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Um Faz de Conta…

Médio Oriente é o espelho de revoluções por inflação desde 1200 DC. A América do Sul aprecia um “boom” na classificação de crédito… por ora. Bancos Centrais sul americanos vêem agravamento do risco económico. A economia brasileira vacila com o aumento dos preços. É dito que a Argentina está a ameaçar os economistas que questionam os dados. Colômbia aumenta inesperadamente a taxa de juro para controlar a inflação. Beijing irá crescer menos. Economia dos Estados Unidos cresce apenas 2,8%.

Os motores do mundo desde 2007, as economias dos mercados emergentes, principalmente as dos BRIC, estão a começar a sentir os solavancos de uma economia mundial excepcionalmente dependente da liquidez de dólares e do preço do petróleo.
Se os mercados emergentes começarem a reduzir o passo do seu crescimento (PIB) o mundo irá, muito provavelmente, começar a contrair num todo.

Já por aqui fui escrevendo sobre as economias asiáticas, sobre os Estados unidos, sobre a Europa, sobre o Médio Oriente, mas estava em falta falar das economias sul americanas e principalmente da economia brasileira.

Antes de mais, vou tentar contextualizar com a História aquilo que o mundo está a enfrentar hoje em dia, pois desengane-se quem pensar que estamos a lidar com um caso sem paralelo:

Desde a Idade Média que a inflação conduziu a revoluções politicas e podemos estar na presença da quinta revolução do género.(…)
A primeira vaga de alterações nos preços aconteceu durante a Idade Média, culminando com a peste negra. As outras três ocorreram no séc. XVI, no séc. XVIII e no virar do século passado. Cada uma dessas ondas inflacionárias durou aproximadamente 100 anos, de acordo com o trabalho de Fischer.
“Durante as últimas quatro revoluções nos preços, os alimentos e a energia lideraram o movimento de crescimento, seguidos de perto pelo aumento dos bens manufacturados e dos serviços,” escreve Yardeni, um reconhecido estratega de Wall Street que já fez parte da Reserva Federal americana e do Tesouro. “A relevância da história das anteriores vagas inflacionárias é simplesmente assustadora.”
In CNBC

Portanto, os homens que actualmente andam a brincar à inflação têm plena consciência dos danos que tal acção pode causar no nosso mundo, pois sabem o que aconteceu na História. Podemos então afirmar que andam a brincar com o fogo e que quem brinca com o fogo costuma queimar-se a si e a todos os outros…

Então que história é essa que a História nos conta?

(…) descreve o inicio das vagas com o aumento da inflação, seguida depois com os governos a imprimir moeda. Em resposta, começa a surgir um acnetuado aumento no preço dos bens, gerando um cavar das desigualdades entre rendimentos porque a elite resiste ao aumento de impostos. Os desprezados, especialmente os da geração mais jovem, ficam desesperados e irados e começam a mobilizar-se em grupos para estimular revoluções politicas. A vaga termina numa tremenda volatilidade financeira e no fim em um colapso dos preços e das taxas de juro.
In CNBC

Relembro que esta é uma análise do passado e não uma dos dias de hoje… mas é incrível a semelhança entre o que ontem o mundo enfrentou e o que hoje o mundo enfrenta e está a enfrentar..
Irá desta vez ser diferente?
Terão os Homens aprendido com os erros do passado?

Entrando agora na América do Sul, que servirá neste texto como exemplo para tentar responder às questões que salientei acima…

A América do Sul está a beneficiar de um “boom” na avaliação ao seu crédito, não obstante um declínio constante das credenciais financeiras nos bancos do Médio Oriente, mas existem sinais que isso poderá ser uma bolha que pode estoirar sem aviso.
Na semana passada o Brasil recebeu avisos de que o seu inflado mercado de crédito comporta riscos que podem arrastar a sua exuberante economia, depois de repetidos alertas de que as moedas sobreaquecidas de vários países emergentes, incluindo as do Brasil e do Chile, poderem minar o crescimento dos seus PIBs que são impulsionados pelas exportações.
In UPI

A verdade é esta… estes países estão quase totalmente dependentes das exportações para crescer e sofrem mais violentamente e directamente as agruras do aumento da inflação quando em crescimento, pois para se manterem competitivas as suas moedas têm usualmente de depreciar. Ao invés, caso o mundo no seu todo comece a entrar em contracção as suas exportações entram em declínio e com elas as suas economias, sobrando apenas altas taxas de inflação e depressão, aquilo que é o mais temido no mundo financeiro: a estagflação – contracção económica acompanhada de inflação.

Alguns poderão afirma que tal cenário de stagflação é verdadeiramente descabido perante a exuberância demonstrada por estas economias, mas atenção que:

Os principais bancos centrais da América do Sul concordaram na sexta-feira que a sua tarefa se tornou mais complexa diante de maiores pressões inflacionárias causadas pela alta dos alimentos e do petróleo.
Além disso, as entidades indicaram que os riscos de uma desaceleração mundial aumentaram devido à tensão no Oriente Médio e norte da África.
In Reuters

Portanto, não é de todo algo descabido, muito antes pelo contrário…

Mas existem outros problemas subjacentes ao crescimento desmedido e descontrolado que estas economias têm gerado.

O Brasil é um excelente exemplo de como décadas de fraco crescimento económico deixaram o país mal preparado para as exigências do crescimento que está actualmente a gerar .
Desde interrupções na distribuição de energia, a estradas incapazes, à falta de mão-de-obra qualificada, pontos de estrangulamento na economia que estão a fazer aumentar os custos de produção e de distribuição e a limitar o fornecimento de bens e serviços a um mercado devorador. As limitações, não obstante o constante crescimento, colocam em causa a capacidade do Brasil progredir em direcção a uma prosperidade sustentável a longo termo.
In Wall Street Journal

Portanto, o Brasil, assim como a maioria das economias emergentes, são (quase) apenas verdadeiras estruturas remendadas com pouca sustentabilidade e geradores de cada vez maiores discrepâncias de rendimentos entre classes. Como vimos atrás, a História conta-nos que isso foi o rastilho que impulsionou as sublevações sociais, assim como o presente nos está a apresentar os mesmos condimentos em acção no Médio Oriente.
O Brasil e as restantes economias emergentes têm de esperar que o mundo continue a crescer ao ritmo que lhes tem providenciado o seu crescimento económico, porque não têm mercado interno suficiente para manter uma sustentabilidade mínima das suas economias. A sua dependência das exportações é tal que um soluço da economia mundial poderá deixar várias destas economias emergentes em profundo estado de coma social.

Acho que alguns destes mercados emergentes já começaram a tentar controlar o eminente estado de coma… ora vejamos:

O governo argentino está aparentemente a entalhar a pressão gerada pelos economistas do sector privado que questionam a fiabilidade dos seus dados sobre a inflação.
O responsável de uma firma de consultadoria financeira afirmou esta sexta-feira ter recebido telefonemas em tom de ameaça de modo a tentar prevenir que tecesse comentários sobre a inflação.
De acordo com o Indec, os preços ao consumidor subiram 10,6% em Janeiro. Mas economistas dizem que a verdadeira taxa de inflação está próxima dos 25%, ou mais, e que os preços poderão subir ainda mais rápido este ano.
“Nem o governo militar chegou a tal ponto,” afirmou Ferreres. (…)
In Nasdaq

A História conta-nos também que o status quo instituído faz de tudo para manter a coesão social que lhes dá guarida ao poder, seja na Argentina, no Brasil, nos Estados Unidos, em Portugal, ou na cochinchina…
Estará a América do Sul, a América, a Europa, o mundo nas mãos do mesmo tipo de cambalachos nos números?
Acho que basta ir lendo as notícias do dia para terem direito a uma resposta concisa em relação a isso… SIM!

Talvez por isso seja quase sempre uma surpresa para os (pseudo) analistas internacionais quando um país aumenta as taxas de juro nos seus bancos centrais. Desta vez foi na Colômbia:

Os responsáveis colombianos subiram hoje inesperadamente a sua taxa de referência, pela primeira vez em dez encontros, para tentar acalmar a crescente demanda interna.
In Bloomberg

Isto só é uma surpresa porque os números não batem certo, porque a baterem nunca existe surpresa que conduza à tomada de tal medida que coloca em causa o crescimento económico, e como todos (?) já devem estar a par, as últimas medidas que as economias desejam tomar são as que colocam travão ao crescimento.
Daqui só há uma questão a retirar: A inflação está descontrolada!

Portanto, estes mercados emergentes que têm sido a âncora, nos últimos anos, do crescimento do mundo estão a braços com taxas de inflação quase inacreditáveis, com défices estruturais monumentais e com uma cada vez mais que provável manipulação dos dados que servem de sustento à sua realidade… tudo bons indicadores…

Falta juntar a isto mais um indicador, a China e os Estados Unidos:

O Primeiro Ministro Wen Jiabao afirmou que o objectivo oficial para o crescimento nos próximos 5 anos será revisto em baixa de 7,5% para 7%.
In The Wall Street Journal

A economia dos EUA cresceu 2,8% no quarto trimestre de 2010, face ao homólogo, e não os 3,2% anteriormente estimados, revelou esta sexta-feira o Departamento do Comércio norte-americano.
In Agência Económica

Por fim… os dois principais mercados mundiais que absorvem as exportações dos países emergentes estão em contracção no seu crescimento. A dependência dos mercados emergentes destes dois motores da economia mundial é tal que contracções marginais das suas taxas de crescimento poderão conduzir a pequenas catástrofes nas economias dos emergentes. E como o motor principal das grandes economias do nosso mundo, o petróleo, não dá sinais de querer parar de subir de preço, o que iremos inevitavelmente assistir será a uma contracção no crescimento dos seus PIBs que poderá conduzir a uma nova recessão no mundo.
Tenho poucas dúvidas ao afirmar que um mundo em recessão será desta vez muito mais violento para as economias emergentes, que escaparam do solavanco de 2008, do que para o restante deste mesmo mundo. As suas economias cresceram desmedidamente nestes últimos anos, impulsionadas por um aumento exponencial da procura de matéria-prima e excesso de investimento\liquidez nos seus mercados, e como estruturalmente são economias seguras quase apenas por arames poderão vir por aí abaixo tal como o que estamos a presenciar hoje em dia no Médio Oriente…

Conclusão:
A História está cheia de histórias de quem não olha para o passado e por ele acaba por ser sorvido… e os que hoje emergem nesta História fazem-no mergulhados num rio de liquidez de riqueza ilusória, de papel… papel que no papel mostra que são apenas meros agrafos o que os segura a essa ilusão… e do mesmo papel é rasurada a verdade da verdade, sobrando pouco mais que mentira descrita em linhas de um faz de conta… e alguns continuam a fazer de conta que é sempre uma surpresa a surpresa de serem surpreendidos com linhas que nunca bateram com as contas, um faz de conta…
Por isso e para quem hoje emerge, talvez seja melhor continuar a fazer de conta que as suas contas são feitas de futuro… e sem agrafos…

Notícia da CNBC – Middle East Mirrors Great Inflation Revolutions Since 1200 AD
Notícia do UPI – S. America enjoys credit ratings boom — for now
Notícia da Reuters – BCs da América do Sul veem agravamento do risco econômico
Notícia do The Wall Street Journal – Brazil Economy Flickers as Bottlenecks Drive Up Prices
Notícia do Nasdaq – Argentina Said To Be Threatening Economists Who Question Data
Notícia da Bloomberg – Colombia Unexpectedly Raises Rate to Tackle Inflation
Notícia do The Wall Street Journal – Beijing to Slow Growth
Notícia da Agência Financeira – Economia dos EUA só cresce 2,8%

Os Números Que Nos São Iludidos

PT entrega o fundo de pensões ao Estado por 2.800 milhões. Transferência do fundo de pensões servirá para pagar despesa extraordinária. Cortar défice atira economia para nova recessão. Portugal cresceu 0,4% no último trimestre. Parcerias público-privadas são vergonhosas. Empresas com capital do Estado são as mais mal governadas. Partidos alemães apoiam reestruturação da dívida portuguesa.

Hoje foi um daqueles dias em que a maioria das mais importantes parangonas nos nossos meios de comunicação generalistas, serviram apenas para “esconder” a verdadeira informação que está deixada quase ao abandono no meio dos textos por ela publicados… uma pequena vergonha, ou apenas o reconfirmar da falta de isenção, ou mais grave, a confirmação da constante manipulação das notícias (mais importantes) por eles veiculadas.

Aos factos:

PT entrega 2.800 mil milhões de euros do seu fundo de pensões ao Estado.
1- Apenas 1,6 mil milhões serão pagos ao Estado ainda este ano, mas o Estado irá contabilizar nas contas (proveitos) de 2010 os 2,8 mil milhões de euros, o equivalente a 1,6 do PIB.
2- A PT pagará ao estado em numerário e em dívida pública.

Os malabarismos nestas contas são deveras assombrosos, ora vejamos… Coloca 2,8 mil milhões nas contas de proveitos de 2010 quando irá receber apenas 1,6 mil milhões. Esses 2,8 mil milhões de euros servirão para contabilisticamente reduzir o défice para os 7,3% (Dizem eles). Sabem, contabilisticamente não é igual a realidade, é igual a manipulação das contas para lhes dar um ar mais “bonito”.
Mas “prontos” façamos de conta que ninguém dá por isso e que tudo irá correr pelo melhor… mas o que dizer da PT ir pagar ao Estado com dívida pública?????
Chegaram lá?
Não?
Isso quer dizer que a PT não vai fazer entrar dinheiro nos cofres do Estado quando entregar os títulos da dívida pública portuguesa, porque é dívida do Estado para com a PT que tem os títulos em sua posse… A única mais valia nisso é que Estado português terá menos dívida para saldar daqui a 10,8,7,6,5,4,3,2,1 ano…
Estão a chegar lá?
Não?
É simples… Como pode o Estado português contabilizar proveitos no valor de 2,8 mil milhões de euros se número incerto será abatimento de dívida e não dinheiro vivo? E é apenas abatimento de dívida porque o Estado não pode dever dinheiro a si mesmo… verdade? Se tal fosse possível, todos nós individualmente estaríamos a dever dinheiro a nós próprios em vez de o devermos à banca… Maravilhosa manipulação!
A pergunta que faltou os nossos meios de informação generalistas – o seu trabalho! – fazerem, foi:
Qual o volume total que irá ser pago pela PT em títulos de dívida da República?
Esta é uma pergunta OBRIGATÓRIA, porque se a PT pagar 2.799 mil milhões em títulos de dívida soberana portuguesa, o Estado só embolsará nesta “troca-baldroca” do fundo de pensões, 1 mísero milhão de euros!
E “prontos”, lá vão ser contabilizados 2,8 mil milhões de euros de proveitos quando na REALIDADE podem ser quase ZERO, ou na melhor da hipóteses um abatimento na dívida soberana nacional de 2,8 mil milhões de euros!
Estes são os esquemas e silêncios usados pela nossa demo-cracia e pelos nossos meios de (des)informação generalistas.

Mas não ficamos por aqui…
Cortar défice atira economia para nova recessão.

Bela parangona que está na moda nos dias que correm… mas sabem uma coisa meus senhores da comunicação social generalista, a verdadeira parangona está no meio do vosso texto, nas palavras do “casineiro” Fernando Ulrich, Presidente do BPI:

“(…)não acredita que seja «possível pôr as finanças públicas no patamar que é preciso e, simultaneamente, ter crescimento económico»(…)”

In Dinheiro Digital

O que este “casineiro” quer dizer é que sem dívida não existe crescimento!
Esperem lá! Mas a República portuguesa que já está afogada em dívida, não a pode reduzir sobre pena de não crescer e não a pode aumentar sobre pena de não conseguir pagar… então onde ficamos?
Eu sei… no precipício causado e desenhado pelo sistema económico usado na nossa sociedade, que é um sistema dependente da dívida para continuar a crescer e exponencial na sua aceleração em direcção ao acumular excessivo de dívida, um abismo financeiro.
Solução?
… Rezar aos anjinhos que arranjem outro sistema financeiro para nos governar que este é um verdadeiro desgoverno!

E outra…
Portugal cresceu 0,4% no último trimestre

Olá! Está aí alguém?
Senhores da comunicação social, já que não sabem pelo menos tentem aprender… um crescimento abaixo de 1% no actual sistema económico é igual a crescimento negativo, ou perda de riqueza, porque é muitas décimas inferior à inflação verificada no mesmo período de tempo… 1+1=2
Agora, senhores da comunicação social, expliquem-me onde veem crescimento?

Continuando…
Parcerias público-privadas são vergonhosas.
Empresas com capital do Estado são as mais mal governadas.

É por aí que o PIB de Portugal mais cresce… é através das PPP (Parcerias Público-Privadas) que o dinheiro lançado à rua pelo Estado português mais influencia positivamente o crescimento do PIB, pois dinheiro injectado “à bruta” e sem lógica na economia é a forma mais eficaz de fazer crescer o PIB. Dívida é igual a crescimento, neste sistema económico.
E como afirma Carlos Moreno, Juiz do Tribunal de Contas:

“Portugal é o campeão europeu das parcerias público-privadas”, afirmou, frisando que o seu valor ascende a 1500 mil milhões de euros, enquanto em França não chega a 500 mil milhões de euros. Em Espanha e Itália as parcerias são de 289 mil milhões e de 66 mil milhões de euros, respectivamente”, revelou Carlos Moreno no seu discurso.”

In Correio da Manhã

Não existe nenhum outro sector da economia em Portugal que represente 1.500.000.000.000.000.000 (espero não me ter enganado no número de zeros) de euros, o equivalente a 7,5 vezes o PIB deste país chamado Portugal!
Sejam bem apresentados ao motor da nossa economia: A CORRUPÇÂO!
Mas há mais por aqui nesta notícia, mesmo muito mais:

«isto põe problemas graves de sustentabilidade das Finanças Públicas». Para além do facto de a dívida pública global «atingir neste momento 120% do PIB» (Produto Interno Bruto) e a «dívida externa rondar os 230%».

In Agência Financeira

Até que enfim que alguém do Tribunal de Contas, do Banco (casino) de Portugal, ou do governo “bananeiro”, diz quais são os verdadeiros números da nossa divida… não são os 80 e tal porcento falados pelos “bananas”, mas sim 120% de dívida pública, isto sem contabilizar a dívida privada, e 230% de dívida externa!
Meus senhores, isto já não é um caso de insolvência do Estado isto é BANCARROTA!
Qual a resposta dos nossos meios de comunicação social a estas informações bombásticas e essenciais?
Uppps, nem demos por isso…
O verdadeiro sinal da incompetência, no melhor dos cenários, ou a manipulação das notícias de forma a “esconder” a verdadeira informação… (Deixo para vós a qualificação de tal atitude)

Depois de tantas troca-baldrocas por parte dos nossos “bananas” e dos nossos meios de comunicação generalistas, um pouco de seriedade vindo do parlamento alemão, onde parece que os “bananas” são menos bananas, um verdadeiro oásis no meio de tanta (des)informação.
Dizem por lá:

“Se queremos ter uma solução para o problema dos países insolventes”, como é o caso da Grécia, Irlanda e Portugal, “então vamos ter que ter uma reestruturação da dívida destes países, e os detentores das suas obrigações terão que suportar parte das perdas“(…)

(…)”todos os participantes na crise – incluindo os que emprestaram dinheiro aos países insolventes – tem que assumir as responsabilidades pelo que fez”.(…)”não significa que percam todo o investimento, apenas uma parte. O que queremos evitar é que o fardo do resgate dos países recaia sempre sobre os mais pobres“.(…)

(…)”Temos uma espécie de ‘nave espacial’ chamada Bruxelas, mas que perdeu o contacto com as pessoas na rua de todos os países europeus. Por isso é necessário explicar correctamente à população o que está em jogo”(…)

In Diário Económico

Ufff, uma lufada de ar fresco no meio de tanta trampa!
Batemos, refilamos e respingamos com os alemães, mas quanto mais tempo passa nesta crise os únicos, ou quase, que conseguem manter a lucidez no meio de tantos desvarios, são eles!

E “prontos”, mais um retrato da nossa quase irreal realidade, onde a mentira é regra, a ilusão é realidade e uma vida que é vivida com base em números que são quase pura ilusão…

Notícia do Dinheiro Digital – OE2010: PT entrega fundo de pensões ao Estado por 2.800 M€
Notícia do Público – Transferência do fundo de pensões da PT servirá para pagar despesa extraordinária
Notícia da Agência Financeira – Ulrich: cortar défice «atira» economia para nova recessão
Notícia do Jornal de Notícias – Portugal cresceu 0,4% no terceiro trimestre
Notícia do Correio da Manhã – Carlos Moreno: Parcerias público-privadas são “vergonhosas”
Notícia da Agência Financeira – TC: há parcerias público-privadas «verdadeiramente vergonhosas»
Notícia do Diário Eonómico – Partidos alemães apoiam reestruturação da dívida portuguesa

A Máquina Infernal

Portugal é o próximo cliente da máquina infernal da UEE. Mercados dizem que o salvamento da Irlanda foi um falhanço, devido à falta de transparência. Clube da bancarrota: Irlanda sobe ao 3º lugar. Mercados prevêem recurso de Portugal à ajuda internacional. Portugal e Irlanda são casos muito diferentes.

E aí vamos nós no 3º acto da novela: “gasto aquilo que não tenho e peço emprestado aquilo que não posso pagar”.
Depois do Lehmans e da Grécia, temos um terceiro acto totalmente preenchido com a Irlanda.
Irá ser o 4º acto dedicado a Portugal?
Aquando da queda da Grécia, a maioria dos analistas apontava Portugal como sendo a estrela para o 3º acto da peça, e conseguimos que a Irlanda nos roubasse o papel principal.
Conseguiremos que Espanha ou Itália, ou mesmo os Estados Unidos (dólar) nos roubem o protagonismo antecipado pela esmagadora maioria dos analistas?
Irá a Espanha ser consumida pela sua bolha imobiliária ou pela sua monumental dívida das regiões?
Irá a Itália, que tem passado quase despercebida, cair porque as suas contas e corrupção são uma imagem fidedigna da Grécia mas em escala incomparavelmente superior?
Os próximos seis meses o dirão…

Por enquanto, enquanto os nossos meios de comunicação para as massas continuam a fingir (na maioria das situações) fazer jornalismo “à séria”, temos de nos contentar com a explicação da nossa real realidade nas palavras de quem cá não está, nem tem responsabilidade cívica para o fazer: Ambrose Evans-Pritchard, a figura de proa da secção de economia do inglês The Telegraph.
Serão os nossos jornalistas assim tão mentalmente manipuláveis?
Até prova em contrário, estão a sê-lo!

Aos números do nosso Portugal:

Antes de lá entrarmos, vou primeiro escrever sobre a retórica que está a ser usada e abusada por quase todos os quadrantes político-bananeiros para descrever a situação de Portugal em relação à Irlanda e à Grécia, ou seja, aquilo que está servir de defesa a Portugal:
Olli Rehn, comissário europeu dos Assuntos Económicos e Monetários (apenas como exemplo de um dos intervenientes que anda a usar a retórica “programada”):

“A «natureza dos problemas» da Irlanda é «muito diferente» da dos problemas portugueses.”

In Sol

Agora sim os números e as palavras de Ambrose Evans-Pritchard:

“Os Portugueses estão confusos – e feridos – que os investidores possam sequer comparar o seu país com a Grécia ou Irlanda. Temo que muito em breve tenham de enfrentar alguns factos muito pouco agradáveis.”
“Enquanto a maioria dos líderes europeus, que encontram conforto no facto da Grécia ser um caso especial porque trapaceou os números, e que a Irlanda é um caso especial porque permitiu que os seus bancos entrassem num frenesim de empréstimos, ainda não reconheceram a verdade mais profunda em que a União Europeia destabilizou insidiosamente grande parte da Europa e aprisionou vários países (quase) inocentes numa depressão.”

In The Telegraph

Estes parágrafos estabelecem o tom para a descrição da nossa real realidade, não apenas aquela realidade (?) que nos anda a ser transmitida aos bochechos pelos nossos malfadados meios de comunicação social.
E assim chegamos ao rol dos números dispostos em sequência:
Défice externo:
2010: 10,3%
2011: 8,8%
2012: 8%
(Dados da OCDE)

Como criar riqueza no país do mundo desenvolvido com o maior défice externo?
Este défice será pago com empréstimos… este valor é o verdadeiro valor da dívida da República, não as contas manipuladas e manipuladoras do défice das contas públicas (também mas não só).
O problema maior é que a torneira dos empréstimos a Portugal pode fechar a qualquer momento… e depois?
Bem… depois…
FMI:

“Quanto mais tempo se mantiver este desequilíbrio, maior será o risco que a correcção seja repentina e angustiante.”

In The Telegraph

E como estamos na fase das comparações dizendo que Portugal é substancialmente diferente da Irlanda e da Grécia, que tal analisar essas diferenças por este prisma:
A Irlanda irá ter um superavit de 0,7% em 2011 e 3,2% em 2012.
Somos realmente diferentes!

Dívida pública:
Dívida da República: 86% do PIB (A oposição no bananal diz ser 122%)
Dívida Privada: 239% do PIB (Em 2008 – A maior no mundo)

As comparações com a Grécia e a Irlanda:
Grécia com 126,8% do PIB (Estado) e Irlanda com 101%… em 2014!
Como no endividamento privado somos reis, e no público andamos lá por perto… sim, as diferenças são realmente significativas para pior

A Banca, o mercado de trabalho e o mercado imobiliário:
A banca portuguesa e o mercado imobiliário são realmente as principais diferenças entre Portugal, Irlanda e Grécia.
A banca portuguesa foi menos “brincalhona” no mercado da especulação, mesmo assim o seu endividamento externo ascende em média a 40% dos seus bens, e se a torneira dos empréstimos fechar…
É-nos dito que a legislação do mercado de trabalho em Portugal é a mais rígida na Europa e que os apoios sociais representam 22% do PIB.
Este é provavelmente o único ponto que discordo em todo o texto do Evans-Pritchard.
Gostava de destacar que a Noruega, que tem um sistema social muito mais pesado para o erário público do que o português, e uma legislação laboral ao nível de Portugal, é a nona classificada no ranking mundial da competitividade. A culpa não é da legislação, é da forma como os impostos não foram e não são canalizados para a economia do Zé Povinho, ainda para mais quando a Noruega é o país do mundo em que a desigualdade entre os quadros superiores e os inferiores é a menor, aproximadamente 1 para cada 4 euros.
O mercado imobiliário é também uma diferença. Em Portugal ainda não estoirou, volto a frisar… AINDA não estoirou. Os indicadores mais recentes começam a apontar para que tal venha a suceder, como a brutal contracção que o sector das obras públicas tem vindo a registar, agravado no último trimestre para uma queda de 16,4% nas novas encomendas!

Depois Pritchard pega numa afirmação do nosso incontornavelmente brilhante Ministro de Estado e das Finanças que disse: “Se Portugal não fizesse parte da UEE o risco de contágio seria menor”, para escrever:

“Senhor, se Portugal não fizesse parte da União Europeia, certamente não estaria nesta situação. O país, no início dos anos de 1990, tinha um superavit na sua balança de transacções. Foi impelido pelas ilusões do não risco da EEU até a uns vermelhos 109% do PIB. Se a sua moeda ainda fosse o escudo, nunca teria conseguido acumular tanta dívida externa, e agora teria a capacidade de reganhar riqueza com uma taxa de câmbio inferior.”

“A origem desta crise vem desde a fatal decisão de entrar para a União Europeia 20 anos mais cedo do que devia. Depois Lisboa falhou com um controlo insuficientemente das políticas fiscais e de endividamento de modo a contrabalançar uma queda nas taxas de juro de 16% para 3%, de forma a conseguir entrar para a UEE – se é que é possível contrabalançar um erro monetário em tal escala.”

Portugal viu a sua competitividade ser destruída pelo «boom», e nunca mais conseguiu recuperar. O país tem desde então vivido num estado de permanente declínio por causa de uma moeda Teutónica que está constantemente a exacerbar os desafios. Perdeu incontáveis indústrias de baixa tecnologia para os rivais chineses e da Europa de Leste mais rápido do que as industrias de alta tecnologia que conseguiu criar.”

Portugal tem, de certa forma, sido uma vítima a EEU, uma casualidade das ideologias, dos bons ideais, e de teorias académicas não comprovadas de laureados com prémios Nobel sobre a eficiência das uniões monetárias.”

In The Telegraph

Pouco mais à a acrescentar que dizer que o que ele escreveu é quase proibido nos nossos meios de comunicação social, tal o silêncio degradante que continuamos a vivenciar, e usou apenas a lógica e contas de somar… 1+1=2… nada que necessite de um curso ou saber de predestinado para ser desenvolvido… fez um verdadeiro trabalho de jornalista mais profundo do que os que por cá vivem… no mínimo desprestigiante para a classe que vive em Portugal (digo eu)…

Para o ano que vem:
4% do PIB serão consumidos pelo aperto fiscal e assistiremos a uma contracção da economia em 1,4%. (OCDE)
A dívida total deverá ficar nuns incomensuráveis, inacreditáveis, absurdos 325% do PIB!!!!!!!
Acreditem, isto é mesmo diferente dos casos irlandês e grego, mas para pior!

Agora talvez seja mais fácil de compreender o porquê dos mercados terem pura e simplesmente respondido que o resgate da Irlanda não vale de nada, com o risco da dívida irlandesa a continuar a subir na tabela, assim como o de Portugal e da Espanha.
Agora é certamente mais fácil de compreender que estamos num beco sem saída, que nos próximos seis meses iremos entrar no grupo das soberanias totalmente vendidas e dependentes de terceiros, que o nosso sistema bancário irá ser varrido por essa maré, assim como o nosso mercado imobiliário. Então, nesse dia, talvez as diferenças entre Portugal, Irlanda e Grécia venham a ser apenas: Somados todos os indicadores é Portugal que está em pior situação…
E depois?
Bem, depois…a máquina infernal da União Económica Europeia irá continuar a funcionar tipo monstro aglutinador de tudo e todos…

Notícia do The Telegraph – Portugal next as EMU’s Máquina Infernal keeps ticking
Notícia do Sol – Portugal e Irlanda são casos muito diferentes, diz comissário
Notícia do Sol – Mercados prevêem recurso de Portugal à ajuda internacional
Notícia do The Telegraph – Ireland bail-out: Markets brand rescue package a failure due to lack of detail
Notícia do Expresso – Clube da bancarrota: Irlanda sobe ao 3º lugar
Notícias de Apoio:
Notícia da Bloomberg – Most Competitive Economies 2010
Notícia do Jornal de Negócios – Irlanda compromete-se a reduzir défice para 9,25% em 2011
Notícia do Economia & Negócios – Dívida pública da Grécia atingiu 126,8% do PIB em 2009
Notícia do Público – Joseph Stiglitz põe a hipótese de Portugal ou Espanha falirem
Notícia do IOL – Dívida pública total ficou acima de 108% do PIB em 2009
Notícia do Público – Portugal vai ter o maior défice externo da OCDE no próximo ano

Boaventura, Chris e o Curso

Boaventura de Sousa Santos: Entrada do FMI em Portugal seria uma desgraça. Boaventura de Sousa Santos defende a “reinvenção do Estado” como resposta às crises. Combate à crise financeira vai levar à confrontação social. Preparem-se para o Pico do Petróleo enquanto têm tempo.

Que dia este!
Dois dos maiores e melhores pensadores dos nossos dias expuseram as suas convicções para todos ouvirmos.

Boaventura de Sousa Santos, que é retractado apenas como sociólogo nos meios de informação para as massas quando na realidade é professor de economia na Universidade de Coimbra, na Faculdade de Direito da Universidade de Wisconsin-Madison e Global Legal Scholar da Universidade de Warwick, Director do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Director do Centro de Documentação 25 de Abril da mesma Universidade e Coordenador Científico do Observatório Permanente da Justiça Portuguesa.
Dizendo que ele é apenas sociólogo reduzem o impacto das suas palavras a um pseudo analista de sociedades, quando na realidade o que ele faz é analisar o peso e influência da economia sobre as sociedades.

Ao que é importante, deixando para trás o pudor insultuoso e manipulador dos meios de comunicação generalistas:

O FMI não é a solução adequada para Portugal, porque quando entra num país, é a desgraça para esse país, e a tese está comprovada.

Só os nossos comentaristas trauliteiros e ignorantes e conservadores, que infelizmente dominam os nossos meios de comunicação, alguns deles pessoas que deviam ter mais vergonha na cara, é que podem vir a sugerir que isso é uma boa solução para o país.”

O FMI, pela sua política, tem uma obsessão, [que é] cortar nas despesas sociais do Estado. Significa pobreza, miséria, mais desequilíbrio social numa sociedade que já é a sociedade com mais desigualdade social na Europa.

É a miséria, é a pobreza que estará no horizonte. O FMI funciona segundo a lógica dos credores, não funciona segundo a lógica dos devedores. Acima de tudo procura impor políticas que garantam aos credores o pagamento das dívidas. Não é nunca uma solução.

Os países que rejeitaram a intervenção do FMI, ou que desrespeitaram as suas regras, são aqueles que fizeram melhores recuperações económicas”. Citou o caso da Argentina, hoje elogiada pelo FMI, que “no princípio da década disse ao FMI: não pagamos.

Entre a prioridade “total” que deve ser dada às energias renováveis e à agricultura familiar e o «não» radical ao agrocombustível, o sociólogo português defende «a reinvenção do Estado» nos moldes de uma democracia participativa. «Se o Estado vai ter um controlo maior sobre a economia tem de haver uma democracia económica».

A única agricultura que mata a fome é a agricultura familiar. O agronegócio e a grande monocultura não resolvem o problema, pelo contrário, produzem fome.

É preciso uma outra visão da natureza como recurso humano e não como recurso natural.

Esta política convida à confrontação social. Estamos a assistir a roubo de direitos, a roubo de dinheiro que as pessoas pagaram. Quando se fazem cortes nas pensões, o dinheiro não é do Estado. Em grande parte, foi dinheiro que as pessoas investiram nas suas pensões.

Portugal não pode ser exceção. Se as medidas acordadas neste Orçamento não puderem ser suficientes, e elas já são graves, é de esperar que haja contestação social e confrontação.

In Público e Expresso

Acho que nem é preciso escrever muito mais além de: Este é um Senhor de um pensamento lógico e empírico, que nos transmite uma mensagem actual, real e fundamental, fora dos contextos populistas e manipuladores que todos os dias são descarregados às pazadas em cima das nossas mentes.
Gostava apenas de salientar algo que estranhei ter tido luz verde nas palavras escritas no público:
“Só os nossos comentaristas trauliteiros e ignorantes e conservadores, que infelizmente dominam os nossos meios de comunicação, alguns deles pessoas que deviam ter mais vergonha na cara…”.
Dificilmente uma afirmação poderia descrever melhor o estado da comunicação social no mundo ocidental, verdadeiro veículo para muita da ignorância que grassa no nosso mundo.

E como ontem foi um dia em cheio, um dos meus heróis, Chris Martenson, deu duas entrevistas a dois dos mais conceituados veículos informativos do momento – não generalistas – em que expôs parte das suas leituras para o mundo: (Hoje só usarei uma das fontes. A outra ficará para outro dia, porque sei que ele irá ser importante)

“O nosso sistema monetário tem de crescer. Existem outros sistemas que não necessitam de crescer e outros sistemas monetários que podemos usar. Mas não o que estamos a usar, onde o dinheiro é criado através de empréstimos.”

“Eventualmente, em muitos dos casos, os empréstimos pedidos criados pelo governo não são produtivos. Pegando no exemplo dos empréstimos para material militar, constrói uma bomba, que gera actividade económica, mas depois explode-a. Por isso deixa de existir actividade económica associada a essa bomba, correcto? Sobra apenas a dívida; nada de produtivo. Este é apenas um exemplo dos casos que criam a dinâmica da espiral de dívida, que é uma espiral exponencial.”

“A principal razão das pessoas terem dificuldade em entender a noção de Pico do Petróleo é a crença (cega) na tecnologia.”

“Tenho visto muitas pessoas assumirem que existirá um tipo de declínio em curva descendente, e a economia seguirá essa curva. Mas estamos a entrar neste declínio com os mais altos níveis de alavancagem, ou dívida, já registados. Temos vindo a acumular imensas quantidades de dívida que requerem um crescimento constante. Por isso, vejo a possibilidade, o risco, de um futuro mais negro do que outros vêem.”

“Os mercados financeiros exibem o comportamento de um rebanho, assim que o rebanho decidir que o Pico do Petróleo é real, acho que iremos assistir a alterações muito rápidas, nos comportamentos. Por isso a razão da minha preocupação é pensarmos no que acontecerá se apenas uma pequena percentagem do dinheiro em circulação decidir perseguir o petróleo, iremos assistir a uma explosão incrível. Será muito rápido, quase imediato. Sabe, 100 dólares por barril, ou 200, talvez mais, escolha um número, pouco importa. Isto é uma possibilidade bem real.”

“Acho que os problemas  que assistimos no suprimento de alimentos a seguir ao furacão Katrina em Nova Orleães, será o mesmo tipo de tempestade que prevejo venha a acontecer nas cadeias globais de fornecimento de bens alimentares.”

“Cada 1% no crescimento do PIB mundial, nas duas últimas décadas, conduziu aproximadamente a 0,25% de aumento no consumo de petróleo a nível mundial, uma relação de quase 4% para 1%.
O inverso… se seguirmos os mesmo princípios e dissermos que o decréscimo será idêntico ao crescimento, então podemos dizer que por cada 1% de declínio na produção de petróleo poderemos vir a assistir a um declínio de 4% no PIB. Acho que irá ser mais elevado , consequência dos níveis actuais de endividamento.”

“Temos tido uma recuperação estatística, pelo menos em relação aos números do PIB. Isso não é surpresa; talvez venha a subir 1% no terceiro trimestre. O que me surpreende é que só cresceu esse valor porque os gastos do governo americano (défice) representam actualmente mais de 10% do PIB. Por isso, se retirarmos esses gastos teríamos por sua vez um decréscimo de 10% no PIB.”

“Posso garantir-lhe que a inflação é a consequência preferida pelo ponto de vista das politicas, de todos os bancos centrais. No espectro político existem muitos actores interligados que partilham a crença, o desejo, que a inflação seja uma realidade. E sejamos claros em relação a uma coisa. A Reserva Federal e outros bancos centrais ainda não esgotaram todas as suas possibilidades. Ainda não entraram no modo de pânico.”

“Existe, dois tipos de pessoas, as pessoas que se conseguem adaptar, que têm a mente desperta e conseguem ver estas coisas antecipadamente. Depois temos as pessoas que não fazem ideia do que se está a passar, que não prestaram atenção… estas irão sofrer um choque violento.”

In Energy Bulletin

Muito mais coisas são por lá ditas, por isso aconselho a leitura do texto original.

Aquilo que é descrito por estes dois “Monstros” dos nossos dias será muito provavelmente o nosso futuro.
Quanto tempo?
Daqui a 1 ano, 2, talvez 5, 10?
O que interessa para quando se as alterações se apresentam hoje tão sérias que todos os adultos responsáveis deviam estar a tomar opções de forma a enfrentar este mais que provável choque da melhor maneira possível. Infelizmente o que assisto é a uma constante forma de negação, quase primária, daquilo que poderá vir a ser o nosso futuro.
Todos preferimos as boas às más notícias, mas quem encerra a sua mente no mundo do faz-de-conta, irá ser trucidado por  tais alterações.

E para fechar aconselho mais que tudo a visualização do magnifico, sublime e imprescindível trabalho de Chris Martenson no documentário em forma de manual de bolso sobre as nossas vidas: O Curso do Crash

Notícia do Público – Boaventura de Sousa Santos: entrada do FMI em Portugal seria “uma desgraça”
Notícia do Público – Boaventura de Sousa Santos defende “a reinvenção do Estado” como resposta às crises
Notícia do Expresso – Combate à crise financeira vai levar à confrontação social
Notícia do Energy Bulletin – Interview with Chris Martenson: “Prepare for peak oil while there is time.”

Desunião Europeia

UE e FMI chegam (Hoje) à Irlanda para discutir ajuda à banca. Ajuda à Irlanda poderá atingir os 100 mil milhões. Défice da Grécia de 2009 revisto em alta. Países europeus adiam para Janeiro o pagamento do empréstimo à Grécia. Crise da zona euro ameaça a União Europeia. Inflação na zona euro atinge máximo de dois anos. Inflação acelera em Inglaterra. China admite controlar os preços para combater a inflação.

Acho que já todos estão cientes dos problemas que assolam a Irlanda, mas hoje saiu uma parangona num jornal em Portugal que me deixou verdadeiramente surpreendido, não pela sua mensagem, mas por ela descrever na sua essência o tipo de salvamento que irá ser conduzido na Irlanda:

UE e FMI aterram amanhã na Irlanda para discutir ajuda à banca .

In Público

Ah!!! Até que enfim a verdadeira essência das medidas são expostas ao público sem usarem rodriguinhos e inversões na matéria!
Agora sim podem ver\ler quais são as preocupações da União Europeia e do FMI com a Irlanda: AJUDA À BANCA!
Pergunto:
Então e o Estado irlandês que está endividado até ao pescoço?
Que ajudas terá direito?
Hmmm????

Os ministros das Finanças da zona euro (Eurogrupo) e o FMI já admitiram a possibilidade de ajudar o sector bancário irlandês e o Governo aceitou, ontem à noite, iniciar negociações para preparar um potencial plano de apoio à banca irlandesa, de modo a garantir que este possa ser rapidamente accionado se for necessário.

In Público

Concluindo: É mais importante para a UE, para o FMI e para os políticos “bananas” locais salvar os bancos que estão a levar o país à ruína do que salvar verdadeiramente o país.
Estes são realmente os sinais dos nossos tempos… sem vergonha e à descarada, e na maioria das vezes com a anuência e complacência de um Zé Povinho adormecido, dormente e num estado de ignorância desejada.

Ficamos também a saber que essa ajuda poderá ascender aos 100 mil milhões de euros! PARA A BANCA!
Como também é facto recorrente os números inicialmente aventados virem a ser significativamente superiores, vou especular dizendo que o caso deverá ir parar perto dos 150 a 170 mil milhões de euros para salvar a BANCA…

Continuando a especular, o défice da Grécia de 2009 foi revisto em alta.
Pois, não, não é especulação, é mesmo uma realidade da realidade de faz de conta das instituições bananeiras que (des)governam o nosso mundo.

O défice público da Grécia em 2009 foi revisto oficialmente em alta para 15,4 por cento do seu PIB, quando antes estava em 13,6 por cento.

In Público

Fazem ideia do que está descrito nesta notícia?
Dois porcento de diferença entre os números avançados inicialmente e que serviram de base de negociação da dívida grega e os números divulgados ontem?!?!?
Desculpem… ou não sabem fazer contas, ou então foi uma vez mais manipulação de forma a apresentar números menos maus e menos embaraçosos. MAIS 2% DO PIB!!!!

Quem não achou graça nenhuma a estes números foi o governo austríaco que disse:

(…)a Grécia não cumpriu as condições para receber essa ajuda, tendo ficado aquém, nomeadamente, no seu esforço para combater a evasão fiscal.

In Público

Pergunto:
Como não iriam ficar aquém se as contas do défice estavam aquém? 1+1=2!

O governo grego respondeu ao adiar do envio do dinheirinho:

(…)“um ajuste técnico”, por causa do Natal e do Ano Novo, que “não criará qualquer problema ao país”.

In Público

Enquanto isso, nós por cá somos como a sardinha dentro da lata; até que alguém nos abra, nunca iremos saber a profundidade da verdade da nossa realidade: se somos banhados a óleo vegetal ou a água salgada. Pessoalmente suponho que na nossa lata esteja descrito óleo vegetal mas que na realidade já só haja dinheiro para a água salgada.

E enquanto os Zé Povinhos se vão entretendo a ver o que se passa na Irlanda, na Grécia e em Portugal, algo muito mais sério e grave começa a ganhar momento: Inflação.

A inflação na Zona Euro, em Inglaterra e na China (sem falar nos EU, no Brasil, Na Índia, etc… um pouco por todo o mundo) começa a ganhar contornos da realidade prevista e quase inevitável, desenhada e programada desde o lançamento para a economia mundial dos biliões de euros, de dólares e de ienes em formato de pacotes de estímulo. A estes temos agora de juntar mais 600 mil milhões de dólares do novo pacote de estímulo à economia americana e os milhares de milhões de euros que estão a ser injectados na Grécia, que irão ser injectados na Irlanda e que inevitavelmente terão de ser injectados em Portugal, em Espanha e em Itália – exactamente por esta ordem. A bem dizer, até lá talvez aconteça o que Herman van Rompuy disse ontem temer:

“Temos de trabalhar todos em conjunto de forma a conseguirmos manter a Zona Euro viva, porque se não conseguirmos manter a Zona Euro viva também a União Europeia morrerá.”

In Aljazeera

Vindo de uma das vozes mais silenciosas da União Europeia, tem realmente uma conotação verdadeiramente intensa.
Intenso é também o facto de estas mesmas afirmações terem passado um pouco despercebidas dos meios de informação ocidentais, porque será?

Voltando à inflação… se estão preocupados com os aumentos dos impostos, comecem mas é a preparar-se que os aumentos poderão vir a demonstrar ser quase insignificantes perante o escalar da inflação e o consequente aumento do preço generalizado dos bens e das hipotecas em dívida à banca.
É inevitável que todos os biliões de nova moeda criada de forma a relançar as economias mundiais cheguem mais cedo, ou mais tarde, à economia real. Os sinais que começam a emergir, um pouco por todo o mundo, é o do escalar da inflação, sinal de que está correcta a afirmação que por norma o dinheiro criado pelos bancos centrais costuma demorar dois a três anos até chegar à economia real… Ora, se fizermos as contas… 2008, pacotes de estímulo… 2010, começa a aumentar a inflação… 1+1=2
E para os mais incautos… Não, não é o preço dos bens que está a ficar mais dispendioso, – de há dois anos a esta parte o consumo tem estado em constante regressão, assim como o preço do petróleo -, é o dinheiro – moeda FIAT – que está a perder valo  devido aos biliões injectados nos últimos anos nos mercados para salvar (?) a banca.
Pensem só nisto:
Caso o consumo não tivesse entrado em retracção nestes dois últimos anos, por onde acham que andaria a inflação? Nos 2,8%? Nos 5%?
Pessoalmente acho que para o ano talvez venhamos a enfrentar taxas de inflação mensal entre os 7% e os 10%.
Para quem não consiga visualizar o que acabei de escrever, vou tentar explicar a gravidade e profundidade do que acabei de escrever:
O João ganha 500 euros por mês e gasta 200 euros em alimentos, 100 euros em gasolina e 200 euros com o seu bem estar. (Janeiro)
Em Dezembro, a uma taxa de inflação de 10% ao mês: serão necessários 440 euros para comprar os mesmos alimentos que em Janeiro e 220 para a mesma quantidade de gasolina…
Ok… estou a ser pessimista… então façam a mesma conta a 5% ao mês… e quem pensar que irá receber um aumento que venha compensar a perca de poder de compra causada pela inflação… pois bem, que pense…

Notícia do Público – UE e FMI aterram amanhã na Irlanda para discutir ajuda à banca
Notícia do Público – Ajuda à Irlanda poderá atingir os 100 mil milhões de euros
Notícia do Público – Défice da Grécia em 2009 revisto em alta para 15,4 por cento do PIB
Notícia do Público – Áustria ameaça novas ajudas à Grécia
Notícia do Público – Países europeus adiam para Janeiro pagamento de empréstimo à Grécia
Notícia da Aljazeera – Eurozone crisis ‘threatens EU’
Notícia do The Wall Street Journal – Euro-Zone Inflation Hits Two-Year High
Notícia do The Wall Street Journal – U.K. Inflation Accelerates
Notícia do Dinheiro Digital – China admite controlar preços para combater inflação

E Agora as Culpas São de…

Ricciardi: A subida das taxas de juro é culpa da Angela Merkel. Nomura diz que a economia portuguesa vai contrair 1,1% no próximo ano. A Morgan Stanley afirma que a dívida de Portugal vai continuar a crescer. Portugal sobe para 5º lugar da tabela do clube da bancarrota. Ministro das Finanças alemão: Os Estados Unidos vivem há demasiado tempo de dinheiro emprestado.

Ricciardi – não, não é o DJ é o CEO do BES Investimento – diz que a culpa dos juros cobrados a Portugal estarem a subir é da Angela Merkel.
Ora, mas que porra, a culpa nem sequer é da Alemanha é apenas da coitada da Angela que se calhar nem sabe fazer as contas de sumir…
Deixe-me dizer-vos que este falso DJ é uma daquelas vacas sagradas da seita financeira que defende com unhas e dentes este sistema de especulação financeira. Mas com que moral vem esta bosta ambulante mandar bitaites para o ar? Com que moral Sr. “casineiro” pode culpar alguém das suas próprias culpas?
Este é mesmo um mundo visto a cores… umas vezes pintado a cor-de-rosa quando lhes dá jeito e logo a seguir a negro quando jeito lhes dá… é só moral.

Seguindo a lógica do falso DJ Ricciardi, as contas do Nomura que apontam para uma recessão de 1,1% do PIB de Portugal em 2011, também serão culpa da Angela?
Tal como ontem escrevi, agora vamos entrar no circulo das culpas e desculpas, onde quase todos os que se desculpam são os verdadeiros culpados…
Em relação às contas do Nomura, gostava deixar aqui escrito que me parecem ainda assim muito rosáceas, até mesmo demasiado rosáceas… mais tarde veremos se serão os números de 0,5% positivos do governo, os -1,1% do Nomura ou os -2,5% a -3% que a mim me cheiram…

Ainda com a lógica do falso DJ Ricciardi, a Morgan Stanley – não são maninhos estes dois? diz:

“Mesmo que os Governos sigam rigorosamente os seus planos de austeridade, a dívida vai continuar a aumentar durante vários anos”

In Diário Económico

Já que o problema é a Angela, porque não fazer como a Mossad, ou a CIA, ou o FSB e usar uma aspirina com cianeto na senhora? E violá, problema resolvido…
Era bom que os sonhos destes senhores não fossem os nossos pesadelos, por isso… nope, o problema não é a Angela, são vocês!

E mais um marco significativo para a marca Portugal. Já estamos cada vez mais perto do pódio das nações que mais provavelmente irão entrar em incumprimento – bancarrota. Estamos num verdadeiramente honroso 5º lugar da tabela, de onde destronámos o Paquistão…
Sabem o Paquistão é aquele país que esteve semanas inundado debaixo de água, onde morreram milhares e grande parte das suas estruturas foram destruídas. Sabem que esse país teve de se endividar monumentalmente de forma a ter fundo maneio para a reconstrução?
Sabem, acabámos de o ultrapassar… somos verdadeiramente um fenómeno, e sem cheias, apenas as barrigas cheias dos nossos pobres sectores financeiros…
E já que andamos a bater tanto na Angela, talvez o melhor seja mesmo ouvir o que o Ministro das Finanças do seu governo nos tem para dizer:

“Os Estados Unidos vivem há demasiado, inflacionando desnecessariamente o seu sector financeiro e negligenciando as suas pequenas e médias empresas.”

In Spiegel

Hmmm, retirando da frase o inflacionamento do seu sector financeiro, porque já não temos uma moeda própria, não poderíamos trocar Estados Unidos por Portugal nesta frase e chegar à conclusão que a carapuça nos serve perfeitamente?
Andarão eles a bater na Angela porque o que é preconizado pelo estado alemão é a sustentabilidade das contas correntes e não o aumentar exponencial da dívida e da inflação da moeda?
Cada vez tendo mais para este lado pois as poupanças dos Zé Povinhos do mundo não são lá coisa que satisfaça muito a fome de especulação dos “casineiros”, para além de que essa poupança reflecte-se imediatamente no nível de dívida contraído, e sem contracção de dívida os “casineiros” quase deixam de ter casino para brincar.

Conclusão:
O nosso DJ residente do casino dos “casineiros” aponta o dedo a quem lhe está a colocar em causa o negócio que alimenta o seu vício. Soluções nem vê-las: Deixem as coisas tal como estão! Esperneia o nosso falso DJ!
Deixem-me dar mais um xuto no vossas vidas! Berra o falso DJ!
Deixem-nos governá-los que iremos mostrar como o nosso vício destrói o que o Homem no último século construiu… – Este é o diabinho da sua consciência a falar.
P.S: Tentei escrever algo que representasse o anjinho da sua consciência, mas a única coisa que me ocorreu foi: Estou tão cansado desta vida que talvez vá comprar uma ilha na Grécia para lá viver os restantes dias da minha reforma…

Notícia do Jornal de Negócios – Ricciardi: “Subida de juros não tem nada a ver com o PS e PSD, mas com a senhora Merkel”
Notícia do Diário Económico – Economia portuguesa contrai 1,1% no próximo ano, diz o Nomura
Notícia do Diário Económico – Dívida de Portugal vai continuar a aumentar
Notícia do Expresso – Clube da bancarrota: Portugal sobe para 5.º lugar
Notícia do Spiegel – ‘The US Has Lived on Borrowed Money for Too Long’

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