Category Archives: Bélico

As Últimas Fronteiras

O nosso mundo está a chegar até às últimas fronteiras… às fronteiras económicas, às fronteiras sociais, às fronteiras alimentares e às fronteiras energéticas. Todas estas fronteiras foram durante este último século da nossa civilização sendo protegidas pela abundância de energia barata e acessível no planeta. Mas agora este mundo começa a ter de lidar com o facto de já não conseguir providenciar energia suficientemente barata, em quantidade e acessível para assegurar os pilares que estruturaram este planeta em que vivemos. Estaremos já hoje a olhar para um passado que já o terá sido?
Quase todos os dias somos bombardeados com informação de que existem soluções e que essas soluções servirão para cobrir o que iremos perder nos próximos tempos, e que ainda por cima essas soluções irão ser melhores para o planeta e para a vida… por consequência, então não nos teremos de preocupar com o futuro porque ele já está assegurado neste presente. Mas será isso realmente real?

Vivemos num sistema económico-social quase totalmente dependente do petróleo – para além do carvão e do gás natural… petróleo que, ficámos este ano oficialmente a saber, atingiu o seu pico de produção em 2006. A qualidade do petróleo por extrair continua a decair, as reservas descobertas nas últimas décadas não cobrem nem de perto o nível de quebra na produção, a extracção é cada vez mais onerosa e tecnicamente mais difícil. Isto é uma realidade sentida e vivida por todos nós no dia-a-dia nos preços do bens que consumidos e na energia que necessitamos.
As principais soluções para tentar suprir essa diminuição na oferta do petróleo chegam-nos através das renováveis, segundo nos querem fazer crer.
Mas quanto disso é realidade, quanto é fantasia e quanto é insensível mentira?

“Há dois anos, pesquisadores das Nações Unidas afirmavam que custaria «no máximo 600 mil milhões de dólares por ano durante a próxima década» para se conseguir efectuar a transição para as energias verdes. Agora, um novo relatório das Nações Unidas mais que triplica esse valor para os 1,9 biliões de dólares por ano durante 40 anos. Por isso vamos fazer as contas: Isso representa um total de 76 biliões de dólares, durante 40 anos — ou mais do que cinco vezes o produto interno bruto dos Estados Unidos (14,66 biliões por ano). Isto é parte de uma «remodelação tecnológica» «à escala da primeira revolução industrial»
In Fox News

Como está economicamente o nosso mundo?
Não muito bem, correcto?
O nosso mundo necessita de estar economicamente vibrante para conseguir levar a cabo uma revolução tecnológica como a que é exigida que ocorra nas próximas décadas, e 1,6 biliões de dólares de investimento por década, sem contabilizar a inflação, não me parece de todo viável actualmente, mas… o Homem por vezes consegue superar as dificuldades que lhe são impostas com muito engenho, mas… analisemos então se esse engenho está actualmente a conseguir superar as realidades económicas…

“Pesquisas demonstram que o investimento na Europa em renováveis caiu mais de 1\5 em 2010 enquanto nos países em desenvolvimento cresceu. […] No ano passado, o investimento nas renováveis cresceu mais de 1\3 para um recorde de 211 mil milhões de dólares, com um aumento significativo do investimento na China, principalmente em energia eólica.”
In The Guardian

Não! No mundo desenvolvido, que está a mãos com uma contracção da sua realidade económica, o tão indispensável investimento em renováveis está a acompanhar de perto as dores da economia e a contrair. Por outro lado, no outro lado do mundo, nas economias dos países em desenvolvimento, o investimento continua a acompanhar as vibrantes economias e a crescer. 1+1=2… economia em alta, investimento em alta, economia em baixa, investimento em baixa… uma lei económica deste sistema em que vivemos.
Qual o futuro que se apresenta mais provável para a economia mundial?
Como já tentei responder a isso noutros artigos recentes nem sobre tal me irei debruçar, apenas deixar aqui a ressalva que até mesmo as economias em desenvolvimento estão a começar a abrandar, e quando a economia abranda o mesmo acontece com o investimento… por isso, para o ano ainda teremos um crescimento no investimento nas renováveis ao nível do que se verificou em 2010 nas economias emergentes?
A resposta fica convosco…

Mas imaginemos que o mundo irá no futuro continuar economicamente a crescer sem sobressaltos… até que ponto é realmente viável o futuro de renováveis tal como nos andam a querer pintar?
Existe um ponto singular que é quase constantemente «banido» de todas as informações que nos chegam sobre o futuro das energias verdes… esse ponto é qual a abundância das matérias-primas que servem de base à tecnologia?

“Canada Lithium Corp. (CLQ), a construir uma mina no Quebec, afirmou que a oferta poderá ser inferior à procura global por volta de 2015, porque a China irá necessitar de mais baterias que contêm o metal. […] o país asiático planeia construir 5 milhões de carros eléctricos por ano, o que irá requerer a triplo da produção actual de lítio. […] A procura por lítio irá crescer para uso nos computadores portáteis e telemóveis, assim como para os projectos de energia eólica e solar que venham a incorporar baterias para armazenamento de energia”
In Bloomberg

Hmmm… não são lá muito abundantes, correcto?
O futuro já não parece ser assim tão azulinho e simples, correcto?
E vejamos, esta notícia só incorporou a China na sua análise. Qual será realmente a realidade do lítio para as tecnologias verdes e para as tecnologias de ponta?
A realidade é que não existe lítio para tudo, pelo menos não em quantidade de produção.
Das duas uma, um investimento enorme terá de ser feito na extracção e desenvolvimento de lítio de modo a acomodar a revolução verde que anda a ser apregoada aos sete ventos, e já no imediato o que iremos assistir é a um aumento do preço do lítio e consequente aumento de todas as tecnologias dependentes dele… tudo isto num mundo que não anda lá muito bem economicamente.

Ah, mas isso foca-se apenas num metal – lítio – e o engenho do Homem conseguirá contornar esse «pequeno» obstáculo, poderão alguns de vós afirmar. Concordo, mas infelizmente essa escassez é hoje em dia visível em quase todos os elementos raros do planeta, metais que dão vida a toda a revolução verde que este mundo necessita para conseguir sobreviver ao declínio do petróleo.
Ah, mas alguns de vós poderão indicar que mesmo há pouco tempo foram descobertas vastas quantidade desses elementos, o que é verdade, mas…

“Foram descobertos no fundo do oceano abundantes e ricos depósitos de materiais que são usados para construir a electrónica moderna, sugerindo que a China poderá perder o controlo apertado que mantém sobre a oferta mundial.
A China controla actualmente 97% da produção mundial de elementos raros e do metal yttrium, […] Conforme foi crescendo a procura pelos elementos, a China tem vindo a aumentar as taxas e colocando restrições às exportações. O preço dos elementos raros cresceu aproximadamente 700% na última década.”

In CBC

Num mundo que economicamente anda meio cambaleante, a solução para a produção abaixo do par de elementos raros no planeta é explorá-los nas vastas profundezas dos oceanos?!?!? O nosso futuro estará então dependente de um colossal investimento em tecnologia que ainda não existe, ou a existir é imensamente mais onerosa que a utilizada em terra, para explorar áreas que nunca foram exploradas e com condicionalismos ao nível – quase – da ida à Lua?!?!?!
Sabem, acho que tal só irá ser economicamente viável quando quase deixar de existir esses elementos à superfície do planeta e com isso muito do futuro das tecnologias verdes e de ponta fica dependentemente dependente de um futuro aparentemente muito pouco animador ou até mesmo parcialmente utópico quando aplicado à real realidade que as envolve.

Então que futuro nos espreita? Onde nos podemos agarrar enquanto sociedade e sistema económico?

“Uma guerra de trinta anos pelo domínio? Não se deseja tal coisa nem num planeta desesperado. Mas é para onde nos estamos a dirigir, e não existe como voltar atrás. […] Porquê 30 anos? Porque é o tempo que irá demorar para que os sistemas experimentais de energia como o hidrogénio, o poder das ondas, o combustível de algas e os reactores nucleares avançados passem do laboratório para um desenvolvimento em larga escala. […] Isto será uma guerra porque o lucro, até mesmo a sobrevivência, das corporações mais poderosas e ricas do mundo estará em risco, e porque todas as nações têm uma competição potencialmente de vida ou de morte. […] Quando passarem estas três décadas, tal como aconteceu com o tratado de Westphalia, o planeta terá muito provavelmente as fundações de um novo sistema de organização – desta vez em torno das necessidades energéticas.”
In The Guardian

Esta é uma visão muito mais negra quando comparada com o constante ribombar de soluções milagrosas que estão aí mesmo ao virar da esquina. Mas esta sociedade já não necessita apenas de esperança, tem é de começar a enfrentar a realidade de modo a conseguir devolver a esperança a um sistema económico-social que está décadas atrasado no estudo e desenvolvimento de soluções para contornar as dores que se advinham causadas pelo petróleo, pelo carvão e pelo gás natural. Este mundo deixou para o amanhã aquilo que já devia ter feito há muito, onde até mesmo as actuais soluções estão quase totalmente presas a matérias-primas que não conseguem suprir as necessidades! Chegou a hora de apertar o cinto e enfrentar a realidade, e a realidade é esta:

“A Rússia afirmou que vai entregar um pedido formal à ONU (Organização das Nações Unidas) no próximo ano para redesenhar o mapa do Ártico, ficando, assim, com uma fatia maior.”
In A Folha

Uma corrida às últimas fronteiras do planeta! Para além do fundo dos oceanos, o Ártico. Mas no Ártico não é em busca dos elementos raros é atrás do petróleo, atrás das últimas réstias de esperança para estender no tempo e encontrar tempo para desenvolver as tecnologias que actualmente são apenas paliativos quando perante o tamanho da montanha que terão de escalar.
Poderemos estar a assistir ao delinear de um retornar aos tempos da Cortina de Ferro, a um recrudescer das lutas por recursos, ao início de um início já muitas vezes visto na História desta sociedade humana?

“Os Estados Unidos estão a colocar-se ao centro do debate sobre o futuro do extremo Norte numa época em que estamos a assistir a uma nova «corrida fria» ao petróleo e minerais […] O movimento da marinha americana acontece depois da Rússia ter aumentado os testes balísticos com mísseis na região e a Noruega ter deslocado a sua principal base militar mais para Norte. […] Os interesses comerciais em competição no Ártico são complexos por falta de um acordo abrangente sobre quem é dono do quê.”
In The Guardian

O mundo já presenciou isto! Isto é um déja vu!
Um mundo em que as soluções verdes, renováveis, pouco mais possam ser que quase meros contos de fadas, ou apenas um pequeno alívio para algumas das elites vigentes, tal a sua limitada capacidade de acção, é o petróleo, ou o que resta dele – se é que por lá irão encontrar algo que seja realmente significativo – que continua a movimentar esta sociedade, este sistema económico e tudo o resto que ainda não passa de quase meras balelas sonhadoras num mundo que volta a trilhar um caminho verdadeiramente déja vu, em direcção a um possível escalar de tensões, para uma nova corrida aos armamentos, tudo isto em simultâneo com o mesmo mundo a entrar em verificável forte contração económica!
Alguns poderão estar achar estes últimos parágrafos um acentuado exagero, por isso:

“Com a missão canadiana de combate no Afeganistão a retroceder, os militares estão a preparar uma grande mostra de força no Alto Ártico […] «Tudo isto tem muito a ver com o alargar da nossa pegada numa permanente presença sazonal no Norte», afirmou o Sr. Mackay. «É algo que nós enquanto governo temos intenção de continuar a investir.»”
In The Globe and Mail

Enquanto a tecnologia verde, ou melhor, a tecnologia de substituição for apenas um paliativo, o mundo não irá investir realmente no seu desenvolvimento, irá continuar a tentar garantir o que neste último século garantiu a riqueza e poder das nações do mundo, o acesso ao petróleo. Poderemos estar perante o arrancar de uma nova página negra na História do Homem, com homens que se mantiveram cegos, surdos e mudos por opção enquando os conspiracionistas do passado, agora pessoas com a razão, avisavam sobre os potenciais perigos de se tentar esconder a todo o custo o futuro que era inevitável acontecer a uma sociedade que mais tarde ou mais cedo teria de dar de caras com a realidade. Agora a realidade poderá ser um desviar dos já de si parcos fundos para o imensamente atrasado desenvolvimento das mais que necessárias soluções para reduzir a dependência do petróleo para um aparatoso aparato militar que se começa a vislumbrar estar a começar a entrar em acelerada rotação.

Conclusão:
Pelo mar, pela terra e pelo ar, as esperanças destes homens sem visão são sempre soluções completas… mas na realidade estão quase sempre totalmente e completamente desfasadas do real… um real que poderá significar uma nova e irreal guerra… seja ela fria, ou um pouco mais quente… uma guerra que a sê-lo será uma guerra aberta ao futuro de um sistema sócio-económico já de si suspenso e com o futuro no limbo…
É no fundo do mar!!! É no Ártico!!! Grita de salvação esta sociedade!!! Mas a realidade é que nas últimas fronteiras só se costuma vislumbrar que o fim… fica mesmo bem ali ao lado…

A Verdade é uma Aberração

Hoje vou começar pelo aberrante histerismo patente em muitas das parangonas dos meios de comunicação generalistas para escrever sobre os mais recentes desenvolvimentos que nos ajudam a compreender um pouco melhor o que podemos esperar, nos próximos tempos, do excedente de energia indispensável para o carburar desta sociedade moderna.

Ora então… nos espaço de 11 horas, os meios de comunicação deram destaque de parangona a isto:

Petróleo mais forte com reconstrução do Japão.
In Agência Financeira
Preços do petróleo recuam com receios de descida na procura pelo Japão.
In Jornal de Negócios

Compreendo que ainda todos andem a tentar compreender que influência na economia irão ter os problemas que assolam o Japão, mas um pouco mais de tino e bom senso, de modo a não nomearem logo os culpados mais fáceis, seria uma forma muito mais correcta de abordar esta questão e seria principalmente muito menos histérica. Este é apenas um dos incontáveis “erros” expostos diariamente nos meios de comunicação generalistas, culpa do aberrante copy\paste, pois, na maioria das vezes, nem se dão ao trabalho de verificar se o que escrevem hoje não choca de frente em incongruências fatais com o que escreveram ontem… mas enfim…
Continuando…
O engraçado nestas duas parangonas antagónicas é que ambas poderão reflectir o que se irá passar no futuro mais próximo com o preço do petróleo e, por inerência, a pressão da inflação, e não só, sobre todo o globo.
É uma verdade que os preços do petróleo tenderão nos tempos mais próximos a descer, culpa da quase paragem das industrias no Japão e de muitas outras noutros países que estavam e estão dependentes daquilo que as industrias japonesas produzem. É também verdade que quando as industrias japonesas voltarem a carburar a fundo, essa desalavancagem de pressão sobre a oferta de petróleo irá desaparecer, isto para além de que com o desaparecer de parte da capacidade geradora de energia eléctrica no Japão, especialmente das centrais nucleares que irão ser desactivadas, iremos assistir a um aumentar da pressão sobre a oferta de petróleo e consequente aumento do seu preço.
Podemos juntar a estes sinais de pressão mais um… quase todos os investimentos que estavam a ser feitos no mundo em novas centrais nucleares estão parados, novas centrais que iriam ajudar este mundo a reduzir uma fatia daquilo que consome de petróleo… iriam – nos tempos mais próximos…

A pressão que o Japão irá gerar sobre a oferta mundial de petróleo é apenas mais um dos factores que irão muito provavelmente conduzir este mundo até a um choque económico que porá todo o globo de gatas, que poderá ser em breve… se até lá isto não estoirar por culpa do vício da banca ao jogo, ou pelo excessivo endividamento das economias (ditas) desenvolvidas.

Para nos ajudar a compreender um pouco melhor as pressões que estão a ser exercidas sobre o petróleo, Robert Lenzner escreveu um excelente artigo na Forbes, que nos diz:

Iremos necessitar de 126 milhões de barris de petróleo por dia dentro de duas décadas – dos 90 milhões que actualmente a economia global requer. E metade desses 36 milhões de barris adicionais por dia estão ainda por desenvolver, até mesmo descobrir, de acordo com o relatório anual da Schlumberger para 2011.
In Forbes

Portanto, este mundo irá necessitar de mais 36 milhões de barris por dia daqui a 20 anos – isto claro se a economia global “não der o peido” até lá, sendo que mais de metade desse valor ainda não está desenvolvido, até mesmo descoberto e o que está actualmente a ser explorado nunca irá reduzir a sua produção? (Não existem poços de petróleo infinitos, por isso daqui a 20 anos a maioria poderá já ter deixado de produzir – isto nem vou levar em consideração, o que faria aumentar exponencialmente a insuficiência de petróleo para os próximos 20 anos)
Hmmm… portanto isto indirectamente diz-nos que o mundo tem uma margem de manobra para acomodar um aumento da procura de petróleo inferior a, na melhor das hipóteses, 18 milhões de barris por dia – a outra metade está por descobrir ou perfurar… ainda não conta, tal como ainda não conta para estas contas as reservas que daqui a 20 anos irão estar a produzir muito menos que hoje em dia, se é que mesmo grande parte delas ainda existirão como tal.
Para os mais incautos, que vivem num presente que para eles será sempre de crescimento eterno, tal número seja mais que suficiente para que este globo económico consiga continuar a crescer e que o amanhã venha a ser sempre melhor do que este presente… mas…

“Para encontrar petróleo, tem de perfurar. Mas não tem apenas de perfurar, também tem de aumentar a intensidade com que perfura em termos de sofisticação tecnológica, complexidades com os poços e reservatórios e eficiência operacional e a sua efectividade.”
In Forbes

Portanto, esses 18 milhões de barris aventados como colchão para o crescimento futuro deste mundo estarão intimamente dependentes dos factores acima destacados… hmmm… então este mundo está dependente da capacidade da tecnologia conseguir resolver essas questões, a mesma tecnologia que causou indirectamente o derrame de petróleo no Golfo do México e o acidente com as centrais nucleares no Japão… a mesma tecnologia que terá de ser cada vez mais infalível porque a margem será cada vez menor para acolchoar erros… hmmm…
Sabem, como pessoalmente não gosto nada de basear a minha vida em contos de fadas em que o bem triunfa sempre sobre o mal, gosto de fazer contas com os números que me vão surgindo à frente… Ora então, tendo este mundo actualmente capacidade de produzir, para lá do que consome, “apenas” mais dois milhões de barris por dia e que terá de encontrar\desenvolver mais 16 milhões barris por dia nos próximos 10 anos (metade do aventado na notícia da Forbes), ou seja, mais 1,6 milhões de barris a mais por ano durante os próximos 10 anos, significa que o mundo terá de margem apenas pouco mais de um ano de colchão para amparar problemas… Não sei se compreendem que 1 ano é igual a quase nada neste mundo económico que baseia todas as suas assumpções de que a economia irá continuar a crescer eternamente… 1 ANO!!!!
O nosso futuro está dependente que nada de mal corra que possa colocar em causa esse ANO de margem entre o precipício e o eterno crescimento eterno…
Sabem como reagem os mercados económicos mundiais quando colocados perante o risco?
1 ANO é NADA!

E que tal juntar a esta noção os problemas que estão a assolar actualmente o globo e a economia mundial?

O mundo está actualmente em modo de crise, culpa de um impensável desastre natural no Japão até às revoltas que assolam o Médio Oriente e a África do Norte.
Como se estes eventos não fossem já de si suficientemente preocupantes, está provavelmente a desenvolver-se uma crise ainda maior que poderá “abanar os mercados globais”, afirma o colunista da Forbes Gordon Chang: A luta pelos recursos globais de energia irá crescer conforme se forem agravando as pressões e os receios de uma diminuição na oferta de energia, já de si com preços bastante elevados.
In Yahoo! Finance

Portanto, este mundo, que tem pouco mais de 1 ano de colchão, está a ser acossado por problemas… hmmm…
E acho que o Gordon Chang não estava a falar sobre o futuro mas sim sobre o presente, pois a “guerra” na Líbia encaixa na perfeição na sua última frase – digo eu.
1 ANO… hmmm

E voltando um pouco atrás nesta história, quem no mundo tem capacidade para aumentar a produção diária de petróleo?A Arábia Saudita, correcto?

Impulsionada pelo crescimento populacional, aumento da qualidade de vida e crescimento da industrialização, está em crescendo a demanda de energia da região e uma diminuição não se perfila no horizonte.
Nos últimos anos, Kuwait, Qatar, Arábia Saudita e UAU, todos sentiram falhas no fornecimento de energia que resultaram em “blackouts” localizados que por vezes se estenderam durante vários dias. O consumo por vezes ultrapassa a capacidade de oferta disponível, principalmente nos meses de Verão quando o consumo destes países atinge o pico em resultado de aumento no uso dos ar condicionado.
In Arabian Business

Hmmm… a zona do planeta que é o colchão do globo – 1 ANO – está ela a braços com falta de energia?!?!?!
1 ANO, onde?!?!?!
Talvez haja 1 ANO a mais para esses países, ou então… guerra… por… petróleo… quer dizer, já está a ser tudo preparado para tal! Verdade? Será? Líbia? Bahrein? Síria? Iémen? Arábia Saudita? Todos?
1 ANO? Para quem? Para onde?

Conclusão:
E não é que as aberrações por vezes dizem a verdade… mesmo que a verdade seja antagónica da real verdade? E não é que é verdade que este globo poderá crescer ainda mais além… além das fronteiras da razão?
E não é verdade que um ano é mais que nenhum… mesmo que o nada seja apenas pouco mais que um?
E não é verdade que quem ainda tem já pouco mais terá?
Sabem… as ditas verdades são suspeitas nesta aberração…

Notícia da Agência Financeira – Petróleo mais forte com reconstrução do Japão
Notícia do Jornal de Negócios – Preços do petróleo recuam com receios de descida na procura pelo Japão
Notícia da Forbes – We Need To Find 36 Million More Barrels Of Oil A Day
Notícia do Yahoo! Finance – World at Crossroads Over Energy Supply: “This Is Not Over Yet,” Chang Says
Notícia do Arabian Business – Energy, not politics is Gulf’s top challenge

Viva a Demo-Cracia!

FMI: A Irlanda não irá conseguir o objectivo do défice para 2015, existe o risco de não conseguir pagar. FMI desembolsa mais 2,5 mil milhões para a Grécia. Economistas dizem que a Grécia só conseguirá recuperar se a sua dívida for reestruturada. FMI: Portugal é o mais exposto à Irlanda. Portugueses investem cada vez mais em derivados. França e Alemanha querem uma união fiscal. UE precisa de obrigações europeias e imposto federal. Mariano Gago critica parlamento. Só precisa de 447.000 para entrar no clube dos mais ricos. Terá havido outra época melhor para ser rico?

Mais uns dias inundados de futuro, de quais as intenções e perspectivas no passado em relação a esse futuro, e a noção de como é cada vez melhor ser-se rico neste mundo.

Começo com o FMI e a Irlanda.
Um dia passado, vinco – 1 DIA!!!, depois do parlamento irlandês ter aprovado um empréstimo de 22,5 mil milhões de euros por parte do FMI, do qual o FMI nos disse ter passado meses a preparar o cenário de salvamento da Irlanda, e agora vem a terreiro dizer que tais medidas poderão ser insuficientes e que a Irlanda, por volta de 2015, irá necessitar de ainda mais milhões.
Que raio de estudo foi esse do FMI que bastou 1 DIA!!! para se alterar o cenário no qual se baseou o empréstimo?
Será mesmo que o FMI ajuda à salvação, ou a sua mera presença numa economia faz com que os indicadores económicos entrem em vertiginosa queda?

E no mesmo dia em que o FMI diz que o seu estudo para a Irlanda já está datado e ultrapassado, desembolsa mais 2,5 mil milhões para a Grécia. Não são apenas mais 2,5 mil milhões, são  2,5 mil milhões a mais para este ano, de forma que a Grécia não estoire já.
Ou seja, seis meses passados depois do estudo de ajuda à Grécia e já são necessários mais milhares de milhões de euros para corrigir desequilíbrios?
Que raio de estudo foi esse do FMI que bastaram meses para alterar o cenário do empréstimo?
Será mesmo que o FMI ajuda à salvação, ou a sua mera presença numa economia faz com que os indicadores económicos entrem em vertiginosa queda?

Para nos responder às perguntas que dupliquei nos casos irlandês e grego, nada melhor que as palavras dos especialistas (dizem eles ser)… ou seja, nada melhor que as palavras dos auto-denominados especialistas.

“Especialistas dizem que é inevitável o incumprimento por parte da Grécia do empréstimo de 95 mil milhões concedido pelo FMI e pela UE”

Theodore Pelagidis:
“A Grécia faça o que fizer, não será suficiente.”

Empresário que quis manter o anonimato:
“Não é preciso ser-se um Einstein para ver que os números não batem certo. Como iremos pagar a nossa dívida quando está a chegar a 160% do PIB numa economia que está em contracção e não produz nada?”

In The Guardian

Portanto podemos esperar que para o final de 2011 tanto a Grécia como a Irlanda tenham de pedir ainda mais milhares de milhões de ajuda de forma a manter a cabeça à tona.
Portanto, pode ser dito que o pacote de ajuda do FMI-UE não mais é que um rebuçado amargo, que a dívida e a contracção económica nas nações ajudadas é tanta que a salvação começa a ser vista mais sem ajuda do que com ajuda. Eu chamo-lhe a pretensa ajuda que esconde um imenso lucro directo e indirecto. Lucro directo nas taxas de juro que cobram, e lucro indirecto escondido na obrigatoriedade de privatização de muitos dos sectores económicos fundamentais dessas economias para as mãos de privados apoiados pelos dois monstros das bolachas esfomeados – FMI e EU.

Enquanto isso o (mesmo) FMI diz que Portugal é o país mais exposto à dívida soberana irlandesa, em 18,8% do PIB português, ou 33 mil milhões de euros.
Sem dúvida um comentário extraordinariamente oportuno de uma instituição que tem vindo a dizer que Portugal não irá necessitar de ajuda… é mesmo este tipo de informação que acalma os mercados…
Estará o lucro directo e indirecto na queda de mais uma economia acima de qualquer boa intenção que entretanto tenham demonstrado?
Enfim…
Mas por aqui há gato! E com um rabo de fora de um tamanho de levantar pêlo!
É-nos dito que Portugal tem usado a Irlanda como forma da banca beneficiar de impostos mais reduzidos… trocando isto por miúdos… a banca nacional tem usado a Irlanda para fugir aos impostos em território nacional!
A bela cara da graciosidade financeira dos “casineiros”… o despudor com que estas coisas são feitas é algo de bradar aos céus… ora seja, um belo esquema de lavagem de dinheiro, não fosse o mesmo ser perpetrado pela banca…

“A Irlanda, a par do Luxemburgo, é um destino muito procurado pelos bancos nacionais para domiciliarem operações de titularização de créditos, sobretudo obrigações hipotecárias (empréstimos à habitação). Isto significa que, embora os fluxos financeiros passem pela Irlanda, os activos subjacentes são créditos concedidos no mercado nacional. Por outras palavras, estas aplicações estarão expostas a activos portugueses e não irlandeses” (…)
in Jornal I

Simplificando… operações de titularização de créditos, é uma bela sequência de palavras para esconder a palavra proíba do momento: DERIVADOS.
Ou seja, o que a banca nacional, e não só, anda a fazer é a vender as receitas futuras capitalizando-as no presente através de derivados…
Como acham que irão ser os seus dividendos quando tiverem hipotecado todos os seus rendimentos futuros? (Se é que já não o fizeram)
Esta é a lógica inerente e subjacente a este sistema financeiro de doidos: Consumir hoje e esperar que o amanhã traga soluções para não sermos consumidos pela dívida.

E como tal universo (derivados) pode ser inadvertidamente apontado pelos mais incautos como estando em contracção depois do susto mundial apanhado nos últimos anos com esse mercado de doidos e para doidos, eis que nos chega a bela estatística de que o investimento de entidades portuguesas em derivados aumentou este ano 54%, num total negociado de 286,8 mil milhões de euros… ATENÇÂO: Este valor é superior ao PIB de Portugal!!!!

Enquanto isso, é-nos parcialmente confirmado o real objectivo por detrás de quase todas as medidas que a Europa tem vindo a tomar para combater a crise das finanças públicas: Uma União Fiscal.
Para os mais incautos, uma união fiscal é o fim da independência de Portugal e de todos os países da Europa. É o início da fundação da União Federal da Europa, onde o voto individual de cada português passará a contar aquilo que o voto dos alemães e franceses desejarem, pois eles valem quase meia Europa.
Dom Afonso Henriques deve mesmo estar a dar voltas na campa, vendo aquilo que com suor e sangue lutou para criar… vendido para que uns quantos iluminados do 1% possam ter uma vida ainda mais desafogada e regada a pobreza dos outros 99%!

Mas mantenham a calma, pois uma uma federação europeia irá inevitavelmente significar mais impostos, principalmente impostos federais que teremos de pagar para que os alemães e franceses levem a vida que mais auguram, enquanto nós mais pobres teremos de ficar, e mais isolados nesta pontinha da Europa Federal.
Estas não são apenas palavras minhas, são também do ex-conselheiro de François Mitterrand Jacques Attali.

E como que em resposta a esta confluência de interesses pouco interessantes para o Zé Povinho português, e digo, até mesmo europeu, Mariano Gago:

“A complacência, a cedência corporativa” (…)
“O que se está a passar é uma canibalização do mercado de trabalho em torno das profissões qualificadas, em que os que estão instalados criam uma fronteira para ninguém mais entrar. Ou melhor, talvez entre o filho de um deles.”

In Sol

Esta é uma boa explicação de uns dos “bananas” que faz parte do agrupamento de “bananas” que pululam na Assembleia da República… uma boa explicação para todas as cedências perante valores que não os valores de Portugal e para Portugal… o interesse corporativo acima do interesse nacional, a imagem do verdadeiro “bananal” que nos (des)governa!

E para fechar este rol de notícias, as quais interliguei de forma a desenhar um cenário que nos é contado aos bochechos e de forma solta pelos nossos (?) meios de comunicação social, a explicação de que os ricos, nas últimas duas décadas e meia, ficaram ainda mais ricos e pagam cada vez menos impostos.
Ficámos a saber que 1% da população mundial tem 43% de toda a riqueza, ou que 8% da população mundial tem 73,3% da riqueza mundial.
Esta é a mais perfeita das imagem da justiça de um sistema que cava um fosso cada vez maior entre os “eles” que são ricos e os outros que irão por acabar por ser quase todos pobres.
Ficamos também a saber que num mundo em que os impostos têm vindo a aumentar para os 99%, os 1 % têm vindo a ter direito a uma diminuição nos impostos que no caso dos Estados Unidos chega a uns fenomenais 20% menos daquilo que pagavam há três décadas.

Conclusão:
FMI, ou o Fundo Mundial de Injustiças, apoiado pela EU abotoam as suas ânsias de ganância à custa dos Estados que entraram de cabeça neste sistema mundial de despesismo em prol da dívida para com uns quantos iluminados, primordialmente da banca… FMI e EU que fazem contas de modo que elas dêem sempre errado para o lado do pagador de forma a ter de pagar ainda mais… um mundo em que Portugal será a próxima vitima dos mesmos sanguinários insanos… Portugal que já gastou hoje grande parte dos seus recursos futuros de modo a manter a forma de vida de muito poucos… uns “bananas” que por vezes abrem bem o pio e piam desalmadamente dizendo as verdades que a tanto custo tentam esconder… num mundo para muito poucos que se alimentam das desgraças de muitíssimos mais que do mundo têm apenas direito à subserviência social e económica, porque 1% guarda, tipo cãozinho, todos os ossos que apanha…
Viva a justiça social e económica! Viva a demo-cracia! Viva o 1% que há-de ficar a viver sozinho neste mundo! Viva!

Notícia do Earth Times – IMF: Ireland will miss 2015 deficit goal, risks it can’t repay loan
Notícia do Jornal de Negócios – FMI diz que Irlanda poderá precisar de mais cortes na despesa para atingir metas orçamentais
Notícia da Reuters – IMF disbursing 2.5 billion euros more to Greece
Notícia do The Guardian – Greece can only recover if its debt is restructured, say economists
Notícia do Jornal I – FMI. Portugal é o mais exposto à Irlanda. De propósito.
Notícia do Diário Económico – Portugueses investem cada vez mais em derivados
Notícia do Jornal I – Europa. França e Alemanha querem a união fiscal. Vai ser o debate de 2011
Notícia do Diário Económico – UE precisa de Obrigações europeias e imposto federal
Notícia do Sol – Mariano Gago critica parlamento
Notícia do Diário Económico – Só precisa de 447 mil euros para entrar no clube dos mais ricos
Notícia do The Atlantic – Has There Ever Been a Better Time to Be Rich?

Como se Não Houvesse o Outro Lado

Coreia do Sul vai realizar um exercício com fogo real na ilha bombardeada. Coreia do Norte ameaça atacar o Sul se o exercício for em frente. Coreia do Norte avisa que a guerra com o Sul será nuclear. Rússia pede à Coreia do Sul para cancelar o exercício.

Hoje não vou escrever sobre a economia nem sobre Portugal, vou escrever sobre as Coreias e as lógicas ilógicas de um mundo que funciona de forma espasmódico e desequilibrado, para não dizer desonesto.

No dia 13 de Novembro foi-nos relatado, pelos nossos meios de informação para as massas, que a Coreia do Norte tinha bombardeado a ilha sul-coreana de Yeonpyeong.
Do outro lado da barricada dos meios de informação para as massas, mais concretamente do leste europeu, foi-nos dito que a Coreia do Norte respondeu a disparos provenientes de um exercício sul-coreano na ilha da discórdia.
Seja qual for o lado de verdade nesta história, existe algo que é mais importante do que saber quem tem culpa ou razão neste imbróglio… o bom senso internacional.

Logo a seguir à crise na ilha da discórdia, os Estado Unidos e a Coreia do Sul agendaram um (novo?) exercício militar para a ilha agora fantasma, a começar este sábado dia 17 de Dezembro.

Agora o bom senso, mais concretamente a falta dele…
1- Hoje chegaram à Coreia do Sul políticos americanos de modo a tentar aliviar a tensão nas Coreias.
2- A Coreia do Norte ameaça com retaliação se o exercício for avante.
3- A Coreia do Norte diz que a acontecer uma guerra, esta será nuclear.
Enquanto isso, a Rússia pede para que o exercício conjunto entre o Sul e os Estados Unidos seja cancelado.

Ponto 1. Não serão os políticos a aliviar a tensão mas sim o cancelar do exercício… Estas medidas para encher o olho, o ouvido e as linhas dos meios de comunicação, não servem para mais nada do que fazer festinhas na mente dos Zé Povinhos do mundo.
Ponto 2. O Norte sente-se provocado e infelizmente, dentro da conduta mentecapta das mentes bélicas, o ataque em resposta a provocações poderá ser o melhor caminho…
Ponto 3. A ameaça em formato de desespero pode transformar algo evitável num sinuoso caminho sem retorno e no escalar de algo que poderá colocar o mundo às portas da 3ª Guerra Mundial. Nunca esquecer que a China é mesmo ali ao lado…

Disto tudo sobressai – para mim – o silêncio quase ensurdecedor de uma comunidade internacional ocidental espasmódica, desequilibrada, inconstante e incoerente.
Gostava de deixar esta pergunta no ar.
Se fosse a Coreia do Norte a realizar um exercício com munições real junto à ilha da discórdia, de que forma estaria agora a reagir a comunidade internacional ocidental?
Eu sei… com criticas violentas, com ameaças veladas, com as Nações Unidas a cair-lhes em cima com sanções e julgamentos.
Qual a diferença entre um exercício militar realizado pelo Sul com os Estados Unidos que poderá ter o condão de fazer explodir o barril de pólvora e um realizado pelo Norte?
O silêncio… o apoio tácito de um mundo ocidental que tem dois pesos e duas medidas… um mundo ocidental que cava um fosso cada vez maior entre o seu mundo e o mundo daqueles que não fazem parte dele.
Onde estão as criticas do mundo ocidental a este exercício?
Onde estão as sanções das Nações Unidas a estes países que fazem tanto como o outro para o escalar das tensões?
Onde estão????

Vivemos no ocidente e ganhámos a mania de que todos têm de seguir o que é ditado por esta parte do mundo. Conta-nos a História que sempre que uma parte tenta subjugar outra, a outra acaba invariavelmente por se revoltar contra a prepotência, a injustiça e a falsidade da primeira.
A outra parte deste vez são (principalmente): Coreia do Norte, Irão, China e Rússia. (Quatro potências nucleares)

Conclusão:
Nós cá deste lado somos demasiado bons, pelos relatos dos nossos meios de informação, e aos olhos do outro lado injustificadamente incoerentes e prepotentes… deste lado este mundo pode fazer aquilo que censura ao outro… deste lado vivem quase todas as instituições internacionais que são silenciosas quando convém a este lado e ruidosas para criticar e subjugar o outro… deste lado o mundo é democracia, mesmo quando anda cada vez mais moribunda, e do outro a tirania, o despotismo e a insanidade… deste lado somos todos bons e do outro todos maus… deste lado… vivemos como se não houvesse também o outro lado… esta imagem é mais uma imagem dos “eles” e dos “nós”, cada vez mais distantes e a viver em mundos cada vez mais paralelos e mais distintos… é um mundo dos “eles” do qual nós não conseguimos escapar…

Noticia do The Guardian – South Korea to start live-fire drill on shelled island
Notícia da Reuters – Coreia do Norte ameaça atacar Sul se mantiver exercício militar
Notícia do Breitbart – N.Korea says war with South would go nuclear
Notícia da Reuters – Russia calls on South Korea to halt military drill
Notícias de Apoio:
Notícia do Pravda – Media seriously missing something from the Korea equation
Notícia do Correio da Manhã – Coreia do Norte bombardeia ilha
Notícia do Expresso – Seul e Washington preparam mais manobras militares conjuntas
Notícia do Buenos Aires Herald – North Korea says South’s drills ‘provocative’
Noticia do Belfast Telegraph – Workers recalled as North Korea prepares for war

Com os “Timings” Perfeitos (Actualizado)

Armas nucleares tácticas: a nova doutrina da NATO. A Coreia do Norte tem uma incrível nova instalação nuclear. NATO «condena fortemente» bombardeamento de ilha sul-coreana. Seul está a considerar voltar a ter armas nucleares americanas. Porta-aviões americano a caminho das águas coreanas. Coreia do Sul e Estados Unidos realizam exercício conjunto sob a ameaça de mísseis norte-coreanos. Coreia do Norte posiciona mísseis terra-ar SA-2 junto à fronteira com o Mar Amarelo. China avisa os Estados Unidos em relação ao recrudescer da tensão nas Coreias. Os média estão a deixar escapar algo verdadeiramente importante na equação das Coreias.

Estava eu a seguir atentamente a cimeira da NATO realizada em Lisboa, principalmente a definição da nova doutrina de defesa colectiva com o regredir (oficial) em direcção ao armamento nuclear, quando para surpresa minha – quer dizer, surpresa não foi – sai, nos meios de informação generalistas, a extraordinária coincidência, ou seja, com um “timing” perfeito, que na Coreia do Norte tinha sido descoberta uma nova instalação nuclear de tecnologia de ponta, algo que o Ocidente pensava ser impensável existir lá por aquelas bandas.
Lembro-me de na altura ter pensado:
“Estes «timings», estas coincidências no tempo são mesmo certeiras!”
E dei mais uns passos nesse pensamento, aventando:
“Agora só falta uma guerra para justificar com mais solidez o escudo estupidomíssil!”

Voltando à descoberta da nova instalação nuclear norte-coreana:

“O cientista, Siegfried Hecker, disse num relatório apresentado no Domingo passado (dia 14), que na sua última visita ao complexo industrial norte-coreano de Yongbyon foi conduzido até a uma pequena instalação de enriquecimento de urânio. Tinha 2 mil centrifugadoras operacionais, e o Norte disse-lhe que estava a enriquecer urânio para um novo reactor nuclear.”

In Associated Press

Vamos por partes que esta notícia é das coisas mais ridículas que já li na minha vida…
(Actualização – Erro no dia da semana, corrigido) Primeiro, o “Domingo passado” é a semana anterior à publicação desta notícia!
– Deve ser o primeiro segredo militar a ser revelado quase sem verificar a sua veracidade, pois uma “semanita” é coisa pouca quando se brinca com coisas sérias, mal dando tempo ao Pentágono de se certificar que a informação era correcta, ou será que desejava verificar?! (Brincamos?)
Um pouco mais de seriedade nisto tudo não faria mal nenhum… é mais que óbvio que o “timing” foi cuidadosamente escolhido para acertar em cheio na cimeira da nata da NATO…

Depois, o Sr. cientista foi conduzido até às instalações nucleares do Norte?
– Mas que raio, não é o Norte tão hermético que não deixa ninguém entrar no país? Como pode alguém, principalmente alguém que iria revelar desbocadamente os seus segredos, ter acesso às suas áreas mais sensíveis e com uma visita guiada?
Esta notícia é apenas e só incongruências e coisas estranhas, a única coisa que não é estranha foi o seu “timing”…. digo eu… pois para além de me parecer uma notícia “plantada”, porque esta coisa do Norte realizar visitas guiadas de ocidentais às suas instalações nucleares vai contra tudo o que ouvimos falar deles, é obviamente perfeita para justificar o escudo estupidomíssil – digo eu.

E “prontos”, quando terminou a cimeira da NATO, logo na altura fiquei de escrever sobre esta estranha notícia, mas fiquei com a sensação que ela poderia ser o “desenho” inicial de algo mais que estaria por chegar, por isso guardei-a à espera do dia… dia esse que foi mais rápido do que esperava… dia 23! Mais um “timing” perfeito?
Serão os norte-coreanos tão estúpidos – digo eu – ao ponto depois de revelado um dos seus maiores segredos (só pode ser) atacarem logo o Sul? Estarão assim tão desesperados? Talvez quem sabe, mas talvez quem sabe não seja apenas na sua essência uma nova Baía dos Porcos… quem sabe…
Os “timings” são perfeitos demais, digo eu…

No próprio dia a NATO condenou fortemente o ataque…
seguindo…

Dia 22. A Coreia do Sul diz estar a repensar a sua estratégia em relação às armas nucleares tácticas, estando a reflectir se irá voltar a pedir aos Estados Unidos o reposicionamento no seu território de armas nucleares apontadas ao Norte, como resposta à descoberta (?) da sofisticada instalação nuclear norte-coreana.
Todos estas notícias e os seus “timings” são exactamente aquilo que é necessário para a NATO justificar a existência de um escudo estupidomíssil… “timings” e coincidências temporais a mais – digo eu.

Dia 24. Já temos um porta-aviões americano (nuclear) a caminho das águas coreanas… (Há quem diga que já lá estava…)

Dia 26. A China avisa o Estados Unidos que a coisa está feia e que não está a achar graça nenhuma que, logo neste momento de alta tensão, os americanos e os sul-coreanos realizem exercícios militares conjuntos no dia 28. (Há quem diga que já estavam a ser conduzidos…)

Dia 28 (hoje). Iniciam-se os exercícios militares conjuntos e o Norte posiciona mísseis terra-ar junto à fronteira com o Mar Amarelo (China e Coreia do Sul)).

Agora, a história contada do outro lado da barreira, a versão não ocidental da história:
É-nos dito que no dia 22, os Estados Unidos e a Coreia do Sul iniciaram um exercício militar conjunto com munições reais junto à ilha da discórdia, que duraria oito dias até ao dia 30… coincidências?
É-nos dito que foram disparados dúzias de obuses que penetraram nas águas do território do Norte.
E:

“Subsistem poucas dúvidas que este incidente foi orquestrado de forma a garantir novamente a aceitação por parte da Coreia do Sul do “chapéu de chuva” nuclear americano. Assim como o recente afundamento de um navio sul-coreano pode ser apontado ao desejo de Okinawa aprovar a continuação das bases americanas no seu solo. Forneceu aos Estados Unidos o que necessitava para superar todas as objecções.”

In Pravda

E se esta for a verdade desta história?
Baia dos Porcos parte 2?
Atenção que o mundo gira, gira, gira, mas as mentes dos homens permanecem imutáveis… e a História é cíclica e recorrente…

Tudo este desenrolar de acontecimentos, de “timings”, de coincidências, abre espaço à especulação e irá ser alimento para teorias da constipação, mas existe algo que é inacreditavelmente recorrente… os seus “timings”… e mais “timings” virão, pois depois da aprovação do “chapéu de chuva” nuclear, o vulgarmente chamado escudo estupidomíssil, os posicionamentos estratégicos das (execráveis) mentes bélicas irá ser fundamento recorrente…
Bons “timings” para todos…

Notícia do The Guardian – Nato’s tactical nuclear weapons: the new doctrine
Notícia da Associated Press – Scientist: NKorea has ‘stunning’ new nuke facility
Notícia da TVI24 – NATO «condena fortemente» bombardeamento de ilha sul-coreana
Notícia do China Daily – Seoul may consider bringing back US nuke arms
Notícia da Bloomberg – U.S. aircraft carrier heads for Korean waters
Notícia do The Korean Herald – S. Korea, U.S. conduct joint drill amid NK’s threats of rockets
Notícia da Yonhap News Agency – N. Korea deploys SA-2 surface-to-air missiles near Yellow Sea border
Notícia do The Wall Street Journal – China Warns U.S. as Korea Tensions Rise
Notícia do Pravda – Media seriously missing something from the Korea equation

A Nata da NATO

Governo não revela custos com cimeira da NATO. Segurança da cimeira da NATO poderá ascender aos 10 milhões. Mais 5 milhões para a cimeira da NATO. Escudo antimíssil custará mil milhões. NATO sem países inimigos aposta em parcerias. Escudo Antimíssil vai proteger aliados de forças do Médio Oriente e sudeste europeu. Ucrânia não pretende participar em blocos militares. Europeus e americanos apoiam a Ucrânia na eficiência energética. Sarkozy diz que a ameaça é o Irão.

Este país à beira mar plantado é por estes dias o centro das atenções do mundo, pelo menos das atenções deste nosso mundo ocidental.
Temos por cá quase toda a nata política e militar que (des)governa as nossas vidas… caso raro de orgulho para a nação lusitana, dirão alguns… caricato, abstracto e absurdo, dirão outros…

Este país à beira mar plantado anda a navegar livre na corrente do destino e talvez já mesmo sem rumo pois dinheiro já quase não tem para controlar o seu futuro, e mesmo assim continua a  agir como se os luxos e os excessos fossem durar para todo o sempre (talvez durem para alguns… quem sabe…).

Neste país à beira mar plantado assistimos a uma sumptuosa, restrita e mega segura cimeira da NATO, paga pelos contribuintes de Portugal, os mesmo que estão a ser massacrados com um sem fim de aumentos nos impostos.
Que sinais nos continuam a dar os “bananas” que nos (des)governam?
Luxo, luxo, riqueza, despesismo, loucura… eles são ricos às custas dos pobres! Eles comportam-se tal qual reis à custa do seu feudo, o Zé Povinho.

A desconexão entre a nata e o Zé Povinho é hoje em dia tão demarcada que os pseudo governadores do nosso mundo quando se reúnem têm de o fazer isolados, defendidos e protegidos do Zé Povinho que eles clamam ser a razão e o objecto do seu trabalho.
Acham normal que os senhores tenham de ser tão bem protegidos do Zé Povinho para o qual dizem trabalhar?
Acham normal as medidas de segurança que são necessárias para os proteger de nós?
Não estarão eles a viver numa realidade paralela à nossa?
Não tenho dúvidas que estão, porque senão não precisavam de ser protegidos do Zé Povinho que os ameaça!
Enfim… é o mundo deles…

E seguindo essa linha de raciocínio, como ser-se rico à custa dos pobres pode dar azo a reacções menos agradáveis para o status quo político “bananeiro” instituído, esconde-se que nem segredo de Estado os milhões que estão e irão ser gastos com a sumptuosa cimeira da nata da NATO.
Já viram se viéssemos a saber que a nata anda a comer caviar e a tomar banhinhos de jacuzzi com três meninas para as massagens às custas do aumento dos impostos impostos ao Zé Povinho?
Já dizia o outro: O povo é sereno…

Como por cá se considera normal não se saber quanto se gasta com a sumptuosidade de tal cimeira da nata, principalmente por parte dos nossos magnificentes meios de comunicação que raramente se dão ao trabalho de fazer jornalismo, exceptuando, neste caso, uma notícia (quase silenciosa) da Rádio Renascença, que nos diz:

“É um dos segredos mais bem guardados da cimeira da NATO: afinal quanto vai custar a organização do evento? É certo que são milhões, mas quantos? O Governo rejeita revelar os números.
“Não temos essa estimativa. Consideramos que esta cimeira da NATO pode ser importante para a projecção da imagem do país internacionalmente, agora, como em qualquer caso, esperamos e desejamos que o dinheiro esteja a ser bem gasto, ou seja, gasto no essencial para que a imagem do país não seja minimamente prejudicada”

In Renascença

Se concideram isto normal num país que está a atravessar uma das épocas mais delicadas da sua História, estejam à vontade para apoiar incondicionalmente o secretismo das despesas públicas, o despesismo e (chamo-lhe eu) a tresloucada loucura de uns quantos que vivem às custas de muitos outros…

Números conhecidos de despesa:
Os tanques maravilha para a PSP no valor de 5 milhões de euros e arriscam-se a chegar depois de terminada a cimeira. E 10 milhões com gastos com a segurança da cimeira, segundo estimativas do presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo – ou seja lá o que isso é – José Manuel Anes.
Como só se pode especular, se apenas nestes dois itens estão 15 milhões, cheira-me que isto seja coisa para 50 a 100 milhões, dependendo das mordomias usadas pela nata da nata.
Nada demais… apenas um valor que daria para não retirar o abono de família a muitas famílias (digo eu)…

Ah, mas esperem lá… ainda teremos de pagar mil milhões de euros pelo(s) escudo(s) antimíssil!
Mais um submarino por ano, a diferença é que este não é nosso… nem nunca irá ser… nem sequer dará para patrulhar a nossa costa marítima… aquilo que eu chamo: Um investimento para dar de pastar aos “bananas”.
Mas para quê precisamos nós, Portugal, de um escudo antimíssil quando a nata da NATO diz:

NATO sem países inimigos aposta em parcerias

In TSF

Esperem lá!?!?!?
Agora mesmo a sério… de que nos serve um escudo antimíssil se não existem inimigos que justifiquem tal aparato tecnológico?
Ah, está bem, é por causa da Al Qaeda (sou eu a gozar com a situação)… não… é para nos proteger de ameaças do Médio Oriente e do sudeste europeu, segundo as palavras do embaixador dos Estados Unidos na NATO.
O quê?!?!?!?!??!?!?
Do Médio Oriente ainda “papo” a parangona, agora do sudeste europeu???? Está tudo perdido num limbo de desvarios intelectualmente limitadores?!?!? Está tudo parvo?!?!?
Para quem não faz ideia que países compõem o sudeste europeu, ei-los: Albânia, a Bósnia e Herzegovina, a Bulgária, a Grécia, a República da Macedónia, o Montenegro, a Sérvia, Kosovo, a porção da Turquia no continente europeu (a Trácia), a Croácia, a Roménia e a Eslovénia.
Por muito perigo em potência que se consiga imaginar que representem alguns dos países nesta lista, um escudo antimissil parece-me ser de tudo o mais inadequado para enfrentar qualquer uma das ameaças que possamos imaginar vir de algum desses países… no mínimo descabido, exagerado e inquestionavelmente descontextualizado!

Ah, pois é, como a Rússia também irá fazer parte do escudo, não seria muito diplomático apontar a zona da Ásia Central, que é composta pelo Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão, Turquemenistão, Uzbequistão (Territórios da antiga União Soviética), e parte dos territórios do Afeganistão, China, Índia, Irão, Mongólia, Rússia e Paquistão.
Estes são menos perigosos que os países do sudeste europeu?????? Tão menos perigosos que nem sequer são mencionados????????
Ah, já sei qual é a razão para não mencionarem a Ásia Central:
A maioria dos recursos naturais do planeta ainda por explorar estão nessa área do planeta, principalmente nos antigos territórios da União soviética… pssst, isto é segredo, não falem disto a ninguém, ok?!

Ah… está bem, o escudo antimíssil é para nos defender do Irão, tal como afirma a quase “estrela de cinema” Nicolas Sarkozy.
Ok… o mundo ocidental vai gastar milhões e mais milhões, e mais uns quantos milhões, talvez biliões… e se forem triliões?… para se defender do Irão?!?!?! (À falta de inimigo com maior expressão arranja-se aquele que está mais à mão, para justificar algo que apenas no mundo deles é justificável)
No mínimo o escudo é desproporcional e na sua verdadeira essência é totalmente descabido e desnecessário!
Ah… também podemos falar da Ucrânia que não quer fazer parte da NATO e que tem montes de ogivas nucleares – as sobras da antiga União Soviética…mas… nope… ainda ontem receberam o apoio da União Europeia e dos Estados Unidos para ajudar nas suas políticas energéticas – as maravilhas que faz o FMI quando entra num país -, Europa e Estados Unidos que irão “gerir” as explorações de gás e de petróleo existentes na região… por isso, não, aqui também não há um inimigo…

Conclusão:
Sem falar nos outros países… Portugal irá pagar mil milhões de euros por ano para ter direito a um escudo que o defenderá das sombras futuras. Sombras futuras, porque actualmente ainda não existe sombra que justifique a existência de tal guarda-chuva… a defesa contra o inimigo imaginário…
Enquanto isso, o Zé Povinho tem e terá de pagar cada vez mais impostos de forma que esse Portugal de alguns possa fazer parte de um projecto de loucos de outros alguns.
Já viram ideia mais equilibrada, justa e respeitadora de um Estado democrático????
Gritemos a uma só voz: Viva o escudo estupidomíssil!!!!!

E é tudo por hoje… foi um retrato da nata da NATO, da nata dos “bananas”, da nata do despesismo e falta de respeito social e democrático, da nata que suga tudo e de tudo, tanto e tão descaradamente que há-de apodrecer sobre os seus excessos e devaneios.
Para assistirmos ao dia do afogamento da nata na sua podridão o Zé Povinho terá de deixar de ser sereno… quer dizer… nos dias que correm, o Zé Povinho terá de deixar de estar dormente e pastelão… terá de começar a acordar e ver que as coisas são quase sempre de análise tão simples que só não vê quem não quer mesmo ver, e que só aceita quem quer fazer parte do feudo!

Notícia da Renascença – Governo não revela custos com cimeira da NATO
Notícia do Expresso – Mais €5 milhões para Cimeira da NATO
Notícia do Público – Segurança da Cimeira da NATO poderá custar até 10 milhões de euros
Notícia do Diário Económico – Escudo anti-míssil custará mil milhões de euros
Notícia da TSF – NATO sem países inimigos aposta em parcerias
Notícia do Jornal de Negócios – Escudo antimíssil vai proteger aliados de ameaças do Médio Oriente e sudeste europeu
Notícia do Jornal de Negócios – Nicolas Sarkozy diz que “a ameaça é o Irão”
Notícia do Destak – Ucrânia não pretende participar em blocos militares
Notícia do OJE – Europeus e norte-americanos apoiam Ucrânia na eficiência energética

%d bloggers like this: