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Este Não é um Mundo Para Nós, é um Mundo Para os “eles”

A escravidão da dívida para os irlandeses. Pacote de ajuda à Irlanda protege os grandes investidores. Os bancos encontraram uma mina de ouro, os consumidores ficaram com o poço. Choque entre os países europeus sobre as taxas sobre a banca. BCE tenta acalmar os mercados prometendo liquidez ilimitada. Trichet diz que compra de dívida pública não vai comprometer a inflação.

Agora todos os dias é um vê se te avias de esclarecimentos sobre as verdadeiras linhas funcionais e decisórias das altas patentes que nos (des)governam, mas são publicados envoltos em prosa quase enganosa dos nossos meios de comunicação (anti)social.
Nestes dois últimos dias, as notícias que foram saindo mostram-nos a linhas gerais das decisões tomadas e qual a sua verdadeira direcção lógica.

Em mais um extraordinário texto jornalístico de Ambrose Evans-Pritchard, ficamos a saber – se é que é preciso escrever sobre isso – que os milhares de milhões da ajuda imposta à Irlanda pela Comissão Europeia e pelo BCE:

“(…)é uma imprudente ajuda aos banqueiros e credores britânicos, alemães, holandeses e belgas.”
“Os contribuintes irlandeses arcam com o fardo, e esvaziam o que resta do seu fundo de pensões de reserva para cobrir 1\4 dos custos.”

In The Telegraph

Aqui ficamos a conhecer quem serão “os meninos” que irão capitalizar até 7% de juros!!! (Valor significativamente superior ao pago pela Grécia)
Ficamos também a saber que uma vez mais os senhores “casineiros” são os beneficiados às custas de uma população que não sabe com que linhas coseram o seu destino… um verdadeiro bacanal carnal entre “casineiros” e “bananas”!

E para compreendermos melhor como por lá (Irlanda) as coisas foram conduzidas:

“Forçar perdas nos detentores de dívida sénior (dívida mútua entre instituições bancárias e fundos), temia-se que atingisse a Europa com a mesma força do colapso do Lehman Brothers nos Estados Unidos – espalhando dúvidas sobre um sistema com ramificações potencialmente globais se lançasse a Europa de novo para recessão ou colocasse em risco uma economia importante, como a alemã. (…)aos credores de aproximadamente 50 a 60 mil milhões de títulos de dívida (sénior) foi garantido que irão receber o seu dinheiro.”

In The Washington Post

Portanto, de forma a salvaguardar um sistema que nos conduziu – Zé Povinhos – até um ponto em que temos de ser nós – Zé Povinhos – a arcar com as custas para salvar esse mesmo sistema, que movimenta lucros astronómicos para as instituições que são ajudadas, directa e indirectamente, é algo no mínimo perverso, descabido e insultuoso!
As custas destes erros têm de ser fardo para quem os cometeu!!!

Para entendermos melhor a disparidade de acções em relação às conclusões:

“Com 2010 a chegar ao fim, parece que irá ser outro ano em grande para Wall Street: as seis maiores firmas denominadas “grandes demais para falir” tiveram lucros que rondaram os 35 mil milhões (cada) nos primeiros nove meses do ano, e estima-se que os bónus anuais ascendam a 144 mil milhões.”

In Yahoo Finance

A incongruente noção de precisarem de ajuda e ter de ser o Zé Povinho a providenciar essa ajuda é algo verdadeiramente ultrajante! É um engano do tamanho do mundo! É a lógica do: “são lucros recorde mas continuamos a necessitar de ajuda”, algo que ultrapassa tudo o que de lógico existe no mundo, quanto mais o bom senso!

Alguns ainda argumentarão que será para preservar uma economia que já nos deu muito…
É uma boa noção das coisas, sem dúvida, mas como em tudo na vida é preciso haver regras justas e distribuição de apoios e obrigações equitativas entre os vários sectores da sociedade… coisa que não acontece actualmente, muito pelo contrário…
Para termos uma melhor noção se tal está a ser trabalhado ou preparado:

A Comissão Executiva da Comissão Europeia quer chegar a um acordo sobre a forma como taxar a banca de forma igual em toda a Europa. (…)
Mas tal como aquando da crise com os vários países a adoptarem posições individuais, agora defendem individualmente o seu direito de decidir de que forma taxar a banca e gastar esse dinheiro”

In Bloomberg

É impressionante como os mesmos “bananas” que rapidamente chegaram a acordo para que os Zé Povinhos da Europa vissem reduzidos os seus direitos e os seus apoios sociais de modo a combater a crise, no caso da banca digladiam-se que nem abelhas atrás do pote de mel, o que neste caso pode ser descrito de forma mais concreta como: “«bananas» atrás do tesouro”.
Uma vez mais levanta a pergunta?
Para quem trabalham os políticos eleitos democraticamente???? Para quem?????

E sSeguindo a linha da lógica de defesa de um sistema que está cada vez mais desfasado da realidade e vivência dos Zé Povinhos, Trichet, o Jean-Claude das finanças europeias, promete liquidez ILIMITADA para tentar acalmar os mercados de dívida.
Elisabeth Afseth, da Evolution Securities:

(…)”pode estar em curso um programa de compra de título de dívida pública no valor de 1 a 2 biliões de euros.”

In The Guardian

O pacote de ajuda às economias europeias não é de 750 mil milhões?
De onde vêem esse biliões?
Quem os pagará?
Mas a Europa defende o controlo da despesa ou o gasto indiscriminado?
E a inflação que inevitavelmente criará?

Mais tarde ou mais cedo iremos ter respostas para estas perguntas… quer dizer, temos tido direito a respostas em formato de mentira… uma, pelo menos,  já anda a ser veladamente e verdadeiramente respondida… Jean-Claude Trichet:

“O BCE tem no seu mandato manter a inflação controlada, o que é entendido como tendo um valor próximo, mas inferior a, dois por cento ao ano. No final do mês passado, estava em 1,9 por cento, tal como em Outubro. Teoricamente, a injecção de liquidez na economia tem tendência a fazer subir preços. No entanto, com o crescimento anémico que se tem registado e a difícil situação financeira por todo o mundo ocidental, esse risco é menor, sobretudo se a quantidade disponibilizada não for muito elevada.”

In Público

Ora, 1 a 2 biliões de euros… a resposta velada está dada:
Preparem-se porque vem aí inflação “à séria”!!!!!!

O senhor Jean-Claude do mundo das finanças da Europa está uma vez mais a demonstrar ter uma visão de muito, mesmo muito curto prazo. Toda a injecção de liquidez no mercado conduz sempre à existência de mais dinheiro em circulação. Se existe mais dinheiro em circulação, há mais dinheiro para comprar o mesmo número de bens, o que conduz ao aumento dos preços, não devido ao aumento da procura, mas porque existe mais dinheiro para pagar por esses bens. Esta é uma regra BÁSICA do sistema económico que (des)governa as nossas vidas, e ainda mais importante, é uma regra quase incontornável a curto prazo (3 anos), quanto mais a médio prazo!
Uma pergunta em duas para o Jean-Claude.
O que acontecerá ao excesso de dinheiro em circulação quando a economia voltar a crescer?
O que acontecerá ao excesso de dinheiro em circulação quando a economia der o “peido”?
Sabem a resposta?
Não?
1º caso: Inflação galopante
2º caso: Inflação galopante – (este caso pode ser mais difícil de compreender mas na sua essência é muito simples: crise = contracção na aquisição de bens = redução do número de bens disponíveis… mais dinheiro em circulação para comprar cada vez menos bens disponíveis – este segundo caso começa com deflação nos preços…)

Portanto Sr. Jean-Claude, a quantidade que está a ser disponibilizada é monumental e o resultado final será o mesmo: Inflação galopante que se alimentará principalmente daqueles que já pouca margem de manobra têm para conseguir sobreviver neste sistema desconectado da realidade dos Zé Povinhos!

Voltando um pouco atrás até Ambrose Evans-Pritchard:

“Deixem-me dizer que o BCE tem conduzido uma politica monetária que tem sido demasiado permissiva até para a Zona Euro como um todo, mantendo a taxa de juro nos 2% até bem para lá do «boom» do crédito e permitindo que o fornecimento de dinheiro se expandisse 11% (quando o «target» era de 4,5%). O BCE violou todos os meses, durante uma década, o seu tecto de inflação.”

In The Telegraph

Portanto, ainda por cima o caso da pressão inflacionária já vem de há 10 anos para cá, no mínimo… agora, para quem não conseguia compreender, é fácil de entender o porquê do preço do pão (como exemplo) ter passado de 5 cêntimos em 2000 para os 12 cêntimos em 2010 – 120% de inflação… 12% de inflação ao ano!!!! Não os 1,9% que nos é relatado quase todos os meses!
Este Jean-Claude é um verdadeiro Van Damme das finanças… um artista cheio de músculos quando em frente às câmaras, e um fraco e dependente atrás delas… um mentiroso no seu ser!

E irão todas estas políticas (mentirosas) ajudar a salvar a Europa e o mundo?

“Em 2014, os juros que a Irlanda terá de pagar sobre a dívida pública (em 2014 – 120% do PIB – o valor actual de Portugal) serão 10 mil milhões, enquanto as receitas com impostos serão 36 mil milhões. Este rácio está bem acima do ponto de «default» de 22%, como calculado num estudo da Moody’s.”

In The Telegraph
Não!

Conclusão:
Um mundo de finanças que mais parece o circo das vaidades… um mundo em que apresentar lucros desmedidos é sinal de mais apoios… um mundo em que quem menos tem, tem de pagar os apoios a quem já tem demais… um mundo em que as soberanias individuais dos seus países não mais são do que lucro palpável para os “bananas” que os (des)governam… um mundo em que quem define as finanças do sistema, que já por si é perverso, mais parece um Van Damme cheio de músculos mas que no seu ser é um fraco, perdido, que continua a alimentar um sistema viciado na dívida com ainda mais dívida…
Este não é um mundo para nós, é um mundo para os outros, os “eles”…

Notícia do The Telegraph – Ireland’s Debt Servitude
Notícia do The Washington Post – Irish rescue shields top investors
Notícia do Yahoo Finance – Bailout Nation: Banks Got the Goldmine, Consumers Got the Shaft
Notícia da Bloomberg – European countries clash over taxing banks
Notícia do The Guardian – ECB tries to calm markets by promising unlimited liquidity
Notícia do Público – BCE diz que compra de dívida pública não vai comprometer a inflação

ONU Mundo Deles

Os custos da importação de alimentos irão este ano suplantar em 1 bilião o ano de 2009, diz a ONU. Preço dos alimentos poderão aumentar até 20% em 2011, avisa a ONU. China irá subsidiar alimentos depois do recente aumento dos preços. O novo plano de Abu Dabhi para a segurança dos bens alimentares. Alterações climáticas e doenças irão causar novas crises alimentares. FMI reduz o peso do dólar e do Yen no cesto do SDR. China avança contra a liquidez para reduzir a inflação. Trichet: Juros podem subir antes de terminarem as ajudas à banca.

Tal como ontem, vou quase ignorar as crises das finanças públicas, que já estão a ter (quase) a devida exposição nos meios de informação para as massas, e focar a minha atenção em algo que julgo ser muito mais preocupante e verdadeiramente mais perigoso: a inflação e o preço dos alimentos.

Hoje foi um dia em cheio para decantar muitas das tendências que irão moldar o ano que aí vem, e os seguintes.

A nossa querida, amada e estimada ONU veio a terreiro expor as suas conclusões em relação ao preço dos alimentos praticados hoje, o que espera para amanhã e quais as suas causas primárias.
Para quem anda apenas a reboque daquilo que é dito nos meios de comunicação para as massas, poderá estranhar algumas coisas que irei escrever lá mais abaixo. Para quem já deixou de consumir a informação para as massas como a verdade absoluta, servirá apenas de clarificação das tendências futuras.

A ONU prevê:

– “Os custos da importação de alimentos irão este ano suplantar em 1 bilião o ano de 2009.”
– “É pouco provável que os efeitos do aumento dos preços fiquem contidos nos seus respectivos sectores, porque muitos destes bens servem de pasto principal aos sectores de criação de gado e dos biocombustíveis.”
– “Em relação aos cereais mais importantes, a produção terá de se expandir substancialmente para suprir a demanda e recuperar as reservas mundiais.”
– “Devido a estas causas, os consumidores poderão não vir a ter outra opção para além de pagar preços mais elevados pelos seus alimentos.”

In Bloomberg

A maior parte da informação exposta neste excerto é de simples conclusão e análise para todos. Gostava apenas de salientar como estes tipos da ONU conseguem ser irracionais, ignorantes e verdadeiramente estúpidos nas suas análises, julgando que todos nós somos tão ou mais estúpidos que eles de forma a engolir as suas mensagens publicitárias!
Com que então assumem pela primeira vez que uma das principais causas para o aumento do preço dos alimentos está directamente relacionada com o sector dos biocombustíveis!
Mais abaixo voltarei a esta causa…

Continuando…

– “Preço dos alimentos poderão aumentar até 20% em 2011.”
– “O preço do trigo, do milho e de muitos outros alimentos transaccionados internacionalmente cresceram até 40% no espaço de apenas alguns meses. Os preços do açúcar, da manteiga e da mandioca estão em valores máximos de 30 anos, e a carne e peixe estão ambos significativamente mais dispendiosos do que no ano passado.”
– “Inflação dos preço dos alimentos, alimentada pela especulação, a vaga de calor na Rússia e transacções nos mercados de futuros.” (…)
– “Os pobres são quem mais irão sofrer porque sentem directamente o efeito do aumento do preço dos alimentos.”

In The Guardian

Mais informação que ajuda a desenhar parte do nosso futuro, uma boa parte com valor verdadeiramente importante, como a noção da inflação do preço dos alimentos estar apenas a ser causada pela especulação.
Mais abaixo aprofundarei esta questão.

Alguns países estão já a entrar em “estado de choque” em relação ao aumento do preço dos alimentos, tal como a China e em Abu Dhabi nos Emiratos Árabes Unidos.
Sinal dos tempos que estão para chegar?
Para mim, mais do que sinais, a evidência que algo está verdadeiramente a mudar.

Voltando à ONU…
Quais as principais causas que irão colocar em causa a produção alimentar?

– “Alterações climáticas, especulação, biocombustíveis e o aumento da procura na Ásia são os factores que irão levar a um aumento exponencial dos preços no ano que vem.”
– “Além de conduzir ao aumento da inflação em Inglaterra e no mundo ocidental, outro episódio de hiperinflação no preço terá terríveis implicações para as pessoas mais pobres do planeta.”
– A produção terá de aumentar substancialmente (…) O principal obstáculo identificado para o aumento da produção alimentar é o potencial económico das explorações para biocombustíveis e as explorações não alimentares.
– “Efeitos adversos do clima são indubitavelmente um dos principais factores na quantidade das safras de trigo e, com as alterações climáticas, poderão vir a ser cada vez mais recorrentes.”
– “Não subsistem dúvidas que as actividades especulativas trouxeram grande volatilidade ao mercado, mas não existem provas que a especulação tem conduzido ao aumento dos preços até níveis não antes vistos.”

In The Independent

Antes demais, peço desculpa pela quase desconexão do texto até este ponto, mas acho que era por demais importante expor a informação divulgada pela ONU tal como a encontrei. Serve de exemplo de como o copy\paste praticado na maioria dos casos para a divulgação de informação nos meios de informação generalistas é por vezes trocado por divulgação em formato de puzzle: várias secções da mesma história espalhadas por várias fontes, onde só lendo a totalidade das fontes se consegue ter uma ideia mais concreta da informação que está a ser veiculada.
Este é um método que encontro ser recorrente para muita da informação veiculada pela ONU… vá lá se saber o porquê…

Depois desta pequena explicação, voltando à ONU e aos alimentos…
Pegando um pouco atrás gostava de relembrar que a ONU diz que no espaço de meses o preço de alguns bens aumentou mais de 40%, mas que a sua previsão para o ano que vem é de 20% de aumento… hmmm
Gostava também de relembrar que a ONU disse que mais episódios de HIPERINFLAÇÂO terão resultados dantescos nas economias.
Gostava de vincar que o preço dos alimentos é o valor mais importante para a contabilização da inflação…

Portanto, nas palavras da ONU, as causas são, os biocombustíveis – que são imensamente subsidiados pelo mundo ocidental, o mesmo mundo que governa a ONU -, a especulação – que segundo as palavras da ONU, não existem provas que comprovem o seu impacto nos preços… talvez porque a grande maioria dos especuladores sejam parte integrante do mundo ocidental, o mesmo mundo que governa a ONU -, o aumento da procura por parte da Ásia – área do mundo em que o mundo ocidental mais tem investido nas últimas décadas, o mesmo mundo  que governa a ONU -, e para fechar, as alterações climáticas que põem em causa a quantidade das safras mundiais.

Conclusão:
– Os biocombustíveis, altamente subsidiados, são uma das principais causas para o aumento do preço dos alimentos. Deixem de os subsidiar!
– A especulação que é acção dos mesmos mercados que estão a levar o mundo à bancarrota. Limitem a acção abusiva dos mercados de capitais sobre o preço dos alimentos!
– As alterações climáticas. Bem, o nosso mundo mudou tanto que secas ou cheias são situações que acontecem apenas agora… Pelas apalavras deles quase se pode chegar à conclusão que o clima foi sempre sinónimo de estabilidade… hmmm…

De todas as causas aventadas, existe uma que, para mim, é apenas a mais relevante e que não é identificada pela ONU, talvez porque tal coisa poria em causa quase todas as causas avançadas para explicar o porquê dos preços estarem a subir tanto.
Vou tentar explicar.
O dólar é a moeda de referência mundial, é a moeda de reserva mundial. Quase todos os mercados de transacção de bens são cotados em dólares, ou seja, esses bens são transaccionados em dólares. Como todos já devem estar a par, o dólar tem vindo a perder valor de forma exponencial, o que conduz ao aumento exponencial dos preços dos bens transaccionados nesses mercados, não pelo aumento da procura mas pela desvalorização da moeda que os transacciona.

Vou tentar explicar de forma simplista o que acontece neste mundo de dólar em desvalorização exponencial:
Eu sou Portugal. Em 2005 comprei 10 dólares com euros, que me custaram, nessa altura, 15 euros.
Hoje, em 2010, vou comprar trigo no valor de 10 dólares mas os mesmo 10 dólares, que comprei em 2005, valem hoje apenas 8 euros, o que quer dizer que os mesmos 10 dólares hoje compram metade do trigo que compravam em 2005, e principalmente como eu, Portugal, paguei 15 euros por esses 10 dólares, terei hoje de cobrar, não o valor do dólar de hoje, mas sim o valor do dólar de 2005 de forma a não ter prejuízo quando for vender o trigo que acabei de adquirir. Ou seja, os 10 dólares de 2005 perderam 50% do valor inflacionado 50% o valor do bem que adquiri em 2010.
Isto é o exemplo nu e cru de muito do que estamos a assistir hoje com o preço dos alimentos, dos bens de uma forma geral, e que terá tendência a ganhar contornos de cada vez maior gravidade, porque o governo americano (Reserva Federal) continua a injectar milhar de milhões de dólares no mercado na forma de pacotes de estímulo à economia.
Talvez não seja mal pensado dizer aos senhores da ONU que nem todo o mundo é tão estúpido ao ponto de acreditar nas suas constantes inverdades, por vezes puras falsidades e muitas da vezes verdadeiras inversões.

Para nos ajudar a compreender um pouco melhor esta situação… O FMI reduziu o peso do dólar e do Yen no cesto do SDR (O peso que cada moeda tem no mercado internacional, medido pela força das suas economias).
Ora mas que raio?!??!? Perguntará quem faz contas… mas a economia da zona euro não tem sido a que mais tem contraído nestes últimos anos, quando comparada à economia americana e chinesa?
Porque raio irão dar mais peso ao euro em comparação com uma redução do peso do dólar e do yen no cesto?
Simples, digo eu, o euro é a moeda, das três, que menos tem desvalorizado.
Já ouviram falar no jogo dos espertinhos? Este é um belo exemplo… usam a moeda que tem desvalorizado menos, mesmo que tenha um peso nas transacções mundiais incomensuravelmente inferior ao dólar e esteja a perder cada vez mais terreno para o yen, de forma que a inflação apresentada pelo FMI, para os vários mercados de bens no mundo, seja menos expressiva… O mundo dos espertinhos, não é verdade???

Ah! Também o BCE começa a dar os primeiros passos para combater o temor da inflação:

“O presidente do Banco Central Europeu alertou hoje que os juros podem subir, mesmo que permaneça em vigor o programa de cedência de liquidez à banca.”

In Jornal de Negócios

Esperem lá! Mas estando a Grécia, a Irlanda, Portugal, a Espanha e a Itália, sem falar noutros, tão dependentes das taxas de juro praticadas pelo BCE para conseguirem angariar liquidez para as suas economias, Trichet vem a terreiro dizer que as taxas de juro podem subir mesmo antes de terminar o apoio às economias titubeantes da Europa?
Ólálá, temos aqui contraditório… como ajudar as economias mais frágeis com juros mais altos se são esses mesmo juros altos que as estão a estão a queimar em lume brando?
Estará o BCE a querer dizer que é preferível que os Estados mais frágeis da UE sofram ainda mais, possam mesmo colapsar, e pior, terem até de sair da moeda única de forma que os países mais ricos da UE e o euro consigam sobreviver, sem ter e terem de passar por um processo inflacionário escalante?
O tempo o dirá, mas os sinais que começam a ser dados…

Notícia da Bloomberg – World Food-Import Costs Will Exceed $1 Trillion on Higher Prices, UN Says
Notícia do The Guardian – Food prices may rise by up to 20%, warns UN
Notícia do The Independent – Climate change and disease will spark new food crisis, says UN
Notícia da Associated Press – China to subsidize food after price spike
Notícia da Reuters – Abu Dhabi’s new plan for food security
Notícia da Bloomberg – IMF Reduces Weighting of Dollar, Yen in SDR Basket
Notícia do Jornal de Negócios – Trichet: Juros podem subir antes de terminarem ajudas à banca

Os Depositários da Dívida Nacional

BCE volta a comprar dívida portuguesa para travar juros. Risco português é o que mais baixa no mundo. Juros altos levam Governo a vender dívida no Médio Oriente.

Hoje ficamos a saber que ontem o BCE voltou a comprar dívida soberana portuguesa de modo a aliviar a pressão dos juros.
Muito bem, dirão os mais incautos. Verdadeiramente perigoso, dizem os mais atentos.
Num mundo em que somos bombardeados diariamente com a noção da livre circulação dos capitais, dos perigos que representam a manipulação dos Estados sobre essa circulação de capitais, o estrangulamento que causam à livre circulação de capitais as empresas públicas, eis que o Nosso Senhor Banco Central Europeu, centro dessas ideologias que destaquei, faz exactamente o oposto e manipula os preços de mercado.
Mas “prontos”, foi por uma boa causa: salvar Portugal da bancarrota…
Se desejarem acreditar nisso força, mas aquilo que está a ser feito é a compra às postas de Portugal que terá de pagar com contrapartidas; os sectores produtivos rentáveis ainda do Estado. Vamos aguardar, mas os sectores da energia e das águas públicas são demasiado apetecíveis para os tubarões…

Mas analisemos a forma como a notícia da participação do BCE na compra de dívida é reportada nos meios de comunicação para as massas:

O travão na escalada dos juros relacionados com as Obrigações do Tesouro a 10 anos foi dado ainda pelo BCE, que foi ontem ao mercado comprar dívida portuguesa. Ainda que tenha adquirido poucos montantes, a verdade é que essa operação ajudou a explicar o «alívio» verificado a partir da tarde de ontem e que continua esta sexta-feira.

In Agência Financeira

Certo é que a evolução intra-diária dos juros das obrigações do Tesouro português a 10 anos teve uma queda bastante significativa entre as 14h e as 15h, depois de durante a manhã terem batidos novos máximos acima dos 7,3%.

In Jornal de Negócios

Agora vou pegar em duas frases desses textos e criar um parágrafo:
Ainda que tenha adquirido poucos montantes, certo é que a evolução intra-diária dos juros das obrigações do Tesouro português a 10 anos teve uma queda bastante significativa entre as 14h e as 15h.
Curioso o resultado final deste parágrafo, não é verdade?
Pois então os baixos montantes investidos pelo BCE na compra de dívida portuguesa levaram a que os juros entrassem em retracção. Imaginemos lá então se os montantes tivessem sido elevados, podemos então especular que os juros cobrados podiam voltar quase imediatamente para valores irrisórios?

Estes nossos meios de comunicação são uma farsa pegada, uns vendedores de montes de banda da cobra. É mais que óbvio que para mexer com os valores dos juros o BCE teve de entrar e em força no mercado!
Palhaçada!

Mas agora já surgiu outra desculpa para os juros estarem a baixar: Os resultados que emanaram da reunião dos G20 (hoje!). Quanto apostam que amanhã os juros estarão a baixar apenas devido aos resultados da reunião dos G20, e que os nossos meios de comunicação social voltam uma vez mais ao silêncio sobre as manobras manipuladoras do BCE no mercado.
Portanto os juros estão a baixar porque:

E divulgaram uma declaração conjunta para tentar recuperar a confiança dos mercados, inquietos com a situação política e financeira da Irlanda, mas também de Portugal.

In Agência Financeira

Rir!

Continuando com o BCE, Jean Claude Trichet veio a terreiro dizer:

O Banco Central Europeu (BCE) quer que os bancos portugueses dependam menos dos seus empréstimos, diversificando as suas fontes de financiamento. A revelação foi feita na quarta-feira à noite pelo presidente da Caixa Geral de Depósitos, Faria de Oliveira, no discurso de encerramento da conferência promovida pelo banco público e pelo Diário Económico em Vila Nova de Gaia.

In Diário Económico

Não façam o que eu faço, façam o que eu digo.
Rir!
Para além de que, grande parte do dinheiro pedido ao BCE pela banca nacional tem servido para comprar dívida nacional.
Rir!
Portanto, o BCE manipula o mercado por dentro e por fora. Isto é que é poder de manipulação!

No sistema actual todas as manipulações de mercado acabam por sofrer correcções dolorosas, e todas estas acções não servirão para mais nada do que adiar o problema e principalmente agudizar a reacção final dos mercados ao problema das dívidas públicas. No dia em que a bomba estoirar, Portugal, Irlanda, Espanha e Grécia irão ser violentamente massacrados por causa desta acção de manipulação do mercado.

Por isso, o meu, teu e nosso querido amigo BCE será de todas as instituições mundiais aquela que mais ganhará com a nossa falência, porque todos os empréstimos e todas as manipulações no mercado, são acções executadas sob garantias dadas pelo Estado português.
Boa sorte Portugal.

E para fechar… as viagens dos nossos vendedores ambulantes de dívida.
Ficamos hoje a saber que os nossos “bananas” realmente não nos governam, são eleitos para funcionarem como vendedores ambulantes da dívida soberana nacional.

Sócrates e Vieira da Silva vão para Macau vender dívida e outra comitiva do Governo parte hoje para Arábia Saudita, Emirados Árabes e Qatar.

In Diário Económico

Isto é verdadeiramente caricato, os nossos “bananas” a venderem uma das poucas coisas que Portugal produz: Dívida, em vez de trabalharem naquilo para o qual foram eleitos: trabalhar em prol do Zé Povinho.
Cada vez que estes senhores fazem isso, quem compra essa dívida faz inevitavelmente uma pergunta:
O que nos têm para oferecer para aceitarmos essa proposta?
O que tem Portugal para oferecer ao mundo?
Tem-nos a nós… porque cada um de nós é o depositário de toda a dívida de Portugal…

Notícia do Diário Económico – BCE volta a comprar dívida portuguesa para travar juros
Notícia da Agência Financeira – Juros da dívida aliviam com G20 e BCE
Notícia do Expresso – Juros/Dívida: Risco português é o que mais alivia no mundo com taxa a baixar barreira dos 7%
Notícia do Expresso – Risco de bancarrota diminui nos ‘PIGS’
Notícia do Diário Económico – Trichet pressiona banca portuguesa
Notícia do Diário Económico – Juros altos levam Governo a vender dívida no Médio Oriente

Quo Vadis “Soberania”?

FMI reforça poderes. Angela Merkel aconselha Passos Coelho. Jean-Claude-Trichet aconselha Sócrates. Agências de rating avisam o Governo sobre o défice deste ano.

Se dúvidas houvesse sobre o desgoverno deste executivo e sobre quem manda e opina a respeito da economia e dos destinos deste país, as notícias que têm vindo a sair a conta gotas e meio dissimuladas nos meios de comunicação mostram claramente quem são as vozes de comando.

Numa altura em que o PSD não sabe (ou não quer dizer) se vai aprovar o próximo orçamento de estado e acusa o PS de fazer chantagem perante os portugueses (naquela que eu entendo como uma jogada “rasca” de politiquice em que tenta passar a responsabilidade da não aprovação do documento para a oposição depois da toda a inépcia e atitudes escabrosas demonstradas ao longo dos últimos 2 anos), sabemos que Angela Merkel aconselha os nossos (?) governantes dizendo que “mais vale não ter orçamento do que ter um orçamento mau”, ou, digo eu, um orçamento que não convenha às exportações alemãs e que impeça a entrada de títeres de sangue fresco em São Bento.

Depois temos a UE a dizer “Queremos é que as metas do défice sejam cumpridas. Como isso é feito é com os países”. Interessa é que os países continuem a emitir dívida mas a um nível sustentável, não vá a renda de muitos senhores ficar em risco devido ao incumprimento…

Perante isto, a Standard and Poor’s, uma das três maiores e mais influentes agências de notação do mundo e braço armado do mercado financeiro, vem a terreiro dizer que de nada vale ao governo inventar formas de mascarar o défice de 2010 (com o fundo de pensões da PT), dizendo:

“A transferência do fundo de pensões da Portugal Telecom (PT) para o Estado não será contabilizada no nosso método. Como tal, esperamos que o défice de 2010 se aproxime de 8,8% do PIB, bem abaixo do objectivo de 7,3%”

Ou seja, o défice é remendado à última da hora à custa de obrigações que só se terão de cumprir lá mais para a frente à custa do Zé Povinho e em benefício de uma empresa portuguesa que este ano fez o maior negócio em Portugal e não pagou um único tostão de impostos pela transacção, recorrendo a “engenharia financeira”, vulgo “xico espertismo” ou “vigarice”, e os mercados irão continuar a cobrar-nos juros altíssimos pela compra de dívida nacional.

Jean-Claude Trichet, o governador do Banco Central Europeu, ficou muito aflito com as contas dos Portugueses e com medo que a torneira se fechasse e colocasse os credores em pânico, deslocou-se a Portugal em Junho “para reforçar a importância da disciplina orçamental”.  Afinal de contas, para que foi aquela palhaçada do ministro das finanças na Assembleia da República a perguntar à oposição onde é que ele devia cortar na despesa, se já tinha o trabalho de casa todo feito e as cópias bem transcritas e sem erros para mostrar ao professor?

E para completar o ramalhete, o FMI já se começa a preparar para o que aí vem como quem se prepara para a vindima. Perante a guerra de divisas que se avizinha (e que será certamente abordada em futuros textos aqui na minha mOsca), o FMI movimenta-se para “reforçar o seu papel  na supervisão eficaz da economia mundial”, ou, lido de outra forma, para não perder o controlo assassino e destruidor que exerce sobre as economias dos seus 187 membros, e adaptar-se ao abanão que o tabuleiro financeiro e económico irá sofrer. FMI, recordo, que é uma organização onde só os Estados Unidos têm poder de veto. Tudo muito honesto e democrático, portanto.

Posto isto, pergunto: “Alguém ainda acredita que aqueles que são eleitos pelo povo representam o povo?”

Notícia no Público: FMI dá novos passos para reforçar poderes de supervisão e controlo das economias

Notícia no Sapo Económico: Défice seria de 8,8% sem o fundo de pensões da PT

Notícia na Sábado: Páginas 58 e 60 da edição de 7 a 13 de Outubro

Artigo na minha mOsca: Soberania, BCP e Grécia

Os Passos Estão a Ser Dados…

Alemanha acelera e PIIGS marcam passo. Os EUA são apontados como o modelo a seguir pela  Europa.

Há quase um mês escrevi no post Um Dia Portugal Será uma Província Alemã (Muito Grave) que as ideias da Alemanha e dos líderes da Comunidade Económica Europeia eram tudo menos acções com bom fundo.

Passado esse tempo os resultados das economias europeias e as pressões que se começam a fazer sentir na política da Europa são apenas confirmações dos resultados da “secreta” reunião que Alemanha e França e mais uns quantos “bananas” tiveram…

O primeiro sinal é que a Alemanha é a grande vencedora da crise europeia, tal como já era esperado, às custas das economias dos PIIGS. Começa a ser cada vez mais claro o porquê de tantos entraves dos alemães à resolução da crise europeia – levaram as economias periféricas até ao seu limite e agora estão a capitalizar isso. O maior crescimento desde a reunificação das duas Alemanhas é sinal patente de que as medidas que têm vindo a ser adoptadas no seio da Europa só beneficiam os Estados que menos benefícios precisam. É a lei do mais forte, dizem alguns… eu digo que é a lei dos “bananas” que nos governaram e governam…

Depois temos o acentuar da mirabolante e perigosa pressão sobre o federalismo europeu.
Para quem não sabe o que representa o federalismo:
– Portugal, e todos os países da Europa, deixam de ser países de direito, passando a serem geridos política e financeiramente pela elite da Comunidade Económica Europeia.
– O seu voto passará apenas a ser um pró-forma, pois as posições de verdadeira decisão na Comissão europeia não estão sujeitas a escrutínio público, são cargos ocupados por escolha entre pares.

Eu amo o meu Portugal e custa-me vê-lo a ser vendido às postas pelos “bananas” que nos governam!
Se essa venda ainda trouxesse benefícios para o país, ainda vá-lá que não vá. Agora como podemos constatar é que os países periféricos de uma Europa gerida pelo poder financeiro do bloco central, Alemanha e França, será sempre uma Europa tratada em termos depreciativos como PIIGS (Porcos), os quais na sua essência servem “apenas” para escoar os produtos que são produzidos por essas economias.

É das crises que se alimentam os perversos. É nelas que eles mais facilmente conseguem plantar as sementes da ganância e da traição. É delas que eles se empanturram. É com elas que nascem os tiranos…

Não esquecer: Federalismo é igual à perda da soberania

Eu não quero ser alemão, nem só europeu, eu sou um português da Europa!

Notícia do Diário Económico – Berlim liga o turbo e PIIGS marcam passo, zona euro cresce 1%
Notícia do Diário Económico – Orçamento federal divide União Europeia
Notícia do Diário Económico – Trichet quer federalismo orçamental na Europa

Como o Euro é um Fardo (Actualizado)

Como uma moeda única pode ferir as nações mais pequenas.

Foi revelado um estudo que expõe as dificuldades de uma moeda única para os países com economias mais pequenas chamado “Avanços na Macroeconomia Internacional – Lições da Crise” de Stephanie Schmitt-Grohé e Martín Uribe da Universidade de Columbia:

“Enfrentam enormes custos em termos de desemprego e riqueza, principalmente em tempos de dificuldades económicas.”

in The Wall Street Journal

Gostava de salientar a frase “(…) principalmente em tempos de dificuldades económicas“. Isto quer dizer que mesmo em tempos de crescimento económico a tendência será para o agravar destes dois indicadores, volto a demarcar novamente “(..) principalmente em tempos de dificuldades económicas.
Isto é uma afirmação que põe a nu uma realidade que não nos é relatada, e muito menos é levada em conta pelas instituições políticas a quem o Zé Povinho cede o poder de decisão.

Os números apresentados nesse estudo são:

“Um aumento do desemprego de 1,2% a 7,1% acima da taxa de desemprego «natural»” e “um decréscimo de 0,4% a 4,8% do poder de compra quando comparado com uma economia de um país com uma moeda própria.”

in The Wall Street Journal

Não sei se compreendem qual a extensão destes números, mas para mim é apenas mais um sinal de que os conceitos económicos actuais são sempre em benefício dos mais fortes e “destruição” dos mais fracos. Dentro deste prisma Portugal e o seu Zé Povinho virá sempre a ser vítima das ânsias de mercado, onde o livre comércio e a livre circulação de bens se sobrepõem às razões do bom senso, e onde uma moeda (euro) única é benéfica apenas no curto prazo e prejudicial a longo/médio prazo…

Será que o euro como moeda é realmente positivo para uma economia como a portuguesa?

Actualização:
Talvez agora se consiga compreender melhor as palavras de Jean-Claude Trichet, Presidente do Banco Central Europeu, que diz:

“Crescimento da Zona Euro deve continuar «moderado» e «desigual»”

In Oje

Notícia do Wall Street Journal – How Currency Pegs Hurt Small Nations
Notícia do Oje – Crescimento da Zona Euro deve continuar “moderado” e “desigual”, diz Trichet

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