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A Verdade é uma Aberração

Hoje vou começar pelo aberrante histerismo patente em muitas das parangonas dos meios de comunicação generalistas para escrever sobre os mais recentes desenvolvimentos que nos ajudam a compreender um pouco melhor o que podemos esperar, nos próximos tempos, do excedente de energia indispensável para o carburar desta sociedade moderna.

Ora então… nos espaço de 11 horas, os meios de comunicação deram destaque de parangona a isto:

Petróleo mais forte com reconstrução do Japão.
In Agência Financeira
Preços do petróleo recuam com receios de descida na procura pelo Japão.
In Jornal de Negócios

Compreendo que ainda todos andem a tentar compreender que influência na economia irão ter os problemas que assolam o Japão, mas um pouco mais de tino e bom senso, de modo a não nomearem logo os culpados mais fáceis, seria uma forma muito mais correcta de abordar esta questão e seria principalmente muito menos histérica. Este é apenas um dos incontáveis “erros” expostos diariamente nos meios de comunicação generalistas, culpa do aberrante copy\paste, pois, na maioria das vezes, nem se dão ao trabalho de verificar se o que escrevem hoje não choca de frente em incongruências fatais com o que escreveram ontem… mas enfim…
Continuando…
O engraçado nestas duas parangonas antagónicas é que ambas poderão reflectir o que se irá passar no futuro mais próximo com o preço do petróleo e, por inerência, a pressão da inflação, e não só, sobre todo o globo.
É uma verdade que os preços do petróleo tenderão nos tempos mais próximos a descer, culpa da quase paragem das industrias no Japão e de muitas outras noutros países que estavam e estão dependentes daquilo que as industrias japonesas produzem. É também verdade que quando as industrias japonesas voltarem a carburar a fundo, essa desalavancagem de pressão sobre a oferta de petróleo irá desaparecer, isto para além de que com o desaparecer de parte da capacidade geradora de energia eléctrica no Japão, especialmente das centrais nucleares que irão ser desactivadas, iremos assistir a um aumentar da pressão sobre a oferta de petróleo e consequente aumento do seu preço.
Podemos juntar a estes sinais de pressão mais um… quase todos os investimentos que estavam a ser feitos no mundo em novas centrais nucleares estão parados, novas centrais que iriam ajudar este mundo a reduzir uma fatia daquilo que consome de petróleo… iriam – nos tempos mais próximos…

A pressão que o Japão irá gerar sobre a oferta mundial de petróleo é apenas mais um dos factores que irão muito provavelmente conduzir este mundo até a um choque económico que porá todo o globo de gatas, que poderá ser em breve… se até lá isto não estoirar por culpa do vício da banca ao jogo, ou pelo excessivo endividamento das economias (ditas) desenvolvidas.

Para nos ajudar a compreender um pouco melhor as pressões que estão a ser exercidas sobre o petróleo, Robert Lenzner escreveu um excelente artigo na Forbes, que nos diz:

Iremos necessitar de 126 milhões de barris de petróleo por dia dentro de duas décadas – dos 90 milhões que actualmente a economia global requer. E metade desses 36 milhões de barris adicionais por dia estão ainda por desenvolver, até mesmo descobrir, de acordo com o relatório anual da Schlumberger para 2011.
In Forbes

Portanto, este mundo irá necessitar de mais 36 milhões de barris por dia daqui a 20 anos – isto claro se a economia global “não der o peido” até lá, sendo que mais de metade desse valor ainda não está desenvolvido, até mesmo descoberto e o que está actualmente a ser explorado nunca irá reduzir a sua produção? (Não existem poços de petróleo infinitos, por isso daqui a 20 anos a maioria poderá já ter deixado de produzir – isto nem vou levar em consideração, o que faria aumentar exponencialmente a insuficiência de petróleo para os próximos 20 anos)
Hmmm… portanto isto indirectamente diz-nos que o mundo tem uma margem de manobra para acomodar um aumento da procura de petróleo inferior a, na melhor das hipóteses, 18 milhões de barris por dia – a outra metade está por descobrir ou perfurar… ainda não conta, tal como ainda não conta para estas contas as reservas que daqui a 20 anos irão estar a produzir muito menos que hoje em dia, se é que mesmo grande parte delas ainda existirão como tal.
Para os mais incautos, que vivem num presente que para eles será sempre de crescimento eterno, tal número seja mais que suficiente para que este globo económico consiga continuar a crescer e que o amanhã venha a ser sempre melhor do que este presente… mas…

“Para encontrar petróleo, tem de perfurar. Mas não tem apenas de perfurar, também tem de aumentar a intensidade com que perfura em termos de sofisticação tecnológica, complexidades com os poços e reservatórios e eficiência operacional e a sua efectividade.”
In Forbes

Portanto, esses 18 milhões de barris aventados como colchão para o crescimento futuro deste mundo estarão intimamente dependentes dos factores acima destacados… hmmm… então este mundo está dependente da capacidade da tecnologia conseguir resolver essas questões, a mesma tecnologia que causou indirectamente o derrame de petróleo no Golfo do México e o acidente com as centrais nucleares no Japão… a mesma tecnologia que terá de ser cada vez mais infalível porque a margem será cada vez menor para acolchoar erros… hmmm…
Sabem, como pessoalmente não gosto nada de basear a minha vida em contos de fadas em que o bem triunfa sempre sobre o mal, gosto de fazer contas com os números que me vão surgindo à frente… Ora então, tendo este mundo actualmente capacidade de produzir, para lá do que consome, “apenas” mais dois milhões de barris por dia e que terá de encontrar\desenvolver mais 16 milhões barris por dia nos próximos 10 anos (metade do aventado na notícia da Forbes), ou seja, mais 1,6 milhões de barris a mais por ano durante os próximos 10 anos, significa que o mundo terá de margem apenas pouco mais de um ano de colchão para amparar problemas… Não sei se compreendem que 1 ano é igual a quase nada neste mundo económico que baseia todas as suas assumpções de que a economia irá continuar a crescer eternamente… 1 ANO!!!!
O nosso futuro está dependente que nada de mal corra que possa colocar em causa esse ANO de margem entre o precipício e o eterno crescimento eterno…
Sabem como reagem os mercados económicos mundiais quando colocados perante o risco?
1 ANO é NADA!

E que tal juntar a esta noção os problemas que estão a assolar actualmente o globo e a economia mundial?

O mundo está actualmente em modo de crise, culpa de um impensável desastre natural no Japão até às revoltas que assolam o Médio Oriente e a África do Norte.
Como se estes eventos não fossem já de si suficientemente preocupantes, está provavelmente a desenvolver-se uma crise ainda maior que poderá “abanar os mercados globais”, afirma o colunista da Forbes Gordon Chang: A luta pelos recursos globais de energia irá crescer conforme se forem agravando as pressões e os receios de uma diminuição na oferta de energia, já de si com preços bastante elevados.
In Yahoo! Finance

Portanto, este mundo, que tem pouco mais de 1 ano de colchão, está a ser acossado por problemas… hmmm…
E acho que o Gordon Chang não estava a falar sobre o futuro mas sim sobre o presente, pois a “guerra” na Líbia encaixa na perfeição na sua última frase – digo eu.
1 ANO… hmmm

E voltando um pouco atrás nesta história, quem no mundo tem capacidade para aumentar a produção diária de petróleo?A Arábia Saudita, correcto?

Impulsionada pelo crescimento populacional, aumento da qualidade de vida e crescimento da industrialização, está em crescendo a demanda de energia da região e uma diminuição não se perfila no horizonte.
Nos últimos anos, Kuwait, Qatar, Arábia Saudita e UAU, todos sentiram falhas no fornecimento de energia que resultaram em “blackouts” localizados que por vezes se estenderam durante vários dias. O consumo por vezes ultrapassa a capacidade de oferta disponível, principalmente nos meses de Verão quando o consumo destes países atinge o pico em resultado de aumento no uso dos ar condicionado.
In Arabian Business

Hmmm… a zona do planeta que é o colchão do globo – 1 ANO – está ela a braços com falta de energia?!?!?!
1 ANO, onde?!?!?!
Talvez haja 1 ANO a mais para esses países, ou então… guerra… por… petróleo… quer dizer, já está a ser tudo preparado para tal! Verdade? Será? Líbia? Bahrein? Síria? Iémen? Arábia Saudita? Todos?
1 ANO? Para quem? Para onde?

Conclusão:
E não é que as aberrações por vezes dizem a verdade… mesmo que a verdade seja antagónica da real verdade? E não é que é verdade que este globo poderá crescer ainda mais além… além das fronteiras da razão?
E não é verdade que um ano é mais que nenhum… mesmo que o nada seja apenas pouco mais que um?
E não é verdade que quem ainda tem já pouco mais terá?
Sabem… as ditas verdades são suspeitas nesta aberração…

Notícia da Agência Financeira – Petróleo mais forte com reconstrução do Japão
Notícia do Jornal de Negócios – Preços do petróleo recuam com receios de descida na procura pelo Japão
Notícia da Forbes – We Need To Find 36 Million More Barrels Of Oil A Day
Notícia do Yahoo! Finance – World at Crossroads Over Energy Supply: “This Is Not Over Yet,” Chang Says
Notícia do Arabian Business – Energy, not politics is Gulf’s top challenge

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Renováveis na Esperança

O nosso vício do petróleo está a drenar todas as gotas. A corrida para a energia verde está a levantar importantes questões financeiras na Europa. Um aumento na produção de biocombustíveis poderá seguir o aumento do preço do petróleo. O défice alimentar está a agravar-se. Mervyn King afirma que o nível de vida poderá não voltar a recuperar da crise.

A esperança… que deve ser a última a desvanecer… quando para alguém passa ser o único porto seguro deixa de ser esperança e passa a ser quase apenas puro desespero… uma ilusão…
Estará este nosso mundo agarrado à esperança de que as energias renováveis conseguem salvar este sistema económico e social?
Infelizmente tenho-me deparado com cada vez mais pessoas agarradas a essa esperança, o que em muitos casos já profundamente ultrapassou a fronteira da esperança, tal a convicção com que é defendida, que mais parece um puro desespero sustentado por vezes em meras ilusões sonhadoras desprendidas da realidade das coisas e deste sistema…

Escrito isto…

Actualmente o fornecimento de energia providencia o equivalente a 22 mil milhões de escravos, de acordo com o antigo homem do petróleo Colin Campbell.
A noção que um problema fundamental se está a avolumar, em que um aumento da procura supera uma oferta incapaz de crescer, conduzirá a uma carência na oferta do sangue que faz mover a economia global.
A descoberta de novos poços de petróleo atingiu o seu pico em meados da década de 1960, e tendo por base várias estimativas, ou estamos lá muito perto, ou então já estamos a vivenciar o pico da produção mundial de petróleo. A seguir, a disparidade entre a procura e a oferta aumentará inexoravelmente.
Hoje em dia as principais preocupações são que um aumento no preço do petróleo, impulsionado pelas sublevações no Médio Oriente, possa fazer perigar a “recuperação” económica. Mas existe uma ameaça muito maior e sistémica do pico e declínio da produção global de petróleo. O conduzir até ao supermercado, a quantidade de alimentos nas prateleiras, até mesmo como de manhã lavamos os dentes – toda a natureza da vida moderna nos países ricos está dependente da existência de petróleo barato e abundante.
In The Guardian

Abri com esta explicação de modo a contextualizar parte dos problemas que estão, ou irão em breve ser colocados à nossa forma de vida, a este sistema e a este paradigma social.
É quando confrontados com estes problemas que muitos adoptam o caminho da esperança, que pode ser ilusória, sem que para tal se baseiem em factos, apenas em desejos. Depois tomam opções de vida com base em um “quase nada”…
Eis então que surgem as renováveis que irão gradualmente substituir os 22 milhões de escravos que o petróleo providencia… a esperança de muitos… também a minha esperança mas não são certamente parte da minha certeza…

Nos últimos anos, o espectacular crescimento no número e tamanho das fontes de energia renovável na União Europeia — especialmente as solar e eólica — impulsionadas por gordos subsídios e retórica sobre as alterações climáticas, por parte dos governos, deixaram as redes de distribuição de electricidade em maus lençóis.
(…)”são necessários e urgentes avultados investimentos na rede de distribuição.”
Os custos estimados para o fortalecimento, melhoramento e eficiência das redes de distribuição chegam aos 100 mil milhões de euros, apenas para a próxima década, numa época em que os orçamentos estão estrangulados e em que os Estados impõem ou contemplam reduções nos seus esquemas de subsídios.
In Scientific American

Um dos problemas, que por norma escapa a quem se agarra intensamente à esperança das renováveis, é que uma contracção na oferta de petróleo é igual a uma redução no crescimento, o que por si conduz a uma redução da capacidade de investimento dos Estados e dos privados. Numa época de contracção não é socialmente sustentável, quanto mais aceite, que uma boa parte do excedente disponível (monetário) tenha de ser retirado aos benefícios sociais para se poder continuar a desenvolver as energias alternativas. Num mundo em contracção, um dos lados terá sempre de perder em favor do outro. Qual deles?
Estarão as pessoas dispostas a abdicar dos seus benefícios sociais?
A história diz-nos que não sem que tal não conduza a revoluções… que são, nesta altura do campeonato, do pior que pode acontecer com o excedente para o investimento.

(A Alemanha) produz usualmente pouco mais de 5 giga watts de energia eólica, e quando recentemente a produção disparou para um recorde de 20 GW num fim de semana particularmente ventoso, as ligações às redes fronteiriças dos países vizinhos tiveram de ser desligadas por não conseguirem lidar com o aumento de energia disponibilizado.
In Scientific American

Outro dos pontos usualmente negligenciado é o da volatilidade das fontes primárias de energia renovável, solar e eólica, com a sua produção a ser afectada positiva e negativamente consoante os dias, o tempo… não são estáveis. Este sistema social e económico não sustenta a instabilidade… Depois ainda não existe uma forma economicamente viável, nem mesmo exequível em larga escala, de armazenamento do excedente de energia gerado por estas fontes.
Infelizmente nenhuma das soluções eólica e solar actualmente disponíveis dispensam a existência dos combustíveis fósseis e ficar na esperança que venham a surgir os avanços tecnológicos, que na sua grande maioria só serão possíveis com a existência de um excedente de capital para investimento, quando na realidade podemos ter de vir a enfrentar uma contracção, que até pode ser extrema, pode ser apenas um pregar para o deserto… um sonho… uma ilusão…
A realidade é que o mundo está com décadas de atraso no investimento que devia ter sido feito nestas tecnologias e, dependendo que como decorrerem os próximos anos, talvez se venha a testemunhar que agora já poderá ser tarde demais…

Abordei apenas as questões sociais e de investimento com que se depara o nosso mundo para conseguir funcionar a renováveis. Unam essas questões à escassez cada vez mais pronunciada das matérias-primas que servem de base à tecnologia verde, solar e eólica — tema já abordado aqui na mOsca. O facto das energias eólica e solar serem sucedâneos de energia e não fontes de energia como o petróleo que é “moldável” em, por exemplo: pasta de dentes — como referenciado no texto de abertura. As renováveis, solar e eólica, só geram electricidade e pouco mais, e o nosso mundo necessita de muito mais que “apenas” electricidade.

Então e os biocombustíveis? (perguntarão alguns)

(…)a produção de biocombustíveis poderá enfrentar um ponto de viragem e começar a crescer exponencialmente consoante o aumento do preço do petróleo os for tornando cada vez mais rentáveis — em muitos países em desenvolvimento no mundo — os combustíveis que derivam de plantações.
(…)é provável que este crescimento na produção de biocombustíveis aconteça principalmente nos países em desenvolvimento que tenham populações em rápido crescimento e aumento da procura de bens alimentares. Isso é porque esses países, onde estão incluídas muitas nações africanas, são particularmente vulneráveis ao aumento do preço do petróleo, tanto para transporte como para a agricultura.
In The Guardian

Estará este mundo disposto a ter cada vez menos alimentos disponíveis de forma a ceder lugar a um crescendo da produção de biocombustíveis?

Os mais reduzidos inventários de milho desde há 37 anos são um sinal de que os agricultores do mundo não estão a conseguir produzir grãos suficientes para sustentar o aumento do consumo, mesmo com a expansão das plantações e com o aumento dos preços.
In Gulf News

Duvido! Porque entre a fome e a necessidade de energia, é a fome que assume o papel primordial.
Depois convém relembrar que os biocombustíveis são apenas isso… combustíveis… são também “apenas” um sucedâneo de energia e não uma energia moldável em por exemplo: pneus para o seu carro.
O futuro dos biocombustíveis está dependente da fome que existir no mundo para poder crescer, sob pena do mesmo mundo entrar em convulsões sociais. Talvez… talvez se houver um maior investimento no desenvolvimento da tecnologia se consiga descobrir uma fórmula mais eficaz, mas isso ficará dependente daquilo que já descrevi acima. Por isso os biocombustíveis irão, muito provavelmente, continuar a ser parentes pobres na produção de energia… e relembro que nem a energia eólica, nem a solar e nem os biocombustíveis ocupam o espaço usado pelo petróleo neste sistema social e económico. Energias eólica e solar: electricidade. Biocombustíveis: (pouco mais que) combustíveis.

E que futuro podemos esperar perante tal cenário de contracção do petróleo disponível e de fontes geradores de energia que estão atrasadas no seu desenvolvimento.
Ontem tivemos direito a uma frase de um dos maiores casineiros e banana deste nosso mundo que disse, o que para mim, foi algo inusitado, quase sem paralelo nos dias de hoje:

O Governador do Banco de Inglaterra alertou ontem que o nível de vida poderá não mais retornar ao que era antes da crise financeira, e que as famílias estavam apenas a começar a sentir o impacto total dos erros dos banqueiros.
“Estou surpreendido que a contestação popular tenha sido tão moderada.”
In The Independent

Sem dúvida que concordo com as suas afirmações, mas gostava de salientar que ele afirmou isso usando como base apenas a crise financeira causada pela banca no seu casino do mercado mundial. Imaginem o que teria de dizer caso juntasse a isso a mais que provável crise energética que está a aí à porta?
Revoluções… (?)
Juntem todos os factores, façam as continhas, e vejam lá bem onde poderá isto ir parar. Não usem como vosso sustento apenas as esperanças, que por muito importante que sejam para manter o ânimo, poderão não servir de sustento para uma tomada de opções para o vosso futuro e futuro dos vossos filhos que seja baseado no real.
Não se esqueçam… num mar de sonhos, por norma, afogam-se aqueles que mais sonham…

Conclusão:
Sopra uma brisa… o sol na praia… a mente que sonha em esperanças de uma vida vivida sem contratempos… enquanto isso, os bananas esticam… esticam… estiiiicam… a corda da realidade deste pesadelo tentando renovar os sonhos e esperanças daqueles que os vivenciam… e por aí fora… a fome… a fome dos combustíveis e um pesadelo que muitos perferem sonhar em esperanças profundas… mesmo que isso… seja apenas sinal de fome… e cada vez mais fome…
E entretanto, uns raros exemplares de uma espécie de sonhadores dizem… baixinho… será provavelmente o início deste FIM

Notícia do The Guardian – Our addiction to oil is draining every last drop
Notícia da Scientific American – Rush to Renewable Energy Generates Big Financial Questions in Europe
Notícia do The Guardian – Biofuel boom could follow oil price spike
Notícia do Gulf News – Worsening food deficit
Notícia do The Independent – King says living standards may never recover from the crisis

Um Deus-Ex-Machina Falível

O sonho exorbitante do petróleo no Árctico. Energias renováveis poderão suprir 95% da demanda em 2050, afirma a WWF. Elementos sob ameaça colocam desafios às energias verdes. A jatropha cai do pedestal de planta maravilha para o biocombustível. África do Sul diz que o carvão é uma prioridade para a geração de energia. FMI, jovens irão enfrentar o desemprego durante toda a sua vida. James Howard Cunstler: O Pico do Petróleo e o declínio do sistema financeiro.

Em alta estão as notícias das revoluções no Egipto, na Tunísia e em mais uns quantos lugares do mundo, o aumento do preço das matérias primas e principalmente dos alimentos.
Que tal utilizar uma explicação mais abrangente e profunda para tentar analisar essas questões? É isso que vou tentar fazer hoje, em parte influenciado por um comentário de CropedFrag:

Agora que os protestos no Egipto iniciaram-se, todo o mundo coloca as culpas sobre esses protestos por causa dos aumento/inflação de um pouco de tudo (…)

Vou começar pelo fim deste texto, e tal como reflectem as palavras de James Howard Kunstler, a noção de Pico do Petróleo é cada vez mais uma realidade incontornável. (No fim do texto estará o vídeo com as explicações de James Howard Kunstler)

Primeira pergunta. Será uma realidade essa noção de Pico do Petróleo?
Oficialmente continua a ser tabu, mas não oficialmente é algo atendível nas acções que o mundo está a tomar. A mais importante das dicas que nos ajuda a compreender se tal é verdade ou não, é a mobilização de meios e capital para as áreas quase inacessíveis do planeta, as últimas fronteiras, em busca do ouro negro… para os pólos.
Os mais incautos poderão dizer que: Se existe petróleo por lá porque não extraí-lo já?
Raramente os problemas no e do nosso mundo são de resolução simplista e facilitista, e as dificuldades técnicas, colocadas sobre os meios técnicos actuais usados na extracção de petróleo, são levadas ao limite do conhecimento e do capital existente.
Para confirmar o que acabei de escrever, o Der Spiegel escreveu um excelente artigo expondo todas as dificuldades com que o Homem se está a deparar para conseguir domar as dificuldades impostas pela exploração nos pólos.
Primeiro, até hoje todos os poços exploratórios construídos nos pólos foram uma decepção monumental… nenhum revelou a presença de petróleo:

Dois rotundos falhanços e um teste abortado — um resultado miserável. Quando, em Outubro passado, a companhia escocesa Cairn Energy publicou os resultados preliminares da sua pesquisa de petróleo na costa da Groenlândia, as suas acções caíram 7%, apenas num dia. As suas descobertas não revelaram nem uma gota do ouro negro: a companhia afirma que os custos ascenderam a 180 milhões de euros.
In Der Spiegel

Se nem a tecnologia para se acessar a existência ou não de petróleo no solo é fiável… Mesmo assim o mundo inteiro sustém a respiração na esperança do surgimento de notícias positivas sobre a potencial existência de reservas imensas de ouro negro lá por aquelas bandas. Se nem nos números das espectáveis reservas existentes por lá podemos confiar ou basear as nossas opções de futuro…

Os cientistas estimavam que a região podia albergar aproximadamente 7,5 biliões de barris de petróleo — 1,2 triliões de litros. Mas estatisticamente, a probabilidade de produzirem tais quantidades é a mesma de nem se chegar a extrair uma gota.
In Der Spiegel

E quando se analisa os custos de energia investida versus energia produzida, eis que os cientistas chegaram a esta conclusão:

Se assumirmos que os custos de produção serão superiores a 100 dólares por barril, apenas poderão ser explorados 2,5 biliões de barris, de acordo com os cálculos da USGS — e com 50% de probabilidade.
In Der Spiegel

Bem, para quem estiver menos atento, isto até poderá parecer normal, até positivo, e por isso vou expor novamente os dois números que foram avançados para essa região (na costa da Groenlândia) — 7,5 biliões de barris de reservas estimadas e 2,5 biliões de barris de produção máxima, com apenas 50% de probabilidade.
O que nos contam estes números de 7,5 e 2,5 biliões respectivamente?
Dizem-nos que na melhor das hipóteses apenas 1\3 é explorável rentavelmente e\ou que a rede de energia – quantidade de energia investida versus energia produzida – é inferior a zero, é (quase) NEGATIVA!
Quase se pode concluir daqui que a rentabilidade da exploração dos pólos poderá ser apenas uma opção de subsistência e não de viabilidade comercial para o mundo, ou então que o barril de petróleo terá de estar acima dos 300 dólares para tornar a exploração (quase) rentável. Já imaginaram como será um mundo com o petróleo a 300 dólares por barril?
Mas há mais…

De modo a explorar tais reservas, as companhias terão de gastar muito mais. Mesmo se nos basearmos nuns quase inacreditáveis 300 dólares por barril, apenas poderão ser extraídos 4,1 biliões de barris, com a mesma taxa de probabilidade de sucesso de 50%. “Isto é sem contabilizar 1 cêntimo de impostos, nem 1 cêntimo de lucro.”
In Der Spiegel

Por conseguinte, temos de esperar que o barril de petróleo esteja bem acima dos 300 dólares para que a exploração nos pólos seja um facto viável economicamente e com um retorno, escrevo, miserável de menos de 2 para 1. Já imaginaram um mundo em que o barril esteja acima de 300 dólares?!?!

E o que nos resta? As renováveis?
Sim, em parte, mas desengane-se quem pensar que tal possa vir a ser exequível a tempo de se evitar que o mundo entre em convulsões económicas, sociais e políticas, porque a subjectividade latente em tais desejos\sonhos é imensa. Mas preparem-se que nos próximos tempos iremos ser constantemente bombardeados com os sonhos e visões cor-de-rosa, os quais irão no seu âmago ser  quase sempre mentirosos, ou ilusórios, ou ainda verdadeiramente irrealistas.
Eis um exemplo disso numa notícia que saiu hoje:

A demanda energética mundial poderá ser suprida em 95 por cento por energias renováveis até 2050, segundo um relatório divulgado na quinta-feira pela entidade ambientalista WWF e pela consultoria energética Ecofys.
In Reuters

Todos nós queremos que isto seja verdade. Todos precisamos que isso seja uma realidade. Mas infelizmente, as realidades simplistas e facilitistas são constantemente consumidas pela verdadeira dimensão da realidade:

A edição de Janeiro da Chemistry World trás consigo um aviso sobre a iminente escassez de certos elementos. Entre eles estão os elementos raros do planeta e em particular do Neodímio, a produção do qual, estima-se, terá de quintuplicar para conseguir construir ímãs suficientes para abastecer o número estimado de turbinas eólicas necessárias para um futuro de renováveis. Os meus cálculos apontam para que isso ainda assim leve de entre 50 a 100 anos a ser implementado (…)
In Forbes

Portanto, essa coisa do em 2050 95% da energia provirá das renováveis poderá mais não ser que um belo sonho, um desejo de, não a realidade que necessitamos para tomar as opções correctas para o nosso futuro e futuro dos nossos filhos.
Vamos continuar a dar ouvidos ao que estas instituições internacionais nos querem fazer crer?

Mas ainda há mais. A jatropha, planta que até há bem pouco tempo era quase endeusada como a maravilha que podia ser cultivada em terrenos que não servem para a agricultura – terrenos marginais – e que tinha alta rentabilidade, caiu do seu pedestal de anjo salvador para:

A jatropha não é a planta maravilha que muitas pessoas pensam ser.
Cresce em terrenos marginais, mas se usar terrenos marginais irá obter colheitas marginais.
In Reuters

Este é apenas só mais um exemplo dos incontáveis salvadores que já foram anunciados por incontáveis quadrantes da nossa sociedade, sempre embrulhados numa esperança ilusória, num sonho, armas de um método científico que é muito mais falível que o desejável. A verdade é que o mundo, a economia e as sociedades mal conseguem reduzir a sua dependência das matérias primas fósseis, do petróleo e do carvão. O que temos vindo a assistir, com o aumento do preço e escassez do petróleo, é a um recrudescimento da demanda mundial por carvão. A última economia a sublinhar isso foi a sul africana:

A empresa estatal de energia Eskom tem-se deparado com cada vez mais dificuldade para assegurar o carvão necessário de forma a suprir as necessidades energéticas da maior economia de África, depois das minas de carvão terem virado o seu foco e produção para as exportações para a Ásia, devido à promessa de lucros mais avultados.
In Reuters

A sofreguidão desde mundo, deste sistema exponencial económico e social, não espera pelo desenvolvimento de novas tecnologias, ele está viciado no seu ritmo de crescimento cada vez mais acelerado e incontrolável. Quem ficar à espera que um Deus-Ex-Machina, sob a forma de tecnologias inovadoras\sonhadoras, chegue para resolver todos os problemas, poderá muito bem estar inadevertidamente a ajudar no agudizar dos mesmos, debaixo de uma passividade mental que poderá ser a melhor amiga da continuação do sistema das coisas.

E o que podemos esperar do futuro com este avolumar das questões energéticas que são o sangue das economias e sociedades deste mundo?
Não vou ser eu a responder a isso, porque tenho apenas indicadores, e esses valem o que valem, vou deixar isso para as mesmas instituições que nos pintam os dias num constante cor-de-rosa ilusório. Neste caso, cedo a palavra ao FMI:

O diretor geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) fala numa “geração perdida” no desemprego. Futuro será marcado por maior protecionismo comercial e agitação social violenta.
In Expresso

Portanto, ou eles estão a par da verdadeira realidade – o que me parece ser mais do que evidente -, ou então, por vezes, mudam o tom da retórica e pintam tudo num negro profundo. Na minha modesta opinião, acho que eles, no meio de tanta publicidade enganosa, lá vão dizendo, a espaços, a verdade…

E o que tem tudo isto a ver com os acontecimentos no Egipto?
É (apenas) a base da história subjacente ao aumento do preço do pão… e não só… um dos seus principais factores que é e será (quase) continuadamente analisado de forma efémera e desconectada… A energia é o sangue que impulsionou, impulsiona e irá continuar a impulsionar a vitalidade de todas as formas sociais… e um mundo castrado dessa vitalidade…
Quase nada no nosso mundo é de explicação simplista e facilitista. O nosso mundo vive numa cadeia de factores interligados que não podem ser desassociados, sob pena de se andar apenas a pregar o falso, o ilusório…

E vou fechar com quem iniciei, com James Howard Kunstler e as suas sábias e serenas palavras, um dos poucos verdadeiros analistas deste nosso mundo… mundo que está em larga medida suspenso na ideia da existência de um Deus-Ex-Machina que nos irá salvar, através da tecnologia, de todos os males… James Howard Kunstler:

Notícia do Der Spiegel – The Exorbitant Dream of Arctic Oil
Notícia da Reuters – Energia renovável pode atender 95% da demanda em 2050, diz WWF
Notícia da Forbes – Endangered Elements Pose Threat To Green Energy
Notícia da Reuters – Biofuel jatropha falls from wonder-crop pedestal
Notícia da Reuters – S.Africa says coal for power a priority
Notícia do Expresso – FMI: jovens enfrentarão desemprego toda a vida
Notícia do The Nation – James Howard Kunstler: Peak Oil and Our Financial Decline

A Voz de Richard Heinberg

Os limites do planeta: Como o Pico do Petróleo ameaça o crescimento económico.

Hoje foi um daqueles dias extremamente raros nos meios de comunicação generalistas. Hoje o The Nation deu espaço e visibilidade nas suas páginas a um dos mais importantes analistas\autor dos nossos tempos: Richard Heinberg.
É tão raro conseguir ter acesso às mentes que não seguem interesses corporativistas, interesses políticos ou interesses editoriais, sem ter de se recorrer a fontes fora dos meios de informação generalistas, que vou dar um raro destaque individual aqui no minha mOsca à entrevista apresentada no The Nation.
É uma explicação genérica das verdadeiras e profundas tendências que irão ditar grande parte do nosso futuro, assim como já demarcam a capacidade de desenvolvimento económico do nosso mundo.
Richard Heinberg é um dos analistas imperdíveis para quem deseja estar a par da verdadeira face e motor da economia mundial.

O Sr. Richard Heinberg, em carne e osso:

Notícia do The Nation – The Globe’s Limitations: How Peak Oil Threatens Economic Growth

Boaventura, Chris e o Curso

Boaventura de Sousa Santos: Entrada do FMI em Portugal seria uma desgraça. Boaventura de Sousa Santos defende a “reinvenção do Estado” como resposta às crises. Combate à crise financeira vai levar à confrontação social. Preparem-se para o Pico do Petróleo enquanto têm tempo.

Que dia este!
Dois dos maiores e melhores pensadores dos nossos dias expuseram as suas convicções para todos ouvirmos.

Boaventura de Sousa Santos, que é retractado apenas como sociólogo nos meios de informação para as massas quando na realidade é professor de economia na Universidade de Coimbra, na Faculdade de Direito da Universidade de Wisconsin-Madison e Global Legal Scholar da Universidade de Warwick, Director do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Director do Centro de Documentação 25 de Abril da mesma Universidade e Coordenador Científico do Observatório Permanente da Justiça Portuguesa.
Dizendo que ele é apenas sociólogo reduzem o impacto das suas palavras a um pseudo analista de sociedades, quando na realidade o que ele faz é analisar o peso e influência da economia sobre as sociedades.

Ao que é importante, deixando para trás o pudor insultuoso e manipulador dos meios de comunicação generalistas:

O FMI não é a solução adequada para Portugal, porque quando entra num país, é a desgraça para esse país, e a tese está comprovada.

Só os nossos comentaristas trauliteiros e ignorantes e conservadores, que infelizmente dominam os nossos meios de comunicação, alguns deles pessoas que deviam ter mais vergonha na cara, é que podem vir a sugerir que isso é uma boa solução para o país.”

O FMI, pela sua política, tem uma obsessão, [que é] cortar nas despesas sociais do Estado. Significa pobreza, miséria, mais desequilíbrio social numa sociedade que já é a sociedade com mais desigualdade social na Europa.

É a miséria, é a pobreza que estará no horizonte. O FMI funciona segundo a lógica dos credores, não funciona segundo a lógica dos devedores. Acima de tudo procura impor políticas que garantam aos credores o pagamento das dívidas. Não é nunca uma solução.

Os países que rejeitaram a intervenção do FMI, ou que desrespeitaram as suas regras, são aqueles que fizeram melhores recuperações económicas”. Citou o caso da Argentina, hoje elogiada pelo FMI, que “no princípio da década disse ao FMI: não pagamos.

Entre a prioridade “total” que deve ser dada às energias renováveis e à agricultura familiar e o «não» radical ao agrocombustível, o sociólogo português defende «a reinvenção do Estado» nos moldes de uma democracia participativa. «Se o Estado vai ter um controlo maior sobre a economia tem de haver uma democracia económica».

A única agricultura que mata a fome é a agricultura familiar. O agronegócio e a grande monocultura não resolvem o problema, pelo contrário, produzem fome.

É preciso uma outra visão da natureza como recurso humano e não como recurso natural.

Esta política convida à confrontação social. Estamos a assistir a roubo de direitos, a roubo de dinheiro que as pessoas pagaram. Quando se fazem cortes nas pensões, o dinheiro não é do Estado. Em grande parte, foi dinheiro que as pessoas investiram nas suas pensões.

Portugal não pode ser exceção. Se as medidas acordadas neste Orçamento não puderem ser suficientes, e elas já são graves, é de esperar que haja contestação social e confrontação.

In Público e Expresso

Acho que nem é preciso escrever muito mais além de: Este é um Senhor de um pensamento lógico e empírico, que nos transmite uma mensagem actual, real e fundamental, fora dos contextos populistas e manipuladores que todos os dias são descarregados às pazadas em cima das nossas mentes.
Gostava apenas de salientar algo que estranhei ter tido luz verde nas palavras escritas no público:
“Só os nossos comentaristas trauliteiros e ignorantes e conservadores, que infelizmente dominam os nossos meios de comunicação, alguns deles pessoas que deviam ter mais vergonha na cara…”.
Dificilmente uma afirmação poderia descrever melhor o estado da comunicação social no mundo ocidental, verdadeiro veículo para muita da ignorância que grassa no nosso mundo.

E como ontem foi um dia em cheio, um dos meus heróis, Chris Martenson, deu duas entrevistas a dois dos mais conceituados veículos informativos do momento – não generalistas – em que expôs parte das suas leituras para o mundo: (Hoje só usarei uma das fontes. A outra ficará para outro dia, porque sei que ele irá ser importante)

“O nosso sistema monetário tem de crescer. Existem outros sistemas que não necessitam de crescer e outros sistemas monetários que podemos usar. Mas não o que estamos a usar, onde o dinheiro é criado através de empréstimos.”

“Eventualmente, em muitos dos casos, os empréstimos pedidos criados pelo governo não são produtivos. Pegando no exemplo dos empréstimos para material militar, constrói uma bomba, que gera actividade económica, mas depois explode-a. Por isso deixa de existir actividade económica associada a essa bomba, correcto? Sobra apenas a dívida; nada de produtivo. Este é apenas um exemplo dos casos que criam a dinâmica da espiral de dívida, que é uma espiral exponencial.”

“A principal razão das pessoas terem dificuldade em entender a noção de Pico do Petróleo é a crença (cega) na tecnologia.”

“Tenho visto muitas pessoas assumirem que existirá um tipo de declínio em curva descendente, e a economia seguirá essa curva. Mas estamos a entrar neste declínio com os mais altos níveis de alavancagem, ou dívida, já registados. Temos vindo a acumular imensas quantidades de dívida que requerem um crescimento constante. Por isso, vejo a possibilidade, o risco, de um futuro mais negro do que outros vêem.”

“Os mercados financeiros exibem o comportamento de um rebanho, assim que o rebanho decidir que o Pico do Petróleo é real, acho que iremos assistir a alterações muito rápidas, nos comportamentos. Por isso a razão da minha preocupação é pensarmos no que acontecerá se apenas uma pequena percentagem do dinheiro em circulação decidir perseguir o petróleo, iremos assistir a uma explosão incrível. Será muito rápido, quase imediato. Sabe, 100 dólares por barril, ou 200, talvez mais, escolha um número, pouco importa. Isto é uma possibilidade bem real.”

“Acho que os problemas  que assistimos no suprimento de alimentos a seguir ao furacão Katrina em Nova Orleães, será o mesmo tipo de tempestade que prevejo venha a acontecer nas cadeias globais de fornecimento de bens alimentares.”

“Cada 1% no crescimento do PIB mundial, nas duas últimas décadas, conduziu aproximadamente a 0,25% de aumento no consumo de petróleo a nível mundial, uma relação de quase 4% para 1%.
O inverso… se seguirmos os mesmo princípios e dissermos que o decréscimo será idêntico ao crescimento, então podemos dizer que por cada 1% de declínio na produção de petróleo poderemos vir a assistir a um declínio de 4% no PIB. Acho que irá ser mais elevado , consequência dos níveis actuais de endividamento.”

“Temos tido uma recuperação estatística, pelo menos em relação aos números do PIB. Isso não é surpresa; talvez venha a subir 1% no terceiro trimestre. O que me surpreende é que só cresceu esse valor porque os gastos do governo americano (défice) representam actualmente mais de 10% do PIB. Por isso, se retirarmos esses gastos teríamos por sua vez um decréscimo de 10% no PIB.”

“Posso garantir-lhe que a inflação é a consequência preferida pelo ponto de vista das politicas, de todos os bancos centrais. No espectro político existem muitos actores interligados que partilham a crença, o desejo, que a inflação seja uma realidade. E sejamos claros em relação a uma coisa. A Reserva Federal e outros bancos centrais ainda não esgotaram todas as suas possibilidades. Ainda não entraram no modo de pânico.”

“Existe, dois tipos de pessoas, as pessoas que se conseguem adaptar, que têm a mente desperta e conseguem ver estas coisas antecipadamente. Depois temos as pessoas que não fazem ideia do que se está a passar, que não prestaram atenção… estas irão sofrer um choque violento.”

In Energy Bulletin

Muito mais coisas são por lá ditas, por isso aconselho a leitura do texto original.

Aquilo que é descrito por estes dois “Monstros” dos nossos dias será muito provavelmente o nosso futuro.
Quanto tempo?
Daqui a 1 ano, 2, talvez 5, 10?
O que interessa para quando se as alterações se apresentam hoje tão sérias que todos os adultos responsáveis deviam estar a tomar opções de forma a enfrentar este mais que provável choque da melhor maneira possível. Infelizmente o que assisto é a uma constante forma de negação, quase primária, daquilo que poderá vir a ser o nosso futuro.
Todos preferimos as boas às más notícias, mas quem encerra a sua mente no mundo do faz-de-conta, irá ser trucidado por  tais alterações.

E para fechar aconselho mais que tudo a visualização do magnifico, sublime e imprescindível trabalho de Chris Martenson no documentário em forma de manual de bolso sobre as nossas vidas: O Curso do Crash

Notícia do Público – Boaventura de Sousa Santos: entrada do FMI em Portugal seria “uma desgraça”
Notícia do Público – Boaventura de Sousa Santos defende “a reinvenção do Estado” como resposta às crises
Notícia do Expresso – Combate à crise financeira vai levar à confrontação social
Notícia do Energy Bulletin – Interview with Chris Martenson: “Prepare for peak oil while there is time.”

É Oficial, o Pico do Petróleo Foi em 2006!

Terá o mundo já passado o pico do petróleo?. Estudo afirma que passarão 90 anos até que os substitutos do petróleo assumam o seu actual papel.

Terminou a especulação sobre o Pico do Petróleo, já não é mais uma teoria da conspiração, agora é uma realidade que vinha sido escondida a todo o custo dos Zé Povinhos do mundo.

A AIE, Agência Internacional de Energia, apresentou esta terça-feira em Viena a sua previsão de produção de energia para as próximas décadas, onde apresentou este belo e informativo gráfico: (Clicar para ver maior)

Será apenas uma coincidência o ano de 2006 e o Pico na produção de petróleo e o escalar dos preços do petróleo até perto dos 150 dólares?
Será apenas uma coincidência em 2007 termos o começar do implodir da economia ocidental, situação que continua a seguir o seu caminho de lenta mas paulatina destruição de riqueza?
Sinceramente, as coincidências fazem-me comichão…

O mais “engraçado” nesse gráfico é que em 2035, para que a produção de petróleo se mantenha ao nível de 2006, ou um pouco mais acima como fantasiosamente é representado neste gráfico, 50% ou mais de todos os combustíveis fósseis terão de vir de campos petrolíferos que ainda não foram descobertos, ou que ainda não foram explorados.
Isto abre um campo enorme para perguntas.
– Como quantificar o volume de extracção de petróleo de campos petrolíferos que ainda não foram descobertos?
– Como é possível quantificar tal coisa sem estar a especular tanto que eu deste lado posso dizer que isso é pura ficção até prova cabal em contrário?
– Portanto, podemos retirar os 15%, aproximadamente, que representam as descobertas de novos campos petrolíferos de forma a estarmos a analisar o que hoje é real e não os sonhos que esperamos ter para o amanhã.
– Como é possível dizer que em 2035 os campos de petróleo já descobertos mas que ainda não foram explorados irão representar 20 a 25% de todos os combustíveis fósseis produzidos?
Parece-me que tais números têm de incorporar o petróleo que está por explorar nos pólos.
– Como colocar isso em equação, e principalmente no volume que irão representar no futuro, se ainda não existe tecnologia para explorar essas zonas do planeta?
Sonhar não faz mal, mas sonhar demais acordado faz perder a noção da realidade.

Analisando friamente o que nos guardam os próximos anos…
– O preço do petróleo irá subir exponencialmente.
– As economias mundiais irão constantemente esbarrar contra as limitações de um mundo em retracção na produção de combustíveis fósseis.
– As recessões económicas passarão a ser recorrentes, tanto por escassez de energia, como pelo aumento exponencial do preço dessa energia.
– A juntar às recessões teremos períodos de inflação que poderão chegar a ser de hiperinflação, devido ao aumento que poderá ser muito rápido e significativo dos preços dos produtos. Poderemos assistir a recessões hiperinflacionárias, que são o mais dantesco que pode acontecer no mundo económico.
– Iremos certamente assistir aos países produtores a limitar as suas cotas de exportação de forma a estenderem ao máximo no tempo as suas reservas de forma a não colocarem em causa o seu consumo interno.
– Guerras por recursos.

São estas coisas que estes senhores nos têm estado a esconder, ao esconderem a verdade do mundo.
Enquanto quem sabe se pode preparar, quem estiver na ignorância irá ser engolido e trucidado pela violenta e rápida velocidade das mudanças que nos estão a ser dispostas à frente.

E depois lá vem o lugar à esperança:
E então as energias renováveis? O Homem é engenhoso e irá encontrar solução para contornar isso!
Pois bem, nada melhor do que ler o estudo presente na Environmental Science & Technology, que estima que a sociedade necessitará de 90 anos mais do que as reservas que existem de petróleo para conseguir desenvolver uma forma de energia que consiga substituir os níveis que o petróleo representa nos nossos dias em termos de geração de energia… 90 ANOS!

Notícia da National Geographic – Has the World Already Passed “Peak Oil”?
Notícia da Science Daily – Oil Will Run Dry 90 Years Before Substitutes Roll Out, Study Predicts
Notícias de apoio:
ASC Publications – Future Sustainability Forecasting by Exchange Markets: Basic Theory and an Application
The Oil Drum – IEA World Energy Outlook 2010 Now Out; a Preliminary Look
Green Car Congress – New UC Davis market-based sustainability forecasting approach concludes supplanting gasoline and diesel with renewable fuels could take 131 years

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