barril!!!! Se os “eles” estão a apostar que o barril irá a estar a 250 dólares é porque na mente deles o preço tenderá, muito provavelmente, a passar largamente esse valor:

Os investidores subiram as apostas de que o preço do petróleo poderá chegar aos 250 dólares o barril, preocupados que a revolta no Egipto possa interromper o tráfego marítimo no canal do Suez e alastrar-se até à Arábia Saudita.
In Bloomberg

Quando li isto pensei: “custa-me a acreditar que seja apenas por causa do enunciado nesta notícia… 250 dólares é 150% a mais que o preço actual… é demasiado… e até os casineiros são minimamente sãos das ideias…
E eis que hoje surge algo que me parece bem mais real, para reflectir essas apostas, do que os problemas no canal do Suez:

A revelação do conteúdo de um telegrama liberado pelo Wikileaks urge Washington a levar seriamente em conta um aviso de um executivo petrolífero do governo saudita de que as reservas do reino podem ter sido exageradamente estimadas em mais de aproximadamente 300 mil milhões de barris – quase 40%.
In The Guardian

Bomba!!!! Se as reservas na Arábia forem menos 40% do que ao proclamado, detendo a Arábia as maiores reservas do mundo e sendo o maior produtor e exportador mundial, então este mundo poderá ter menos de 1\5 de todo o petróleo que julga ainda existir por explorar.
Talvez esta informação nos ajude a compreender muitos dos porquês de tantas das coisas que estão a acontecer fora das páginas contabilísticas do mundo dos “eles”. Quase tudo o que temos passado nos últimos tempos, sejam preços, bancos, petróleo, revoluções, dívida, quase tudo poderá não mais ser do que o mundo real a responder à falta do sangue que faz mover este sistema das coisas que nos (des)governa…

E levando tal cenário de menos 40% de reservas em consideração, o que poderemos esperar daqui para a frente?
Guerras? Revoluções? Fome? Colapsos? O quê?
Já assistimos a revoluções, já estamos acostumados a ver a fome, já vimos colapsos… aquilo que ainda não vimos, e que nos conta a História acontecer quase sempre em épocas de contracção, foram as guerras, ou guerra:

Obrigado, Chairman Bernanke, por alegremente ter derrubado o dominó de Eisenhower através de uma estúpida e míope negação dos impactos da sua política monetária no preço global dos alimentos e das energias. Obrigado por assumir o lixo do “hedonismo” que distorce os números da inflação, que também o defende por enviar para a rua desempregados quase esfomeados em áreas altamente instáveis do mundo.
No final do dia, Sr. Bernanke, o único grupo que talvez lhe vá agradecer poderá muito bem ser o complexo industrial militar americano… isto assumindo que a máquina de guerra não irá gripar por falta de petróleo.
In Taipan Daily

Conclusão:
Jovens sem tino nem destino, números de um papel escrito por quem os números são deuses… inflação que é bandeira que corrói e ao mesmo tempo defende os deuses dos números… números que são cada vez menos animadores para os grandes desenvolvimentos em forma de solução total desenvolvidos pelo Homem… os “eles” que de nós quase apenas têm só medo, já dão comida de graça para na graça do Zé Povinho voltarem a cair… e dos números para quem os números são deuses, ficamos a saber que o número para o futuro da nossa vida é imensamente inferior ao proclamado… número que na sua essência poderá mais não ser do que mais um algoriticamente embelezado de modo a pintar o nosso mundo num tom mais suave…
E no final?
No final a História é invariavelmente madrasta com os números… num mundo pintado a ilusões…  só nascem, por norma, desilusões…

Notícia da Bloomberg – The Youth Unemployment Bomb
Notícia do Daily Finance – Why Global Food Price Inflation Really Matters
Notícia do Arab Times – Govt starts giving citizens free food
Notícia do The New York Times – Experts Debate Limits of Fish Farming
Notícia da Bloomberg – Bets on $250 Oil Rise as Traders See Saudi, Suez Risk
Notícia do The Guardian – WikiLeaks cables: Saudi Arabia cannot pump enough oil to keep a lid on prices
Notícia do Taipan Daily – Domino Theory and Saudi Arabia Syndrome

Um Deus-Ex-Machina Falível

O sonho exorbitante do petróleo no Árctico. Energias renováveis poderão suprir 95% da demanda em 2050, afirma a WWF. Elementos sob ameaça colocam desafios às energias verdes. A jatropha cai do pedestal de planta maravilha para o biocombustível. África do Sul diz que o carvão é uma prioridade para a geração de energia. FMI, jovens irão enfrentar o desemprego durante toda a sua vida. James Howard Cunstler: O Pico do Petróleo e o declínio do sistema financeiro.

Em alta estão as notícias das revoluções no Egipto, na Tunísia e em mais uns quantos lugares do mundo, o aumento do preço das matérias primas e principalmente dos alimentos.
Que tal utilizar uma explicação mais abrangente e profunda para tentar analisar essas questões? É isso que vou tentar fazer hoje, em parte influenciado por um comentário de CropedFrag:

Agora que os protestos no Egipto iniciaram-se, todo o mundo coloca as culpas sobre esses protestos por causa dos aumento/inflação de um pouco de tudo (…)

Vou começar pelo fim deste texto, e tal como reflectem as palavras de James Howard Kunstler, a noção de Pico do Petróleo é cada vez mais uma realidade incontornável. (No fim do texto estará o vídeo com as explicações de James Howard Kunstler)

Primeira pergunta. Será uma realidade essa noção de Pico do Petróleo?
Oficialmente continua a ser tabu, mas não oficialmente é algo atendível nas acções que o mundo está a tomar. A mais importante das dicas que nos ajuda a compreender se tal é verdade ou não, é a mobilização de meios e capital para as áreas quase inacessíveis do planeta, as últimas fronteiras, em busca do ouro negro… para os pólos.
Os mais incautos poderão dizer que: Se existe petróleo por lá porque não extraí-lo já?
Raramente os problemas no e do nosso mundo são de resolução simplista e facilitista, e as dificuldades técnicas, colocadas sobre os meios técnicos actuais usados na extracção de petróleo, são levadas ao limite do conhecimento e do capital existente.
Para confirmar o que acabei de escrever, o Der Spiegel escreveu um excelente artigo expondo todas as dificuldades com que o Homem se está a deparar para conseguir domar as dificuldades impostas pela exploração nos pólos.
Primeiro, até hoje todos os poços exploratórios construídos nos pólos foram uma decepção monumental… nenhum revelou a presença de petróleo:

Dois rotundos falhanços e um teste abortado — um resultado miserável. Quando, em Outubro passado, a companhia escocesa Cairn Energy publicou os resultados preliminares da sua pesquisa de petróleo na costa da Groenlândia, as suas acções caíram 7%, apenas num dia. As suas descobertas não revelaram nem uma gota do ouro negro: a companhia afirma que os custos ascenderam a 180 milhões de euros.
In Der Spiegel

Se nem a tecnologia para se acessar a existência ou não de petróleo no solo é fiável… Mesmo assim o mundo inteiro sustém a respiração na esperança do surgimento de notícias positivas sobre a potencial existência de reservas imensas de ouro negro lá por aquelas bandas. Se nem nos números das espectáveis reservas existentes por lá podemos confiar ou basear as nossas opções de futuro…

Os cientistas estimavam que a região podia albergar aproximadamente 7,5 biliões de barris de petróleo — 1,2 triliões de litros. Mas estatisticamente, a probabilidade de produzirem tais quantidades é a mesma de nem se chegar a extrair uma gota.
In Der Spiegel

E quando se analisa os custos de energia investida versus energia produzida, eis que os cientistas chegaram a esta conclusão:

Se assumirmos que os custos de produção serão superiores a 100 dólares por barril, apenas poderão ser explorados 2,5 biliões de barris, de acordo com os cálculos da USGS — e com 50% de probabilidade.
In Der Spiegel

Bem, para quem estiver menos atento, isto até poderá parecer normal, até positivo, e por isso vou expor novamente os dois números que foram avançados para essa região (na costa da Groenlândia) — 7,5 biliões de barris de reservas estimadas e 2,5 biliões de barris de produção máxima, com apenas 50% de probabilidade.
O que nos contam estes números de 7,5 e 2,5 biliões respectivamente?
Dizem-nos que na melhor das hipóteses apenas 1\3 é explorável rentavelmente e\ou que a rede de energia – quantidade de energia investida versus energia produzida – é inferior a zero, é (quase) NEGATIVA!
Quase se pode concluir daqui que a rentabilidade da exploração dos pólos poderá ser apenas uma opção de subsistência e não de viabilidade comercial para o mundo, ou então que o barril de petróleo terá de estar acima dos 300 dólares para tornar a exploração (quase) rentável. Já imaginaram como será um mundo com o petróleo a 300 dólares por barril?
Mas há mais…

De modo a explorar tais reservas, as companhias terão de gastar muito mais. Mesmo se nos basearmos nuns quase inacreditáveis 300 dólares por barril, apenas poderão ser extraídos 4,1 biliões de barris, com a mesma taxa de probabilidade de sucesso de 50%. “Isto é sem contabilizar 1 cêntimo de impostos, nem 1 cêntimo de lucro.”
In Der Spiegel

Por conseguinte, temos de esperar que o barril de petróleo esteja bem acima dos 300 dólares para que a exploração nos pólos seja um facto viável economicamente e com um retorno, escrevo, miserável de menos de 2 para 1. Já imaginaram um mundo em que o barril esteja acima de 300 dólares?!?!

E o que nos resta? As renováveis?
Sim, em parte, mas desengane-se quem pensar que tal possa vir a ser exequível a tempo de se evitar que o mundo entre em convulsões económicas, sociais e políticas, porque a subjectividade latente em tais desejos\sonhos é imensa. Mas preparem-se que nos próximos tempos iremos ser constantemente bombardeados com os sonhos e visões cor-de-rosa, os quais irão no seu âmago ser  quase sempre mentirosos, ou ilusórios, ou ainda verdadeiramente irrealistas.
Eis um exemplo disso numa notícia que saiu hoje:

A demanda energética mundial poderá ser suprida em 95 por cento por energias renováveis até 2050, segundo um relatório divulgado na quinta-feira pela entidade ambientalista WWF e pela consultoria energética Ecofys.
In Reuters

Todos nós queremos que isto seja verdade. Todos precisamos que isso seja uma realidade. Mas infelizmente, as realidades simplistas e facilitistas são constantemente consumidas pela verdadeira dimensão da realidade:

A edição de Janeiro da Chemistry World trás consigo um aviso sobre a iminente escassez de certos elementos. Entre eles estão os elementos raros do planeta e em particular do Neodímio, a produção do qual, estima-se, terá de quintuplicar para conseguir construir ímãs suficientes para abastecer o número estimado de turbinas eólicas necessárias para um futuro de renováveis. Os meus cálculos apontam para que isso ainda assim leve de entre 50 a 100 anos a ser implementado (…)
In Forbes

Portanto, essa coisa do em 2050 95% da energia provirá das renováveis poderá mais não ser que um belo sonho, um desejo de, não a realidade que necessitamos para tomar as opções correctas para o nosso futuro e futuro dos nossos filhos.
Vamos continuar a dar ouvidos ao que estas instituições internacionais nos querem fazer crer?

Mas ainda há mais. A jatropha, planta que até há bem pouco tempo era quase endeusada como a maravilha que podia ser cultivada em terrenos que não servem para a agricultura – terrenos marginais – e que tinha alta rentabilidade, caiu do seu pedestal de anjo salvador para:

A jatropha não é a planta maravilha que muitas pessoas pensam ser.
Cresce em terrenos marginais, mas se usar terrenos marginais irá obter colheitas marginais.
In Reuters

Este é apenas só mais um exemplo dos incontáveis salvadores que já foram anunciados por incontáveis quadrantes da nossa sociedade, sempre embrulhados numa esperança ilusória, num sonho, armas de um método científico que é muito mais falível que o desejável. A verdade é que o mundo, a economia e as sociedades mal conseguem reduzir a sua dependência das matérias primas fósseis, do petróleo e do carvão. O que temos vindo a assistir, com o aumento do preço e escassez do petróleo, é a um recrudescimento da demanda mundial por carvão. A última economia a sublinhar isso foi a sul africana:

A empresa estatal de energia Eskom tem-se deparado com cada vez mais dificuldade para assegurar o carvão necessário de forma a suprir as necessidades energéticas da maior economia de África, depois das minas de carvão terem virado o seu foco e produção para as exportações para a Ásia, devido à promessa de lucros mais avultados.
In Reuters

A sofreguidão desde mundo, deste sistema exponencial económico e social, não espera pelo desenvolvimento de novas tecnologias, ele está viciado no seu ritmo de crescimento cada vez mais acelerado e incontrolável. Quem ficar à espera que um Deus-Ex-Machina, sob a forma de tecnologias inovadoras\sonhadoras, chegue para resolver todos os problemas, poderá muito bem estar inadevertidamente a ajudar no agudizar dos mesmos, debaixo de uma passividade mental que poderá ser a melhor amiga da continuação do sistema das coisas.

E o que podemos esperar do futuro com este avolumar das questões energéticas que são o sangue das economias e sociedades deste mundo?
Não vou ser eu a responder a isso, porque tenho apenas indicadores, e esses valem o que valem, vou deixar isso para as mesmas instituições que nos pintam os dias num constante cor-de-rosa ilusório. Neste caso, cedo a palavra ao FMI:

O diretor geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) fala numa “geração perdida” no desemprego. Futuro será marcado por maior protecionismo comercial e agitação social violenta.
In Expresso

Portanto, ou eles estão a par da verdadeira realidade – o que me parece ser mais do que evidente -, ou então, por vezes, mudam o tom da retórica e pintam tudo num negro profundo. Na minha modesta opinião, acho que eles, no meio de tanta publicidade enganosa, lá vão dizendo, a espaços, a verdade…

E o que tem tudo isto a ver com os acontecimentos no Egipto?
É (apenas) a base da história subjacente ao aumento do preço do pão… e não só… um dos seus principais factores que é e será (quase) continuadamente analisado de forma efémera e desconectada… A energia é o sangue que impulsionou, impulsiona e irá continuar a impulsionar a vitalidade de todas as formas sociais… e um mundo castrado dessa vitalidade…
Quase nada no nosso mundo é de explicação simplista e facilitista. O nosso mundo vive numa cadeia de factores interligados que não podem ser desassociados, sob pena de se andar apenas a pregar o falso, o ilusório…

E vou fechar com quem iniciei, com James Howard Kunstler e as suas sábias e serenas palavras, um dos poucos verdadeiros analistas deste nosso mundo… mundo que está em larga medida suspenso na ideia da existência de um Deus-Ex-Machina que nos irá salvar, através da tecnologia, de todos os males… James Howard Kunstler:

Notícia do Der Spiegel – The Exorbitant Dream of Arctic Oil
Notícia da Reuters – Energia renovável pode atender 95% da demanda em 2050, diz WWF
Notícia da Forbes – Endangered Elements Pose Threat To Green Energy
Notícia da Reuters – Biofuel jatropha falls from wonder-crop pedestal
Notícia da Reuters – S.Africa says coal for power a priority
Notícia do Expresso – FMI: jovens enfrentarão desemprego toda a vida
Notícia do The Nation – James Howard Kunstler: Peak Oil and Our Financial Decline

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