Arquivos de sites

Os Telhados de Vidro

Espanha coloca apenas 3,5 mil milhões de euros, 500 milhões abaixo da oferta. BCE já terá comprado 18 mil milhões de dívida portuguesa. O reembolso da dívida pública está garantido? Economia já recebeu 63 mil milhões para sobreviver. Empréstimos do BCE à banca sobem para máximos de 20 meses. Antigos quadros do Santander colocam a nu esquema para fugir aos impostos. Como a classe média passou a ser a classe inferior.

Estará o telhado de vidro a começar a rachar?
Hoje a Espanha não conseguiu vender toda a dívida que disponibilizou no mercado. Tentou vender 4 mil milhões e  conseguiu apenas angariar compradores para 3,5 mil milhões…
Hoje pode ter sido o dia de misericórdia para Portugal pois com os investidores a fugir da dívida espanhola é quase inevitável que irão fugir a sete pés da dívida soberana portuguesa. Talvez a China nos salve(?)… quer dizer, Macau. Talvez o BCE continue a não recear o aumento da inflação e venha em nosso socorro(?)… talvez… talvez o nosso telhado seja de vidro resistente… talvez…

Mas o mesmo BCE, que hoje não conseguiu cobrir toda a oferta colocada pela Espanha no mercado, que segundo o Société Générale, já comprou, desde Maio de 2010, 18 mil milhões de dívida portuguesa, aproximadamente 15% do valor total.
Estará o BCE então em condições de continuar a financiar\comprar a nossa economia?
Acho que hoje tivemos direito a parte da resposta a essa questão: Não!
Para além disso, convém fazer uma continha de somar para se entender um pouco melhor a profundidade da questão central:
Qual o total da dívida soberana portuguesa?
Temos de ser nós a fazer essa continha porque ela continua quase a ser o segredo número 1 do Estado…
Então, se o BCE comprou 18 mil milhões que correspondem a 15% do total… 100% será equivalente a aproximadamente 120 mil milhões de euros de dívida acumulada! 120 mil milhões!!!!
Convém salientar que este valor em dívida contempla apenas a dívida directa do Estado português, não engloba as dívidas, chamadas indirectas, das empresas do Estado, as dívidas do BCP, nem as dívidas das entidades privadas nacionais. Digamos que este valor poderá representar apenas 1\3 de toda a dívida acumulada pela economia portuguesa — não, não estou a esticar a corda para o negativo!

Hoje o diário económico ajudou-nos a entender, mesmo que ele próprio, Diário Económico, mal perceba o que realmente escreveu, um pouco melhor o porquê do Estado português continuar a endividar-se, ora vejamos:

O Estado vendeu ontem mais mil milhões de euros de dívida, elevando os valores colocados este ano para 9,16 mil milhões de euros, mais 12% que em igual período do ano passado. O montante de dívida colocado desde Janeiro é similar aos 9,25 mil milhões de euros que o Estado terá de devolver aos credores em Abril e Junho referentes a obrigações que atingem a sua maturidade.
In Diário Económico

Portanto, analisando de forma simplista, tal e qual como está representado nesta notícia, Portugal endividou-se em mês e meio em 9,16 mil milhões de euros que servirão para pagar 9,35 mil milhões em dívida, em Junho(?).
Portanto, Portugal contraiu dívida apenas para pagar dívida já existente!
Esta é a verdadeira história deste sistema de dívida de crescimento imparável… o motor deste sistema económico… dívida que gera (pseudo)riqueza e (pseudo)crescimento económico.
Mas esta notícia está enviesada de erros por omissão.
Primeiro, esse valor não irá cobrir a dívida que irá saldar em Julho pela simples razão que grande parte dele está e irá servir para cobrir o défice mensal das contas públicas, algo aproximado a 3 mil milhões até Julho. Portanto ficam a sobrar (apenas) 6 mil milhões para amortizar a dívida relatada.
Segundo, até Julho o Estado terá ainda de saldar os juros que vencem em Fevereiro, Março, Abril e Maio… digamos, mais 500 milhões. Portanto sobrarão(?) 5,5 mil milhões de euros para pagar 9,25 mil milhões.
Portanto, o Estado terá muito provavelmente de vender mais dívida num valor aproximado de 4 mil milhões de euros de forma a cobrir a dívida que terá de ser saldada em Julho.
Crescimento exponencial da dívida! Não para! É sempre mais! E se for reduzido a economia deixa de crescer… é este o paradigma deste sistema económico dependente da dívida.

Hoje também, o Jornal I, que vai sendo o meio de informação para as massas que ultimamente mais profundamente tem abordado as questões, dá-nos acesso à verdadeira profundidade desta situação, das ajudas do BCE e da economia portuguesa:

Portugal está transformado num filho que, ao mesmo tempo que exige independência e autonomia para decidir os seus assuntos, não abdica da mesada. (…)
Considerando todos os apoios extraordinários que o Banco Central Europeu (BCE) pôs em marcha para Portugal desde Maio de 2010 – quando estalou a crise da dívida -, e juntando a estes valores as jogadas contabilísticas e as receitas não recorrentes que Teixeira dos Santos vai descobrindo, vamos já em mais de 63 mil milhões de apoio artificial ao tecido económico português. Se às ajudas internacionais juntássemos ainda as “ajudas” internas – por exemplo, os aumentos de impostos, que em 2010 permitiram que o Estado recolhesse mais 2,3 mil milhões do que em 2009 -, este número seria bem maior. “Nós, neste momento, já temos ajuda externa do BCE e do Eurossistema. É um facto perfeitamente óbvio”, observou Teodora Cardoso, economista do Banco de Portugal, a 31 de Janeiro.
(…)Mas o BCE já avisou: a torneira está a fechar.
In Jornal I

63 mil milhões de euros de ajudas directas à economia… 63 mil milhões de euros de nova DÍVIDA desde Maio do ano passado, em menos de um ano!
6 mil milhões por mês de défice a juntar aos milhares de milhões que já estavam em dívida!
Terá Portugal, muito em breve, de estar a conseguir angariar 12 mil milhões por mês para cobrir dívida que terá de pagar nesse mês?
Talvez… talvez muito provavelmente…

E juntemos estes números dos empréstimos do BCE às economias europeias, aos concedidos à banca europeia:

Dados divulgados hoje mostram que os empréstimos de muito curta maturidade (24 horas) concedidos pelo BCE aos bancos da zona euro ascenderam hoje a 15 mil milhões de euros.
In Diário Económico

15 mil milhões de euros, em apenas 24 horas, em empréstimos à banca?!?!?!?! De curta maturidade, 24 horas?!?!?!?!
Isto cheira mesmo a jogadas altas no casino do desespero económico! Talvez… talvez seja apenas uma leitura incorrecta da minha parte… talvez… ou talvez não…
Mas isto dá direito a uma pergunta:
Mas a banca não anda por todo o lado a revelar lucros estrondosos?
Os cinco maiores bancos portugueses não lucraram em conjunto 1.724,3 milhões de euros no ano passado?
Só como exemplo mais recente… os lucros doo Barclays não foram de 4,23 mil milhões de euros no ano passado?
Quais as razões subjacentes aos empréstimos à banca por parte do BCE no valor de 15 mil milhões em apenas 24 horas?
O que se passa?
Será o lucro contabilístico da banca apenas isso, contabilístico?
Algo se virá a saber em breve em relação a estas questões… talvez…

E enquanto tentamos analisar o quase incompreensível, eis que hoje sai bomba nos meios de comunicação generalistas portugueses: Ex-quadros do Santander põem a nu esquema para reduzir factura fiscal!
Bomba!! Quer dizer… já não era sem tempo que alguém tivesse a decência de começar a colocar a nu as jogatanas dos casineiros, que têm constantemente o aval do silencio dos bananas, que colocam em causa a democracia transformando-a numa verdadeira demo-cracia.

Jorge Dias explica em declarações ao PÚBLICO que aqueles fundos eram investidos em condições anormais, e que nunca passou as declarações fiscais dos rendimentos dessas aplicações, porque a administração do banco, que geria os activos, apesar dos múltiplos pedidos, nunca o informou sobre quem eram os beneficiários económicos últimos. (…)
A documentação existente indica que os 350 milhões de dólares, Ptif (150 milhões de dólares) e Taf (200 milhões), foram colocados no início da década passada pela administração de Horta Osório numa conta da sucursal do Luxemburgo, onde a taxa de IRC é reduzida, e que a sua movimentação foi feita como se pertencesse a um cliente normal. Nos anos seguintes, a verba seria triangulada entre praças financeiras, respeitando as datas de vencimento dos pagamentos acordados com os titulares das duas sociedades. A casa-mãe emprestava os 350 milhões de dólares à sucursal luxemburguesa, a uma determinada taxa de juro, e, esta, por sua vez, aplicava-os junto da sede (tipo depósito a prazo), através da sala de mercados de Lisboa, à mesma taxa, acrescida de um spread (que dava à sucursal a margem de lucro e à sede um custo adicional). Depois, a sucursal do grão-ducado transferiria os juros vencidos para a de Londres, que por sua vez os encaminhava para a conta as Caimão [onde não há tributação de lucros]. (…)
Em síntese: o Santander Totta aumentava os custos em Portugal, pois as taxas de juro estavam desajustadas face ao mercado, e obtinha proveitos mais elevados nas ilhas Caimão, livres de taxas.
In Público

Estaremos cá para ver se os bananas e a justiça(?) irão mover alguma coisa para tentar sanar estas jogatanas com cartas fora do baralho da justiça social…
Pessoalmente estou cansado que os mesmos que tiveram de ser salvos, mesmo quando continuavam a ter lucros monumentais, que têm mais benefícios fiscais que qualquer outra entidade colectiva ou singular no país, que pagam menos impostos, muitíssimo menos, que qualquer outra entidade colectiva ou singular em Portugal, possam ainda continuar de forma despudorada a infringir quase todas as regras do jogo que eles jogam, lesando o Estado e principalmente o Zé povinho!
Já chega!!!!!
Já chega de tanta trampa junta!!!!!!

E isto tudo talvez nos ajuda a entender melhor o porquê desta democracia já estar totalmente desvirtuada numa demo-cracia, e compreender que o principal sinal que é face da realidade dessa afirmação é o fosso social que está a ser cavado entre aquilo que já foi outrora uma classe média vibrante e aquilo que hoje é uma classe rica desproporcionadamente mais rica que nunca.

