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Os Bancos São Nossos Amigos

Hoje soube-se que os bancos são nossos amigos. Com “nossos” quero obviamente dizer do Estado, pois como se costuma dizer “o Estado somos todos nós”.

Dizem as notícias de hoje que os bancos nacionais ajudam o Estado. Curioso, fui ler o conteúdo das notícias para ver se os meus olhos liam bem, ou se não teria ocorrido nenhuma gaffe por parte de quem fez o copy/paste da notícia. Ao que parece, a quase totalidade da dívida emitida pelo Estado este ano foi comprada por entidades económicas sedeadas em Portugal, nomeadamente por bancos.
O Estado não divulga as taxas de juro que tem de pagar aos bancos pelo empréstimo do dinheiro, mas situar-se-ão entre os 3 e os 6%, dependendo do prazo em que o empréstimo tem de ser pago. Ora, como os bancos portugueses se financiam (leia-se: compram dinheiro) junto do Banco Central Europeu, que é a entidade pública que carrega no botão das impressoras para criar dinheiro, à taxa de 1% (!!) é fácil de perceber quem é que está aqui a ajudar quem… depois admiramo-nos todos com os lucros galácticos apresentados pelos nossos amigos…

Mas esta questão levanta outras bem mais profundas. Senão vejamos: quando o BCE a partir de Janeiro de 2011 acabar com o crédito ilimitado às taxas actualmente praticadas, onde vai a banca financiar-se e, por arrasto, o Estado? O Estado pagará juros bem mais altos no exterior ou ficará à espera do FMI ou do fundo de emergência europeu que ao que parece tem a comparticipação do FMI em cerca de 25%. Mas quem irá conceder crédito “pagável” às famílias e às empresas? Sabe-se que mais de metade da dívida externa nacional pertence ao sector financeiro, quando a teta secar… deixo à imaginação de cada um o que acontecerá a seguir. Num país que não produz, que não exporta, em que a classe média está arruinada e endividada, a receita do estado para pagar dívidas terá de vir de onde? Adivinharam. Aumento de impostos (IVA) em 2011, mais medidas de austeridade e quem sabe a cereja em cima do bolo: congelamento do 13.º mês e a consequente machadada no rendimento anual do trabalhador português. E rezemos para que o FMI não entre aqui “priadentro” aos repelões… se não acreditam, perguntem ao nosso ministro das finanças.

“não é possível atingirmos o nosso objectivo orçamental sem melhoria da receita”

in Jornal de Negócios (23-09-2010)

Notícia no Público – Bancos portugueses ajudam estado

Notícia na Agência Financeira – Bancos portugueses são os mais dependentes do BCE

Notícia na Reuters – ECB options to deal with liquidity-addicted banks

Notícia no Expresso AR: Teixeira dos Santos não esclarece se aumenta ou não impostos em 2011

Notícia no Oje – Lucro dos maiores bancos privados nacionais sobe 4,1% no semestre Read the rest of this entry

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Próximo do Fim das Ilusões

Portugal é a 2ª preocupação da UE. Pressão sobre as finanças portuguesas. O nível de recurso da banca nacional ao BCE é preocupante. Só nos metem na ordem à força. Dívida cresce a um ritmo de 2,5 milhões hora.

Apertem os cintos que o avião está prestes a fazer uma aterragem de emergência…

Na continuação dos problemas técnicos que estão a acossar o avião português, no artigo Na Corda Bamba com o Euro, há uns dias na Alemanha saiu uma publicação que foi um pouco mais longe e diz que os problemas técnicos que estão a afectar Portugal são a 2ª maior preocupação da Europa.
Afirma também que o problema técnico que mais está a afectar o voo português é as despesas sociais… Gosto mesmo quando vão direitinhos ao assunto e acertam no alvo mais fácil contornando as questões de fundo…

Então e os impostos que a banca não paga, não davam e sobravam para cobrir “N” vezes o buraco gerado pelo aumento das despesas sociais?

Então os impostos que os grandes aglomerados financeiros não pagam não dava para cobrir “N” vezes esse buraco?

Então e a tão proclamada redução da despesa de Estado que em apenas oito meses deste ano já superou o endividamento total do ano passado?

Então e os tão indispensáveis submarinos alemães, não dava o seu valor para cobrir “N” vezes o buraco?

Está a ser definido um novo ponto de “ataque” social… tenham poucas dúvidas em relação a isso…
Vai ser uma vez mais o Zé Povinho a arcar com todas as loucuras financeiras de um sistema que no seu âmago é perverso e beneficia sempre quem mais tem…
Se gostam de injustiças… continuem na vossa… Se gostam de ser sadomasoquistas… continuem na vossa… Se gostam de viver com cada vez menos… continuem na vossa… Se gostam de gostar de tudo o que os outros pintam à força para nós… então continuem na vossa…
Eu não gosto!

Vou usar algumas das palavras de Eduardo Catroga numa entrevista ao Diário Económico que está pintada nas entrelinhas:

“Portugal está a caminhar a passos largos para o destino grego.”

“Hoje, o recurso da banca nacional ao BCE representa já 30% do PIB, contra 13% em Espanha e 40% na Grécia.”

“(…)não vejo a tomada de medidas para inverter esta situação, que é realmente insustentável, mais cedo ou mais tarde.”

“Portugal foi o único país, nos primeiros sete meses do ano, em que a despesa pública continuou a subir(…)”

“vejo o ministro das Finanças a querer fazer uma redução contabilística do défice, tal como já fez entre 2005 e 2008, recorrendo ao aumento da carga fiscal, a receitas extraordinárias e a desorçamentação (…)”

“Enquanto não levarmos um apertão no financiamento externo, o que vai acabar por acontecer, as nossas entidades responsáveis não assumirão as suas responsabilidades.”

In Diário Económico

Sabem o que significa “fazer uma redução contabilística do défice“?
Leiam o que o Público escreveu sobre essa acção quando realizada pela China: China mexe na contabilidade orçamental para reduzir défice

Meus caros, como tudo na vida que é uma ilusão, o futuro desta não irá ser diferente… mais dia menos dia irá cair a máscara e a realidade surgirá tal qual uma revelação… quer dizer, irá ser uma revelação para os muitos que preferem usar a cabeça apenas para segurar o cabelo, ou acreditar piamente que quem nos governa fá-lo sempre com a melhor das intenções…
O dia da revelação já não deve estar muito longe, pode mesmo estar ao virar da próxima esquina, e aí os que têm guardado 5% da sua vida para precaver um solavanco no futuro irão cruzar essa esquina com muito mais facilidade do que os que acreditaram que acreditar sempre era o caminho mais certo… ou seja, quem comodista é, comodista terá de deixar de ser…

Depois de passada a esquina da revelação, o que se seguirá será o FMI…
Há quem já hoje esteja de braços abertos para receber essa instituição em solo nacional. Para esses aconselho vivamente a leitura ao que acontece e aconteceu ao Estado Social nos países em que ela põe e pôs os pés…
Sabem uma coisa, eu chamo ao FMI – Fonte Mundial de Injustiças, e não o faço de animo leve, faço-o porque o âmago das suas acções é do mais danoso que os Zé Povinhos enfrentam no mundo actual.

Avancei com os parágrafos acima porque o economista Jacinto Nunes diz hoje numa entrevista ao Diário Económico:

“Mas isso vem com o Fundo Monetário Internacional, não acredito que a União Europeia nos dê acesso ao fundo de emergência sem nos sujeitarmos ao FMI.”

In Diário Económico

O que abre campo a outra pergunta, ou perguntas:
Porque razão tem a União Europeia de impor o FMI?
Quem manda na UE, o FMI?
Deixo esta especulação para ser analisada por vós…

E para fechar a notícia que está a fazer parangonas em todos os meios de comunicação social hoje: Dívida cresce a um ritmo de 2,5 milhões hora.

Poucas coisas são inocentes no nosso mundo… esta notícia aparece na véspera do novo orçamento de Estado que deverá vir carregado com um futuro de mais impostos para o Zé Povinho e o acenar da bandeira dos 2,5 milhões irá ajudar a justificar os seus porquês… tenho muito poucas dúvidas nisso… tenho tão poucas dúvidas nisso que em Julho escrevi o artigo Dois Milhões à Hora… Quilómetros? no qual abordei a questão.
Portanto, isto só é notícia hoje e não o foi ontem porque apenas hoje alguém escreveu o guião para que ela fosse notícia copy/paste em quase todos os meios de comunicação social… quer dizer, também pode ser só especulação minha ao nível das especulações dos artigos abaixo que aconselho a leitura:

O Portugal do Futuro Para o Zé Povinho
Um Futuro Com Mais e Melhor de Quê?
As Privatizações e os Números “Engraçados”
Este Ano a Banca Ainda Vai Pagar Menos de Impostos!!!!!!!!!
Os Bancos, os Lucros e o Choradinho II

Para o bem ou para o mal acho que estamos mesmo próximos do fim das ilusões que têm comandado o nosso estilo de vida, principalmente na última década… a década do Euro FIAT…

Notícia da Agência Financeira – Dívida: Portugal é 2ª preocupação da UE, diz jornal alemão
Notícia da TSF – Pressão sobre finanças portuguesas
Notícia do Diário Económico – “O nível do recurso da banca nacional ao BCE é preocupante”
Notícia do Público – Governo perto de ultrapassar dívida prevista para 2010
Notícia do Diário Económico – Governo obrigado a mais austeridade para cortar défice
Notícia da Agência Financeira – Governo sob pressão: vêm aí mais medidas de austeridade?
Notícia do Diário Económico – “Só nos metem na ordem à força”
Notícia do Jornal de negócios – Endividamento está a subir ao ritmo de 2,5 milhões de euros por hora
Notícia do Diário Económico – Portugal endivida-se ao ritmo de 2,5 milhões por hora
Notícia da TSF – Ritmo horário de crescimento da dívida cresceu 25 por cento

Soberania, BCP e Grécia

Visto prévio do Orçamento de Estado não é perda de soberania nacional. BCP com rácio de solvabilidade inferior ao definido pelo Comité de Basileia.  Default grego inevitável face à contracção do PIB.

O que é soberania nacional?
Soberania existe quando nenhuma outra instituição está acima do Estado. É tão simples e linear quanto isto…

Portanto podemos afirmar que o presidente do Tribunal de Contas de Portugal é ingénuo, ou pior, é ignorante, ou ainda pior, mente com todos os dentes que tem.

Desde que Portugal entrou para a União Europeia que deixou de ser um país soberano, soberania que tem vindo a ser delapidada ano após ano.
– Está em grande parte legislativamente dependente de “instruções” da União Europeia.
– Já não tem moeda própria.
– Já nem consegue aprovar o seu orçamento sem o aval da União Europeia.

Isto não é soberania, isto é dependência de terceiros nas acções primárias de um Estado que se julga independente.

Pessoalmente acho que a República portuguesa será melhor retratada como: República Federal Portuguesa.

Sabem, uma mentira dita muitas vezes e transmitida continuadamente pela comunicação social transforma-se numa verdade, mesmo quando o conceito em causa – soberania – é tão simples e claro como a água.

Portugal não é um país independente! Chamemos às coisas aquilo que elas são!. É um Estado Federal.

O BCP, para variar, é o banco nacional mais titubeante. Até mesmo quando tem de enfrentar medidas aprovadas pelo Comité de Basileia III, que foram recebidas com aplausos pela generalidade da banca, abana que nem varas verdes.
O BCP faz-me lembrar a Grécia onde está sempre tudo a ser resolvido, que as medidas estão a dar frutos, etc… mas quando aparece um grão de areia no seu caminho parece sempre que choca de frente contra uma parede.
Vai ser pelo BCP que o sistema bancário nacional ainda irá passar as passas do Algarve…

E já que falei da Grécia, nada melhor do que bater palminhas ao Jornal de Negócios, que costuma ser um jornal “traiçoeiro” em determinados temas mais “profundos”.
Hoje, abriu uma rara excepção e colocou num cantinho uma notícia que pode ser importante para quem quer preparar o seu futuro tendo em conta que ele possa vir a ser um pouco pior do que o presente em que vivemos.
Sabem uma coisa, um adulto responsável não “foge” das tendências negativas, adapta parte da sua vida a elas – nem que seja apenas 5%. Os adultos que se comportam tal qual adolescentes querem acreditar piamente que nunca nada irá piorar e que o mundo irá continuar a crescer eternamente, mesmo quando vivem num planeta esférico com limites físicos.
Era bom que o mundo fosse assim tão simples…

Mas chega de psicologia… a notícia, que é o importante, refere-se a um estudo do centro de investigação RMF (Estudo do Dinheiro e das Finanças), onde participa um economista português de seu nome Nuno Teles, que afirma que o default grego parece inevitável perante a contracção do PIB que se tem vindo a registar.

Por norma, o mundo é muito mais simples quando nos dizem que é de difícil contextualização, e muito mais complicado quando nos dizem que branco é branco e preto é preto.

No caso da Grécia e a conclusão deste estudo:
2+2= 4. Ora seja… Se um país tem um buraco financeiro para pagar e se o seu PIB está em queda, significa inevitavelmente que o país está a gerar menos riqueza e menos riqueza significa menos capital, e menos capital significa menos dinheiro angariado através dos impostos, e menos impostos significam menos receita, e menos receita significa menos apoios sociais, e menos apoios sociais significam uma população mais pobre, e uma população mais pobre significa… fome.

Mais especificamente, um país como a Grécia dificilmente irá conseguir saldar as suas dívidas quando enfrenta contracções do PIB (Riqueza – impostos) com a dimensão que temos vindo a assistir. Só um paralelismo: Uma redução no “ordenado” (impostos) torna mais difícil o pagamento da casa… não é verdade?
Ou a União Europeia irá continuar durante décadas a subsidiar a dívida grega, ou então o baralho de cartas que é a economia grega virá por aí abaixo… inevitavelmente… quer dizer, pode ser que o PIB venha miraculosamente a crescer acima dos 8% nos próximos dez anos. (Número que eu considero base para a sustentabilidade miníma da dívida grega)

E Portugal?
Bem… Portugal é a Republica Federal Portuguesa e está totalmente dependente da saúde financeira e dos caminhos legislativos da União Federal Europeia, por isso… o que por lá for decidido será o nosso futuro…

Notícia do Diário Económico – Visto prévio do OE não é perda de soberania para Portugal
Notícia do Jornal de Negócios – BCP aquém das novas exigências de capital
Notícia do Jornal de Negócios – “O “default” grego parece inevitável face a contracção do PIB”

A Irlanda e o Fim da Linha

Na Irlanda os perigos continuam à espreita. Crise da banca anula as políticas de austeridade.

Na continuação do artigo E se a Grécia for a Irlanda e Esta o Mundo?, chegam-nos mais uns desenvolvimentos significativos e quais as suas implicações.

A Irlanda cumpriu todos as indicações que emanaram das agências de rating, da Comissão Europeia e do FMI. (Não esquecer este pequeno pormenor)

A Irlanda fez o que outros Estados europeus fizeram, salvaram os seus bancos da ruína, baixaram os salários da função pública e efectuaram cortes drásticos na despesa.

Analisemos a história e os resultado destas indicações e opções das instituições internacionais:

– Em 2008, os três maiores bancos irlandeses tinham acumulado um volume de empréstimos concedidos e investimentos que equivaliam a três vezes o tamanho da economia irlandesa. Hoje em dia, aproximadamente 1\3 desses valores correspondem a crédito mal parado ou a valores de alto risco de recuperação. (1\3 é igual ao volume total da economia irlandesa!)

– Trichet chegou a indicar a Irlanda como o exemplo a seguir pelas economias periféricas da Europa. (Exemplo da mentalidade de visão de curto prazo dos monstros financeiros que nos (des)governam)

– No final do ano, a Irlanda irá apresentar um défice de 10% a 15% do PIB. (10% é o valor apresentado pelo Público e 15% o pelo The New York Times)

– o Anglo Irish Bank ainda irá precisar, no mínimo, de mais 25 mil milhões de euros para conseguir sobreviver, o equivalente a 19% do PIB irlandês e a 1\3 de todas as receitas do Estado. A Standard & Poors considera esse valor muito baixo…

– Os bancos irlandeses têm de saldar 26 mil milhões de euros de dívida em Setembro – este mês. Este valor é o equivalente a 1\5 do rendimento anual da Irlanda.

– O crescimento que a Irlanda apresenta deriva do facto de ser um paraíso fiscal para as grandes corporações internacionais, que quase não pagam impostos. Ora, quase 1\4 do valor do PIB irlandês advêm dos resultados dessas empresas, empresas que mal contribuem para as receitas do Estado irlandês. Conclusão… um crescimento do PIB irlandês não representa directamente um aumento das receitas ou da riqueza do país.

– Em 2015 a cada agregado familiar irlandês corresponderá uma dívida de 200 mil euros! 200 mil euros!

– Poucas dúvidas subsistem que o sistema nacional de saúde, os serviços de saúde em geral e a educação sofrerão cortes radicais na despesa.

Peter Boone e Simon Johnson:

“Posto de maneira simples, a Irlanda parece estar insolvente, tendo em conta os cenários mais plausíveis com as actuais políticas.”

In Público

Até para um leigo isto significa apenas e só uma coisa: INSOLVÊNCIA, na melhor das hipóteses, e bancarrota na pior.

Peguem no que está a acontecer na Irlanda e olhem para o nosso umbigo… as politicas foram exactamente as mesmas… mesmo que os valores aplicados na economia (bancos) tenham sido substancialmente diferentes, os resultados de uns irão reflectir o futuro dos outros, quando em causa estão exactamente os mesmos problemas.

Uma vez mais temos de olhar para as opções quase impingidas pelas agências de rating, pela União Europeia e pelos governos como algo que tem sempre e só uma visão de muito curto prazo e preocupações exclusivas com os sectores financeiros…
Será possível que estas BESTAS sejam assim tão BURRAS?
É possível. Tanto é possível que os resultados são invariavelmente os mesmos: Uma visão economicista sustentada apenas nos números de crescimento dos mercados financeiros e um desprendimento absoluto dos pilares que sustentem a economia: as pessoas e a economia real, ou seja, a economia fora das instituições financeiras, a produtora.

Vai mais uma salva de palminhas para as políticas e políticos que nos desgovernam… clap… clap… clap… clap…clap…

E o comboio desgovernado da economia está prestes a chegar à estação… que imagem nos irá trazer do nosso futuro?

Notícia do Público – Crise da banca anula os efeitos pretendidos com as políticas de austeridade na Irlanda
Notícia do The New York Times – In Ireland, Dangers Still Loom

A Falsa Demanda da Banca

Os negócios internos da banca foram o motor da crise financeira.

Acho que já todos sabíamos que a banca foi a principal responsável pelo evoluir do caos financeiro que conduziu ao estado em que se encontra a economia mundial actualmente.

Hoje ficamos a saber um pouco mais profundamente como tal se processou: Criaram uma falsa procura.

O Merryl Lynch, Citigroup, USB e outros compraram os seus próprios produtos de forma a “enganar” os mercados.
Em 2006, começaram os problemas com o sector imobiliário que começou a corroer as contas dos bancos. Então de forma a esconder os números negativos os bancos começaram a criar derivados dos derivados de modo a criar a ilusão de fluidez. O que criaram foi uma bolha financeira baseada em “nada”, porque já não havia valor de mercado que sustentasse esse mercado. Criaram um novo problema para tentar esconder outro problema – foi a lógica da batata… a constante ilusão de que o adiar dos problemas dará tempo suficiente para se encontrar uma solução para os resolver, e o que constatamos é que o que acontece quase invariavelmente é o agudizar dos mesmos.

Este estratagema financeiro gerou elevados dividendos no curto prazo para a banca. O exemplo tipo dos rendimentos gerados por ano por cada derivado era de 5 a 10 milhões de dólares, que depois quase metade era dividido para pagar bónus aos “casineiros”.

A maioria destes derivados valem actualmente pouco mais que cêntimos… esta é a verdadeira imagem da loucura desmedida do vício que governa a conduta da banca, de Wall Street e de quase todas as praças financeiras mundiais.

Uma explicação detalhada sobre esta questão está desenvolvida na investigação do ProPublica – de leitura obrigatória de forma a perceber a verdadeira profundidade desta questão.

Acho que o importante a retirar daqui é que os vícios continuam os mesmos, pouco ou nada se aprendeu com os erros cometidos, e que com uma economia cada vez mais titubeante a tendência para que a banca continue a tentar fazer crescer este tipo de produtos financeiros é uma realidade vincada.

A vida de um país não pode, não deve, nem nunca devia ter sido “vendida” para as mãos de capital privado. Um mercado global não pode, não deve, nem nunca devia ser sinónimo de loucura descontrolada de produtos financeiros, devia apenas e só representar livre comércio… o comércio é que é importante para as sociedades e não os mercados de papel, quando para mais grande parte desse papel é apenas e só uma ilusão de rentabilidade.

Continuemos a deixar nas mãos destes loucos o futuro das economias e vamos todos aprender da forma mais difícil o que representa a ânsia de ganância destes agarradinhos ao numerário…

Noticia do ProPublica – Banks’ Self-Dealing Super-Charged Financial Crisis
Notícia da MSNBC – Finally, the housing meltdown makes sense
Notícia da CNBC – Did Banks ‘Fake’ Demand For Niche, Housing Products?

Na Lama\Cama Com a Banca

Informações veiculadas pela banca sobre dívida soberana cada vez mais turvas. DECO acusa bancos de não cumprirem limites nos custos por reembolso antecipado. Bancos portugueses ganham 7,7 milhões por dia em comissões. Estado perde impostos com a aquisição do Finibanco por parte do Montepio.

Vamos lá uma vez mais fazer as contas da banca na cama dela…

Primeiro, ficamos hoje a saber que o principal objectivo dos stress testes realizados à banca europeia, que era a clarificação dos riscos com a dívida soberana em sua posse, não foi cumprido por muito dos bancos.
Surpresa? Surpresa era dar um beijinho num sapo e ganhar uma donzela nos lençóis…
Este “pequeno” detalhe fez com que parte(?) dos resultados tenham ficado um pouco mais coloridos…

Enquanto este senhores não conseguirem compreender que as soluções de curto prazo acabam quase sempre por voltar para os perseguir ainda com mais intensidade, nunca mais iremos sair deste ciclo do sobe e desce na economia.
Escrevi este parágrafo porque o efeito do colorido está a desvanecer, e porque ao mais ligeiro sinal de um pequeno problema esta noção esboroou-se e os mercados estão a voltar à carga para castigar os meninos mentirosos.

Alguns dos exemplo de bom comportamento:
* O Barclays, que foi o banco mais bem classificado nos stress testes, revelou à época deter 850 milhões de euros de dívida soberana italiana. Ora, passadas umas semanas esse valor disparou para 9,3 mil milhões de euros.
* Royal Bank of Scotland – À época revelou ter em dívida soberana irlandesa 353 milhões de euros. Agora diz ter 4,65 mil milhões de euros.
A isto chamo investir e à grande no mais curto espaço de tempo possível! MENTIROSOS MANIPULADORES!

Agora andam todos a dizer que essa disparidade nos resultados foi culpa dos critérios dos stress testes… eu digo que foi por culpa de serem mentirosos compulsivos – já existe tratamento para isso!

Podemos sempre confiar nas instituições que dizem gerir e controlar a nossa economia… são uns santos e todas as suas intenções são puras e inócuas… e claro o Freddy Kruger também é um anjinho…

Para além de mais este “detalhe” da vida liberal da banca, hoje outros estão a curtir o bailinho da Madeira…

Já tínhamos sabido que por debaixo da mesa algumas instituições bancárias andavam a acrescentar clausulas aos contratos de empréstimo para nova casa, sem o conhecimento dos mutuários. Agora a esse pormenor temos de acrescentar que outros – diferentes dos que foram apanhados a fabricar clausulas -, o Crédito Agrícola e o Deutsche Bank, foram, diz a DECO, apanhados a cobrar taxas mais elevadas do que as permitas por lei sobre o pagamento antecipado dos empréstimos.

E hoje também ficamos a saber que os bancos portugueses, só e apenas os portugueses, capitalizam por dia 7,7 milhões de euros em comissões.
“Peanuts” para empresas que vivem à sombra dos mil(es) milhões de lucro por semana.
Gostava de saber quanto destes 7,7 milhões é resultado de acções mafiosas destes meninos…

E para fechar as contas por hoje, o Estado português vai UMA VEZ MAIS perder dinheiro com compras das grandes instituições financeiras.
Caso a compra do Finibanco pelo Montepio vá para a frente, o IRC do Finibanco faz “caput”… com que num passo de mágica…

Gostava daqui de endereçar os meus sinceros agradecimentos aos “bananas” que nos (des)governam pela capacidade de análise e preparação do seu futuro… isto de trabalhar para um futuro financeiro pessoal mais consolidado é algo que poucos portugueses conseguem ter o discernimento de fazer… muito, muito bem… daqui a uns anos estarão quase todos nos quadros de alguma instituição financeira com um ordenado chorudo…

Ah como é boa a vida na cama com a banca…

Notícia do The Wall Street Journal – Bank Sovereign-Debt Disclosures Get Muddied
Notícia do Jornal de Negócios – DECO acusa bancos de não cumprirem limites nos custos por reembolso antecipado
Notícia do Jornal de Notícias – Bancos portugueses ganham 7,7 milhões por dia em comissões
Notícia do Jornal de Negócios – Estado perde impostos com integração do Finibanco no Montepio

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