Arquivos de sites

Mentira à Déspota

Bancos garantem não necessitar de reforçar capital. Moody’s e Fitch alertam sobre bancos portugueses. Portugal é o terceiro país da UE com mais precários. Conheça os novos pobres: Jovens desempregados e mal pagos. Despedir para gerar trabalho, indemnizar com dinheiros públicos. UE gasta milhões de euros em abundante repasto para debater a pobreza. China impulsiona cobre e fragiliza o ouro. Joseph Stiglitz: O QE2 americano é consideravelmente perigoso para a economia. China ordena aos bancos que aumentem as reservas de forma a combater a inflação.

Hoje vou escrever sobre os mentirosos… quer dizer, sobre eles já escrevo quase todos os dias… por isso hoje, para variar, vou escrever sobre os déspotas mentirosos.
Antes demais… Despotismo é:

O Despotismo é uma forma de governo em que o poder se encontra nas mãos de apenas um governante. Nesta, os súbditos são tratados como escravos. Diferentemente da ditadura ou da tirania, este não depende de o governante ter condições de se sobrepor ao povo, mas sim de o povo não ter condições de se expressar e auto-governar, deixando o poder nas mãos de apenas um, por medo e/ou por não saber o que fazer. No Despotismo, segundo Montesquieu, apenas um só governa, sem leis e sem regras, arrebata tudo sob a sua vontade e seu capricho.

In Wikipédia

Hoje, os nossos bancos dizem não necessitar de reforçar o seu capital e que estão preparados para enfrentar o agravamento da conjectura económica em Portugal.
Sim senhor, uns verdadeiros valentões de pêlo no peito e tatuagem no braço esquerdo a dizer “Amo-te Ultramar”.
Cá por mim vai ser por eles e por causa deles que vamos bater no fundo… não é que esta seja uma convicção lá muito original, principalmente quando a Moodys, a Fitch e a Standard & Poor’s (as três!!!) dizem que a probabilidade do Estado ter de vir a APOIAR os nossos “casineiros” ser muito bem provável.
Portanto, um destes déspotas mente… seguramente, tal a contradição de posições.
Em jeito de micro conclusão:
Sendo eu um déspota – banca – quero é que me paguem a mim por gastar aquilo que não é meu… não quero ter de poupar aquilo que é meu para assegurar o futuro de todos… a verdadeira lógica de um déspota que vive sem escrutínio e faz aquilo que bem entende.
Lá vamos nós uma vez mais ficar a assistir ao destronar da democracia em prol de uns quantos déspotas sem que estes sejam OBRIGADOS a respeitar a conduta de vivência numa sociedade democrática – igualdade de direitos e igualdade de responsabilidades…

E como vivemos numa sociedade que pratica a igualdade de direitos e responsabilidades(?), ficámos hoje a saber que Portugal é o terceiro país da UE com o maior número de trabalhadores precários, 22%.
Depois desta informação, restam poucas dúvidas que Portugal necessita mesmo de liberalizar e flexibilizar o mercado de trabalho, para facilitar o despedimento.
Esta é mais uma mentira de um Estado déspota, que vive e sobrevive quase sem escrutínio das suas acções, tal o estado de ignorância em que é mantido o Zé Povinho que lhe pede: “Por favor tomem conta de nós!
… e eles… aí não que não tomam… tomem lá mais trabalho precário!
Em jeito de mini conclusão:
Portugal necessita mesmo de aligeirar as suas leis laborais… talvez assim ajude a baixar a (falsa) taxa de desemprego, pois como já todos devem saber, um trabalhador temporário, vulgo, a recibo verdes, não tem direito a fundo de desemprego, e como se trabalhar 15 dias num ano não é considerado desempregado…
É só benefícios para este Estado déspota!

E o resultado deste despotismo indecente e leviano, com a conivência de um Zé Povinho amorfo e muitíssimo mal informado, ao contrário daquilo que o quadradinho mágico o faz crer, é que os nossos pobres, aqueles que passam fome, são agora predominantemente os jovens desempregados e mal pagos.
Desempregados? Não, pois não entram nas estatísticas, pois quase todos trabalham a recibos verdes – dois três meses por ano -, e com salários abaixo e por vezes bem abaixo do salário mínimo nacional, que já é uma vergonha.
Mais uma mentira de um Estado déspota, que vive longe, afastado, desligado, desprendido, desconexo da realidade do Zé Povinho que inutilmente continua a colocá-los na cadeirinha do poder… Hoje votam azul, amanhã amarelo, depois azul, e a seguir amarelo… amarelo, azul, amarelo, amarelo, azul… e vamos ver a cor é a cor do despotismo, seja qual for a escolhida, mesmo que um dia acabem por preferir o lilás…

Neste Estado déspota, a última ideia brilhante dos nossos “bananas”, que são os mais ferrenhos impulsionadores desta falsa democracia, é criar um fundo para ajudar as empresas nos despedimentos colectivos…
MONUMENTAL! INACREDITÁVEL! QUASE SOBRE-HUMANO!
Ora vejamos…
Criam um fundo, comparticipado pelas empresas e por DINHEIROS DO ESTADO, para facilitar os despedimentos de forma a não sobrecarregar monetariamente as entidades patronais PRIVADAS!
DÉSPOTAS!!!! MENTIROSOS!!!!
Uma vez mais – estou farto de escrever esta sequência de palavras – os nossos “bananas” dão a cara pelo despotismo e propõem algo que tenderá a aumentar o desemprego, os custos com subsídios de desemprego e gastos do Estado, o trabalho precário e os baixos salários… Verdadeiramente excepcional esta visão do mundo! Verdadeiramente desconectada da realidade da vida do Zé Povinho… muito bom, sem dúvida alguma!
DÉSPOTAS!!!

E como nós temos tendência a deixar isto passar porque pensamos que é a comunidade internacional que assim o exige – quer dizer… somos um Estado independente deste os tempos de Dom Afonso Henriques… ou se calhar… já éramos -, nada melhor que verificar então qual é a postura dos que dão a cara pela comunidade internacional.
Reza a história que a a União Europeia gastou TRÊS MILHÔES de euros na organização de uma conferência para se debater os problemas da pobreza. Belo repasto!… … … … … … … … … … … déspotas… … … … … … … … … déspotas.
Portanto, tentar defender os nossos déspotas dizendo que eles seguem instruções de outros déspotas é o mesmo que, como há una anos Paulo Futre disse: “A minha vida deu uma volta de 360º
… ou seja, é o mesmo que defender o despotismo condenando apenas caras, que podem mudar consoante a situação… e é o mesmo de ter comichão e coçar a borbulha de outra pessoa… e também poderá ser o mesmo de olhar para um poço e saltar logo lá para dentro…

E já que estou nos saltos, saltemos para outro tipo de déspotas, aqueles que o são e dizem não ser e aqueles a quem apontam ser e que dizem que não o são…
Para não variar, o Jornal de Negócios lá deu lugar de destaque a uma notícia com uma parangona verdadeiramente escabrosa, tal a inversão de factos que suscita:
China impulsiona cobre e fragiliza ouro
Uma mentira descarada e uma inverdade… ou duas mentiras… ou duas inverdades… escolham o que melhor vos convier…
Isto é notícia para defender déspotas acusando outros déspotas…
e aí vem Paulo Futre: “A minha vida deu uma volta de 360º“.
A China poderá estar a impulsionar o preço do cobre sim senhor, mas desta vez um negociante misterioso – mais tarde soube-se quem foi – comprou 80% do cobre no mercado de Londres… 80% de todo o cobre!
Essa acção, que alguns chamam especulativa, – eu chamo-lhe a anuência social perante o despotismo -, é a razão efectiva do aumento exponencial do preço do cobre nestas últimas semanas, não a China!
E para ficarmos a saber o nome do déspota… foi a JP Morgan. (São sempre os mesmos, com as cores azul e amarela…)
Pela primeira vez vou fazer uma citação de mim próprio… minhamosca:

Lá vamos nós uma vez mais ficar a assistir ao destronar da democracia em prol de uns quantos déspotas sem que estes sejam OBRIGADOS a respeitar a conduta de vivência numa sociedade democrática – igualdade de direitos e igualdade de responsabilidades…

In minha mOsca

Portanto senhores do Jornal de Negócios, que já mais parece o Jornal O Crime, a verdade é substancialmente diferente da representada nas vossas linhas, tão substancialmente diferente que posso dizer que mentem quando escrevem que o outro déspota é que é o mau… ainda para mais quando a defendida pela inversão é a JP Morgan, um dos maiores “casinos” do mundo, onde os déspotas se banham nas desgraças alheias!

Em relação ao segundo assunto, o preço do ouro, vou pegar nas palavras de Joseph Stiglitz, que por sinal é um déspota que defende déspotas, que ontem nos disse:

“Toda esta liquidez que estão a criar não está a fazer crescer a economia americana mas sim a ir parar à Ásia e a outros mercados emergentes onde não é desejada.
A maioria dos países afectados já começaram a reagir. Criaram controlos de capital, intervieram na cotação da moeda, criaram novas taxas para os fluxos de capital – uma multiplicidade de intervenções.”

In The Telegraph

Senhores do Jornal de Negócios, pelo menos aprendam a mentir porque o que está a levar à desvalorização do ouro é o aumento da procura de dólares por parte dos bancos chineses depois da obrigatoriedade, imposta pelos déspotas no poder central na China, de terem de aumentar o seu capital de reserva para 18,5% de forma a combater a inflação, inflação gerada pelo excesso de dólares em circulação nas economias emergentes, porque é por lá que estão a ser realizados os maiores investimentos. O mesmo se passa no Brasil, na Índia, etc., em todos os mercados emergentes… Inflação!
A desvalorização do ouro deve-se apenas à noção do dólar vir a perder parte da liquidez, assim como o preço actual do ouro se deve quase exclusivamente à desvalorização do valor do dólar devido a excessiva liquidez.

Dei esta volta toda para retornar ao ponto de abertura deste texto… os nossos bancos déspotas que não precisam de aumentar o capital porque são uns “machos latinos”.
Esta onda inflacionária que está a aparecer em todas as economias mundiais emergentes, causa do excesso de dólares em circulação, mais cedo ou mais tarde, vai chegar à nossa costa – é inevitável, ao contrário daquilo que nos andam a querer vender -, e quando chegar, os nossos bancos vão ser varridos como castelos de areia à beira-mar construídos, porque as suas reservas vão-se evaporar sobre a pressão inflacionária do dólar… num instante…

Conclusão:
Num mundo de déspotas, com um Zé Povinho amorfo e pseudo informado, os déspotas reinam e reinam a seu belo prazer, destruindo aos poucos o pouco que ainda sobra de uma sociedade que se começou a desenvolver como Portugal desde tempos já quase imemoriais, alimentando-se, tipo canibais, do sangue e sofrimento de quem lhes dá poiso e comércio – lucro… apoiados por uma comunicação (anti)social que defende déspotas de déspotas falseando informação para pintalgar mentiras com a verdade de outras histórias… esta é uma imagem daquilo a que chamo de mentiras à déspota para Zé Povinho amorfo!

Notícia do Diário Económico – Bancos garantem que não precisam de reforçar capital
Notícia do Diário de Notícias – Moody’s e Fitch lançam alerta sobre bancos portugueses
Notícia do Sol – Portugal é ó terceiro país da UE com mais precários
Notícia do Jornal I – Conheça os novos pobres: jovens desempregados e mal pagos
Notícia do Jornal I – Emprego. Despedir para gerar trabalho, indemnizar com dinheiros públicos
Notícia do The Telegraph – EU wastes millions of euros on lavish anti-poverty meeting
Notícia do Jornal de Negócios – China impulsiona cobre e fragiliza ouro
Notícia do The Telegraph – Mystery trader captures 80pc of London’s copper market
Notícia do The Telegraph – JP Morgan revealed as mystery trader that bought £1bn-worth of copper on LME
Notícia do The Telegraph – Joseph Stiglitz: America’s QE2 poses ‘considerable’ risks
Notícia do The Telegraph – China orders banks to raise reserves to fight inflation

O Parasita Morre com o Hóspede

O que significam mais estímulos para os mercados: “América está à venda”. Governo americano “esconde o verdadeiro total da dívida”. Estudo: Ricos são os mais beneficiados pelos benefícios fiscais. Banco de Inglaterra está a considerar a necessidade de mais estímulos. Vince Cable ataca os banqueiros dizendo que são “parasitas e «casineiros»”.

Depois de meses consecutivos a sermos bombardeados com a noção de deflação da economia, eis que a Reserva Federal americana faz uma inversão de 90º e começa a dizer que a inflação é que irá ser o problema…

Pois é, se calhar para quem gosta de acreditar nos conceitos mais badalados isto seja realmente uma surpresa, para quem 2+2= 4 a surpresa é ser surpresa para muitos esta noção de inflação…
Meus senhores, o valor das moedas é essencialmente “medido” pela quantidade dela que existe em circulação, e como já por cá expliquei, ao contrário do que a maioria pensa a inflação não é um conceito apenas associado ao aumento da procura mas sim e principalmente à desvalorização da moeda em circulação…
Depois dos biliões de euros que foram injectados na economia mundial, é matematicamente impossível que as moedas das economias que receberam os pacotes de estímulo não venham a sofrer uma desvalorização… é matematicamente impossível, volto a frisar… a única solução é retirar de circulação o excesso de moeda de forma a conter essa inflação – através do aumento das taxas de juro (preço do dinheiro)…
Mas como temos assistido, nas economias desenvolvidas do mundo, as taxas de juro estão mais perto de zero do que de reflectirem preocupação com o capital que foi injectado nas economias… o que conduzirá a inflação, ou pior… (No artigo: Hiperinflação e o Fim de um Ciclo)
Quem quiser continuar a acreditar nos contos de fadas… continue…

Para os Estados Unidos, cada vez mais dólares em circulação tem outro intento tão perverso quanto o nomeado acima, que também é um pau de dois bicos…

Uma das formas do governo americano ir reduzindo o défice é através da desvalorização do dólar, ou seja, como exemplo:
Um investidor compra em 2010 um valor X de Títulos de Tesouro americano (dívida) a 10 anos com uma taxa de juro de Y. Se a desvalorização do dólar durante esses 10 anos for superior ao valor Y de juros que terá de pagar quando os Títulos do Tesouro americano ganharem maturidade, o valor líquido que irá ser pago será inferior ao valor real a que foram adquiridos os Títulos do Tesouro…
Mas isto acarreta um problema, e bem sério…
Se a desvalorização do dólar for demasiado evidente – como acho que anda a ser – os mercados internacionais podem ganhar a percepção que o investimento nos Títulos de Tesouro americano não compensa e deixam de os comprar… Esta situação, para quem faz contas de somar é… “the end” do dólar americano, pois quem tem em carteira Título americanos tentará desfazer-se deles o mais rápido possível de forma a reduzir ao mínimo os seus prejuízos, o que conduzirá à injecção de rios de mais dólares em circulação… mais desvalorização, mais inflação… hiperinflação… “the end”…

Uma das coisas que o governo americano está a fazer é esconder contabilisticamente o total de dívida, ou seja, manipulando os números de forma a dar um ar de mais sustentabilidade que o que tem, “almofadando” dessa forma a confiança dos mercados…
Meus senhores, todos os esquemas em pirâmide chegam a um momento em que se tornam incontroláveis, e este tipo de medidas não é algo recente, é uma acção que vem sendo usada para conseguir fazer crescer todas as economias sustentadas por numerário… bolsas e afins…
A bolha vai estourar… é inevitável… só o quando é ainda questão…

Depois a noção de que os benefícios fiscais beneficiam mais os ricos que os pobres…
O problema não está nos benefícios, está que eles são quase sempre direccionados para as classes mais abastadas, escondendo essa redução num embrulho político muito bonitinho que nos é constantemente bombardeado: “Para estimular o investimento“.
Mas que investimento? Um investimento nos mais ricos? Eles são os que menos precisam de investimento do Estado!
Sabem uma coisa… quem tem dinheiro irá quase sempre querer investir de forma a conseguir angariar ainda mais dinheiro, não são necessários benefícios fiscais para isso… é realmente uma “pescadinha de rabo na boca”… uma bela mentira…

E como o que se passa por lá, no outro lado do oceano, costuma ser quase imediatamente copiado cá deste lado, o Banco de Inglaterra diz que se calhar irão ser necessários mais estímulos de forma a estimular a economia…
De onde virão esses estímulos?
Dos impostos do Zé Povinho.
Quem os irá receber?
A banca.
O que irão estimular?
Mais vício… e muito poucos resultados, como podemos ver à nossa volta, quase dois anos depois da grande injecção de pacotes de estímulos…

Um dos poucos políticos não “banana” a falar com todas as letras nos anos mais recentes na Europa, Vince Cable, diz que os bancos são “parasitas e «casineiros»”…
Alguém no mundo da política que tenha a coragem de usar palavras que retratem realmente o que eles são, é realmente uma lufada de ar fresco…

Tudo o que escrevi neste artigo até aqui não mais é do que a confirmação disso mesmo… de parasitas e «casineiros», que se alimentam de políticos “bananas” e de políticas “bananas” de forma a conseguirem chutar para a veia ainda mais dinheiro… tipo sanguessugas pérfidas que nunca se cansam de se alimentar daqueles que menos têm…

Sabem uma coisa… na natureza, o parasita que mata o seu hóspede acaba por morrer com ele…

P.S: Quem achar que este texto não retracta o que se passa e irá passar na Europa que levante o dedo…

Notícia da CNBC – What More Fed Easing Means For Markets: ‘America On Sale’
Notícia da News.com.au – US Government ‘hiding true amount of debt’
Notícia da Reuters – Wealthy benefit most from tax subsidies: study
Notícia do Financial Times – Bank considers need for further stimulus
Notícia do The Telegraph – Vince Cable attacks bankers as ‘spivs and gamblers’

O Destino (Sombrio) da Economia Mundial

Economistas prevêem a chegada de maus ventos – especialmente para os Estados Unidos.

Hoje que nos dizem que as bolsas estão todas em alta, que todos os indicadores são surpreendentemente positivos, quase tudo cor-de-rosa, chegam-nos as conclusões de um fórum de economistas – desengane-se quem pensar que por lá só estiveram os negativistas do costume:
Financial Markets workshop

Uma das reuniões mais conceituadas a nível global no debate sobre as tendências económicas, o fórum de Ambrosetti, que se realiza todos os anos desde 1975, foi lugar para algumas visões um pouco cinzentas sobre o futuro da economia global.

Nouriel Roubini:
“Existe um risco significativo de «double-dip» nos Estados Unidos, assim como no Japão e em muito países europeus.”

Edwin Truman:
“O cenário mais provável para a economia será um crescimento marginal.”

Vários economistas concordaram que:

“A maioria dos factores que impulsionaram a economia desde o colapso do Lehman Brothers estão a desvanecer ou já acabaram, incluindo não só o massivo pacote de estímulo assim como a redução dos impostos, e ainda os esquemas para apoiar o consumo(…)”

“Os estímulos aclamados como indispensáveis para voltar a «acordar» as economias moribundas geraram imediatamente défices e dívida causando preocupações nos mercados, o que impulsionou medidas de austeridade – que minam o crescimento.”

Outras coisas foram por lá nomeadas como:

– O valor do euro ser ainda demasiado elevado em relação ao dólar, o que retira competitividade às economias europeias.
– A maior parte do crescimento mundial está dependente dos valores de crescimento apresentados pela China.
– O sector que é visto como tendo sido o catalisador da recessão, imobiliário, continua em ruínas.
– O desemprego continua a ser um fardo enorme em muitas partes do mundo desenvolvido, especialmente em Espanha.
– Um crescimento de 1% na economia significa a estagnação dos rendimentos per capita.
– Em pouco tempo os Estados Unidos estarão a gastar mais com a dívida do que com a segurança nacional.
– Os americanos terão de baixar os seus padrões de vida.
– A China está tão dependente das exportações que em 2011 a Índia irá estar a crescer mais que ela, porque não é tão dependente de um mercado ocidental que irá estar a mãos com uma contracção no consumo.
– A Grécia não se irá salvar…ou o mundo subsidiará eternamente Atenas ou então irá impor um nível de austeridade que poderá conduzir a uma guerra civil.

Qualquer um dos pontos mencionados neste fórum de tendências da economia são os que importa realmente estar atento… todas as notícias rosáceas que forem saindo por aí poderão ser insignificantes quando comparadas com a dimensão de qualquer um destes cenários.
Aqui poderá ter sido descrito o futuro e é de futuro que temos de viver. Um bom passado não é garantia de um bom futuro. A noção de que o nosso futuro irá ser sempre melhor do que o presente que vivemos é algo muito arriscado de assumir nos tempos que correm.
O paradigma do crescimento eterno, que se tornou vício da sociedade moderna, é uma noção de vida que poderá ter apenas pés de barro.
Quem não guardar parte da vida para o pior, quando ainda o pode fazer, poderá estar a gastar os seus últimos cartuchos numa sociedade que não costuma perdoar quem cai…

Notícia da CNBC – Economists: Gloom and Doom Ahead—Especially for the US
Notícia da Associated Press – Experts see trouble ahead for developed world

Pico do Petróleo, Créditos de Carbono e Crescimento Económico

Alarme para o Pico do Petróleo revelado por conversas institucionais secretas. Países pobres pagam exorbitâncias por consultadoria para projectos de redução de emissões de carbono. Pacotes de estímulo à economia fizeram crescer a economia americana até 4,5%.

Qualquer uma destas notícias que saiu hoje merecia uma análise individual, mas a falta de tempo hoje não dá para mais, além de que uma análise colectiva destes temas é algo que estava em falta na mOsca, porque nada no mundo é totalmente independente de outros factores e causas.

Pico do Petróleo.
Ficamos hoje a saber, contrariamente ao que as instituições públicas nos querem fazer crer, que a preocupação com o Pico do Petróleo é um tema que vai além das discussões académicas entre pseudo teoristas da desgraça.

David Mackay, conselheiro chefe da DECC (Departamento de Energia e Alterações Climáticas), pediu a vários responsáveis na indústria, como Richard Branson, conselhos de forma a ajudar na criação por parte do governo de um plano de contingência para enfrentar este problema.

Foi criado pela DECC um grupo de trabalho para analisar a questão do Pico do Petróleo – negado pela própria mas confirmado por documentos revelados – onde saíram as afirmações de que tinham de levar em conta as alterações climáticas e colocar mais ênfase na redução da procura e também que o Pico do Petróleo poderá aumentar a volatilidade dos mercados.

Primeiro daqui podemos retirar que o Pico do Petróleo não é um conceito descabido, antes uma real preocupação, que o secretismo e constantes negações da sua realidade mais não são do que uma prova da sua existência.
Para além disso, o mais importante é a noção exposta nas suas últimas palavras: “Volatilidade dos mercados“.
– O problema principal com a questão do Pico do Petróleo não é quando acontecerá, mas sim quando irão as nações produtoras começar a restringir as exportações depois de tomada a noção de que a matéria prima existente poderá deixar de ser suficiente para suprir a sua demanda interna.
Sabemos que essa é uma acção “normal” quando uma nação se vê a braços com uma possível escassez de um produto que exporta. A recente limitação das exportações de trigo na Rússia prova isso mesmo.
Até quando iremos ter um mercado de exportações sem constrangimentos estatais?

Créditos de carbono.
Para uma vez mais comprovar toda a boa essência das políticas da ONU para com o mundo e principalmente para com os países mais pobres, ficamos hoje a saber que as nações mais pobres têm de pagar rios de dinheiro para conseguir entrar para o mercado dos créditos de carbono criado e gerido pela ONU.
Uma vez mais cai-lhes a máscara e fica exposto que os seus interesses são “exactamente” os mesmo de qualquer outra instituição financeira: “Dá-me cá o guito que depois eu dou-te a minha mão”.

Pacotes de estímulo.
Ora bem… se a economia americana cresceu até 4,5 % neste último trimestre devido aos pacote de estímulo, quanto é que realmente teria crescido se não estivesse sustentada por esse colchão de ar, ou mais concretamente, por esse paliativo?
Ora bem… A economia dos Estados Unidos cresceu 1,4%… não é preciso ser um génio a matemática para facilmente notar que sem os paliativos a economia americana estaria em acentuada recessão… Como já foram aprovados novos paliativos este mês, podemos então esperar que mais do que 4,5% do valor de crescimento que os Estados Unidos irão reportar no próximo trimestre estarão “deitados” neste colchão económico de números “mentirosos”.
Durante quanto tempo mais irá a Reserva Federal americana ser a responsável directa pelos números do PIB, e quanto cada vez mais terá de injectar na economia para manter esses números?
Para quem acredita que isto é algo fazível desejo-lhes uns bons sonhos… para quem faz contas, isto é um beco sem saída, e quanto para mais tarde se enviar a correcção normal que os mercados estão a precisar fazer, maior irá ser a implosão.

Juntando os três temas, o que temos é uma imagem descaracterizada daquilo que devia ser uma economia vibrante e em crescimento. Aquilo que aqui vimos é que quase todos os principais temas económicos do momento são manipulados e jogados com cartas pouco correctas ou mesmo totalmente incorrectas. Aquilo que vemos é uma parte de um mundo “de  faz de conta” em que a realidade é cada vez mais varrida para debaixo do tapete, tentando adiar para mais tarde o ter de enfrentar a verdadeira solução para os problemas.
Quais as soluções?
Exigir transparência e seriedade de todos, principalmente daqueles que com medo de perder o lugar de protagonismo que ocupam (Elites) lutam com todas as suas forças para adiar até ao máximo a resolução destes problemas… não percebem é que quanto mais tempo passa mais palpável vai ficando a realidade para os Zé Povinhos do mundo e, como nos reza a História, sempre que uma população chega ao ponto do “já não dá mais”, eles são trucidados (elites) por culpa do apego a opções que apenas serviram para manter o seu  “status quo” em desfavor de resoluções para os problemas…

Notícia do The Guardian – Peak oil alarm revealed by secret official talks
Notícia do The Guardian – Poorer nations hit with ‘exorbitant’ consultancy fees for carbon offset projects
Notícia da CNBC – US Stimulus Boosted Growth by Up to 4.5%

Mais um Pouco Sobre o Carrossel da Economia

O mercado imobiliário americano entrou em “double-dip”. Estímulo americano à economia ficou mais caro que a guerra no Iraque. Hindenburg volta a aparecer. Analista afirma que o DOW vai cair até aos 5.000. Presidente da Reserva Federal de Chicago diz que o risco de um “double-dip” na economia é cada vez maior. Défice alemão duplica.

Tenho passado uns dias calmos em relação à escrita sobre a economia… estava apenas à espera que as nuvens cor-de-rosa pintadas à força fossem desvanecendo e dando lugar à verdadeira cor que paira no ar… escurinha…

A primeira diz-nos que o mercado imobiliário americano já entrou em “double-dip”.
Para os mais distraídos, quando em 2008 o mercado imobiliário lá por aquelas bandas iniciou a sua primeira viajem no carrossel do desespero, cá deste lado fomos apanhados e quando demos por nós já íamos de boleia. Já não existe o lá e o cá, existe apenas um agora por lá e daqui a pouco por cá. É o jogo do toma-lá dá-cá…
Irá desta vez ser diferente?…

Ficamos também a saber que os pacotes de estímulo à economia americana ficaram mais caros que a guerra no Iraque.
Antes de falar directamente sobre o tema desta notícia, apenas salientar a verdadeira loucura abstractamente tresloucada americana de estar a conduzir duas guerras, reduções de impostos e um pacote de estímulo à economia, tudo em simultâneo. Digo que isto talvez seja comparável a um agregado familiar que tenha um rendimento mensal de mil euros e com ele comprar dois Ferraris, quatro mansões em Ibiza e mais uns quantos iates… e talvez ainda um aviãozinho particular…nada demais…
Em relação à notícia, ficamos a saber que o total dos estímulos à economia custaram mais 15% do que o combinado de todos os anos da guerra no Iraque, algo como 100 mil milhões de dólares mais!
Vai mais uma volta no carrossel dos chanfrados?

Hoje também fiquei a conhecer o “Presságio Hindenburg”.
Mas que raio é isso, perguntarão vocês? Foi o mesmo que eu fiz quando tive conhecimento dessa coisa com nome de filme de terror.
Ora, o “Presságio Hindenburg” (Hindenburg Omen) é um modelo de análise técnica que nos dizem ser capaz de prever as quebras dos mercados bolsistas.
Pois, eu também fiquei a abanar a cabeça depois de ler isso, mas não é que existe muito boa gente no meio de Wall Street que acredita convictamente nesse modelo de análise com um nome tão “sui generis”.
O modelo prevê um colapso das bolsas mundiais em Setembro – Já começo a compreender o porquê do nome tipo filme de terror.
Para ficarmos mais descansados também nos é dito que o modelo só acertou em 25% das suas previsões desde 1987 – Não sei quantos colapsos das bolsas aconteceram desde então – não apenas os mundiais, também os localizados… mas é melhor não deitar foguetes antes da festa porque também nos dizem que acertou em todos os colapsos…
Agora o carrossel entrou na casa do terror, em que estado irá sair de lá?

Uma pesquisa de Charles Nenner – ainda não conhecia e vou ler mais sobre ele – diz que o DOW Jones vai cair até aos 5.000 pontos nos próximos dois a dois anos e meio. Será este mais um enviado das profundezas do terror?
Irá chegar a deflação acompanhada de uma nova forte recessão que empurrará os mercados até esse valores – exceptuando os dos bens alimentares. “Isto parece mesmo muito mal para os próximos 10 anos”, palavras de Nenner.
Mais um vidente com poderes sobrenaturais a prever como irá ser o futuro, ou apenas mais um dos incontáveis estudos que cada vez mais frequentemente dizem que o carrossel está prestes a apanhar uma descida acentuada?

Para nos confirmar um pouco se os presságios com nomes de filme de terror e os videntes têm alguma hipótese de estar correctos, nada melhor do que ouvir as expectativas de um dos “casineiros” que trabalha para o casino chamado Reserva Federal Americana.
Ele diz que os riscos de uma nova recessão são cada vez maiores… quer dizer na entrevista que ele dá nem sequer faz menção a um indicador positivo, quanto mais a um cenário cor-de-rosa.

E ainda… a estrondosamente poderosa e forte Alemanha, que cresce a olhos vistos, deixando todos os analistas de olhos em bico, apresentou um resultado em que o défice do Estado duplicou. Esperem lá… Pessoalmente as minhas finanças crescem quando eu poupo mais do que gasto. Terá sido o crescimento Alemão neste último trimestre resultado de apoios do Estado à economia que ainda não foram divulgados, ou que estão escondidos entre algum embrulho político com um nome pomposo de lei? Não esquecer que das medidas mais apertadas de controlo do défice e controlo da despesa foram as assumidas pelo governo alemão…
Lá estranho isto é!

Conclusão:
O carrossel está uma vez mais a ganhar balanço para entrar numa cada vez mais provável descida. Apertem os cintos e deitem as pipocas fora que esta coisa pode apanhar uma velocidade dos diabos…

Notícia da CNBC – Housing in ‘Double-Dip’: Economist Zandi
Notícia do The Examiner – Little-known fact: Obama’s failed stimulus program cost more than the Iraq war
Notícia do The Wall Street Journal – Yes Folks, Hindenburg Omen Tripped Again
Notícia da CNBC – Dow Faces Bouncy Ride to 5,000: Strategist
Notícia da CNBC – Risk of Double-Dip Recession Has Risen: Fed’s Evans
Notícia do Diário Económico – Défice alemão duplica para 3,5% do PIB

As Privatizações e os Números “Engraçados”

Governo privatiza o BPN e assume dívidas. Receitas das privatizações acima do esperado.

A privatização do BPN é uma boa notícia para o país porque o Estado irá encaixar no mínimo 180 milhões de euros para combater o défice orçamental. Juntamos a este valor um valor expectável de 1.2 mil milhões de euros com parte da Galp e da EDP e o Estado poderá encaixar 1,38 mil milhões de euros.

Agora o senão desta história.
As dívidas do BPN ascendem a 2 mil milhões de euros mais 4 mil milhões de euros que foram injectados no BPN pela Caixa Geral de Depósitos!
6 mil milhões de euros menos 1,38 mil milhões é igual a -4,62 mil milhões de euros! GRANDA NEGÓCIO!
De onde virá este dinheiro?
Dos impostos dos Zé Povinho!
Que impostos terão de voltar a subir para tapar mais este buraco?
Os do Zé Povinho!
Quem ficou a ganhar com isto? Portugal? o Zé Povinho? A banca? os “bananas”?
Parece-me evidente que as únicas entidades que ganharam com isto foi a banca e os “bananas” que receberam dinheiro por debaixo da mesa!

A estrada da vergonha desavergonhada trilhada pelos nossos “bananas” e pelos seus mestres, a banca, atinge dimensões de escândalo surrealista e de descaramento ignóbil, enquanto isso o Zé Povinho fica a olhar a ver passar o desfile da vergonha e nada faz para o parar!

P.S: De positivo é ficarmos a saber que o BPN consumiu 6 mil milhões das ajudas do Estado, mas pergunto: “Por onde andam os outros 14 mil milhões de euros?

E para fechar, podemos sempre confiar nos nossos meios de comunicação que são a nossa voz e contam sempre tudo…

Notícia do Diário Económico – Governo privatiza BPN e assume dívida do banco
Notícia do Diário Económico – Governo garante receitas das privatizações acima do esperado
Notícia do Público – Governo vende 95% do BPN a partir de 180 milhões de euros
Notícia do Correio da Manhã – Contribuintes pagam 2 mil milhões do BPN
Notícia do Expresso – Governo privatiza BPN, Galp e EDP
Notícia do Público – Cavaco promulgou garantias de 20 mil milhões de euros à banca

%d bloggers like this: