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Vergonha das Vergonhas!

Quão seguras são as dívidas soberanas da zona euro? Triunfo total da Alemanha com a subjugação do peixe miúdo da Europa. União Europeia desenvolve uma nova linha de salvação para Portugal. Portugal acha que os juros se situarão entre os 5% e os 6%. Novo programa de austeridade foi feito com técnicos do BCE e da Comissão Europeia. Reformados são os mais afectados pelas novas medidas de austeridade. Pensionistas com menores rendimentos irão ser os mais castigados nos impostos. Reformados pagam mais de mil milhões da consolidação. Pensionistas devem receber menos 449 milhões. IRS pode subir até mais de 540 euros para os reformados. Governo insiste no tecto às despesas com a saúde para 1,5 milhões de contribuintes. Saúde prepara novos cortes nas comparticipações. Executivo quer liberalizar rendas antigas. Finanças voltam à proposta de subida do IVA nos produtos alimentares. Executivo não vai forçar portugueses a comprar dívida pública. Governo vai encorajar a poupança automática das famílias. Governo prepara redução do IVA para o golfe.

Há momentos em que os dramas causados pela natureza neste nosso mundo fazem com que deixemos escapar os dramas evitáveis cozinhados usualmente por aquelas classes de Homens que são verdadeiramente anormais… os bananas e os casineiros.

Portugal, a sua soberania e o seu Zé Povinho – o que não faz parte do 1% – foram nestes últimos dias atacados por um tsunami de medidas dantescas com o cunho dos anormais. Infelizmente a natureza presenciou-nos com um tsunami que era, esse sim, imparável. O tsunami social que está a ser desenvolvido contra o Zé Povinho português é evitável… desde que…

Antes de entrar, propriamente dito, nos danos para Portugal, façamos uma pequena “tour” pelas dívidas soberanas e suas classificações atribuídas pelas entidades internacionais:

In The Telegraph
Há aqui coisas que saltam logo à vista.
– As economias mais fortes da Europa, quase sem excepção, são as que estão mais endividadas e todas elas estão no topo das classificações, exceptuando a Itália que é por sinal a rainha das dívidas.
– Porque razão a Estónia, que não pede quase dinheiro emprestado, não está classificada como AAA?
– Porque razão a Itália que é um monstro sorvedouro de dívida não está ao nível da Grécia?
Há por aqui coisas que derrotam o bom senso, digo eu.
Será esta uma classificação da força e poder da banca e não uma classificação ao risco de incumprimento de pagamento de um Estado, como nos é constantemente transmitido pelos nossos(?) meios de comunicação social?
A Estónia que nada deve tem um risco de incumprimento comparável ao de Portugal? Brincamos ou quê?
Os que mais devem são, por norma, aqueles que melhor classificação têm? Brincamos ou quê?
Como é possível a Itália não estar a ser consumida pelas agências de rating, tal a monstruosidade da sua dívida? Brincamos ou quê?
Pelos visto isto poderá ser mais uma brincadeira dos casineiros com a conivência dos bananas, tal a incongruência demonstrada nesta tabela quando comparada com as palavras usadas para explicar os seus porquês.

E então o facto da Alemanha ter uma vez mais imposto as suas medidas no seio da Europa?
Haverá um país que será mais que os outros nesta Europa a muitos… poucos? Pelos vistos…

A dama de ferro Chanceler da Alemanha não podia ter sido mais clara. “Quem quiser crédito terá de aceitar as nossas condições.”
In The Telegraph

Mas isto é uma Europa a 1 ou a 17?
A resposta? A 1!

E quais foram as imposições da Alemanha aos três párias da Europa, Grécia, Irlanda e Portugal?
Grécia:

À Grécia, os termos são a obrigação de vender bens do Estado no valor de 50 mil milhões no espaço dos próximos quatro anos, um aumento de dez vezes sobre os iniciais 5 mil milhões que o Primeiro Ministro George Papandreou julgava ter assinado no ano passado.
In The Telegraph

Os principais bens do Estado grego estão avaliados em pouco mais de 15 mil milhões de euros, onde irá o governo grego desencantar mais 35 mil milhões? Onde? Irá vender ilhas? Irá vender soberania? Irá vender o seu Zé Povinho? Talvez tenha de vender um pouco de tudo de forma a conseguir agraciar a banca alemã com o cumprimento das dívidas…

Irlanda:

Para a Irlanda, uma condição apenas – ainda não aceite – que é subir a taxa de IRC de 12,5% sobre o investimento, descrito pelo líder francês Nicolas Sarkozy como “obsceno”.
In The Telegraph

Para Portugal:

Para Portugal, é mais cortes, uma redução do défice para 5,3% num ano. Pensões, apoios sociais e gastos com a saúde terão de ser reduzidos, depois das medidas já adoptadas de redução dos salários.
In The Telegraph

Pessoalmente tenho muito orgulho em ser português, tenho muito orgulho das minhas origens e não aceito de bom grado, sob condição alguma, que alguém de fora do meu país decida o que o Zé Povinho português terá de sofrer de modo a que um grupo de bananas e casineiros possa lavar a sua face perante a alta sociedade do despesismo e da dívida europeia. Que moral tem essa dama de ferro para exigir o que quer que seja aos outros quando ela governa um dos maiores desgovernos na Europa? Que moral atesta esse Sarkozy para exigir aos outros aquilo que ele não faz?
Porque não exigem a vós, Alemanha e França, uma redução de 90% das suas dívidas públicas, de forma a ficarem equiparáveis às restantes da Europa? Porque não exigem à Itália a redução em 90% da sua dívida pública de forma a ficar comparável aos restantes membros desta Europa a poucos?
PORQUÊ?!?!?!?!?!?!?

E os bananas de Portugal aceitam ser subservientes do despesismo dos outros para que o seu despesismo possa ser salvo por uma linha de financiamento que permitirá aos nossos bananas poderem recorrer a ela caso os mercados lhe fechem a porta. Portanto, Portugal já está a receber o pacote de ajuda(?) – belo nome dado pelos predadores a um pacote de LUCRO – providenciado pelo União Europeia. Só falta o FMI, mas como as semelhanças entre EU e FMI são mais que muitas, venha o diabo e escolha o pior…
E os nossos bananas vendem a sua subserviência e soberania do nosso Portugal por taxas de juro entre os 5% e os 6%. Para quem já não se lembre, ainda não faz um ano e Portugal financiava-se nos mercados a taxas aproximadas a 3,5%. Onde está ajuda? Pelo menos digam a verdade… não é uma ajuda é apenas e quase só um lucrar POR VEZES um pouco menos do que se fosse em mercado aberto. Isto são acções de predadores e não de países que se dispõem a ajudar Portugal.
E claro, como confirmação da venda da soberania nacional a uns casineiros e bananas estrangeiros, ficámos a saber que as medidas de austeridade que estão agora a ser cozinhadas foram feitas sob anuência e presença física de membros da União Europeia e do Banco Central Europeu.
Perdoem-me a expressão: Em tempo de guerra a traição à pátria é um crime de extrema gravidade, e como considero que o Zé Povinho está a ser dizimado e bombardeado nesta guerra aberta dos casineiros com a conivência dos nossos bananas, isto é um crime de LESA PÁTRIA!

Uma equipa de técnicos do Banco Central Europeu de várias nacionalidades incluindo alemã, assim como técnicos da Comissão Europeia estiveram durante estas duas últimas semanas a desenhar com o Ministério das Finanças as medidas hoje anunciadas, apurou o Negócios.
In Jornal de Negócios

Eu tenho vergonha dos nossos bananas! VERGONHA!!!!!

Mas vergonha deviam eles ter e não têm, pois é mesmo à descarada que assumem a defesa daqueles que não necessitam dela para desproteger ainda mais os mais pobres! VERGONHA!!!!
Então ficámos a saber que as medidas IMPOSTAS pelos casineiros e bananas alemães e afins servirão para retirar o pouco que ainda sobra aos mais pobres e aos mais desprotegidos de modo a conseguirem continuar a alimentar o seu modo de vida totalmente desconectado da realidade de 99% do Zé Povinho. VERGONHA!!!!

Reformados são os mais afectados pelas novas medidas de austeridade.
Cortes nos rendimentos mensais e aumento do pagamento de impostos em sede de IRS será a nova realidade dos pensionistas portugueses.
In Jornal de Negócios

Pensionistas com menores rendimentos vão ser mais castigados nos impostos.
Agravamento fiscal anunciado pelo Governo pode ultrapassar os 530 euros para reformados com pensões de cerca de 805 euros mensais.
In Diário Económico

Reformados pagam mais de mil milhões da consolidação em 2012.
Um quarto do esforço previsto para 2012 será pago pelos idosos portugueses através de cortes de pensões e aumentos de impostos,
In Jornal I

IRS pode subir até mais 540 euros para os reformados
Além de cortes ou congelamentos no valor na pensão, uma grande fatia de reformados poderá contar com outra ceifadela no valor da sua reforma por via do IRS.
Serão prejudicados todos os reformados com pensões abaixo de 2.300 euros/mês, mas o sacrifício maior será para quem ganhe abaixo de 1.700 euros. Nalguns casos, o IRS a pagar pode duplicar.
In Jornal de Negócios

Não há maior descaramento social que retirar àqueles que menos têm para dar aos que já têm demais. Alguém por acaso ouviu alguma medida para taxar mais os que mais têm?!?!?!?!?
Por acaso alguém ouviu alguma medida para retirar os benefícios fiscais e taxar mais a banca?!?!?!?!
Por acaso alguém ouviu alguma medida para taxar os lucros em bolsa?!?!?!?!
Por acaso alguém ouviu alguma medida para taxar o movimento de capitais para as offshores?
ALGUÉM?!?!?!?!?!?!
VERGONHA!!!!!!!

Ah, mas não nos esqueçamos que os alemães exigiram cortes na despesa com a saúde.
Quem, do Zé Povinho, é mais afectado por cortes da despesa com a saúde? Quem? Principalmente os reformados e os mais pobres!!!! VERGONHA!!!!

Os contribuintes com um rendimento colectável entre 7.410 e os 61.244 euros por ano arriscam-se a sofrer um forte aumento da carga fiscal nos próximos anos, caso as intenções do Governo em matéria de IRS avancem.
In Jornal de Negócios

Portanto, todos os contribuintes que ganhem mais de 610 euros por mês, ou seja, quase todo o Zé Povinho, deixará de poder deduzir despesas com a saúde…
Ok, ainda não tiraram tudo pois não?

Saúde prepara novos cortes nas comparticipações
Novas medidas de controlo da despesa do SNS podem passar pela redução nas comparticipações de medicamentos e pela revisão das tabelas da ADSE.
In Diário de Negócios

Ainda não tiraram tudo mas vão tirar mais uma talhada. E quem irá sofrer mais com mais esta medida? Os reformados e os mais pobres!!!! VERGONHA!!!!!!!!!

Será que ainda haverá espaço para mais vergonhas?

Executivo quer liberalizar rendas antigas.
Em causa está o aumento de 429 mil rendas anteriores a 1990.
O Governo anunciou ontem a intenção de liberalizar as rendas antigas – anteriores a 1990. Em causa estão 429 mil rendas de entre as cerca de 700 mil existentes, segundo dados dos Censos de 2001.
In Diário Económico

Então não há!!! Até conseguirem que deixe de haver Estado Social esta seita de predadores racionalmente bajuladores da banca e dos interesses internacionais irão sempre encontrar mais medidas para irem com as suas conspurcadas mãos de traição ao bolso dos mais pobres!
Quem paga rendas anteriores a 1990?
Na sua grande maioria os reformados!!!! VERGONHA!!!!!!

Mais?

Finanças retomam proposta de subida de IVA nos produtos alimentares.
Na mira do Executivo poderá estar novamente o aumento das taxas reduzidas e intermédias de IVA que incidem sobre alguns produtos. Isto é: passagem de alguns produtos com taxa de 6% para 13%, e desta taxa intermédia para a taxa normal que, desde Janeiro deste ano, passou de 21% para 23%.
In Diário Económico

Há sempre espaço para mais uma…
Quem senão os mais pobres irá sofrer com o aumento da taxa de IVA sobre os produtos alimentares de primeira necessidade?
VERGONHA!!!!!

E depois disto tudo ainda temos direito à ideia do século, que me fez recordar tempos passados num passado com muito pouca liberdade e ainda menos liberdade de expressão:

O ministro das Finanças anunciou hoje que está a trabalhar com o Banco de Portugal num plano de promoção da poupança interna e redução do endividamento das famílias.
O Ministério das Finanças não explica que forma vão assumir estas “poupanças automáticas”. Da oferta da banca fazem parte algumas soluções que prevêem a entrega mensal de montantes fixos para contas poupança.
In Jornal de Negócios

Hmmmm… quase sempre que os bananas colocam um título pomposo nas suas medidas como “poupança automática”, acaba invariavelmente por demonstrar ser o contrário. Por isso, talvez isto ainda venha ser uma “poupança compulsiva”, porque quase a única coisa que a esmagadora maioria do Zé Povinho português consegue poupar é na raiva para com os bananas!

“A poupança é voluntária”. Foi com esta resposta ao Diário Económico que o Ministério das Finanças descartou a possibilidade de o pagamento do 13º mês ser efectuado com títulos de dívida pública portuguesa. Isto significa que se Teixeira dos Santos decidir adoptar esta medida de contenção, a mesma não surgirá como uma imposição. Um ligeiro alívio para os portugueses que acabam de conhecer novas medidas de austeridade.
In Diário Económico

Ahhhhh… com que então esta medida poderá ser uma artimanha com um título todo pomposo para esconder o que na sua essência será um IMPOSTO COMPUSIVO SOBRE O 13º MÊS de ordenado do Zé povinho… ahhhh!!!! VERGONHA!!!!!

E para fechar por hoje nada melhor que aqui deixar um claro sinal dado pelos nossos bananas de que nem todos os impostos irão subir e quem nem todo o Zé Povinho irá sofrer ainda mais:

Os campos de golfe deverão voltar a ser tributados à taxa reduzida de IVA, de 6%, em vez dos 23% que são obrigados a praticar desde o início do ano, com a entrada em vigor do Orçamento do Estado (OE) para 2011. A mudança surge num momento em que o Governo prepara medidas de austeridade que também atingirão o IVA, mas será feita à margem delas, e dispensará inclusivamente qualquer alteração legislativa: passará por uma informação vinculativa do Fisco a estabelecer uma nova interpretação jurídica para a lei agora em vigor.
In Jornal de Negócios

Mal tenho palavras para conseguir descrever isto!!!!! Então rouba-se à descarada dos pensionistas, dos mais pobres,  retiram-se-lhes quase direitos consagrados na constituição portuguesa, aumenta-se o IVA para os produtos que são primeira necessidade para os pobres, e baixa-se o IVA para os campos de golfe?!?!?!?!?!?!?
ISTO É UMA CASA DE LOUCOS GERIDA POR LOUCOS BAJULADORES DESPRENDIDOS DE QUALQUER SENTIMENTO SOCIAL!!!!!!!!!!!
Alguém por aí joga golfe e paga a mensalidade (baixinha) de um clube de golfe????
VERGONHA!!!!!!!

Conclusão:
Quanto mais se deve mais famoso se fica, este é o sinal dado pelo mundo dos artistas… onde uma das maiores e mais famosas artistas é uma alemã que subjuga todos os outros que não são tão famosos na dívida quanto ela… e lança o isco da salvação ilusória para o peixinho miúdo morder no anzol da ilusão da fama… e o isco são 5 ou 6 chumbadas na cabeça do Zé Povinho… chumbadas que foram moldadas por outros que nos dizem não pescar em Portugal… e ainda mais miúdo é o peixe que se preparam para capturar, o peixe reformado e cansado, e o peixe pobre e quase seco…  retirando-lhes quase tudo o que já nem sequer têm… retirando-lhes a saúde e a casa que mal têm… retirando-lhes a papinha da boca que já nem têm… e dando-lhes aquilo que dizem ser bom mas que é realmente um pau de dois bicos… e entretanto… um “all in one” para aquele 1% do Zé Povinho que é peixe graúdo…
Vergonha das vergonhas!

Notícia do The Telegraph – How safe is Eurozone sovereign debt? – table
Notícia do The Telegraph – Total German triumph as EU minnows subjugated
Notícia do Diário Económico – União Europeia cria uma nova linha de salvação para Portugal
Notícia do Jornal de Negócios – Portugal aposta em que a ajuda europeia limite juros entre 5% a 6%
Notícia do Jornal de Negócios – Novo programa de austeridade foi feito com técnicos do BCE e da Comissão
Notícia do Jornal de Negócios – Reformados são os mais afectados pelas novas medidas de austeridade
Notícia do Diário Económico – Pensionistas com menores rendimentos vão ser mais castigados nos impostos
Notícia do Jornal I – Reformados pagam mais de mil milhões da consolidação em 2012
Notícia do Jornal de Negócios – IRS pode subir até mais 540 euros para os reformados
Notícia do Jornal de Negócios – Governo insiste nos tectos às despesas de saúde para 1,5 milhões de contribuintes
Notícia do Diário Económico – Saúde prepara novos cortes nas comparticipações
Notícia do Diário Económico – Executivo quer liberalizar rendas antigas
Notícia do Diário Económico – Finanças retomam proposta de subida de IVA nos produtos alimentares
Notícia do Jornal de Negócios – Governo vai “encorajar poupança automática das famílias”
Notícia do Diário Económico – Executivo não vai forçar portugueses a comprar dívida pública
Notícia do Jornal de Negócios – Governo prepara redução do IVA para o golfe

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Os Telhados de Vidro

Espanha coloca apenas 3,5 mil milhões de euros, 500 milhões abaixo da oferta. BCE já terá comprado 18 mil milhões de dívida portuguesa. O reembolso da dívida pública está garantido? Economia já recebeu 63 mil milhões para sobreviver. Empréstimos do BCE à banca sobem para máximos de 20 meses. Antigos quadros do Santander colocam a nu esquema para fugir aos impostos. Como a classe média passou a ser a classe inferior.

Estará o telhado de vidro a começar a rachar?
Hoje a Espanha não conseguiu vender toda a dívida que disponibilizou no mercado. Tentou vender 4 mil milhões e  conseguiu apenas angariar compradores para 3,5 mil milhões…
Hoje pode ter sido o dia de misericórdia para Portugal pois com os investidores a fugir da dívida espanhola é quase inevitável que irão fugir a sete pés da dívida soberana portuguesa. Talvez a China nos salve(?)… quer dizer, Macau. Talvez o BCE continue a não recear o aumento da inflação e venha em nosso socorro(?)… talvez… talvez o nosso telhado seja de vidro resistente… talvez…

Mas o mesmo BCE, que hoje não conseguiu cobrir toda a oferta colocada pela Espanha no mercado, que segundo o Société Générale, já comprou, desde Maio de 2010, 18 mil milhões de dívida portuguesa, aproximadamente 15% do valor total.
Estará o BCE então em condições de continuar a financiar\comprar a nossa economia?
Acho que hoje tivemos direito a parte da resposta a essa questão: Não!
Para além disso, convém fazer uma continha de somar para se entender um pouco melhor a profundidade da questão central:
Qual o total da dívida soberana portuguesa?
Temos de ser nós a fazer essa continha porque ela continua quase a ser o segredo número 1 do Estado…
Então, se o BCE comprou 18 mil milhões que correspondem a 15% do total… 100% será equivalente a aproximadamente 120 mil milhões de euros de dívida acumulada! 120 mil milhões!!!!
Convém salientar que este valor em dívida contempla apenas a dívida directa do Estado português, não engloba as dívidas, chamadas indirectas, das empresas do Estado, as dívidas do BCP, nem as dívidas das entidades privadas nacionais. Digamos que este valor poderá representar apenas 1\3 de toda a dívida acumulada pela economia portuguesa — não, não estou a esticar a corda para o negativo!

Hoje o diário económico ajudou-nos a entender, mesmo que ele próprio, Diário Económico, mal perceba o que realmente escreveu, um pouco melhor o porquê do Estado português continuar a endividar-se, ora vejamos:

O Estado vendeu ontem mais mil milhões de euros de dívida, elevando os valores colocados este ano para 9,16 mil milhões de euros, mais 12% que em igual período do ano passado. O montante de dívida colocado desde Janeiro é similar aos 9,25 mil milhões de euros que o Estado terá de devolver aos credores em Abril e Junho referentes a obrigações que atingem a sua maturidade.
In Diário Económico

Portanto, analisando de forma simplista, tal e qual como está representado nesta notícia, Portugal endividou-se em mês e meio em 9,16 mil milhões de euros que servirão para pagar 9,35 mil milhões em dívida, em Junho(?).
Portanto, Portugal contraiu dívida apenas para pagar dívida já existente!
Esta é a verdadeira história deste sistema de dívida de crescimento imparável… o motor deste sistema económico… dívida que gera (pseudo)riqueza e (pseudo)crescimento económico.
Mas esta notícia está enviesada de erros por omissão.
Primeiro, esse valor não irá cobrir a dívida que irá saldar em Julho pela simples razão que grande parte dele está e irá servir para cobrir o défice mensal das contas públicas, algo aproximado a 3 mil milhões até Julho. Portanto ficam a sobrar (apenas) 6 mil milhões para amortizar a dívida relatada.
Segundo, até Julho o Estado terá ainda de saldar os juros que vencem em Fevereiro, Março, Abril e Maio… digamos, mais 500 milhões. Portanto sobrarão(?) 5,5 mil milhões de euros para pagar 9,25 mil milhões.
Portanto, o Estado terá muito provavelmente de vender mais dívida num valor aproximado de 4 mil milhões de euros de forma a cobrir a dívida que terá de ser saldada em Julho.
Crescimento exponencial da dívida! Não para! É sempre mais! E se for reduzido a economia deixa de crescer… é este o paradigma deste sistema económico dependente da dívida.

Hoje também, o Jornal I, que vai sendo o meio de informação para as massas que ultimamente mais profundamente tem abordado as questões, dá-nos acesso à verdadeira profundidade desta situação, das ajudas do BCE e da economia portuguesa:

Portugal está transformado num filho que, ao mesmo tempo que exige independência e autonomia para decidir os seus assuntos, não abdica da mesada. (…)
Considerando todos os apoios extraordinários que o Banco Central Europeu (BCE) pôs em marcha para Portugal desde Maio de 2010 – quando estalou a crise da dívida -, e juntando a estes valores as jogadas contabilísticas e as receitas não recorrentes que Teixeira dos Santos vai descobrindo, vamos já em mais de 63 mil milhões de apoio artificial ao tecido económico português. Se às ajudas internacionais juntássemos ainda as “ajudas” internas – por exemplo, os aumentos de impostos, que em 2010 permitiram que o Estado recolhesse mais 2,3 mil milhões do que em 2009 -, este número seria bem maior. “Nós, neste momento, já temos ajuda externa do BCE e do Eurossistema. É um facto perfeitamente óbvio”, observou Teodora Cardoso, economista do Banco de Portugal, a 31 de Janeiro.
(…)Mas o BCE já avisou: a torneira está a fechar.
In Jornal I

63 mil milhões de euros de ajudas directas à economia… 63 mil milhões de euros de nova DÍVIDA desde Maio do ano passado, em menos de um ano!
6 mil milhões por mês de défice a juntar aos milhares de milhões que já estavam em dívida!
Terá Portugal, muito em breve, de estar a conseguir angariar 12 mil milhões por mês para cobrir dívida que terá de pagar nesse mês?
Talvez… talvez muito provavelmente…

E juntemos estes números dos empréstimos do BCE às economias europeias, aos concedidos à banca europeia:

Dados divulgados hoje mostram que os empréstimos de muito curta maturidade (24 horas) concedidos pelo BCE aos bancos da zona euro ascenderam hoje a 15 mil milhões de euros.
In Diário Económico

15 mil milhões de euros, em apenas 24 horas, em empréstimos à banca?!?!?!?! De curta maturidade, 24 horas?!?!?!?!
Isto cheira mesmo a jogadas altas no casino do desespero económico! Talvez… talvez seja apenas uma leitura incorrecta da minha parte… talvez… ou talvez não…
Mas isto dá direito a uma pergunta:
Mas a banca não anda por todo o lado a revelar lucros estrondosos?
Os cinco maiores bancos portugueses não lucraram em conjunto 1.724,3 milhões de euros no ano passado?
Só como exemplo mais recente… os lucros doo Barclays não foram de 4,23 mil milhões de euros no ano passado?
Quais as razões subjacentes aos empréstimos à banca por parte do BCE no valor de 15 mil milhões em apenas 24 horas?
O que se passa?
Será o lucro contabilístico da banca apenas isso, contabilístico?
Algo se virá a saber em breve em relação a estas questões… talvez…

E enquanto tentamos analisar o quase incompreensível, eis que hoje sai bomba nos meios de comunicação generalistas portugueses: Ex-quadros do Santander põem a nu esquema para reduzir factura fiscal!
Bomba!! Quer dizer… já não era sem tempo que alguém tivesse a decência de começar a colocar a nu as jogatanas dos casineiros, que têm constantemente o aval do silencio dos bananas, que colocam em causa a democracia transformando-a numa verdadeira demo-cracia.

Jorge Dias explica em declarações ao PÚBLICO que aqueles fundos eram investidos em condições anormais, e que nunca passou as declarações fiscais dos rendimentos dessas aplicações, porque a administração do banco, que geria os activos, apesar dos múltiplos pedidos, nunca o informou sobre quem eram os beneficiários económicos últimos. (…)
A documentação existente indica que os 350 milhões de dólares, Ptif (150 milhões de dólares) e Taf (200 milhões), foram colocados no início da década passada pela administração de Horta Osório numa conta da sucursal do Luxemburgo, onde a taxa de IRC é reduzida, e que a sua movimentação foi feita como se pertencesse a um cliente normal. Nos anos seguintes, a verba seria triangulada entre praças financeiras, respeitando as datas de vencimento dos pagamentos acordados com os titulares das duas sociedades. A casa-mãe emprestava os 350 milhões de dólares à sucursal luxemburguesa, a uma determinada taxa de juro, e, esta, por sua vez, aplicava-os junto da sede (tipo depósito a prazo), através da sala de mercados de Lisboa, à mesma taxa, acrescida de um spread (que dava à sucursal a margem de lucro e à sede um custo adicional). Depois, a sucursal do grão-ducado transferiria os juros vencidos para a de Londres, que por sua vez os encaminhava para a conta as Caimão [onde não há tributação de lucros]. (…)
Em síntese: o Santander Totta aumentava os custos em Portugal, pois as taxas de juro estavam desajustadas face ao mercado, e obtinha proveitos mais elevados nas ilhas Caimão, livres de taxas.
In Público

Estaremos cá para ver se os bananas e a justiça(?) irão mover alguma coisa para tentar sanar estas jogatanas com cartas fora do baralho da justiça social…
Pessoalmente estou cansado que os mesmos que tiveram de ser salvos, mesmo quando continuavam a ter lucros monumentais, que têm mais benefícios fiscais que qualquer outra entidade colectiva ou singular no país, que pagam menos impostos, muitíssimo menos, que qualquer outra entidade colectiva ou singular em Portugal, possam ainda continuar de forma despudorada a infringir quase todas as regras do jogo que eles jogam, lesando o Estado e principalmente o Zé povinho!
Já chega!!!!!
Já chega de tanta trampa junta!!!!!!

E isto tudo talvez nos ajuda a entender melhor o porquê desta democracia já estar totalmente desvirtuada numa demo-cracia, e compreender que o principal sinal que é face da realidade dessa afirmação é o fosso social que está a ser cavado entre aquilo que já foi outrora uma classe média vibrante e aquilo que hoje é uma classe rica desproporcionadamente mais rica que nunca.

Os rendimentos de 90% dos americanos ficaram “pregados” em neutro, e não é apenas devido à recente recessão. Os rendimentos da classe média estão estagnados há pelo menos uma geração, enquanto os da ala dos mais ricos cresceu à velocidade da luz.
Em 1988, o rendimento médio de um contribuinte americano era de 33.400 dólares, ajustados pela inflação. Avancemos 20 anos, e muito pouco mudou: o rendimento médio ainda era de 33,000 dólares em 2008, de acordo com os dados do IRS.
Entretanto, o 1% dos americanos, que representam os mais ricos, – os que ganham acima de 380.000 dólares ou mais – viram os seus rendimentos crescer 33% nos últimos 20 anos, deixando os americanos da classe média a comer o seu pó.
In CNN

Esta é a verdade do nosso mundo… mundo a ser conduzido e feito cada vez mais à medida de 1% da população em que os restantes 99% têm de trabalhar cada vez mais apenas para conseguirem ficar onde estão. Onde antigamente bastava o ordenado de um dos agregados familiares, agora são necessários dois e por vezes nem tal chega.
De que vale ao Zé Povinho refilar que a vida está má se não consegue perceber que não está má para todos, se não consegue entender que está muito melhor, e cada vez mais, para 1% da população?
É por aqui que os problemas devem ser combatidos… digo eu…

Conclusão:
Atenção! Atenção! O telhado de vidro dos espanhóis está a cair… Atenção! Atenção! O nosso telhado de vidro também vai partir… e atenção que o BCE, Banca Central dos Endividados, está mais endividado do que os em dívida… e atenção que o fosso entre a realidade pintada e a real realidade é apenas mais um telhado prestes a ceder… enquanto o mesmo Banco Central dos Endividados continuar a ceder ao vício das jogatanas dos senhores de fraque que apostam para que os telhados partam… E por vezes… Aleluia! Aleluia! Alguns dos senhores de fraque voltam a ser humanos e colocam em factos as jogadas trafulhas dos seus comparsas casineiros, colocando em xeque a anuência silenciosa dos seus amigos bananas… enquanto a classe média, o Zé Povinho, continua a comer o pó do vício insaciável de uma raça de Homens, 1% deles, que são canibais e carniceiros que se alimentam da pobreza e sofrimento de 99% dos seus irmãos e irmãs…
Mas que mundo é este senão um mundo de máscaras e mascarados que escondem a sua perversidade debaixo de telhados de vidro?

Noticia do OJE – Espanha coloca quase 3,5 mil milhões em Obrigações, abaixo do objectivo do Tesouro
Notícia do Expresso – BCE terá comprado €18 mil milhões de dívida portuguesa
Notícia do Diário Económico – Reembolso de dívida pública está garantido
Notícia do Jornal I – Economia já recebeu 63 mil milhões para sobreviver
Notícia do Diário Económico – Empréstimos do BCE sobem para máximos de 20 meses
Notícia do Publico – Ex-quadros do Santander põem a nu esquema para reduzir factura fiscal
Notícia da CNN – How the middle class became the underclass
Notícias de Apoio:
Notícia do Jornal de Notícias – Cinco maiores bancos ganharam 4,7 milhões de euros por dia
Notícia do Diário Económico – Lucro do Barclays sobe 36% e bate previsões

A Confluência é a Regra

Espanha deve reformar o sistema fiscal para poder crescer, diz OCDE. Alívio da dívida da Guiné-Bissau é positivo para doadores e investidores, diz o FMI. Estado tem que deixar privados ocupar o seu lugar em determinados sectores.

Por vezes temos de sair um pouco de Portugal para se conseguir compreender melhor a lógica funcional das coisas… desta vez quais as noções da OCDE e do FMI sobre as suas políticas e as suas directrizes.

Começando pela OCDE e a sua visão do que há para fazer em Espanha.
Antes de mais, gostava de salientar que estas visões das entidades internacionais para a Espanha divergem no seu âmago muito pouco daquilo que preconizam para Portugal, por isso…
Primeira grande visão da OCDE:

“O sistema fiscal espanhol deve ser reformado para facilitar o crescimento, transferindo o impacto dos impostos do trabalho para o consumo e para o imobiliário.”
In Oje

Descodificando o que por aqui é dito…
O que isto quer dizer é que a OCDE defende que os impostos cobrados às empresas sejam reduzidos e  o seu peso transferido para o consumo e para a compra de habitação. Ou seja, que os impostos para os patrões sejam diminuídos e que os impostos para os restante 99% da população suportem o nível de redução fiscal efectuado nos impostos do 1%… tudo isto em defesa da competitividade da economia… deles(?)
Uma medida extremamente justa e social, sim senhor! Tirem ainda mais ao 99% e reduzam ainda mais a carga sobre o 1%!!!!

Depois a mesma OCDE – por vezes fico confuso com as inversões destes organizações – diz que a crise em Espanha está a ser mais aguda devido a um aumento insustentável do consumo privado, que conduziu ao aumento da dívida privada. (Mas o problema não é a dívida pública????)
Sim senhor… então aumenta-se os impostos sobre o consumo para reduzir o consumo que é insustentável?
Mas tais medidas não costumam levar à contracção económica dos mercados internos em que são adoptadas?
Muito bem, primeiro reduz-se os impostos sobre o 1% e aumenta-se os impostos sobre o consumo para fazer a economia crescer, sabendo-se de antemão que um aumento dos impostos sobre o consumo conduz sempre a uma contracção do mesmo, o que leva invariavelmente a uma menor recolha de impostos por parte do Estado e à deflação dos preços… deflação dos preços que conduz a mais despedimentos… mais despedimentos a mais gastos sociais, e mais gastos sociais a mais gastos do Estado… e a OCDE diz que o fortalecimento das contas públicas é essencial… e como podemos todos constatar, se forem adoptadas as medidas por si defendidas será isso mesmo o que não irá acontecer…
Bela volta esta…

Mas há mais… a OCDE defende a reforma do sistema de pensões, através do aumento da idade da reforma, dos 65 para os 67 anos, e a diminuição das reformas antecipadas – facto defendido também pela UE.
Portanto, o aumento da idade da reforma irá fazer a economia crescer?
Ajudará a reduzir as despesas do Estado?
De certeza que crescimento não gerará! É certinho como o destino!
Reduzir as despesas do Estado… talvez, numa primeira fase, mas pouco tempo depois não reduzirá, pois se mais tempo um trabalhador terá de trabalhar para ter direito à reforma menos postos de trabalho irão estar disponíveis para os jovens que entram no mercado de trabalho… e isso é igual a mais desemprego… sempre… e mais desemprego é igual… à catrefada de coisas que já escrevi acima…
Portanto… medidas que só eles entendem o porquê… por vezes também entendo, não quero é entrar em especulação, porque é garantido como o destino que eles próprios se irão dar ao trabalho de dizer isso por mim!

E a OCDE aplaude as medidas tomadas pelo governo espanhol para reduzir a “excessiva protecção” dos trabalhadores com contractos permanentes, e redução dos valores pagos por despedimentos e a facilidade com que é possível chegar a acordos colectivos.
Não anda isto a tentar ser implementado cá em Portugal? Acho que já ouvi falar em qualquer coisa do género… Meus senhores e minhas senhoras, isto é sempre o mesmo em todo o lado, a uniformidade e uniformização das leis e das políticas a favor dos mesmos 1% de sempre!
Em relação aos pontos positivos(?) desta noção de crescimento económico já descrevi isso uns artigos abaixo…
Ah! Mas atenção que a OCDE também aconselha que seja melhor gerido o sistema de águas… … de forma que reflicta o verdadeiro custo da sua exploração… Ou seja: PRIVATIZEM e deixem de subsidiar as águas de modo que o mercado se torne concorrencial e assim os privados possam capitalizar sobre um dos recursos básicos e mais sensíveis do mundo moderno!
Muito bom, correcto?

E agora salto para o FMI que diz estar verdadeiramente feliz com o facto da Guiné-Bissau ter aceite um empréstimo de mil milhões de dólares, nas suas palavras: “um alívio da dívida”… (?)
Esperem lá… a Guiné-Bissau endivida-se em MAIS um milhão de dólares para pagar dívidas e isso é um alívio?????
Ah! É um alívio para os DOADORES (quem empresta) e INVESTIDORES!!!! (Nas palavras do FMI!)
Ou seja… servem os mil milhões de dólares para pagar aos credores que na sua maioria foram aqueles que deram o aval ao empréstimo do FMI à Guiné-Bissau.
Servem também para o investimento privado externo, porque com os empréstimos do FMI vêm sempre linhas directoras económicas obrigatórias para os países que os recebem, para que sejam liberalizados os sectores económicos rentáveis.
Qual a diferença entre a Guiné-Bissau, a Grécia e a Irlanda? Qual a diferença quando cá entrar em Portugal?
É tudo farinha do mesmo saco para o FMI! Dinheiro que empresta para pagar aos credores da dívida desses países, que são sempre os mesmos que dão luz verde à existência desse empréstimo por parte do FMI, e liberalização dos sectores financeiros estratégicos de cada país para que os investidores privados dos países credores da dívida possam vir explorar e canalizar essa riqueza para fora das fronteiras do país ajudado… Bela ajuda esta, hein????

E agora gostava de acabar com Horta Osório, o novo CEO – palavra “chic” para dizer Presidente – do banco inglês LLoyds:

“os Estados fizeram bem intervir na economia, face a uma crise sem precedentes, mas agora têm de baixar o seu peso na economia e deixar os privados ocuparem determinados sectores”
“O Estado não é um bom detentor de activos. O Estado não percebe de lucro”
“É o sector privado e às empresas” que cabe “criar esse valor acrescentado”, pelo que o “Estado devia baixar o peso dos gastos na economia, sair de determinados sectores e deixar os privados ocuparem esses espaços. De certeza que os privados vão fazer melhor uso desses activos”

In Jornal de Negócios

Quis fechar com este senhor, com nome de agricultura que na verdade é um campino das finanças modernas, que tenta tourear a mente do Zé Povinho com conceitos desprovidos do social e mergulhados em numerário…
1º – Sabe senhor Horta, o Estado não existe para gerar lucro, o Estado existe para gerir os impostos pagos pelo Zé Povinho e pelas empresas e aplicar o valor dos impostos em infra-estruturas e serviços que sejam necessários à sociedade que lhe paga os impostos. Apenas no seu mundo, Sr. Horta, o Estado existe para gerar e gerir lucros!
2º – Sabe senhor Horta, sem dúvida que os privados irão fazer melhor uso desses activos, não tenho a mínima dúvida em relação a isso, o Sr. Horta esqueceu-se inadvertidamente foi de mencionar que os privados irão fazer melhor uso desses activos em BENEFÍCIO e PROVEITO PRÓPRIO!!!!
3º – Sabe senhor Horta, é o seu mundinho… pequenininho e minúsculo que vê apenas numerário, que faz com que tudo o que nos rodeia seja apenas “pilim”… sabe senhor Horta Osório, há mais vida para além da sua minúscula noção de vida!!!!!!

Quis fechar com o campino com nome de agricultor como forma de mostrar que as instituições internacionais de renome, FMI, OCDE, UE, etc, vêem tudo e todos com os mesmos óculos, são verdadeiros clones uns dos outros em que a uniformização de ideias, conceitos, reformas e pensamentos são algo digno de um Óscar, pois é mesmo difícil num mundo tão diverso e distinto conseguir seguir o mesmo texto tal e qual clones!

Conclusão:
OCDE que se confunde com FMI e banca que se confunde com OCDE… e UE que se confunde com FMI que também se confunde com OCDE… é esta a imagem das nossas (?) instituições internacionais de renome… uma uniformização de pensar e agir que mais parecem clones… talvez robôs… talvez ponto do teatro… quem sabe apenas caixas de voz, gravações… ou talvez seja uma convicção universal que tem escapado ao pensar e sentir de 99% dos homens que pensam e vivem este e neste mundo…
Já viram que dentro da (falsa) confusão de opiniões das várias instituições internacionais a confluência é a regra? Bastava uma organização chamada, por exemplo: FOMCIUDEE… para nos dizer tudo no formato de nada para nós… porquê tantas a dizerem sempre tudo igualzinho?

Notícia do OJE – Espanha deve reformar o sistema fiscal para poder crescer, diz a OCDE
Notícia do OJE – Alívio da dívida da Guiné-Bissau é positivo para doadores e investidores, diz FMI
Notícia do Jornal de Negócios – Vídeo: Estados têm que deixar os privados ocuparem o seu lugar em determinados sectores

Este Não é um Mundo Para Nós, é um Mundo Para os “eles”

A escravidão da dívida para os irlandeses. Pacote de ajuda à Irlanda protege os grandes investidores. Os bancos encontraram uma mina de ouro, os consumidores ficaram com o poço. Choque entre os países europeus sobre as taxas sobre a banca. BCE tenta acalmar os mercados prometendo liquidez ilimitada. Trichet diz que compra de dívida pública não vai comprometer a inflação.

Agora todos os dias é um vê se te avias de esclarecimentos sobre as verdadeiras linhas funcionais e decisórias das altas patentes que nos (des)governam, mas são publicados envoltos em prosa quase enganosa dos nossos meios de comunicação (anti)social.
Nestes dois últimos dias, as notícias que foram saindo mostram-nos a linhas gerais das decisões tomadas e qual a sua verdadeira direcção lógica.

Em mais um extraordinário texto jornalístico de Ambrose Evans-Pritchard, ficamos a saber – se é que é preciso escrever sobre isso – que os milhares de milhões da ajuda imposta à Irlanda pela Comissão Europeia e pelo BCE:

“(…)é uma imprudente ajuda aos banqueiros e credores britânicos, alemães, holandeses e belgas.”
“Os contribuintes irlandeses arcam com o fardo, e esvaziam o que resta do seu fundo de pensões de reserva para cobrir 1\4 dos custos.”

In The Telegraph

Aqui ficamos a conhecer quem serão “os meninos” que irão capitalizar até 7% de juros!!! (Valor significativamente superior ao pago pela Grécia)
Ficamos também a saber que uma vez mais os senhores “casineiros” são os beneficiados às custas de uma população que não sabe com que linhas coseram o seu destino… um verdadeiro bacanal carnal entre “casineiros” e “bananas”!

E para compreendermos melhor como por lá (Irlanda) as coisas foram conduzidas:

“Forçar perdas nos detentores de dívida sénior (dívida mútua entre instituições bancárias e fundos), temia-se que atingisse a Europa com a mesma força do colapso do Lehman Brothers nos Estados Unidos – espalhando dúvidas sobre um sistema com ramificações potencialmente globais se lançasse a Europa de novo para recessão ou colocasse em risco uma economia importante, como a alemã. (…)aos credores de aproximadamente 50 a 60 mil milhões de títulos de dívida (sénior) foi garantido que irão receber o seu dinheiro.”

In The Washington Post

Portanto, de forma a salvaguardar um sistema que nos conduziu – Zé Povinhos – até um ponto em que temos de ser nós – Zé Povinhos – a arcar com as custas para salvar esse mesmo sistema, que movimenta lucros astronómicos para as instituições que são ajudadas, directa e indirectamente, é algo no mínimo perverso, descabido e insultuoso!
As custas destes erros têm de ser fardo para quem os cometeu!!!

Para entendermos melhor a disparidade de acções em relação às conclusões:

“Com 2010 a chegar ao fim, parece que irá ser outro ano em grande para Wall Street: as seis maiores firmas denominadas “grandes demais para falir” tiveram lucros que rondaram os 35 mil milhões (cada) nos primeiros nove meses do ano, e estima-se que os bónus anuais ascendam a 144 mil milhões.”

In Yahoo Finance

A incongruente noção de precisarem de ajuda e ter de ser o Zé Povinho a providenciar essa ajuda é algo verdadeiramente ultrajante! É um engano do tamanho do mundo! É a lógica do: “são lucros recorde mas continuamos a necessitar de ajuda”, algo que ultrapassa tudo o que de lógico existe no mundo, quanto mais o bom senso!

Alguns ainda argumentarão que será para preservar uma economia que já nos deu muito…
É uma boa noção das coisas, sem dúvida, mas como em tudo na vida é preciso haver regras justas e distribuição de apoios e obrigações equitativas entre os vários sectores da sociedade… coisa que não acontece actualmente, muito pelo contrário…
Para termos uma melhor noção se tal está a ser trabalhado ou preparado:

A Comissão Executiva da Comissão Europeia quer chegar a um acordo sobre a forma como taxar a banca de forma igual em toda a Europa. (…)
Mas tal como aquando da crise com os vários países a adoptarem posições individuais, agora defendem individualmente o seu direito de decidir de que forma taxar a banca e gastar esse dinheiro”

In Bloomberg

É impressionante como os mesmos “bananas” que rapidamente chegaram a acordo para que os Zé Povinhos da Europa vissem reduzidos os seus direitos e os seus apoios sociais de modo a combater a crise, no caso da banca digladiam-se que nem abelhas atrás do pote de mel, o que neste caso pode ser descrito de forma mais concreta como: “«bananas» atrás do tesouro”.
Uma vez mais levanta a pergunta?
Para quem trabalham os políticos eleitos democraticamente???? Para quem?????

E sSeguindo a linha da lógica de defesa de um sistema que está cada vez mais desfasado da realidade e vivência dos Zé Povinhos, Trichet, o Jean-Claude das finanças europeias, promete liquidez ILIMITADA para tentar acalmar os mercados de dívida.
Elisabeth Afseth, da Evolution Securities:

(…)”pode estar em curso um programa de compra de título de dívida pública no valor de 1 a 2 biliões de euros.”

In The Guardian

O pacote de ajuda às economias europeias não é de 750 mil milhões?
De onde vêem esse biliões?
Quem os pagará?
Mas a Europa defende o controlo da despesa ou o gasto indiscriminado?
E a inflação que inevitavelmente criará?

Mais tarde ou mais cedo iremos ter respostas para estas perguntas… quer dizer, temos tido direito a respostas em formato de mentira… uma, pelo menos,  já anda a ser veladamente e verdadeiramente respondida… Jean-Claude Trichet:

“O BCE tem no seu mandato manter a inflação controlada, o que é entendido como tendo um valor próximo, mas inferior a, dois por cento ao ano. No final do mês passado, estava em 1,9 por cento, tal como em Outubro. Teoricamente, a injecção de liquidez na economia tem tendência a fazer subir preços. No entanto, com o crescimento anémico que se tem registado e a difícil situação financeira por todo o mundo ocidental, esse risco é menor, sobretudo se a quantidade disponibilizada não for muito elevada.”

In Público

Ora, 1 a 2 biliões de euros… a resposta velada está dada:
Preparem-se porque vem aí inflação “à séria”!!!!!!

O senhor Jean-Claude do mundo das finanças da Europa está uma vez mais a demonstrar ter uma visão de muito, mesmo muito curto prazo. Toda a injecção de liquidez no mercado conduz sempre à existência de mais dinheiro em circulação. Se existe mais dinheiro em circulação, há mais dinheiro para comprar o mesmo número de bens, o que conduz ao aumento dos preços, não devido ao aumento da procura, mas porque existe mais dinheiro para pagar por esses bens. Esta é uma regra BÁSICA do sistema económico que (des)governa as nossas vidas, e ainda mais importante, é uma regra quase incontornável a curto prazo (3 anos), quanto mais a médio prazo!
Uma pergunta em duas para o Jean-Claude.
O que acontecerá ao excesso de dinheiro em circulação quando a economia voltar a crescer?
O que acontecerá ao excesso de dinheiro em circulação quando a economia der o “peido”?
Sabem a resposta?
Não?
1º caso: Inflação galopante
2º caso: Inflação galopante – (este caso pode ser mais difícil de compreender mas na sua essência é muito simples: crise = contracção na aquisição de bens = redução do número de bens disponíveis… mais dinheiro em circulação para comprar cada vez menos bens disponíveis – este segundo caso começa com deflação nos preços…)

Portanto Sr. Jean-Claude, a quantidade que está a ser disponibilizada é monumental e o resultado final será o mesmo: Inflação galopante que se alimentará principalmente daqueles que já pouca margem de manobra têm para conseguir sobreviver neste sistema desconectado da realidade dos Zé Povinhos!

Voltando um pouco atrás até Ambrose Evans-Pritchard:

“Deixem-me dizer que o BCE tem conduzido uma politica monetária que tem sido demasiado permissiva até para a Zona Euro como um todo, mantendo a taxa de juro nos 2% até bem para lá do «boom» do crédito e permitindo que o fornecimento de dinheiro se expandisse 11% (quando o «target» era de 4,5%). O BCE violou todos os meses, durante uma década, o seu tecto de inflação.”

In The Telegraph

Portanto, ainda por cima o caso da pressão inflacionária já vem de há 10 anos para cá, no mínimo… agora, para quem não conseguia compreender, é fácil de entender o porquê do preço do pão (como exemplo) ter passado de 5 cêntimos em 2000 para os 12 cêntimos em 2010 – 120% de inflação… 12% de inflação ao ano!!!! Não os 1,9% que nos é relatado quase todos os meses!
Este Jean-Claude é um verdadeiro Van Damme das finanças… um artista cheio de músculos quando em frente às câmaras, e um fraco e dependente atrás delas… um mentiroso no seu ser!

E irão todas estas políticas (mentirosas) ajudar a salvar a Europa e o mundo?

“Em 2014, os juros que a Irlanda terá de pagar sobre a dívida pública (em 2014 – 120% do PIB – o valor actual de Portugal) serão 10 mil milhões, enquanto as receitas com impostos serão 36 mil milhões. Este rácio está bem acima do ponto de «default» de 22%, como calculado num estudo da Moody’s.”

In The Telegraph
Não!

Conclusão:
Um mundo de finanças que mais parece o circo das vaidades… um mundo em que apresentar lucros desmedidos é sinal de mais apoios… um mundo em que quem menos tem, tem de pagar os apoios a quem já tem demais… um mundo em que as soberanias individuais dos seus países não mais são do que lucro palpável para os “bananas” que os (des)governam… um mundo em que quem define as finanças do sistema, que já por si é perverso, mais parece um Van Damme cheio de músculos mas que no seu ser é um fraco, perdido, que continua a alimentar um sistema viciado na dívida com ainda mais dívida…
Este não é um mundo para nós, é um mundo para os outros, os “eles”…

Notícia do The Telegraph – Ireland’s Debt Servitude
Notícia do The Washington Post – Irish rescue shields top investors
Notícia do Yahoo Finance – Bailout Nation: Banks Got the Goldmine, Consumers Got the Shaft
Notícia da Bloomberg – European countries clash over taxing banks
Notícia do The Guardian – ECB tries to calm markets by promising unlimited liquidity
Notícia do Público – BCE diz que compra de dívida pública não vai comprometer a inflação

Os Números Que Nos São Iludidos

PT entrega o fundo de pensões ao Estado por 2.800 milhões. Transferência do fundo de pensões servirá para pagar despesa extraordinária. Cortar défice atira economia para nova recessão. Portugal cresceu 0,4% no último trimestre. Parcerias público-privadas são vergonhosas. Empresas com capital do Estado são as mais mal governadas. Partidos alemães apoiam reestruturação da dívida portuguesa.

Hoje foi um daqueles dias em que a maioria das mais importantes parangonas nos nossos meios de comunicação generalistas, serviram apenas para “esconder” a verdadeira informação que está deixada quase ao abandono no meio dos textos por ela publicados… uma pequena vergonha, ou apenas o reconfirmar da falta de isenção, ou mais grave, a confirmação da constante manipulação das notícias (mais importantes) por eles veiculadas.

Aos factos:

PT entrega 2.800 mil milhões de euros do seu fundo de pensões ao Estado.
1- Apenas 1,6 mil milhões serão pagos ao Estado ainda este ano, mas o Estado irá contabilizar nas contas (proveitos) de 2010 os 2,8 mil milhões de euros, o equivalente a 1,6 do PIB.
2- A PT pagará ao estado em numerário e em dívida pública.

Os malabarismos nestas contas são deveras assombrosos, ora vejamos… Coloca 2,8 mil milhões nas contas de proveitos de 2010 quando irá receber apenas 1,6 mil milhões. Esses 2,8 mil milhões de euros servirão para contabilisticamente reduzir o défice para os 7,3% (Dizem eles). Sabem, contabilisticamente não é igual a realidade, é igual a manipulação das contas para lhes dar um ar mais “bonito”.
Mas “prontos” façamos de conta que ninguém dá por isso e que tudo irá correr pelo melhor… mas o que dizer da PT ir pagar ao Estado com dívida pública?????
Chegaram lá?
Não?
Isso quer dizer que a PT não vai fazer entrar dinheiro nos cofres do Estado quando entregar os títulos da dívida pública portuguesa, porque é dívida do Estado para com a PT que tem os títulos em sua posse… A única mais valia nisso é que Estado português terá menos dívida para saldar daqui a 10,8,7,6,5,4,3,2,1 ano…
Estão a chegar lá?
Não?
É simples… Como pode o Estado português contabilizar proveitos no valor de 2,8 mil milhões de euros se número incerto será abatimento de dívida e não dinheiro vivo? E é apenas abatimento de dívida porque o Estado não pode dever dinheiro a si mesmo… verdade? Se tal fosse possível, todos nós individualmente estaríamos a dever dinheiro a nós próprios em vez de o devermos à banca… Maravilhosa manipulação!
A pergunta que faltou os nossos meios de informação generalistas – o seu trabalho! – fazerem, foi:
Qual o volume total que irá ser pago pela PT em títulos de dívida da República?
Esta é uma pergunta OBRIGATÓRIA, porque se a PT pagar 2.799 mil milhões em títulos de dívida soberana portuguesa, o Estado só embolsará nesta “troca-baldroca” do fundo de pensões, 1 mísero milhão de euros!
E “prontos”, lá vão ser contabilizados 2,8 mil milhões de euros de proveitos quando na REALIDADE podem ser quase ZERO, ou na melhor da hipóteses um abatimento na dívida soberana nacional de 2,8 mil milhões de euros!
Estes são os esquemas e silêncios usados pela nossa demo-cracia e pelos nossos meios de (des)informação generalistas.

Mas não ficamos por aqui…
Cortar défice atira economia para nova recessão.

Bela parangona que está na moda nos dias que correm… mas sabem uma coisa meus senhores da comunicação social generalista, a verdadeira parangona está no meio do vosso texto, nas palavras do “casineiro” Fernando Ulrich, Presidente do BPI:

“(…)não acredita que seja «possível pôr as finanças públicas no patamar que é preciso e, simultaneamente, ter crescimento económico»(…)”

In Dinheiro Digital

O que este “casineiro” quer dizer é que sem dívida não existe crescimento!
Esperem lá! Mas a República portuguesa que já está afogada em dívida, não a pode reduzir sobre pena de não crescer e não a pode aumentar sobre pena de não conseguir pagar… então onde ficamos?
Eu sei… no precipício causado e desenhado pelo sistema económico usado na nossa sociedade, que é um sistema dependente da dívida para continuar a crescer e exponencial na sua aceleração em direcção ao acumular excessivo de dívida, um abismo financeiro.
Solução?
… Rezar aos anjinhos que arranjem outro sistema financeiro para nos governar que este é um verdadeiro desgoverno!

E outra…
Portugal cresceu 0,4% no último trimestre

Olá! Está aí alguém?
Senhores da comunicação social, já que não sabem pelo menos tentem aprender… um crescimento abaixo de 1% no actual sistema económico é igual a crescimento negativo, ou perda de riqueza, porque é muitas décimas inferior à inflação verificada no mesmo período de tempo… 1+1=2
Agora, senhores da comunicação social, expliquem-me onde veem crescimento?

Continuando…
Parcerias público-privadas são vergonhosas.
Empresas com capital do Estado são as mais mal governadas.

É por aí que o PIB de Portugal mais cresce… é através das PPP (Parcerias Público-Privadas) que o dinheiro lançado à rua pelo Estado português mais influencia positivamente o crescimento do PIB, pois dinheiro injectado “à bruta” e sem lógica na economia é a forma mais eficaz de fazer crescer o PIB. Dívida é igual a crescimento, neste sistema económico.
E como afirma Carlos Moreno, Juiz do Tribunal de Contas:

“Portugal é o campeão europeu das parcerias público-privadas”, afirmou, frisando que o seu valor ascende a 1500 mil milhões de euros, enquanto em França não chega a 500 mil milhões de euros. Em Espanha e Itália as parcerias são de 289 mil milhões e de 66 mil milhões de euros, respectivamente”, revelou Carlos Moreno no seu discurso.”

In Correio da Manhã

Não existe nenhum outro sector da economia em Portugal que represente 1.500.000.000.000.000.000 (espero não me ter enganado no número de zeros) de euros, o equivalente a 7,5 vezes o PIB deste país chamado Portugal!
Sejam bem apresentados ao motor da nossa economia: A CORRUPÇÂO!
Mas há mais por aqui nesta notícia, mesmo muito mais:

«isto põe problemas graves de sustentabilidade das Finanças Públicas». Para além do facto de a dívida pública global «atingir neste momento 120% do PIB» (Produto Interno Bruto) e a «dívida externa rondar os 230%».

In Agência Financeira

Até que enfim que alguém do Tribunal de Contas, do Banco (casino) de Portugal, ou do governo “bananeiro”, diz quais são os verdadeiros números da nossa divida… não são os 80 e tal porcento falados pelos “bananas”, mas sim 120% de dívida pública, isto sem contabilizar a dívida privada, e 230% de dívida externa!
Meus senhores, isto já não é um caso de insolvência do Estado isto é BANCARROTA!
Qual a resposta dos nossos meios de comunicação social a estas informações bombásticas e essenciais?
Uppps, nem demos por isso…
O verdadeiro sinal da incompetência, no melhor dos cenários, ou a manipulação das notícias de forma a “esconder” a verdadeira informação… (Deixo para vós a qualificação de tal atitude)

Depois de tantas troca-baldrocas por parte dos nossos “bananas” e dos nossos meios de comunicação generalistas, um pouco de seriedade vindo do parlamento alemão, onde parece que os “bananas” são menos bananas, um verdadeiro oásis no meio de tanta (des)informação.
Dizem por lá:

“Se queremos ter uma solução para o problema dos países insolventes”, como é o caso da Grécia, Irlanda e Portugal, “então vamos ter que ter uma reestruturação da dívida destes países, e os detentores das suas obrigações terão que suportar parte das perdas“(…)

(…)”todos os participantes na crise – incluindo os que emprestaram dinheiro aos países insolventes – tem que assumir as responsabilidades pelo que fez”.(…)”não significa que percam todo o investimento, apenas uma parte. O que queremos evitar é que o fardo do resgate dos países recaia sempre sobre os mais pobres“.(…)

(…)”Temos uma espécie de ‘nave espacial’ chamada Bruxelas, mas que perdeu o contacto com as pessoas na rua de todos os países europeus. Por isso é necessário explicar correctamente à população o que está em jogo”(…)

In Diário Económico

Ufff, uma lufada de ar fresco no meio de tanta trampa!
Batemos, refilamos e respingamos com os alemães, mas quanto mais tempo passa nesta crise os únicos, ou quase, que conseguem manter a lucidez no meio de tantos desvarios, são eles!

E “prontos”, mais um retrato da nossa quase irreal realidade, onde a mentira é regra, a ilusão é realidade e uma vida que é vivida com base em números que são quase pura ilusão…

Notícia do Dinheiro Digital – OE2010: PT entrega fundo de pensões ao Estado por 2.800 M€
Notícia do Público – Transferência do fundo de pensões da PT servirá para pagar despesa extraordinária
Notícia da Agência Financeira – Ulrich: cortar défice «atira» economia para nova recessão
Notícia do Jornal de Notícias – Portugal cresceu 0,4% no terceiro trimestre
Notícia do Correio da Manhã – Carlos Moreno: Parcerias público-privadas são “vergonhosas”
Notícia da Agência Financeira – TC: há parcerias público-privadas «verdadeiramente vergonhosas»
Notícia do Diário Eonómico – Partidos alemães apoiam reestruturação da dívida portuguesa

A Máquina Infernal

Portugal é o próximo cliente da máquina infernal da UEE. Mercados dizem que o salvamento da Irlanda foi um falhanço, devido à falta de transparência. Clube da bancarrota: Irlanda sobe ao 3º lugar. Mercados prevêem recurso de Portugal à ajuda internacional. Portugal e Irlanda são casos muito diferentes.

E aí vamos nós no 3º acto da novela: “gasto aquilo que não tenho e peço emprestado aquilo que não posso pagar”.
Depois do Lehmans e da Grécia, temos um terceiro acto totalmente preenchido com a Irlanda.
Irá ser o 4º acto dedicado a Portugal?
Aquando da queda da Grécia, a maioria dos analistas apontava Portugal como sendo a estrela para o 3º acto da peça, e conseguimos que a Irlanda nos roubasse o papel principal.
Conseguiremos que Espanha ou Itália, ou mesmo os Estados Unidos (dólar) nos roubem o protagonismo antecipado pela esmagadora maioria dos analistas?
Irá a Espanha ser consumida pela sua bolha imobiliária ou pela sua monumental dívida das regiões?
Irá a Itália, que tem passado quase despercebida, cair porque as suas contas e corrupção são uma imagem fidedigna da Grécia mas em escala incomparavelmente superior?
Os próximos seis meses o dirão…

Por enquanto, enquanto os nossos meios de comunicação para as massas continuam a fingir (na maioria das situações) fazer jornalismo “à séria”, temos de nos contentar com a explicação da nossa real realidade nas palavras de quem cá não está, nem tem responsabilidade cívica para o fazer: Ambrose Evans-Pritchard, a figura de proa da secção de economia do inglês The Telegraph.
Serão os nossos jornalistas assim tão mentalmente manipuláveis?
Até prova em contrário, estão a sê-lo!

Aos números do nosso Portugal:

Antes de lá entrarmos, vou primeiro escrever sobre a retórica que está a ser usada e abusada por quase todos os quadrantes político-bananeiros para descrever a situação de Portugal em relação à Irlanda e à Grécia, ou seja, aquilo que está servir de defesa a Portugal:
Olli Rehn, comissário europeu dos Assuntos Económicos e Monetários (apenas como exemplo de um dos intervenientes que anda a usar a retórica “programada”):

“A «natureza dos problemas» da Irlanda é «muito diferente» da dos problemas portugueses.”

In Sol

Agora sim os números e as palavras de Ambrose Evans-Pritchard:

“Os Portugueses estão confusos – e feridos – que os investidores possam sequer comparar o seu país com a Grécia ou Irlanda. Temo que muito em breve tenham de enfrentar alguns factos muito pouco agradáveis.”
“Enquanto a maioria dos líderes europeus, que encontram conforto no facto da Grécia ser um caso especial porque trapaceou os números, e que a Irlanda é um caso especial porque permitiu que os seus bancos entrassem num frenesim de empréstimos, ainda não reconheceram a verdade mais profunda em que a União Europeia destabilizou insidiosamente grande parte da Europa e aprisionou vários países (quase) inocentes numa depressão.”

In The Telegraph

Estes parágrafos estabelecem o tom para a descrição da nossa real realidade, não apenas aquela realidade (?) que nos anda a ser transmitida aos bochechos pelos nossos malfadados meios de comunicação social.
E assim chegamos ao rol dos números dispostos em sequência:
Défice externo:
2010: 10,3%
2011: 8,8%
2012: 8%
(Dados da OCDE)

Como criar riqueza no país do mundo desenvolvido com o maior défice externo?
Este défice será pago com empréstimos… este valor é o verdadeiro valor da dívida da República, não as contas manipuladas e manipuladoras do défice das contas públicas (também mas não só).
O problema maior é que a torneira dos empréstimos a Portugal pode fechar a qualquer momento… e depois?
Bem… depois…
FMI:

“Quanto mais tempo se mantiver este desequilíbrio, maior será o risco que a correcção seja repentina e angustiante.”

In The Telegraph

E como estamos na fase das comparações dizendo que Portugal é substancialmente diferente da Irlanda e da Grécia, que tal analisar essas diferenças por este prisma:
A Irlanda irá ter um superavit de 0,7% em 2011 e 3,2% em 2012.
Somos realmente diferentes!

Dívida pública:
Dívida da República: 86% do PIB (A oposição no bananal diz ser 122%)
Dívida Privada: 239% do PIB (Em 2008 – A maior no mundo)

As comparações com a Grécia e a Irlanda:
Grécia com 126,8% do PIB (Estado) e Irlanda com 101%… em 2014!
Como no endividamento privado somos reis, e no público andamos lá por perto… sim, as diferenças são realmente significativas para pior

A Banca, o mercado de trabalho e o mercado imobiliário:
A banca portuguesa e o mercado imobiliário são realmente as principais diferenças entre Portugal, Irlanda e Grécia.
A banca portuguesa foi menos “brincalhona” no mercado da especulação, mesmo assim o seu endividamento externo ascende em média a 40% dos seus bens, e se a torneira dos empréstimos fechar…
É-nos dito que a legislação do mercado de trabalho em Portugal é a mais rígida na Europa e que os apoios sociais representam 22% do PIB.
Este é provavelmente o único ponto que discordo em todo o texto do Evans-Pritchard.
Gostava de destacar que a Noruega, que tem um sistema social muito mais pesado para o erário público do que o português, e uma legislação laboral ao nível de Portugal, é a nona classificada no ranking mundial da competitividade. A culpa não é da legislação, é da forma como os impostos não foram e não são canalizados para a economia do Zé Povinho, ainda para mais quando a Noruega é o país do mundo em que a desigualdade entre os quadros superiores e os inferiores é a menor, aproximadamente 1 para cada 4 euros.
O mercado imobiliário é também uma diferença. Em Portugal ainda não estoirou, volto a frisar… AINDA não estoirou. Os indicadores mais recentes começam a apontar para que tal venha a suceder, como a brutal contracção que o sector das obras públicas tem vindo a registar, agravado no último trimestre para uma queda de 16,4% nas novas encomendas!

Depois Pritchard pega numa afirmação do nosso incontornavelmente brilhante Ministro de Estado e das Finanças que disse: “Se Portugal não fizesse parte da UEE o risco de contágio seria menor”, para escrever:

“Senhor, se Portugal não fizesse parte da União Europeia, certamente não estaria nesta situação. O país, no início dos anos de 1990, tinha um superavit na sua balança de transacções. Foi impelido pelas ilusões do não risco da EEU até a uns vermelhos 109% do PIB. Se a sua moeda ainda fosse o escudo, nunca teria conseguido acumular tanta dívida externa, e agora teria a capacidade de reganhar riqueza com uma taxa de câmbio inferior.”

“A origem desta crise vem desde a fatal decisão de entrar para a União Europeia 20 anos mais cedo do que devia. Depois Lisboa falhou com um controlo insuficientemente das políticas fiscais e de endividamento de modo a contrabalançar uma queda nas taxas de juro de 16% para 3%, de forma a conseguir entrar para a UEE – se é que é possível contrabalançar um erro monetário em tal escala.”

Portugal viu a sua competitividade ser destruída pelo «boom», e nunca mais conseguiu recuperar. O país tem desde então vivido num estado de permanente declínio por causa de uma moeda Teutónica que está constantemente a exacerbar os desafios. Perdeu incontáveis indústrias de baixa tecnologia para os rivais chineses e da Europa de Leste mais rápido do que as industrias de alta tecnologia que conseguiu criar.”

Portugal tem, de certa forma, sido uma vítima a EEU, uma casualidade das ideologias, dos bons ideais, e de teorias académicas não comprovadas de laureados com prémios Nobel sobre a eficiência das uniões monetárias.”

In The Telegraph

Pouco mais à a acrescentar que dizer que o que ele escreveu é quase proibido nos nossos meios de comunicação social, tal o silêncio degradante que continuamos a vivenciar, e usou apenas a lógica e contas de somar… 1+1=2… nada que necessite de um curso ou saber de predestinado para ser desenvolvido… fez um verdadeiro trabalho de jornalista mais profundo do que os que por cá vivem… no mínimo desprestigiante para a classe que vive em Portugal (digo eu)…

Para o ano que vem:
4% do PIB serão consumidos pelo aperto fiscal e assistiremos a uma contracção da economia em 1,4%. (OCDE)
A dívida total deverá ficar nuns incomensuráveis, inacreditáveis, absurdos 325% do PIB!!!!!!!
Acreditem, isto é mesmo diferente dos casos irlandês e grego, mas para pior!

Agora talvez seja mais fácil de compreender o porquê dos mercados terem pura e simplesmente respondido que o resgate da Irlanda não vale de nada, com o risco da dívida irlandesa a continuar a subir na tabela, assim como o de Portugal e da Espanha.
Agora é certamente mais fácil de compreender que estamos num beco sem saída, que nos próximos seis meses iremos entrar no grupo das soberanias totalmente vendidas e dependentes de terceiros, que o nosso sistema bancário irá ser varrido por essa maré, assim como o nosso mercado imobiliário. Então, nesse dia, talvez as diferenças entre Portugal, Irlanda e Grécia venham a ser apenas: Somados todos os indicadores é Portugal que está em pior situação…
E depois?
Bem, depois…a máquina infernal da União Económica Europeia irá continuar a funcionar tipo monstro aglutinador de tudo e todos…

Notícia do The Telegraph – Portugal next as EMU’s Máquina Infernal keeps ticking
Notícia do Sol – Portugal e Irlanda são casos muito diferentes, diz comissário
Notícia do Sol – Mercados prevêem recurso de Portugal à ajuda internacional
Notícia do The Telegraph – Ireland bail-out: Markets brand rescue package a failure due to lack of detail
Notícia do Expresso – Clube da bancarrota: Irlanda sobe ao 3º lugar
Notícias de Apoio:
Notícia da Bloomberg – Most Competitive Economies 2010
Notícia do Jornal de Negócios – Irlanda compromete-se a reduzir défice para 9,25% em 2011
Notícia do Economia & Negócios – Dívida pública da Grécia atingiu 126,8% do PIB em 2009
Notícia do Público – Joseph Stiglitz põe a hipótese de Portugal ou Espanha falirem
Notícia do IOL – Dívida pública total ficou acima de 108% do PIB em 2009
Notícia do Público – Portugal vai ter o maior défice externo da OCDE no próximo ano

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