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Monstrosanto

Ouvimos constantemente uns quantos a falar que o mundo está cheio de “doidinhos” pelas teorias da conspiração. Que esses “doidinhos” encontram fantasmas em todo e por todo o lado. Que veem monstros em todos os recantos que as elites habitam. Portanto, talvez o texto que se segue venha a ser conotado como “doidinho” pelos mesmos que de “doidinhos” dizem nada ter. Talvez lá para o fim do texto se consiga estabelecer então quem são realmente os mais doidinhos; se os auto-intitulados sãos, ou os conotados como menos sãos.

Monstrosanto

Nos últimos tempos de notícias presentes no minha mOsca uma captou fortemente a minha atenção, uma que ao mesmo tempo senti ter passado quase sorrateiramente pela esmagadora maioria das pessoas, e uma que poderá estar a preparar o futuro para os habitantes da Europa e dos Estados Unidos, mas não só.

Na segunda feira, o Presidente Barack Obama e o primeiro ministro David Cameron comprometeram-se a perseguir um acordo de comércio alargado entre os Estados Unidos e a União Europeia
Huffington Post

Até aqui aparentemente nada de especial para talvez as pessoas comuns; um encontro para debater acordos de comércio. Mas a mim fez disparar os meus alarmes internos: “Por que raio mais um acordo de comércio entre a Europa e os Estados Unidos se já quase não existem barreiras comerciais entre os dois portentos da economia mundial?” O que estariam eles a preparar quando já quase nada mais há para harmonizar entre os blocos separados quase apenas pelo oceano Atlântico?

Como as tarifas são já baixas ou inexistentes, o acordo centrar-se-á sobre as regulações de mercado. […] a inclusão de novos poderes políticos para as empresas protegendo-as por um processo controverso conhecido por “resolução de disputas entre investidor-estado”. […] A resolução investidor-estado fornece às empresas o poder político para apelar das leis e regras de um governo num tribunal internacional.
Huffington Post

Ah, poderes políticos para que as corporações possam colocar em tribunal os países que tenham leis que coloquem em causa os seus já mais que avantajados lucros.

Os grupos de defesa do interesse público dizem estar preocupados que um sistema de resolução investidor-estado entre os Estados Unidos e a UE venha a permitir que as empresas comparem padrões regulatórios de diferentes países, e processem o país com as regras mais fortes. As leis de segurança alimentar na UE, por exemplo, são mais robustas que as dos Estados Unidos
Huffington Post

Agora, e antes de mais, é conveniente salientar que nos andam a vender – os políticos e interesses instalados – este novo acordo comercial entre os principais centros do poder democrático no mundo como uma lufada de ar fresco para a economia mundial, para a economia da Europa e para a economia dos Estados Unidos.
Acho que depois de lermos o pequeno excerto acima do texto presente no Huffington Post ficamos todos a entender o que significa essa lufada de ar fresco, ou será que ainda sobrarão uns quanto auto-intitulados sãos que não conseguem ver para além da caixinha em que alegremente colocam a sua cabecinha?
Para eles fica uma pequena explicação.
Que benefícios trará esse novo acordo a Portugal, Espanha, França, Alemanha, Estados Unidos, etecétera, se basicamente quase a única coisa que ainda é passível de harmonizar são as regras/leis independentes que cada país tem – e deve ter – para garantir a sua identidade cultural, social, económica e territorial? Que benefícios? Alguns? Algo?
Sim existem, os benefícios serão quase exclusivamente para as grandes multinacionais que poderão dessa forma colocar país a país em tribunal de forma que dentro do espaço territorial do acordo estabelecido todos os países tenham de moldar as suas leis às do país que tenha as leis que mais agradam a essas multinacionais. BINGO!!! Melhor que um jackpot num casino, talvez até mesmo melhor que dois jackpots seguidos, pois isso nem é uma aposta, é uma vitória sem risco e sem suor, dada de mão beijada pelos políticos de uma Europa que nos diz trabalhar pelos europeus e para os interesses europeus. É verdade, trabalham quase exclusivamente em defesa dos interesses das multinacionais ditas europeias, aquelas que pagam impostos, quando pagam, num qualquer paraíso fiscal, que se calhar já nem sede têm na Europa, algures numa ilhas nas Caraíbas.
Talvez esteja na altura –  se é que já não é demasiado tarde para inverter o caminho sem derramar sangue – daqueles que ainda acham ser sã a defesa deste tipo de argumentos como garantia de um futuro melhor para os seus e para todos os outros começarem no mínimo a coçar na sua consciência.

“Às empresas não deve ser permitido que processem o meu país de forma a destruírem as leis que elas não gostam”.
Huffington Post

É esta a democracia que desejam? É este o futuro que almejam para os vossos filhos e netos? É esta a justiça e equilíbrio mínimo para a vivência em sociedade? Desejam que interesses não democráticos possam decidir o que é melhor para a sociedade? Se não, então começa a ficar tarde porque estamos quase a entrar no ponto sem retorno, e continuar sentadinho à espera de milagres só vos vai trazer dissabores, e dissabores cada vez mais violentos, na verdadeira acepção da palavra.

E como iniciei este texto a escrever sobre os “doidinhos” das teorias da conspiração, quais são os interesses que com mais força estão a tentar impulsionar este acordo transatlântico?

o Departamento de Estado conduzia negociações fora das vistas que não parecem fazer avançar a democracia nem os ideais americanos – em vez disso, encontrou evidências de lóbie usado para fazer avançar a agenda de empresas norte-americanas prósperas que já compraram a aprovação de grande parte de Washington.
RT

O grande mercado que ainda está por ser amplamente aberto aos interesses das multinacionais americanas, e não só, é o da agricultura na Europa.

“Os esforços do Departamento de Estado impõem os objectivos políticos das maiores empresas de biotecnologia de sementes em governos ou públicos frequentemente cépticos ou resistentes, e exemplifica a diplomacia corporativa debaixo de um véu”
RT

E assim chegamos até ao ponto que dá título a este texto, chegamos até à Monsanto, mais concretamente até à Monstrosanto. Podia escrever um texto dedicado apenas à descrição daquilo que representa a Monsanto, mas a informação está já tão amplamente disponível que farei apenas uma breve introdução à tecnologia, porque infelizmente o mal não fica cingido apenas pela Monstrosanto, ele é encarnado também – e não só – pela Syngenta (Suíça), Bayer Crop Science (Alemanha), DuPont (EUA), Groupe Limagrain (França), Land O’ Lakes (EUA), KWS AG (Alemanha), Sakata (Japão), DLF-Trifolium (Dinamarca), Takii (Japão) [As 10 maiores empresas de sementes transgénicas no mundo].

Mais de 800 cientistas no mundo estão de acordo: As culturas transgénicas são uma guerra biológica sobre os nossos alimentos
Natural News

É este o mercado que está a impulsionar, poderei até escrever pagar aos políticos para que o acordo de comércio – quer dizer, o acordo de desregulamentação na Europa, atinja os seus desejos; igualdade de leis entre as existentes nos Estados Unidos – quer dizer, igualdade entre a não existência de leis nos Estados Unidos e nos países da Europa.

O Senado dos Estados Unidos decidiu que pura e simplesmente não quer que os Estados possam dizer às pessoas se estão ou não a comer alimentos transgénicos.
Huffington Post

É isto que está a ser cozinhado, o não direito a ter direito de democracia sobre o que cada população deseja para a sua vida, a imposição dos desejos das grandes multinacionais sobre as populações, a destruição dos estados soberanos para defesa dos lucros de uma mão cheia de indivíduos no mundo.
É isto que desejam para o vosso futuro, não “doidinhos”? Então força, a forca ser-vos-á aconchegada de mão beijada.

Outro dos pontos que gostava de aqui salientar é: “Alguém viu, leu, ouviu por aí referências nos meios de comunicação para as massas em português às manifestações que aconteceram um pouco por todo o mundo contra a Monstrosanto? Não?
Porquê tamanho silêncio? Não nos é constantemente dito que os nossos meios de informação são livres, imparciais e limpos? Silêncio pago?

Convocado pelo movimento “Marcha Contra a Monsanto”, teve uma adesão estimada de 2 milhões de pessoas que participaram no Sábado no massivo evento que se estendeu a seis continentes, 52 países e pelo menos 48 Estados norte-americanos.
RT

Como podem ver o silêncio nos meios de comunicação para as massas foi no mínimo desproporcional ao tamanho e efectividade do movimento. Foi preferível encher parangonas atrás de parangonas com a contestação ao casamento homossexual em França, como se esses movimentos tivessem tido 2 milhões de pessoas como participantes. “Como são belos os nossos meios de comunicação”!

Quase a chegar ao fim, gostava de citar uma das notícias que saiu no minha mOsca, notícia essa que os auto-intitulados sãos chamam “doidinhos” a quem já não cai na lengalenga que à força as elites nos tentam vender:

Algumas pessoas começaram a perceber que existem grandes grupos financeiros que dominam o mundo. Esqueçam as intrigas políticas, conflitos, revoluções e guerras. Eles não acontecem por acaso. Há muito que tudo está planeado. Alguns chamam a isto “Teorias da Conspiração” ou Nova Ordem Mundial. De qualquer forma, a chave para se conseguir entender os eventos políticos e económicos actuais está confinada num punhado de famílias que acumularam poder e riqueza. Estamos a falar de 6, 8 ou talvez 12 famílias que governam o mundo. […] não estaremos muito longe da verdade citando o Goldman Sachs, os Rockefellers, os Loebs Kuh e Lehmans em Nova Iorque, os Rothschilds de Paris e Londres, os Warburgs de Hamburgo, Paris e os Lazards de Israel e os Moses Seifs em Roma. […] Resumindo: as oito maiores empresas financeiras norte-americanas (JP Morgan, Wells Fargo, Bank of America, Citigroup, Goldman Sachs, U.S. Bancorp, Bank of New York Mellon e o Morgan Stanley) são 100% controladas por dez accionistas e temos quatro empresas presentes em todas as tomadas de decisão: BlackRock, State Street, Vanguard and Fidelity.
Pravda

Talvez seja demasiado fechar com este tipo de informação, mas ao mesmo tempo como é que seria possível acontecer o que está uma vez mais a ser planeado num chamado acordo de comércio transatlântico sem que houvesse um poder tão forte que conseguisse impor lógicas que não têm lógica social absolutamente nenhuma?
Quem serão os donos dos fios que comandam a marionetas?
Quem serão os “doidinhos”?

Os Limites do Crescimento

Hoje vou começar pelo fim…

Desde o final da Segunda Guerra Mundial que o mundo tem vivido sobe a égide do crescimento, do PIB. Tem sido quase uma corrida contra o tempo a ver quem conseguia crescer mais e mais depressa – uma loucura. O crescimento passou a ser sinónimo, nas folhas de cálculo dos economistas e nas análises dos políticos, de felicidade e de bem-estar, de riqueza e de prosperidade. Era muito bom que tais cálculos ou análises se baseassem num mundo sem fronteiras, sem barreiras e ilimitado. Mas não o é. O mundo em que vivemos é esférico, tem barreiras, tem fronteiras e é limitado. Logo aqui são colocados em xeque os cálculos do necessário crescimento eterno para sustentar um sistema económico que não está desenhado para encontrar limites.
O crescimento que nós como sociedade temos vivido neste mundo desde a década de 1940 – em média aproximadamente 4,5% ao ano – foi um crescimento que assenta as suas bases numa fórmula matemática que foge ao entendimento da maioria do comum dos habitantes deste planeta; O crescimento exponencial.
Vou tentar explicar isso de forma o mais simplista possível.
– Uma taxa de crescimento de 4,5% em média por década significa que a cada 15 anos o mundo está a consumir aproximadamente o dobro daquilo que consumia há 15 anos de modo a conseguir alimentar esse crescimento – mais petróleo, mais carvão, mais matérias-primas, etc.
– Agora imagine que todos os recursos disponíveis no planeta equivaliam a 100.
– Imagine que na década de 1940 o consumo de recursos no planeta equivalia a 4.
– 15 anos depois, 1955, com o mundo a crescer 4,5%, o consumo de recursos no planeta equivalia a 8.
– Passados outros 15 anos, 1970, com o mundo a crescer 4,5%, o consumo de recursos no planeta equivalia a 16.
– Mais 15 anos, 1985… equivalia a 32.
– Mais 15 anos, 2000… equivalia a 64.
– Mais 15 anos, 2015… equivalia a 128.
(P.S: Uma explicação mais aprofundada do crescimento exponencial está no artigo O Petróleo, a Economia e os 7%)
Mas se este nosso mundo “imaginário” só tem 100 para servir de recursos, como então se adaptarão os cálculos e análises do crescimento, do PIB,  a um número que devia ser 128 para sustentar o tão necessário crescimento que serve de sustento a este sistema económico?
Pois é, pois é… as fronteiras, as barreiras e as limitações existem e estão sempre presentes no nosso mundo real.
Não poderá estar já actualmente o  nosso mundo a chocar de frente com as reais fronteiras, as barreiras e as limitações de um mundo que é esférico e não ilimitado?

Richard Heinberg:

A maré do crescimento económico que nos tem banhado desde a Segunda Guerra Mundial, poderá estar finalmente a perder força. Para os políticos e para a maioria dos economistas, é o mesmo que se dizer que o céu está a cair sobre as nossas cabeças. O crescimento tornou-se o guia e o Santo Graal, o sine qua non da existência económica. (…) o crescimento do PIB é impossível de sustentar a longo prazo, porque vivemos em um planeta com recursos naturais limitados. (…) No mundo “real” da política e da economia, questionar o crescimento é como questionar a gasolina numa corrida de fórmula 1. (…) À medida que as indústrias extractoras foram consumindo o produto que estava mais à mão no mundo do petróleo, carvão, gás natural e outros minerais, e se viraram para qualidades inferiores e, consequentemente para minérios e combustíveis mais dispendiosos, os gestores da economia tentaram preservar o crescimento acumulando dívida com a enganadora crença de que é apenas o dinheiro que faz a economia carburar, não a energia e as matérias-primas. (…) Com tanto os recursos energéticos como o crédito esticados ao limite, significa que poderá simplesmente não ser possível mais crescimento económico nos Estados Unidos e na Europa, independentemente da nossa opinião sobre o assunto. Se os políticos não reconhecerem isto e continuarem a assumir que a actual crise da dívida é apenas outro ciclo normal, então poderemos perder as oportunidades que ainda nos restam para tentar evitar um crash que poderá deixar a civilização de joelhos.
In The Guardian

Neste texto é-nos dito que a nossa sociedade já chocou de frente com os limites do planeta e que esses limites têm sido “escondidos” artificialmente nas contas do crescimento do mundo, no PIB, através da injecção de mais e mais dívida no sistema de forma a tentar encontrar um caminho para uma equação matemática que não levou em consideração limites aquando da sua criação, fórmula que serve de análise à felicidade ao bem-estar, à riqueza e à prosperidade… querem-nos fazer querer, nem que seja à força da mentira.
Qual está então a ser o caminho que os economistas e os bananas [políticos] estão a defender?
Abordar o problema central que afecta o sistema económico -barreiras ao crescimento, ou injectar mais dívida no sistema?

“O Banco do Canadá, o Banco da Inglaterra, o Banco do Japão, o Banco Central Europeu, o Federal Reserve americano e o Banco Nacional Suíço anunciaram hoje medidas coordenadas para ampliar sua capacidade de proporcionar liquidez ao sistema financeiro mundial”, anunciou o BCE.
In AFP

Pois é, pois é…
E então se lermos isto?

«Hoje, o Banco do Canadá, o Banco de Inglaterra, o Banco Central Europeu, a Reserva Federal, o Banco do Japão e o Banco Nacional da Suíça vêm anunciar uma medida coordenada que intenta aliviar as continuadas e elevadas pressões sobre o dólar americano nos mercados de financiamento.»
In Independet.ie

Não, não me enganei e coloquei uma repetição da mesma informação.
Ora, leiam:

Isto foi o que os bancos centrais fizeram ontem mas o testemunho acima foi feito a 18 de Setembro de 2008. Já aqui estivemos.
In Independet.ie

Pois é, pois é… deja vu.
A solução avançada esta semana como sendo a “solução” é nada mais nada menos a mesma “solução” que foi avançada como a “solução” final há três anos. Mesmo que esta “solução” funcione, quantos mais anos acham que ela irá ser solução?

«Desta forma, tal qual viciados, só estamos a comprar tempo. E sem a essencial terapia, só estamos a tornar o tratamento e a recuperação cada vez mais difícil»
In Der Spiegel

Pois é, pois é…
“Solução”? Terapia?
Mas analisemos então a qualidade da “solução” avançada pelos casinos centrais do nosso mundo.

A liquidez do mercado interbancário secou esta madrugada e os bancos tiveram de se socorrer dos empréstimos disponibilizados pelo BCE.
In Jornal de Negócios

Dois dias depois da grande “solução”, eis que o caso se torna ainda mais grave. Estas “soluções” diabólicas avançadas pelos mestres dos casinos com o apoio cego dos bananas e a anuência pela ignorância, ou pela preferência da irrealidade, dos Zé Esquecidos do mundo [povos], faz com que estas “soluções” só agravem o problema e não resolvam absolutamente nada de nada, bem pelo contrário. E quanto mais tempo os Zé Esquecidos continuarem cegamente esquecidos, o seu futuro irá continuar, dia-após-dia, a ser-lhes roubado em virtude de tal cegueira.

O Painel de Avaliação dos Auxílios Estatais da Comissão Europeia (CE) revelou, esta quinta-feira, que “o apoio nacional a favor do sector financeiro de que os bancos efectivamente beneficiaram no período compreendido entre Outubro de 2008 e 31 de Dezembro de 2010 ascendeu, no total, a cerca de 1,6 biliões de euros”, o que corresponde a 13% do PIB comunitário.
In Jornal de Negócios

Por acaso aqueles que ainda têm preferência em acreditar na irrealidade, ou os que desejam ardentemente continuar na ignorância, já pensaram que a crise dos periféricos e as medidas de austeridade adoptadas possam ser “apenas” fruto para dar frutos para alimentar os biliões de euros que estão a ser dados aos casinos que moram na Europa? Já sequer colocaram isso em questão?
Não?

O empenho foi tão grande que o Governo conseguiu transferir o fundo de pensões da banca mais do que uma vez. Transferiu-o uma vez e meia: uma para cá, meia para lá. (…) Não perca o fio à meada: seis mil milhões dos actuais pensionistas da banca estavam aplicados, “a render”, para pagar as pensões ao longo da sua velhice. Esse valor foi transferido para o Estado, em dinheiro vivo e em títulos de dívida pública. A dívida pública eventualmente consolidará (o Estado deve a si mesmo, logo abate a dívida pública); o dinheiro… será gasto. Entra por uma porta e sai pela outra. Voltando à casa da partida: ao banco.
In Jornal de Negócios

Provavelmente esta informação ainda não chegará para que os preferencialmente irrealistas desejem avançar um pouco mais no seu entendimento. Tal como em muitas coisas da nossa vida, há os que precisam primeiro que a casa lhes cai em cima para conseguirem entender que a sua estrutura tinha sido montada sobre mentiras.
E preparem-se, porque tal como em 2008, depois dos casinos centrais do mundo terem avançado para “salvar” o mundo, o mundo dos Zé Esquecidos poderá novamente vir a ser capitulado para salvar casinos que estão a ser “salvos” pelos casinos centrais do nosso mundo. Confuso? Pois é, pois é… é que os casinos centrais do mundo não salvam absolutamente nada, quem é chamado à salvação é o dinheiro dos contribuintes, dos Zé Esquecidos!
E para que tal afirmação não passe de forma ligeira:

Os bancos britânicos poderão vir a pedir mais dinheiro aos contribuintes.
In The Telegraph

Preparem-se que em breve voltaremos a ver o filme que já vimos há uns anos atrás, com as mesmas pieguices, choradeiras e clamores de fim do mundo. Aos que desejam continuar esquecidos e como parte adormecida do Zé Esquecido, desejo um bom assalto à vossa carteira e ao vosso futuro. O problema é que sendo poucos os que já acordaram para as mentiras, também eles terão de pagar pela cegueira amada dessa maioria surda do Zé Esquecido. Enfim, é característica da nossa espécie… a estupidez…

O défice de emprego global atingiu 64 milhões este ano, e serão necessários pelo menos quatro anos para regressar às taxas de emprego pré-crise de 2008, se o crescimento económico global continuar anémico, alertou hoje a ONU. (…) “Três anos depois do desencadear da Grande Recessão, a persistência do elevado desemprego continua a ser o calcanhar de Aquiles da recuperação económica na maioria dos países desenvolvidos”, refere o relatório.
In Destak

Calcanhar de Aquiles, o desemprego. “Soluções” avançadas em 2008 que levaram ao aumento do desemprego. Desemprego que está a conduzir a economia global para a recessão. “Solução” avançada em 2011 para resolver os problemas da economia mundial? A mesma aplicada em 2008 que piorou a situação em quase todos os vectores económicos. Pois é, pois é… daqui a três anos estaremos a falar do quê?
Pois é, pois é… austeridade…

A desigualdade aumenta quando os países usam os cortes nos gastos (…)
In Huffington Post

Vem aí mais austeridade para reduzir os efeitos da massiva injecção de dinheiro fiduciário (papel) no sistema e dessa forma controlar aquilo que poderá vir a ser inflação descontrolada pelo mundo fora. A austeridade está a servir de medida de controlo da inflação e não para controlo das despesas públicas dos estados, pois austeridade conduz ao aumento dos défices…

Como podem os países esperar superar a crise quando retiram dinheiro da economia através de mais impostos, quando mais dinheiro é retirado da economia através dos cortes nos gastos públicos e ainda quando mais dinheiro é retirado da economia pela redução dos salários e dos benefícios fiscais?
In Pravda

Pois é, pois é… E os que ainda acreditam na história da carochinha de que tais medidas são vitais para a sobrevivência do seu país, gostava de os relembrar do valor já colocado neste texto – a Europa até 2010 já DEU aos casinos que moram na nossa Europa 1,6 biliões de euros. A quem andam a tirar para poderem dar aos queridos amados meninos dos bananas? A quem?
Pois é, pois é…
E para os que preferem continuar a acreditar na irrealidade, ou para os que preferem continuar mergulhados na ignorância:

Contra factos não há argumentos e nem as agências de rating conseguem ignorar os efeitos positivos das decisões políticas. «A economia da Islândia está a recuperar das falhas sistemáticas dos seus três maiores bancos e voltou a um crescimento positivo depois de dois anos de contracção severa», disse esta semana a Standard & Poor’s, depois de ter subido o rating do país para BBB/A-3 (a Fitch mantém a Islândia com rating “lixo”). Das consecutivas decisões que o país foi tomando – e que continua a tomar – desde 2008 que não há vítimas a registar, a não ser os banqueiros e políticos que levaram à crise da dívida pública.
In Jornal I

Pois é, pois é… talvez também ainda não chegue para que quem deseja continuar agarrado com unhas e dentes à irrealidade consiga ver que nem sempre o que nos dizem ser a visão perfeita o é na realidade. E para aqueles que preferem nem saber, então fiquem a saber que a vossa desconexão e afastamento consciente ou inconsciente da realidade vos torna culpados por omissão da provável morte da vossa tão amada sociedade construida de ignorância.
Pois é, pois é… e voltando ao início que foi aqui anunciado como sendo o fim…

(…) a longo prazo irá indubitavelmente existir vida depois do crescimento, e não terá de significar que se desenrolará em condições piores. Com menos energia para alimentar a globalização e a mecanização, deverá acontecer um crescendo na procura da produção local e no trabalho manual. Poderemos conseguir suprir as necessidades básicas de todos dando prioridade ao trabalho na indústria transformadora e na agricultura, enquanto diminuímos as indústrias financeira e militar. Também teremos de reduzir as desigualdades económicas e a corrupção (…) Enquanto fazemos essas coisas, teremos de reformar a economia para reflectir a realidade ecológica: a Natureza, ao fim ao cabo, não é apenas um monte de matérias-primas à espera de serem transformadas em produtos e depois em desperdício; bem pelo contrário, a integridade dos ecossistemas é uma pré-condição para a sobrevivência da sociedade. (…) Existe luz ao fim do túnel. Se nos focarmos a melhorar a qualidade de vida em vez de aumentarmos a quantidade daquilo que consumimos, poderemos vir a ser mais felizes mesmo que a nossa economia regrida até se estabilizar dentro dos limites da Natureza. Mas é improvável que transpire um futuro benigno se todos continuarmos a viver num mundo de faz-de-conta onde o crescimento não conhece limites, onde a dívida pode ser paga com mais dívida e onde se assume que os recursos naturais são eternos. Os alarmes estão a soar. Acordem para a economia do pós-crescimento.
In The Guardian

Conclusão:
O crescimento cresce de ar feito de nada… de dinheiro que é dado a uns retirando a quem menos tem… num mundo de cegos conscientes e de conscientes na ignorância… consciência de nada que não conduz a nada de bom… entre mártires da cegueira e cegos na destruição… o mundo avança imparavelmente para um momento de decisão…
Ou abrimos os olhos ou então deixaremos de ver… futuro.

As Últimas Fronteiras

O nosso mundo está a chegar até às últimas fronteiras… às fronteiras económicas, às fronteiras sociais, às fronteiras alimentares e às fronteiras energéticas. Todas estas fronteiras foram durante este último século da nossa civilização sendo protegidas pela abundância de energia barata e acessível no planeta. Mas agora este mundo começa a ter de lidar com o facto de já não conseguir providenciar energia suficientemente barata, em quantidade e acessível para assegurar os pilares que estruturaram este planeta em que vivemos. Estaremos já hoje a olhar para um passado que já o terá sido?
Quase todos os dias somos bombardeados com informação de que existem soluções e que essas soluções servirão para cobrir o que iremos perder nos próximos tempos, e que ainda por cima essas soluções irão ser melhores para o planeta e para a vida… por consequência, então não nos teremos de preocupar com o futuro porque ele já está assegurado neste presente. Mas será isso realmente real?

Vivemos num sistema económico-social quase totalmente dependente do petróleo – para além do carvão e do gás natural… petróleo que, ficámos este ano oficialmente a saber, atingiu o seu pico de produção em 2006. A qualidade do petróleo por extrair continua a decair, as reservas descobertas nas últimas décadas não cobrem nem de perto o nível de quebra na produção, a extracção é cada vez mais onerosa e tecnicamente mais difícil. Isto é uma realidade sentida e vivida por todos nós no dia-a-dia nos preços do bens que consumidos e na energia que necessitamos.
As principais soluções para tentar suprir essa diminuição na oferta do petróleo chegam-nos através das renováveis, segundo nos querem fazer crer.
Mas quanto disso é realidade, quanto é fantasia e quanto é insensível mentira?

“Há dois anos, pesquisadores das Nações Unidas afirmavam que custaria «no máximo 600 mil milhões de dólares por ano durante a próxima década» para se conseguir efectuar a transição para as energias verdes. Agora, um novo relatório das Nações Unidas mais que triplica esse valor para os 1,9 biliões de dólares por ano durante 40 anos. Por isso vamos fazer as contas: Isso representa um total de 76 biliões de dólares, durante 40 anos — ou mais do que cinco vezes o produto interno bruto dos Estados Unidos (14,66 biliões por ano). Isto é parte de uma «remodelação tecnológica» «à escala da primeira revolução industrial»
In Fox News

Como está economicamente o nosso mundo?
Não muito bem, correcto?
O nosso mundo necessita de estar economicamente vibrante para conseguir levar a cabo uma revolução tecnológica como a que é exigida que ocorra nas próximas décadas, e 1,6 biliões de dólares de investimento por década, sem contabilizar a inflação, não me parece de todo viável actualmente, mas… o Homem por vezes consegue superar as dificuldades que lhe são impostas com muito engenho, mas… analisemos então se esse engenho está actualmente a conseguir superar as realidades económicas…

“Pesquisas demonstram que o investimento na Europa em renováveis caiu mais de 1\5 em 2010 enquanto nos países em desenvolvimento cresceu. […] No ano passado, o investimento nas renováveis cresceu mais de 1\3 para um recorde de 211 mil milhões de dólares, com um aumento significativo do investimento na China, principalmente em energia eólica.”
In The Guardian

Não! No mundo desenvolvido, que está a mãos com uma contracção da sua realidade económica, o tão indispensável investimento em renováveis está a acompanhar de perto as dores da economia e a contrair. Por outro lado, no outro lado do mundo, nas economias dos países em desenvolvimento, o investimento continua a acompanhar as vibrantes economias e a crescer. 1+1=2… economia em alta, investimento em alta, economia em baixa, investimento em baixa… uma lei económica deste sistema em que vivemos.
Qual o futuro que se apresenta mais provável para a economia mundial?
Como já tentei responder a isso noutros artigos recentes nem sobre tal me irei debruçar, apenas deixar aqui a ressalva que até mesmo as economias em desenvolvimento estão a começar a abrandar, e quando a economia abranda o mesmo acontece com o investimento… por isso, para o ano ainda teremos um crescimento no investimento nas renováveis ao nível do que se verificou em 2010 nas economias emergentes?
A resposta fica convosco…

Mas imaginemos que o mundo irá no futuro continuar economicamente a crescer sem sobressaltos… até que ponto é realmente viável o futuro de renováveis tal como nos andam a querer pintar?
Existe um ponto singular que é quase constantemente «banido» de todas as informações que nos chegam sobre o futuro das energias verdes… esse ponto é qual a abundância das matérias-primas que servem de base à tecnologia?

“Canada Lithium Corp. (CLQ), a construir uma mina no Quebec, afirmou que a oferta poderá ser inferior à procura global por volta de 2015, porque a China irá necessitar de mais baterias que contêm o metal. […] o país asiático planeia construir 5 milhões de carros eléctricos por ano, o que irá requerer a triplo da produção actual de lítio. […] A procura por lítio irá crescer para uso nos computadores portáteis e telemóveis, assim como para os projectos de energia eólica e solar que venham a incorporar baterias para armazenamento de energia”
In Bloomberg

Hmmm… não são lá muito abundantes, correcto?
O futuro já não parece ser assim tão azulinho e simples, correcto?
E vejamos, esta notícia só incorporou a China na sua análise. Qual será realmente a realidade do lítio para as tecnologias verdes e para as tecnologias de ponta?
A realidade é que não existe lítio para tudo, pelo menos não em quantidade de produção.
Das duas uma, um investimento enorme terá de ser feito na extracção e desenvolvimento de lítio de modo a acomodar a revolução verde que anda a ser apregoada aos sete ventos, e já no imediato o que iremos assistir é a um aumento do preço do lítio e consequente aumento de todas as tecnologias dependentes dele… tudo isto num mundo que não anda lá muito bem economicamente.

Ah, mas isso foca-se apenas num metal – lítio – e o engenho do Homem conseguirá contornar esse «pequeno» obstáculo, poderão alguns de vós afirmar. Concordo, mas infelizmente essa escassez é hoje em dia visível em quase todos os elementos raros do planeta, metais que dão vida a toda a revolução verde que este mundo necessita para conseguir sobreviver ao declínio do petróleo.
Ah, mas alguns de vós poderão indicar que mesmo há pouco tempo foram descobertas vastas quantidade desses elementos, o que é verdade, mas…

“Foram descobertos no fundo do oceano abundantes e ricos depósitos de materiais que são usados para construir a electrónica moderna, sugerindo que a China poderá perder o controlo apertado que mantém sobre a oferta mundial.
A China controla actualmente 97% da produção mundial de elementos raros e do metal yttrium, […] Conforme foi crescendo a procura pelos elementos, a China tem vindo a aumentar as taxas e colocando restrições às exportações. O preço dos elementos raros cresceu aproximadamente 700% na última década.”

In CBC

Num mundo que economicamente anda meio cambaleante, a solução para a produção abaixo do par de elementos raros no planeta é explorá-los nas vastas profundezas dos oceanos?!?!? O nosso futuro estará então dependente de um colossal investimento em tecnologia que ainda não existe, ou a existir é imensamente mais onerosa que a utilizada em terra, para explorar áreas que nunca foram exploradas e com condicionalismos ao nível – quase – da ida à Lua?!?!?!
Sabem, acho que tal só irá ser economicamente viável quando quase deixar de existir esses elementos à superfície do planeta e com isso muito do futuro das tecnologias verdes e de ponta fica dependentemente dependente de um futuro aparentemente muito pouco animador ou até mesmo parcialmente utópico quando aplicado à real realidade que as envolve.

Então que futuro nos espreita? Onde nos podemos agarrar enquanto sociedade e sistema económico?

“Uma guerra de trinta anos pelo domínio? Não se deseja tal coisa nem num planeta desesperado. Mas é para onde nos estamos a dirigir, e não existe como voltar atrás. […] Porquê 30 anos? Porque é o tempo que irá demorar para que os sistemas experimentais de energia como o hidrogénio, o poder das ondas, o combustível de algas e os reactores nucleares avançados passem do laboratório para um desenvolvimento em larga escala. […] Isto será uma guerra porque o lucro, até mesmo a sobrevivência, das corporações mais poderosas e ricas do mundo estará em risco, e porque todas as nações têm uma competição potencialmente de vida ou de morte. […] Quando passarem estas três décadas, tal como aconteceu com o tratado de Westphalia, o planeta terá muito provavelmente as fundações de um novo sistema de organização – desta vez em torno das necessidades energéticas.”
In The Guardian

Esta é uma visão muito mais negra quando comparada com o constante ribombar de soluções milagrosas que estão aí mesmo ao virar da esquina. Mas esta sociedade já não necessita apenas de esperança, tem é de começar a enfrentar a realidade de modo a conseguir devolver a esperança a um sistema económico-social que está décadas atrasado no estudo e desenvolvimento de soluções para contornar as dores que se advinham causadas pelo petróleo, pelo carvão e pelo gás natural. Este mundo deixou para o amanhã aquilo que já devia ter feito há muito, onde até mesmo as actuais soluções estão quase totalmente presas a matérias-primas que não conseguem suprir as necessidades! Chegou a hora de apertar o cinto e enfrentar a realidade, e a realidade é esta:

“A Rússia afirmou que vai entregar um pedido formal à ONU (Organização das Nações Unidas) no próximo ano para redesenhar o mapa do Ártico, ficando, assim, com uma fatia maior.”
In A Folha

Uma corrida às últimas fronteiras do planeta! Para além do fundo dos oceanos, o Ártico. Mas no Ártico não é em busca dos elementos raros é atrás do petróleo, atrás das últimas réstias de esperança para estender no tempo e encontrar tempo para desenvolver as tecnologias que actualmente são apenas paliativos quando perante o tamanho da montanha que terão de escalar.
Poderemos estar a assistir ao delinear de um retornar aos tempos da Cortina de Ferro, a um recrudescer das lutas por recursos, ao início de um início já muitas vezes visto na História desta sociedade humana?

“Os Estados Unidos estão a colocar-se ao centro do debate sobre o futuro do extremo Norte numa época em que estamos a assistir a uma nova «corrida fria» ao petróleo e minerais […] O movimento da marinha americana acontece depois da Rússia ter aumentado os testes balísticos com mísseis na região e a Noruega ter deslocado a sua principal base militar mais para Norte. […] Os interesses comerciais em competição no Ártico são complexos por falta de um acordo abrangente sobre quem é dono do quê.”
In The Guardian

O mundo já presenciou isto! Isto é um déja vu!
Um mundo em que as soluções verdes, renováveis, pouco mais possam ser que quase meros contos de fadas, ou apenas um pequeno alívio para algumas das elites vigentes, tal a sua limitada capacidade de acção, é o petróleo, ou o que resta dele – se é que por lá irão encontrar algo que seja realmente significativo – que continua a movimentar esta sociedade, este sistema económico e tudo o resto que ainda não passa de quase meras balelas sonhadoras num mundo que volta a trilhar um caminho verdadeiramente déja vu, em direcção a um possível escalar de tensões, para uma nova corrida aos armamentos, tudo isto em simultâneo com o mesmo mundo a entrar em verificável forte contração económica!
Alguns poderão estar achar estes últimos parágrafos um acentuado exagero, por isso:

“Com a missão canadiana de combate no Afeganistão a retroceder, os militares estão a preparar uma grande mostra de força no Alto Ártico […] «Tudo isto tem muito a ver com o alargar da nossa pegada numa permanente presença sazonal no Norte», afirmou o Sr. Mackay. «É algo que nós enquanto governo temos intenção de continuar a investir.»”
In The Globe and Mail

Enquanto a tecnologia verde, ou melhor, a tecnologia de substituição for apenas um paliativo, o mundo não irá investir realmente no seu desenvolvimento, irá continuar a tentar garantir o que neste último século garantiu a riqueza e poder das nações do mundo, o acesso ao petróleo. Poderemos estar perante o arrancar de uma nova página negra na História do Homem, com homens que se mantiveram cegos, surdos e mudos por opção enquando os conspiracionistas do passado, agora pessoas com a razão, avisavam sobre os potenciais perigos de se tentar esconder a todo o custo o futuro que era inevitável acontecer a uma sociedade que mais tarde ou mais cedo teria de dar de caras com a realidade. Agora a realidade poderá ser um desviar dos já de si parcos fundos para o imensamente atrasado desenvolvimento das mais que necessárias soluções para reduzir a dependência do petróleo para um aparatoso aparato militar que se começa a vislumbrar estar a começar a entrar em acelerada rotação.

Conclusão:
Pelo mar, pela terra e pelo ar, as esperanças destes homens sem visão são sempre soluções completas… mas na realidade estão quase sempre totalmente e completamente desfasadas do real… um real que poderá significar uma nova e irreal guerra… seja ela fria, ou um pouco mais quente… uma guerra que a sê-lo será uma guerra aberta ao futuro de um sistema sócio-económico já de si suspenso e com o futuro no limbo…
É no fundo do mar!!! É no Ártico!!! Grita de salvação esta sociedade!!! Mas a realidade é que nas últimas fronteiras só se costuma vislumbrar que o fim… fica mesmo bem ali ao lado…

Tsunami Nuclear

Agência de segurança nuclear exclui acidente tipo Tchernobyl. Reactores nucleares Mark1 levaram à demissão de cientistas da General Electric. Reguladores foram avisados dos riscos com os reactores. Japão foi avisado sobre perigo de sismos para as centrais nucleares. Escândalos e dúvidas na história da central de Fukushima. Temida a fuga de radiações e especialistas nucleares focam um possível encobrimento. Líderes japoneses deixam o povo no escuro. Organização Mundial de Saúde: não há risco fora do perímetro de segurança. O risco de radioactividade para Tóquio é limitado, mesmo no pior dos cenários: dizem especialistas britânicos. O acidente nuclear japonês é território desconhecido. NRC afirma que a piscina de combustível usado da unidade 4 perdeu uma massiva quantidade de água; Japão nega a conclusão. Helicópteros lançam água para evitar fusão. Operação com helicópteros fracassa e níveis de radiação seguem altos em Fukushima.

O mundo está assistir, quase em estado de letargia, aos acontecimentos no Japão, depois de um dos maiores terramotos já registados, seguido por um tsunami de dimensões épicas e agora com um desastre nuclear em desenvolvimento.
A noção que o Homem tem do seu mundo… que a tecnologia nos irá salvar, que o desenvolvimento é imparável, que conseguimos controlar a natureza, etc., é facilmente e totalmente rebatida em menos de nada, quando confrontados com a volatilidade deste nosso mundo . Esta realidade menos positiva é constantemente descartada da mente das pessoas, criando nelas a perigosa noção de que o amanhã irá ser sempre melhor que o presente. O pernicioso dessa noção é que as pessoas nem sequer chegam a colocar em consideração a preparação para um mundo que nem sempre trará um futuro melhor. Quem não o faz coloca todo o seu futuro nas mãos de uma esperança e não com base numa realidade.

Amanhã, ou depois, irei tentar contextualizar os problemas com que se debate actualmente o Japão e as suas implicações para a economia do nosso mundo. Hoje vou abordar os problemas que assolam o Japão analisando “apenas” o quadrante da manipulação de informação que tem sido factor recorrente desde que se soube que quatro centrais japonesas tinham sido danificadas pelo terramoto seguido de tsunami. Acho que esta abordagem poderá facilitar a compreensão da questão quando for analisada pelo lado económico e de futuro para o nosso mundo moderno.

Antes de avançar… há uns dias um amigo meu disse-me: “a tua análise é tendenciosa para o negativo”, ao qual respondi: “sim é, e propositadamente, porque tendenciosos são os nossos meios de comunicação social que conseguem quase inacreditavelmente dar espaço a esperanças em mais de 90% da informação que eles disponibilizam, mesmo que essas esperanças possam muitas das vezes ser falsas, colocando em causa a preparação das pessoas para um amanhã que poderá ser menos bom.”
De que vale às pessoas uma continuada informação de que as coisas irão continuar tal como estão sem solavancos para sua vida, quando comparado com uma informação que ajude as pessoas a preparar-se para algo que os poderá ajudar a contornar com menos dificuldades as esquinas que a vida lhes poderá colocar à frente?

Escrito isto… na segunda feira, 14 de Março, começámos a ser bombardeados com informação mais positiva do que demonstrava a realidade da questão dos problemas nas centrais nucleares japonesas:

“Não há absolutamente qualquer possibilidade de um Tchernobyl”, declarou o ministro Koichiro Ganba aos membros do Partido no poder, com base num relatório da agência [de segurança nuclear japonesa].
In Expresso

Esta informação assumiu a preponderância na forma como os meios de informação começaram a abordar os problemas nas centrais nucleares japonesas.
Poucos meios de informação no mundo se deram ao trabalho de verificar a fiabilidade de tal comunicado com muito pouco sumo de real informação, e escrevo isto dessa forma porque bastaram um par de dias para que tal fosse liminarmente posto em causa. O jornalismo não é nem pode ser apenas copy\paste das informações (ditas) oficiais, sob pena de se transformar num veículo de distribuição de informação tendenciosa.

E quando os meios de informação fazem realmente jornalismo, o que acabam quase invariavelmente por descobrir é que a versão (dita) oficial dos acontecimentos é tudo menos… verdade:

Há 35 anos, Dale G. Bridenbaugh e dois dos seus colegas da General Electric demitiram-se dos seus cargos depois de ficarem mais que convictos que o desenho do reactor nuclear que estavam a rever — Mark 1 — tinha tantas falhas que poderia conduzir a um acidente devastador.
In ABC

Portanto… as instituições responsáveis por controlar o nuclear já estavam cientes que havia probabilidades bem reais de tal de poder suceder.
Portanto… como ler então esta afirmação: “Não há absolutamente qualquer possibilidade de um Tchernobyl”?
Falsa e manipuladora, talvez?

“Os problemas que identificámos em 1975 foram, que ao desenharem o silo do núcleo, não levaram em consideração as cargas dinâmicas que podiam acontecer com uma perda no sistema de arrefecimento”, disse Bridenbaugh à ABC News. “As cargas que o silo conseguia suster desta rápida libertação de energia podiam destruir o silo e criar uma libertação incontrolável de radioactividade.”
In ABC

Hmmmm…. parece mesmo um relato fiel ao que está a acontecer no Japão… sem tirar nem pôr.

Os seis reactores nas centrais de Fukushima, que sofreram duas explosões, são reactores arrefecidos a água desenhados pela GE. Cinco são dos originais Mark1 e entraram em serviço entre 1971 e 1979.
in The Guardian

Acho que apenas munidos desta informação já teríamos informação suficiente para nunca dizer termos o descaramento de dizer descomplexadamente “não há absolutamente qualquer possibilidade de um Tchernobyl” e estar mais que preocupados em tentar afastar as pessoas do raio de acção destas bombas nucleares em potência.
Mas não, os meios de informação para as massas continuaram e continuam, em mais de 90% dos casos, a contar esperanças, a difundir informações (ditas) oficiais e a fazer muito pouco jornalismo… verdadeiro.

E Fukushima para os japoneses é sinal de mentiras e mentirosos, mas parece que para a maioria dos meios de comunicação é uma fonte segura que serve de sustento de grande parte das linhas que escrevem todos os dias:

No final de Agosto de 2002, a agência japonesa de segurança nuclear concluiu que, desde os anos 1980, havia uma prática sistemática de ocultar problemas detectados nas inspecções à central de Fukushima – incluindo fissuras nas estruturas dos reactores.
A Tepco admitiu tudo e desculpou-se publicamente, apenas para descobrir, um mês mais tarde, mais oito casos de omissão de informação sobre problemas nos tubos de circulação primária da central de Fukushima.
Em 2006, a empresa encontrou dados falsificados sobre a temperatura da água de refrigeração de Fukushima-Daiichi em 1985 e 1988. E em 2007, um sismo de magnitude 6,8 provocou um incêndio noutra central nuclear – Kashiwazaki Kariwa, a maior do mundo.
In Público

Portanto, os mesmos que mentiram constantemente no passado são agora a fonte das esperanças recorrentemente apresentadas nos meios de informação.
Haverá alguma lógica nisto para além do desejo de apresentar uma visão distorcida da provável realidade? Talvez… talvez…

Em Dezembro de 2008 a organização de vigilância internacional para questões nucleares fez saber ao Governo japonês que as regras de segurança das centrais nucleares estavam ultrapassadas e que sismos fortes poderiam ser um «sério problema», avança a edição online do The Telegraph.
In Sol

Ao juntarmos todos os problemas identificados há décadas; as mentiras e omissões recorrentes dos responsáveis, com a informação de que as centrais não estavam devidamente preparadas para lidar com terramotos, ficamos com? Ficamos com uma molhada de factores que nos dizem directamente que o futuro das centrais em causa tenderá a ser pior do que o que está a ser retractado em 90% das notícias presentes nos meios de informação para as massas.
Com que bases sustentam então os meios de informação essa tendenciosa noção que insistem transmitir? Que interesse?

Quando abrem espaço àqueles pouco menos de 10% de informação real, ficamos com isto:

Especialistas nucleares lançaram dúvidas sobre a fiabilidade das informações oficiais disponibilizadas sobre o acidente na central de Fukushima, afirmando que estas seguiam um padrão de secretismo e ocultação verificados em outros acidentes em centrais nucleares. “É impossível aceder às leituras de radiação,” disse John Large, um engenheiro nuclear independente que trabalhou para o governo britânico e que foi nomeado comissário da Greenpeace para o relatório do acidente.
“As acções do governo japonês são totalmente contrárias das suas palavras. Evacuaram 180 mil pessoas mas dizem que não existe radiação.
In The Guardian

Portanto… sustentam maioritariamente as suas afirmações num copy\paste desconexo da realidade apresentado pelas (ditas) fontes oficiais, que mais parecem fontes oficiais para a mentira, e raramente penetram em profundidade nas questões.
Fontes oficiais que pouco mais são que encobridores oficiais da verdadeira história:

(…) o povo japonês continua a esperar em vão por informação fiável sobre a possibilidade de fusão do núcleo e de instruções úteis sobre como se proteger. O que, por exemplo, deverão fazer as 30 milhões de pessoas que vivem na área metropolitana de Tóquio se no futuro Edano anunciar radiações elevadas?
O mesmo está a ocorrer com as instituições japonesas, que estão a confundir o público da mesma forma que o gabinete do Primeiro Ministro. Nessas está incluída a agência nuclear, NISA.
In Der Spiegel

E não são apenas as instituições japonesas e o governo japonês que estão a manipular a forma como a informação está a chegar até às pessoas, com a conivência do copy\paste dos meios de informação para as massas, pois as instituições e governos internacionais também por lá pululam no barulho ensurdecedor da manipulação de informação, nas mentiras:

A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que não há risco de radiação excessiva para a população japonesa que vive fora do perímetro de segurança em torno da central nuclear de Fukushima 1. Para já, também não existe risco fora do território japonês.
In Público

A Organização Mundial de Saúde a dizer tal barbaridade perante toda a informação que estava e está disponível? PARA JÁ não existe risco FORA do território japonês e no território japonês não existe risco para além da zona de exclusão?!?!?!
Podemos confiar nestes “monstros” que defendem quase exclusivamente interesses que não os das populações deste mundo?
VERGONHA!

Responsável das Ciências da Grã-Bretanha:

“Assumindo o pior dos cenários, acontecerá uma explosão”, disse. “Bem, isso é bem sério, mas será sério apenas para a área local. Não será um problema sério para outras áreas.”
Assumindo que os padrões de vento irão conduzir a radioactividade até Tóquio, não haverá “nenhum problema sério” para a saúde humana.
In Bloomberg

Inacreditável se não fosse verdade a inverdade monumental exposta nestas palavras de um “ser” que tem responsabilidades na defensa do respeito pelas bases com que a ciência deve proteger este nosso mundo!
Monumental… é única palavra que me vem à cabeça para adjectivar tal displicente comportamento!

Mas não ficamos por aqui…
Então o que disse a Agência de Energia Atómica ou, simplesmente, o braço político-cientifico da ONU para a energia nuclear?

O Secretário Geral da Agência, Yukiya Amano, diplomata japonês que assumiu o cargo em 2009 depois de lóbie intenso por parte de Tóquio. Amano e a sua equipa foram acusados de responsabilidade nas longas demoras na divulgação dos desenvolvimentos sobre o desastre em Fukushima.
“Depois de Chernobyl, todas as forças da industria nuclear foram dirigidas para o esconder deste evento, de forma a não manchar a sua reputação. Os acontecimento em Chernobyl não foram suficientemente estudados porque que tem o dinheiro para realizar esses estudos? Apenas a indústria nuclear. Mas a indústria não gosta disso,” disse Andreev à Reuters.
“Os japoneses foram demasiadamente gananciosos e utilizaram todos os centímetros de espaço. Mas quando se tem uma densa disposição na bacia de combustível usado, então terá um aumento das probabilidades de fogo, caso a água seja retirada da bacia,” disse Andreev.
In The Guardian

Podridão, dinheiro, interesses, são palavras que poderão qualificar a verdadeira essência do ser humano quando em presença de dinheiro a ganhar e de interesses.
Mas mais grave que isso, digo eu, é os meios de comunicação social ficarem agradavelmente à espera que esta carrada de seres asquerosos emitam comunicados pseudo-oficiais, ou seja mentirosos, para reportar em 90% das suas linhas editoriais aquilo que outros desejam que seja a verdade… quando na sua essência essas linhas escritas são apenas uma grande mentira.

Poucos foram os meios de informação que desde o início do acidente não seguiram o guião das informações (ditas) oficiais, as inverdades, e que deram lugar de destaque àquilo que hoje já é uma verdade quase inquestionável. E a verdade é que o que está a acontecer no Japão está a caminhar de forma imparável na direcção de um desastre total, que aparentemente irá continuar a ser “encoberto” na maioria das linhas editoriais da comunicação social deste mundo.
Mesmo assim há uma informação que está a ser recorrentemente “escondida” das páginas da comunicação social, mesmo naqueles exíguos 10% abertos à realidade:

“Cremos actualmente que a unidade 4 possa ter perdido uma parte significativa do seu inventário, se não mesmo toda a sua água,” disse Jaczko perante a Comissão de Audiência de Energia e Comércio. “O que sabemos da unidade 3, e reafirmo que a informação que temos é limitada, o que achamos é que também existe um rompimento na piscina de combustível usado da unidade 3, o que poderá conduzir à perda de água.”
“Estamos muito próximos do ponto sem retorno,” afirmou o Dr.Michio Kaku.
“Temos rompimentos, rompimentos nos silos… e se esses rompimentos aumentarem ou se acontecer uma explosão, estaremos a falar de Chernobyl, algo para lá de Chernobyl,” afirmou Kaku.
In ABC

Esta é muito provavelmente a real realidade da situação neste momento. Enquanto isso os nossos meios de (des)informação preferem dar lugar de destaque a algo que pessoalmente considero um desenho animado para a cabeça dos Zé Povinhos do mundo tal a sua insignificância, até mesmo estupidez:

Poucos minutos depois das 10.00 da manhã no Japão (2.00 em Portugal), helicópteros do exército atiraram água do mar (mais de 7.500 litros) para o reactor 3 (o mais perigoso porque contém plutónio em vez de urânio). No reactor 4 está prevista a injecção de água através de camiões preparados para o efeito.
In Diário de Notícias

Hmmm… os mesmos helicópteros que têm dificuldades em conseguir apagar um vulgar incêndio numa mata estão a ser usados para tentar fazer baixar temperaturas nos reactores que podem ultrapassar temperaturas quase incomensuráveis?!?!?!?!?!?!
Não sei se hei-de rir ou chorar tal o estado das coisas por lá, mas este poderá ser indubitavelmente um sinal que já estejam a tentar o impossível, a gastar os últimos cartuxos.
E mais simples ainda… meus senhores, se eles pensam que conseguem arrefecer os reactores com água lançada de helicópteros, então poderá ser porque o silo, que protege o mundo da radiação do reactor, está exposto, de outra forma seria apenas água contra as paredes do sarcófago nuclear… e se o silo está exposto…

O lançamento de água do mar a partir de helicópteros militares para tentar resfriar um dos reactores da usina de Fukushima 1 não surtiram os efeitos esperados e os níveis de radiação seguem altos no local, informou nesta quinta-feira a empresa Tokyo Electric Power (Tepco), que opera o complexo nuclear.
In Folha

Pois claro…

Conclusão:
Uma onda de mentiras inundou este mundo… mentiras compradas desde há décadas para que o mundo não se apercebesse da onda que já estava formada… e um tremor em formato de temor assumiu posição no mundo… exceptuando nos meios de informação para as massas que são quase apenas e só máquinas de impressão de mentiras… e por isso, grande parte do mundo vive ainda hoje como se não houvesse amanhã… o problema é que o amanhã pode não chegar como desejado hoje… pode não vir a ser um cantinho amado… pois poderá estar a caminho um tsunami nuclear…

Notícia do Expresso – Agência de segurança nuclear exclui acidente do tipo Tchernobyl
Notícia da ABC – Fukushima: Mark 1 Nuclear Reactor Design Caused GE Scientist To Quit In Protest
Notícia do The Guardian – Japan’s nuclear crisis: regulators warned of reactor risks
Notícia do Público – Escândalos e dúvidas na história da central de Fukushima
Notícia do Sol – Japão foi avisado sobre perigo de sismo nas centrais nucleares
Notícia do The Guardian – Japan radiation leaks feared as nuclear experts point to possible cover-up
Notícia do Spiegel – Japanese Leaders Leave People in the Dark
Notícia do Público – OMS: não há risco fora do perímetro de segurança
Notícia da Bloomberg – Radioactive Risk to Tokyo Limited Even in Worst Case, U.K. Official Says
Notícia do The Guardian – UN’s nuclear watchdog IAEA under fire over response to Japanese disaster
Notícia da France24 – Japan’s nuclear crisis is ‘uncharted territory’
Notícia da ABC – Nuclear Crisis: NRC Says Spent Fuel Pool at Unit Four Lost Massive Amounts of Water; Japan Disputes Claims
Notícia do Diário de Notícias – Helicópteros lançam água para evitar fusão
Notícia da Folha – Operação com helicópteros fracassa e níveis de radiação seguem altos em Fukushima

Quem Nos Salva?

Taxa de juro aumenta 249% em 11 meses. Portugal irá necessitar de 20 anos para conseguir regularizar a dívida. Doze bancos espanhóis têm de reforçar capital em 15 mil milhões. Fitch: Bancos espanhóis precisam de pelo menos 38 mil milhões. Moody’s: Bancos espanhóis necessitam no mínimo de 40 mil milhões. Molycorp diz que a China em 2015 passará a ser importadora de elementos raros. A contaminação do plástico no oceano Atlântico. Japão vai rever a lei de mineração, para tentar chegar até aos 3,6 biliões em recursos subaquáticos. A doença do derrame de petróleo está a destruir vidas.

Portugal, Espanha, China e mundo de candeias às avessas, aos solavancos, aos trambolhões na insanidade de uns quantos.

Ficámos hoje a saber, não é que seja uma surpresa, pelo menos para quem tem andando minimamente atento, que os juros cobrados a Portugal aumentaram, desde Abril do ano passado, 249%249%!!!!!
Portanto, já todos(?) deverão estar cientes que Portugal irá ter de pagar em juros, simplisticamente falando, mais 249% em milhares milhões de juros, para além dos imensos milhares de milhões que tem em dívida.
Se acham que tal é pagável, quem sou eu para contrariar tal convicção, mas mesmo assim gostava de referir que os sonhos não são necessariamente passíveis de serem transformados em realidades…

A realidade é, como ficámos hoje a saber, que Portugal irá necessitar de pelo menos 20 anos, duas décadas, para conseguir regularizar a sua dívida de modo que esta fique abaixo de 60% do seu PIB.
Isto para mim é puramente um sonho dentro da actual funcionalidade deste sistema monetário. Teria de escrever imensas linhas para tentar justificar toda essa minha opinião, por isso irei utilizar apenas os dados mais facilmente palpáveis para a tentar justificar, baseando-me apenas e como sempre em notícias dos meios de comunicação generalistas que saíram nos dias mais recentes.

20 anos… duas décadas… Será que estão cientes que isso poderá significar que irão ser duas décadas de contracção económica, duas décadas de aumentos nos impostos, duas décadas de redução da qualidade de vida, duas décadas de redução no rendimento per capita disponível, duas décadas de perdas de direitos adquiridos, duas décadas de diminuição do Estado Social, duas décadas de aperto no cinto? Duas décadas! Vinte anos!
Estará o Zé Povinho disponível para aguentar a contracção deste sistema e a regressão no seu nível e qualidade de vida durante duas décadas, vinte anos?
O povo é sereno, dizem alguns… por isso, talvez… mas também talvez não…

E então se forem (muito) mais que apenas duas décadas, como pessoalmente considero que é o mais provável, dados os indicadores que temos actualmente disponíveis?
Comecemos por pegar nos indicadores que nos chegam de Espanha…
Então, ficámos hoje a saber que doze, 12!, bancos espanhóis chumbaram nos testes de stress desenvolvidos pelo governo de nuestros hermanos, e que terão de aumentar em 15 mil milhões de euros o seu capital.
Ok, nada de mais, poderão alguns pensar… Talvez peçam uns empréstimos e tapem esses buracos com numerário (ilusório)… talvez… ou talvez não…
E se o tamanho do buraco for como a Moodys e a Fitch anunciam?
E se o buraco for de até 100 mil milhões de euros, cinco vezes mais que o total que o Estado português necessita de financiamento para este ano? Hmmm… quando analisado desta forma as semelhanças com a Irlanda são realmente peculiares, no mínimo… e no mínimo o Estado espanhol irá cair… de joelhos…
Hmmm, com que então vinte anos para Portugal conseguir acertar as suas contas, mas essa análise baseia-se no facto que a Espanha se mantenha de pé. Então, se a Espanha ruir, quantos mais anos teremos de adicionar a esses vinte? (Isto sem sequer contemplar a hipótese de Portugal cair)

Seguindo…
E ontem conheci a Molycorp, a maior produtora de elementos raros do planeta fora da China, que disse esta coisinha importante que poderá escapar à mente dos mais incautos:

“Elementos do governo chinês alertam consistentemente sobre a intento da China continuar a restringir as exportações dos elementos raros, e a possibilidade da China se tornar importadora dessas elementos por volta de 2015,” afirmou a companhia com sede no Colorado, Greenwood Village, quando anunciava os seus resultados do quarto trimestre do ano que findou. “O consumo interno de elementos raros da China irá continuar a aumentar ao ritmo do crescimento do seu PIB.”
In Bloomberg

Como para muitos esta coisa dos elementos raros do planeta poderá ser território desconhecido, irei fazer uma pequena abordagem a eles (simplista).
1 – Quase tudo o que são tecnologias modernas necessitam deles, sem eles não seria possível o seu desenvolvimento – LCDs, telemóveis, todos os desenvolvimentos tecnológicos nas renováveis, carros eléctricos, etc, etc, etc, etc,…
2 – A China é o maior produtor e exportador mundial, com uma cota de produção de 95% de todos os elementos raros do planeta.
Pegando nestes dados verdadeiramente primários… depois do mundo ocidental ter “despachado” quase toda a indústria transformadora para a Ásia e ter ficado “apenas” com as indústrias de tecnologia de ponta, que são as grandes sorvedouras dos elementos raros do planeta, vê-se agora a braços com o seu mundo a ficar sem as matérias-primas que são a base funcional dessas indústrias. A China já começou este ano a reduzir e significativamente as suas exportações de elementos raros e em breve, segundo o relato disponibilizado, juntar-se-á a todo o restante mundo na luta pelos restantes 5% do total produzido não extraído no seu território.
Hmmmm… portanto, aquilo que temos ouvido recorrentemente dos nossos bananas, “Portugal está a investir nas indústrias de ponta, nas novas tecnologias”, será realmente algo com futuro e que poderá realmente ajudar na redução de dívida?
Hmmm… talvez sim, se descobertas muito em breve formas para contornar esse problema… mas talvez não… muito provavelmente, não, e dados os dados que temos em mão, Portugal, que é quase insignificante neste mundo, dado o seu tamanho geográfico, não irá conseguir angariar matéria-prima para sustentar as suas empresas de tecnologias de ponta.
Portanto, ainda consideram que em vinte anos, duas décadas, Portugal poderá conseguir reduzir a sua dívida?

Ainda temos o mar. A nossa costa marítima é a mais extensa da Europa. Poderá estar por aí o nosso futuro, poderão alguns pensar… e bem, diga-se de passagem…
É sem dúvida uma das formas de Portugal desenvolver a sua economia, mas infelizmente também cada vez mais os oceanos são a casa de banho, a lixeira e zona aberta das loucuras de uma sociedade que está dependente do petróleo e das matérias-primas, e que vive em estado de espiral crescente sofreguidão.

A imagem dos oceanos como a casa de banho e lixeira das sociedades humanas:

O SES recolheu mais de 6000 amostras de plástico(…). Um dos espólios mais chocantes foi efectuado durante uma recolha que durou 30 minutos em 1997, quando os cientistas recolheram 1069 pedaços nesse pequeno espaço de tempo. Calcularam que isso equivalia a 580 mil pedaços de plástico por quilómetro quadrado.
Os plásticos contêm também químicos que são gradualmente libertados nas águas e na atmosfera. Os peixes ao respirar esses químicos presentes na água acabam por ficar contaminados. Depois são capturados pelos pescadores e essa contaminação acaba por entrar na cadeia alimentar humana.
In Earth Times

Portanto, se em 1997 andavam à deriva nos oceanos 580 mil pedaços de plástico por quilómetro quadrado, passados 14 anos, como acham que estará o quilómetro quadrado nos mares?
Ainda teremos mar, disso não restam dúvidas, mas que mar teremos e em que estado estará para ajudar a aliviar a dívida nacional?

Talvez por lá exista para Portugal o mesmo que os japoneses estão a pensar conseguir amealhar:

O ministro do Comércio japonês planeia simplificar a lei de mineração dos recursos marinhos, pela primeira vez desde 1950, para ajudar no desenvolvimento da exploração de recursos subaquáticos que poderão ascender a 300 mil milhões de yenes.
In Bloomberg

Talvez também tenhemos por lá ouro e outros minerais que tal. Mas quais poderão ser as consequências para o futuro da riqueza marinha e para a saúde da nossa população?
Talvez a melhor forma de se analisar isso seja tentar entender que danos foram até agora estabelecidos como causa directa do derrame e dos dispersantes usados para tentar controlar o desastre da BP no Golfo do México:

“Os dispersantes estão a diluir-se na água e a deixar solúveis os compostos químicos, que são depois transportados pelo ar, que chegam a terra através das águas da chuva.”
“Estou assustado com o que tenho descoberto. Estes compostos cíclicos misturam-se com o Corexit [dispersante] e geram outros compostos cíclicos que não são nada bons. Esta é uma catástrofe ambiental sem precedentes.”
In AlJazeera

Este é o resultado dos sonhos e vícios do Homem em sociedades que não medem as consequências dos seus actos para o seu futuro. O investimento nos oceanos, tal como é analisado por esta estrutura económico-social actual, resulta num perigo monumental para a natureza, para o Homem e para o planeta.

“Sr. Presidente, a minha preocupação é que estes componentes tóxicos lesivos ainda estejam a ser utilizados e que irão, a longo prazo, criar um grave problema ao nosso Estado, aos nossos cidadãos, ao nosso ecossistema, à nossa economia, à nossa indústria pesqueira, à nossa vida marinha e à nossa cultura.” Senador da Luisiana, AG Crowe.
“Não seremos enganados a acreditar que o petróleo e as toxinas já desapareceram. Como os dispersantes tóxicos foram, e ainda estão em uso actualmente, o petróleo está a descer até às colunas submarinas de água e entrar num ciclo interminável na corrente do Golfo afectando de forma adversa o nosso meio-ambiente.”
In AlJazeera

A corrente do Golfo passa mesmo aqui ao lado…
Nos oceanos não existem fronteiras, assim como no ar… a poluição e destruição causadas noutros pontos do planeta chegam quase sempre à nossa costa… e como poderá Portugal desenvolver uma solução económica para si próprio quando aquilo que julga ser seu é na realidade de todos? E pior, é na realidade a casa de banho do mundo…

Portanto, vinte anos poderá ser uma previsão no mínimo muito optimista, para não escrever mesmo sonhadora.
Não irão ser apenas vinte anos de prisão económica, de retracção social, irão ser muitos mais a não ser que todo este mundo em que vivemos comece a olhar para o seu mundo com olhos de gente realmente preocupada.
Só será possível em vinte anos se as desigualdades entre classes forem rebatidas, se os Estados aumentarem os apoios à união social através de estudos para todos, se os seus Zé Povinhos passarem a ser o seu maior bem e se a natureza que nos envolve passar a ser mais que apenas matéria-prima para ajudar nos ganhos pessoais, lucro, de uns quantos, muito poucos, homens que vivem como se não houvesse amanhã.

Conclusão:
O juro cobrado à nossa vida é medido pela taxa de loucura de uns quantos, muito poucos, que viveram e vivem num presente sem futuro… e que sem uma mudança radical na sua forma de viver a vida que é de todos, nem 40, nem 30, nem 20 anos mais haverão… até pode ser que os quantos, muito poucos, dos nuestros hermanos que viveram e vivem nesse presente sem futuro consigam desencantar mais uns anos para nós… mesmo que os árbitros das finanças dos loucos digam que os anos estão já contados para eles… até pode ser que o crescimento continuado da loucura chinesa nos possa vir a ajudar, mesmo que a sofreguidão com que cresce faça decrescer as esperanças de uma vida vivida para além deste presente… e talvez os mares nos salvem… mas… primeiro… temos todos de salvar os mares que vivem hoje ao ritmo de uma vida sem futuro…
Ao fim ao cabo, afinal de contas, quem nos salva… a nós… e ao mundo?

Notícia do Correio da Manhã – Taxa de juro dispara 249% em 11 meses
Notícia do Diário de Notícias – Portugal vai demorar 20 anos para regularizar dívida
Notícia do Diário Económico – Doze bancos espanhóis forçados a reforçar capital em 15 mil milhões
Notícia do Destak – Bancos espanhóis precisam de pelo menos 38 mil milhões de euros- Fitch
Notícia da Reuters – Moody’s reduz nota da Espanha e cita custo para recuperar bancos
Notícia da Bloomberg – Molycorp Says China May Become Net Importer of Rare-Earth Minerals by 2015
Notícia da Earth Times – Plastic Contamination in the Atlantic Ocean
Notícia da Bloomberg – Japan to Revise Mining Law, Seeking $3.6 Trillion in Undersea Resources
Notícia da AlJazeera – Gulf spill sickness wrecking lives

À Mesa da Ganância

Antigo Primeiro Ministro diz que o Banco Central Europeu ajudou a alimentar a crise. Testes de stress à banca ainda não começaram e já são alvo de críticas. Juiz americano suspende a condenação da Chevron por danos ao ambiente no Equador. Exploração petrolífera da Shell ameaça uma das maiores maravilhas do mundo. Estaremos a perder vista às verdadeiras causas das mortes em massa de animais? Milhões de sardinhas aparecem mortas na Califórnia.

Hoje havia muito por onde pegar para escrever. Podia pegar na situação de Portugal, na inflação, na “guerra” na Líbia, etc., mas acho que por vezes é mais importante afastar-nos dos temas que estão na “moda” e abordar vários temas aparentemente dispersos e tentar criar uma imagem mais fidedigna da podridão que por este mundo caminha…

Abro as hostes com a afirmação de John Bruton, antigo Primeiro Ministro irlandês de 1994 a 1997, que disse esta coisa digna de figurar nos anais das verdades mais inconvenientes:

(…)acusou os bancos franceses, ingleses, alemães e belgas de “empréstimos irresponsáveis… escudados na esperança que também eles pudessem lucrar com a bolha imobiliária irlandesa.” O Sr. Bruton afirmou num discurso na Escola de Economia de Londres que aos bancos “estava disponível muita informação referente ao crescimento em espiral dos preços das habitações na Irlanda.”
Foram supervisionados pelos seus bancos centrais e pelo Banco Central Europeu que “aparentemente não levantaram objecções a esses empréstimos.”
In CNBC

O almoço foi servido e todos se banquetearam como se não houvesse amanhã. O problema é que há sempre um amanhã e que quando chega, chega servido de realidade… realidade que expôs as ânsias de ganância da banca irlandesa, os olhos fechados do Banco Central irlandês, a corrida desenfreada dos bancos europeus a uma fatia do lucro da ilusão e um Banco Central Europeu que foi gradualmente baixando as taxas de juro para impulsionar de forma (in)directa esse banquete dos insanos.
Todos juntos, todos culpados, mas todos inocentes menos aqueles que deviam ter os árbitros à perna desde o início desta história, os bancos irlandeses, e principalmente o Zé Povinho irlandês que foi atraído para uma bem montada armadilha pelas acções do Banco Central Europeu.
Agora o Zé Povinho irlandês está a pagar pelos devaneios insanos dos seus casineiros e a pagar do seu bolso aos bancos franceses, alemães, ingleses e belgas que se banquetearam com a formação da desgraça e se continuam a banquetear da desgraça consumada, tudo isto com o apoio tácito do Banco Central Europeu e da comunidade bananeira da União Europeia.
Esta é a história da Irlanda, mas também é a da Grécia, a de Portugal, a de Espanha, a de todos os países em que os casineiros dos outros jogaram as cartas da desgraça.

E agora entro numa notícia que já devia estar a fazer parangona por todo o lado, tal a dimensão do dano que poderá causar aos países periféricos, à Europa… ao mundo:

Os critérios que servirão de base aos novos ‘stress tests’ à banca europeia deverão ser anunciados na próxima semana. No entanto, alguns dos pontos já conhecidos suscitam críticas no mercado. O responsável pelo principal instituto alemão de estudos económicos afirmou, este fim-de-semana, que os novos testes são demasiado negligentes e que não são melhores do que os realizados no ano passado, os quais foram amplamente criticados.
In Diário Económico

Portanto, vem aí mais areia para os olhos dos mercados e dos Zé Povinhos. Sabem uma coisa, ser enganado uma vez, acontece, duas vezes, é estupidez. Acham que os mercados irão cair na esparrela de serem novamente enganados por testes que aparentemente voltarão a ser teatros e encenações de princípios desvirtuados?
Não contem com isso!
Uma vez mais os casineiros deste mundo, talvez com um fundo por baixo da mesa, têm o apoio tácito da classe bananeira da Europa de modo a voltarem a conseguir esconder as suas verdades incómodas dos olhos dos mercados e dos dos Zé Povinhos.
Se a Grécia está mal, a Irlanda pouco melhor está, se Portugal para lá caminha, a Espanha agarrada está a um balão de oxigénio… como acham que irão ficar depois dos mercados voltarem a castigar as encenações de intenções destas classes de actores mentirosos, ou ilusionistas da verdade?

Seguindo…
Pois é, o dinheiro… essa coisa que compra tudo menos a alma do Homem moderno, talvez seja a razão principal deste juízo jurídico nos Estados Unidos:

Um juiz americano estendeu temporariamente a proibição à colecta da multa de 1,39 mil milhões de dólares devidos pela Chevron por danos, afirmando que o gigante petrolífero americano irá sofrer um dano irreparável se tiver de pagar a indemnização – ordenada por um tribunal equatoriano – por poluição em áreas da floresta tropical amazónica.
O Juiz Lewis Kaplan afirmou que existiam evidências que os advogados dos 30 mil queixosos equatorianos iam sem demora avançar para apreensão dos seus bens um pouco por todo o globo, incluindo em áreas em que a Chevron não conseguiria apresentar recurso no imediato. Afirmou que a sua decisão se justificava porque sem ela a Chevron poderia ver-se em risco de incumprir com “encomendas estratégicas”.
Mas Karen Hinton, a porta-voz dos equatorianos, disse que a incapacidade revelada pelo juiz Kaplan de levar em conta evidências chave, ou a marcação de uma audiência para se inteirar de mais factos, fora um “atropelo do processo” e “um inapropriado exercício do poder judicial.”
In The Independent

Esta é a vida vivida neste mundo corrompido por uma falsa imagem de justiça, por uma falsa imagem de democracia, por uma ilusão de igualdade. Esta demo-cracia vive a soldo… a soldo daqueles que têm a mais e que fazem o que mais lhes dá “na real-gana”.
Esta é a face desta demo-cracia ocidental que o ocidente tenta exportar, por vezes à força, para outras partes do globo. Meus senhores, isto não é nem democracia nem justiça, isto é dinheirocracia e justiçocracia, onde os que podem, safam-se, e os que não têm meios, pagam…

Talvez a notícia que expus acima também seja um sinal de um mundo que já não consegue defender o seu mundo natural sob pena de entrar em colapso total por falta do sangue que lhe faz bater o coração, o petróleo.
E, por sinal, hoje saiu uma notícia que poderá ser uma imagem mais fidedigna daquilo que acabei de escrever… e, antes de mais, gostava de salientar o “desprezo” informativo dos meios de comunicação em Portugal perante uma notícia que, digo eu, é significativamente importante:

A petrolífera Shell está debaixo de intensas criticas por planear uma exploração de petróleo e gás que poderá colocar em causa o recife de coral na costa da Austrália que está entre os ecossistemas marinhos mais importantes no planeta.
In The Independent

Esta notícia também devia ter referido o facto de a Shell só estar a planear isso porque os bananas australianos lhe deram autorização para tal. Mas, “prontos”, saltemos esse “pequeno” detalhe e avancemos direitos às palavras incómodas…
Existem Homens que tudo podem fazer neste e deste planeta, às custas de tudo o resto que vive nele. Talvez seja porque o sangue do mundo está a rarear, talvez… talvez seja apenas ganância, talvez… talvez seja apenas mais uma entre tantas vergonhas escondidas para impulsionar os lucros de uns quantos accionistas que se julgam maioritários em relação a este mundo. Mas o mundo não é dos accionistas privados dos grandes aglomerados económicos. O mundo é pertença de todos e principalmente parte dos outros seres vivos que não têm voz.
Irá este mundo ficar a olhar para mais uma destruição que mais tarde ou mais cedo irá, como quase tudo o mais, ser ligada ao aquecimento global como forma de retirar o peso da culpa destes grandes aglomerados económicos?

E quase como que a pedido, como forma de justificar as minhas últimas palavras, saiu uma notícia que devia dizer muito a este mundo… mas não, pelo menos em Portugal passou incógnita… talvez uma coincidência, talvez… mas talvez tenha sido mais um dos recorrentes silêncios impostos à sociedade pelos mesmos que se intitulam o garante da democracia. Como poderão ser um garante se eles próprios fecham muito do conhecimento num silêncio ensurdecedor?
Enfim… avencemos mas é direito à notícia em causa:

Incidentes (de mortes em massa) foram reportados um pouco por todo o mundo, mas agora depois do google ter mapeado os incidentes, ficou claro que a maioria dos casos estão concentrados na ponta sudeste dos Estados Unidos – bem ao lado do derrame no Golfo do México.
Depois da inexplicável morte de pássaros em Beebe, caíram do céu pássaros em Kentucky e em Louisiana. Incidentes com peixes mortos, inclusive de estrelas e outras vidas marinhas, foram reportados ao longo da corrente do Golfo por toda a costa oceanográfica ocidental. Até mesmo os casos de mortes em massa de caranguejos e peixes nas ilhas britânicas ocorreram no caminho da corrente do Golfo.
In Earth Times

Talvez não venha a acontecer o mesmo no recife de coral australiano, talvez… mas talvez venha a suceder o mesmo, e então quem depois irá pagar pela impagável destruição de vida? Quem? A Chevron? A Shell? A BP? Os juízes que constantemente defendem estes “meninos”? Quem? Os bananas?
Pagamos todos pelos erros de uma sociedade que é incapaz de analisar que a sua riqueza não é medida em numerário, mas sim em quantidade de vida e a qualidade com que é vivida em respeito pela a sua casa, pelo planeta Terra.
Talvez este mundo tenha de gritar a uma voz com a voz de todos os Zé Povinhos que nele habitam e dizer:
DEVOLVAM-NOS AQUILO QUE É DE TODOS!

E talvez por algo como tal estar em falta, ontem, uma vez mais…:

Milhões de sardinhas foram encontradas ontem mortas numa marina de Los Angeles, Califórnia. As operações de limpeza já começaram, mas ainda são desconhecidas as causas da morte dos peixes.
In Diário de Notícias

Conclusão:
À mesa da ganância só são servidas desgraças… e na mesa da ganância empanturram-se aqueles que afirmam não serem ímpios… e o no teste à sua ganância são ilusionistas, brincalhões, uns verdadeiros palhaços da concórdia corporativista… e de corporativismo está a justiça deste mundo cheia… cheia… parece um balão de dólares inflado por mentiras e inverdades putrefactas… putrefacção que ainda não chegou a todos os sítios… e talvez por isso a ganância dos mesmos corporativistas ilusionistas e brincalhões queira por lá mergulhar… mesmo que as águas que agora são ímpias já pouco para mais sirvam do que servir de bandeja para a morte chegar… que chega para incontáveis milhões… até ao dia em que o Homem será ele… também… parte do mexilhão…

Notícia da CNBC – ECB Helped Fuel Irish Bubble, Says Ex-PM
Notícia do Diário Económico – ‘Stress tests’ ainda não começaram mas já são alvo de críticas
Notícia do The Independent – US judge halts damages claim over pollution in Amazon
Notícia do The Independent – Shell oil exploration threatens one of the world’s great wonders
Notícia do Earth Times – Losing sight of the real causes of mass animal death?
Notícia do Diário de Notícias – Milhões de sardinhas encontradas mortas na Califórnia

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