Monthly Archives: Outubro 2010

Vende-se Loteamento À Beira-mar

China prepara-se para comprar dívida a Portugal e entrar na Europa pela porta dos fundos.

Ao contrário dos especuladores dos mercados financeiros de Wall Street e da The City, os Chineses lidam com produção real e tangível. Todos sabemos que são actualmente a grande força de trabalho mundial e a fábrica dos EUA. Mas não se ficam por aqui. Neste momento detêm 2/3 da dívida soberana dos States e investiram fortemente na dívida grega em meses recentes, o mesmo é dizer que compraram a possibilidade de assentar arraiais às portas da Europa limitando-se a adiar um problema que poderá tornar-se irresolúvel a curto prazo.

Perante a recente crise em solo português (apenas de nome, porque a soberania sobre este rectângulo tecnicamente não nos pertence) e com os juros da dívida a rondar os 6% (mais ou menos, dependendo do número de trapalhadas que os nossos governantes vão fazendo) eis que chegam os Chineses como os salvadores da pátria. Se no século XVI fomos nós a descobrir o Oriente e a China, nada melhor do que sermos agora salvos e ajudados pelos Chineses, passados que estão 500 anos dessa epopeia levada a cabo por homens corajosos e visionários que então ligaram o mundo conhecido. A ajuda processar-se-á através da compra de dívida nacional e em troca nós damos-lhes… bem, segundo as notícias que li na imprensa de hoje, parece que não lhes damos nada, porque os Chineses são nossos amigos e estão apenas interessados em ajudar-nos a sair da alhada em que deixámos que nos metessem.

Obviamente todos sabem que as contrapartidas não serão pequenas, veja-se o caso da Grécia, quem tem vendido dívida à China e não só… os acordos comerciais não passam apenas por restaurantes e lojas chinesas com os sempre apetecíveis benefícios fiscais. Os portos de carga gregos estão a ser literalmente tomados pelos Chineses que vêem aqui uma oportunidade de fazer na Europa o que já fizeram nos EUA: invadir ainda mais o espaço comercial, quem sabe de forma definitiva e irreversível. As consequências para o tecido empresarial e produtor serão negativamente incalculáveis. A China não só se coloca às portas da Europa como irá certamente desviar para os “seus” portos todo o tráfego marítimo vindo do Oriente, nomeadamente para o porto de Pireu, na Grécia, onde já têm um contrato de longo prazo assinado no valor de muitos milhões de euros, para os navios que atravessam o canal do Suez. Dali à China é apenas um pulinho. Vamos ver como se posiciona a UE nos próximos meses, em especial a Alemanha, o motor comercial da Europa.

O que eu vejo é um país (países) que já pouco produzem e que irão produzir ainda menos (muito menos). Basta para isso pôr os olhos no outro lado do Atlântico, no maior país consumidor do mundo e onde já quase nada se produz.

E o que é que Portugal tem para oferecer além de ficar refém daquela que será indubitavelmente a maior potência do século que ainda agora começou? Bem, a ver vamos, como diz o cego. Mas cheira-me que o alargamento da placa continental e a exploração do fundo marítimo será um doce bem apetecível para a máquina sedenta de energia chinesa… Não esquecer que os grandes contractos de exploração de petróleo e minério que se estão a fazer por todo o mundo têm assinatura chinesa.

Conclusão: o problema da dívida continuará a agravar-se tapada por mais umas emissões de dívida aqui e ali (até quando?) e o pouco que produzimos irá definhando até não ser mais possível competir com os preços chineses.

Poder-me-ão dizer: “Pelo menos vêm cá criar emprego”. Talvez criar 100 empregos para destruir 1.000 não seja o melhor modelo de desenvolvimento de um país, digo eu que sou um leigo na matéria.

Consumir sem produzir, é aquilo que espera aos países que vendem a sua capacidade produtiva à custa de um sistema que exige crescimento ilimitado numa esfera onde os recursos são cada vez mais limitados. Vamos ver de que lado rasga a corda, se do lado dos consumidores por não terem com que comprar o que querem consumir, ou do lado dos produtores que não têm com que produzir…

Notícia no Jornal de Negócios: China pondera comprar dívida pública portuguesa

Notícia no Público: Grécia espera aumento de investimentos pela China

Notícia em Presseurop.eu: Europa, um mercado chave para a China

Notícia na Agência Financeira: Chineses vêm a Portugal a pensar na dívida e com acordos na «manga»

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Quo Vadis “Soberania”?

FMI reforça poderes. Angela Merkel aconselha Passos Coelho. Jean-Claude-Trichet aconselha Sócrates. Agências de rating avisam o Governo sobre o défice deste ano.

Se dúvidas houvesse sobre o desgoverno deste executivo e sobre quem manda e opina a respeito da economia e dos destinos deste país, as notícias que têm vindo a sair a conta gotas e meio dissimuladas nos meios de comunicação mostram claramente quem são as vozes de comando.

Numa altura em que o PSD não sabe (ou não quer dizer) se vai aprovar o próximo orçamento de estado e acusa o PS de fazer chantagem perante os portugueses (naquela que eu entendo como uma jogada “rasca” de politiquice em que tenta passar a responsabilidade da não aprovação do documento para a oposição depois da toda a inépcia e atitudes escabrosas demonstradas ao longo dos últimos 2 anos), sabemos que Angela Merkel aconselha os nossos (?) governantes dizendo que “mais vale não ter orçamento do que ter um orçamento mau”, ou, digo eu, um orçamento que não convenha às exportações alemãs e que impeça a entrada de títeres de sangue fresco em São Bento.

Depois temos a UE a dizer “Queremos é que as metas do défice sejam cumpridas. Como isso é feito é com os países”. Interessa é que os países continuem a emitir dívida mas a um nível sustentável, não vá a renda de muitos senhores ficar em risco devido ao incumprimento…

Perante isto, a Standard and Poor’s, uma das três maiores e mais influentes agências de notação do mundo e braço armado do mercado financeiro, vem a terreiro dizer que de nada vale ao governo inventar formas de mascarar o défice de 2010 (com o fundo de pensões da PT), dizendo:

“A transferência do fundo de pensões da Portugal Telecom (PT) para o Estado não será contabilizada no nosso método. Como tal, esperamos que o défice de 2010 se aproxime de 8,8% do PIB, bem abaixo do objectivo de 7,3%”

Ou seja, o défice é remendado à última da hora à custa de obrigações que só se terão de cumprir lá mais para a frente à custa do Zé Povinho e em benefício de uma empresa portuguesa que este ano fez o maior negócio em Portugal e não pagou um único tostão de impostos pela transacção, recorrendo a “engenharia financeira”, vulgo “xico espertismo” ou “vigarice”, e os mercados irão continuar a cobrar-nos juros altíssimos pela compra de dívida nacional.

Jean-Claude Trichet, o governador do Banco Central Europeu, ficou muito aflito com as contas dos Portugueses e com medo que a torneira se fechasse e colocasse os credores em pânico, deslocou-se a Portugal em Junho “para reforçar a importância da disciplina orçamental”.  Afinal de contas, para que foi aquela palhaçada do ministro das finanças na Assembleia da República a perguntar à oposição onde é que ele devia cortar na despesa, se já tinha o trabalho de casa todo feito e as cópias bem transcritas e sem erros para mostrar ao professor?

E para completar o ramalhete, o FMI já se começa a preparar para o que aí vem como quem se prepara para a vindima. Perante a guerra de divisas que se avizinha (e que será certamente abordada em futuros textos aqui na minha mOsca), o FMI movimenta-se para “reforçar o seu papel  na supervisão eficaz da economia mundial”, ou, lido de outra forma, para não perder o controlo assassino e destruidor que exerce sobre as economias dos seus 187 membros, e adaptar-se ao abanão que o tabuleiro financeiro e económico irá sofrer. FMI, recordo, que é uma organização onde só os Estados Unidos têm poder de veto. Tudo muito honesto e democrático, portanto.

Posto isto, pergunto: “Alguém ainda acredita que aqueles que são eleitos pelo povo representam o povo?”

Notícia no Público: FMI dá novos passos para reforçar poderes de supervisão e controlo das economias

Notícia no Sapo Económico: Défice seria de 8,8% sem o fundo de pensões da PT

Notícia na Sábado: Páginas 58 e 60 da edição de 7 a 13 de Outubro

Artigo na minha mOsca: Soberania, BCP e Grécia

Comer Para Encher Bolsos Em Vez de Bocas

Lóbis adiam medidas para melhorar condições de saúde e ambientais. Salmão transgénico com uma mão na caixa de Pandora.

Vivem-se tempos de grande ansiedade. Não, desta vez não é por causa da economia mundial e das injustiças sociais que se apregoam em nome da estabilidade. Desta vez é a saúde pública e o ambiente que se encontram uma vez mais na linha de fogo. Todos sabemos que as grandes empresas multinacionais detêm grande influência junto dos órgãos de decisão. As pressões, ou os chamados lóbis, que exercem sobre os decisores e os que deveriam, em última análise, zelar pela segurança alimentar, resultam invariavelmente numa degradação das condições de segurança em favor das contas bancárias das grandes empresas e dos seus accionistas.

Já todos conhecemos a história de como os gigantes do tabaco adiaram durante décadas a tomada de decisões que teriam poupado a vida a milhões de pessoas e a muitos mais milhões de dólares, libras e escudos por esse mundo fora. Os lugares que ocuparam junto dos decisores políticos valeram-lhes biliões em dividendos vendendo veneno misturado com tabaco, pagando campanhas eleitorais e espaço de publicidade nos meios de comunicação social, que enquanto o dinheiro se manteve a fluir, continuaram a debitar alegremente publicidade enganosa a milhões de pessoas por todo o mundo. Isto durante décadas a fio, repito.

Hoje o cenário é outro, mas o guião é o mesmo. Os grandes interesses agro-pecuários e empresas de genética pressionam e influenciam a tomada de decisões que protelam durante anos o melhoramento das condições de saúde e dos padrões de segurança na produção agrícola, em prejuízo claro para os consumidores e à custa da sua ignorância.

O problema de fundo é que hoje as organizações que se sobrepõem aos interesses do comum dos mortais já não se limita a pressionar e a influenciar, antes, faz parte da estrutura que gere e dirige todos os regulamentos e directivas agrícolas. Uma grande empresa dá-se ao luxo de gastar milhões em campanhas de publicidade e de lóbis para influenciar opiniões e comprar apoios. As verdadeiras organizações que existem para defender e melhorar as práticas agrícolas não podem jogar no mesmo campeonato uma vez que carecem dos fundos que o próprio sistema lhes deveria facultar para exercerem a sua função.

O mais recente exemplo, mas muitos outros há que mereceriam lugar de destaque, é a iminente aprovação da venda e produção de salmão transgénico nos Estados Unidos. Isto a acontecer será uma verdadeira tragédia para a agricultura, piscicultura e pecuária. Uma verdadeira caixa de Pandora.

A empresa envolvida em todo este processo é a AquaBounty Technologies, que incorporou um gene de um outro peixe que permite ao salmão manter as suas hormonas de crescimento activas durante todo o ano, levando-o a desenvolver-se muito mais rapidamente do que um salmão selvagem e a estar rapidamente pronto para venda e consumo. Além dos potenciais riscos para a saúde pública (existe  uma proteína normalmente existente no nosso organismo suspeita de envolvimento em alguns cancros e é bom recordar que nos Estados Unidos da América os alimentos transgénicos não são rotulados como tal – conveniente, não?), existe o risco de fuga de um destes peixes para a Natureza e a consequente contaminação das populações selvagens. Um só destes peixes que se reproduzisse bastava para, ao fim de algumas gerações, dizimar as populações autóctones, pois os híbridos iriam competir pelos recursos e atingir a maturação muito mais rapidamente. A empresa alega que tudo será feito em tanques afastados dos rios e do oceano, como se nós acreditássemos que os megalucros que esperam obter advenha exclusivamente da venda de peixe… cá para mim 95% dos lucros que a empresa teria seriam obtidos através da venda dos direitos de patente sobre um gene. Querem melhor galinha dos ovos de ouro? (vide o caso da Monsanto e das sementes transgénicas e pesticidas que vendem às toneladas todos os anos….) E depois? Também vão controlar todos os milhares de produtores que irão certamente comprar o produto na esperança do lucro fácil? Fácil é ver no que isto irá resultar. A seguir, virão os porcos, as vacas, as ovelhas, as galinhas… até eles quererem e o povo deixar.

Isto passa-se nos Estados Unidos, mas não nos iludamos… na Europa as leis começam a ser amaciadas e depois são introduzidas lenta e solenemente, pelos mesmos agentes e pressões que se verificam do outro lado do Atlântico. É a História que o prova e que o (h)omem teima em repetir.

Enquanto o Zé Povinho anda entretido a contar os tostões, a ganância e a ignorância não dormem, não se distraem e não se compadecem com o mal que espalham à sua volta.

Notícia no Público:Salmão transgénico no menu dos americanos pode estar para breve

Notícia News.com: “We can build whatever animal you want to eat, say scientists

Notícia no TheGuardian:Corporate lobbying is blocking food reforms, senior UN official warns

A Gordura Insultuosa

Entrevista de Henrique Neto vem agitar o lodaçal.

Hoje tive o privilégio de ler a entrevista mais séria e lúcida (e por isso mais sincera) dos últimos meses ou como um simples homem pode deixar o Governo do seu próprio partido com as orelhas a arder.

Henrique Neto, com 74 anos de idade, empresário da Marinha Grande, terra de gente de barba rija, que começou como aprendiz de carpinteiro e não com o cu virado para a Lua, deu uma entrevista hoje ao Público que é uma autêntica lufada de ar fresco e verdadeira pedra, não no charco, que a água há muito se deixou de ver, mas no lodaçal em que este país se encontra actualmente atolado. Entre críticas duríssimas ao primeiro-ministro e ao seu ministro das finanças, disse o que muitos portugueses sabem e deu voz à revolta que temos calada e que nos vai consumindo dia após dia.

Antes de passar às suas sábias palavras, quero deixar bem expresso o meu repúdio pelo silêncio do presidente da República. Um homem que não sabe dar um murro na mesa, um homem que não se dirige ao país no momento mais difícil dos últimos 35 anos, não merece o lugar para o qual foi eleito. É neste momento um ocupa que serve apenas para manter o status quo da gordura do estado e da oligarquia tal como Henrique Neto nos delicia nas suas palavras. Os ditadores nascem porque têm pulso, porque têm sangue na guelra, porque tomam medidas e falam olhos nos olhos com o povo. A linha entre um grande líder e um ditador é muito ténue, mas as suas raízes começam por cavar a terra da sociedade da mesma maneira.

Depois das tristes cenas com que tanto o primeiro-ministro como o ministro das finanças nos contemplaram na televisão a semana passada, em que se mostraram muito sérios e taciturnos depois de meses de sorrisos e palmadinhas nas costas, depois de o responsável pela gestão financeira de todo um país ter o desplante de perguntar à oposição em plena Assembleia da República onde querem que ele corte mais na despesa, é fácil (e triste) de constatar que o país é neste momento um comboio desgovernado. Eis as palavras de Henrique Neto:

(…) nestas circunstâncias, falar da coragem do primeiro-ministro e do ministro das Finanças, como alguns têm feito, é um insulto de mau gosto a todos os portugueses que trabalham, pagam os seus impostos e vêem defraudadas as suas expectativas de uma vida melhor. As medidas propostas, sendo inevitáveis, dada a dimensão da dívida e a desconfiança criada pelo Governo junto dos credores internacionais, não tocam no essencial da gordura do aparelho do Estado e nos interesses da oligarquia dirigente. Mas o pior é que estas medidas, pela sua própria natureza, não são sustentáveis no futuro e não é expectável que, com este Governo, se consiga o crescimento sustentado da economia.

Já aqui foi abordado em vários textos a inevitabilidade da tomada de posse do FMI sobre os destinos do país. Seja através da “ajuda” directa como aconteceu com a Grécia, ou através do acesso ao fundo monetário europeu, patrocinado em 33% pelo FMI, 2011 afigura-se como um ano de grande festim para os credores internacionais.

Um Governo que deixou chegar as finanças à presente situação, dificilmente evitará a vinda do FMI.

Mas é no ataque mais duro e frontal a José Sócrates que Henrique Neto diz o que nunca nenhum outro político ousou dizer sobre este Governo, ou que nenhum outro órgão de comunicação social ousou divulgar.

(…) José Sócrates iludiu, durante cinco longos anos, todos os reais problemas da economia através de um optimismo bacoco e inconsciente.
Não o fez apenas por ignorância, mas para servir os interesses da oligarquia do regime, através da especulação fundiária e imobiliária, das parcerias público-privadas, dos concursos públicos a feitio, das revisões de preços e de uma miríade de empresas, institutos, fundos e serviços autónomos, além das empresas municipais. Regabofe pago com recurso ao crédito e sem nenhum respeito pelas gerações futuras.

(…) a dívida pública que os últimos governos deixaram acumular deveria constituir crime público. Porque nos tornou dependentes dos credores internacionais e coloca em causa o bem mais precioso de qualquer país, que é a independência nacional. Que, no caso de Portugal, tem mais de oito séculos e custou muito sofrimento.

E termina em jeito de crítica aos Portugueses:

É inegável que existe um bloco central inorgânico na política portuguesa, que defende interesses privados ilegítimos e permite a acumulação de altos e bem pagos cargos na administração do Estado e nas empresas do regime. O que é facilitado pelo chamado centralismo democrático praticado nos diversos partidos políticos e pela habitual passividade e clubismo do povo português.

Não sei quando é que os portugueses dirão “basta!”. Mas sei que o maior problema resultante da imoralidade das classes dirigentes é a pedagogia de sinal negativo que isso comporta. Infelizmente, muitos portugueses têm a tentação de pensar que, se alguns enriquecem de forma fácil e rápida por via da sua actividade política, isso também lhes pode acontecer a eles no futuro.

Antes de se poder resolver um problema, há que saber primeiro o que o causou e porquê. Os Portugueses têm de perceber que este governo, esta democracia, esta oposição, não os representa. Não pretende gerir um país para deixar às gerações que os irão suceder. É com contributos de intervenções como esta que essa tarefa vai sendo feita, mas será que vai a tempo de nos abalar e demover para as grandes dificuldades que se avizinham?

Notícia no Público: Austeridade “não toca na gordura do Estado e nos interesses da oligarquia

Outras Notícias do Dia 30/09 e 01/10/2010

Economia\Banca\Corrupção:

Ruas prevê ruptura total das autarquias com medidas de austeridade +
Irlanda: resgate do Anglo Irish Bank custa até 34.000 M€
Louçã: «mistério» de 1300 M€ com incorporação fundo pensões PT
IVA: Comércio teme efeitos no consumo e evasão fiscal
Wainfleet, maior exportadora portuguesa, não paga impostos ++
Melhor Setembro desde 1939 em Wall Street
Economia norte-americana abranda no segundo trimestre
Governo corta rendimento real a mais de 3,5 milhões de pessoas ++
Moody’s corta rating de Espanha em um nível +
Um milhão com menos abono ++
Alegre diz que Governo “deveria exigir maior contribuição” à banca
Pacote de austeridade: “drástico”, “duro” e “dramático”, dizem os jornais europeus
Moçambique: Presidente da AR nega secretismo e falta de transparência do Parlamento
Juros da dívida pública continuam acima de 6% +
Matérias-primas e ouro em alta
Augusto Mateus diz que medidas não convencem os mercados +
PCP: novo imposto sobre sistema financeiro é «autêntica fraude» ++
Imposto sobre os bancos em Portugal será idêntico à França, Reino Unido e Alemanha
Seis em cada dez euros do esforço de contenção orçamental serão pagos por toda a população ++
Estado encaixa 250 milhões de euros com os cortes no abono de família a 1 milhão e 383 mil crianças e jovens
Medidas de austeridade «são severas», considera Van Zeller
Merkel obrigou Sócrates a pôr submarino nas contas +
“É improvável Portugal atingir a meta de 4,6% em 2011” +
Ouro atinge 11 recordes em 14 sessões
OCDE saúda austeridade em Portugal
Americans tread water in gulf between rich, poor
One large trader led to May 6 stock market plunge
Brasil melhorou no governo Lula, mas desigualdade ainda é muito grande
Ukraine Court Boosts Presidential Powers
Almost 3,000 millionaires claim jobless benefits, IRS data show +
Eternal material value to set new records eternally

Saúde\Ambiente\Agricultura\Ciência:

Psiquiatras temem impactos de cortes na saúde mental
Saúde vai sofrer mais cortes
EUA pedem desculpa por terem infectado doentes mentais com sífilis
Nearly One in 10 Americans Depressed, Study Reveals
Back from the dead: One third of ‘extinct’ animals turn up again
Conflicts of interest threaten carbon-trading mechanism ++
Permeable Boundaries: How Mothers’ Meds Affect a Fetus
O pescado em risco de existir apenas em foto ++
Environmentalists Welcome New Law to Protect Glaciers
Geoengineering May Represent Earth’s Best “Plan B”
In 2013, the Sun will destroy all means of communication on Earth ++
EU warns six members over renewable energy plans

Bélico\Energias:

“Israel prepara-se para um ataque em grande ao Líbano” +
Equador: Presidente denuncia tentativa de golpe de Estado
Equador: Rafael Correa nega-se a negociar com amotinados e assegura que continua a governar o país
Estudo revela que imigrantes não cometem mais crimes violentos do que portugueses
Renováveis crescem 84%
Global employment crisis will stir social unrest, warns UN agency
WikiLeaks founder blasts Pentagon amid Afghan files row +
UN report accuses regional armies, rebel groups of war crimes
Ecuador uprising: ‘We came very close to civil war”
European oil majors abandon Iran over sanctions
Suspect in Swiss Data Theft Found Dead
Timerman warns of ‘coup trend’ across the region
Delayed UN report links Rwanda to Congo genocide
Carvão – Uma Nova Solução Para os Problemas de Combustível?
Hugo Chavez: Nuclear blackmailer in American backyard
CIA files: A bunch of terrorists +++
U.N. Reports Mixed Results on Afghan Poppy Crops

Com o Funeral à Porta

Défice da Irlanda atinge os 32%. Juros da dívida de Portugal baixam mais que da Irlanda. Crise irlandesa abana a Europa. A ira dos irlandeses é o sabor da vida depois dos cortes. Políticos islandeses têm de fugir de protestantes irados. Corte nos salários do sector público empresarial é ilegal. Governo altera o código do trabalho para cortar salários.

Hoje vou “fugir” um pouco do cerne do tema do momento, as medidas de austeridade que vão ser aprovadas no orçamento para 2011, e mostrar outro lado da mesma crise, lado esse que anda a ser engolido pelas notícias do que se passa em Portugal.

A Irlanda.
A Irlanda tem sido a companheira de Portugal no que diz respeito à crise das finanças públicas e no défice excessivo.
Ontem e hoje ficámos a saber que o défice irlandês para este ano será na melhor das hipóteses de 32%… 32%!!!!!!!!!!!!!
32% representa 1\3 de toda a riqueza gerada por lá em 2009.
Depois de quase um mês de um silêncio quase sabático em relação à Irlanda os meios de comunicação mundiais tiveram de voltar a mostrar um pouco mais da realidade quase inacreditável de um país em auto-destruição motivada pelos senhores do costume: BANCA!
A história dessa História está por aqui: E se a Grécia for a Irlanda e Esta o Mundo? e A Irlanda e o Fim da Linha
É quase inqualificável o comportamento dos políticos “bananas” que grassam na sociedade moderna. Preferem conduzir à ruína o seu país a deixarem falir um banco. Para quem ainda tenha dúvidas de e para quem trabalham estes políticos “bananas”, basta ver a realidade da Irlanda… e para quem gosta de acreditar que em Portugal é diferente, que na Europa é diferente, que nos países do mundo desenvolvido é diferente, só lhes consigo desejar muito boa sorte…
32%!

Bem e como a Irlanda é mesmo a melhor comparação com Portugal, vamos tendo direito à beleza artística dos nossos meios de informação e a sua capacidade de pintar de cor-de-rosa aquilo que de rosa não tem nada.
Hoje o jornal Público teve o descaramento de publicar uma noticia com este título absolutamente recortado de um sonho que na realidade é um pesadelo monumental. Eles por vezes nem conseguem reparar nas estupidezes que escrevem, ora vejam lá:

Juros da dívida de Portugal baixam mais do que juros da Irlanda

In Público

Sabem que esta notícia sobre o défice de 32% da Irlanda saiu quase em simultâneo com a divulgação das medidas de austeridade que vão ser aprovadas no Orçamento de Estado para 2011?
Sabem que os juros para Portugal já estavam marginalmente abaixo dos da Irlanda e agora estão em 6,377% em comparação com 6,599% na Irlanda?
Acham que os mercados responderam às diferenças abismais de notícias entre Portugal e a Irlanda?
Pensem só nisto. Imaginem que seria Portugal a apresentar um défice de 32%, como acham que estaria a comparação dos juros da dívida pública entre Portugal e a Irlanda? Acham que a diferença seria assim tão marginal?
O que nos dizem os mercados internacionais?
Que a Irlanda mesmo tendo um défice de 32% é quase tão fiável como Portugal que irá apresentar um défice, dizem eles, de 7,3% – menos 24,7%!
Onde está o cor-de-rosa da comparação entre Portugal e a Irlanda? Onde?
Bem sei que não é fácil encontrar pontos positivos na actual conjuntura para amaciar a mente do Zé Povinho, mas pelo menos façam um pouco mais de esforço para não se tornarem ridículos…

Portugal é quase tão insignificante que em nenhum meio de comunicação social encontrei algo ou alguém a falar sobre a quase inacreditável proximidade dos juros cobrados a Portugal e à Irlanda, quando os seus cenários económico são monumentalmente diferentes.
Continuamos a ouvir dizer que os 50 mil milhões de euros injectados pelo governo irlandês até ao momento são muito mais perigosos para a Europa do que o caso português. Mas então qual a razão dos mercados internacionais não revelarem isso nos juros?
Deixo esta pergunta no ar porque nos próximos tempos iremos começar a ter respostas para ela… de certeza…

E uma nova onda está a ganhar força na Europa: os protestos sociais estão a transformar-se em convulsões sociais… que simpaticamente são usualmente apelidadas pelos meios de comunicação social como protestos.
Já todos(?) sabem o que se passa na Grécia… mortos. Anteontem, em Espanha, durante uma greve geral, mortos. Na Islândia os políticos têm de fugir dos manifestantes porque já deixaram de ser “mansinhos”. Na Irlanda a calma está a dar lugar à ira, e como todos sabemos o IRA ainda é uma lembrança muito recente.
O que acham que poderá vir a ser o Portugal social daqui para a frente? Irá ser diferente? Irão os portugueses manter a calma?
Estaremos cá para assistir.

E fazendo um pouco de futurologia, como acham que irá reagir o Estado se for violentamente confrontado e colocado sobre pressão, principalmente colocado em causa o status quo de algumas instituições e políticos “bananas”?

Por acaso hoje até tivémos acesso a uma pequena demonstração de como poderão vir a tentar resolver essas contrariedades.
O Estado como quer baixar os ordenados dos empregados públicos das empresas do Estado, e como isso é ilegal por lei, não vai de modos e altera a lei à pressa de forma que isso passe a ser exequível.
Poderia ficar aqui a escrever linhas sobre a superficialidade dessa acção, mas quero falar sobre ela de forma mais profunda.
As leis só são benéficas para a sociedade quando são feitas para defender a sociedade. Quando as leis passam a ser instrumentos políticos deixam de ser leis e passam a ser veículos de propaganda. Este tipo de veículos de propaganda são uma das armas de todos os Estados não democráticos.
Um dos maiores perigos que enfrentamos actualmente é o da degradação da acção das leis que regem a nossa sociedade, podendo estar a ser desenvolvidas para defender uma pequena minoria em desfavor da maioria, ou seja, beneficiando uns mais que outros. (Acho que já sabem quem são os “uns”…)

Então vou fechar este artigo dando um exemplo estúpido de como o status quo “político-bananeiro” pode transformar uma das suas acções primordiais numa das coisas mais banais e perigosas de forma a defender os seus interesses:
Se por acaso a Assembleia da República aprovar que é proibido usar camisolas amarelas, todos os que usarem camisolas amarelas serão criminosos.
A linha que separa um Estado democrático social de um demo-crático é mesmo muito ténue, e caso tenham achado que o exemplo que dei é estúpido demais, lembrem-se da proibição imposta em França ao uso do véu por parte das mulheres muçulmanas…
Sabem a estupidez é parte integrante da mentalidade da nossa sociedade, por isso…

Ai, como o mundo é tão complicadamente simples…

Notícia do OJE – Défice irlandês atinge 32% com resgate bancário
Notícia doPúblico – Juros da dívida de Portugal baixam mais do que juros da Irlanda
Notícia do The Wall Street Journal – Irish Crisis Shakes Europe
Notícia do The Wall Street Journal – Is Europe Heading Back to the Brink?
Notícia do Buenos Aires Herald – Ireland faces ‘horrendous’ bank bill
Notícia do The Guardian – Iceland’s politicians forced to flee from angry protesters
Notícia do The Guardian – Ireland’s anger a taste of life after cuts
Notícia do Jornal de Negócios – Corte dos salários no sector público empresarial é ilegal
Notícia do Jornal de Negócios – Governo mexe no Código do Trabalho para cortar salários
Notícias de Apoio:
Notícia da BBC – Protestos na Grécia deixam três mortos
Notícia do Jornal de Notícias – Nove feridos e tiros para o ar em confrontos nos arredores de Madrid
Notícia do Público – Protestos de rua na Islândia acabam em violência
Notícia da BBC – Senado da França proíbe o uso de véus islâmicos em público

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