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À Mesa da Ganância

Antigo Primeiro Ministro diz que o Banco Central Europeu ajudou a alimentar a crise. Testes de stress à banca ainda não começaram e já são alvo de críticas. Juiz americano suspende a condenação da Chevron por danos ao ambiente no Equador. Exploração petrolífera da Shell ameaça uma das maiores maravilhas do mundo. Estaremos a perder vista às verdadeiras causas das mortes em massa de animais? Milhões de sardinhas aparecem mortas na Califórnia.

Hoje havia muito por onde pegar para escrever. Podia pegar na situação de Portugal, na inflação, na “guerra” na Líbia, etc., mas acho que por vezes é mais importante afastar-nos dos temas que estão na “moda” e abordar vários temas aparentemente dispersos e tentar criar uma imagem mais fidedigna da podridão que por este mundo caminha…

Abro as hostes com a afirmação de John Bruton, antigo Primeiro Ministro irlandês de 1994 a 1997, que disse esta coisa digna de figurar nos anais das verdades mais inconvenientes:

(…)acusou os bancos franceses, ingleses, alemães e belgas de “empréstimos irresponsáveis… escudados na esperança que também eles pudessem lucrar com a bolha imobiliária irlandesa.” O Sr. Bruton afirmou num discurso na Escola de Economia de Londres que aos bancos “estava disponível muita informação referente ao crescimento em espiral dos preços das habitações na Irlanda.”
Foram supervisionados pelos seus bancos centrais e pelo Banco Central Europeu que “aparentemente não levantaram objecções a esses empréstimos.”
In CNBC

O almoço foi servido e todos se banquetearam como se não houvesse amanhã. O problema é que há sempre um amanhã e que quando chega, chega servido de realidade… realidade que expôs as ânsias de ganância da banca irlandesa, os olhos fechados do Banco Central irlandês, a corrida desenfreada dos bancos europeus a uma fatia do lucro da ilusão e um Banco Central Europeu que foi gradualmente baixando as taxas de juro para impulsionar de forma (in)directa esse banquete dos insanos.
Todos juntos, todos culpados, mas todos inocentes menos aqueles que deviam ter os árbitros à perna desde o início desta história, os bancos irlandeses, e principalmente o Zé Povinho irlandês que foi atraído para uma bem montada armadilha pelas acções do Banco Central Europeu.
Agora o Zé Povinho irlandês está a pagar pelos devaneios insanos dos seus casineiros e a pagar do seu bolso aos bancos franceses, alemães, ingleses e belgas que se banquetearam com a formação da desgraça e se continuam a banquetear da desgraça consumada, tudo isto com o apoio tácito do Banco Central Europeu e da comunidade bananeira da União Europeia.
Esta é a história da Irlanda, mas também é a da Grécia, a de Portugal, a de Espanha, a de todos os países em que os casineiros dos outros jogaram as cartas da desgraça.

E agora entro numa notícia que já devia estar a fazer parangona por todo o lado, tal a dimensão do dano que poderá causar aos países periféricos, à Europa… ao mundo:

Os critérios que servirão de base aos novos ‘stress tests’ à banca europeia deverão ser anunciados na próxima semana. No entanto, alguns dos pontos já conhecidos suscitam críticas no mercado. O responsável pelo principal instituto alemão de estudos económicos afirmou, este fim-de-semana, que os novos testes são demasiado negligentes e que não são melhores do que os realizados no ano passado, os quais foram amplamente criticados.
In Diário Económico

Portanto, vem aí mais areia para os olhos dos mercados e dos Zé Povinhos. Sabem uma coisa, ser enganado uma vez, acontece, duas vezes, é estupidez. Acham que os mercados irão cair na esparrela de serem novamente enganados por testes que aparentemente voltarão a ser teatros e encenações de princípios desvirtuados?
Não contem com isso!
Uma vez mais os casineiros deste mundo, talvez com um fundo por baixo da mesa, têm o apoio tácito da classe bananeira da Europa de modo a voltarem a conseguir esconder as suas verdades incómodas dos olhos dos mercados e dos dos Zé Povinhos.
Se a Grécia está mal, a Irlanda pouco melhor está, se Portugal para lá caminha, a Espanha agarrada está a um balão de oxigénio… como acham que irão ficar depois dos mercados voltarem a castigar as encenações de intenções destas classes de actores mentirosos, ou ilusionistas da verdade?

Seguindo…
Pois é, o dinheiro… essa coisa que compra tudo menos a alma do Homem moderno, talvez seja a razão principal deste juízo jurídico nos Estados Unidos:

Um juiz americano estendeu temporariamente a proibição à colecta da multa de 1,39 mil milhões de dólares devidos pela Chevron por danos, afirmando que o gigante petrolífero americano irá sofrer um dano irreparável se tiver de pagar a indemnização – ordenada por um tribunal equatoriano – por poluição em áreas da floresta tropical amazónica.
O Juiz Lewis Kaplan afirmou que existiam evidências que os advogados dos 30 mil queixosos equatorianos iam sem demora avançar para apreensão dos seus bens um pouco por todo o globo, incluindo em áreas em que a Chevron não conseguiria apresentar recurso no imediato. Afirmou que a sua decisão se justificava porque sem ela a Chevron poderia ver-se em risco de incumprir com “encomendas estratégicas”.
Mas Karen Hinton, a porta-voz dos equatorianos, disse que a incapacidade revelada pelo juiz Kaplan de levar em conta evidências chave, ou a marcação de uma audiência para se inteirar de mais factos, fora um “atropelo do processo” e “um inapropriado exercício do poder judicial.”
In The Independent

Esta é a vida vivida neste mundo corrompido por uma falsa imagem de justiça, por uma falsa imagem de democracia, por uma ilusão de igualdade. Esta demo-cracia vive a soldo… a soldo daqueles que têm a mais e que fazem o que mais lhes dá “na real-gana”.
Esta é a face desta demo-cracia ocidental que o ocidente tenta exportar, por vezes à força, para outras partes do globo. Meus senhores, isto não é nem democracia nem justiça, isto é dinheirocracia e justiçocracia, onde os que podem, safam-se, e os que não têm meios, pagam…

Talvez a notícia que expus acima também seja um sinal de um mundo que já não consegue defender o seu mundo natural sob pena de entrar em colapso total por falta do sangue que lhe faz bater o coração, o petróleo.
E, por sinal, hoje saiu uma notícia que poderá ser uma imagem mais fidedigna daquilo que acabei de escrever… e, antes de mais, gostava de salientar o “desprezo” informativo dos meios de comunicação em Portugal perante uma notícia que, digo eu, é significativamente importante:

A petrolífera Shell está debaixo de intensas criticas por planear uma exploração de petróleo e gás que poderá colocar em causa o recife de coral na costa da Austrália que está entre os ecossistemas marinhos mais importantes no planeta.
In The Independent

Esta notícia também devia ter referido o facto de a Shell só estar a planear isso porque os bananas australianos lhe deram autorização para tal. Mas, “prontos”, saltemos esse “pequeno” detalhe e avancemos direitos às palavras incómodas…
Existem Homens que tudo podem fazer neste e deste planeta, às custas de tudo o resto que vive nele. Talvez seja porque o sangue do mundo está a rarear, talvez… talvez seja apenas ganância, talvez… talvez seja apenas mais uma entre tantas vergonhas escondidas para impulsionar os lucros de uns quantos accionistas que se julgam maioritários em relação a este mundo. Mas o mundo não é dos accionistas privados dos grandes aglomerados económicos. O mundo é pertença de todos e principalmente parte dos outros seres vivos que não têm voz.
Irá este mundo ficar a olhar para mais uma destruição que mais tarde ou mais cedo irá, como quase tudo o mais, ser ligada ao aquecimento global como forma de retirar o peso da culpa destes grandes aglomerados económicos?

E quase como que a pedido, como forma de justificar as minhas últimas palavras, saiu uma notícia que devia dizer muito a este mundo… mas não, pelo menos em Portugal passou incógnita… talvez uma coincidência, talvez… mas talvez tenha sido mais um dos recorrentes silêncios impostos à sociedade pelos mesmos que se intitulam o garante da democracia. Como poderão ser um garante se eles próprios fecham muito do conhecimento num silêncio ensurdecedor?
Enfim… avencemos mas é direito à notícia em causa:

Incidentes (de mortes em massa) foram reportados um pouco por todo o mundo, mas agora depois do google ter mapeado os incidentes, ficou claro que a maioria dos casos estão concentrados na ponta sudeste dos Estados Unidos – bem ao lado do derrame no Golfo do México.
Depois da inexplicável morte de pássaros em Beebe, caíram do céu pássaros em Kentucky e em Louisiana. Incidentes com peixes mortos, inclusive de estrelas e outras vidas marinhas, foram reportados ao longo da corrente do Golfo por toda a costa oceanográfica ocidental. Até mesmo os casos de mortes em massa de caranguejos e peixes nas ilhas britânicas ocorreram no caminho da corrente do Golfo.
In Earth Times

Talvez não venha a acontecer o mesmo no recife de coral australiano, talvez… mas talvez venha a suceder o mesmo, e então quem depois irá pagar pela impagável destruição de vida? Quem? A Chevron? A Shell? A BP? Os juízes que constantemente defendem estes “meninos”? Quem? Os bananas?
Pagamos todos pelos erros de uma sociedade que é incapaz de analisar que a sua riqueza não é medida em numerário, mas sim em quantidade de vida e a qualidade com que é vivida em respeito pela a sua casa, pelo planeta Terra.
Talvez este mundo tenha de gritar a uma voz com a voz de todos os Zé Povinhos que nele habitam e dizer:
DEVOLVAM-NOS AQUILO QUE É DE TODOS!

E talvez por algo como tal estar em falta, ontem, uma vez mais…:

Milhões de sardinhas foram encontradas ontem mortas numa marina de Los Angeles, Califórnia. As operações de limpeza já começaram, mas ainda são desconhecidas as causas da morte dos peixes.
In Diário de Notícias

Conclusão:
À mesa da ganância só são servidas desgraças… e na mesa da ganância empanturram-se aqueles que afirmam não serem ímpios… e o no teste à sua ganância são ilusionistas, brincalhões, uns verdadeiros palhaços da concórdia corporativista… e de corporativismo está a justiça deste mundo cheia… cheia… parece um balão de dólares inflado por mentiras e inverdades putrefactas… putrefacção que ainda não chegou a todos os sítios… e talvez por isso a ganância dos mesmos corporativistas ilusionistas e brincalhões queira por lá mergulhar… mesmo que as águas que agora são ímpias já pouco para mais sirvam do que servir de bandeja para a morte chegar… que chega para incontáveis milhões… até ao dia em que o Homem será ele… também… parte do mexilhão…

Notícia da CNBC – ECB Helped Fuel Irish Bubble, Says Ex-PM
Notícia do Diário Económico – ‘Stress tests’ ainda não começaram mas já são alvo de críticas
Notícia do The Independent – US judge halts damages claim over pollution in Amazon
Notícia do The Independent – Shell oil exploration threatens one of the world’s great wonders
Notícia do Earth Times – Losing sight of the real causes of mass animal death?
Notícia do Diário de Notícias – Milhões de sardinhas encontradas mortas na Califórnia

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Um Vazio Sepulcral

HSBC desaponta com lucros de apenas 13,2 mil milhões de dólares. Lucros do HSBC quase triplicam. Avaliação das casas sobe pela primeira vez em seis meses. Banca aproxima avaliação dos preços reais dos imóveis. Avaliação bancária dos imóveis desce 3,3%. Testes de resistência foram suficientes. Capitalização da banca é “confortável”. BDP sugere que vendam activos. Teixeira dos Santos pede à banca para reforçar capital. Moody’s está preocupada com a banca nacional.

Estes últimos dias têm sido verdadeiramente profícuos em notícias pintalgadas de cor-de-rosa nos nossos meios de comunicação social.
Os leitores menos atentos poderão ter caído na esparrela de muita da informação enganosa que anda a saltitar por entre as linhas escritas, por vezes descritas como verdades, que pouco mais são que roteiros programados para afastar do real a mente do Zé Povinho… talvez mentirinhas sagazes com um timing perfeito…

Escrito isto, vamos a elas…

O Jornal de Negócios – apenas um dos exemplos de como tal informação foi noticiada em Portugal – deu lugar de parangona a isto: HSBC desaponta com lucros de 13,2 mil milhões de dólares, e nos meios de informação europeus o que fez parangona foi isto: Os lucros do HSCB quase triplicaram.
Temos aqui em mão uma dualidade de leituras da mesma informação no mínimo extremada. Por isso o melhor é analisar qual das duas realidades é mais “notícia”:
– Lucro que os analistas estimavam:

Ainda assim, o número ficou aquém dos 13,72 mil milhões de dólares para que apontavam as estimativas dos 15 analistas consultados pela Bloomberg.
In Jornal de Negócios

Hmmm… então quer dizer que o lucro do HSBC ficou 500 milhões abaixo do esperado… hmmm… realmente significativo no seu total… sem dúvida…

– Crescimento do lucro:

O resultado líquido do HSBC foi de 13,2 mil milhões de dólares (9,59 mil milhões de euros) em 2010 e mais do que duplicou relativamente aos 5,83 mil milhões do ano anterior.
In Jornal de Negócios

Hmmm… portanto é muito mais parangona o facto de ter crescido menos 500 milhões de dólares que o esperado, do que o facto de ter aumentado o seu lucro em 7,37 mil milhões… hmmm… nada desequilibrado… hmmm…

Seguindo…

O Diário Económico dá lugar de destaque a isto: Preço das casas sobe pela primeira vez em seis meses … Seria realmente uma excelente notícia para a economia nacional, principalmente porque afastava a possibilidade de um cenário de colapso do mercado imobiliário… mas… o mesmo diário económico, passado um dia, apresenta uma outra notícia sobre o assunto que explica um pouco melhor o porquê de tal situação ter acontecido: Banca aproxima avaliação ao valor real dos imóveis

Ainda que ligeira, esta foi a primeira subida dos últimos seis meses, o que pode ser interpretado, segundo os especialistas, como um sinal de que os bancos estão a aproximar as avaliações ao real valor dos imóveis.
In Diário Económico

Hmmm…
Mas não termina por aqui… hoje no diário gratuito Oje saiu uma notícia que explica ainda melhor o que se passa: Avaliação bancária da habitação desce 3,3%

A avaliação bancária de apartamentos e moradias recuou 3,3% em Janeiro em termos homólogos, embora tenha subido 0,2% face a Dezembro, fixando-se em 1133 euros por metro quadrado, indicou ontem o Instituto Nacional de Estatística (INE).
In Oje

Hmmm… então o único sinal positivo a retirar disto tudo é que a banca está a analisar a realidade de forma mais próxima do mundo real, contrariando muito daquilo que descrevem muitas das linhas gastas em paleio de circunstância pelos nossos(?) meios de comunicação social… e, infelizmente, os sinais negativos continuam a fazer caminhar o mercado imobiliário em direcção ao abismo, a agravar-se de modo consistente e permanente…

Continuando…

Carlos Costa, Presidente do Banco de Portugal, apareceu hoje em parangona no jornal SOL a dizer isto: Presidente CGD: testes de resistência foram ‘suficientes’. Para já pode ser dito que depois de todas as criticas em relação aos testes terem sido mais que insuficientes, com tal é facilmente constatável pelo facto de passado menos de um ano se ir realizar outros testes de stress mais rigorosos, esse comentário é no mínimo dúbio, ou na melhor das hipoteses um pouco desprendido da realidade… mas:

«Estes testes trouxeram informação importante aos mercados e, em relação à banca portuguesa, vieram demonstrar que os seus níveis de capitalização e a sua solidez eram inquestionáveis»
In Sol

Tal convicção é digna de registo, tal como é a que está presente numa notícia do jornal Oje: Capitalização da banca é “confortável”

Os responsáveis dos principais bancos portugueses afirmaram ontem que a capitalização da banca é confortável, uma garantia que ocorre dois dias antes de a Comissão Europeia apresentar a metodologia da nova ronda de testes de stress ao sector na Zona Euro.
In Oje

Mas não é que o mesmo Carlos Costa, e no mesmo dia, afirmou que: BdP sugere aos bancos que vendam activos, notícia que faz parangona na Agência de Notícias…

Carlos Costa diz que bancos nacionais têm de mostrar que conseguem superar eventuais chumbos nos testes de stress.
In Agência de Notícias

Hmmm… no mínimo esta afirmação não liga lá muito bem com a que teve lugar de parangona no Sol, pois não?
Hmmm…
E então se ficarmos a saber que o Diário Económico deu lugar de parangona a isto: Teixeira dos Santos e Carlos Costa pedem à banca para reforçar capital

Reforçar capitais e desalavancar. Foi esta a mensagem passada ontem pelo ministro das Finanças e pelo governador do Banco de Portugal, quase em uníssono, à banca nacional.
In Diário Económico

Hmmm… e não está sozinho na afirmação de que a banca nacional tem de vender para aumentar o seu capital líquido em caixa de forma a não chumbar nos novos testes de stress… hmmm…
Talvez toda esta indefinição do Sr. Carlos Costa e dos nossos(?) meios de comunicação social tenha a ver com o facto de hoje o Diário Económico escrever que: Moody’s está preocupada com saúde da banca portuguesa

A forte dependência dos bancos nacionais do Banco Central Europeu para obter financiamento está no centro das preocupações da Moody’s, que ouviu também com apreensão os recados do ministro das Finanças e do governador do Banco de Portugal para os bancos reforçarem capitais, em vésperas de novos ‘stress tests’ na Europa.
In Diário Económico

Ah!!!… Já percebi, foi tudo apenas um erro de interpretação do passado quando comparado a este presente, em que a banca não consegue financiamento nos mercados e está quase totalmente dependente da boa vontade do Banco Central Europeu… hmmm… Mas então porque razão os nossos(?) meios de comunicação deram lugar de parangona ao passado? E porque razão nenhum foi capaz de questionar o porquê de tanta incongruência no discurso do Sr. Carlos Costa? Já não faz parte do jornalismo fazer as perguntas incomodas? Será o jornalismo apenas um copiar sem questionar?
Hmmm…

Estes foram três “pequenos” exemplos, consoante a interpretação de cada um, de como a realidade de um mundo pode ser mentira no mesmo impulsionada pela ausência de jornalismo no jornalismo…
Três “pequenos” exemplos de como os meios de comunicação social podem ser veículos de textos programados, de imagens distorcidas e de mentiras encapotadas.
Três “pequenos” exemplos de como a nobre arte de fazer jornalismo deu lugar a um quase e exclusivo copy\paste de afirmações não confirmadas, a parangonas desonestas na forma como abordam a informação, e a realidades invertidas para “ficarem” mais de acordo com o tom cor-de-rosa “pedido” por alguns dos interesses que pululam por aí… tipo bonitas carochinhas às bolinhas a quem ninguém lhes pode fazer mal…
Por onde andam o jornalismo e os jornalistas?!?!?!?!?!?!?!

Conclusão:
Lucros que são prejuízo nas parangonas… realidade que invertida é para vender o sonho da mentira de alguns… e senhores que falam, falam, falam, e pouco mais dizem que pequenas e constantes mentirinhas de modo a irem pintando o mais cor-de-rosa possível o nosso pequeno e quase sequestrado mundo…
Jornalismo! Ei! Jornalismo! Jornalistas? Ei! Alguém? Está por aí alguém?…
Um vazio sepulcral…

Notícia do Jornal de Negócios – HSBC desaponta com lucros de 13,2 mil milhões de dólares
Notícia do The Telegraph – HSBC profits near triple to $19bn
Notícia do Diário Económico – Preço das casas sobe pela primeira vez em seis meses
Notícia do Diário Económico – Banca aproxima avaliação ao valor real dos imóveis
Notícia do Oje – Avaliação bancária da habitação desce 3,3%
Notícia do Sol – Presidente CGD: testes de resistência foram ‘suficientes’
Notícia do Oje – Capitalização da banca é “confortável”
Notícia da Agência Financeira – BdP sugere aos bancos que vendam activos
Notícia do Diário Económico – Teixeira dos Santos e Carlos Costa pedem à banca para reforçar capital
Notícia do Diário Económico – Moody’s está preocupada com saúde da banca portuguesa

A Máquina Infernal

Portugal é o próximo cliente da máquina infernal da UEE. Mercados dizem que o salvamento da Irlanda foi um falhanço, devido à falta de transparência. Clube da bancarrota: Irlanda sobe ao 3º lugar. Mercados prevêem recurso de Portugal à ajuda internacional. Portugal e Irlanda são casos muito diferentes.

E aí vamos nós no 3º acto da novela: “gasto aquilo que não tenho e peço emprestado aquilo que não posso pagar”.
Depois do Lehmans e da Grécia, temos um terceiro acto totalmente preenchido com a Irlanda.
Irá ser o 4º acto dedicado a Portugal?
Aquando da queda da Grécia, a maioria dos analistas apontava Portugal como sendo a estrela para o 3º acto da peça, e conseguimos que a Irlanda nos roubasse o papel principal.
Conseguiremos que Espanha ou Itália, ou mesmo os Estados Unidos (dólar) nos roubem o protagonismo antecipado pela esmagadora maioria dos analistas?
Irá a Espanha ser consumida pela sua bolha imobiliária ou pela sua monumental dívida das regiões?
Irá a Itália, que tem passado quase despercebida, cair porque as suas contas e corrupção são uma imagem fidedigna da Grécia mas em escala incomparavelmente superior?
Os próximos seis meses o dirão…

Por enquanto, enquanto os nossos meios de comunicação para as massas continuam a fingir (na maioria das situações) fazer jornalismo “à séria”, temos de nos contentar com a explicação da nossa real realidade nas palavras de quem cá não está, nem tem responsabilidade cívica para o fazer: Ambrose Evans-Pritchard, a figura de proa da secção de economia do inglês The Telegraph.
Serão os nossos jornalistas assim tão mentalmente manipuláveis?
Até prova em contrário, estão a sê-lo!

Aos números do nosso Portugal:

Antes de lá entrarmos, vou primeiro escrever sobre a retórica que está a ser usada e abusada por quase todos os quadrantes político-bananeiros para descrever a situação de Portugal em relação à Irlanda e à Grécia, ou seja, aquilo que está servir de defesa a Portugal:
Olli Rehn, comissário europeu dos Assuntos Económicos e Monetários (apenas como exemplo de um dos intervenientes que anda a usar a retórica “programada”):

“A «natureza dos problemas» da Irlanda é «muito diferente» da dos problemas portugueses.”

In Sol

Agora sim os números e as palavras de Ambrose Evans-Pritchard:

“Os Portugueses estão confusos – e feridos – que os investidores possam sequer comparar o seu país com a Grécia ou Irlanda. Temo que muito em breve tenham de enfrentar alguns factos muito pouco agradáveis.”
“Enquanto a maioria dos líderes europeus, que encontram conforto no facto da Grécia ser um caso especial porque trapaceou os números, e que a Irlanda é um caso especial porque permitiu que os seus bancos entrassem num frenesim de empréstimos, ainda não reconheceram a verdade mais profunda em que a União Europeia destabilizou insidiosamente grande parte da Europa e aprisionou vários países (quase) inocentes numa depressão.”

In The Telegraph

Estes parágrafos estabelecem o tom para a descrição da nossa real realidade, não apenas aquela realidade (?) que nos anda a ser transmitida aos bochechos pelos nossos malfadados meios de comunicação social.
E assim chegamos ao rol dos números dispostos em sequência:
Défice externo:
2010: 10,3%
2011: 8,8%
2012: 8%
(Dados da OCDE)

Como criar riqueza no país do mundo desenvolvido com o maior défice externo?
Este défice será pago com empréstimos… este valor é o verdadeiro valor da dívida da República, não as contas manipuladas e manipuladoras do défice das contas públicas (também mas não só).
O problema maior é que a torneira dos empréstimos a Portugal pode fechar a qualquer momento… e depois?
Bem… depois…
FMI:

“Quanto mais tempo se mantiver este desequilíbrio, maior será o risco que a correcção seja repentina e angustiante.”

In The Telegraph

E como estamos na fase das comparações dizendo que Portugal é substancialmente diferente da Irlanda e da Grécia, que tal analisar essas diferenças por este prisma:
A Irlanda irá ter um superavit de 0,7% em 2011 e 3,2% em 2012.
Somos realmente diferentes!

Dívida pública:
Dívida da República: 86% do PIB (A oposição no bananal diz ser 122%)
Dívida Privada: 239% do PIB (Em 2008 – A maior no mundo)

As comparações com a Grécia e a Irlanda:
Grécia com 126,8% do PIB (Estado) e Irlanda com 101%… em 2014!
Como no endividamento privado somos reis, e no público andamos lá por perto… sim, as diferenças são realmente significativas para pior

A Banca, o mercado de trabalho e o mercado imobiliário:
A banca portuguesa e o mercado imobiliário são realmente as principais diferenças entre Portugal, Irlanda e Grécia.
A banca portuguesa foi menos “brincalhona” no mercado da especulação, mesmo assim o seu endividamento externo ascende em média a 40% dos seus bens, e se a torneira dos empréstimos fechar…
É-nos dito que a legislação do mercado de trabalho em Portugal é a mais rígida na Europa e que os apoios sociais representam 22% do PIB.
Este é provavelmente o único ponto que discordo em todo o texto do Evans-Pritchard.
Gostava de destacar que a Noruega, que tem um sistema social muito mais pesado para o erário público do que o português, e uma legislação laboral ao nível de Portugal, é a nona classificada no ranking mundial da competitividade. A culpa não é da legislação, é da forma como os impostos não foram e não são canalizados para a economia do Zé Povinho, ainda para mais quando a Noruega é o país do mundo em que a desigualdade entre os quadros superiores e os inferiores é a menor, aproximadamente 1 para cada 4 euros.
O mercado imobiliário é também uma diferença. Em Portugal ainda não estoirou, volto a frisar… AINDA não estoirou. Os indicadores mais recentes começam a apontar para que tal venha a suceder, como a brutal contracção que o sector das obras públicas tem vindo a registar, agravado no último trimestre para uma queda de 16,4% nas novas encomendas!

Depois Pritchard pega numa afirmação do nosso incontornavelmente brilhante Ministro de Estado e das Finanças que disse: “Se Portugal não fizesse parte da UEE o risco de contágio seria menor”, para escrever:

“Senhor, se Portugal não fizesse parte da União Europeia, certamente não estaria nesta situação. O país, no início dos anos de 1990, tinha um superavit na sua balança de transacções. Foi impelido pelas ilusões do não risco da EEU até a uns vermelhos 109% do PIB. Se a sua moeda ainda fosse o escudo, nunca teria conseguido acumular tanta dívida externa, e agora teria a capacidade de reganhar riqueza com uma taxa de câmbio inferior.”

“A origem desta crise vem desde a fatal decisão de entrar para a União Europeia 20 anos mais cedo do que devia. Depois Lisboa falhou com um controlo insuficientemente das políticas fiscais e de endividamento de modo a contrabalançar uma queda nas taxas de juro de 16% para 3%, de forma a conseguir entrar para a UEE – se é que é possível contrabalançar um erro monetário em tal escala.”

Portugal viu a sua competitividade ser destruída pelo «boom», e nunca mais conseguiu recuperar. O país tem desde então vivido num estado de permanente declínio por causa de uma moeda Teutónica que está constantemente a exacerbar os desafios. Perdeu incontáveis indústrias de baixa tecnologia para os rivais chineses e da Europa de Leste mais rápido do que as industrias de alta tecnologia que conseguiu criar.”

Portugal tem, de certa forma, sido uma vítima a EEU, uma casualidade das ideologias, dos bons ideais, e de teorias académicas não comprovadas de laureados com prémios Nobel sobre a eficiência das uniões monetárias.”

In The Telegraph

Pouco mais à a acrescentar que dizer que o que ele escreveu é quase proibido nos nossos meios de comunicação social, tal o silêncio degradante que continuamos a vivenciar, e usou apenas a lógica e contas de somar… 1+1=2… nada que necessite de um curso ou saber de predestinado para ser desenvolvido… fez um verdadeiro trabalho de jornalista mais profundo do que os que por cá vivem… no mínimo desprestigiante para a classe que vive em Portugal (digo eu)…

Para o ano que vem:
4% do PIB serão consumidos pelo aperto fiscal e assistiremos a uma contracção da economia em 1,4%. (OCDE)
A dívida total deverá ficar nuns incomensuráveis, inacreditáveis, absurdos 325% do PIB!!!!!!!
Acreditem, isto é mesmo diferente dos casos irlandês e grego, mas para pior!

Agora talvez seja mais fácil de compreender o porquê dos mercados terem pura e simplesmente respondido que o resgate da Irlanda não vale de nada, com o risco da dívida irlandesa a continuar a subir na tabela, assim como o de Portugal e da Espanha.
Agora é certamente mais fácil de compreender que estamos num beco sem saída, que nos próximos seis meses iremos entrar no grupo das soberanias totalmente vendidas e dependentes de terceiros, que o nosso sistema bancário irá ser varrido por essa maré, assim como o nosso mercado imobiliário. Então, nesse dia, talvez as diferenças entre Portugal, Irlanda e Grécia venham a ser apenas: Somados todos os indicadores é Portugal que está em pior situação…
E depois?
Bem, depois…a máquina infernal da União Económica Europeia irá continuar a funcionar tipo monstro aglutinador de tudo e todos…

Notícia do The Telegraph – Portugal next as EMU’s Máquina Infernal keeps ticking
Notícia do Sol – Portugal e Irlanda são casos muito diferentes, diz comissário
Notícia do Sol – Mercados prevêem recurso de Portugal à ajuda internacional
Notícia do The Telegraph – Ireland bail-out: Markets brand rescue package a failure due to lack of detail
Notícia do Expresso – Clube da bancarrota: Irlanda sobe ao 3º lugar
Notícias de Apoio:
Notícia da Bloomberg – Most Competitive Economies 2010
Notícia do Jornal de Negócios – Irlanda compromete-se a reduzir défice para 9,25% em 2011
Notícia do Economia & Negócios – Dívida pública da Grécia atingiu 126,8% do PIB em 2009
Notícia do Público – Joseph Stiglitz põe a hipótese de Portugal ou Espanha falirem
Notícia do IOL – Dívida pública total ficou acima de 108% do PIB em 2009
Notícia do Público – Portugal vai ter o maior défice externo da OCDE no próximo ano

Desta Vez (Não?) Vai Ser Diferente

Foi dito à banca que a recuperação poderá ser lenta. A China defende o controlo das exportações dos elementos raros do planeta como sendo uma acção para defender o ambiente.

Um estudo de Carmen Reinhart, com a co-autoria de Kenneth Rogoff e Vincent Raymond Reinhart , foi apresentado para uma plateia de banqueiros e economistas. O simpósio, no qual participaram grande parte dos “patos bravos” que fugiram aquando do colapso do Lehmans, foi de participação paga à cabeça, ou seja, foi apenas e só para os graúdos.

A apresentação das linhas orientadoras e conclusões desse estudo é-nos dito ter deixado muitos dos participantes a coçar a sua (in)consciência.

“A economia americana pode vir a experimentar um doloroso e lento crescimento e desemprego teimosamente elevado durante uma década ou mais, como resultado do colapso do mercado imobiliário de 2007 e do tumulto económico que se seguiu.”

In The New York Times

Entre mais umas coisitas que ficamos a saber que esse estudo apresenta, podemos então dizer que à porta fechada a palavra é uma, e para os meios de comunicação para as massas é outra, quase diametralmente oposta – quando proferidas pelos “casineiros” ou pelos “bananas” que nos (des)governam.

Não sei se se aperceberam mas uma década, ou mais, de recessão – é isso que esse estudo aponta – é um cenário muito pouco cor-de-rosa para quem tem empréstimos, para quem tem trabalho (in)seguro, para quem ganha pouco mais do que o suficiente para o mês, para quem é classe média… e nem quero pensar o que significará para aqueles que já são pobres…

Gostava só de fechar este pequeno espaço dedicado a esse estudo dizendo que ele se baseia nas reacções económicas das crises financeiras, 15 delas, que ocorreram desde a 2ª Guerra Mundial.

Como sei que alguns de vocês se irão agarrar com unhas e dentes à noção “desta vez irá ser diferente“, nada melhor do que juntar mais uns pozinhos informativos a essa esperança.

Uma tabela do crescimento dos impostos desde 1979 a 2007, que mostra que os impostos têm vindo a crescer para as classes mais ricas em comparação com os da classe média.
Isto seria realmente um excelente indicador não fosse o facto de esse aumento ser quase todo sustentado por um aumento tremendamente desigual dos rendimentos das classes. Esse aumento apresenta quase e só uma disparidade brutal no aumento  dos rendimentos das classes mais ricas em comparação com uma quase estagnação do aumento dos rendimentos da classe média. (Os rendimentos líquidos da classe média pouco subiram nas décadas de 80 e 90, e na primeira década deste século chegaram mesmo a perder terreno para a inflação registada)
Para quem julga que a economia consegue crescer sem classe média, bons sonhos, e para quem consegue entender que estes números podem na realidade representar que para a economia voltar a entrar nos eixos é imperativo um aumento significativo dos salários da classe média – o que contradiz quase todas as noções de combate a esta crise… e como fazer isso agora, no estado em que as economias estão? Pois é, as ânsias de ganância dos Srs do “pilim”, que engajaram numa espiral de redução do poder de compra da classe média com a redução do valor real dos seus rendimentos líquidos, estão agora a mãos com um dilema, ou dois, ou três…

E juntamos a estas pequenas noticias aquilo que eu considero o estrangular controlado das economias ocidentais e de todas as economias desenvolvidas… o controlo das exportações das matérias raras do planeta por parte da China.

O Japão já está a espernear dizendo que “baixas quotas poderão ter um impacto na indústria global“. Pessoalmente não poderia estar mais de acordo, até acrescento que o controlo das exportações irá ter inevitavelmente um impacto significativo na indústria e na economia global.
Os Estados Unidos também já se juntaram ao coro de medo que se está a espalhar pelos mercados mundiais dizendo já ter apresentado queixa à Organização Mundial de Comércio.
A China utiliza a mesma retórica que o Ocidente tem usado para justificar uma série de políticas: “é apenas por uma questão ambiental“.

Portanto podemos juntar estes três indicadores e criar um cenário:
– Conta-nos a História que todas recessões económicas levaram pelo menos uma década até que as dores da mesma deixassem de ser sentidas pela classe média.
– As disparidades de rendimentos entre ricos e classe média é tão grande que a classe dinamizadora da economia (Classe média) já está estrangulada em impostos, limitando em muito a possibilidade de implementação de aumentos nos valores cobrados, sem que isso conduza ao agudizar dos problemas da economia, a problemas sociais e até mesmo a sublevações.
– As matérias primas mais importantes para a economia da indústria que ainda existe nos países desenvolvidos – tecnologias de ponta – está a ser estrangulada pela China, país que produz 95% deles e detém 85% de todas as reservas do planeta.

Não sei se conseguem visualizar o caso, mas para mim estes três indicadores só pintam um cenário…
Desta vez irá mesmo ser diferente, provavelmente para pior

Noticia do The New York Times – Bankers Told Recovery May Be Slow
Notícia da The New Republic – The Rich vs. The Middle
Notícia da Bloomberg – China Defends Control of Rare Earth Exports as Move to Protect Environment

A Falsa Demanda da Banca

Os negócios internos da banca foram o motor da crise financeira.

Acho que já todos sabíamos que a banca foi a principal responsável pelo evoluir do caos financeiro que conduziu ao estado em que se encontra a economia mundial actualmente.

Hoje ficamos a saber um pouco mais profundamente como tal se processou: Criaram uma falsa procura.

O Merryl Lynch, Citigroup, USB e outros compraram os seus próprios produtos de forma a “enganar” os mercados.
Em 2006, começaram os problemas com o sector imobiliário que começou a corroer as contas dos bancos. Então de forma a esconder os números negativos os bancos começaram a criar derivados dos derivados de modo a criar a ilusão de fluidez. O que criaram foi uma bolha financeira baseada em “nada”, porque já não havia valor de mercado que sustentasse esse mercado. Criaram um novo problema para tentar esconder outro problema – foi a lógica da batata… a constante ilusão de que o adiar dos problemas dará tempo suficiente para se encontrar uma solução para os resolver, e o que constatamos é que o que acontece quase invariavelmente é o agudizar dos mesmos.

Este estratagema financeiro gerou elevados dividendos no curto prazo para a banca. O exemplo tipo dos rendimentos gerados por ano por cada derivado era de 5 a 10 milhões de dólares, que depois quase metade era dividido para pagar bónus aos “casineiros”.

A maioria destes derivados valem actualmente pouco mais que cêntimos… esta é a verdadeira imagem da loucura desmedida do vício que governa a conduta da banca, de Wall Street e de quase todas as praças financeiras mundiais.

Uma explicação detalhada sobre esta questão está desenvolvida na investigação do ProPublica – de leitura obrigatória de forma a perceber a verdadeira profundidade desta questão.

Acho que o importante a retirar daqui é que os vícios continuam os mesmos, pouco ou nada se aprendeu com os erros cometidos, e que com uma economia cada vez mais titubeante a tendência para que a banca continue a tentar fazer crescer este tipo de produtos financeiros é uma realidade vincada.

A vida de um país não pode, não deve, nem nunca devia ter sido “vendida” para as mãos de capital privado. Um mercado global não pode, não deve, nem nunca devia ser sinónimo de loucura descontrolada de produtos financeiros, devia apenas e só representar livre comércio… o comércio é que é importante para as sociedades e não os mercados de papel, quando para mais grande parte desse papel é apenas e só uma ilusão de rentabilidade.

Continuemos a deixar nas mãos destes loucos o futuro das economias e vamos todos aprender da forma mais difícil o que representa a ânsia de ganância destes agarradinhos ao numerário…

Noticia do ProPublica – Banks’ Self-Dealing Super-Charged Financial Crisis
Notícia da MSNBC – Finally, the housing meltdown makes sense
Notícia da CNBC – Did Banks ‘Fake’ Demand For Niche, Housing Products?

A Bolha Imobiliária

Envelhecimento arrasa activos imobiliários. 60% do crédito concedido em Espanha é para o imobiliário.

Num mundo de bolhas cada vez mais pronunciadas eis que mais sinais nos chegam delas.

Num mundo ocidental que tem sustentado grande parte do seu crescimento no sector imobiliário, crescimento esse que é contabilizado no presente mas que na realidade é sustentado por divida que pode estender-se por décadas até conseguir ser totalmente saldada, os números são cada vez mais desequilibrados.

Isto dá azo a uma primeira pergunta:
“Que quantidade desse investimento não será na sua essência uma expropriação do futuro e não um investimento no presente?”
Crescer hoje com a riqueza do futuro não é só um investimento no presente é uma assunção que o futuro irá ser maior e melhor que o presente de forma a ser possível saldar a dívida e os juros que somam a essa dívida.

“Que quantidade do futuro dos nossos filhos estamos a gastar já hoje?”
O excesso de dívida é um problema actual mas que quem realmente terá de o pagar serão as gerações vindouras, principalmente a geração dos nossos filhos. O hipotecar do futuro deles gastando hoje parte da sua riqueza é algo perturbador e quase insano no seu egoísmo, um caminho que tem apenas uma saída: “O nosso presente será mais abundante do que o futuro dos nossos filhos”

Depois de escritos estes parágrafos é-nos dito que o envelhecimento vai arrasar os activos imobiliários.
Para quem anda mais distraído… Isto quer dizer que uma das formas de riqueza contabilizável na nossa sociedade actual são os bens imobiliários que os agregados familiares possuem, e que eles irão perder valor no futuro, o que nos diz que o que iremos passar aos nossos filhos será muito menos do que o que temos hoje – mas as dívidas continuarão lá (em muito casos).

Quando gastamos hoje a riqueza do amanhã e que essa riqueza irá perder valor, qual a lógica funcional de tal acção? Uma casa só vale aquilo que alguém estiver disposto a pagar por ela e se já estamos a gastar a riqueza do amanhã, como poderemos esperar que amanhã haja suficiente riqueza para reaver o valor intrínseco de um bem imobiliário, e que essa riqueza venha a ser parte da vida dos nossos filhos?

O hipotecar do amanhã num presente de valor futuro questionável é algo que está expresso no valor total de dívida concedida em Espanha, 60%, valor que não deve ser muito diferente em Portugal.
A assunção de que o futuro irá ser maior e melhor do que o presente que vivemos não é apenas algo subjectivo, é algo absolutamente duvidoso quando levamos em consideração que vivemos num mundo de recursos naturais em declínio e com cada vez mais população no planeta a competir por esses recursos cada vez mais escassos.

Muitas vezes os sonhos do presente do Homem tornam-se em pesadelos, e este sonho de riqueza às custas dos nossos filhos tem cada vez menos contornos de sonho…

Crash Course: Bubbles:

Notícia do Expresso – Envelhecimento arrasa ativos imobiliários
Notícia do Jornal de Negócios – Actividade imobiliária em Espanha totaliza 60% do crédito concedido

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