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A Sopa… da Pedra na Cabeça do Zé Povinho

China volta a subir os rácios de reserva para tentar controlar o excesso de liquidez no mercado. Economia chinesa começa a mostrar sinais de abrandamento. FMI avisa sobre os riscos para o crescimento, mas defende a desvalorização do dólar. O uso do crédito de emergência do BCE continua hoje em alta. Um futuro sombrio, para os bancos alemães. Bruxelas prevê resgate de Portugal em Abril. Estado reduz défice com venda de imóveis a si próprio. Portugal cada vez mais longe dos rendimentos dos países mais ricos.

O que vou escrever é quase uma continuação dos artigos de dia 15 (A inflação e os Homens da Lua) e do de ontem, tantos foram os indicadores e indicações que emergiram hoje nos meios de comunicação generalistas.

Passados apenas 10 dias de ter tomado a última medida para tentar controlar a descontrolada inflação que grassa em chamas na economia chinesa, eis que a autoridade monetária da China obriga, uma vez mais, os bancos sediados no seu território a aumentar o rácio de reserva para 19%… 19%!!!!
Escrito por eles o porquê (meios de informação generalistas):

“O mercado está inundado em dinheiro e é improvável que o Banco Central fique a assistir a isso como um mero espectador”, disse um negociante de um dos bancos estatais sediado em Beijing. “Será apenas a questão de saber que ferramentas irá utilizar (…)”
In CNBC

Desta fez a ferramenta é o aumento das reservas de capital. Há 10 dias foi o aumento das taxas de juro – preço do dinheiro.
Mas antes de continuar…O que é o rácio de reserva?
Explicando de forma simples… é o dinheiro (vivo) que os bancos têm de ter nos seus cofres.
Explicando um pouco tecnicamente… quer dizer que têm de ter em reserva no mínimo 19% do valor total do dinheiro “emprestado”.
Existem muitas formas da banca contornar isso, mas nem me vou alongar por aí porque senão não escreveria sobre mais nada…
Qual o rácio de reserva (capital) exigido na Europa à banca?
É de 4,5% é terá de ser de 6% em 2019.
Na Europa, sistema que melhor conheço, está envolto em tantas artimanhas que me arrisco a escrever que é quase apenas e só um organigrama funcional do que uma acção real.

Como resultado das medidas que estão a ser aplicadas na china, para salvar uma economia em chamas, o motor do mundo a nível de crescimento económico começa a mostrar os primeiros sinais de fadiga… começa a perder velocidade:

O indicador económico que mede a situação futura da economia chinesa deu sinais de queda pela primeira vez desde 2008, destacando assim que a economia de mais rápido crescimento mundial pode estar a dar sinais de abrandamento.
In Jornal de Negócios

Esta é explicação simplista fornecida pelos meios de comunicação para as massas, aquilo que não explicam (nunca) é que o crescimento económico está intimamente interligado com a criação de nova dívida, e que sempre que são tomadas medidas de controlo à circulação de moeda o resultado subsequente é invariavelmente uma contracção do investimento, o que depois se transforma numa contracção do crescimento.
Dívida = Crescimento = Mais moeda = Inflação… pum, pum, pum, pum… um, dois, três, quatro, tudo ligado!
Ah… e não se esqueçam, se a China começar a desacelerar o mundo poderá facilmente entrar em contracção económica…

Enquanto isso, o FMI:

O Fundo Monetário Internacional vai avisar os ministros das finanças do G20, que irá decorrer este fim de semana, dos riscos com que se depara a economia mundial devido ao aumento dos preços dos alimentos e do desequilibrio das finanças públicas, enquanto também irá defender um dólar um pouco mais fraco.
In Buenos Aires Herald

Não se esqueçam que há dias esta mesma instituição aconselhou os países asiáticos, onde se inclui a China, a não controlarem artificialmente o valor das suas moedas, deixando-as valorizar, afirmação que intitulei de dúbia e tendenciosa em favor do dólar americano e das economias ocidentais, e eis que hoje záasss… aí está ela da boca deles: Desvalorizem o dólar!!!! Dólar que é responsável por grande parte da inflação que está a queimar o mundo!
Ao mesmo tempo diz estar preocupada com a inflação que está a escaldar o mesmo mundo… Hmmm… verdadeiramente especial esta instituição… instituição de logros, mentiras e virtudes desvirtuadas… quase única, não fosse ela apenas uma das várias caras da demo-cracia…
Aconselho todos a não ouvirem o que eles dizem e a evitar fazer o que eles desejam!

Continuando… tal como ontem, hoje continuou uma correria desenfreada da banca aos empréstimos do BCE.
Já ontem deixei a pergunta no ar: O que se estará a passar?
Hoje começamos a ter direito a algumas sugestões em formato de resposta:

A concessão emergencial de crédito pelo Banco Central Europeu (BCE) se manteve excepcionalmente elevada pelo segundo dia seguido nesta sexta-feira, aumentando o temor de que um banco da zona do euro possa estar enfrentando sérios problemas de financiamento.
In Reuters

Hmmm… estará algum dos banquinhos queridos dos nossos bananas europeus agarrado à máquina de sobrevivência do Banco dos Endividados?
Hmmmm…
Será que poderá ser um banquinho alemão? (sou eu a mandar massa ao ar…)

Muitos dos maiores bancos alemães continuam com a apoio vital do governo, depois de terem efectuado más apostas durante os anos de desenvolvimento da bolha.
E com o acesso a capital barato há muito perdido, as perspectivas de se tornarem uma vez mais rentáveis são cada vez mais dúbias.
“A fragilidade do sector bancário alemão coloca uma ameaça substancial à sustentação económica da Alemanha”(…)
As autoridade europeias, abertamente frustradas com a falta de celeridade com que a Alemanha tem lidado com estas instituições, avisou que está a chegar o dia do juízo final.
“Não podemos simplesmente adiar este assunto para outro dia”, disse Joaquín Almunia, o vice presidente da Comissão Europeia responsável pelas políticas de competitividade. (…)
In CNBC

Hmmmm… a forte e imperturbável Alemanha poderá ao fim ao cabo andar de rastos… hmmm…
Os próximos tempos irão fornecer as respostas a estas perguntas… talvez…

E agora virando o bico ao pato para Portugal:

“Portugal está a afundar-se e não será capaz de aguentar após Março”, afirma fonte europeia, citada pela Reuters.
In Expresso

Já foram aventadas tantas datas que esta é apenas mais uma… ou… ou não?
Desta vez quem afirma isso não é um banco, um ministro, um economista ou um outro qualquer, quem o disse foi um elemento da estrutura da Comissão Europeia, não foi um qualquer!
Quer dizer que temos aproximadamente mais um mesito de acalmia antes de entrarmos no carrossel das loucuras do FMI e da UE… Aproveitem bem o tempo que resta…

E talvez já em desespero, quem sabe, o Estado volta uma vez mais a copiar as artimanhas financeiras tão queridas e amadas pelos casineiros.
Não é que o Estado teve o descaramento de:

O Estado diminuiu o défice com a venda de imóveis a si mesmo. A empresa pública comprou 393 imóveis cujo valor total ascendeu aos 290 milhões de euros, o equivalente a 0,2% do PIB. Segundo avança o Jornal de Negócios, a Estamo, empresa pública que apoia o Estado na gestão do património imobiliário terá sido fundamental na operação.
In Jornal I

Nem me vou dar ao trabalho de retractar tal inusitada operação, vou apenas tentar passar para a realidade do Zé Povinho o mesmo tipo de acção.
Imaginem que, em caso de aperto financeiro, pegavam , por exemplo, no vosso carro próprio e o vendiam a vocês próprios de forma a cobrir as dificuldades financeiras impostas pelos bananas e casineiros nesta economia… não seria tal solução tão boa e agradável?
Agora na realidade… acham que o Estado iria permitir tal coisa? Se calhar iam parar à prisão por terem cometido um crime de colarinho branco, não é verdade?
E agora imaginem que o Estado volta a vender os mesmos imóveis novamente à Estamo… Não seria esse dinheiro uma vez mais contabilizado como proveitos que iriam ajudar a reduzir o défice? E depois a Estamo voltava a vender ao Estado… e faziam isto vezes sem parar até colocar o défice em -20% do PIB… Descobrimos a pólvora!!! Portugal está salvo!!!!
Enfim… só possível num mundo de faz de conta que infelizmente é cada vez mais real para a vida de alguns e de algumas instituições que influenciam directamente a nossa vida… o mundo pintado ao tom que eles desejam que nós vejamos…

E é um tom tão ilusório que:

PIB per capita português cai nove posições no ranking mundial das economias mais ricas entre 2000 e 2015.
No início dos anos 80, os portugueses estavam na 39ª posição a nível mundial. Conseguiram subir até ao 34º lugar em 1990 onde ficaram até ao ano 2000. A partir daí tem sido sempre a descer. Se as projeções do FMI para 2015 se confirmarem, Portugal será ‘apenas’ o 43º numa tabela liderada pelo Qatar.
In Expresso

Esta é a realidade, infelizmente… esta é a verdade que os bananas andam sempre a tentar pintar em tons mais suaves… e mesmo depois de terem lido o artigo publicado no Expresso, não se esqueçam disto: os valores apresentados não foram ajustados à inflação, porque se o forem, quase aposto, até o numerário per capita é inferior ao da década de 1980… igual ou similar ao que aconteceu nos Estados unidos e reportado no artigo que antecede este.

Conclusão:
Em chamas, a China está em chamas!!!… E os bombeiros estatais despejam toda a água que têm para as tentar apaziguar… E o FMI, que se apresenta sempre como o bombeiro que salva o mundo, é ele próprio mais um dos incendiários… E o BCE lança mais palha para as chamas da vaidade da banca… banca que poderá estar a dançar a última valsa alemã na Alemanha… enquanto isso: Portugal! Portugal! Portugal! As couves de Bruxelas já preparam em lume brando a refeição a ser servida em Março… enquanto por cá se prepara a sopa com batatas que não chegaram a ser colhidas; a chamada sopa da pedrada na cabeça do Zé Povinho…

Notícia do Jornal de Negócios – China volta a subir rácios de reservas dos bancos para refrear inflação
Notícia da CNBC – Window Open for More PBOC Liquidity Tightening
Notícia do Jornal de Negócios – Economia Chinesa dá sinais de abrandamento
Notícia do Buenos Aires Herald – IMF warns of growing risks, would welcome weaker dollar
Notícia da Reuters – Uso de crédito emergencial do BCE tem alta inesperada
Notícia da CNBC – For Germany’s Banks, a Grim Future
Notícia do Expresso – Bruxelas prevê resgate a Portugal em abril
Notícia do Jornal I – Estado reduz défice em 300 milhões com venda de imóveis a si próprio
Notícia do Expresso – Portugal cada vez mais longe dos países mais ricos
Notícia de Apoio:
Notícia da Agência Financeira – Novas regras: bancos nacionais cumprem rácios de capital mínimos

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A Inflação e os Homens da Lua

“Guerra das divisas” é o foco dos ministros das finanças do G20. Representante do FMI diz que os governos asiáticos têm de combater a inflação com divisas mais “livres”. Inflação na Índia diminui, mas as taxas de juro sobem. FMI e Citigroup afirmam que Vietname tem de atacar o problema da inflação, depois de ter desvalorizado o Dong. Défice do governo americano para 2011 irá ser superior ao total da economia americana. Político da Carolina do Sul quer criar uma moeda própria do Estado. Constâncio preocupado com o preço das matérias-primas.

Hoje vou tentar explicar as variáveis da inflação e que medidas andam os países, um pouco por todo o mundo, a adoptar para a controlar, tentando criar também uma comparação com as medidas que os países desenvolvidos andam a adoptar para tentarem dinamizar as suas economias, vulgo; espevitar o crescimento económico… usando como sempre notícias dos dias mais recentes como base para o texto.

Primeiro ficámos a saber que a principal preocupação dos ministros das finanças que vão estar na reunião do G20, representantes das 20 economias mais exuberantes do planeta, é a guerra silenciosa entre o dólar e o yuan.
Isto abre espaço a uma questão: Não deviam estar mais preocupados com o aumento dos preços dos alimentos, das matérias-primas e do petróleo?
Espero conseguir responder a esta pergunta com o desenrolar deste artigo, na medida que vou tentar descrever que grande parte dos problemas que estamos a enfrentar actualmente advêem dessa guerra, não só mas também.

Hoje também ficámos a saber que o FMI adverte os governos asiáticos a deixarem de controlar a valorização\desvalorização das suas divisas.
Primeiro temos o FMI a tomar posição de parte do mundo contra a outra parte do mundo; ao lado dos Estados Unidos e aconselhando o outro lado do mundo a deixar valorizar as suas divisas enquanto o dólar, por omissão, pode continuar a desvalorizar sem que tal seja motivo de aviso.
Como instituição que se diz independente tal conselho é no mínimo dúbio e tendencioso… mas acho que todos (?) estamos cada vez mais cientes que estas instituições (ditas) internacionais quase pouco mais são que representantes dos grandes interesses económicos ocidentais, por isso…

E hoje tivemos direito a uma (quase) excelente notícia vinda da Índia: a inflação está a baixar por lá… quer dizer, baixou marginalmente dos 8.43% para 8.23%…
Mas como foram obtidos tais resultados quando (quase) no restante do mundo a inflação continua a crescer?
Simples… aumentaram as taxas de juro no Banco Central, o que elevou o custo do dinheiro, o que reduziu o número de pedidos de empréstimo, o que por si acabou por reduzir o capital que está em circulação no país.
Mas esperem lá… a inflação não é sinónimo de aumento do preço dos bens que adquirimos? Que tem a ver essa redução do capital em circulação na economia com o facto da inflação ter reduzido?

Uma redução mais significativa na taxa de inflação de Janeiro podia ter ajudado a reduzir a pressão nas taxas de juro do Banco Central indiano, dizem os economistas; a elevada taxa de inflação pode conduzir o banco central a elevar rapidamente as taxas de juro de forma a acompanhar o aumento do preço dos alimentos e conter o perigo desse aumento se espalhar em pressão inflacionária até outros bens.
In The Wall Street Journal

Mas… mas… não é o aumento da procura que faz disparar a inflação?
Não é isso que ouvimos no quadradinho mágico, da boca dos (pseudo) especialistas, nos jornais, nos média generalistas?

Porque razão o aumento dos juros do Banco Central indiano e a consequente redução de capital em circulação na economia aliviam as pressões inflacionárias?
Simples… a inflação, maioritariamente, é um sintoma do excesso de moeda em circulação e não necessariamente um aumento da procura ou redução na oferta, ou seja, por exemplo… se existirem 10 pessoas com 10 euros cada para comprar 10 quadros, quanto acham que cada quadro pode no máximo custar?
10 Euros.
Mas se existirem 10 pessoas com 100 euros cada para comprar os mesmos 10 quadros, quanto acham que poderá o custar cada um dos (mesmos) quadros?
Pois, 100 euros.
Portanto, o que fez subir o preço do bem não foi o aumento da procura, nem uma redução na oferta, foi um aumento da moeda em circulação.
Este é o sintoma que é descrito estar a acontecer na Índia, de outra forma o Banco Central indiano não conseguiria, com o aumento das taxas de juro, levar com as suas medidas a uma redução da taxa de inflação.
Esta noção de inflação é algo que é recorrentemente sonegada da opinião pública… porquê?
Deixo para vós as possíveis respostas a essa questão…

No Vietname o problema da pressão inflacionária é aparentemente outro, o da desvalorização da moeda.
O FMI diz-nos que a desvalorização, ontem, de 7% do Dong vai aumentar a pressão da inflação sobre a economia vietnamita.
Como?
A primeira pergunta que se deve colocar é:
Como consegue um país desvalorizar a sua moeda?
Simples… injecta (cria) no mercado mais moeda, neste caso, mais 7% de moeda em circulação o que faz com que o valor nominal da moeda perca o valor correspondente ao colocado em circulação, neste caso, 7%.
Portanto, uma vez mais a inflação irá ser causa do excesso de moeda em circulação e não um aumento da procura ou diminuição da oferta de bens.
Hmmm…
Portanto, qual irá ser a medida que o Banco Central do Vietname irá adoptar no futuro para controlar a inflação?
Irá aumentar as taxas de juro.
O que aconteceu na Índia antes do Banco Central ter aumentado as taxas de juro?
Desvalorizou a sua moeda…
Hmm… 1+1=2… Hmmm…

O que levou a Índia, tal como o Vietname e tantos outros países, a desvalorizar a sua moeda colocando em causa o nível de inflação e a estabilidade social e económica nos seus territórios? Sim, porque nenhum país desvaloriza a sua moeda, nem aumenta as taxas de juros no Banco Central “por dá cá aquela palha”, fazem-no como últimas medidas para tentar conter uma depressão económica, uma diminuição da competitividade das suas exportações, ou um sobreaquecimento da economia, vulgo, taxas elevadas de inflação…

O orçamento apresentado pelo Presidente Obama, revelado na segunda feira, foi concebido como um plano de controlo dos gastos no futuro, mas também apresenta a mais assustadora imagem do corrente ano fiscal, que está a caminho de bater o recorde de défice federal e demonstra que o total de dívida já ultrapassa toda a riqueza gerada pela economia americana.
In The Washington Post

Alguns poderão perguntar: O que tem a dívida americana a ver com a inflação no resto do mundo?
Simples… o dólar é a moeda de reserva do mundo, e cada vez que o governo americano gasta a mais isso significa que irá ter de carregar no botão da impressora para criar mais moeda de forma a conseguir pagar o que está em dívida, o que por inerência faz desvalorizar o dólar, dólar que é a moeda usada na transacção da grande maioria dos bens transaccionados no mundo… e se o dólar perde valor, os bens ficam mais caros… e surge inflação a nível global… 1+1=2

O nível monumental a que chegou o défice nos Estado Unidos já está até a colocar alguns americanos em estado de alerta máximo… o último e mais singular caso de que tenho registo até ao momento é o do Senador do Estado da Carolina do Sul, Lee Bright, que propôs a criação de legislação específica para a Carolina do Sul para que em caso de colapso do dólar a Carolina do Sul possa cunhar a sua própria moeda…

No final de contas, a raiz do problema é que não estamos a imprimir o nosso dinheiro livre de dívida. É isso que precisamos fazer. Tal como o fez Abraham Lincoln com os greenback, precisamos de voltar a sermos nós a imprimir o nosso dinheiro e livre da dívida.
In Business Insider

Hmmm… conseguem perceber o que este senhor está a defender?
O que ele está a defender é um sistema monetário livre de dívida baseado no ouro e na prata, o mesmo sistema que providenciou ao mundo centenas de anos de inflação quase ZERO… sim QUASE ZERO!

Este sistema de criação de dívida para saldar dívida que origina inflação contínua de crescimento exponencial só caminha numa direcção… o da desvalorização total do valor nominal do dinheiro papel, porque enquanto os Estados Unidos continuar a imprimir dinheiro para pagar e sustentar um estilo de vida que está totalmente desfasado do mundo em que vive, todo o mundo (países) irá sofrer a constante erosão da inflação, e será constantemente obrigado a desvalorizar as suas moedas de forma a manter-se competitivo nos mercados, o que por si cria ainda mais pressão inflacionista sobre todo este mundo.
Este é mais um exemplo de como o nosso mundo está todo interligado e de como as acções facilitistas e desprovidas do real de uns colocam em causa todo o outro mundo, mundo que já começou a sentir na pele as revoluções geradas por essas políticas de um mundo que aparentemente nada tem a ver com o deles, como o exemplo do Egipto… (nada mais enganador a sensação de nada ter tido a ver com as medidas de uns senhores de fraque sentados num escritório agarradinhos às suas contas de “sumir”!)

E na Europa?
Na Europa tivemos direito a uma afirmação de Vitor Constâncio, actualmente um dos vice- Presidentes do Banco Central Europeu, que disse:

“Não sabemos se estamos perante uma escalada dos preços das matérias-primas ou não. Temos de esperar e ver”, afirmou hoje Constâncio, em entrevista à agência Market News Internacional, citada pela Reuters, reconhecendo que “isto é um assunto preocupante, tal como já sublinhámos”.
In Diário Económico

Não sabem?
Opá, basta olhar para o mundo e ver o que está a acontecer!
Opá, basta olhar para o aumento dos custos de produção na China para saber o que irá acontecer!
Opá, os produtos chineses baratos que durante a última década foram servindo de contra-balanço ao aumento dos valores da inflação total, mesmo quando todos os portugueses sentiam o aumento de quase todos os bens primários, vai deixar de funcionar como tal. Daqui para a frente, mais que todos os outros produtos, irão ser os produtos baratos chineses que irão fazer a inflação disparar, porque irão continuar a ser baratos demais para que a produção na Europa se torne competitiva em relação a eles e porque vão começar a subir de preço se calhar em duas casa decimais, mais de 10% ao mês. Adeus colchão dos últimos 10 anos a que se junta a inflação dos bens alimentares e das energias! Olá inflação!
Percebeste, opá?
Sabes, opá, se calhar daqui a uns tempos andaremos a discutir qual o significado da palavra hiperinflação… ou então que o mundo entrou uma vez mais em contracção porque não conseguiu sustentar tais pressões inflacionárias… “Capiche”, opá?

Conclusão:
Os Gs, militares e guerreiros das finanças deste mundo, apontam para a guerra aberta de desvalorização entre o dólar e o Yuan como a principal preocupação do seu mundo… e avisam os maléficos de olhos em bico para não fazerem aquilo que eles fazem… mundo que na Índia já começou a contrair de dores e que no Vietname se abre aos desprazeres da vida tipo rameira do povo… enquanto nos “states” se discute como e onde se gastar a dívida que se acumula como se fosse minas terrestres prestes a explodir debaixo dos pés do mundo inteiro… e depois.. alguns… alguns seres quase perdidos no meio de tanto tiroteio sem destino, perdidos num mar de ilógicas de numerário, começam a hastear a bandeira branca… Socorrooooo!!! Socorroooo!!!… Socorro digo eu! Não é que ainda existem seres, ainda mais representantes desta nossa terra, que abrem a boca para comer as verdades e brincar aos soldadinhos com as mentiras… os “opás”…
Opá, por vezes era melhor fechar os olhos e imaginar… … … a lua…

Notícia do The Independent – US ‘currency war’ is focus for G20 finance ministers
Notícia do The Wall Street Journal – IMF Official Says Asian Governments Need to Fight Inflation With Freer Currencies
Notícia do The Wall Street Journal – India Inflation Eases, But Rate Rise Looms
Notícia da Bloomberg – Vietnam Must Tackle Inflation After Dong’s Devaluation, IMF, Citigroup Say
Notícia do The Washington Times – Federal deficit on track for a record this fiscal year
Notícia do Business Insider – South Carolina Politico Wants to Create State Currency
Notícia do Diário Económico – Constâncio “preocupado” com preços das matérias-primas

Um Deus-Ex-Machina Falível

O sonho exorbitante do petróleo no Árctico. Energias renováveis poderão suprir 95% da demanda em 2050, afirma a WWF. Elementos sob ameaça colocam desafios às energias verdes. A jatropha cai do pedestal de planta maravilha para o biocombustível. África do Sul diz que o carvão é uma prioridade para a geração de energia. FMI, jovens irão enfrentar o desemprego durante toda a sua vida. James Howard Cunstler: O Pico do Petróleo e o declínio do sistema financeiro.

Em alta estão as notícias das revoluções no Egipto, na Tunísia e em mais uns quantos lugares do mundo, o aumento do preço das matérias primas e principalmente dos alimentos.
Que tal utilizar uma explicação mais abrangente e profunda para tentar analisar essas questões? É isso que vou tentar fazer hoje, em parte influenciado por um comentário de CropedFrag:

Agora que os protestos no Egipto iniciaram-se, todo o mundo coloca as culpas sobre esses protestos por causa dos aumento/inflação de um pouco de tudo (…)

Vou começar pelo fim deste texto, e tal como reflectem as palavras de James Howard Kunstler, a noção de Pico do Petróleo é cada vez mais uma realidade incontornável. (No fim do texto estará o vídeo com as explicações de James Howard Kunstler)

Primeira pergunta. Será uma realidade essa noção de Pico do Petróleo?
Oficialmente continua a ser tabu, mas não oficialmente é algo atendível nas acções que o mundo está a tomar. A mais importante das dicas que nos ajuda a compreender se tal é verdade ou não, é a mobilização de meios e capital para as áreas quase inacessíveis do planeta, as últimas fronteiras, em busca do ouro negro… para os pólos.
Os mais incautos poderão dizer que: Se existe petróleo por lá porque não extraí-lo já?
Raramente os problemas no e do nosso mundo são de resolução simplista e facilitista, e as dificuldades técnicas, colocadas sobre os meios técnicos actuais usados na extracção de petróleo, são levadas ao limite do conhecimento e do capital existente.
Para confirmar o que acabei de escrever, o Der Spiegel escreveu um excelente artigo expondo todas as dificuldades com que o Homem se está a deparar para conseguir domar as dificuldades impostas pela exploração nos pólos.
Primeiro, até hoje todos os poços exploratórios construídos nos pólos foram uma decepção monumental… nenhum revelou a presença de petróleo:

Dois rotundos falhanços e um teste abortado — um resultado miserável. Quando, em Outubro passado, a companhia escocesa Cairn Energy publicou os resultados preliminares da sua pesquisa de petróleo na costa da Groenlândia, as suas acções caíram 7%, apenas num dia. As suas descobertas não revelaram nem uma gota do ouro negro: a companhia afirma que os custos ascenderam a 180 milhões de euros.
In Der Spiegel

Se nem a tecnologia para se acessar a existência ou não de petróleo no solo é fiável… Mesmo assim o mundo inteiro sustém a respiração na esperança do surgimento de notícias positivas sobre a potencial existência de reservas imensas de ouro negro lá por aquelas bandas. Se nem nos números das espectáveis reservas existentes por lá podemos confiar ou basear as nossas opções de futuro…

Os cientistas estimavam que a região podia albergar aproximadamente 7,5 biliões de barris de petróleo — 1,2 triliões de litros. Mas estatisticamente, a probabilidade de produzirem tais quantidades é a mesma de nem se chegar a extrair uma gota.
In Der Spiegel

E quando se analisa os custos de energia investida versus energia produzida, eis que os cientistas chegaram a esta conclusão:

Se assumirmos que os custos de produção serão superiores a 100 dólares por barril, apenas poderão ser explorados 2,5 biliões de barris, de acordo com os cálculos da USGS — e com 50% de probabilidade.
In Der Spiegel

Bem, para quem estiver menos atento, isto até poderá parecer normal, até positivo, e por isso vou expor novamente os dois números que foram avançados para essa região (na costa da Groenlândia) — 7,5 biliões de barris de reservas estimadas e 2,5 biliões de barris de produção máxima, com apenas 50% de probabilidade.
O que nos contam estes números de 7,5 e 2,5 biliões respectivamente?
Dizem-nos que na melhor das hipóteses apenas 1\3 é explorável rentavelmente e\ou que a rede de energia – quantidade de energia investida versus energia produzida – é inferior a zero, é (quase) NEGATIVA!
Quase se pode concluir daqui que a rentabilidade da exploração dos pólos poderá ser apenas uma opção de subsistência e não de viabilidade comercial para o mundo, ou então que o barril de petróleo terá de estar acima dos 300 dólares para tornar a exploração (quase) rentável. Já imaginaram como será um mundo com o petróleo a 300 dólares por barril?
Mas há mais…

De modo a explorar tais reservas, as companhias terão de gastar muito mais. Mesmo se nos basearmos nuns quase inacreditáveis 300 dólares por barril, apenas poderão ser extraídos 4,1 biliões de barris, com a mesma taxa de probabilidade de sucesso de 50%. “Isto é sem contabilizar 1 cêntimo de impostos, nem 1 cêntimo de lucro.”
In Der Spiegel

Por conseguinte, temos de esperar que o barril de petróleo esteja bem acima dos 300 dólares para que a exploração nos pólos seja um facto viável economicamente e com um retorno, escrevo, miserável de menos de 2 para 1. Já imaginaram um mundo em que o barril esteja acima de 300 dólares?!?!

E o que nos resta? As renováveis?
Sim, em parte, mas desengane-se quem pensar que tal possa vir a ser exequível a tempo de se evitar que o mundo entre em convulsões económicas, sociais e políticas, porque a subjectividade latente em tais desejos\sonhos é imensa. Mas preparem-se que nos próximos tempos iremos ser constantemente bombardeados com os sonhos e visões cor-de-rosa, os quais irão no seu âmago ser  quase sempre mentirosos, ou ilusórios, ou ainda verdadeiramente irrealistas.
Eis um exemplo disso numa notícia que saiu hoje:

A demanda energética mundial poderá ser suprida em 95 por cento por energias renováveis até 2050, segundo um relatório divulgado na quinta-feira pela entidade ambientalista WWF e pela consultoria energética Ecofys.
In Reuters

Todos nós queremos que isto seja verdade. Todos precisamos que isso seja uma realidade. Mas infelizmente, as realidades simplistas e facilitistas são constantemente consumidas pela verdadeira dimensão da realidade:

A edição de Janeiro da Chemistry World trás consigo um aviso sobre a iminente escassez de certos elementos. Entre eles estão os elementos raros do planeta e em particular do Neodímio, a produção do qual, estima-se, terá de quintuplicar para conseguir construir ímãs suficientes para abastecer o número estimado de turbinas eólicas necessárias para um futuro de renováveis. Os meus cálculos apontam para que isso ainda assim leve de entre 50 a 100 anos a ser implementado (…)
In Forbes

Portanto, essa coisa do em 2050 95% da energia provirá das renováveis poderá mais não ser que um belo sonho, um desejo de, não a realidade que necessitamos para tomar as opções correctas para o nosso futuro e futuro dos nossos filhos.
Vamos continuar a dar ouvidos ao que estas instituições internacionais nos querem fazer crer?

Mas ainda há mais. A jatropha, planta que até há bem pouco tempo era quase endeusada como a maravilha que podia ser cultivada em terrenos que não servem para a agricultura – terrenos marginais – e que tinha alta rentabilidade, caiu do seu pedestal de anjo salvador para:

A jatropha não é a planta maravilha que muitas pessoas pensam ser.
Cresce em terrenos marginais, mas se usar terrenos marginais irá obter colheitas marginais.
In Reuters

Este é apenas só mais um exemplo dos incontáveis salvadores que já foram anunciados por incontáveis quadrantes da nossa sociedade, sempre embrulhados numa esperança ilusória, num sonho, armas de um método científico que é muito mais falível que o desejável. A verdade é que o mundo, a economia e as sociedades mal conseguem reduzir a sua dependência das matérias primas fósseis, do petróleo e do carvão. O que temos vindo a assistir, com o aumento do preço e escassez do petróleo, é a um recrudescimento da demanda mundial por carvão. A última economia a sublinhar isso foi a sul africana:

A empresa estatal de energia Eskom tem-se deparado com cada vez mais dificuldade para assegurar o carvão necessário de forma a suprir as necessidades energéticas da maior economia de África, depois das minas de carvão terem virado o seu foco e produção para as exportações para a Ásia, devido à promessa de lucros mais avultados.
In Reuters

A sofreguidão desde mundo, deste sistema exponencial económico e social, não espera pelo desenvolvimento de novas tecnologias, ele está viciado no seu ritmo de crescimento cada vez mais acelerado e incontrolável. Quem ficar à espera que um Deus-Ex-Machina, sob a forma de tecnologias inovadoras\sonhadoras, chegue para resolver todos os problemas, poderá muito bem estar inadevertidamente a ajudar no agudizar dos mesmos, debaixo de uma passividade mental que poderá ser a melhor amiga da continuação do sistema das coisas.

E o que podemos esperar do futuro com este avolumar das questões energéticas que são o sangue das economias e sociedades deste mundo?
Não vou ser eu a responder a isso, porque tenho apenas indicadores, e esses valem o que valem, vou deixar isso para as mesmas instituições que nos pintam os dias num constante cor-de-rosa ilusório. Neste caso, cedo a palavra ao FMI:

O diretor geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) fala numa “geração perdida” no desemprego. Futuro será marcado por maior protecionismo comercial e agitação social violenta.
In Expresso

Portanto, ou eles estão a par da verdadeira realidade – o que me parece ser mais do que evidente -, ou então, por vezes, mudam o tom da retórica e pintam tudo num negro profundo. Na minha modesta opinião, acho que eles, no meio de tanta publicidade enganosa, lá vão dizendo, a espaços, a verdade…

E o que tem tudo isto a ver com os acontecimentos no Egipto?
É (apenas) a base da história subjacente ao aumento do preço do pão… e não só… um dos seus principais factores que é e será (quase) continuadamente analisado de forma efémera e desconectada… A energia é o sangue que impulsionou, impulsiona e irá continuar a impulsionar a vitalidade de todas as formas sociais… e um mundo castrado dessa vitalidade…
Quase nada no nosso mundo é de explicação simplista e facilitista. O nosso mundo vive numa cadeia de factores interligados que não podem ser desassociados, sob pena de se andar apenas a pregar o falso, o ilusório…

E vou fechar com quem iniciei, com James Howard Kunstler e as suas sábias e serenas palavras, um dos poucos verdadeiros analistas deste nosso mundo… mundo que está em larga medida suspenso na ideia da existência de um Deus-Ex-Machina que nos irá salvar, através da tecnologia, de todos os males… James Howard Kunstler:

Notícia do Der Spiegel – The Exorbitant Dream of Arctic Oil
Notícia da Reuters – Energia renovável pode atender 95% da demanda em 2050, diz WWF
Notícia da Forbes – Endangered Elements Pose Threat To Green Energy
Notícia da Reuters – Biofuel jatropha falls from wonder-crop pedestal
Notícia da Reuters – S.Africa says coal for power a priority
Notícia do Expresso – FMI: jovens enfrentarão desemprego toda a vida
Notícia do The Nation – James Howard Kunstler: Peak Oil and Our Financial Decline

Depois da Esquina o Beco

Administradora do Banco de Portugal diz que Portugal precisa de ajuda, seja do FMI ou do fundo Europeu. Carlos Costa diz que Portugal é capaz de resolver os seus problemas. Rebentou a barragem em Portugal. Pelo menos um país europeu vai cair na bancarrota.

Muitos dias passaram desde o meu último artigo… afazeres da vida… já agora ficam o votos de um feliz ano novo para todos os leitores.

Hoje ao ler as notícias do dia uma saltou-me imediatamente à vista: uma Administradora do Banco de Portugal a colocar em causa quase tudo o que o Governador do Banco de Portugal tinha dito menos de 24 horas antes.
Acho que já estamos todos acostumados com estes ataques de histeria das mentes pródigas que nos (des)governam. Para quem anda pouco atento talvez ache isto uma simples divergência de opinião, outros um abuso de confiança da Sra. Administradora, para mim é o ponto final na especulação sobre o pedido de ajuda de Portugal ao mundo financeiro internacional. Foi a forma subtil do Banco de Portugal dizer o que tem a dizer aos mercados não colocando em causa o poder bananeiro instituído que continua tipo Messias a pregar no deserto da felicidade que só eles conseguem atingir e sentir.

E passei parte do dia com esta noção de “lá estão eles uma vez mais a brincar com a mente do Zé Povinho” até dar de caras com mais um artigo simplesmente brilhante de Ambrose Evans-Pritchard no The Telegraph. O artigo aborda exactamente a linha de pensamento de que o comunicado da Administradora do Banco de Portugal é o ponto final na história do pedido de ajuda ao FMI-UE por parte de Portugal.
Ambrose foi ainda mais longe, e esta situação fez-lhe relembrar a Irlanda, pois por lá aconteceu exactamente o mesmo que está a acontecer com o discurso dos nossos  “bananas” e casineiros do Banco Central português.

“O Primeiro Ministro Cowen ainda insistia que o seu governo tinha fundos suficientes para governar durante meses e que não necessitava de aceder ao pacote de ajuda do FMI-UE, e eis que o Banco Central coloca um ponto final nessa charada.”
“O momento em que o Governador Patrick Hohonan disse que esperava que o seu país aceitasse um pacote de ajuda no valor de dezenas de milhares de milhões, foi o fim da história.”
In The Telegraph

Coincidências? Um acaso apenas? Será a Irlanda Portugal, ou Portugal a Irlanda?
Pensem o que desejarem pensar sobre estas recorrentes “brincadeiras” do mundo bananeiro e casineiro, mas uma coisa é certa, eles gerem e “brincam” com aquilo que nos é escondido.
Ambrose Evans-Pritchard:

“A minha simpatia fica para com o povo português que não tem culpa das estúpidas ilusões das elites que os governaram. E não se esqueçam, Cara Nação, este pacote de ajuda não é para vocês: é para os bancos europeus expostos à dívida soberana portuguesa, assim como os pacotes de ajuda à Irlanda e Grécia foram na realidade ajudas aos credores alemães, franceses, belgas, holandeses, britânicos e espanhóis, os mesmos que durante os anos do desenvolvimento da bolha de crédito se comportaram que nem doidos insaciáveis.
Mas serão vocês a pagar.”
In The Telegraph

Não conseguia escrever melhor e tão sucintamente o que aqui é dito. Obrigado Ambrose Evans-Pritchard pelas tuas palavras sábias e honestas, caso cada vez mais raro num mundo de jornalistas copy\paste.

Mas vou um pouco mais alem daquilo que o Evans-Pritchard escreveu no texto dele para dizer que 47% dos banqueiros alemães esperam que pelo menos um país europeu declare bancarrota durante o ano de 2011.
Para quem anda distraído, nem a Grécia, nem a Irlanda abriram falência, apenas pediram ajuda para tentar não entrar em falência. O mesmo irá acontecer com Portugal.
Sempre que oiço falar na bancarrota de um país europeu lembro-me sempre da Argentina. Passou 10 dantescos anos debaixo da pressão financeira do FMI, até que estoirou de vez. 10 anos depois do estoiro é uma das economias mais vibrantes do mundo. 3 anos após ter declarado bancarrota, e ter dito aos credores que ia saldar todas as suas dívidas com quem quisesse renegociar os prazos de pagamento, estava a crescer acima da média mundial.
Fico sempre com a mesma pergunta na cabeça:
Não será melhor estoirar de vez a andar arrastar um problema que tenderá a continuar a crescer e a ser de resolução cada vez mais complicada quantos mais os anos passam? Não será melhor declarar já bancarrota?

Conclusão:
Banco de Portugal e seus casineiros falam de dentro para fora como gralhas soltas perdidas no mundo da peixeirada, acompanhados por um grupo de bananas que vive num mundo nas nuvens junto aos passarinhos… talvez os mesmos que andam a cair dos céus… casineiros e bananas que são iguais em todo o lado onde até a sua retórica é exactamente a mesma… (isto é que é um mundo a uma só voz)… num mundo em que mais de metade dos casineiros alemães esperam que pelo menos um país europeu “dê o peido de vez”, peido esse que pode vir a ser melhor do que a me**a das soluções apresentadas e aventadas por uma classe de homens que é verdadeiramente predatória…
Para o Zé Povinho? Um beco..

Notícia do Destak – Administradora do Banco de Portugal diz que Portugal precisa de ajuda, seja do FMI ou do Fundo Europeu
Notícia do Diário Económico – Carlos Costa: Portugal precisa de crescimento sustentado
Notícia do The Telegraph – The dam breaks in Portugal
Notícia do Der Spiegel – At Least One Euro-Zone Country Could Go Bankrupt

A Confluência é a Regra

Espanha deve reformar o sistema fiscal para poder crescer, diz OCDE. Alívio da dívida da Guiné-Bissau é positivo para doadores e investidores, diz o FMI. Estado tem que deixar privados ocupar o seu lugar em determinados sectores.

Por vezes temos de sair um pouco de Portugal para se conseguir compreender melhor a lógica funcional das coisas… desta vez quais as noções da OCDE e do FMI sobre as suas políticas e as suas directrizes.

Começando pela OCDE e a sua visão do que há para fazer em Espanha.
Antes de mais, gostava de salientar que estas visões das entidades internacionais para a Espanha divergem no seu âmago muito pouco daquilo que preconizam para Portugal, por isso…
Primeira grande visão da OCDE:

“O sistema fiscal espanhol deve ser reformado para facilitar o crescimento, transferindo o impacto dos impostos do trabalho para o consumo e para o imobiliário.”
In Oje

Descodificando o que por aqui é dito…
O que isto quer dizer é que a OCDE defende que os impostos cobrados às empresas sejam reduzidos e  o seu peso transferido para o consumo e para a compra de habitação. Ou seja, que os impostos para os patrões sejam diminuídos e que os impostos para os restante 99% da população suportem o nível de redução fiscal efectuado nos impostos do 1%… tudo isto em defesa da competitividade da economia… deles(?)
Uma medida extremamente justa e social, sim senhor! Tirem ainda mais ao 99% e reduzam ainda mais a carga sobre o 1%!!!!

Depois a mesma OCDE – por vezes fico confuso com as inversões destes organizações – diz que a crise em Espanha está a ser mais aguda devido a um aumento insustentável do consumo privado, que conduziu ao aumento da dívida privada. (Mas o problema não é a dívida pública????)
Sim senhor… então aumenta-se os impostos sobre o consumo para reduzir o consumo que é insustentável?
Mas tais medidas não costumam levar à contracção económica dos mercados internos em que são adoptadas?
Muito bem, primeiro reduz-se os impostos sobre o 1% e aumenta-se os impostos sobre o consumo para fazer a economia crescer, sabendo-se de antemão que um aumento dos impostos sobre o consumo conduz sempre a uma contracção do mesmo, o que leva invariavelmente a uma menor recolha de impostos por parte do Estado e à deflação dos preços… deflação dos preços que conduz a mais despedimentos… mais despedimentos a mais gastos sociais, e mais gastos sociais a mais gastos do Estado… e a OCDE diz que o fortalecimento das contas públicas é essencial… e como podemos todos constatar, se forem adoptadas as medidas por si defendidas será isso mesmo o que não irá acontecer…
Bela volta esta…

Mas há mais… a OCDE defende a reforma do sistema de pensões, através do aumento da idade da reforma, dos 65 para os 67 anos, e a diminuição das reformas antecipadas – facto defendido também pela UE.
Portanto, o aumento da idade da reforma irá fazer a economia crescer?
Ajudará a reduzir as despesas do Estado?
De certeza que crescimento não gerará! É certinho como o destino!
Reduzir as despesas do Estado… talvez, numa primeira fase, mas pouco tempo depois não reduzirá, pois se mais tempo um trabalhador terá de trabalhar para ter direito à reforma menos postos de trabalho irão estar disponíveis para os jovens que entram no mercado de trabalho… e isso é igual a mais desemprego… sempre… e mais desemprego é igual… à catrefada de coisas que já escrevi acima…
Portanto… medidas que só eles entendem o porquê… por vezes também entendo, não quero é entrar em especulação, porque é garantido como o destino que eles próprios se irão dar ao trabalho de dizer isso por mim!

E a OCDE aplaude as medidas tomadas pelo governo espanhol para reduzir a “excessiva protecção” dos trabalhadores com contractos permanentes, e redução dos valores pagos por despedimentos e a facilidade com que é possível chegar a acordos colectivos.
Não anda isto a tentar ser implementado cá em Portugal? Acho que já ouvi falar em qualquer coisa do género… Meus senhores e minhas senhoras, isto é sempre o mesmo em todo o lado, a uniformidade e uniformização das leis e das políticas a favor dos mesmos 1% de sempre!
Em relação aos pontos positivos(?) desta noção de crescimento económico já descrevi isso uns artigos abaixo…
Ah! Mas atenção que a OCDE também aconselha que seja melhor gerido o sistema de águas… … de forma que reflicta o verdadeiro custo da sua exploração… Ou seja: PRIVATIZEM e deixem de subsidiar as águas de modo que o mercado se torne concorrencial e assim os privados possam capitalizar sobre um dos recursos básicos e mais sensíveis do mundo moderno!
Muito bom, correcto?

E agora salto para o FMI que diz estar verdadeiramente feliz com o facto da Guiné-Bissau ter aceite um empréstimo de mil milhões de dólares, nas suas palavras: “um alívio da dívida”… (?)
Esperem lá… a Guiné-Bissau endivida-se em MAIS um milhão de dólares para pagar dívidas e isso é um alívio?????
Ah! É um alívio para os DOADORES (quem empresta) e INVESTIDORES!!!! (Nas palavras do FMI!)
Ou seja… servem os mil milhões de dólares para pagar aos credores que na sua maioria foram aqueles que deram o aval ao empréstimo do FMI à Guiné-Bissau.
Servem também para o investimento privado externo, porque com os empréstimos do FMI vêm sempre linhas directoras económicas obrigatórias para os países que os recebem, para que sejam liberalizados os sectores económicos rentáveis.
Qual a diferença entre a Guiné-Bissau, a Grécia e a Irlanda? Qual a diferença quando cá entrar em Portugal?
É tudo farinha do mesmo saco para o FMI! Dinheiro que empresta para pagar aos credores da dívida desses países, que são sempre os mesmos que dão luz verde à existência desse empréstimo por parte do FMI, e liberalização dos sectores financeiros estratégicos de cada país para que os investidores privados dos países credores da dívida possam vir explorar e canalizar essa riqueza para fora das fronteiras do país ajudado… Bela ajuda esta, hein????

E agora gostava de acabar com Horta Osório, o novo CEO – palavra “chic” para dizer Presidente – do banco inglês LLoyds:

“os Estados fizeram bem intervir na economia, face a uma crise sem precedentes, mas agora têm de baixar o seu peso na economia e deixar os privados ocuparem determinados sectores”
“O Estado não é um bom detentor de activos. O Estado não percebe de lucro”
“É o sector privado e às empresas” que cabe “criar esse valor acrescentado”, pelo que o “Estado devia baixar o peso dos gastos na economia, sair de determinados sectores e deixar os privados ocuparem esses espaços. De certeza que os privados vão fazer melhor uso desses activos”

In Jornal de Negócios

Quis fechar com este senhor, com nome de agricultura que na verdade é um campino das finanças modernas, que tenta tourear a mente do Zé Povinho com conceitos desprovidos do social e mergulhados em numerário…
1º – Sabe senhor Horta, o Estado não existe para gerar lucro, o Estado existe para gerir os impostos pagos pelo Zé Povinho e pelas empresas e aplicar o valor dos impostos em infra-estruturas e serviços que sejam necessários à sociedade que lhe paga os impostos. Apenas no seu mundo, Sr. Horta, o Estado existe para gerar e gerir lucros!
2º – Sabe senhor Horta, sem dúvida que os privados irão fazer melhor uso desses activos, não tenho a mínima dúvida em relação a isso, o Sr. Horta esqueceu-se inadvertidamente foi de mencionar que os privados irão fazer melhor uso desses activos em BENEFÍCIO e PROVEITO PRÓPRIO!!!!
3º – Sabe senhor Horta, é o seu mundinho… pequenininho e minúsculo que vê apenas numerário, que faz com que tudo o que nos rodeia seja apenas “pilim”… sabe senhor Horta Osório, há mais vida para além da sua minúscula noção de vida!!!!!!

Quis fechar com o campino com nome de agricultor como forma de mostrar que as instituições internacionais de renome, FMI, OCDE, UE, etc, vêem tudo e todos com os mesmos óculos, são verdadeiros clones uns dos outros em que a uniformização de ideias, conceitos, reformas e pensamentos são algo digno de um Óscar, pois é mesmo difícil num mundo tão diverso e distinto conseguir seguir o mesmo texto tal e qual clones!

Conclusão:
OCDE que se confunde com FMI e banca que se confunde com OCDE… e UE que se confunde com FMI que também se confunde com OCDE… é esta a imagem das nossas (?) instituições internacionais de renome… uma uniformização de pensar e agir que mais parecem clones… talvez robôs… talvez ponto do teatro… quem sabe apenas caixas de voz, gravações… ou talvez seja uma convicção universal que tem escapado ao pensar e sentir de 99% dos homens que pensam e vivem este e neste mundo…
Já viram que dentro da (falsa) confusão de opiniões das várias instituições internacionais a confluência é a regra? Bastava uma organização chamada, por exemplo: FOMCIUDEE… para nos dizer tudo no formato de nada para nós… porquê tantas a dizerem sempre tudo igualzinho?

Notícia do OJE – Espanha deve reformar o sistema fiscal para poder crescer, diz a OCDE
Notícia do OJE – Alívio da dívida da Guiné-Bissau é positivo para doadores e investidores, diz FMI
Notícia do Jornal de Negócios – Vídeo: Estados têm que deixar os privados ocuparem o seu lugar em determinados sectores

Viva a Demo-Cracia!

FMI: A Irlanda não irá conseguir o objectivo do défice para 2015, existe o risco de não conseguir pagar. FMI desembolsa mais 2,5 mil milhões para a Grécia. Economistas dizem que a Grécia só conseguirá recuperar se a sua dívida for reestruturada. FMI: Portugal é o mais exposto à Irlanda. Portugueses investem cada vez mais em derivados. França e Alemanha querem uma união fiscal. UE precisa de obrigações europeias e imposto federal. Mariano Gago critica parlamento. Só precisa de 447.000 para entrar no clube dos mais ricos. Terá havido outra época melhor para ser rico?

Mais uns dias inundados de futuro, de quais as intenções e perspectivas no passado em relação a esse futuro, e a noção de como é cada vez melhor ser-se rico neste mundo.

Começo com o FMI e a Irlanda.
Um dia passado, vinco – 1 DIA!!!, depois do parlamento irlandês ter aprovado um empréstimo de 22,5 mil milhões de euros por parte do FMI, do qual o FMI nos disse ter passado meses a preparar o cenário de salvamento da Irlanda, e agora vem a terreiro dizer que tais medidas poderão ser insuficientes e que a Irlanda, por volta de 2015, irá necessitar de ainda mais milhões.
Que raio de estudo foi esse do FMI que bastou 1 DIA!!! para se alterar o cenário no qual se baseou o empréstimo?
Será mesmo que o FMI ajuda à salvação, ou a sua mera presença numa economia faz com que os indicadores económicos entrem em vertiginosa queda?

E no mesmo dia em que o FMI diz que o seu estudo para a Irlanda já está datado e ultrapassado, desembolsa mais 2,5 mil milhões para a Grécia. Não são apenas mais 2,5 mil milhões, são  2,5 mil milhões a mais para este ano, de forma que a Grécia não estoire já.
Ou seja, seis meses passados depois do estudo de ajuda à Grécia e já são necessários mais milhares de milhões de euros para corrigir desequilíbrios?
Que raio de estudo foi esse do FMI que bastaram meses para alterar o cenário do empréstimo?
Será mesmo que o FMI ajuda à salvação, ou a sua mera presença numa economia faz com que os indicadores económicos entrem em vertiginosa queda?

Para nos responder às perguntas que dupliquei nos casos irlandês e grego, nada melhor que as palavras dos especialistas (dizem eles ser)… ou seja, nada melhor que as palavras dos auto-denominados especialistas.

“Especialistas dizem que é inevitável o incumprimento por parte da Grécia do empréstimo de 95 mil milhões concedido pelo FMI e pela UE”

Theodore Pelagidis:
“A Grécia faça o que fizer, não será suficiente.”

Empresário que quis manter o anonimato:
“Não é preciso ser-se um Einstein para ver que os números não batem certo. Como iremos pagar a nossa dívida quando está a chegar a 160% do PIB numa economia que está em contracção e não produz nada?”

In The Guardian

Portanto podemos esperar que para o final de 2011 tanto a Grécia como a Irlanda tenham de pedir ainda mais milhares de milhões de ajuda de forma a manter a cabeça à tona.
Portanto, pode ser dito que o pacote de ajuda do FMI-UE não mais é que um rebuçado amargo, que a dívida e a contracção económica nas nações ajudadas é tanta que a salvação começa a ser vista mais sem ajuda do que com ajuda. Eu chamo-lhe a pretensa ajuda que esconde um imenso lucro directo e indirecto. Lucro directo nas taxas de juro que cobram, e lucro indirecto escondido na obrigatoriedade de privatização de muitos dos sectores económicos fundamentais dessas economias para as mãos de privados apoiados pelos dois monstros das bolachas esfomeados – FMI e EU.

Enquanto isso o (mesmo) FMI diz que Portugal é o país mais exposto à dívida soberana irlandesa, em 18,8% do PIB português, ou 33 mil milhões de euros.
Sem dúvida um comentário extraordinariamente oportuno de uma instituição que tem vindo a dizer que Portugal não irá necessitar de ajuda… é mesmo este tipo de informação que acalma os mercados…
Estará o lucro directo e indirecto na queda de mais uma economia acima de qualquer boa intenção que entretanto tenham demonstrado?
Enfim…
Mas por aqui há gato! E com um rabo de fora de um tamanho de levantar pêlo!
É-nos dito que Portugal tem usado a Irlanda como forma da banca beneficiar de impostos mais reduzidos… trocando isto por miúdos… a banca nacional tem usado a Irlanda para fugir aos impostos em território nacional!
A bela cara da graciosidade financeira dos “casineiros”… o despudor com que estas coisas são feitas é algo de bradar aos céus… ora seja, um belo esquema de lavagem de dinheiro, não fosse o mesmo ser perpetrado pela banca…

“A Irlanda, a par do Luxemburgo, é um destino muito procurado pelos bancos nacionais para domiciliarem operações de titularização de créditos, sobretudo obrigações hipotecárias (empréstimos à habitação). Isto significa que, embora os fluxos financeiros passem pela Irlanda, os activos subjacentes são créditos concedidos no mercado nacional. Por outras palavras, estas aplicações estarão expostas a activos portugueses e não irlandeses” (…)
in Jornal I

Simplificando… operações de titularização de créditos, é uma bela sequência de palavras para esconder a palavra proíba do momento: DERIVADOS.
Ou seja, o que a banca nacional, e não só, anda a fazer é a vender as receitas futuras capitalizando-as no presente através de derivados…
Como acham que irão ser os seus dividendos quando tiverem hipotecado todos os seus rendimentos futuros? (Se é que já não o fizeram)
Esta é a lógica inerente e subjacente a este sistema financeiro de doidos: Consumir hoje e esperar que o amanhã traga soluções para não sermos consumidos pela dívida.

E como tal universo (derivados) pode ser inadvertidamente apontado pelos mais incautos como estando em contracção depois do susto mundial apanhado nos últimos anos com esse mercado de doidos e para doidos, eis que nos chega a bela estatística de que o investimento de entidades portuguesas em derivados aumentou este ano 54%, num total negociado de 286,8 mil milhões de euros… ATENÇÂO: Este valor é superior ao PIB de Portugal!!!!

Enquanto isso, é-nos parcialmente confirmado o real objectivo por detrás de quase todas as medidas que a Europa tem vindo a tomar para combater a crise das finanças públicas: Uma União Fiscal.
Para os mais incautos, uma união fiscal é o fim da independência de Portugal e de todos os países da Europa. É o início da fundação da União Federal da Europa, onde o voto individual de cada português passará a contar aquilo que o voto dos alemães e franceses desejarem, pois eles valem quase meia Europa.
Dom Afonso Henriques deve mesmo estar a dar voltas na campa, vendo aquilo que com suor e sangue lutou para criar… vendido para que uns quantos iluminados do 1% possam ter uma vida ainda mais desafogada e regada a pobreza dos outros 99%!

Mas mantenham a calma, pois uma uma federação europeia irá inevitavelmente significar mais impostos, principalmente impostos federais que teremos de pagar para que os alemães e franceses levem a vida que mais auguram, enquanto nós mais pobres teremos de ficar, e mais isolados nesta pontinha da Europa Federal.
Estas não são apenas palavras minhas, são também do ex-conselheiro de François Mitterrand Jacques Attali.

E como que em resposta a esta confluência de interesses pouco interessantes para o Zé Povinho português, e digo, até mesmo europeu, Mariano Gago:

“A complacência, a cedência corporativa” (…)
“O que se está a passar é uma canibalização do mercado de trabalho em torno das profissões qualificadas, em que os que estão instalados criam uma fronteira para ninguém mais entrar. Ou melhor, talvez entre o filho de um deles.”

In Sol

Esta é uma boa explicação de uns dos “bananas” que faz parte do agrupamento de “bananas” que pululam na Assembleia da República… uma boa explicação para todas as cedências perante valores que não os valores de Portugal e para Portugal… o interesse corporativo acima do interesse nacional, a imagem do verdadeiro “bananal” que nos (des)governa!

E para fechar este rol de notícias, as quais interliguei de forma a desenhar um cenário que nos é contado aos bochechos e de forma solta pelos nossos (?) meios de comunicação social, a explicação de que os ricos, nas últimas duas décadas e meia, ficaram ainda mais ricos e pagam cada vez menos impostos.
Ficámos a saber que 1% da população mundial tem 43% de toda a riqueza, ou que 8% da população mundial tem 73,3% da riqueza mundial.
Esta é a mais perfeita das imagem da justiça de um sistema que cava um fosso cada vez maior entre os “eles” que são ricos e os outros que irão por acabar por ser quase todos pobres.
Ficamos também a saber que num mundo em que os impostos têm vindo a aumentar para os 99%, os 1 % têm vindo a ter direito a uma diminuição nos impostos que no caso dos Estados Unidos chega a uns fenomenais 20% menos daquilo que pagavam há três décadas.

Conclusão:
FMI, ou o Fundo Mundial de Injustiças, apoiado pela EU abotoam as suas ânsias de ganância à custa dos Estados que entraram de cabeça neste sistema mundial de despesismo em prol da dívida para com uns quantos iluminados, primordialmente da banca… FMI e EU que fazem contas de modo que elas dêem sempre errado para o lado do pagador de forma a ter de pagar ainda mais… um mundo em que Portugal será a próxima vitima dos mesmos sanguinários insanos… Portugal que já gastou hoje grande parte dos seus recursos futuros de modo a manter a forma de vida de muito poucos… uns “bananas” que por vezes abrem bem o pio e piam desalmadamente dizendo as verdades que a tanto custo tentam esconder… num mundo para muito poucos que se alimentam das desgraças de muitíssimos mais que do mundo têm apenas direito à subserviência social e económica, porque 1% guarda, tipo cãozinho, todos os ossos que apanha…
Viva a justiça social e económica! Viva a demo-cracia! Viva o 1% que há-de ficar a viver sozinho neste mundo! Viva!

Notícia do Earth Times – IMF: Ireland will miss 2015 deficit goal, risks it can’t repay loan
Notícia do Jornal de Negócios – FMI diz que Irlanda poderá precisar de mais cortes na despesa para atingir metas orçamentais
Notícia da Reuters – IMF disbursing 2.5 billion euros more to Greece
Notícia do The Guardian – Greece can only recover if its debt is restructured, say economists
Notícia do Jornal I – FMI. Portugal é o mais exposto à Irlanda. De propósito.
Notícia do Diário Económico – Portugueses investem cada vez mais em derivados
Notícia do Jornal I – Europa. França e Alemanha querem a união fiscal. Vai ser o debate de 2011
Notícia do Diário Económico – UE precisa de Obrigações europeias e imposto federal
Notícia do Sol – Mariano Gago critica parlamento
Notícia do Diário Económico – Só precisa de 447 mil euros para entrar no clube dos mais ricos
Notícia do The Atlantic – Has There Ever Been a Better Time to Be Rich?

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