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Tsunami Económico

Continuação do artigo: Tsunami Nuclear

As certezas da vida moderna foram num pequeno instante colocadas em causa por um terramoto imenso, por um tsunami de dimensões cataclísmicas e por um desastre nuclear.
O Japão, a terceira maior economia deste nosso mundo, ficou de rastos. Quais os impactos para o restante do mundo deste tsunami económico que se está a formar?
Esta é a pergunta que vou tentar parcialmente responder, e escrevo parcialmente porque a amplitude de tal solavanco para a economia mundial tem tantas ramificações que se torna quase impossível de conseguir extrair todos os seus impactos directos e indirectos.

Antes demais, para não variar, muita da informação que iremos ter acesso nos meios de informação generalistas tenderá a fornecer-nos uma visão optimista, na melhor das hipóteses… isto caso os meios de comunicação generalistas sigam com a sua conduta habitual, tal como podemos facilmente constatar neste caso:

Desastres no Japão não causarão recessão mundial, acreditam economistas.
In Deutsche Welle

Mas pior, é que esta informação anda quase esquecida nos meios de informação… e quando escrevo “quase”, estou a ser simpático para com a ausência de análises a este problema, pelo menos nos meios de comunicação em língua portuguesa.
Mas seguindo com as palavras dos economistas optimistas:

Wolfgang Leim, acredita que no momento não há perigo de recaída numa recessão. Ele acredita que, como ocorre após grandes greves, a redução provocada pelo cancelamento da produção em alguns setores pode ser recuperada. Parte da produção pode ser deslocada das empresas afetadas para suas unidades em outros países.
O economista-chefe do Unicredit, Andreas Rees, opina que, mesmo havendo um recuo nas atividades econômicas japonesas nos próximos dois ou três meses, este efeito será compensado posteriormente.
O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, (…) o Japão pode até mesmo experimentar um boom econômico, comparável ao dos Estados Unidos na década de 1930, durante o “New Deal” do presidente Franklin Roosevelt.
In Deutsche Welle

Quase tudo positivo e bonito, não é verdade? O Japão vai recuperar num instante, o mundo não sofrerá consequências e isto até poderá mesmo representar um “boom” económico para o Japão. Estarão estas noções correctas? Porque razão quase só deram voz a noções positivas? Será isto uma vez mais informação tendenciosa, a quase regra da informação presente nos meios de comunicação generalistas? A ver vamos, mas os indicadores…

Quais os impactos para o sistema económico, para as energias e para o crescimento económico deste mundo?

O desastre na terceira economia do mundo é um factor inesperado que veio baralhar todos os outros que estavam previstos e descontados por analistas e mercados financeiros.  (…) está agora em risco não só o crescimento económico no Japão e na Ásia, como também a nível global. Para além do drama humano, começam-se a fazer cálculos económicos, após os efeitos imediatos da destruição de cidades, infra-estruturas rodoviárias e ferroviárias, fábricas, bens de consumo duradouro, campos agrícolas e fontes energéticas.
Também serão severamente afectadas as relações comerciais com os seus principais parceiros, nomeadamente a China que é o seu principal fornecedor. Não só se quebrará parte da procura nipónica para as suas cidades e fábricas na parte norte do país (no cenário futuro de reconstrução esta situação será fortemente invertida), como as exportações serão menores, com os efeitos que tudo isto acarreta a montante e a jusante.
In Diário Económico

Comecemos então pelo sistema económico:

Weinberg questiona se as pessoas afectadas pelo desastre irão pagar as suas hipotecas, os seus créditos e as dívidas dos seus cartões de crédito.
Ele afirma: “Poderemos assistir aos bancos a terem de assumir perdas em parte do seu portefólio de empréstimos.”
In CNBC

Esta é uma questão de análise tão simples no entanto nem sequer tem sido identificada pela grande maioria dos meios de comunicação generalistas.
Que perdas terão de ser assumidas pela banca japonesa que está intimamente ligada à banca mundial?
Sabemos que o Banco Central japonês já injectou mais de 300 mil milhões no mercado. Terá de injectar quanto mais para “salvar” os portfolios dos seus bancos? E a inflação que daí resultará?

A economia japonesa, já enfraquecida, talvez já mesmo em recessão antes da calamidade, irá ficar ainda mais fraca.
In New York Times

Portanto, é quase uma inevitabilidade o Japão entrar em recessão, Japão que representa aproximadamente 6% do PIB do mundo…6%! Se o Japão entrar em acentuada recessão o que irá acontecer ao crescimento no mundo? Sabem, em matemática 1+1=2, e neste caso é igual a uma provável recessão…

“Uma acentuada desaceleração no PIB do mundo, na segunda metade deste ano, é algo que não pode ser descartado.”
In The Globe and Mail

Num mundo já assolado pela crise no petróleo, pelas “revoluções” no Norte de África e Médio Oriente, pela alta da inflação na Ásia e nos mercados emergentes, pelas crises do crédito e descrédito com a banca, e pela dívida monumental que assola as economias desenvolvidas do mundo, tem agora de se juntar a isso tudo a crise de fundo no Japão.

Analistas dizem ser possível que as consequências venham a ser sentidas pelo mundo na forma de inflação mais elevada, diminuição no crescimento, ou num choque potencial para o sistema financeiro.
In The Washington Post

Porquê uma aceleração da inflação?

Especialistas em logística afirmam que o terramoto expôs pontos fracos críticos para uma vasta gama de negócios comerciais, tal como para as indústrias electrónicas e de produção automóvel.
In The Wall Street Journal

Uma aceleração na inflação porque o Japão representava quase 40% das exportações de componentes electrónicos para o mundo. A destruição das áreas costeiras japonesas levou com elas tanto as centrais nucleares como outras centrais geradoras de energia eléctrica, assim como muitas fábricas produtoras. O Japão não tem actualmente capacidade geradora de energia eléctrica para alimentar todo o seu tecido produtor, nem tal será exequível num espaço de tempo inferior a seis meses. O mundo terá de encontrar novos fornecedores, ao mesmo tempo em que a oferta diminui, o que fará inevitavelmente disparar o preço dos bens… preço que daqui a uns meses estará reflectido no mercado para os consumidores.
E há outro factor que está a ser recorrentemente “esquecido”… o Japão tenderá a passar de economia exportadora para uma economia importadora de forma a conseguir reabilitar as infra-estruturas que ficaram destruídas, assim como para conseguir aumentar a sua produção de energia através dos métodos convencionais, petróleo e carvão, que irão ser mais um dos factores a criar pressão inflacionária sobre o mundo. O Japão irá aumentar a pressão da procura sobre matérias-primas que já estavam sobre pressão na produção, e em vários casos, até mesmo em declínio, o que criará uma vaga inflacionária sobre o mundo.

Para além de que esta falta de componentes já estar a arrasar com parte da economia mundial:

Na quinta feira passada, a General Motors Co. tornou-se no primeiro produtor de automóveis a ter de encerrar uma fábrica por causa da crise no Japão.
In The Wall Street Journal

Desengane-se quem pensar que será apenas um problema para as fábricas de automóveis… Quase todas as indústrias que necessitam de componentes electrónicos estão a ser afectadas de forma violenta, levando que a maioria das fábricas produtoras no mundo estejam a reduzir a produção de modo a tentar evitar a todo o custo a paragem, e a tentarem arranjar tempo para encontrar novos fornecedores num mercado já de si espremido.

Mas existe um problema que poderá vir a ser mesmo uma bomba atómica para a economia mundial:

As suas corporações e bancos estão imensamente interligadas com o mundo e fazem parte do tecido que liga a economia global.
In The Washington Post

O Japão foi o segundo maior comprador de bilhetes do Tesouro americanos, e comprou em Janeiro mais de 20% (…) da dívida emitida pelo Fundo de Estabilidade do Euro para financiar os países em dificuldades na periferia do Euro.
In The Globe and Mail

O Japão é um dos maiores e mais activos financiadores das economias mundiais. O Japão é o segundo maior detentor de dívida americana e um dos maiores de dívida dos países europeus. Se actualmente já é tão difícil para a maioria dos países encontrarem financiadores para a sua dívida, o que irá acontecer daqui para a frente com o quase desaparecer do Japão do mercado enquanto comprador?

“As suas poupanças irão agora ser redireccionadas, directa ou indirectamente (através da aquisição de títulos japoneses), para a reconstrução, estes fundos deixarão de estar disponíveis para financiar economias estrangeiras.”
In The Globe and Mail

Mas há ainda pior… e se o Japão tiver de vender os seus investimentos em dívida dos outros países de modo a conseguir financiar a sua reconstrução?

O iene ganhou terreno durante toda a semana ao dólar – o oposto que se poderia esperar. Mas as companhias japonesas e investidores estiveram a fazer retornar o seu dinheiro para o território japonês, de modo a conseguirem pagar os imensos custos de reparação.
In New York Times

O Japão poderá vir a vender parte dos seus investimentos em dívida estrangeira, incluindo dívida dos Estados Unidos, para financiar um aumento da despesa depois do maior terramoto registado no país ter deixado milhões sem electricidade e sem água, de acordo com a Brown Brothers Harriman & Co.
In Bloomberg

Este é o terceiro factor de pressão inflacionária directamente ligado aos problemas que afectam o Japão. Mais dólares e mais euros entrarão no mercado se o Japão começar a vender os títulos de dívida de países estrangeiros. Eis o porquê do desespero dos bancos centrais das sete economias mais fortes do mundo andarem que nem doidos a vender ienes de modo a tentar controlar uma implosão das moedas mundiais.
Se o Japão começar a vender dívida de terceiros o mundo económico irá mais que provavelmente explodir em inflação e em contracção económica.

E o que fará este mundo casineiro e bananeiro quando tiver de enfrentar pelos cornos estes problemas?
O mesmo que tem vindo a fazer até aqui (Já o está a fazer)… irá imprimir dinheiro para tentar acolchoar a queda, acção que irá aumentar e agravar as pressões inflacionárias sobre o mundo… que irão por si ajudar a contrair ainda mais fortemente a economia mundial…

E falta juntar a todos estes tópicos a cereja no topo do bolo.
Se acontecer um desastre nuclear tipo Chernobyl no Japão, como se afigura cada vez mais provável? Pois é… todos estes factores tenderão a ser exponencializados N vezes… e a seguir será apenas o início do fim há muito anunciado…

Conclusão:
Japão papão em apagão… apagão que já se estende a todo o mundo… e inflação que irá papar tipo comilão aquele mundo que julgava estar desenvolvido… mas desenvolvido poderá ser apenas um desenvolver em marcha-atrás… atrás daqueles sonhos que são na realidade mais pesadelos, criados por homens que se julgavam superiores ao planeta… mas este planeta é vida, e a vida não se padece com sonhos de crescimento eterno… e de inflação em inflação iremos chegar até ao porto da desgraça em que seremos violentamente consumidos pela onda de um tsunami económico que engolirá todo este mundo… de eterno… e ilusório… crescimento.

Notícia do The New York Times – Certainties of Modern Life Upended in Japan
Notícia do Deutsche Welle – Desastres no Japão não causarão recessão mundial, acreditam economistas
Notícia do Diário Económico – Godzilla existe!
Notícia da CNBC – Nikkei Losses to Double: Economist
Notícia do The New York Times – A Crisis That Markets Can’t Grasp
Notícia do The Globe and Mail – Global economy faced with a new recession
Notícia do The Washington Post – Japan earthquake’s aftermath: Economists more pessimistic about long-term impact
Notícia do The Wall Street Journal – Crisis Tests Supply Chain’s Weak Links
Notícia do The New York times – Stress Test for the Global Supply Chain
Notícia da Veja – Catástrofe no Japão pode mudar planos de montadoras
Notícia da Bloomberg – Japan May Sell U.S. Treasuries After Earthquake, Brown Brothers’ Thin Says

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Tsunami Nuclear

Agência de segurança nuclear exclui acidente tipo Tchernobyl. Reactores nucleares Mark1 levaram à demissão de cientistas da General Electric. Reguladores foram avisados dos riscos com os reactores. Japão foi avisado sobre perigo de sismos para as centrais nucleares. Escândalos e dúvidas na história da central de Fukushima. Temida a fuga de radiações e especialistas nucleares focam um possível encobrimento. Líderes japoneses deixam o povo no escuro. Organização Mundial de Saúde: não há risco fora do perímetro de segurança. O risco de radioactividade para Tóquio é limitado, mesmo no pior dos cenários: dizem especialistas britânicos. O acidente nuclear japonês é território desconhecido. NRC afirma que a piscina de combustível usado da unidade 4 perdeu uma massiva quantidade de água; Japão nega a conclusão. Helicópteros lançam água para evitar fusão. Operação com helicópteros fracassa e níveis de radiação seguem altos em Fukushima.

O mundo está assistir, quase em estado de letargia, aos acontecimentos no Japão, depois de um dos maiores terramotos já registados, seguido por um tsunami de dimensões épicas e agora com um desastre nuclear em desenvolvimento.
A noção que o Homem tem do seu mundo… que a tecnologia nos irá salvar, que o desenvolvimento é imparável, que conseguimos controlar a natureza, etc., é facilmente e totalmente rebatida em menos de nada, quando confrontados com a volatilidade deste nosso mundo . Esta realidade menos positiva é constantemente descartada da mente das pessoas, criando nelas a perigosa noção de que o amanhã irá ser sempre melhor que o presente. O pernicioso dessa noção é que as pessoas nem sequer chegam a colocar em consideração a preparação para um mundo que nem sempre trará um futuro melhor. Quem não o faz coloca todo o seu futuro nas mãos de uma esperança e não com base numa realidade.

Amanhã, ou depois, irei tentar contextualizar os problemas com que se debate actualmente o Japão e as suas implicações para a economia do nosso mundo. Hoje vou abordar os problemas que assolam o Japão analisando “apenas” o quadrante da manipulação de informação que tem sido factor recorrente desde que se soube que quatro centrais japonesas tinham sido danificadas pelo terramoto seguido de tsunami. Acho que esta abordagem poderá facilitar a compreensão da questão quando for analisada pelo lado económico e de futuro para o nosso mundo moderno.

Antes de avançar… há uns dias um amigo meu disse-me: “a tua análise é tendenciosa para o negativo”, ao qual respondi: “sim é, e propositadamente, porque tendenciosos são os nossos meios de comunicação social que conseguem quase inacreditavelmente dar espaço a esperanças em mais de 90% da informação que eles disponibilizam, mesmo que essas esperanças possam muitas das vezes ser falsas, colocando em causa a preparação das pessoas para um amanhã que poderá ser menos bom.”
De que vale às pessoas uma continuada informação de que as coisas irão continuar tal como estão sem solavancos para sua vida, quando comparado com uma informação que ajude as pessoas a preparar-se para algo que os poderá ajudar a contornar com menos dificuldades as esquinas que a vida lhes poderá colocar à frente?

Escrito isto… na segunda feira, 14 de Março, começámos a ser bombardeados com informação mais positiva do que demonstrava a realidade da questão dos problemas nas centrais nucleares japonesas:

“Não há absolutamente qualquer possibilidade de um Tchernobyl”, declarou o ministro Koichiro Ganba aos membros do Partido no poder, com base num relatório da agência [de segurança nuclear japonesa].
In Expresso

Esta informação assumiu a preponderância na forma como os meios de informação começaram a abordar os problemas nas centrais nucleares japonesas.
Poucos meios de informação no mundo se deram ao trabalho de verificar a fiabilidade de tal comunicado com muito pouco sumo de real informação, e escrevo isto dessa forma porque bastaram um par de dias para que tal fosse liminarmente posto em causa. O jornalismo não é nem pode ser apenas copy\paste das informações (ditas) oficiais, sob pena de se transformar num veículo de distribuição de informação tendenciosa.

E quando os meios de informação fazem realmente jornalismo, o que acabam quase invariavelmente por descobrir é que a versão (dita) oficial dos acontecimentos é tudo menos… verdade:

Há 35 anos, Dale G. Bridenbaugh e dois dos seus colegas da General Electric demitiram-se dos seus cargos depois de ficarem mais que convictos que o desenho do reactor nuclear que estavam a rever — Mark 1 — tinha tantas falhas que poderia conduzir a um acidente devastador.
In ABC

Portanto… as instituições responsáveis por controlar o nuclear já estavam cientes que havia probabilidades bem reais de tal de poder suceder.
Portanto… como ler então esta afirmação: “Não há absolutamente qualquer possibilidade de um Tchernobyl”?
Falsa e manipuladora, talvez?

“Os problemas que identificámos em 1975 foram, que ao desenharem o silo do núcleo, não levaram em consideração as cargas dinâmicas que podiam acontecer com uma perda no sistema de arrefecimento”, disse Bridenbaugh à ABC News. “As cargas que o silo conseguia suster desta rápida libertação de energia podiam destruir o silo e criar uma libertação incontrolável de radioactividade.”
In ABC

Hmmmm…. parece mesmo um relato fiel ao que está a acontecer no Japão… sem tirar nem pôr.

Os seis reactores nas centrais de Fukushima, que sofreram duas explosões, são reactores arrefecidos a água desenhados pela GE. Cinco são dos originais Mark1 e entraram em serviço entre 1971 e 1979.
in The Guardian

Acho que apenas munidos desta informação já teríamos informação suficiente para nunca dizer termos o descaramento de dizer descomplexadamente “não há absolutamente qualquer possibilidade de um Tchernobyl” e estar mais que preocupados em tentar afastar as pessoas do raio de acção destas bombas nucleares em potência.
Mas não, os meios de informação para as massas continuaram e continuam, em mais de 90% dos casos, a contar esperanças, a difundir informações (ditas) oficiais e a fazer muito pouco jornalismo… verdadeiro.

E Fukushima para os japoneses é sinal de mentiras e mentirosos, mas parece que para a maioria dos meios de comunicação é uma fonte segura que serve de sustento de grande parte das linhas que escrevem todos os dias:

No final de Agosto de 2002, a agência japonesa de segurança nuclear concluiu que, desde os anos 1980, havia uma prática sistemática de ocultar problemas detectados nas inspecções à central de Fukushima – incluindo fissuras nas estruturas dos reactores.
A Tepco admitiu tudo e desculpou-se publicamente, apenas para descobrir, um mês mais tarde, mais oito casos de omissão de informação sobre problemas nos tubos de circulação primária da central de Fukushima.
Em 2006, a empresa encontrou dados falsificados sobre a temperatura da água de refrigeração de Fukushima-Daiichi em 1985 e 1988. E em 2007, um sismo de magnitude 6,8 provocou um incêndio noutra central nuclear – Kashiwazaki Kariwa, a maior do mundo.
In Público

Portanto, os mesmos que mentiram constantemente no passado são agora a fonte das esperanças recorrentemente apresentadas nos meios de informação.
Haverá alguma lógica nisto para além do desejo de apresentar uma visão distorcida da provável realidade? Talvez… talvez…

Em Dezembro de 2008 a organização de vigilância internacional para questões nucleares fez saber ao Governo japonês que as regras de segurança das centrais nucleares estavam ultrapassadas e que sismos fortes poderiam ser um «sério problema», avança a edição online do The Telegraph.
In Sol

Ao juntarmos todos os problemas identificados há décadas; as mentiras e omissões recorrentes dos responsáveis, com a informação de que as centrais não estavam devidamente preparadas para lidar com terramotos, ficamos com? Ficamos com uma molhada de factores que nos dizem directamente que o futuro das centrais em causa tenderá a ser pior do que o que está a ser retractado em 90% das notícias presentes nos meios de informação para as massas.
Com que bases sustentam então os meios de informação essa tendenciosa noção que insistem transmitir? Que interesse?

Quando abrem espaço àqueles pouco menos de 10% de informação real, ficamos com isto:

Especialistas nucleares lançaram dúvidas sobre a fiabilidade das informações oficiais disponibilizadas sobre o acidente na central de Fukushima, afirmando que estas seguiam um padrão de secretismo e ocultação verificados em outros acidentes em centrais nucleares. “É impossível aceder às leituras de radiação,” disse John Large, um engenheiro nuclear independente que trabalhou para o governo britânico e que foi nomeado comissário da Greenpeace para o relatório do acidente.
“As acções do governo japonês são totalmente contrárias das suas palavras. Evacuaram 180 mil pessoas mas dizem que não existe radiação.
In The Guardian

Portanto… sustentam maioritariamente as suas afirmações num copy\paste desconexo da realidade apresentado pelas (ditas) fontes oficiais, que mais parecem fontes oficiais para a mentira, e raramente penetram em profundidade nas questões.
Fontes oficiais que pouco mais são que encobridores oficiais da verdadeira história:

(…) o povo japonês continua a esperar em vão por informação fiável sobre a possibilidade de fusão do núcleo e de instruções úteis sobre como se proteger. O que, por exemplo, deverão fazer as 30 milhões de pessoas que vivem na área metropolitana de Tóquio se no futuro Edano anunciar radiações elevadas?
O mesmo está a ocorrer com as instituições japonesas, que estão a confundir o público da mesma forma que o gabinete do Primeiro Ministro. Nessas está incluída a agência nuclear, NISA.
In Der Spiegel

E não são apenas as instituições japonesas e o governo japonês que estão a manipular a forma como a informação está a chegar até às pessoas, com a conivência do copy\paste dos meios de informação para as massas, pois as instituições e governos internacionais também por lá pululam no barulho ensurdecedor da manipulação de informação, nas mentiras:

A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que não há risco de radiação excessiva para a população japonesa que vive fora do perímetro de segurança em torno da central nuclear de Fukushima 1. Para já, também não existe risco fora do território japonês.
In Público

A Organização Mundial de Saúde a dizer tal barbaridade perante toda a informação que estava e está disponível? PARA JÁ não existe risco FORA do território japonês e no território japonês não existe risco para além da zona de exclusão?!?!?!
Podemos confiar nestes “monstros” que defendem quase exclusivamente interesses que não os das populações deste mundo?
VERGONHA!

Responsável das Ciências da Grã-Bretanha:

“Assumindo o pior dos cenários, acontecerá uma explosão”, disse. “Bem, isso é bem sério, mas será sério apenas para a área local. Não será um problema sério para outras áreas.”
Assumindo que os padrões de vento irão conduzir a radioactividade até Tóquio, não haverá “nenhum problema sério” para a saúde humana.
In Bloomberg

Inacreditável se não fosse verdade a inverdade monumental exposta nestas palavras de um “ser” que tem responsabilidades na defensa do respeito pelas bases com que a ciência deve proteger este nosso mundo!
Monumental… é única palavra que me vem à cabeça para adjectivar tal displicente comportamento!

Mas não ficamos por aqui…
Então o que disse a Agência de Energia Atómica ou, simplesmente, o braço político-cientifico da ONU para a energia nuclear?

O Secretário Geral da Agência, Yukiya Amano, diplomata japonês que assumiu o cargo em 2009 depois de lóbie intenso por parte de Tóquio. Amano e a sua equipa foram acusados de responsabilidade nas longas demoras na divulgação dos desenvolvimentos sobre o desastre em Fukushima.
“Depois de Chernobyl, todas as forças da industria nuclear foram dirigidas para o esconder deste evento, de forma a não manchar a sua reputação. Os acontecimento em Chernobyl não foram suficientemente estudados porque que tem o dinheiro para realizar esses estudos? Apenas a indústria nuclear. Mas a indústria não gosta disso,” disse Andreev à Reuters.
“Os japoneses foram demasiadamente gananciosos e utilizaram todos os centímetros de espaço. Mas quando se tem uma densa disposição na bacia de combustível usado, então terá um aumento das probabilidades de fogo, caso a água seja retirada da bacia,” disse Andreev.
In The Guardian

Podridão, dinheiro, interesses, são palavras que poderão qualificar a verdadeira essência do ser humano quando em presença de dinheiro a ganhar e de interesses.
Mas mais grave que isso, digo eu, é os meios de comunicação social ficarem agradavelmente à espera que esta carrada de seres asquerosos emitam comunicados pseudo-oficiais, ou seja mentirosos, para reportar em 90% das suas linhas editoriais aquilo que outros desejam que seja a verdade… quando na sua essência essas linhas escritas são apenas uma grande mentira.

Poucos foram os meios de informação que desde o início do acidente não seguiram o guião das informações (ditas) oficiais, as inverdades, e que deram lugar de destaque àquilo que hoje já é uma verdade quase inquestionável. E a verdade é que o que está a acontecer no Japão está a caminhar de forma imparável na direcção de um desastre total, que aparentemente irá continuar a ser “encoberto” na maioria das linhas editoriais da comunicação social deste mundo.
Mesmo assim há uma informação que está a ser recorrentemente “escondida” das páginas da comunicação social, mesmo naqueles exíguos 10% abertos à realidade:

“Cremos actualmente que a unidade 4 possa ter perdido uma parte significativa do seu inventário, se não mesmo toda a sua água,” disse Jaczko perante a Comissão de Audiência de Energia e Comércio. “O que sabemos da unidade 3, e reafirmo que a informação que temos é limitada, o que achamos é que também existe um rompimento na piscina de combustível usado da unidade 3, o que poderá conduzir à perda de água.”
“Estamos muito próximos do ponto sem retorno,” afirmou o Dr.Michio Kaku.
“Temos rompimentos, rompimentos nos silos… e se esses rompimentos aumentarem ou se acontecer uma explosão, estaremos a falar de Chernobyl, algo para lá de Chernobyl,” afirmou Kaku.
In ABC

Esta é muito provavelmente a real realidade da situação neste momento. Enquanto isso os nossos meios de (des)informação preferem dar lugar de destaque a algo que pessoalmente considero um desenho animado para a cabeça dos Zé Povinhos do mundo tal a sua insignificância, até mesmo estupidez:

Poucos minutos depois das 10.00 da manhã no Japão (2.00 em Portugal), helicópteros do exército atiraram água do mar (mais de 7.500 litros) para o reactor 3 (o mais perigoso porque contém plutónio em vez de urânio). No reactor 4 está prevista a injecção de água através de camiões preparados para o efeito.
In Diário de Notícias

Hmmm… os mesmos helicópteros que têm dificuldades em conseguir apagar um vulgar incêndio numa mata estão a ser usados para tentar fazer baixar temperaturas nos reactores que podem ultrapassar temperaturas quase incomensuráveis?!?!?!?!?!?!
Não sei se hei-de rir ou chorar tal o estado das coisas por lá, mas este poderá ser indubitavelmente um sinal que já estejam a tentar o impossível, a gastar os últimos cartuxos.
E mais simples ainda… meus senhores, se eles pensam que conseguem arrefecer os reactores com água lançada de helicópteros, então poderá ser porque o silo, que protege o mundo da radiação do reactor, está exposto, de outra forma seria apenas água contra as paredes do sarcófago nuclear… e se o silo está exposto…

O lançamento de água do mar a partir de helicópteros militares para tentar resfriar um dos reactores da usina de Fukushima 1 não surtiram os efeitos esperados e os níveis de radiação seguem altos no local, informou nesta quinta-feira a empresa Tokyo Electric Power (Tepco), que opera o complexo nuclear.
In Folha

Pois claro…

Conclusão:
Uma onda de mentiras inundou este mundo… mentiras compradas desde há décadas para que o mundo não se apercebesse da onda que já estava formada… e um tremor em formato de temor assumiu posição no mundo… exceptuando nos meios de informação para as massas que são quase apenas e só máquinas de impressão de mentiras… e por isso, grande parte do mundo vive ainda hoje como se não houvesse amanhã… o problema é que o amanhã pode não chegar como desejado hoje… pode não vir a ser um cantinho amado… pois poderá estar a caminho um tsunami nuclear…

Notícia do Expresso – Agência de segurança nuclear exclui acidente do tipo Tchernobyl
Notícia da ABC – Fukushima: Mark 1 Nuclear Reactor Design Caused GE Scientist To Quit In Protest
Notícia do The Guardian – Japan’s nuclear crisis: regulators warned of reactor risks
Notícia do Público – Escândalos e dúvidas na história da central de Fukushima
Notícia do Sol – Japão foi avisado sobre perigo de sismo nas centrais nucleares
Notícia do The Guardian – Japan radiation leaks feared as nuclear experts point to possible cover-up
Notícia do Spiegel – Japanese Leaders Leave People in the Dark
Notícia do Público – OMS: não há risco fora do perímetro de segurança
Notícia da Bloomberg – Radioactive Risk to Tokyo Limited Even in Worst Case, U.K. Official Says
Notícia do The Guardian – UN’s nuclear watchdog IAEA under fire over response to Japanese disaster
Notícia da France24 – Japan’s nuclear crisis is ‘uncharted territory’
Notícia da ABC – Nuclear Crisis: NRC Says Spent Fuel Pool at Unit Four Lost Massive Amounts of Water; Japan Disputes Claims
Notícia do Diário de Notícias – Helicópteros lançam água para evitar fusão
Notícia da Folha – Operação com helicópteros fracassa e níveis de radiação seguem altos em Fukushima

Vãs Memórias de um Passado Recente

A Agência Alimentar americana avisa os países produtores de alimentos em relação ao controlo das exportações. Especulação alimentar: Morrem pessoas de fome enquanto os bancos enchem o pote. Wall Street banqueteia-se em Davos no desvancer do temor da crise. Peter Schift prevê um pesadelo inflacionário nos Estados Unidos, made in China. Jim Rogers: O barril de petróleo pode chegar aos 200 dólares. Sauditas assinam acordo nuclear para reduzir o uso de combustíveis fósseis.

Os últimos dias foram passados e preenchidos com informações sobre as revoluções induzidas pelo aumento do preço dos alimentos – inflação-, e não só, no Norte de África, no Médio Oriente e na África Central.
Estará o mundo a entrar numa nova fase social revolucionária induzida pelo cada vez menor excedente de matérias primas?

Um dos principais medos do mercado, quase totalmente desregulado de matérias primas, é o da regulamentação, devido a isso a Agência Alimentar americana veio a terreiro avisar, em tom de temor, os países produtores para não cederem à tentação de reduzirem as exportações das suas produções de alimentos.
Decompondo o que esta agência está a “pedir”…
Pede aos países produtores que não invertam a tendência inflacionária que começa a surgir nos seus mercados internos de forma a não causar maior tendência inflacionária no resto do mundo.
Irão as populações locais aceitar que os outros possam pagar menos e que eles tenham de pagar mais por causa dos outros?
Irão as elites que governam esses países colocar em causa o seu status quo e deixar os preços dos alimentos disparar para que o resto do mundo possa pagar menos por eles?
Não esquecer que as elites bananeiras fazem de tudo de forma a perpetuar o poder, por isso, digo, o mais provável é o mundo começar a assistir a medidas de controlo das exportações. Quando tal acontecer, a palavra inflação irá em pouco tempo ceder lugar à palavra hiperinflação.

Mas o aviso da agência americana trás consigo um busílis do mercado, os especuladores. Talvez não seja má ideia dizer a essa agência americana que grande parte da responsabilidade do aumento exponencial do preço dos produtos alimentares é culpa de membros da sua sociedade, e que a limitação das exportações por parte dos países produtores não mais será que uma consequência das políticas usadas por esses destacados membros da sua estrutura social.

“(…)entre os negociantes e economistas está a emergir uma nova teoria. Os mesmos bancos, fundos de investimento e financiadores cuja especulação nos mercados financeiros conduziu à crise imobiliária são agora os principais suspeitos pelos preços dos alimentos andarem tipo yo-yo a inflacionar. São acusados de se estarem a aproveitar dos mercados serem desregulamentados para capitalizarem milhares de milhões na especulação dos alimentos, levando a miséria a todo o mundo.”
In The Guardian

Podemos daqui retirar uma pequena mas profunda conclusão: se os mercados voltarem a ser regulamentados o mundo poderá voltar a ter alimentos a preços mais acessíveis.
Porque será que a agência americana não faz menção a este ponto tão significativo?
Estará a soldo dos mesmos interesses que batalharam durante décadas pela eliminações das regulamentações dos mercados internacionais?

“(…) depois de intenso lóbie nos Estados Unidos e em Inglaterra por parte da banca, dos fundos de investimento e de políticos defensores da desregulamentação dos mercados, as regulações nos mercados de matérias primas foram sendo paulatinamente abolidas. Os contratos para compra e venda de alimentos foram transformados em “derivados” que podiam ser comprados e vendidos entre negociantes que nada tinham que ver com a agricultura. Como resultado disso nasceu um novo e irreal mercado de “especulação alimentar”. Cacau, sumos de fruta, açúcar, fibras têxteis, carne e café são hoje em dia matérias primas globais, a par do petróleo, ouro e outros metais.”
In The Guardian

Se não estiver a soldo dos mesmos interesses que têm uma relação directa e evidente com o aumento do preço dos alimentos, então é mais uma instituição internacional composta maioritariamente por pessoas incapazes e incompetentes.

Enquanto tudo isto está a acontecer bem à frente dos nossos olhos, chega-nos o retrato de que em Davos os maiores casineiros do nosso mundo andam de peito feito, quase em festa, pois este ano chegam à reunião anual para debate da economia mundial com lucros recorde e sem o temor da aplicação de novas regulamentações e taxas aos seus movimentos de capital.

“Finucane e outros banqueiros sénior dizem que as lições da crise financeira não foram esquecidas. Dizem também que o processo de reformas ainda não terminou. Muitas das regras exigidas na legislação financeira americana Dodd-Frank têm ainda de ser escritas, e que Basileia ainda tem de desenvolver regras para os bancos denominados “demasiado grandes para falir” e para o nível de capital requerido às unidades financeiras.”
In Bloomberg

Portanto, daqui pode ser concluido que o cancro que se foi desenvolvendo nas últimas décadas continua a crescer sem que haja tratamento para ele, e principalmente que a cura para tal maleita continua a ser adiada na esperança que o doente se cure por si só.

E outro dos factores que a agência americana deixou no recanto do silêncio foi a relação da quantidade de dólares em circulação e a inflação…
Peter Schift:

“A inflação «é consequência dos passos que o governo tomou para tentar estimular a economia», disse, em referência aos gastos com os pacotes de ajuda à economia. Basicamente, o Fed teve de imprimir dinheiro de forma a pagar o enorme défice do país, o que por sua vez fez aumentar o preço de quase tudo o que é tabelado em dólares, que continua a ser a moeda de reserva mundial.”
In Yahoo Finance

Portanto, uma vez mais, as agências internacionais fazem cócegas à verdadeira profundidade dos problemas, fingindo soluções e preocupações, quando na realidade não são nada mais do que representantes dos interesses que ganham com o perpetuar dos problemas sobre os quais afirmam estar preocupadas.
Querem continuar a dar crédito às vozes que de lá palram?
Façam favor…

E vou fechar o texto de hoje com Jim Rogers, a Arábia Saudita e o petróleo…
Jim Rogers, um dos maiores casineiros do mundo diz que o preço do barril de petróleo poderá, ainda este ano, chegar aos 200 dólares.
Jim Rogers:

“(…) o mundo tem cada vez menos reservas de petróleo. Talvez ainda haja muito petróleo no mundo mas, a existirem, não sabemos onde estão ou como o extrair.”
In BBC

Vindo de quem vem e da forma desprendida como o disse… meus senhores agarrem bem o vosso cinto de segurança que a descida da montanha russa irá ser provavelmente violentamente atribulada…

E para reconfirmar um pouco as palavras do Jim, que tal esta coisa estranha da Arábia Saudita andar a assinar acordos de energia nuclear para reduzir a sua dependência dos combustíveis fósseis?
O que me dizem disso?
Talvez seja para ajudar a reduzir o aquecimento global, poderão pensar alguns, levados pela onda de histeria que o assunto está a gerar, mas talvez não faça mal nenhum levantarem esta questão:
Porque razão o país, que nos é dito ter as maiores e mais duradouras reservas de petróleo do mundo, está a gastar parte do seu excedente financeiro e técnico numa energia em que a matéria prima não existe por lá quando tem petróleo a brotar por todos os poros do seu território?
Será a opção da Arábia Saudita pelo nuclear a confirmação não oficial de que o petróleo não é assim tão abundante como o proclamado?
Deixo-vos com esta pergunta…

Conclusão:
Mais uma agência internacional que fala, fala, fala, mas o que diz é apenas e quase só balelas… balelas essas que são apenas e só palavras que o vento vai levar, porque os países que produzem não irão querer ter os outros a comer aquilo que é deles, quando lhes começar a faltar… e isso irá fazer a palavra inflação morrer trucidada pela violência de uma torrente chamada hiperinflação… hiperinflação que será pasto e regalo para os olhos e bolsos dos casineiros que sugam o tutano de um mundo que levantou todas as suas fronteiras para que eles possam passear à vontade a sua ganância e insensibilidade… e por causa deles a montanha russa da hiperinflação poderá estar mais perto do que se imaginava… e aqueles que dizem banharem-se em ouro negro poderão na realidade estar apenas a mergulhar em vãs memórias de um passado recente…

Notícia da NewsDaily – FAO warns against food export curbs
Notícia do The Guardian – Food speculation: ‘People die from hunger while banks make a killing on food’
Notícia da Bloomberg – Wall Street Partying in Davos as Crisis Angst Fades
Notícia do Yahoo Finance – Brace Yourself: Peter Schiff Predicts U.S. “Inflationary Nightmare”, Made in China
Notícia da BBC – Oil ‘could hit $200 a barrel’ says investor Jim Rogers
Notícia do Arabian Business – Saudi signs nuclear deal in bid to cut fossil fuel use

A Alemanha e a Energia Nuclear, a Banca e o Pico do Petróleo

Alemanha prolonga a vida das suas centrais nucleares em 12 anos. Bancos alemães podem vir a necessitar de 105 mil milhões de euros. Estudo militar avisa para uma crise do petróleo potencialmente drástica.

Alemanha, essa terra do silêncio onde mal se ouve o som das cidades e a cerveja choca é rainha… ah Alemanha…

Uma notícia que anda a fazer escaparates em todos os meios de comunicação, o prolongamento da vida das centrais nucleares na Alemanha…

Bom senso, bom senso? Alguém viu por aí o bom senso?
Ah está bem, encontraram o bom senso económico…
Pilim, pilim… anda cá!

Portanto economicamente faz sentido prolongar a vida útil das centrais nucleares até ao limite daquilo que está cientificamente comprovado… Pois é, os iogurtes quando passam de prazo também não costumam ficar logo impróprios para consumo mas perdem algumas características: o paladar, a consistência, a cor, etc… até ficarem intragáveis…
Pessoalmente gostava de saber mais sobre que características irão perder as centrais nucleares com o estender deste prazo?
Naturalmente a segurança não será a mesma… por isso podemos concluir que a segurança será a característica que mais será posta em causa… e Chernobyl é mesmo ali ao lado…
Bem, se calhar pensando melhor, já que aquilo já está poluído que mal fará mais um pouco, não é verdade?
Enfim…

A associação de bancos alemães diz que os dez maiores bancos poderão vir a necessitar de mais 105 mil milhões de euros de modo a conseguirem cumprir com os requisitos do Comité de Basileia III.
Que raios… ainda há dias andavam todos contentes que todas as suas indicações tinham sido levadas em conta pelo Comité de Basileia… hmmm… será que lhes será mais rentável começar a chorar pelos cantos, eles que andavam tão felizes?
Situação relatada no artigo: Comité de Basileia Deixa Bancos em Estado Eufórico
Hmmm…

Cheira-me que esses 105 mil milhões de euros poderão vir do fundo de emergência da União Europeia, tal como exigiu o governo alemão. Situação relatada no artigo Um Dia Portugal Será uma Província Alemã (Muito Grave)
Estarão eles a começar a fazer filinha indiana para receber rebuçados?
Hmmm…

E também da Alemanha nos chega um estudo das mentes bélicas alemãs (Bundeswehr) a alertar para os perigos eminentes de um Pico do Petróleo.

A primeira coisa engraçada é que todos os estudos oficiais sobre o Pico do Petróleo aparecem inadvertidamente na Internet… deve ser do óleo… devem escorregar e pumba, lá estão eles à vista de todos na Internet… Hmmm

Vamos então ao que é por lá dito… não se esqueçam que isto é um segredo de Estado…

– O receio que a noção de Pico do Petróleo possa desencadear turbulência nos mercados de bens e nos mercados de capitais.
Ó pá, os defensores das teorias da conspiração já dizem isso há anos… grande segredo…

– Alterações no equilíbrio mundial de poderes, formação de novos relacionamentos tendo por base a independência, um declínio na importância das nações ocidentais industrializadas, o colapso total dos mercados e de crises políticas e económicas muito sérias.
Desculpem… isto não é o Tenente Coronel Thomas Will a falar… isto é conspiração! Conspiracionista, reaccionário, anarquista!
Mas não… foi confirmada a sua veracidade por fontes governamentais… Sinceramente julgava que apenas os conspiracionistas usassem tal profundidade de análise…

– De acordo com o estudo o Pico do Petróleo poderá acontecer em 2010.
Epá! Desculpem-me! Este gajo é um mentecapto anarquista, conspiracionista! Um doente! Como pode ele dizer tal coisa?

– O impacto do pico do petróleo poderá ser sentido na segurança no espaço de quinze a trinta anos.
Agora sim, foi um pouco mais meiguinho…

– O petróleo irá determinar o poder.
Mas já não é o pão nosso de cada dia as guerras e as alianças pelo poder do petróleo?
Politicamente correcto… sim senhor..

– Os países exportadores de petróleo irão assistir ao aumentar da sua importância.
Pois e 2 + 2 = 4… Tcharam!

– Os países exportadores terão tendência a fechar parte do seu mercado.
Pois e 3 + 3 = 6… Tcharam!

– Os mercados irão falhar.
Pois e 4 +4 = 8… Tcharam!

– Terá de ser totalmente repensada a forma de alocação de energia nos países.
Pois é natural… se existe menos energia é normal ter de se repensar a forma como se a usa… brilhante…

– A Alemanha não conseguirá evitar as crises por estar tão dependente dos mercados internacionais.
Mas a Alemanha tem reservas de petróleo no seu solo? Brilhante conclusão…

– O risco de sobrevivência da democracia.
Conspiracionista! Anarquista! Doente mental!

Conclusão:

Faz anos que estudos independentes vêm a alertar para este facto, estudos esses que não foram realizados apenas quando já não há volta a dar. Esses estudos foram intitulados de conspiracionistas, de anarquistas, de pessimistas, de reaccionários… sei lá mais que termos foram usados para descredibilizar esses estudos, e para não variar era nesses estudos que estava a razão e não nas palavras de circunstância que somos bombardeados diariamente pelos políticos, pelas instituições internacionais, pelos economistas, pelos ditos especialistas que mais parecem ser especialistas na banha da cobra, por quase tudo o que tenha o selo de politicamente correcto…

O silêncio pensado por todas estas instituições com obrigações para com os Zé Povinhos do mundo é execrável, deviam ser todas elas levadas ao tribunal de Haia e  julgadas por crimes contra a humanidade.
Quem mais irá sentir as dores destes silêncios será a humanidade, os seus povos, a quem tem sido dito: Gastem, consumam, comprem, usem, abusem… façam o que quiserem mas gastem e consumam!
Para quem?
Para o bem de quem?
Para o quê?

Pois é, o mundo é uma bola esférica que nos tem sido vendido como uma rampa que irá continuar a crescer até às estrelas… quer dizer… irá continuar a crescer até ficarmos a ver estrelas…

Notícia do RTP1 – Alemanha prolonga duração média de centrais em 12 anos
Notícia da Reuters – Bancos alemães podem necessitar de 105 bi euros por Basileia III
Notícia do Spiegel – Military Study Warns of a Potentially Drastic Oil Crisis

Central Nuclear Flutuante

Chernobyls a flutuar em breve.

Centrais nucleares flutuantes… hmmm… que brilhante ideia das mentes mais brilhantes que flutuam no mundo moderno… digno do pensamento: “Vamos fazer figas para que nada corre mal com esta bomba ambulante de destruição e poluição.
Verdadeiramente inacreditável… ou não…

Por volta de 2012 a Rússia espera ter operacional a sua primeira central nuclear flutuante de forma a levar energia eléctrica até áreas inacessíveis… como aos pólos para ajudar a indústria petrolífera na exploração dessas terras inóspitas… a última fronteira para os combustíveis fósseis

Que dizer de tal coisa?
Absolutamente inquantificável o risco dantesco que apresenta tal solução!

Num mundo que navega à deriva das mentes financeiras e bélicas só nos faltava mesmo isto… são verdadeiramente brilhantes estes seres!

Para além de poderem ajudar na exploração dos combustíveis fósseis nos pólos, irão também servir (dizem eles) para abastecer as centrais de tratamento de água doce no médio-oriente, região que se vê a braços com a escassez desse bem essencial à sobrevivência…
Este tipo de coisas monstruosas tem sempre um fundo de bom e ficamos então a saber que isto será usado para matar a sede dos povos no Médio-Oriente…
Atenção que isto é apenas o embrulho que irão usar para vender esta tecnologia aos Zé Povinhos do mundo através dos seus veículos de publicidade: os meios de comunicação social.
E já agora… numa região apinhada de grupos e contra-grupos alcunhados de terroristas, acho que é mesmo a ideia mais brilhante deixar lá à mão de semear a mãe de todas as bombas… hmmm… verdadeiramente brilhante…

Esta, na sua essência, é apenas mais uma história dos interesses que interessam desenvolver no mundo… muito bom… muito bom mesmo…

Notícia do The New York Times – ‘Floating Chernobyls’ to hit the high seas

O Nuclear e o Nuclear e a Paz e a Paz

Israel incitado a revelar o seu programa nuclear. Clinton avisa que esta poderá ser a última oportunidade de paz entre Israel e a Palestina.

Vivemos num mundo de direito que vive torto e exige rectidão a todos – menos alguns.

A abstracta relação de visão do direito internacional é algo digno de ser presenteado com a distinção de pior forma de promover a democracia.

Israel é o único país no mundo que tem energia nuclear e ainda não assinou o tratado da IAEA de não proliferação de armas nucleares… até o Irão assinou… mesmo que duvide que o cumpra.
A Coreia do Norte é o único país que faz companhia a Israel, mesmo que tenha chegado a assinar o tratado… em 2003 rasgou o tratado de não proliferação de armas nucleares… que bela parelha…

Numa época em que a comunidade internacional aprova sanções a torto e direito sobre o Irão e a Coreia do Norte, que de santinhos não têm nada, Israel vai continuando a passear a arrogância de quem pode fazer o que bem entender.

As pressões internacionais a Israel, para a assinatura do tratado e revelação do seu armamento nuclear, têm vindo a crescer, principalmente por parte da Turquia e do Iémen (sem falar no Irão), mas os verdadeiros poderes do poder internacional continuam todos a ver o barco israelita passar como se nada fosse… Estados Unidos, Rússia, Inglaterra, China, França, etc, ficam todos caladinhos no seu cantinho…

A maior novidade em relação às décadas de silêncio da comunidade internacional sobre as diabruras de Israel é as pressões que a IAEA (Agência Internacional da Energia Atómica) está a fazer sobre Israel para revelar o seu arsenal nuclear.
Para variar, Israel não responde mas também ninguém o abriga a responder…

Se a comunidade internacional tivesse princípios, Israel devia estar debaixo de um manto de sanções… mas não, Israel é um caso especial, dizem-nos as acções – ou falta delas – da comunidade internacional… verdadeira cara das politiquices e interesses que pouco ou nada interessam aos Zé Povinhos do mundo.

Sobre esta premissa de liberdade de acção de Israel estamos uma vez mais a assistir a uma encenação de pseudo conversas de paz entre Israel e a Palestina.
Isto é apenas e só uma encenação porque nunca haverá um verdadeiro acordo de paz enquanto a margem ocidental do rio Jordão, área palestiniana, estiver picotada de colonatos, e principalmente enquanto 40% desse território for de movimentação restrita para os palestinianos, ou seja, ocupado por forças israelitas.  (In Wikipédia)
Nunca haverá paz enquanto houver ocupação, seja ela territorial ou política.

Enquanto a comunidade internacional não impuser rédeas aos desvarios de Israel, nunca irá haver paz naquela zona do planeta, seja com os palestinianos, com os egípcios, com os sauditas, com os libaneses, com os jordanos ou com os sírios.
Israel já entrou em guerra com todos estes países… é o campeão das guerras na segunda metade do século XX, e mesmo assim continua a ser um “protegé” da comunidade internacional… enfim…

Com a entrada em cena do Irão no panorama nuclear mundial, o que estamos a assistir é a um escalar de tensões na região, entre os que temem o Irão e os que temem um ataque de Israel ao Irão… um dia destes ainda pode estourar a rolha…
E como iremos nós assistir à acção impávida e serena da comunidade internacional ao descaramento do Irão e à falta de vergonha de Israel? Quem iremos culpar? O azul ou o vermelho?
Para mim a culpa está apenas e só no facto de haver uns que podem mais que outros… tudo isto é feito e defendido por um mundo que se auto-intitula de democrático… democracia quer dizer direitos e obrigações iguais para todos!

Viva a cara limpa da comunidade internacional!

P.S: Para quem gosta de não se esquecer, nada melhor do que ler qual a posição do representante israelita nas conversas de paz em relação à palestina… foi apenas há pouco mais de um ano… declarações reproduzidas pela RTP1.

Notícia da MSNBC – Israel urged to open up atomic program
Notícia do Los Angeles Times – Clintons warns this may be ‘last chance’ for Israeli, Palestinian peace for very long time
Notícias de apoio:
Notícia do Ynet – Turkey criticizes Israel’s nuclear program
Notícia do The Washington Times – IAEA conference criticizes Israel’s nuclear program
Notícia da News Iemen – Yemen slams Israel’s nuclear program
Notícia da RTP1 – Palestinianos e vizinhos árabes de Israel condenam exigências de Netanyahu

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