Monstrosanto

Ouvimos constantemente uns quantos a falar que o mundo está cheio de “doidinhos” pelas teorias da conspiração. Que esses “doidinhos” encontram fantasmas em todo e por todo o lado. Que veem monstros em todos os recantos que as elites habitam. Portanto, talvez o texto que se segue venha a ser conotado como “doidinho” pelos mesmos que de “doidinhos” dizem nada ter. Talvez lá para o fim do texto se consiga estabelecer então quem são realmente os mais doidinhos; se os auto-intitulados sãos, ou os conotados como menos sãos.

Monstrosanto

Nos últimos tempos de notícias presentes no minha mOsca uma captou fortemente a minha atenção, uma que ao mesmo tempo senti ter passado quase sorrateiramente pela esmagadora maioria das pessoas, e uma que poderá estar a preparar o futuro para os habitantes da Europa e dos Estados Unidos, mas não só.

Na segunda feira, o Presidente Barack Obama e o primeiro ministro David Cameron comprometeram-se a perseguir um acordo de comércio alargado entre os Estados Unidos e a União Europeia
Huffington Post

Até aqui aparentemente nada de especial para talvez as pessoas comuns; um encontro para debater acordos de comércio. Mas a mim fez disparar os meus alarmes internos: “Por que raio mais um acordo de comércio entre a Europa e os Estados Unidos se já quase não existem barreiras comerciais entre os dois portentos da economia mundial?” O que estariam eles a preparar quando já quase nada mais há para harmonizar entre os blocos separados quase apenas pelo oceano Atlântico?

Como as tarifas são já baixas ou inexistentes, o acordo centrar-se-á sobre as regulações de mercado. […] a inclusão de novos poderes políticos para as empresas protegendo-as por um processo controverso conhecido por “resolução de disputas entre investidor-estado”. […] A resolução investidor-estado fornece às empresas o poder político para apelar das leis e regras de um governo num tribunal internacional.
Huffington Post

Ah, poderes políticos para que as corporações possam colocar em tribunal os países que tenham leis que coloquem em causa os seus já mais que avantajados lucros.

Os grupos de defesa do interesse público dizem estar preocupados que um sistema de resolução investidor-estado entre os Estados Unidos e a UE venha a permitir que as empresas comparem padrões regulatórios de diferentes países, e processem o país com as regras mais fortes. As leis de segurança alimentar na UE, por exemplo, são mais robustas que as dos Estados Unidos
Huffington Post

Agora, e antes de mais, é conveniente salientar que nos andam a vender – os políticos e interesses instalados – este novo acordo comercial entre os principais centros do poder democrático no mundo como uma lufada de ar fresco para a economia mundial, para a economia da Europa e para a economia dos Estados Unidos.
Acho que depois de lermos o pequeno excerto acima do texto presente no Huffington Post ficamos todos a entender o que significa essa lufada de ar fresco, ou será que ainda sobrarão uns quanto auto-intitulados sãos que não conseguem ver para além da caixinha em que alegremente colocam a sua cabecinha?
Para eles fica uma pequena explicação.
Que benefícios trará esse novo acordo a Portugal, Espanha, França, Alemanha, Estados Unidos, etecétera, se basicamente quase a única coisa que ainda é passível de harmonizar são as regras/leis independentes que cada país tem – e deve ter – para garantir a sua identidade cultural, social, económica e territorial? Que benefícios? Alguns? Algo?
Sim existem, os benefícios serão quase exclusivamente para as grandes multinacionais que poderão dessa forma colocar país a país em tribunal de forma que dentro do espaço territorial do acordo estabelecido todos os países tenham de moldar as suas leis às do país que tenha as leis que mais agradam a essas multinacionais. BINGO!!! Melhor que um jackpot num casino, talvez até mesmo melhor que dois jackpots seguidos, pois isso nem é uma aposta, é uma vitória sem risco e sem suor, dada de mão beijada pelos políticos de uma Europa que nos diz trabalhar pelos europeus e para os interesses europeus. É verdade, trabalham quase exclusivamente em defesa dos interesses das multinacionais ditas europeias, aquelas que pagam impostos, quando pagam, num qualquer paraíso fiscal, que se calhar já nem sede têm na Europa, algures numa ilhas nas Caraíbas.
Talvez esteja na altura –  se é que já não é demasiado tarde para inverter o caminho sem derramar sangue – daqueles que ainda acham ser sã a defesa deste tipo de argumentos como garantia de um futuro melhor para os seus e para todos os outros começarem no mínimo a coçar na sua consciência.

“Às empresas não deve ser permitido que processem o meu país de forma a destruírem as leis que elas não gostam”.
Huffington Post

É esta a democracia que desejam? É este o futuro que almejam para os vossos filhos e netos? É esta a justiça e equilíbrio mínimo para a vivência em sociedade? Desejam que interesses não democráticos possam decidir o que é melhor para a sociedade? Se não, então começa a ficar tarde porque estamos quase a entrar no ponto sem retorno, e continuar sentadinho à espera de milagres só vos vai trazer dissabores, e dissabores cada vez mais violentos, na verdadeira acepção da palavra.

E como iniciei este texto a escrever sobre os “doidinhos” das teorias da conspiração, quais são os interesses que com mais força estão a tentar impulsionar este acordo transatlântico?

o Departamento de Estado conduzia negociações fora das vistas que não parecem fazer avançar a democracia nem os ideais americanos – em vez disso, encontrou evidências de lóbie usado para fazer avançar a agenda de empresas norte-americanas prósperas que já compraram a aprovação de grande parte de Washington.
RT

O grande mercado que ainda está por ser amplamente aberto aos interesses das multinacionais americanas, e não só, é o da agricultura na Europa.

“Os esforços do Departamento de Estado impõem os objectivos políticos das maiores empresas de biotecnologia de sementes em governos ou públicos frequentemente cépticos ou resistentes, e exemplifica a diplomacia corporativa debaixo de um véu”
RT

E assim chegamos até ao ponto que dá título a este texto, chegamos até à Monsanto, mais concretamente até à Monstrosanto. Podia escrever um texto dedicado apenas à descrição daquilo que representa a Monsanto, mas a informação está já tão amplamente disponível que farei apenas uma breve introdução à tecnologia, porque infelizmente o mal não fica cingido apenas pela Monstrosanto, ele é encarnado também – e não só – pela Syngenta (Suíça), Bayer Crop Science (Alemanha), DuPont (EUA), Groupe Limagrain (França), Land O’ Lakes (EUA), KWS AG (Alemanha), Sakata (Japão), DLF-Trifolium (Dinamarca), Takii (Japão) [As 10 maiores empresas de sementes transgénicas no mundo].

Mais de 800 cientistas no mundo estão de acordo: As culturas transgénicas são uma guerra biológica sobre os nossos alimentos
Natural News

É este o mercado que está a impulsionar, poderei até escrever pagar aos políticos para que o acordo de comércio – quer dizer, o acordo de desregulamentação na Europa, atinja os seus desejos; igualdade de leis entre as existentes nos Estados Unidos – quer dizer, igualdade entre a não existência de leis nos Estados Unidos e nos países da Europa.

O Senado dos Estados Unidos decidiu que pura e simplesmente não quer que os Estados possam dizer às pessoas se estão ou não a comer alimentos transgénicos.
Huffington Post

É isto que está a ser cozinhado, o não direito a ter direito de democracia sobre o que cada população deseja para a sua vida, a imposição dos desejos das grandes multinacionais sobre as populações, a destruição dos estados soberanos para defesa dos lucros de uma mão cheia de indivíduos no mundo.
É isto que desejam para o vosso futuro, não “doidinhos”? Então força, a forca ser-vos-á aconchegada de mão beijada.

Outro dos pontos que gostava de aqui salientar é: “Alguém viu, leu, ouviu por aí referências nos meios de comunicação para as massas em português às manifestações que aconteceram um pouco por todo o mundo contra a Monstrosanto? Não?
Porquê tamanho silêncio? Não nos é constantemente dito que os nossos meios de informação são livres, imparciais e limpos? Silêncio pago?

Convocado pelo movimento “Marcha Contra a Monsanto”, teve uma adesão estimada de 2 milhões de pessoas que participaram no Sábado no massivo evento que se estendeu a seis continentes, 52 países e pelo menos 48 Estados norte-americanos.
RT

Como podem ver o silêncio nos meios de comunicação para as massas foi no mínimo desproporcional ao tamanho e efectividade do movimento. Foi preferível encher parangonas atrás de parangonas com a contestação ao casamento homossexual em França, como se esses movimentos tivessem tido 2 milhões de pessoas como participantes. “Como são belos os nossos meios de comunicação”!

Quase a chegar ao fim, gostava de citar uma das notícias que saiu no minha mOsca, notícia essa que os auto-intitulados sãos chamam “doidinhos” a quem já não cai na lengalenga que à força as elites nos tentam vender:

Algumas pessoas começaram a perceber que existem grandes grupos financeiros que dominam o mundo. Esqueçam as intrigas políticas, conflitos, revoluções e guerras. Eles não acontecem por acaso. Há muito que tudo está planeado. Alguns chamam a isto “Teorias da Conspiração” ou Nova Ordem Mundial. De qualquer forma, a chave para se conseguir entender os eventos políticos e económicos actuais está confinada num punhado de famílias que acumularam poder e riqueza. Estamos a falar de 6, 8 ou talvez 12 famílias que governam o mundo. […] não estaremos muito longe da verdade citando o Goldman Sachs, os Rockefellers, os Loebs Kuh e Lehmans em Nova Iorque, os Rothschilds de Paris e Londres, os Warburgs de Hamburgo, Paris e os Lazards de Israel e os Moses Seifs em Roma. […] Resumindo: as oito maiores empresas financeiras norte-americanas (JP Morgan, Wells Fargo, Bank of America, Citigroup, Goldman Sachs, U.S. Bancorp, Bank of New York Mellon e o Morgan Stanley) são 100% controladas por dez accionistas e temos quatro empresas presentes em todas as tomadas de decisão: BlackRock, State Street, Vanguard and Fidelity.
Pravda

Talvez seja demasiado fechar com este tipo de informação, mas ao mesmo tempo como é que seria possível acontecer o que está uma vez mais a ser planeado num chamado acordo de comércio transatlântico sem que houvesse um poder tão forte que conseguisse impor lógicas que não têm lógica social absolutamente nenhuma?
Quem serão os donos dos fios que comandam a marionetas?
Quem serão os “doidinhos”?

Posted on 30/05/2013, in Agricultura, Ambiente, Corrupção, Saúde and tagged , , . Bookmark the permalink. 1 Comentário.

  1. Concordo. Talvez seja já mesmo impossível de resolver sem sangue derramado.
    Não há dúvida que houve muita inteligência por detrás de tudo isto. Viciou-se o povo deste mundo, ocupando-o com rebuçados…

    Em Portugal, ocupa-se o povo com futebol e reality shows… a nossa imprensa está controlada e emite informação que serve única e exclusivamente para ocupar os cidadãos, para que estes não se tornem demasiado autónomos… Porcos prontos a ir para o abate…

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