Os rendimentos de 90% dos americanos ficaram “pregados” em neutro, e não é apenas devido à recente recessão. Os rendimentos da classe média estão estagnados há pelo menos uma geração, enquanto os da ala dos mais ricos cresceu à velocidade da luz.
Em 1988, o rendimento médio de um contribuinte americano era de 33.400 dólares, ajustados pela inflação. Avancemos 20 anos, e muito pouco mudou: o rendimento médio ainda era de 33,000 dólares em 2008, de acordo com os dados do IRS.
Entretanto, o 1% dos americanos, que representam os mais ricos, – os que ganham acima de 380.000 dólares ou mais – viram os seus rendimentos crescer 33% nos últimos 20 anos, deixando os americanos da classe média a comer o seu pó.
In CNN

Esta é a verdade do nosso mundo… mundo a ser conduzido e feito cada vez mais à medida de 1% da população em que os restantes 99% têm de trabalhar cada vez mais apenas para conseguirem ficar onde estão. Onde antigamente bastava o ordenado de um dos agregados familiares, agora são necessários dois e por vezes nem tal chega.
De que vale ao Zé Povinho refilar que a vida está má se não consegue perceber que não está má para todos, se não consegue entender que está muito melhor, e cada vez mais, para 1% da população?
É por aqui que os problemas devem ser combatidos… digo eu…

Conclusão:
Atenção! Atenção! O telhado de vidro dos espanhóis está a cair… Atenção! Atenção! O nosso telhado de vidro também vai partir… e atenção que o BCE, Banca Central dos Endividados, está mais endividado do que os em dívida… e atenção que o fosso entre a realidade pintada e a real realidade é apenas mais um telhado prestes a ceder… enquanto o mesmo Banco Central dos Endividados continuar a ceder ao vício das jogatanas dos senhores de fraque que apostam para que os telhados partam… E por vezes… Aleluia! Aleluia! Alguns dos senhores de fraque voltam a ser humanos e colocam em factos as jogadas trafulhas dos seus comparsas casineiros, colocando em xeque a anuência silenciosa dos seus amigos bananas… enquanto a classe média, o Zé Povinho, continua a comer o pó do vício insaciável de uma raça de Homens, 1% deles, que são canibais e carniceiros que se alimentam da pobreza e sofrimento de 99% dos seus irmãos e irmãs…
Mas que mundo é este senão um mundo de máscaras e mascarados que escondem a sua perversidade debaixo de telhados de vidro?

Noticia do OJE – Espanha coloca quase 3,5 mil milhões em Obrigações, abaixo do objectivo do Tesouro
Notícia do Expresso – BCE terá comprado €18 mil milhões de dívida portuguesa
Notícia do Diário Económico – Reembolso de dívida pública está garantido
Notícia do Jornal I – Economia já recebeu 63 mil milhões para sobreviver
Notícia do Diário Económico – Empréstimos do BCE sobem para máximos de 20 meses
Notícia do Publico – Ex-quadros do Santander põem a nu esquema para reduzir factura fiscal
Notícia da CNN – How the middle class became the underclass
Notícias de Apoio:
Notícia do Jornal de Notícias – Cinco maiores bancos ganharam 4,7 milhões de euros por dia
Notícia do Diário Económico – Lucro do Barclays sobe 36% e bate previsões

Anúncios

À Razão da Ração Para os Pobres

Cimeira de Cancún sobre o aquecimento global: cientistas pedem racionamento nos países desenvolvidos. Citigroup diz que Portugal está insolvente. Krugman: Portugal, Grécia e Irlanda são aperitivos, Espanha o prato principal. González: Bruxelas poderá ter de enfrentar novo resgate no espaço de dois meses. Bancos espanhóis têm de refinanciar 85 mil milhões em 2011. Banco Central Europeu pressionou a Irlanda e agora está a fazer o mesmo a Portugal.

Por muito que queira, não consigo deixar de ficar abismado com muitas das coisas que as consideradas mentes mais pródigas da nossa sociedade conseguem desenvolver. Também se pode analisar esse «mentes mais pródigas» e chegar à conclusão que mais parecem robôs a debitar texto que prodígios do pensamento… (assunto que ficará para outro dia)
Então em Cancún, debaixo dos coqueiros junto à praia, as mentes brilhantes que tentam encontrar uma solução para o aquecimento global do planeta – mesmo que hoje por aqui faça um frio de rachar -, chegaram à monumentalmente brilhante conclusão de que a melhor solução é usar o sistema de racionamento de bens utilizado aquando da 2ª Guerra Mundial.
Esperem lá!
Colocamos todo o mundo desenvolvido a senhas de alimentação?
Mas que raio, o Homem do mundo desenvolvido é o problema? A solução? Fazê-lo passar fome?
Hmmm…
Que tal direccionarem a vossa atenção (mentes brilhantes) para o sistema mundial de produção de bens?
Que tal voltar a impulsionar a agricultura local e a combater o despesismo de gasto de energia do sistema actual?
Não?
Que tal limitar o tamanho das multinacionais que devastam o planeta em busca de lucros fáceis?
Não?
Que tal “obrigar” as multinacionais a construir bens duradouros que não avariem no espaço de um ano – método usado para impulsionar o comércio mundial-?
Não?
Proibir o uso de carvão para gerar energia?
Não?
Portanto a solução encontrada para reduzir as emissões de dióxido de carbono é colocar os Zé Povinhos do mundo ocidental a penar fome… Pessoalmente não conseguia pensar em coisa mais estúpida, quase irracional, quando comparado com as verdadeiras causas para o aquecimento global… quer dizer… lá bem no fundo na mente deles talvez esteja que a solução ideal seja proibir que os Zé Povinhos do mundo ocidental respirem, e assim deixem de emitir dióxido de carbono… talvez… enfim…
Este é mesmo um mundo muito estranho quando visto pelos olhos das altas esferas da nossa sociedade…

Ah! Talvez a solução esteja na actual crise! Talvez o mundo seja salvo com o colapso das sociedades ocidentais!
Portugal vai ajudar nisso!
O Citigroup afirma hoje que Portugal está insolvente.
Hello! Está aí alguém? Portugal está insolvente faz anos!
O problema não é de hoje, não é dos mercados é da Europa, como afirma o nosso elefante branco Mário Soares. Se o problema é da Europa, então podemos dizer que entrámos em insolvência quando adoptámos o euro como nossa moeda e perdemos o destino e o controlo da nossa economia.
Isto não é de hoje, e só não viu quem preferiu acreditar que a Cinderela é real.
Mas como em quase tudo que assistimos nas nossas altas esferas… Qual é o problema? O euro! A solução? Não sair do euro… hmmm… ilógico não é? Resolver os problemas nunca atacando a causa dos problemas… a verdadeira arte de inventar soluções…

Aqui entra Paul Krugman, um aluno e seguidor brilhante da Escola keynesiana, que é a linha condutora do sistema económico-financeiro que (des)governa as nossas vidas.
Então Krugman afirma que Portugal, a Irlanda e a Grécia são aperitivos do prato principal que é a Espanha.
Então como aperitivos que somos temos de ser consumidos antes da Espanha de forma a não causarmos uma indigestão aos “casineiros”.
E porque está a Espanha a ser aventada como o prato principal na ementa dos “casineiros”?

“Porque está Espanha com um problema tão grande? Numa palavra, é o euro”

In Jornal de Negócios
Ah é o euro, a Europa… hmmm… vindo de um defensor intransigente das teorias keynesianas posso afirmar que o que ele diz vai contra tudo o que ele defende… Ai, como é tão usual estas mentes serem tão incongruentes… solução?

(…)”baixar os salários no sector privado e reduzir os preços”(…)

In Jornal de Negócios
Digo: Deixem de respirar e todos os problemas serão resolvidos!

E logo a seguir ao Krugman, aparece uma personagem que andava meio adormecida… Felipe González, antigo Primeiro-Ministro espanhol que nos diz:

(…)”a UE poderá, em dois meses, enfrentar uma situação idêntica há que já viveu com a Irlanda e com a Grécia.”
(…)”dentro de dois meses, Janeiro ou Fevereiro, a Europa voltará a viver a mesma sensação de emergência”

In Diário Económico
Estará a falar de Portugal ou de Espanha? Sinceramente tenho as minhas dúvidas…

Para corroborar as minhas dúvidas, nada melhor que sabermos que a banca do nosso país vizinho irá necessitar de angariar 85 mil milhões de euros de forma a cobrir os empréstimos que ganham maturidade no próximo ano.
Pegamos nesses 85 mil milhões e juntamos os juros e os outros milhões que necessitarão para manter a liquidez do sistema e… entretenham-se a fazer contas… digo apenas que são muitos mais milhões do que os aventados nessa notícia.
E 2011 até é um ano “pacífico” para a banca espanhola quando comparado com 2012, onde terá de refinanciar 30% de toda a dívida dos bancos… 30%…
Um pouco de especulação: 200 mil milhões? 500 mil milhões? 1 Bilião?

Seguindo com o Ministro irlandês da Justiça que diz:

“Claramente, houve pessoas de fora deste país que tentaram forçar-nos, a nós Estado soberano, a fazer o pedido [de ajuda financeira], fazendo de nós uns perdedores mesmo antes de termos sequer considerado essa hipótese enquanto governo” (…)
E se repararem, neste momento eles estão a fazer o mesmo com Portugal”

In Jornal de Negócios

Hmmm… estará o Banco Central Europeu desejoso que Portugal caia? Estará o Banco Central Europeu desejo de chegar até ao prato principal?
Esta perguntas são mais que válidas porque nem o resgate da Grécia e muito menos o resgate da Irlanda acalmaram os mercados, antes pelo contrário.
Qual o interesse do Banco Central Europeu no colapso destas economias?
Existe para ajudar ou para destruir?
Será a destruição o seu alimento?
Fazendo o BCE parte do grupo mais poderoso no mundo dos “casineiros”, capitalizará muito mais com a queda do que com a sobrevivência das suas sucursais: Portugal e Espanha.
Nham, nham… papinha…

E “prontos”, dei uma volta para chegar ao início, e agora poder escrever que as mentes pródigas da nossa sociedade andam a desenvolver solução para combater o aquecimento global, quando essas soluções já estão a ser aplicadas por uma Europa do euro que se está a alimentar das suas sucursais. O futuro da vida dos Zé Povinhos nessas sucursais do BCE, Portugal, Grécia, Irlanda, Espanha e mais uns quantos países, poderá vir a ser vivida à base de senhas de racionamento, não por falta de bens, mas porque os párias que são os pobres só se conseguirão alimentar com as senhas fornecidas pelas sucursais do BCE, ou seja, iremos viver à razão da ração para os pobres.

Notícia do The Telegraph – Cancun climate change summit: scientists call for rationing in developed world
Notícia do Diário Económico – Citigroup diz que Portugal está “insolvente”
Notícia do Diário Económico – “A União Europeia é o problema”
Notícia do Jornal de Negócios – Krugman: Grécia, Irlanda e Portugal são Tapas; Espanha o prato principal
Notícia do Diário Económico – Bruxelas poderá enfrentar novo resgate em “dois meses”
Notícia do Jornal de Negócios – Bancos espanhóis têm que refinanciar 85 mil milhões de euros em 2011
Notícia do Jornal de Negócios – BCE pressionou Irlanda e está agora a fazer o mesmo a Portugal

Boaventura, Chris e o Curso

Boaventura de Sousa Santos: Entrada do FMI em Portugal seria uma desgraça. Boaventura de Sousa Santos defende a “reinvenção do Estado” como resposta às crises. Combate à crise financeira vai levar à confrontação social. Preparem-se para o Pico do Petróleo enquanto têm tempo.

Que dia este!
Dois dos maiores e melhores pensadores dos nossos dias expuseram as suas convicções para todos ouvirmos.

Boaventura de Sousa Santos, que é retractado apenas como sociólogo nos meios de informação para as massas quando na realidade é professor de economia na Universidade de Coimbra, na Faculdade de Direito da Universidade de Wisconsin-Madison e Global Legal Scholar da Universidade de Warwick, Director do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Director do Centro de Documentação 25 de Abril da mesma Universidade e Coordenador Científico do Observatório Permanente da Justiça Portuguesa.
Dizendo que ele é apenas sociólogo reduzem o impacto das suas palavras a um pseudo analista de sociedades, quando na realidade o que ele faz é analisar o peso e influência da economia sobre as sociedades.

Ao que é importante, deixando para trás o pudor insultuoso e manipulador dos meios de comunicação generalistas:

O FMI não é a solução adequada para Portugal, porque quando entra num país, é a desgraça para esse país, e a tese está comprovada.

Só os nossos comentaristas trauliteiros e ignorantes e conservadores, que infelizmente dominam os nossos meios de comunicação, alguns deles pessoas que deviam ter mais vergonha na cara, é que podem vir a sugerir que isso é uma boa solução para o país.”

O FMI, pela sua política, tem uma obsessão, [que é] cortar nas despesas sociais do Estado. Significa pobreza, miséria, mais desequilíbrio social numa sociedade que já é a sociedade com mais desigualdade social na Europa.

É a miséria, é a pobreza que estará no horizonte. O FMI funciona segundo a lógica dos credores, não funciona segundo a lógica dos devedores. Acima de tudo procura impor políticas que garantam aos credores o pagamento das dívidas. Não é nunca uma solução.

Os países que rejeitaram a intervenção do FMI, ou que desrespeitaram as suas regras, são aqueles que fizeram melhores recuperações económicas”. Citou o caso da Argentina, hoje elogiada pelo FMI, que “no princípio da década disse ao FMI: não pagamos.

Entre a prioridade “total” que deve ser dada às energias renováveis e à agricultura familiar e o «não» radical ao agrocombustível, o sociólogo português defende «a reinvenção do Estado» nos moldes de uma democracia participativa. «Se o Estado vai ter um controlo maior sobre a economia tem de haver uma democracia económica».

A única agricultura que mata a fome é a agricultura familiar. O agronegócio e a grande monocultura não resolvem o problema, pelo contrário, produzem fome.

É preciso uma outra visão da natureza como recurso humano e não como recurso natural.

Esta política convida à confrontação social. Estamos a assistir a roubo de direitos, a roubo de dinheiro que as pessoas pagaram. Quando se fazem cortes nas pensões, o dinheiro não é do Estado. Em grande parte, foi dinheiro que as pessoas investiram nas suas pensões.

Portugal não pode ser exceção. Se as medidas acordadas neste Orçamento não puderem ser suficientes, e elas já são graves, é de esperar que haja contestação social e confrontação.

In Público e Expresso

Acho que nem é preciso escrever muito mais além de: Este é um Senhor de um pensamento lógico e empírico, que nos transmite uma mensagem actual, real e fundamental, fora dos contextos populistas e manipuladores que todos os dias são descarregados às pazadas em cima das nossas mentes.
Gostava apenas de salientar algo que estranhei ter tido luz verde nas palavras escritas no público:
“Só os nossos comentaristas trauliteiros e ignorantes e conservadores, que infelizmente dominam os nossos meios de comunicação, alguns deles pessoas que deviam ter mais vergonha na cara…”.
Dificilmente uma afirmação poderia descrever melhor o estado da comunicação social no mundo ocidental, verdadeiro veículo para muita da ignorância que grassa no nosso mundo.

E como ontem foi um dia em cheio, um dos meus heróis, Chris Martenson, deu duas entrevistas a dois dos mais conceituados veículos informativos do momento – não generalistas – em que expôs parte das suas leituras para o mundo: (Hoje só usarei uma das fontes. A outra ficará para outro dia, porque sei que ele irá ser importante)

“O nosso sistema monetário tem de crescer. Existem outros sistemas que não necessitam de crescer e outros sistemas monetários que podemos usar. Mas não o que estamos a usar, onde o dinheiro é criado através de empréstimos.”

“Eventualmente, em muitos dos casos, os empréstimos pedidos criados pelo governo não são produtivos. Pegando no exemplo dos empréstimos para material militar, constrói uma bomba, que gera actividade económica, mas depois explode-a. Por isso deixa de existir actividade económica associada a essa bomba, correcto? Sobra apenas a dívida; nada de produtivo. Este é apenas um exemplo dos casos que criam a dinâmica da espiral de dívida, que é uma espiral exponencial.”

“A principal razão das pessoas terem dificuldade em entender a noção de Pico do Petróleo é a crença (cega) na tecnologia.”

“Tenho visto muitas pessoas assumirem que existirá um tipo de declínio em curva descendente, e a economia seguirá essa curva. Mas estamos a entrar neste declínio com os mais altos níveis de alavancagem, ou dívida, já registados. Temos vindo a acumular imensas quantidades de dívida que requerem um crescimento constante. Por isso, vejo a possibilidade, o risco, de um futuro mais negro do que outros vêem.”

“Os mercados financeiros exibem o comportamento de um rebanho, assim que o rebanho decidir que o Pico do Petróleo é real, acho que iremos assistir a alterações muito rápidas, nos comportamentos. Por isso a razão da minha preocupação é pensarmos no que acontecerá se apenas uma pequena percentagem do dinheiro em circulação decidir perseguir o petróleo, iremos assistir a uma explosão incrível. Será muito rápido, quase imediato. Sabe, 100 dólares por barril, ou 200, talvez mais, escolha um número, pouco importa. Isto é uma possibilidade bem real.”

“Acho que os problemas  que assistimos no suprimento de alimentos a seguir ao furacão Katrina em Nova Orleães, será o mesmo tipo de tempestade que prevejo venha a acontecer nas cadeias globais de fornecimento de bens alimentares.”

“Cada 1% no crescimento do PIB mundial, nas duas últimas décadas, conduziu aproximadamente a 0,25% de aumento no consumo de petróleo a nível mundial, uma relação de quase 4% para 1%.
O inverso… se seguirmos os mesmo princípios e dissermos que o decréscimo será idêntico ao crescimento, então podemos dizer que por cada 1% de declínio na produção de petróleo poderemos vir a assistir a um declínio de 4% no PIB. Acho que irá ser mais elevado , consequência dos níveis actuais de endividamento.”

“Temos tido uma recuperação estatística, pelo menos em relação aos números do PIB. Isso não é surpresa; talvez venha a subir 1% no terceiro trimestre. O que me surpreende é que só cresceu esse valor porque os gastos do governo americano (défice) representam actualmente mais de 10% do PIB. Por isso, se retirarmos esses gastos teríamos por sua vez um decréscimo de 10% no PIB.”

“Posso garantir-lhe que a inflação é a consequência preferida pelo ponto de vista das politicas, de todos os bancos centrais. No espectro político existem muitos actores interligados que partilham a crença, o desejo, que a inflação seja uma realidade. E sejamos claros em relação a uma coisa. A Reserva Federal e outros bancos centrais ainda não esgotaram todas as suas possibilidades. Ainda não entraram no modo de pânico.”

“Existe, dois tipos de pessoas, as pessoas que se conseguem adaptar, que têm a mente desperta e conseguem ver estas coisas antecipadamente. Depois temos as pessoas que não fazem ideia do que se está a passar, que não prestaram atenção… estas irão sofrer um choque violento.”

In Energy Bulletin

Muito mais coisas são por lá ditas, por isso aconselho a leitura do texto original.

Aquilo que é descrito por estes dois “Monstros” dos nossos dias será muito provavelmente o nosso futuro.
Quanto tempo?
Daqui a 1 ano, 2, talvez 5, 10?
O que interessa para quando se as alterações se apresentam hoje tão sérias que todos os adultos responsáveis deviam estar a tomar opções de forma a enfrentar este mais que provável choque da melhor maneira possível. Infelizmente o que assisto é a uma constante forma de negação, quase primária, daquilo que poderá vir a ser o nosso futuro.
Todos preferimos as boas às más notícias, mas quem encerra a sua mente no mundo do faz-de-conta, irá ser trucidado por  tais alterações.

E para fechar aconselho mais que tudo a visualização do magnifico, sublime e imprescindível trabalho de Chris Martenson no documentário em forma de manual de bolso sobre as nossas vidas: O Curso do Crash

Notícia do Público – Boaventura de Sousa Santos: entrada do FMI em Portugal seria “uma desgraça”
Notícia do Público – Boaventura de Sousa Santos defende “a reinvenção do Estado” como resposta às crises
Notícia do Expresso – Combate à crise financeira vai levar à confrontação social
Notícia do Energy Bulletin – Interview with Chris Martenson: “Prepare for peak oil while there is time.”

Um Futuro Com Mais e Melhor de Quê?

Endividamento público gera empobrecimento. Risco de Portugal bate recorde histórico. Portugal, Espanha e Irlanda em risco de não conseguirem financiar a dívida em Setembro. Banca nacional bate novo recorde no recurso ao BCE. Crédito mal-parado atingiu novo máximo em Julho. A Grécia está insolvente.

Dívidas e mais dívidas… a imagem de marca das sociedades desenvolvidas… talvez desenvolvimento signifique apenas e só dívida e não crescimento, ou crescimento da dívida… bem, estou a ficar baralhado…

Ora vejamos então:

Dois estudos de técnicos do FMI e do BCE afirmam que a dívida pública excessiva afecta o crescimento per capita. No caso português pode significar menos 1,75% no valor do PIB.
Os países com uma dívida bruta entre 60 e os 90% sofrem um impacto negativo no PIB.
Acima dos 90% estará Portugal em 2011.

Ficamos também a saber que o valor de risco que os mercados internacionais estão a colocar sobre o Republica portuguesa atingiu o seu máximo histórico… quer dizer, quase todos os meses tem vindo a bater o máximo histórico, acho que notícia é quando tal não acontece.

Ficámos também hoje a saber que Portugal, Espanha e Irlanda poderão não conseguir angariar dinheiro suficiente para pagar a dívida relativa ao mês de Setembro… hmmm…

E ainda que a banca portuguesa bateu o recorde de endividamento para com o Banco Central Europeu… pois, o contrário é que é notícia porque os recordes têm sido batidos todos os meses.

Também que o crédito mal-parado à banca bateu o recorde em Julho… … É mesmo o dia dos recordes…

Lá para os lados do Mar Mediterrâneo Andrew Bosomworth, da Pimco, diz-nos que não tem dúvidas que a Grécia está insolvente.
E juntamos essa notícia de hoje às que saíram ontem sobre a Irlanda – no artigo A Irlanda e o Fim da Linha – e o mote está dado…

Que me dizem destes factores todos juntinhos?

Dívidas até mais não… a imagem da loucura das instituições financeiras e das instituições políticas que embarcaram numa corrida tresloucada por uma vida de facilitismos despropositados, de forma a que as contas do crescimento, vulgo PIB, reflectissem números grandiosos…
Expliquem-me onde está a grandiosidade de estar a dever o que se tem e o que não se tem?

O que interessa se o PIB cresce “X” porcento se esse crescimento é sustentado em dívida desnecessária? Sim… desnecessária!
Um boa parte da dívida foi criada para apoiar o consumo das empresas e das pessoas… foram adquiridas coisas – nem lhes chamo bens – que de produtivo têm uma rentabilidade a longo prazo muito próximo de zero…
A visão de curto prazo do crédito fácil e de crescimento eterno da economia toldou a lógica da racionalidade dos mercados e das pessoas… e ainda tolda, por incrível que tal possa parecer a quem faça contas de somar dos resultados da economia real actual.

O mundo ocidental está a caminhar para um beco sem saída… bem, quer dizer… um beco sem saída para os pobres e classe média… bem, quer dizer… o beco já não tem saída sem a tomada de medidas que serão na sua essência dramáticas para o futuro de curto, médio e talvez mesmo o de longo prazo.
O que andámos a consumir a crédito irá começar a ser pago pela nossa geração mas acho que a geração que irá arcar com os maiores custos será a dos nossos filhos.
Um mundo cheio de pais egoístas! Consumiram ontem, e hoje ainda não pararam de consumir, aquilo que era de direito dos seus filhos!

Agora voltando um pouco à terra… já fizeram contas aos indicadores negativos em relação à economia portuguesa?
Já pensaram bem que isso não são apenas indicadores mas realidades inquestionáveis das finanças de um país à beira do precipício?
Já olharam bem para o que se passa na Grécia que caminha a passos largos para uma revolução civil?
Já viram o estado em que está a Irlanda, país modelo das políticas agressivas de apoio ao investimento de capital sustentado por crédito?
Já analisaram o estado dos Estados Unidos em que aproximadamente 4,5% do crescimento do PIB é atribuível aos pacotes de ajudas à economia, quando o PIB cresceu 1,6%?
Já viram a que preço está o dinheiro no Japão de forma a tentar incentivar o consumo interno e o investimento? 0,1%!

Já pensaram que o degradar de qualquer um destes factores pode ser o soluço que conduzirá a economia mundial para o abismo?

E de salientar que apenas usei indicadores económicos, nem sequer por cá coloquei os indicadores das matérias primas que conseguem ser ainda piores que os económicos… por isso…

Está na hora de deixar de ver o mundo como um mealheiro que está sempre a criar riqueza…
Os mundos económicos e dos recursos naturais estão a chocar com limites que dificilmente irão ser superados.
No mundo real não existe o eterno, existe apenas o eterno abuso até à exaustão.
De pouco vale ter esperança se essa esperança se tornou a maior inimiga da razão… esperar sempre por um  futuro com mais e melhor foi o que nos conduziu até aqui…

Notícia do Expresso – Endividamento público gera empobrecimento
Notícia do OJE – Banca portuguesa bate novo recorde no recurso ao BCE
Notícia do Público – Crédito malparado atingiu novo máximo em Julho
Notícia do Diário Económico – Risco de Portugal bate recorde histórico
Notícia do Diário Económico – Portugal, Espanha e Irlanda em risco para financiar dívida em Setembro
Notícia do Diário Económico – “A Grécia está insolvente”

Na Lama\Cama Com a Banca

Informações veiculadas pela banca sobre dívida soberana cada vez mais turvas. DECO acusa bancos de não cumprirem limites nos custos por reembolso antecipado. Bancos portugueses ganham 7,7 milhões por dia em comissões. Estado perde impostos com a aquisição do Finibanco por parte do Montepio.

Vamos lá uma vez mais fazer as contas da banca na cama dela…

Primeiro, ficamos hoje a saber que o principal objectivo dos stress testes realizados à banca europeia, que era a clarificação dos riscos com a dívida soberana em sua posse, não foi cumprido por muito dos bancos.
Surpresa? Surpresa era dar um beijinho num sapo e ganhar uma donzela nos lençóis…
Este “pequeno” detalhe fez com que parte(?) dos resultados tenham ficado um pouco mais coloridos…

Enquanto este senhores não conseguirem compreender que as soluções de curto prazo acabam quase sempre por voltar para os perseguir ainda com mais intensidade, nunca mais iremos sair deste ciclo do sobe e desce na economia.
Escrevi este parágrafo porque o efeito do colorido está a desvanecer, e porque ao mais ligeiro sinal de um pequeno problema esta noção esboroou-se e os mercados estão a voltar à carga para castigar os meninos mentirosos.

Alguns dos exemplo de bom comportamento:
* O Barclays, que foi o banco mais bem classificado nos stress testes, revelou à época deter 850 milhões de euros de dívida soberana italiana. Ora, passadas umas semanas esse valor disparou para 9,3 mil milhões de euros.
* Royal Bank of Scotland – À época revelou ter em dívida soberana irlandesa 353 milhões de euros. Agora diz ter 4,65 mil milhões de euros.
A isto chamo investir e à grande no mais curto espaço de tempo possível! MENTIROSOS MANIPULADORES!

Agora andam todos a dizer que essa disparidade nos resultados foi culpa dos critérios dos stress testes… eu digo que foi por culpa de serem mentirosos compulsivos – já existe tratamento para isso!

Podemos sempre confiar nas instituições que dizem gerir e controlar a nossa economia… são uns santos e todas as suas intenções são puras e inócuas… e claro o Freddy Kruger também é um anjinho…

Para além de mais este “detalhe” da vida liberal da banca, hoje outros estão a curtir o bailinho da Madeira…

Já tínhamos sabido que por debaixo da mesa algumas instituições bancárias andavam a acrescentar clausulas aos contratos de empréstimo para nova casa, sem o conhecimento dos mutuários. Agora a esse pormenor temos de acrescentar que outros – diferentes dos que foram apanhados a fabricar clausulas -, o Crédito Agrícola e o Deutsche Bank, foram, diz a DECO, apanhados a cobrar taxas mais elevadas do que as permitas por lei sobre o pagamento antecipado dos empréstimos.

E hoje também ficamos a saber que os bancos portugueses, só e apenas os portugueses, capitalizam por dia 7,7 milhões de euros em comissões.
“Peanuts” para empresas que vivem à sombra dos mil(es) milhões de lucro por semana.
Gostava de saber quanto destes 7,7 milhões é resultado de acções mafiosas destes meninos…

E para fechar as contas por hoje, o Estado português vai UMA VEZ MAIS perder dinheiro com compras das grandes instituições financeiras.
Caso a compra do Finibanco pelo Montepio vá para a frente, o IRC do Finibanco faz “caput”… com que num passo de mágica…

Gostava daqui de endereçar os meus sinceros agradecimentos aos “bananas” que nos (des)governam pela capacidade de análise e preparação do seu futuro… isto de trabalhar para um futuro financeiro pessoal mais consolidado é algo que poucos portugueses conseguem ter o discernimento de fazer… muito, muito bem… daqui a uns anos estarão quase todos nos quadros de alguma instituição financeira com um ordenado chorudo…

Ah como é boa a vida na cama com a banca…

Notícia do The Wall Street Journal – Bank Sovereign-Debt Disclosures Get Muddied
Notícia do Jornal de Negócios – DECO acusa bancos de não cumprirem limites nos custos por reembolso antecipado
Notícia do Jornal de Notícias – Bancos portugueses ganham 7,7 milhões por dia em comissões
Notícia do Jornal de Negócios – Estado perde impostos com integração do Finibanco no Montepio

O Crédito e o Descrédito

Crédito mal parado dos agregados familiares cresce quatro milhões de euros em Junho. Depósitos das famílias num valor recorde.

Este é apenas mais um sinal de como a economia do Zé Povinho anda pela rua da amargura. Gostava de lembrar que estes valores do malparado emergem no exacto momento em que os juros dos empréstimos das casas estão a um nível bem abaixo da média das décadas passadas.
O que acontecerá quando voltarem a subir?
Será que o Estado irá providenciar um pacote de estímulo para os agregados familiares em dificuldades? (Não critiquem… sonhar não faz mal a ninguém…)

E depois voltamos a ter o exemplo do descrédito de alguns meios de informação – puros veículos de marketing político e financeiro.
Hoje destaco o Jornal de Negócios – já é um “habitué”, o Público e o Diário Económico, onde esta notícia é representada com uma parangona cor-de-rosa:

– Jornal de Negócios – Crédito malparado estabiliza em Portugal

– Público – Crédito malparado estabilizou em Junho
P.S: Talvez envergonhado pelo facto de veicular um texto de marketing político, o Público teve o pudor de logo abaixo apresentar outra informação: Peso do malparado das famílias ao nível mais elevado desde 1998

– Diário Económico – Malparado dá sinais de estagnação em Junho

O Jornal de Negócios mente descaradamente na apresentação da notícia, nem vale a pena tentar encontrar outra palavra para adjectivar o seu comportamento.
O Público não mente, apenas desvia a atenção.
O Diário Económico “esconde” a informação dentro de outra notícia com uma parangona cor-de-rosa: Depósitos das famílias aumentam para valor recorde
(Pessoalmente sempre que oiço falar em números da economia revejo-os sempre em baixa, tal o emaranhado de fórmulas que usam para contabilizar os números transvestindo o seu valor final, principalmente todos os números que tenham directamente a ver com a banca.)

Para além do crédito mal parado, o nível de poupança dos agregados familiares disparou.

É bom saber que alguns agregados familiares estão a começar a ver a vida um pouco mais além do Presente, e mais… a lógica do Futuro vir a ser sempre maior que o Presente começa a ser colocada um pouco de parte. Um jogador que aposta tudo apenas numa casa tem muito mais probabilidade de perder tudo que o jogador que aposta em várias. Viver apenas no paradigma de crescimento eterno é uma aposta tão arriscada como quem aposta só para perder.

O aumento das poupanças é realmente um sinal positivo… bem… quer dizer… para o paradigma sócio-económico em que vivemos é o pior sinal possível. Viver numa economia que baseia o seu crescimento no crescimento contínuo da dívida e haver um aumento da poupança significa uma redução das compras, uma diminuição das vendas, o que por inerência significa estagnação ou contracção da economia.
Acho que este parágrafo ilustra bem o modelo económico em que vivemos. É um modelo de viciados, viciados no vício da dívida e do numerário, com uma perspectiva absolutamente redutora do que pode ser a vida…

Mais dia menos dia este esquema em pirâmide irá rebentar pelas costuras, como acontece com todos os esquemas em pirâmide… é apenas uma questão de tempo… tanto pode ser amanhã como daqui a cinco ou dez anos, mas irá rebentar à falta de alteração das mentalidades que (des)governam as economias… e à falta de um Zé Povinho que consiga ver a vida para lá dos bens supérfluos…

Notícia do Jornal de Negócios – Crédito malparado estabiliza em Portugal
Notícia do Público – Crédito malparado estabilizou em Junho
Notícia do Diário Económico – Malparado dá sinais de estagnação em Junho
Notícia do Expresso – Banca: Crédito às famílias sobe 483 ME em junho, malparado cresce 4 ME
Notícia da Agência Financeira – Malparado: calotes das famílias à banca batem novo recorde
Notícia do Público – Peso do malparado das famílias ao nível mais elevado desde 1998
Notícia do Jornal de Notícias – Crédito às famílias subiu em Junho
Notícia do Diário Económico – Depósitos das famílias aumentam para valor recorde

%d bloggers like this: