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Quem Nos Salva?

Taxa de juro aumenta 249% em 11 meses. Portugal irá necessitar de 20 anos para conseguir regularizar a dívida. Doze bancos espanhóis têm de reforçar capital em 15 mil milhões. Fitch: Bancos espanhóis precisam de pelo menos 38 mil milhões. Moody’s: Bancos espanhóis necessitam no mínimo de 40 mil milhões. Molycorp diz que a China em 2015 passará a ser importadora de elementos raros. A contaminação do plástico no oceano Atlântico. Japão vai rever a lei de mineração, para tentar chegar até aos 3,6 biliões em recursos subaquáticos. A doença do derrame de petróleo está a destruir vidas.

Portugal, Espanha, China e mundo de candeias às avessas, aos solavancos, aos trambolhões na insanidade de uns quantos.

Ficámos hoje a saber, não é que seja uma surpresa, pelo menos para quem tem andando minimamente atento, que os juros cobrados a Portugal aumentaram, desde Abril do ano passado, 249%249%!!!!!
Portanto, já todos(?) deverão estar cientes que Portugal irá ter de pagar em juros, simplisticamente falando, mais 249% em milhares milhões de juros, para além dos imensos milhares de milhões que tem em dívida.
Se acham que tal é pagável, quem sou eu para contrariar tal convicção, mas mesmo assim gostava de referir que os sonhos não são necessariamente passíveis de serem transformados em realidades…

A realidade é, como ficámos hoje a saber, que Portugal irá necessitar de pelo menos 20 anos, duas décadas, para conseguir regularizar a sua dívida de modo que esta fique abaixo de 60% do seu PIB.
Isto para mim é puramente um sonho dentro da actual funcionalidade deste sistema monetário. Teria de escrever imensas linhas para tentar justificar toda essa minha opinião, por isso irei utilizar apenas os dados mais facilmente palpáveis para a tentar justificar, baseando-me apenas e como sempre em notícias dos meios de comunicação generalistas que saíram nos dias mais recentes.

20 anos… duas décadas… Será que estão cientes que isso poderá significar que irão ser duas décadas de contracção económica, duas décadas de aumentos nos impostos, duas décadas de redução da qualidade de vida, duas décadas de redução no rendimento per capita disponível, duas décadas de perdas de direitos adquiridos, duas décadas de diminuição do Estado Social, duas décadas de aperto no cinto? Duas décadas! Vinte anos!
Estará o Zé Povinho disponível para aguentar a contracção deste sistema e a regressão no seu nível e qualidade de vida durante duas décadas, vinte anos?
O povo é sereno, dizem alguns… por isso, talvez… mas também talvez não…

E então se forem (muito) mais que apenas duas décadas, como pessoalmente considero que é o mais provável, dados os indicadores que temos actualmente disponíveis?
Comecemos por pegar nos indicadores que nos chegam de Espanha…
Então, ficámos hoje a saber que doze, 12!, bancos espanhóis chumbaram nos testes de stress desenvolvidos pelo governo de nuestros hermanos, e que terão de aumentar em 15 mil milhões de euros o seu capital.
Ok, nada de mais, poderão alguns pensar… Talvez peçam uns empréstimos e tapem esses buracos com numerário (ilusório)… talvez… ou talvez não…
E se o tamanho do buraco for como a Moodys e a Fitch anunciam?
E se o buraco for de até 100 mil milhões de euros, cinco vezes mais que o total que o Estado português necessita de financiamento para este ano? Hmmm… quando analisado desta forma as semelhanças com a Irlanda são realmente peculiares, no mínimo… e no mínimo o Estado espanhol irá cair… de joelhos…
Hmmm, com que então vinte anos para Portugal conseguir acertar as suas contas, mas essa análise baseia-se no facto que a Espanha se mantenha de pé. Então, se a Espanha ruir, quantos mais anos teremos de adicionar a esses vinte? (Isto sem sequer contemplar a hipótese de Portugal cair)

Seguindo…
E ontem conheci a Molycorp, a maior produtora de elementos raros do planeta fora da China, que disse esta coisinha importante que poderá escapar à mente dos mais incautos:

“Elementos do governo chinês alertam consistentemente sobre a intento da China continuar a restringir as exportações dos elementos raros, e a possibilidade da China se tornar importadora dessas elementos por volta de 2015,” afirmou a companhia com sede no Colorado, Greenwood Village, quando anunciava os seus resultados do quarto trimestre do ano que findou. “O consumo interno de elementos raros da China irá continuar a aumentar ao ritmo do crescimento do seu PIB.”
In Bloomberg

Como para muitos esta coisa dos elementos raros do planeta poderá ser território desconhecido, irei fazer uma pequena abordagem a eles (simplista).
1 – Quase tudo o que são tecnologias modernas necessitam deles, sem eles não seria possível o seu desenvolvimento – LCDs, telemóveis, todos os desenvolvimentos tecnológicos nas renováveis, carros eléctricos, etc, etc, etc, etc,…
2 – A China é o maior produtor e exportador mundial, com uma cota de produção de 95% de todos os elementos raros do planeta.
Pegando nestes dados verdadeiramente primários… depois do mundo ocidental ter “despachado” quase toda a indústria transformadora para a Ásia e ter ficado “apenas” com as indústrias de tecnologia de ponta, que são as grandes sorvedouras dos elementos raros do planeta, vê-se agora a braços com o seu mundo a ficar sem as matérias-primas que são a base funcional dessas indústrias. A China já começou este ano a reduzir e significativamente as suas exportações de elementos raros e em breve, segundo o relato disponibilizado, juntar-se-á a todo o restante mundo na luta pelos restantes 5% do total produzido não extraído no seu território.
Hmmmm… portanto, aquilo que temos ouvido recorrentemente dos nossos bananas, “Portugal está a investir nas indústrias de ponta, nas novas tecnologias”, será realmente algo com futuro e que poderá realmente ajudar na redução de dívida?
Hmmm… talvez sim, se descobertas muito em breve formas para contornar esse problema… mas talvez não… muito provavelmente, não, e dados os dados que temos em mão, Portugal, que é quase insignificante neste mundo, dado o seu tamanho geográfico, não irá conseguir angariar matéria-prima para sustentar as suas empresas de tecnologias de ponta.
Portanto, ainda consideram que em vinte anos, duas décadas, Portugal poderá conseguir reduzir a sua dívida?

Ainda temos o mar. A nossa costa marítima é a mais extensa da Europa. Poderá estar por aí o nosso futuro, poderão alguns pensar… e bem, diga-se de passagem…
É sem dúvida uma das formas de Portugal desenvolver a sua economia, mas infelizmente também cada vez mais os oceanos são a casa de banho, a lixeira e zona aberta das loucuras de uma sociedade que está dependente do petróleo e das matérias-primas, e que vive em estado de espiral crescente sofreguidão.

A imagem dos oceanos como a casa de banho e lixeira das sociedades humanas:

O SES recolheu mais de 6000 amostras de plástico(…). Um dos espólios mais chocantes foi efectuado durante uma recolha que durou 30 minutos em 1997, quando os cientistas recolheram 1069 pedaços nesse pequeno espaço de tempo. Calcularam que isso equivalia a 580 mil pedaços de plástico por quilómetro quadrado.
Os plásticos contêm também químicos que são gradualmente libertados nas águas e na atmosfera. Os peixes ao respirar esses químicos presentes na água acabam por ficar contaminados. Depois são capturados pelos pescadores e essa contaminação acaba por entrar na cadeia alimentar humana.
In Earth Times

Portanto, se em 1997 andavam à deriva nos oceanos 580 mil pedaços de plástico por quilómetro quadrado, passados 14 anos, como acham que estará o quilómetro quadrado nos mares?
Ainda teremos mar, disso não restam dúvidas, mas que mar teremos e em que estado estará para ajudar a aliviar a dívida nacional?

Talvez por lá exista para Portugal o mesmo que os japoneses estão a pensar conseguir amealhar:

O ministro do Comércio japonês planeia simplificar a lei de mineração dos recursos marinhos, pela primeira vez desde 1950, para ajudar no desenvolvimento da exploração de recursos subaquáticos que poderão ascender a 300 mil milhões de yenes.
In Bloomberg

Talvez também tenhemos por lá ouro e outros minerais que tal. Mas quais poderão ser as consequências para o futuro da riqueza marinha e para a saúde da nossa população?
Talvez a melhor forma de se analisar isso seja tentar entender que danos foram até agora estabelecidos como causa directa do derrame e dos dispersantes usados para tentar controlar o desastre da BP no Golfo do México:

“Os dispersantes estão a diluir-se na água e a deixar solúveis os compostos químicos, que são depois transportados pelo ar, que chegam a terra através das águas da chuva.”
“Estou assustado com o que tenho descoberto. Estes compostos cíclicos misturam-se com o Corexit [dispersante] e geram outros compostos cíclicos que não são nada bons. Esta é uma catástrofe ambiental sem precedentes.”
In AlJazeera

Este é o resultado dos sonhos e vícios do Homem em sociedades que não medem as consequências dos seus actos para o seu futuro. O investimento nos oceanos, tal como é analisado por esta estrutura económico-social actual, resulta num perigo monumental para a natureza, para o Homem e para o planeta.

“Sr. Presidente, a minha preocupação é que estes componentes tóxicos lesivos ainda estejam a ser utilizados e que irão, a longo prazo, criar um grave problema ao nosso Estado, aos nossos cidadãos, ao nosso ecossistema, à nossa economia, à nossa indústria pesqueira, à nossa vida marinha e à nossa cultura.” Senador da Luisiana, AG Crowe.
“Não seremos enganados a acreditar que o petróleo e as toxinas já desapareceram. Como os dispersantes tóxicos foram, e ainda estão em uso actualmente, o petróleo está a descer até às colunas submarinas de água e entrar num ciclo interminável na corrente do Golfo afectando de forma adversa o nosso meio-ambiente.”
In AlJazeera

A corrente do Golfo passa mesmo aqui ao lado…
Nos oceanos não existem fronteiras, assim como no ar… a poluição e destruição causadas noutros pontos do planeta chegam quase sempre à nossa costa… e como poderá Portugal desenvolver uma solução económica para si próprio quando aquilo que julga ser seu é na realidade de todos? E pior, é na realidade a casa de banho do mundo…

Portanto, vinte anos poderá ser uma previsão no mínimo muito optimista, para não escrever mesmo sonhadora.
Não irão ser apenas vinte anos de prisão económica, de retracção social, irão ser muitos mais a não ser que todo este mundo em que vivemos comece a olhar para o seu mundo com olhos de gente realmente preocupada.
Só será possível em vinte anos se as desigualdades entre classes forem rebatidas, se os Estados aumentarem os apoios à união social através de estudos para todos, se os seus Zé Povinhos passarem a ser o seu maior bem e se a natureza que nos envolve passar a ser mais que apenas matéria-prima para ajudar nos ganhos pessoais, lucro, de uns quantos, muito poucos, homens que vivem como se não houvesse amanhã.

Conclusão:
O juro cobrado à nossa vida é medido pela taxa de loucura de uns quantos, muito poucos, que viveram e vivem num presente sem futuro… e que sem uma mudança radical na sua forma de viver a vida que é de todos, nem 40, nem 30, nem 20 anos mais haverão… até pode ser que os quantos, muito poucos, dos nuestros hermanos que viveram e vivem nesse presente sem futuro consigam desencantar mais uns anos para nós… mesmo que os árbitros das finanças dos loucos digam que os anos estão já contados para eles… até pode ser que o crescimento continuado da loucura chinesa nos possa vir a ajudar, mesmo que a sofreguidão com que cresce faça decrescer as esperanças de uma vida vivida para além deste presente… e talvez os mares nos salvem… mas… primeiro… temos todos de salvar os mares que vivem hoje ao ritmo de uma vida sem futuro…
Ao fim ao cabo, afinal de contas, quem nos salva… a nós… e ao mundo?

Notícia do Correio da Manhã – Taxa de juro dispara 249% em 11 meses
Notícia do Diário de Notícias – Portugal vai demorar 20 anos para regularizar dívida
Notícia do Diário Económico – Doze bancos espanhóis forçados a reforçar capital em 15 mil milhões
Notícia do Destak – Bancos espanhóis precisam de pelo menos 38 mil milhões de euros- Fitch
Notícia da Reuters – Moody’s reduz nota da Espanha e cita custo para recuperar bancos
Notícia da Bloomberg – Molycorp Says China May Become Net Importer of Rare-Earth Minerals by 2015
Notícia da Earth Times – Plastic Contamination in the Atlantic Ocean
Notícia da Bloomberg – Japan to Revise Mining Law, Seeking $3.6 Trillion in Undersea Resources
Notícia da AlJazeera – Gulf spill sickness wrecking lives

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À Mesa da Ganância

Antigo Primeiro Ministro diz que o Banco Central Europeu ajudou a alimentar a crise. Testes de stress à banca ainda não começaram e já são alvo de críticas. Juiz americano suspende a condenação da Chevron por danos ao ambiente no Equador. Exploração petrolífera da Shell ameaça uma das maiores maravilhas do mundo. Estaremos a perder vista às verdadeiras causas das mortes em massa de animais? Milhões de sardinhas aparecem mortas na Califórnia.

Hoje havia muito por onde pegar para escrever. Podia pegar na situação de Portugal, na inflação, na “guerra” na Líbia, etc., mas acho que por vezes é mais importante afastar-nos dos temas que estão na “moda” e abordar vários temas aparentemente dispersos e tentar criar uma imagem mais fidedigna da podridão que por este mundo caminha…

Abro as hostes com a afirmação de John Bruton, antigo Primeiro Ministro irlandês de 1994 a 1997, que disse esta coisa digna de figurar nos anais das verdades mais inconvenientes:

(…)acusou os bancos franceses, ingleses, alemães e belgas de “empréstimos irresponsáveis… escudados na esperança que também eles pudessem lucrar com a bolha imobiliária irlandesa.” O Sr. Bruton afirmou num discurso na Escola de Economia de Londres que aos bancos “estava disponível muita informação referente ao crescimento em espiral dos preços das habitações na Irlanda.”
Foram supervisionados pelos seus bancos centrais e pelo Banco Central Europeu que “aparentemente não levantaram objecções a esses empréstimos.”
In CNBC

O almoço foi servido e todos se banquetearam como se não houvesse amanhã. O problema é que há sempre um amanhã e que quando chega, chega servido de realidade… realidade que expôs as ânsias de ganância da banca irlandesa, os olhos fechados do Banco Central irlandês, a corrida desenfreada dos bancos europeus a uma fatia do lucro da ilusão e um Banco Central Europeu que foi gradualmente baixando as taxas de juro para impulsionar de forma (in)directa esse banquete dos insanos.
Todos juntos, todos culpados, mas todos inocentes menos aqueles que deviam ter os árbitros à perna desde o início desta história, os bancos irlandeses, e principalmente o Zé Povinho irlandês que foi atraído para uma bem montada armadilha pelas acções do Banco Central Europeu.
Agora o Zé Povinho irlandês está a pagar pelos devaneios insanos dos seus casineiros e a pagar do seu bolso aos bancos franceses, alemães, ingleses e belgas que se banquetearam com a formação da desgraça e se continuam a banquetear da desgraça consumada, tudo isto com o apoio tácito do Banco Central Europeu e da comunidade bananeira da União Europeia.
Esta é a história da Irlanda, mas também é a da Grécia, a de Portugal, a de Espanha, a de todos os países em que os casineiros dos outros jogaram as cartas da desgraça.

E agora entro numa notícia que já devia estar a fazer parangona por todo o lado, tal a dimensão do dano que poderá causar aos países periféricos, à Europa… ao mundo:

Os critérios que servirão de base aos novos ‘stress tests’ à banca europeia deverão ser anunciados na próxima semana. No entanto, alguns dos pontos já conhecidos suscitam críticas no mercado. O responsável pelo principal instituto alemão de estudos económicos afirmou, este fim-de-semana, que os novos testes são demasiado negligentes e que não são melhores do que os realizados no ano passado, os quais foram amplamente criticados.
In Diário Económico

Portanto, vem aí mais areia para os olhos dos mercados e dos Zé Povinhos. Sabem uma coisa, ser enganado uma vez, acontece, duas vezes, é estupidez. Acham que os mercados irão cair na esparrela de serem novamente enganados por testes que aparentemente voltarão a ser teatros e encenações de princípios desvirtuados?
Não contem com isso!
Uma vez mais os casineiros deste mundo, talvez com um fundo por baixo da mesa, têm o apoio tácito da classe bananeira da Europa de modo a voltarem a conseguir esconder as suas verdades incómodas dos olhos dos mercados e dos dos Zé Povinhos.
Se a Grécia está mal, a Irlanda pouco melhor está, se Portugal para lá caminha, a Espanha agarrada está a um balão de oxigénio… como acham que irão ficar depois dos mercados voltarem a castigar as encenações de intenções destas classes de actores mentirosos, ou ilusionistas da verdade?

Seguindo…
Pois é, o dinheiro… essa coisa que compra tudo menos a alma do Homem moderno, talvez seja a razão principal deste juízo jurídico nos Estados Unidos:

Um juiz americano estendeu temporariamente a proibição à colecta da multa de 1,39 mil milhões de dólares devidos pela Chevron por danos, afirmando que o gigante petrolífero americano irá sofrer um dano irreparável se tiver de pagar a indemnização – ordenada por um tribunal equatoriano – por poluição em áreas da floresta tropical amazónica.
O Juiz Lewis Kaplan afirmou que existiam evidências que os advogados dos 30 mil queixosos equatorianos iam sem demora avançar para apreensão dos seus bens um pouco por todo o globo, incluindo em áreas em que a Chevron não conseguiria apresentar recurso no imediato. Afirmou que a sua decisão se justificava porque sem ela a Chevron poderia ver-se em risco de incumprir com “encomendas estratégicas”.
Mas Karen Hinton, a porta-voz dos equatorianos, disse que a incapacidade revelada pelo juiz Kaplan de levar em conta evidências chave, ou a marcação de uma audiência para se inteirar de mais factos, fora um “atropelo do processo” e “um inapropriado exercício do poder judicial.”
In The Independent

Esta é a vida vivida neste mundo corrompido por uma falsa imagem de justiça, por uma falsa imagem de democracia, por uma ilusão de igualdade. Esta demo-cracia vive a soldo… a soldo daqueles que têm a mais e que fazem o que mais lhes dá “na real-gana”.
Esta é a face desta demo-cracia ocidental que o ocidente tenta exportar, por vezes à força, para outras partes do globo. Meus senhores, isto não é nem democracia nem justiça, isto é dinheirocracia e justiçocracia, onde os que podem, safam-se, e os que não têm meios, pagam…

Talvez a notícia que expus acima também seja um sinal de um mundo que já não consegue defender o seu mundo natural sob pena de entrar em colapso total por falta do sangue que lhe faz bater o coração, o petróleo.
E, por sinal, hoje saiu uma notícia que poderá ser uma imagem mais fidedigna daquilo que acabei de escrever… e, antes de mais, gostava de salientar o “desprezo” informativo dos meios de comunicação em Portugal perante uma notícia que, digo eu, é significativamente importante:

A petrolífera Shell está debaixo de intensas criticas por planear uma exploração de petróleo e gás que poderá colocar em causa o recife de coral na costa da Austrália que está entre os ecossistemas marinhos mais importantes no planeta.
In The Independent

Esta notícia também devia ter referido o facto de a Shell só estar a planear isso porque os bananas australianos lhe deram autorização para tal. Mas, “prontos”, saltemos esse “pequeno” detalhe e avancemos direitos às palavras incómodas…
Existem Homens que tudo podem fazer neste e deste planeta, às custas de tudo o resto que vive nele. Talvez seja porque o sangue do mundo está a rarear, talvez… talvez seja apenas ganância, talvez… talvez seja apenas mais uma entre tantas vergonhas escondidas para impulsionar os lucros de uns quantos accionistas que se julgam maioritários em relação a este mundo. Mas o mundo não é dos accionistas privados dos grandes aglomerados económicos. O mundo é pertença de todos e principalmente parte dos outros seres vivos que não têm voz.
Irá este mundo ficar a olhar para mais uma destruição que mais tarde ou mais cedo irá, como quase tudo o mais, ser ligada ao aquecimento global como forma de retirar o peso da culpa destes grandes aglomerados económicos?

E quase como que a pedido, como forma de justificar as minhas últimas palavras, saiu uma notícia que devia dizer muito a este mundo… mas não, pelo menos em Portugal passou incógnita… talvez uma coincidência, talvez… mas talvez tenha sido mais um dos recorrentes silêncios impostos à sociedade pelos mesmos que se intitulam o garante da democracia. Como poderão ser um garante se eles próprios fecham muito do conhecimento num silêncio ensurdecedor?
Enfim… avencemos mas é direito à notícia em causa:

Incidentes (de mortes em massa) foram reportados um pouco por todo o mundo, mas agora depois do google ter mapeado os incidentes, ficou claro que a maioria dos casos estão concentrados na ponta sudeste dos Estados Unidos – bem ao lado do derrame no Golfo do México.
Depois da inexplicável morte de pássaros em Beebe, caíram do céu pássaros em Kentucky e em Louisiana. Incidentes com peixes mortos, inclusive de estrelas e outras vidas marinhas, foram reportados ao longo da corrente do Golfo por toda a costa oceanográfica ocidental. Até mesmo os casos de mortes em massa de caranguejos e peixes nas ilhas britânicas ocorreram no caminho da corrente do Golfo.
In Earth Times

Talvez não venha a acontecer o mesmo no recife de coral australiano, talvez… mas talvez venha a suceder o mesmo, e então quem depois irá pagar pela impagável destruição de vida? Quem? A Chevron? A Shell? A BP? Os juízes que constantemente defendem estes “meninos”? Quem? Os bananas?
Pagamos todos pelos erros de uma sociedade que é incapaz de analisar que a sua riqueza não é medida em numerário, mas sim em quantidade de vida e a qualidade com que é vivida em respeito pela a sua casa, pelo planeta Terra.
Talvez este mundo tenha de gritar a uma voz com a voz de todos os Zé Povinhos que nele habitam e dizer:
DEVOLVAM-NOS AQUILO QUE É DE TODOS!

E talvez por algo como tal estar em falta, ontem, uma vez mais…:

Milhões de sardinhas foram encontradas ontem mortas numa marina de Los Angeles, Califórnia. As operações de limpeza já começaram, mas ainda são desconhecidas as causas da morte dos peixes.
In Diário de Notícias

Conclusão:
À mesa da ganância só são servidas desgraças… e na mesa da ganância empanturram-se aqueles que afirmam não serem ímpios… e o no teste à sua ganância são ilusionistas, brincalhões, uns verdadeiros palhaços da concórdia corporativista… e de corporativismo está a justiça deste mundo cheia… cheia… parece um balão de dólares inflado por mentiras e inverdades putrefactas… putrefacção que ainda não chegou a todos os sítios… e talvez por isso a ganância dos mesmos corporativistas ilusionistas e brincalhões queira por lá mergulhar… mesmo que as águas que agora são ímpias já pouco para mais sirvam do que servir de bandeja para a morte chegar… que chega para incontáveis milhões… até ao dia em que o Homem será ele… também… parte do mexilhão…

Notícia da CNBC – ECB Helped Fuel Irish Bubble, Says Ex-PM
Notícia do Diário Económico – ‘Stress tests’ ainda não começaram mas já são alvo de críticas
Notícia do The Independent – US judge halts damages claim over pollution in Amazon
Notícia do The Independent – Shell oil exploration threatens one of the world’s great wonders
Notícia do Earth Times – Losing sight of the real causes of mass animal death?
Notícia do Diário de Notícias – Milhões de sardinhas encontradas mortas na Califórnia

O Ouro Negro da Terra das Focas

Rússia e Noruega acordam sobre a divisão do Árctico. Rússia e Canadá disputam os fundos marinhos do Árctico.

Está aberta a corrida ao ouro negro da terra das focas…

O Homem e a sua ânsia incomensurável por mais e mais, vai uma vez mais destruir, consumir e violar o espaço onde irá meter o pé. Desta vez é para os mares gélidos do Árctico, uma das últimas fronteiras de recursos naturais por explorar no planeta, onde se supõe que existam aproximadamente 400 mil milhões de barris de petróleo…

Ora então, fazendo contas a 80 milhões de consumo diário actual no mundo… dá para suprir a demanda mundial por petróleo durante aproximadamente 13 anos… um número jeitoso…
Se levarmos em conta que a procura irá continuar a aumentar, talvez dê para 10 anos… se levarmos em conta que em média 20% do existente em cada poço deixa de ser de exploração viável, talvez 7\8 anos…

Valerá realmente a pena os riscos que irão ser tomados?

Enquanto isso, Rússia e Noruega já chegaram a acordo em relação às áreas que são de um e de outro… quase… porque a Noruega também se juntou ao grupo de discussão entre a Rússia e o Canadá na disputa por uma das áreas mais ricas em hidrocarbonetos por explorar no mundo, Lomonosov Ridge.

Para além de termos três matronas para a mesma poltrona, um dos pontos importantes a salientar é:
Se já assistimos a todos os problemas que acontecem com as explorações em alto mar, como será juntar esses riscos do alto mar ao gelo no alto mar?
Como será construir uma plataforma “segura” sobre o gelo quando o gelo não é terra e se desloca?

Bem actualmente ainda não foi desenvolvida tecnologia para explorar sobre o gelo, mas como por lá há dinheiro a rodos e como as ânsias de ganância do Homem tornam-o engenhoso, mais tarde ou mais cedo uma engenhoca irá ser desenvolvida.
Qual o principal problema nisso?
Bem… quer dizer… o principal problema será que o teste à engenhoca irá ser realizado em produção real… ou seja… se nunca antes foi testada como se poderá saber que riscos acarretará tal engenhoca?

Mas e então e as extremas temperaturas negativas que por lá se fazem sentir?
Pois é… como por a funcionar um processo industrial intensivo sobre tais condições?
Os metais quebram sobre tais condições, o que nos pode dizer indirectamente que o pão nosso de cada dia da exploração no Árctico poderá ser “sujo”… mas o Homem há-de conseguir desenvolver engenhocas para dar a volta a isso, nem que seja às custas de algo…

E agora imaginemos o provável pior cenário que por lá poderá acontecer… escrevo provável porque se em condições menos exigentes já acontece o que acontece, o que acham que irá (quase) inevitavelmente acontecer?
Imaginemos que isso acontece em pleno Dezembro, sem sol, um frio de rachar e sem linhas navegáveis para lá chegar…
Como acham que irá ser?
Um belo espectáculo certamente…

E agora o factor que poucos consideram quando analisam a questão da exploração de hidrocarbonetos nos pólos.

Já pensaram bem na quantidade de energia que terá de ser investida para retirar do solo a energia que irá ser vendida para os mercados do mundo?
Na minha opinião, o retorno de energia será algo na melhor da hipóteses de 3\1 ou 2\1… ou seja, lembram-se dos 13 anos, que depois passaram a 10 e depois a 7\8, e se desses 7\8 anos ainda tivermos de descontar que por cada três barris de petróleo extraídos um será para continuar a alimentar a exploração… 1\3 de 7\8 anos são pouco mais de 2 anos de energia para a humanidade…

Portanto todo este artigo foi escrito de forma a tentar fazer compreender que a lógica de exploração do Árctico não é fomentada pela extrema necessidade de combustíveis fósseis que aflige a sociedade moderna, o que é uma verdade, é uma lógica fomentada apenas pela ânsia de ganância do Homem… dinheiro, dinheiro, dinheiro… não se vê nada mais para além do dinheiro, dinheiro, dinheiro…

Quando ouvirem novamente dizer: “Ainda existem 400 mil milhões de barris de petróleo por explorar no Árctico“, lembrem-se que esse é apenas o número em bruto e que a realidade irá ser substancialmente diferente disso… tal como daqui para a frente a realidade das focas irá ser substancialmente mais “suja”…

Notícia do Jornal de Negócios – 40 anos depois, Rússia e Noruega chegam a acordo para dividir o Árctico
Notícia do Russia Today – Russia and Canada bicker over Arctic seabed
Notícia da NewScientist – Russia and Norway slice up the Arctic
Notícias de apoio:
Notícia da National Geographic – Ice, Cold, Ecological Risks May Hamper Arctic Oil Rush
National Master – Oil > Consumption (most recent) by country
The Encyclopedia of Earth – Energy return on investment (EROI)

Basileia, Derrame, Lei da Selva e Petróleo

Regras de Basileia III: Bancos terão até 2019 para estarem a cumprir a novas regulamentações globais. Cientistas descobriram uma mancha espessa de petróleo no fundo do Golfo Do México que se estende por vários quilómetros. Paramilitares colombianos são extraditados para os Estados Unidos onde depois os casos são encerrados. Adolescente britânico banido por toda a vida dos Estados Unidos por enviar Email ofensivo ao Presidente Obama.  Responsável da OPEC diz que os membros têm de olhar para lá do petróleo.

Molhada… hoje vou embarcar numa molhada… pois todos mereciam um tópico individual, mas o tempo não o permite…

Basileia III.
Nem é preciso escrever muito pois o resultado final já era conhecido antes de fazer parangona nos meios de comunicação social.
Há mais de um mês apresentei os resultados finais das reuniões do Comité de Basileia, nos artigos Foram Aprovadas as Novas Regulamentações dos Mercados de Capital… Para 2018 e Comité de Basileia Deixa Bancos em Estado Eufórico, onde apenas a grande novidade é prazo ser até 2019 e não 2018…
Fica tudo na mesma como a lesma…

Mais do derrame no Golfo do México.
Continuamos na mesma, a saírem incontáveis notícias a dizer que o petróleo já desapareceu, que já foi “papado” pelos micróbios, etc… e depois de entre esse quilos de notícias cor-de-rosas lá sai mais uma descoberta dos cientistas que põe em causa quase tudo o que os meios de comunicação andam a dar lugar de parangona.
Desta vez a diferença é que os cientistas para além de terem ficado surpresos com a extensão da mancha de petróleo é que a mesma se deve à utilização dos dispersantes… ou seja ficou longe da vista já está a ser colocado longe do coração… (Atenção à publicidade enganosa que anda por aí)
Notícia que dá seguimento aos artigos: Por Onde Anda o Petróleo? Ele Anda aí…, O Poço Está Tapado? O Petróleo Já Desapareceu? e A Verdade é Como o Azeite… Às Vezes Vem à Superfície

Os paramilitares colombianos extraditados para os Estados Unidos.
Mais de doze dos mais importantes líderes paramilitares colombianos foram extraditados para os Estados Unidos para serem julgados por tráfico de drogas…
Resultado?
-Primeiro as extradições surpreenderam os colombianos que esperavam que com o interrogatório aos suspeitos conseguissem por cobro a décadas de assassinatos violentos, ataques armados e raptos.
-Pelo menos um dos extraditados já foi libertado e ninguém sabe do paradeiro dos restantes porque as actas dos seus julgamentos são segredo de Estado…

Isto cheira mesmo muito mal… faz-me lembrar a exposição de Michael Ruppert em 1992 confrontando o Director da CIA da época: (Como os anos passam e a história continua muito semelhante)

Adolescente britânico banido por toda a vida dos Estado Unidos por enviar Email ofensivo ao Presidente Obama.
Durante a minha vida já li coisas mesmo estúpidas e esta é uma delas…
Um jovem britânico, que já estava com uns copos a mais, enviou um Email para a Casa Branca com insultos a Obama… resultado?
Expulso do país e proibido de voltar durante toda a sua vida!
Se isto não é no mínimo uma tempestade num copo de água, então é mesmo o abuso de poder levado ao extremo…
Desculpem-me a comparação mas a única diferença entre a forma como agiram os serviços secretos americanos e a PIDE dos tempos de Salazar é que pelo menos não mandaram o puto para um calabouço qualquer sem avisar a família, pois em tudo o resto a acção é uma fotocópia de outros tempos…
Vergonhoso! Enfim… na terra da liberdade de expressão… dizem eles….

Responsável da OPEC diz que os membros têm de olhar para lá do petróleo.
Ui… que forma mais politicamente correcta de avisar os membros da OPEC que o petróleo não dura para sempre…
Desculpem-me uma vez mais, mas vou afirmar que isto é o primeiro aviso feito pela OPEC em relação ao Pico do Petróleo, instituição que todos os anos diz que mais e mais petróleo foi descoberto, que a produção vai continuar a crescer, que todos os países da OPEC nadam em petróleo, etc…, etc…, etc…
Depois do que ficámos a saber no artigo As Fronteiras da Razão do Carvão e do Petróleo, no mínimo é uma coincidência… mas como eu questiono as coincidências, o melhor é aguardar pelos desenvolvimentos futuros, mas… o caminho está a ser traçado por todos os quadrantes…

Esta foi mais uma série de “detalhes” que escapam a quase todos os meios de comunicação social… é apenas uma sequência de coisas de somenos importância se levarmos em conta o interesse que gera nos meios de comunicação…

Vamos fazer uma aposta?
Se amanhã algum meio de comunicação social em Portugal fizer menção a qualquer uma destas notícias eu escreverei um artigo inteirinho a glorificar a acção desse meio de comunicação…
Sabem uma coisa?
Na grande maioria das vezes ganho eu… 🙂
(Retirando da aposta a notícia sobre Basileia III a qual expus aqui de forma a explicar que algumas parangonas de hoje já foram notícias “esquecidas” ontem…)

Notícia do Huffington Post – Basel III Rules: Banks Given Until 2019 To Fully Comply With New Global Regulations
Notícia do ProPublica – Scientists Discover Thick Layer of Oil Stretching for Miles on Gulf Sea Floor
Notícia do ProPublica – Colombian Paramilitaries Extradited to U.S., Where Cases Are Sealed
Notícia do NYDaily News – British teen, Luke Angel, banned from United States for life for offensive e-mail to President Obama
Notícia do Earth Times – OPEC chief says members need to look beyond oil

O Petróleo Paga as Palavras

A investigação interna da BP vs. o que já sabemos. BP e parceiros trocam acusações.

Antes sequer de entrar no cerne da notícia, quero perguntar o que é jornalismo?

Será jornalismo apenas o reescrever de comunicados oficiais de corporações, de institutos ou de interesses, sejam eles partidários ou financeiros?

Infelizmente o jornalismo dos nossos dias é apenas quase só isso: reescrever comunicados sem questionar o que por lá é dito… sem usar o contraditório.

Passei o dia a tentar ver se algum órgão de comunicação nacional ou internacional conseguia fazer um pouco de jornalismo de verdade e colocava em causa algumas das coisas que saíram no último comunicado oficial da BP.
Encontrei um jornal e um jornalista que foi capaz de usar as verdadeiras ferramentas do jornalismo, que não são apenas o “copiar”, são a exposição de relatos tendenciosos, entre muitas outras coisas, de forma a passar à opinião pública a informação mais correcta possível.

Um dos pouco bastiões do jornalismo actual chama-se ProPublica, que é verdadeiramente uma ilha no deserto do jornalismo dos nossos dias.

O que fez de diferente o ProPublica?

Simples, usou as palavras da BP e os relatos dos engenheiros que trabalhavam na plataforma para questionar o relatório que foi posto a circular pela BP, o qual quase todos os meios de comunicação no mundo pegaram sem sequer questionar e lhe deram lugar de parangona.

Para quem anda distraído, principalmente nos meios de comunicação em Portugal, a informação sobre o derrame de Petróleo só vêm à tona quando é informação que “defenda” a BP – digo isto sem pudor algum… e quem tiver dúvidas é só verificar o que os jornais nacionais têm escrito, ou direi, descrito…

Usando as ferramentas do verdadeiro jornalismo, vamos lá então decantar um pouco do último relatório da BP:

A sua decisão de usar “long String” na construção do poço, que era a mais barata de todas as opções:
– No novo relatório diz que era prática usual o uso de tal opção.
– O relatório de uma Investigação do Congresso diz que a BP era a companhia que mais usava essa opção.

A sua decisão de não instalar o número de “centralizers” recomendados pela Halliburton:
– No novo relatório diz que essa decisão não contribuiu para o acidente…
– O engenheiro responsável da Halliburton testemunhou perante o Congresso que avisou a BP que essa opção era muito arriscada.

Ao retirar as lamas que selavam o poço e substituí-las por água salgada, o que tornou a plataforma mais propícia a explosões de gás:
– No novo relatório diz que essa era uma prática comum na industria.
– Horas antes do desastre, o engenheiro da Transocean na plataforma desaconselhou vivamente tal opção. (Declaração perante o Congresso)

As razões para o sistema de segurança (BOP) ter falhado:
– No novo relatório diz que os engenheiros da plataforma não realizaram os testes que deviam ter sido feitos e que o falhanço desse sistema de segurança era algo inimaginável.
– Os relatórios e as estatísticas, tanto das instituições reguladoras como da própria indústria, dizem que era prática comum a reduzida manutenção do sistema e que falhas criticas eram acontecimentos regulares.

Muito mais ficou por escrever, mas acho que estes exemplos já servem para tentar retractar uma das virtudes principais do jornalismo: a verificação da fidelidade que é veiculada.

Conclusão:
Ser jornalista ou fazer jornalismo nos tempos que correm é apenas um acto de copy/paste de informação sobre a qual raramente é usada a verificação da informação e a utilização do contraditório.
O jornalismo dos nossos dias é mais publicidade encapotada do que verdadeiro jornalismo. Será paga como é toda a publicidade não encapotada?

Um dos principais sintomas da vitalidade de uma democracia é a sua comunicação social… e se medirmos o valor da democracia em que vivemos comparando-a com o jornalismo que nos é veiculado, podemos ficar com uma imagem bastante negra da vitalidade daquilo que tantos morreram a tentar defender…

O petróleo deve mesmo pagar as palavras de muitos “alguns”… o petróleo e tantos outros bens…

Notícia do ProPublica – BP’s Internal Investigation vs. What We Already Know
Notícia da Reuters – BP e parceiros trocam acusações sobre vazamento de petróleo
Notícia do Diário Económico – BP recusa ser o único responsável pelo derrame
Notícias de Apoio:
Notícia da ProPublica – Did BP’s Acts to Save Time and Money Set the Stage for the Gulf Disaster?
Notícia do Wall Street Journal – BP Relied on Cheaper Wells
Notícia do Nola – Halliburton employee warned BP that oil well plan was risky, he testifies at oil spill hearings
Notícia da ProPublica – After Removing Mud Before Accident, BP’s “Top Kill” Injects Mud to Stop Oil
Notícia do ProPublica – Despite Previous Equipment Failure, BP Says Spill ‘Seemed Inconceivable’

ONU Perdoa a Shell e Culpabiliza o Zé Povinho

Escândalo com a decisão da ONU de exonerar a Shell da poluição do delta do Níger.

Ainda há poucos dias deixei uma menção num post para a pouca clareza das acções da ONU… quer dizer, pouca clareza para alguns…

Hoje ficamos a saber que um painel da ONU só irá responsabilizar a Shell pela poluição causada por 10% dos 9 milhões de barris que foram derramados no delta do Níger durante 40 anos, quase o dobro das estimativas daquilo que foi derramado no Golfo do México. Os outros 90% foi culpa de sabotadores e por isso a Shell é isentada desses custos… e quem os paga é a população nigeriana e o Estado nigeriano.

À imagem das leis e equilíbrios do mundo actual, uma empresa pode ir explorar as riquezas de um país, com ganhos astronómicos e às custas da população local, sem que parte desses lucros venham sequer a ser usados para salvaguardar todo e qualquer erro de operação.

Para quem estiver distraído, a segurança das operações de uma empresa poluidora do meio ambiente não pode ser algo descartável de responsabilidades, sob que contexto for, e a segurança da sua operação é uma responsabilidade sua e não das populações nem directamente do Estado nigeriano.

Mas “prontos”, como a ONU defende sempre os pobres, a justiça e o equilíbrio, seria injusto, desequilibrado e monetariamente incomportável assacar à Shell as responsabilidades de tais acontecimentos…

Mas há mais…
O programa da ONU para investigar o caso, a UNEP, com um orçamento de 10 milhões de dólares PAGOS PELA SHELL, irá apresentar no seu estudo que apenas 10% da poluição foi causada por negligência e avarias por parte da companhia.

E mais…
A esperança de vida na região onde existem 606 poços de petróleo que representam 8,2% do petróleo importado pelos Estados Unidos, baixou nas últimas duas gerações para pouco acima dos 40 anos.

Nnimmo Bassey, Presidente da Friends the Earth International e director da Environmental Rights Action, comentou o estudo dizendo:

“É incrível que a ONU afirme que 90% é causado pelas comunidades. A avaliação da UNEP está ser paga pela Shell. As suas conclusões foram cozinhadas para satisfazer o seu cliente. Monitorizamos regularmente os derrames e a nossa observação é totalmente o oposto daquilo que a UNEP está a planear reportar.”

In The Guardian

Acho que a ONU está a precisar urgentemente de ler as suas indicações contra a corrupção: CRIME PREVENTION AND CRIMINAL JUSTICE DIVISION

P.S: Alguns distraídos ainda poderão pensar que este é um caso isolado, por isso junto com o link para esta notícia ficam mais uns quantos links das intenções da ONU, e são apenas uma amostra do que tenho guardado nos meus favoritos.

Notícia do The Guardian – Outrage at UN decision to exonerate Shell for oil pollution in Niger delta
Notícia da FOX – Journalist Who Exposes U.N. Corruption Disappears From Google
Notícia do The Trumpet – The Corruption of the United Nations
Notícia do Washington Post – Ex-Prosecutor Targets Corruption at U.N.
Notícia do The Telegraph – Don’t be surprised by the UN’s corruption

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