Arquivos de sites

Renováveis na Esperança

O nosso vício do petróleo está a drenar todas as gotas. A corrida para a energia verde está a levantar importantes questões financeiras na Europa. Um aumento na produção de biocombustíveis poderá seguir o aumento do preço do petróleo. O défice alimentar está a agravar-se. Mervyn King afirma que o nível de vida poderá não voltar a recuperar da crise.

A esperança… que deve ser a última a desvanecer… quando para alguém passa ser o único porto seguro deixa de ser esperança e passa a ser quase apenas puro desespero… uma ilusão…
Estará este nosso mundo agarrado à esperança de que as energias renováveis conseguem salvar este sistema económico e social?
Infelizmente tenho-me deparado com cada vez mais pessoas agarradas a essa esperança, o que em muitos casos já profundamente ultrapassou a fronteira da esperança, tal a convicção com que é defendida, que mais parece um puro desespero sustentado por vezes em meras ilusões sonhadoras desprendidas da realidade das coisas e deste sistema…

Escrito isto…

Actualmente o fornecimento de energia providencia o equivalente a 22 mil milhões de escravos, de acordo com o antigo homem do petróleo Colin Campbell.
A noção que um problema fundamental se está a avolumar, em que um aumento da procura supera uma oferta incapaz de crescer, conduzirá a uma carência na oferta do sangue que faz mover a economia global.
A descoberta de novos poços de petróleo atingiu o seu pico em meados da década de 1960, e tendo por base várias estimativas, ou estamos lá muito perto, ou então já estamos a vivenciar o pico da produção mundial de petróleo. A seguir, a disparidade entre a procura e a oferta aumentará inexoravelmente.
Hoje em dia as principais preocupações são que um aumento no preço do petróleo, impulsionado pelas sublevações no Médio Oriente, possa fazer perigar a “recuperação” económica. Mas existe uma ameaça muito maior e sistémica do pico e declínio da produção global de petróleo. O conduzir até ao supermercado, a quantidade de alimentos nas prateleiras, até mesmo como de manhã lavamos os dentes – toda a natureza da vida moderna nos países ricos está dependente da existência de petróleo barato e abundante.
In The Guardian

Abri com esta explicação de modo a contextualizar parte dos problemas que estão, ou irão em breve ser colocados à nossa forma de vida, a este sistema e a este paradigma social.
É quando confrontados com estes problemas que muitos adoptam o caminho da esperança, que pode ser ilusória, sem que para tal se baseiem em factos, apenas em desejos. Depois tomam opções de vida com base em um “quase nada”…
Eis então que surgem as renováveis que irão gradualmente substituir os 22 milhões de escravos que o petróleo providencia… a esperança de muitos… também a minha esperança mas não são certamente parte da minha certeza…

Nos últimos anos, o espectacular crescimento no número e tamanho das fontes de energia renovável na União Europeia — especialmente as solar e eólica — impulsionadas por gordos subsídios e retórica sobre as alterações climáticas, por parte dos governos, deixaram as redes de distribuição de electricidade em maus lençóis.
(…)”são necessários e urgentes avultados investimentos na rede de distribuição.”
Os custos estimados para o fortalecimento, melhoramento e eficiência das redes de distribuição chegam aos 100 mil milhões de euros, apenas para a próxima década, numa época em que os orçamentos estão estrangulados e em que os Estados impõem ou contemplam reduções nos seus esquemas de subsídios.
In Scientific American

Um dos problemas, que por norma escapa a quem se agarra intensamente à esperança das renováveis, é que uma contracção na oferta de petróleo é igual a uma redução no crescimento, o que por si conduz a uma redução da capacidade de investimento dos Estados e dos privados. Numa época de contracção não é socialmente sustentável, quanto mais aceite, que uma boa parte do excedente disponível (monetário) tenha de ser retirado aos benefícios sociais para se poder continuar a desenvolver as energias alternativas. Num mundo em contracção, um dos lados terá sempre de perder em favor do outro. Qual deles?
Estarão as pessoas dispostas a abdicar dos seus benefícios sociais?
A história diz-nos que não sem que tal não conduza a revoluções… que são, nesta altura do campeonato, do pior que pode acontecer com o excedente para o investimento.

(A Alemanha) produz usualmente pouco mais de 5 giga watts de energia eólica, e quando recentemente a produção disparou para um recorde de 20 GW num fim de semana particularmente ventoso, as ligações às redes fronteiriças dos países vizinhos tiveram de ser desligadas por não conseguirem lidar com o aumento de energia disponibilizado.
In Scientific American

Outro dos pontos usualmente negligenciado é o da volatilidade das fontes primárias de energia renovável, solar e eólica, com a sua produção a ser afectada positiva e negativamente consoante os dias, o tempo… não são estáveis. Este sistema social e económico não sustenta a instabilidade… Depois ainda não existe uma forma economicamente viável, nem mesmo exequível em larga escala, de armazenamento do excedente de energia gerado por estas fontes.
Infelizmente nenhuma das soluções eólica e solar actualmente disponíveis dispensam a existência dos combustíveis fósseis e ficar na esperança que venham a surgir os avanços tecnológicos, que na sua grande maioria só serão possíveis com a existência de um excedente de capital para investimento, quando na realidade podemos ter de vir a enfrentar uma contracção, que até pode ser extrema, pode ser apenas um pregar para o deserto… um sonho… uma ilusão…
A realidade é que o mundo está com décadas de atraso no investimento que devia ter sido feito nestas tecnologias e, dependendo que como decorrerem os próximos anos, talvez se venha a testemunhar que agora já poderá ser tarde demais…

Abordei apenas as questões sociais e de investimento com que se depara o nosso mundo para conseguir funcionar a renováveis. Unam essas questões à escassez cada vez mais pronunciada das matérias-primas que servem de base à tecnologia verde, solar e eólica — tema já abordado aqui na mOsca. O facto das energias eólica e solar serem sucedâneos de energia e não fontes de energia como o petróleo que é “moldável” em, por exemplo: pasta de dentes — como referenciado no texto de abertura. As renováveis, solar e eólica, só geram electricidade e pouco mais, e o nosso mundo necessita de muito mais que “apenas” electricidade.

Então e os biocombustíveis? (perguntarão alguns)

(…)a produção de biocombustíveis poderá enfrentar um ponto de viragem e começar a crescer exponencialmente consoante o aumento do preço do petróleo os for tornando cada vez mais rentáveis — em muitos países em desenvolvimento no mundo — os combustíveis que derivam de plantações.
(…)é provável que este crescimento na produção de biocombustíveis aconteça principalmente nos países em desenvolvimento que tenham populações em rápido crescimento e aumento da procura de bens alimentares. Isso é porque esses países, onde estão incluídas muitas nações africanas, são particularmente vulneráveis ao aumento do preço do petróleo, tanto para transporte como para a agricultura.
In The Guardian

Estará este mundo disposto a ter cada vez menos alimentos disponíveis de forma a ceder lugar a um crescendo da produção de biocombustíveis?

Os mais reduzidos inventários de milho desde há 37 anos são um sinal de que os agricultores do mundo não estão a conseguir produzir grãos suficientes para sustentar o aumento do consumo, mesmo com a expansão das plantações e com o aumento dos preços.
In Gulf News

Duvido! Porque entre a fome e a necessidade de energia, é a fome que assume o papel primordial.
Depois convém relembrar que os biocombustíveis são apenas isso… combustíveis… são também “apenas” um sucedâneo de energia e não uma energia moldável em por exemplo: pneus para o seu carro.
O futuro dos biocombustíveis está dependente da fome que existir no mundo para poder crescer, sob pena do mesmo mundo entrar em convulsões sociais. Talvez… talvez se houver um maior investimento no desenvolvimento da tecnologia se consiga descobrir uma fórmula mais eficaz, mas isso ficará dependente daquilo que já descrevi acima. Por isso os biocombustíveis irão, muito provavelmente, continuar a ser parentes pobres na produção de energia… e relembro que nem a energia eólica, nem a solar e nem os biocombustíveis ocupam o espaço usado pelo petróleo neste sistema social e económico. Energias eólica e solar: electricidade. Biocombustíveis: (pouco mais que) combustíveis.

E que futuro podemos esperar perante tal cenário de contracção do petróleo disponível e de fontes geradores de energia que estão atrasadas no seu desenvolvimento.
Ontem tivemos direito a uma frase de um dos maiores casineiros e banana deste nosso mundo que disse, o que para mim, foi algo inusitado, quase sem paralelo nos dias de hoje:

O Governador do Banco de Inglaterra alertou ontem que o nível de vida poderá não mais retornar ao que era antes da crise financeira, e que as famílias estavam apenas a começar a sentir o impacto total dos erros dos banqueiros.
“Estou surpreendido que a contestação popular tenha sido tão moderada.”
In The Independent

Sem dúvida que concordo com as suas afirmações, mas gostava de salientar que ele afirmou isso usando como base apenas a crise financeira causada pela banca no seu casino do mercado mundial. Imaginem o que teria de dizer caso juntasse a isso a mais que provável crise energética que está a aí à porta?
Revoluções… (?)
Juntem todos os factores, façam as continhas, e vejam lá bem onde poderá isto ir parar. Não usem como vosso sustento apenas as esperanças, que por muito importante que sejam para manter o ânimo, poderão não servir de sustento para uma tomada de opções para o vosso futuro e futuro dos vossos filhos que seja baseado no real.
Não se esqueçam… num mar de sonhos, por norma, afogam-se aqueles que mais sonham…

Conclusão:
Sopra uma brisa… o sol na praia… a mente que sonha em esperanças de uma vida vivida sem contratempos… enquanto isso, os bananas esticam… esticam… estiiiicam… a corda da realidade deste pesadelo tentando renovar os sonhos e esperanças daqueles que os vivenciam… e por aí fora… a fome… a fome dos combustíveis e um pesadelo que muitos perferem sonhar em esperanças profundas… mesmo que isso… seja apenas sinal de fome… e cada vez mais fome…
E entretanto, uns raros exemplares de uma espécie de sonhadores dizem… baixinho… será provavelmente o início deste FIM

Notícia do The Guardian – Our addiction to oil is draining every last drop
Notícia da Scientific American – Rush to Renewable Energy Generates Big Financial Questions in Europe
Notícia do The Guardian – Biofuel boom could follow oil price spike
Notícia do Gulf News – Worsening food deficit
Notícia do The Independent – King says living standards may never recover from the crisis

Este Mundo é Uma Mentira Inundada de Mentiras

Seis tabelas que demonstram que os bancos centrais pelo mundo estão a imprimir dinheiro de forma imprudente. Bernanke pede para que as regras do jogo sejam clarificadas. Como os biocombustíveis fazem aumentar o preço dos alimentos pelo mundo. Exportações de petróleo da OPEP caiem 2% empurradas pelo declínio na Arábia Saudita. Portugal endivida-se cada vez mais para comer. Portugal vive numa democracia podre. Nicolas Sarkozy diz que é necessário agir contra a grande ameaça da inflação. Economia americana: um grande esquema em pirâmide. Barclays pagou apenas 1% em impostos.

Inflação… o mundo bananeiro e casineiro está a começar a acordar (nas palavras) para o que se tem vindo a amontoar há pelo menos três décadas, desde quando o dólar deixou de ser resgatável em ouro, e exacerbado pela crise financeira de 2008 – excesso de liquidez nos mercados, vulgo, inflação.

Uma excelente compilação de dados no Business Insider ajuda-nos a compreender melhor a extensão da loucura desenfreada de um pseudo crescimento económico sustentado no numerário, quase afastado do real, conduzido por uma classe de Homens verdadeiramente, ou quase, dementes e diminutos na sua forma de analisar este mundo que devia ser de todos e para todos.

Se o dólar americano está a ser desvalorizado de forma tão intensa, então quais os porquês de por vezes ganhar valor a outras moedas do mundo? Bem, é porque actualmente estão todos a imprimir dinheiro de forma imprudente.
In Business Insider

Este tema devia ser uma preocupação central faz muito tempo… mas não… a mesma pandilha de bananas e casineiros que estão por detrás desta loucura monumental, apoiados por um silêncio ensurdecedor dos meios de comunicação generalistas e seus pseudo especialistas, são os mesmos que agora se dizem preocupados com o problema que eles conscientemente e ardentemente criaram.
Vejamos:

Estados Unidos

Fonte: Reserva Federal de Saint Louis

Um crescimento aproximado de 500% dos dólares em circulação no espaço de 30 anos!!!!! Aproximadamente 16% de aumento ao ano da moeda em circulação!!!!!

Europa


Um crescimento aproximado de 950%, ou 31,6% ao ano!!!!! (comparando com 1980)

Inglaterra


Fonte: Banco de Inglaterra

Um crescimento aproximado de 800%, ou aproximadamente 26% ao ano!!!!! (comparando com 1980)

China


Fonte: Banco Central da China

Um crescimento aproximado de 600%, ou aproximadamente 20% ao ano!!!! (comparando com 1980)
(Mais tabelas e exemplos estão presentes na notícia original – 6 Charts Which Prove That Central Banks All Over The Globe Are Recklessly Printing Money )

As conclusões a retirar destas tabelas são verdadeiramente simples: Um dia, este sistema que nos (des)governa irá deixar de conseguir absorver o excesso de dinheiro em circulação.
Acho que os sinais são mais que óbvios que estamos quase a lá chegar, se é que não estamos já por lá, mesmo que os insanos que nos conduziram até aqui consigam encontrar mais um coelho na cartola… mesmo assim é quase uma impossibilidade matemática o dinheiro fiat em circulação continuar a crescer a estes níveis…
Acho que já todos estão cientes que uma contracção do dinheiro em circulação é igual a recessão… por isso… que soluções existem para contornar isto?
Nenhuma que seja exequível dentro deste sistema que nos (des)governa sem que tal não exija taxas de crescimento negativo pelo mundo fora, ou seja, uma longa e continuada recessão durante décadas de forma a absorver gradualmente o dinheiro em excesso.
Qual o caminho que está a ser adoptado?
O da constante e contínua desvalorização das moedas em circulação, vulgo inflação, solução que é um imposto indirecto sobre os poupados e principalmente sobre as classes média e pobre.

Escrito isto, voltemos ao mundo da realidade pintada pelos meios de comunicação social para as massas…

O presidente da Reserva Federal dos EUA alertou hoje que os capitais que inundam os países emergentes ameaçam a estabilidade económica global, pedindo aos parceiros do G20, reunidos em Paris, que tomem medidas para resolver o problema.
“Os fluxos de capital estão, outra vez, a levantar desafios notáveis à estabilidade financeira e macroeconómica”, disse Bernanke, à margem da reunião dos ministros das Finanças e governadores de bancos centrais das 20 maiores economias desenvolvidas e emergentes.
In OJE

Depois de verem as tabelas expostas acima, o que me dizem de tais afirmações e vindo de um dos maiores impulsionadores da criação de moeda para impulsionar o (pseudo) crescimento (numerário)?
Pois é verdade, este é o mundo deles que infelizmente também é o nosso por ignorância da grande maioria dos Zé Povinhos deste mundo!

E então se analisarmos as pressões inflacionárias causadas pelo excesso de moeda fiat em circulação e o que está à acontecer com o sangue que tem sustentado esse crescimento do numerário, as energias?

As exportações de petróleo da OPEP caíram 2% em Dezembro, comparando com Novembro, com a Arábia Saudita, o maior exportador mundial, a reportar um declínio de 4,9%.
As exportações sauditas caíram para 6,05 milhões de barris por dia em Dezembro , quando comparado com Novembro, mesmo que a sua produção tenha aumentado para um máximo de dois anos de 8,37 milhões de barris por dia.
“Esta é uma diferença significativa,” disse John Sfakianakis, economista Chefe do banco com sede em Riade, Saudi Fransi, sinalizando a diferença de 2,32 milhões de barris por dia entre o que produz e o que exporta.
“Não é claro que a Arábia Saudita tenha consumido os 2,32 milhões de barris durante esse mês, mas é evidente que um aumento do consumo interno está eminente”, disse.
O total de exportações no mundo caiu 14% em Dezembro, comparando com o mês anterior, para 55,5 milhões de barris por dia, o valor mais baixo desde 2002, principalmente nos produtores não alinhados com a OPEP, especialmente os da América Latina.
In The Washington Post

Um declínio da produção na Arábia Saudita, um declínio na produção dos membros da OPEP, um declínio da produção na América Latina, um declínio monumental na produção do mundo e o constante crescimento das moedas fiat no mercado… Isto é verdadeiramente explosivo, digo eu, porque o petróleo é o principal motor gerador de riqueza neste mundo, e se ele está em contracção e as moedas continuam a ser imprimidas como se não houvesse amanhã, então a riqueza estará a ser delapidada em duas frentes, inflação e contracção do petróleo, que a continuar assim só trilham um caminho para este sistema económico: Hiperinflação!

E o que anda este mundo a tentar fazer para combater o declínio na produção de petróleo?
Anda a investir nos biocombustíveis.
Qual a influência destas medidas para tentar amenizar as quebras de oferta de petróleo no mundo?

O investigador de Princeton, Tim Searchinger, na semana passada numa coluna no The Washington Post, afirmou que os biocombustíveis estão a contribuir para a crise no preço dos alimentos. Constatou que os biocombustíveis – tanto o etanol de milho nos Estados Unidos como os biocombustíveis, que dependem do óleo de palma – consomem actualmente mais de 6,5% da produção mundial de grãos e 8% do óleo vegetal. Em 2004, estava entre os 2% e virtualmente nada. Num pressionado mercado de alimentos mundial, constrangido pelas condições atmosféricas, onde a dispersão de óleos e grãos é sentida no seu preço, especialmente nos países em desenvolvimento onde o aumento nos artigos de consumo é passado directamente para os consumidores. (Nos países desenvolvidos, o marketing e embalamento são os responsáveis pela fatia de leão no preço dos artigos o que amortece o aumento do preço dos artigos aos consumidores.) “Hoje em dia, o mercado está desequilibrado, escreveu Searchinger.
In Time Magazine

Em que ficamos?
Inflação gerada por excesso de moeda em circulação, mais inflação gerada por uma contracção na oferta de petróleo e mais inflação gerada pelas soluções desenvolvidas para controlar a inflação gerada pelo aperto nas exportações de petróleo!
Inflação + inflação + inflação!!!!!!!

Será diferente em Portugal?

As primeiras previsões agrícolas do ano, feitas pelo Instituto Nacional de Estatística não deixam margem para dúvidas: “as elevadas precipitações ocorridas até meados de Janeiro impediram a realização das sementeiras, levando inclusivamente à diminuição generalizada das superfícies semeada”.
O ano passado Portugal importou 80% das suas necessidades de cereais. Este ano será seguramente pior. Ou seja, o desequilíbrio da balança de pagamentos agrícola irá aumentar.
In Expresso

Obviamente que não! Já sabemos que os euros andam a inundar o mercado, que o petróleo não está a baixar e que este ano ainda irá ser o pior de sempre em termos de importação de alimentos.
Que podemos esperar deste ano?
Inflação!

E serei apenas eu que ando para aqui neste blogue a escrever recorrentemente sobre a inflação, tentando chamar à atenção de quem por aqui passa? Serei eu apenas um pessimista, um pseudo divulgador das histórias mais negras?
Joe Berardo:

Numa entrevista à agência Lusa, o empresário disse estar “muito preocupado com o aumento do custo de vida em Portugal” e elegeu o desemprego entre os jovens como “o problema mais grave a nível mundial” porque “vai resultar em revoluções”, como as da Tunísia e Egipto.
Sustentou que os aumentos do petróleo, IVA, impostos, redução dos ordenados na função pública, ou a duplicação do preço do trigo em menos de um ano são situações que vão provocar “uma inflação incontrolável daqui a pouco tempo”.
In Diário Económico

Nicolas Sarkozy:

A inflação coloca uma significativa ameaça ao crescimento global, arriscando o surgimento de sublevações perigosas se os preços dos alimentos crescerem para lá das possibilidades das pessoas”, Nicolas Sarkozy, o Presidente francês, em forma de aviso aos ministros das finanças do mundo.
“Um mercado sem regras é um mercado que será controlado pela especulação,” disse Sarkozy. “Mercados têm de ter, A market without rules is a market which is governed by speculation,” Mr Sarzoky said. “Markets have to have, tecidos neles, regras.”
In The Telegraph

Não, não sou apenas eu! Este é o problema do momento e o momento actual já poderá ser tarde demais para a controlar… digo eu… ate´pode ser que os bananas consigam desencantar mais um coelho da cartola para adiar esta conclusão.
Portanto… inflação causada pelo excesso de moeda em circulação, mais inflação gerada pela redução das exportações de petróleo, mais inflação causada pelas medidas tomadas para amenizar a redução nas exportações de petróleo, mais inflação causada por especuladores…
Onde irá isto parar?
Quase certamente, tal a pressão generalizada, à hiperinflação!!!

E pegando numa das últimas frase que expus de Sarkozy, “um mercado sem regras é um mercado que será controlado pela especulação”, o que nos contam as acções dos mesmos bananas que agora se mostram tão preocupados com a inflação?
Danny Schechter:

Economia americana: um grande esquema em pirâmide.
Enquanto Bernie Madoff desvanece na prisão, os banqueiros continuam a lucrar enquanto os pobres perdem a esperança e as suas casas.
O melhor relato sobre esta matéria não está nos meios de comunicação generalistas mas numa revista de música, na Rolling Stone, onde Matt Taibbi investiga o porquê de todos em Wall Street não estarem ainda na cadeia: “Financeiros desonestos colocaram a economia mundial de gatas – mas o Fed faz mais para os proteger do que para os processar,” escreveu.
Agora os republicanos querem diminuir as regulações sobre o mercado de derivados presentes na legislação financeira Dodd-Frank, afirmando que as regulações irão conduzir a um aumento do desemprego. Isto era previsível: todos os esforços para defender os grandes interesses económicos são sempre apresentados como medidas para ajudar o público.
O The New York Times reportou: “O representante Stephen Lynch, democrata de Massachusetts, avisou: “Acham que a regulamentação é dispendiosa? Então o que me dizem dos 7 biliões que perdemos por não haver regulação no mercado de derivados?
Não obteve resposta.
A passividade do público é em parte resultado da inundação de meios de informação que não aprofundam as questões e de uma eficiente privação de informação.
In Aljazeera

Pois… a verdade é que os bananas que (des)governam este mundo, que já por si é (des)governado por este sistema económico que é gerido por casineiros desgovernados, não fazem nada de nada, ou quase nada, para que o descontrolado comboio das economias mundiais consiga retornar aos seus carris.

E como ainda poderá haver por aí alguém que diga: Ah, isso é o Danny Schechter que está sempre a falar mal – para mim uma das vozes mais lúcidas no jornalismo mundial -, ou isso é da Aljazeera que está sempre contra o mundo ocidental:

O facto de o Barclays, terceiro maior banco britânico, ter pago apenas 113 milhões de libras (134,3 milhões de euros) de impostos no Reino Unido em 2009, o que equivale a cerca de um por cento dos lucros (11,6 mil milhões de libras), gerou hoje vários protestos de indignação.
In Público

Pois… a verdade é que não são os Danny Schechter’s e Aljazeeras deste mundo que estão a falar mal, a verdade é que a verdade é a vida sumptuosa cheia de benefícios de uns quantos muitos poucos, e a vida cada vez mais complicada de muitíssimos mais que são os penalizados.
E também poderá haver ainda alguém que pense que o que aconteceu com o Barclays em Inglaterra se cinge a Inglaterra… e para isso basta ver e saberem o que aconteceu em Portugal com o valor dos impostos pagos pela banca. Este é um sintoma generalizado neste mundo ocidental intitulado de desenvolvido. Desenvolvido? Sim… desenvolvido pela ganância, pelo engano, pela mentira, pelo abuso, pela traição, pela indecência, por desavergonhados indecorosos!

Conclusão:
Uma maré de papel fictício inundou a nossa vida… tal como inundada está de falsos profetas que se escondem debaixo de um manto de virtuosismo técnico… E as soluções (des)encontradas para suster parte da maré que aí vem mais não são que água que está ajudar a transbordar ainda mais o dique da desgraça… Enquanto isso, é bombeado cada vez mais de menos do sangue vital para o sistema mundial… E assim a fome é agua que paulatinamente inunda o nosso mundo… E por vezes: Verdade! A verdade! Alguém fala da verdade com verdades! Homens que sugaram e sugam o tutano deste mundo começam agora a abrir as goelas em terror… AHHHHHHH!!!!!!… Este mundo é uma mentira inundada de mentiras!!! Este mundo é como o Egipto, uma pirâmide construída acima dos Homens e só para alguns homens…

Notícia do Business Insider – 6 Charts Which Prove That Central Banks All Over The Globe Are Recklessly Printing Money
Notícia do Oje – Ben Bernanke pede controlo nos fluxos de capitais
Notícia do The Washington Post – OPEC Oil Exports Fall 2% as Saudi Shipments Decline
Notícia da Time – Why Biofuels Help Push Up World Food Prices
Notícia do Expresso – Portugal endivida-se mais para comer
Notícia do Diário Económico – Portugal vive uma “democracia podre”
Notícia do The Telegraph – G20 Paris: Nicolas Sarkozy calls for action against inflation’s ‘great threat’
Notícia da Aljazeera – US economics: One big Ponzi scheme
Notícia do Público – Notícia de que Barclays pagou impostos equivalentes a 1% dos lucros gera protestos

Vãs Memórias de um Passado Recente

A Agência Alimentar americana avisa os países produtores de alimentos em relação ao controlo das exportações. Especulação alimentar: Morrem pessoas de fome enquanto os bancos enchem o pote. Wall Street banqueteia-se em Davos no desvancer do temor da crise. Peter Schift prevê um pesadelo inflacionário nos Estados Unidos, made in China. Jim Rogers: O barril de petróleo pode chegar aos 200 dólares. Sauditas assinam acordo nuclear para reduzir o uso de combustíveis fósseis.

Os últimos dias foram passados e preenchidos com informações sobre as revoluções induzidas pelo aumento do preço dos alimentos – inflação-, e não só, no Norte de África, no Médio Oriente e na África Central.
Estará o mundo a entrar numa nova fase social revolucionária induzida pelo cada vez menor excedente de matérias primas?

Um dos principais medos do mercado, quase totalmente desregulado de matérias primas, é o da regulamentação, devido a isso a Agência Alimentar americana veio a terreiro avisar, em tom de temor, os países produtores para não cederem à tentação de reduzirem as exportações das suas produções de alimentos.
Decompondo o que esta agência está a “pedir”…
Pede aos países produtores que não invertam a tendência inflacionária que começa a surgir nos seus mercados internos de forma a não causar maior tendência inflacionária no resto do mundo.
Irão as populações locais aceitar que os outros possam pagar menos e que eles tenham de pagar mais por causa dos outros?
Irão as elites que governam esses países colocar em causa o seu status quo e deixar os preços dos alimentos disparar para que o resto do mundo possa pagar menos por eles?
Não esquecer que as elites bananeiras fazem de tudo de forma a perpetuar o poder, por isso, digo, o mais provável é o mundo começar a assistir a medidas de controlo das exportações. Quando tal acontecer, a palavra inflação irá em pouco tempo ceder lugar à palavra hiperinflação.

Mas o aviso da agência americana trás consigo um busílis do mercado, os especuladores. Talvez não seja má ideia dizer a essa agência americana que grande parte da responsabilidade do aumento exponencial do preço dos produtos alimentares é culpa de membros da sua sociedade, e que a limitação das exportações por parte dos países produtores não mais será que uma consequência das políticas usadas por esses destacados membros da sua estrutura social.

“(…)entre os negociantes e economistas está a emergir uma nova teoria. Os mesmos bancos, fundos de investimento e financiadores cuja especulação nos mercados financeiros conduziu à crise imobiliária são agora os principais suspeitos pelos preços dos alimentos andarem tipo yo-yo a inflacionar. São acusados de se estarem a aproveitar dos mercados serem desregulamentados para capitalizarem milhares de milhões na especulação dos alimentos, levando a miséria a todo o mundo.”
In The Guardian

Podemos daqui retirar uma pequena mas profunda conclusão: se os mercados voltarem a ser regulamentados o mundo poderá voltar a ter alimentos a preços mais acessíveis.
Porque será que a agência americana não faz menção a este ponto tão significativo?
Estará a soldo dos mesmos interesses que batalharam durante décadas pela eliminações das regulamentações dos mercados internacionais?

“(…) depois de intenso lóbie nos Estados Unidos e em Inglaterra por parte da banca, dos fundos de investimento e de políticos defensores da desregulamentação dos mercados, as regulações nos mercados de matérias primas foram sendo paulatinamente abolidas. Os contratos para compra e venda de alimentos foram transformados em “derivados” que podiam ser comprados e vendidos entre negociantes que nada tinham que ver com a agricultura. Como resultado disso nasceu um novo e irreal mercado de “especulação alimentar”. Cacau, sumos de fruta, açúcar, fibras têxteis, carne e café são hoje em dia matérias primas globais, a par do petróleo, ouro e outros metais.”
In The Guardian

Se não estiver a soldo dos mesmos interesses que têm uma relação directa e evidente com o aumento do preço dos alimentos, então é mais uma instituição internacional composta maioritariamente por pessoas incapazes e incompetentes.

Enquanto tudo isto está a acontecer bem à frente dos nossos olhos, chega-nos o retrato de que em Davos os maiores casineiros do nosso mundo andam de peito feito, quase em festa, pois este ano chegam à reunião anual para debate da economia mundial com lucros recorde e sem o temor da aplicação de novas regulamentações e taxas aos seus movimentos de capital.

“Finucane e outros banqueiros sénior dizem que as lições da crise financeira não foram esquecidas. Dizem também que o processo de reformas ainda não terminou. Muitas das regras exigidas na legislação financeira americana Dodd-Frank têm ainda de ser escritas, e que Basileia ainda tem de desenvolver regras para os bancos denominados “demasiado grandes para falir” e para o nível de capital requerido às unidades financeiras.”
In Bloomberg

Portanto, daqui pode ser concluido que o cancro que se foi desenvolvendo nas últimas décadas continua a crescer sem que haja tratamento para ele, e principalmente que a cura para tal maleita continua a ser adiada na esperança que o doente se cure por si só.

E outro dos factores que a agência americana deixou no recanto do silêncio foi a relação da quantidade de dólares em circulação e a inflação…
Peter Schift:

“A inflação «é consequência dos passos que o governo tomou para tentar estimular a economia», disse, em referência aos gastos com os pacotes de ajuda à economia. Basicamente, o Fed teve de imprimir dinheiro de forma a pagar o enorme défice do país, o que por sua vez fez aumentar o preço de quase tudo o que é tabelado em dólares, que continua a ser a moeda de reserva mundial.”
In Yahoo Finance

Portanto, uma vez mais, as agências internacionais fazem cócegas à verdadeira profundidade dos problemas, fingindo soluções e preocupações, quando na realidade não são nada mais do que representantes dos interesses que ganham com o perpetuar dos problemas sobre os quais afirmam estar preocupadas.
Querem continuar a dar crédito às vozes que de lá palram?
Façam favor…

E vou fechar o texto de hoje com Jim Rogers, a Arábia Saudita e o petróleo…
Jim Rogers, um dos maiores casineiros do mundo diz que o preço do barril de petróleo poderá, ainda este ano, chegar aos 200 dólares.
Jim Rogers:

“(…) o mundo tem cada vez menos reservas de petróleo. Talvez ainda haja muito petróleo no mundo mas, a existirem, não sabemos onde estão ou como o extrair.”
In BBC

Vindo de quem vem e da forma desprendida como o disse… meus senhores agarrem bem o vosso cinto de segurança que a descida da montanha russa irá ser provavelmente violentamente atribulada…

E para reconfirmar um pouco as palavras do Jim, que tal esta coisa estranha da Arábia Saudita andar a assinar acordos de energia nuclear para reduzir a sua dependência dos combustíveis fósseis?
O que me dizem disso?
Talvez seja para ajudar a reduzir o aquecimento global, poderão pensar alguns, levados pela onda de histeria que o assunto está a gerar, mas talvez não faça mal nenhum levantarem esta questão:
Porque razão o país, que nos é dito ter as maiores e mais duradouras reservas de petróleo do mundo, está a gastar parte do seu excedente financeiro e técnico numa energia em que a matéria prima não existe por lá quando tem petróleo a brotar por todos os poros do seu território?
Será a opção da Arábia Saudita pelo nuclear a confirmação não oficial de que o petróleo não é assim tão abundante como o proclamado?
Deixo-vos com esta pergunta…

Conclusão:
Mais uma agência internacional que fala, fala, fala, mas o que diz é apenas e quase só balelas… balelas essas que são apenas e só palavras que o vento vai levar, porque os países que produzem não irão querer ter os outros a comer aquilo que é deles, quando lhes começar a faltar… e isso irá fazer a palavra inflação morrer trucidada pela violência de uma torrente chamada hiperinflação… hiperinflação que será pasto e regalo para os olhos e bolsos dos casineiros que sugam o tutano de um mundo que levantou todas as suas fronteiras para que eles possam passear à vontade a sua ganância e insensibilidade… e por causa deles a montanha russa da hiperinflação poderá estar mais perto do que se imaginava… e aqueles que dizem banharem-se em ouro negro poderão na realidade estar apenas a mergulhar em vãs memórias de um passado recente…

Notícia da NewsDaily – FAO warns against food export curbs
Notícia do The Guardian – Food speculation: ‘People die from hunger while banks make a killing on food’
Notícia da Bloomberg – Wall Street Partying in Davos as Crisis Angst Fades
Notícia do Yahoo Finance – Brace Yourself: Peter Schiff Predicts U.S. “Inflationary Nightmare”, Made in China
Notícia da BBC – Oil ‘could hit $200 a barrel’ says investor Jim Rogers
Notícia do Arabian Business – Saudi signs nuclear deal in bid to cut fossil fuel use

Boaventura, Chris e o Curso

Boaventura de Sousa Santos: Entrada do FMI em Portugal seria uma desgraça. Boaventura de Sousa Santos defende a “reinvenção do Estado” como resposta às crises. Combate à crise financeira vai levar à confrontação social. Preparem-se para o Pico do Petróleo enquanto têm tempo.

Que dia este!
Dois dos maiores e melhores pensadores dos nossos dias expuseram as suas convicções para todos ouvirmos.

Boaventura de Sousa Santos, que é retractado apenas como sociólogo nos meios de informação para as massas quando na realidade é professor de economia na Universidade de Coimbra, na Faculdade de Direito da Universidade de Wisconsin-Madison e Global Legal Scholar da Universidade de Warwick, Director do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Director do Centro de Documentação 25 de Abril da mesma Universidade e Coordenador Científico do Observatório Permanente da Justiça Portuguesa.
Dizendo que ele é apenas sociólogo reduzem o impacto das suas palavras a um pseudo analista de sociedades, quando na realidade o que ele faz é analisar o peso e influência da economia sobre as sociedades.

Ao que é importante, deixando para trás o pudor insultuoso e manipulador dos meios de comunicação generalistas:

O FMI não é a solução adequada para Portugal, porque quando entra num país, é a desgraça para esse país, e a tese está comprovada.

Só os nossos comentaristas trauliteiros e ignorantes e conservadores, que infelizmente dominam os nossos meios de comunicação, alguns deles pessoas que deviam ter mais vergonha na cara, é que podem vir a sugerir que isso é uma boa solução para o país.”

O FMI, pela sua política, tem uma obsessão, [que é] cortar nas despesas sociais do Estado. Significa pobreza, miséria, mais desequilíbrio social numa sociedade que já é a sociedade com mais desigualdade social na Europa.

É a miséria, é a pobreza que estará no horizonte. O FMI funciona segundo a lógica dos credores, não funciona segundo a lógica dos devedores. Acima de tudo procura impor políticas que garantam aos credores o pagamento das dívidas. Não é nunca uma solução.

Os países que rejeitaram a intervenção do FMI, ou que desrespeitaram as suas regras, são aqueles que fizeram melhores recuperações económicas”. Citou o caso da Argentina, hoje elogiada pelo FMI, que “no princípio da década disse ao FMI: não pagamos.

Entre a prioridade “total” que deve ser dada às energias renováveis e à agricultura familiar e o «não» radical ao agrocombustível, o sociólogo português defende «a reinvenção do Estado» nos moldes de uma democracia participativa. «Se o Estado vai ter um controlo maior sobre a economia tem de haver uma democracia económica».

A única agricultura que mata a fome é a agricultura familiar. O agronegócio e a grande monocultura não resolvem o problema, pelo contrário, produzem fome.

É preciso uma outra visão da natureza como recurso humano e não como recurso natural.

Esta política convida à confrontação social. Estamos a assistir a roubo de direitos, a roubo de dinheiro que as pessoas pagaram. Quando se fazem cortes nas pensões, o dinheiro não é do Estado. Em grande parte, foi dinheiro que as pessoas investiram nas suas pensões.

Portugal não pode ser exceção. Se as medidas acordadas neste Orçamento não puderem ser suficientes, e elas já são graves, é de esperar que haja contestação social e confrontação.

In Público e Expresso

Acho que nem é preciso escrever muito mais além de: Este é um Senhor de um pensamento lógico e empírico, que nos transmite uma mensagem actual, real e fundamental, fora dos contextos populistas e manipuladores que todos os dias são descarregados às pazadas em cima das nossas mentes.
Gostava apenas de salientar algo que estranhei ter tido luz verde nas palavras escritas no público:
“Só os nossos comentaristas trauliteiros e ignorantes e conservadores, que infelizmente dominam os nossos meios de comunicação, alguns deles pessoas que deviam ter mais vergonha na cara…”.
Dificilmente uma afirmação poderia descrever melhor o estado da comunicação social no mundo ocidental, verdadeiro veículo para muita da ignorância que grassa no nosso mundo.

E como ontem foi um dia em cheio, um dos meus heróis, Chris Martenson, deu duas entrevistas a dois dos mais conceituados veículos informativos do momento – não generalistas – em que expôs parte das suas leituras para o mundo: (Hoje só usarei uma das fontes. A outra ficará para outro dia, porque sei que ele irá ser importante)

“O nosso sistema monetário tem de crescer. Existem outros sistemas que não necessitam de crescer e outros sistemas monetários que podemos usar. Mas não o que estamos a usar, onde o dinheiro é criado através de empréstimos.”

“Eventualmente, em muitos dos casos, os empréstimos pedidos criados pelo governo não são produtivos. Pegando no exemplo dos empréstimos para material militar, constrói uma bomba, que gera actividade económica, mas depois explode-a. Por isso deixa de existir actividade económica associada a essa bomba, correcto? Sobra apenas a dívida; nada de produtivo. Este é apenas um exemplo dos casos que criam a dinâmica da espiral de dívida, que é uma espiral exponencial.”

“A principal razão das pessoas terem dificuldade em entender a noção de Pico do Petróleo é a crença (cega) na tecnologia.”

“Tenho visto muitas pessoas assumirem que existirá um tipo de declínio em curva descendente, e a economia seguirá essa curva. Mas estamos a entrar neste declínio com os mais altos níveis de alavancagem, ou dívida, já registados. Temos vindo a acumular imensas quantidades de dívida que requerem um crescimento constante. Por isso, vejo a possibilidade, o risco, de um futuro mais negro do que outros vêem.”

“Os mercados financeiros exibem o comportamento de um rebanho, assim que o rebanho decidir que o Pico do Petróleo é real, acho que iremos assistir a alterações muito rápidas, nos comportamentos. Por isso a razão da minha preocupação é pensarmos no que acontecerá se apenas uma pequena percentagem do dinheiro em circulação decidir perseguir o petróleo, iremos assistir a uma explosão incrível. Será muito rápido, quase imediato. Sabe, 100 dólares por barril, ou 200, talvez mais, escolha um número, pouco importa. Isto é uma possibilidade bem real.”

“Acho que os problemas  que assistimos no suprimento de alimentos a seguir ao furacão Katrina em Nova Orleães, será o mesmo tipo de tempestade que prevejo venha a acontecer nas cadeias globais de fornecimento de bens alimentares.”

“Cada 1% no crescimento do PIB mundial, nas duas últimas décadas, conduziu aproximadamente a 0,25% de aumento no consumo de petróleo a nível mundial, uma relação de quase 4% para 1%.
O inverso… se seguirmos os mesmo princípios e dissermos que o decréscimo será idêntico ao crescimento, então podemos dizer que por cada 1% de declínio na produção de petróleo poderemos vir a assistir a um declínio de 4% no PIB. Acho que irá ser mais elevado , consequência dos níveis actuais de endividamento.”

“Temos tido uma recuperação estatística, pelo menos em relação aos números do PIB. Isso não é surpresa; talvez venha a subir 1% no terceiro trimestre. O que me surpreende é que só cresceu esse valor porque os gastos do governo americano (défice) representam actualmente mais de 10% do PIB. Por isso, se retirarmos esses gastos teríamos por sua vez um decréscimo de 10% no PIB.”

“Posso garantir-lhe que a inflação é a consequência preferida pelo ponto de vista das politicas, de todos os bancos centrais. No espectro político existem muitos actores interligados que partilham a crença, o desejo, que a inflação seja uma realidade. E sejamos claros em relação a uma coisa. A Reserva Federal e outros bancos centrais ainda não esgotaram todas as suas possibilidades. Ainda não entraram no modo de pânico.”

“Existe, dois tipos de pessoas, as pessoas que se conseguem adaptar, que têm a mente desperta e conseguem ver estas coisas antecipadamente. Depois temos as pessoas que não fazem ideia do que se está a passar, que não prestaram atenção… estas irão sofrer um choque violento.”

In Energy Bulletin

Muito mais coisas são por lá ditas, por isso aconselho a leitura do texto original.

Aquilo que é descrito por estes dois “Monstros” dos nossos dias será muito provavelmente o nosso futuro.
Quanto tempo?
Daqui a 1 ano, 2, talvez 5, 10?
O que interessa para quando se as alterações se apresentam hoje tão sérias que todos os adultos responsáveis deviam estar a tomar opções de forma a enfrentar este mais que provável choque da melhor maneira possível. Infelizmente o que assisto é a uma constante forma de negação, quase primária, daquilo que poderá vir a ser o nosso futuro.
Todos preferimos as boas às más notícias, mas quem encerra a sua mente no mundo do faz-de-conta, irá ser trucidado por  tais alterações.

E para fechar aconselho mais que tudo a visualização do magnifico, sublime e imprescindível trabalho de Chris Martenson no documentário em forma de manual de bolso sobre as nossas vidas: O Curso do Crash

Notícia do Público – Boaventura de Sousa Santos: entrada do FMI em Portugal seria “uma desgraça”
Notícia do Público – Boaventura de Sousa Santos defende “a reinvenção do Estado” como resposta às crises
Notícia do Expresso – Combate à crise financeira vai levar à confrontação social
Notícia do Energy Bulletin – Interview with Chris Martenson: “Prepare for peak oil while there is time.”

ONU Mundo Deles

Os custos da importação de alimentos irão este ano suplantar em 1 bilião o ano de 2009, diz a ONU. Preço dos alimentos poderão aumentar até 20% em 2011, avisa a ONU. China irá subsidiar alimentos depois do recente aumento dos preços. O novo plano de Abu Dabhi para a segurança dos bens alimentares. Alterações climáticas e doenças irão causar novas crises alimentares. FMI reduz o peso do dólar e do Yen no cesto do SDR. China avança contra a liquidez para reduzir a inflação. Trichet: Juros podem subir antes de terminarem as ajudas à banca.

Tal como ontem, vou quase ignorar as crises das finanças públicas, que já estão a ter (quase) a devida exposição nos meios de informação para as massas, e focar a minha atenção em algo que julgo ser muito mais preocupante e verdadeiramente mais perigoso: a inflação e o preço dos alimentos.

Hoje foi um dia em cheio para decantar muitas das tendências que irão moldar o ano que aí vem, e os seguintes.

A nossa querida, amada e estimada ONU veio a terreiro expor as suas conclusões em relação ao preço dos alimentos praticados hoje, o que espera para amanhã e quais as suas causas primárias.
Para quem anda apenas a reboque daquilo que é dito nos meios de comunicação para as massas, poderá estranhar algumas coisas que irei escrever lá mais abaixo. Para quem já deixou de consumir a informação para as massas como a verdade absoluta, servirá apenas de clarificação das tendências futuras.

A ONU prevê:

– “Os custos da importação de alimentos irão este ano suplantar em 1 bilião o ano de 2009.”
– “É pouco provável que os efeitos do aumento dos preços fiquem contidos nos seus respectivos sectores, porque muitos destes bens servem de pasto principal aos sectores de criação de gado e dos biocombustíveis.”
– “Em relação aos cereais mais importantes, a produção terá de se expandir substancialmente para suprir a demanda e recuperar as reservas mundiais.”
– “Devido a estas causas, os consumidores poderão não vir a ter outra opção para além de pagar preços mais elevados pelos seus alimentos.”

In Bloomberg

A maior parte da informação exposta neste excerto é de simples conclusão e análise para todos. Gostava apenas de salientar como estes tipos da ONU conseguem ser irracionais, ignorantes e verdadeiramente estúpidos nas suas análises, julgando que todos nós somos tão ou mais estúpidos que eles de forma a engolir as suas mensagens publicitárias!
Com que então assumem pela primeira vez que uma das principais causas para o aumento do preço dos alimentos está directamente relacionada com o sector dos biocombustíveis!
Mais abaixo voltarei a esta causa…

Continuando…

– “Preço dos alimentos poderão aumentar até 20% em 2011.”
– “O preço do trigo, do milho e de muitos outros alimentos transaccionados internacionalmente cresceram até 40% no espaço de apenas alguns meses. Os preços do açúcar, da manteiga e da mandioca estão em valores máximos de 30 anos, e a carne e peixe estão ambos significativamente mais dispendiosos do que no ano passado.”
– “Inflação dos preço dos alimentos, alimentada pela especulação, a vaga de calor na Rússia e transacções nos mercados de futuros.” (…)
– “Os pobres são quem mais irão sofrer porque sentem directamente o efeito do aumento do preço dos alimentos.”

In The Guardian

Mais informação que ajuda a desenhar parte do nosso futuro, uma boa parte com valor verdadeiramente importante, como a noção da inflação do preço dos alimentos estar apenas a ser causada pela especulação.
Mais abaixo aprofundarei esta questão.

Alguns países estão já a entrar em “estado de choque” em relação ao aumento do preço dos alimentos, tal como a China e em Abu Dhabi nos Emiratos Árabes Unidos.
Sinal dos tempos que estão para chegar?
Para mim, mais do que sinais, a evidência que algo está verdadeiramente a mudar.

Voltando à ONU…
Quais as principais causas que irão colocar em causa a produção alimentar?

– “Alterações climáticas, especulação, biocombustíveis e o aumento da procura na Ásia são os factores que irão levar a um aumento exponencial dos preços no ano que vem.”
– “Além de conduzir ao aumento da inflação em Inglaterra e no mundo ocidental, outro episódio de hiperinflação no preço terá terríveis implicações para as pessoas mais pobres do planeta.”
– A produção terá de aumentar substancialmente (…) O principal obstáculo identificado para o aumento da produção alimentar é o potencial económico das explorações para biocombustíveis e as explorações não alimentares.
– “Efeitos adversos do clima são indubitavelmente um dos principais factores na quantidade das safras de trigo e, com as alterações climáticas, poderão vir a ser cada vez mais recorrentes.”
– “Não subsistem dúvidas que as actividades especulativas trouxeram grande volatilidade ao mercado, mas não existem provas que a especulação tem conduzido ao aumento dos preços até níveis não antes vistos.”

In The Independent

Antes demais, peço desculpa pela quase desconexão do texto até este ponto, mas acho que era por demais importante expor a informação divulgada pela ONU tal como a encontrei. Serve de exemplo de como o copy\paste praticado na maioria dos casos para a divulgação de informação nos meios de informação generalistas é por vezes trocado por divulgação em formato de puzzle: várias secções da mesma história espalhadas por várias fontes, onde só lendo a totalidade das fontes se consegue ter uma ideia mais concreta da informação que está a ser veiculada.
Este é um método que encontro ser recorrente para muita da informação veiculada pela ONU… vá lá se saber o porquê…

Depois desta pequena explicação, voltando à ONU e aos alimentos…
Pegando um pouco atrás gostava de relembrar que a ONU diz que no espaço de meses o preço de alguns bens aumentou mais de 40%, mas que a sua previsão para o ano que vem é de 20% de aumento… hmmm
Gostava também de relembrar que a ONU disse que mais episódios de HIPERINFLAÇÂO terão resultados dantescos nas economias.
Gostava de vincar que o preço dos alimentos é o valor mais importante para a contabilização da inflação…

Portanto, nas palavras da ONU, as causas são, os biocombustíveis – que são imensamente subsidiados pelo mundo ocidental, o mesmo mundo que governa a ONU -, a especulação – que segundo as palavras da ONU, não existem provas que comprovem o seu impacto nos preços… talvez porque a grande maioria dos especuladores sejam parte integrante do mundo ocidental, o mesmo mundo que governa a ONU -, o aumento da procura por parte da Ásia – área do mundo em que o mundo ocidental mais tem investido nas últimas décadas, o mesmo mundo  que governa a ONU -, e para fechar, as alterações climáticas que põem em causa a quantidade das safras mundiais.

Conclusão:
– Os biocombustíveis, altamente subsidiados, são uma das principais causas para o aumento do preço dos alimentos. Deixem de os subsidiar!
– A especulação que é acção dos mesmos mercados que estão a levar o mundo à bancarrota. Limitem a acção abusiva dos mercados de capitais sobre o preço dos alimentos!
– As alterações climáticas. Bem, o nosso mundo mudou tanto que secas ou cheias são situações que acontecem apenas agora… Pelas apalavras deles quase se pode chegar à conclusão que o clima foi sempre sinónimo de estabilidade… hmmm…

De todas as causas aventadas, existe uma que, para mim, é apenas a mais relevante e que não é identificada pela ONU, talvez porque tal coisa poria em causa quase todas as causas avançadas para explicar o porquê dos preços estarem a subir tanto.
Vou tentar explicar.
O dólar é a moeda de referência mundial, é a moeda de reserva mundial. Quase todos os mercados de transacção de bens são cotados em dólares, ou seja, esses bens são transaccionados em dólares. Como todos já devem estar a par, o dólar tem vindo a perder valor de forma exponencial, o que conduz ao aumento exponencial dos preços dos bens transaccionados nesses mercados, não pelo aumento da procura mas pela desvalorização da moeda que os transacciona.

Vou tentar explicar de forma simplista o que acontece neste mundo de dólar em desvalorização exponencial:
Eu sou Portugal. Em 2005 comprei 10 dólares com euros, que me custaram, nessa altura, 15 euros.
Hoje, em 2010, vou comprar trigo no valor de 10 dólares mas os mesmo 10 dólares, que comprei em 2005, valem hoje apenas 8 euros, o que quer dizer que os mesmos 10 dólares hoje compram metade do trigo que compravam em 2005, e principalmente como eu, Portugal, paguei 15 euros por esses 10 dólares, terei hoje de cobrar, não o valor do dólar de hoje, mas sim o valor do dólar de 2005 de forma a não ter prejuízo quando for vender o trigo que acabei de adquirir. Ou seja, os 10 dólares de 2005 perderam 50% do valor inflacionado 50% o valor do bem que adquiri em 2010.
Isto é o exemplo nu e cru de muito do que estamos a assistir hoje com o preço dos alimentos, dos bens de uma forma geral, e que terá tendência a ganhar contornos de cada vez maior gravidade, porque o governo americano (Reserva Federal) continua a injectar milhar de milhões de dólares no mercado na forma de pacotes de estímulo à economia.
Talvez não seja mal pensado dizer aos senhores da ONU que nem todo o mundo é tão estúpido ao ponto de acreditar nas suas constantes inverdades, por vezes puras falsidades e muitas da vezes verdadeiras inversões.

Para nos ajudar a compreender um pouco melhor esta situação… O FMI reduziu o peso do dólar e do Yen no cesto do SDR (O peso que cada moeda tem no mercado internacional, medido pela força das suas economias).
Ora mas que raio?!??!? Perguntará quem faz contas… mas a economia da zona euro não tem sido a que mais tem contraído nestes últimos anos, quando comparada à economia americana e chinesa?
Porque raio irão dar mais peso ao euro em comparação com uma redução do peso do dólar e do yen no cesto?
Simples, digo eu, o euro é a moeda, das três, que menos tem desvalorizado.
Já ouviram falar no jogo dos espertinhos? Este é um belo exemplo… usam a moeda que tem desvalorizado menos, mesmo que tenha um peso nas transacções mundiais incomensuravelmente inferior ao dólar e esteja a perder cada vez mais terreno para o yen, de forma que a inflação apresentada pelo FMI, para os vários mercados de bens no mundo, seja menos expressiva… O mundo dos espertinhos, não é verdade???

Ah! Também o BCE começa a dar os primeiros passos para combater o temor da inflação:

“O presidente do Banco Central Europeu alertou hoje que os juros podem subir, mesmo que permaneça em vigor o programa de cedência de liquidez à banca.”

In Jornal de Negócios

Esperem lá! Mas estando a Grécia, a Irlanda, Portugal, a Espanha e a Itália, sem falar noutros, tão dependentes das taxas de juro praticadas pelo BCE para conseguirem angariar liquidez para as suas economias, Trichet vem a terreiro dizer que as taxas de juro podem subir mesmo antes de terminar o apoio às economias titubeantes da Europa?
Ólálá, temos aqui contraditório… como ajudar as economias mais frágeis com juros mais altos se são esses mesmo juros altos que as estão a estão a queimar em lume brando?
Estará o BCE a querer dizer que é preferível que os Estados mais frágeis da UE sofram ainda mais, possam mesmo colapsar, e pior, terem até de sair da moeda única de forma que os países mais ricos da UE e o euro consigam sobreviver, sem ter e terem de passar por um processo inflacionário escalante?
O tempo o dirá, mas os sinais que começam a ser dados…

Notícia da Bloomberg – World Food-Import Costs Will Exceed $1 Trillion on Higher Prices, UN Says
Notícia do The Guardian – Food prices may rise by up to 20%, warns UN
Notícia do The Independent – Climate change and disease will spark new food crisis, says UN
Notícia da Associated Press – China to subsidize food after price spike
Notícia da Reuters – Abu Dhabi’s new plan for food security
Notícia da Bloomberg – IMF Reduces Weighting of Dollar, Yen in SDR Basket
Notícia do Jornal de Negócios – Trichet: Juros podem subir antes de terminarem ajudas à banca

Os Números da Fome

ONU afirma que a fome no mundo diminui em 2010, 9,6%.

Como é possível apresentar um relatório com tal evidência?
Como é possível dizer que em 2010 a fome diminui se ainda estamos em 2010?

Eu sei que para muitos de vós ouvir falar em termos depreciativos da ONU é algo que choca violentamente com a ideia que têm pré-concebida de uma instituição que nos é constantemente vendida como a guardadora das boas causas. Mas atenção à realidade subjacente das suas acções, facto que é muito mais importante que qualquer embrulho político ou título pomposo que possa ser dado às suas acções… Se o mundo desse para ser medido apenas por aparências todos nós seríamos muito mais livres e felizes do que somos.

Para contrabalançar estes números que considero um verdadeiro embrulho político “mentiroso”, nada melhor que relembrar que o preço dos alimentos têm vindo a subir exponencialmente este ano. Que o rendimento per capita nos países em desenvolvimento, exceptuando algumas raras excepções, não está a acompanhar o aumento dos preços dos alimentos. Que a produção agrícola local em África tem vindo a decair em virtude dos investimentos massivos dos países ricos em produções para consumo no exterior. Que os campos de produção agrícola em África têm vindo a ser substituídos por campos produtores de plantações destinadas aos biocombustíveis, etc…, etc…, etc…
São tantos os factores que me levam a concluir que isto é uma inverdade descarada…

Para além disto tudo, como é possível representar esses números se em grande parte dos países pobres as pessoas nem são recenseadas?
Como é possível?

Qual é o limiar para a fome? Uma fatia de pão por dia? Qual é?

Suponho que isto possa servir de pedra de toque para justificar uma redução dos apoios dos países desenvolvidos no combate à fome no mundo…

No mínimo podemos afirmar que existem demasiados factores que questionam a validade dos números aventados por esse estudo… no mínimo um mundo pintado em tons de rosa pode provar vir a ser uma falsificação da realidade…

P.S: O rendimento per capita de todos os países tem sempre um valor final inflacionado, devido à disparidade de rendimento existentes entre o 1% mais rico e os restantes 99%, no mínimo entre 10 a 15% do valor final…

Notícia da Reuters – Fome diminui no mundo em 2010, diz ONU
Notícia do Wall Street Journal – U.N.: World Hunger to Fall 9.6% in 2010
Notícias de Apoio:
Food And Agricultural Organization of The Unites Nations – Food Index September 2010
Notícia do redorbit – What Is Crippling Food Production In Africa?
Notícia do Nation Master – Gross National Income (per capita) (most recent) by country
Notícia do SciDev – Biofuel: Africa’s new oil?

%d bloggers like this: