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Boaventura, Chris e o Curso

Boaventura de Sousa Santos: Entrada do FMI em Portugal seria uma desgraça. Boaventura de Sousa Santos defende a “reinvenção do Estado” como resposta às crises. Combate à crise financeira vai levar à confrontação social. Preparem-se para o Pico do Petróleo enquanto têm tempo.

Que dia este!
Dois dos maiores e melhores pensadores dos nossos dias expuseram as suas convicções para todos ouvirmos.

Boaventura de Sousa Santos, que é retractado apenas como sociólogo nos meios de informação para as massas quando na realidade é professor de economia na Universidade de Coimbra, na Faculdade de Direito da Universidade de Wisconsin-Madison e Global Legal Scholar da Universidade de Warwick, Director do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Director do Centro de Documentação 25 de Abril da mesma Universidade e Coordenador Científico do Observatório Permanente da Justiça Portuguesa.
Dizendo que ele é apenas sociólogo reduzem o impacto das suas palavras a um pseudo analista de sociedades, quando na realidade o que ele faz é analisar o peso e influência da economia sobre as sociedades.

Ao que é importante, deixando para trás o pudor insultuoso e manipulador dos meios de comunicação generalistas:

O FMI não é a solução adequada para Portugal, porque quando entra num país, é a desgraça para esse país, e a tese está comprovada.

Só os nossos comentaristas trauliteiros e ignorantes e conservadores, que infelizmente dominam os nossos meios de comunicação, alguns deles pessoas que deviam ter mais vergonha na cara, é que podem vir a sugerir que isso é uma boa solução para o país.”

O FMI, pela sua política, tem uma obsessão, [que é] cortar nas despesas sociais do Estado. Significa pobreza, miséria, mais desequilíbrio social numa sociedade que já é a sociedade com mais desigualdade social na Europa.

É a miséria, é a pobreza que estará no horizonte. O FMI funciona segundo a lógica dos credores, não funciona segundo a lógica dos devedores. Acima de tudo procura impor políticas que garantam aos credores o pagamento das dívidas. Não é nunca uma solução.

Os países que rejeitaram a intervenção do FMI, ou que desrespeitaram as suas regras, são aqueles que fizeram melhores recuperações económicas”. Citou o caso da Argentina, hoje elogiada pelo FMI, que “no princípio da década disse ao FMI: não pagamos.

Entre a prioridade “total” que deve ser dada às energias renováveis e à agricultura familiar e o «não» radical ao agrocombustível, o sociólogo português defende «a reinvenção do Estado» nos moldes de uma democracia participativa. «Se o Estado vai ter um controlo maior sobre a economia tem de haver uma democracia económica».

A única agricultura que mata a fome é a agricultura familiar. O agronegócio e a grande monocultura não resolvem o problema, pelo contrário, produzem fome.

É preciso uma outra visão da natureza como recurso humano e não como recurso natural.

Esta política convida à confrontação social. Estamos a assistir a roubo de direitos, a roubo de dinheiro que as pessoas pagaram. Quando se fazem cortes nas pensões, o dinheiro não é do Estado. Em grande parte, foi dinheiro que as pessoas investiram nas suas pensões.

Portugal não pode ser exceção. Se as medidas acordadas neste Orçamento não puderem ser suficientes, e elas já são graves, é de esperar que haja contestação social e confrontação.

In Público e Expresso

Acho que nem é preciso escrever muito mais além de: Este é um Senhor de um pensamento lógico e empírico, que nos transmite uma mensagem actual, real e fundamental, fora dos contextos populistas e manipuladores que todos os dias são descarregados às pazadas em cima das nossas mentes.
Gostava apenas de salientar algo que estranhei ter tido luz verde nas palavras escritas no público:
“Só os nossos comentaristas trauliteiros e ignorantes e conservadores, que infelizmente dominam os nossos meios de comunicação, alguns deles pessoas que deviam ter mais vergonha na cara…”.
Dificilmente uma afirmação poderia descrever melhor o estado da comunicação social no mundo ocidental, verdadeiro veículo para muita da ignorância que grassa no nosso mundo.

E como ontem foi um dia em cheio, um dos meus heróis, Chris Martenson, deu duas entrevistas a dois dos mais conceituados veículos informativos do momento – não generalistas – em que expôs parte das suas leituras para o mundo: (Hoje só usarei uma das fontes. A outra ficará para outro dia, porque sei que ele irá ser importante)

“O nosso sistema monetário tem de crescer. Existem outros sistemas que não necessitam de crescer e outros sistemas monetários que podemos usar. Mas não o que estamos a usar, onde o dinheiro é criado através de empréstimos.”

“Eventualmente, em muitos dos casos, os empréstimos pedidos criados pelo governo não são produtivos. Pegando no exemplo dos empréstimos para material militar, constrói uma bomba, que gera actividade económica, mas depois explode-a. Por isso deixa de existir actividade económica associada a essa bomba, correcto? Sobra apenas a dívida; nada de produtivo. Este é apenas um exemplo dos casos que criam a dinâmica da espiral de dívida, que é uma espiral exponencial.”

“A principal razão das pessoas terem dificuldade em entender a noção de Pico do Petróleo é a crença (cega) na tecnologia.”

“Tenho visto muitas pessoas assumirem que existirá um tipo de declínio em curva descendente, e a economia seguirá essa curva. Mas estamos a entrar neste declínio com os mais altos níveis de alavancagem, ou dívida, já registados. Temos vindo a acumular imensas quantidades de dívida que requerem um crescimento constante. Por isso, vejo a possibilidade, o risco, de um futuro mais negro do que outros vêem.”

“Os mercados financeiros exibem o comportamento de um rebanho, assim que o rebanho decidir que o Pico do Petróleo é real, acho que iremos assistir a alterações muito rápidas, nos comportamentos. Por isso a razão da minha preocupação é pensarmos no que acontecerá se apenas uma pequena percentagem do dinheiro em circulação decidir perseguir o petróleo, iremos assistir a uma explosão incrível. Será muito rápido, quase imediato. Sabe, 100 dólares por barril, ou 200, talvez mais, escolha um número, pouco importa. Isto é uma possibilidade bem real.”

“Acho que os problemas  que assistimos no suprimento de alimentos a seguir ao furacão Katrina em Nova Orleães, será o mesmo tipo de tempestade que prevejo venha a acontecer nas cadeias globais de fornecimento de bens alimentares.”

“Cada 1% no crescimento do PIB mundial, nas duas últimas décadas, conduziu aproximadamente a 0,25% de aumento no consumo de petróleo a nível mundial, uma relação de quase 4% para 1%.
O inverso… se seguirmos os mesmo princípios e dissermos que o decréscimo será idêntico ao crescimento, então podemos dizer que por cada 1% de declínio na produção de petróleo poderemos vir a assistir a um declínio de 4% no PIB. Acho que irá ser mais elevado , consequência dos níveis actuais de endividamento.”

“Temos tido uma recuperação estatística, pelo menos em relação aos números do PIB. Isso não é surpresa; talvez venha a subir 1% no terceiro trimestre. O que me surpreende é que só cresceu esse valor porque os gastos do governo americano (défice) representam actualmente mais de 10% do PIB. Por isso, se retirarmos esses gastos teríamos por sua vez um decréscimo de 10% no PIB.”

“Posso garantir-lhe que a inflação é a consequência preferida pelo ponto de vista das politicas, de todos os bancos centrais. No espectro político existem muitos actores interligados que partilham a crença, o desejo, que a inflação seja uma realidade. E sejamos claros em relação a uma coisa. A Reserva Federal e outros bancos centrais ainda não esgotaram todas as suas possibilidades. Ainda não entraram no modo de pânico.”

“Existe, dois tipos de pessoas, as pessoas que se conseguem adaptar, que têm a mente desperta e conseguem ver estas coisas antecipadamente. Depois temos as pessoas que não fazem ideia do que se está a passar, que não prestaram atenção… estas irão sofrer um choque violento.”

In Energy Bulletin

Muito mais coisas são por lá ditas, por isso aconselho a leitura do texto original.

Aquilo que é descrito por estes dois “Monstros” dos nossos dias será muito provavelmente o nosso futuro.
Quanto tempo?
Daqui a 1 ano, 2, talvez 5, 10?
O que interessa para quando se as alterações se apresentam hoje tão sérias que todos os adultos responsáveis deviam estar a tomar opções de forma a enfrentar este mais que provável choque da melhor maneira possível. Infelizmente o que assisto é a uma constante forma de negação, quase primária, daquilo que poderá vir a ser o nosso futuro.
Todos preferimos as boas às más notícias, mas quem encerra a sua mente no mundo do faz-de-conta, irá ser trucidado por  tais alterações.

E para fechar aconselho mais que tudo a visualização do magnifico, sublime e imprescindível trabalho de Chris Martenson no documentário em forma de manual de bolso sobre as nossas vidas: O Curso do Crash

Notícia do Público – Boaventura de Sousa Santos: entrada do FMI em Portugal seria “uma desgraça”
Notícia do Público – Boaventura de Sousa Santos defende “a reinvenção do Estado” como resposta às crises
Notícia do Expresso – Combate à crise financeira vai levar à confrontação social
Notícia do Energy Bulletin – Interview with Chris Martenson: “Prepare for peak oil while there is time.”

Os Salões de Beleza do Estado

Contas maquilhadas fazem descer a despesa.

Conta-nos o Correio da Manhã que o Estado anda a maquilhar as despesas dos fundos e institutos autónomos do Estado, como por exemplos os institutos públicos.

Com que então agora temos uma nova linhagem de “bananas”: os maquilhadores… Será que um dia destes ainda abrirão um franchising do salão de beleza?

Quem nos garante que esta maquilhagem não é um caso generalizado nas contas públicas?
Como podemos confiar nas fórmulas usadas para as contas públicas se quase todos os anos as modificam?
Como podemos confiar nas contas públicas se nem sequer a inflação é seguida de forma “isenta”?
Por exemplo: Se este ano se o preço do pão aumentar muito (como é esperado), nas contas do Estado para a cesta de inflação o pão será trocado por “Panrico”, porque assume-se que quando um produto fica caro demais as pessoas o trocarão por outro mais acessível, no exemplo que dei, por Panrico…

Em relação à notícia propriamente dita… está tudo dito na notícia original… JOBS FOR THE BOYS… e os bois, que são o Zé Povinho, continuam a ser o pasto de onde se alimentam estas bestas…

Para uma melhor compreensão de como os Estados brincam com os números da economia, nada melhor do que ver o capítulo 16 do Crash Course de Chris Martenson:
Fuzzy Numbers:

Notícia do Correio da Manhã – Contas maquilhadas fazem descer despesa

A Bolha Imobiliária

Envelhecimento arrasa activos imobiliários. 60% do crédito concedido em Espanha é para o imobiliário.

Num mundo de bolhas cada vez mais pronunciadas eis que mais sinais nos chegam delas.

Num mundo ocidental que tem sustentado grande parte do seu crescimento no sector imobiliário, crescimento esse que é contabilizado no presente mas que na realidade é sustentado por divida que pode estender-se por décadas até conseguir ser totalmente saldada, os números são cada vez mais desequilibrados.

Isto dá azo a uma primeira pergunta:
“Que quantidade desse investimento não será na sua essência uma expropriação do futuro e não um investimento no presente?”
Crescer hoje com a riqueza do futuro não é só um investimento no presente é uma assunção que o futuro irá ser maior e melhor que o presente de forma a ser possível saldar a dívida e os juros que somam a essa dívida.

“Que quantidade do futuro dos nossos filhos estamos a gastar já hoje?”
O excesso de dívida é um problema actual mas que quem realmente terá de o pagar serão as gerações vindouras, principalmente a geração dos nossos filhos. O hipotecar do futuro deles gastando hoje parte da sua riqueza é algo perturbador e quase insano no seu egoísmo, um caminho que tem apenas uma saída: “O nosso presente será mais abundante do que o futuro dos nossos filhos”

Depois de escritos estes parágrafos é-nos dito que o envelhecimento vai arrasar os activos imobiliários.
Para quem anda mais distraído… Isto quer dizer que uma das formas de riqueza contabilizável na nossa sociedade actual são os bens imobiliários que os agregados familiares possuem, e que eles irão perder valor no futuro, o que nos diz que o que iremos passar aos nossos filhos será muito menos do que o que temos hoje – mas as dívidas continuarão lá (em muito casos).

Quando gastamos hoje a riqueza do amanhã e que essa riqueza irá perder valor, qual a lógica funcional de tal acção? Uma casa só vale aquilo que alguém estiver disposto a pagar por ela e se já estamos a gastar a riqueza do amanhã, como poderemos esperar que amanhã haja suficiente riqueza para reaver o valor intrínseco de um bem imobiliário, e que essa riqueza venha a ser parte da vida dos nossos filhos?

O hipotecar do amanhã num presente de valor futuro questionável é algo que está expresso no valor total de dívida concedida em Espanha, 60%, valor que não deve ser muito diferente em Portugal.
A assunção de que o futuro irá ser maior e melhor do que o presente que vivemos não é apenas algo subjectivo, é algo absolutamente duvidoso quando levamos em consideração que vivemos num mundo de recursos naturais em declínio e com cada vez mais população no planeta a competir por esses recursos cada vez mais escassos.

Muitas vezes os sonhos do presente do Homem tornam-se em pesadelos, e este sonho de riqueza às custas dos nossos filhos tem cada vez menos contornos de sonho…

Crash Course: Bubbles:

Notícia do Expresso – Envelhecimento arrasa ativos imobiliários
Notícia do Jornal de Negócios – Actividade imobiliária em Espanha totaliza 60% do crédito concedido

A Dor de Cabeça dos 30 Triliões

Os bancos europeus têm de saldar dívida no valor de 30 triliões de euros nos  próximos dois anos, segundo um estudo da Standard & Poors.

O que dizer deste número?
Primeiro, estamos todos descansados porque quase todos os bancos europeus estão bem e recomendam-se, segundo os resultados dos stress testes, verdade?

Segundo, como quantificar tal número, 30 triliões? (Na escala curta)
1.000 – mil euros
10.000 – dez mil euros
100.000 – cem mil euros
1.000.000 – um milhão de euros
100.000.000 – cem milhões de euros
1.000.000.000 – mil milhões de euros
100.000.000.000 – cem mil milhões de euros
1.000.000.000.000 – um Bilião de euros (Usando a escala longa que é aplicada em Portugal, onde 1 bilião corresponde a 1 trilião da escala curta que é a usada em Inglaterra, proveniência desta notícia. Esta diferença de escalas é apenas nos nomes dado aos valores, ou seja, os valores são iguais mas com nomes diferentes – Para um melho entendimento das escalas, clicar aqui.)

Como forma de comparação o PIB de Portugal é de 240.000.000.000, aproximadamente, e o PIB da zona euro é de 16.447.259.000.000, aproximadamente. A comparação com a dívida dos bancos é absolutamente surreal. Quer dizer que o que os bancos têm de pagar de dívida até 2012 é o equivalente a dois anos do PIB total da Zona Euro!!!

Eu digo que isto nunca irá ser pago, é quase impossível. As únicas formas de saldar tal número é contraindo mais dívida para pagar dívida (esquema em pirâmide que está a chegar aos seus limites nas sociedades ocidentais), ou então o início de uma fase de aumento exponencial da inflação de forma a reduzir o valor real da dívida fazendo reduzir o valor real do numerário.

Qualquer uma destas opções é dantesca para os Zés Povinhos.
A primeira é um ir adiando para mais tarde um problema que a cada ano que passar se tornará mais complicado de contornar, até estoirar. A segunda é tão ou mais danosa porque será o erodir do valor da moeda que os Zés Povinhos usam para pagar os alimentos que metem à boca, e isto sem entrar noutro tipo de despesas menos “primárias”.

Meus caros, não há muito mais que dizer do que comprem ouro e rezem aos santinhos que o euro não se torne uma nova versão da história do dinar jugoslavo, que em 1993 e 1994 chegou a atingir uns quase inquantificáveis 37% de inflação ao dia… ao dia!

Não pretendo estar na pele do Sr. “catástrofe”, mas 30.000.000.000.000 de dívida é realmente algo quase inquantificável perante o actual valor do euro…

Para uma melhor compreensão do que é a inflação e um trilião de euros (escala curta) nada melhor do que uma visualização do simplesmente extraordinário Crash Course, capítulos Inflação e Quanto é Um Trilião:


Notícia do The Telegraph – Europe’s €30 trillion headache

A Primeira Verdade dos Números

Foi revelado que a dívida inglesa é quatro vezes superior à que era anunciada.

Sinais dos tempos?
Quase todos os indicadores económicos, macroeconómicos, a inflação e o PIB são “manipulados” pelos estados, corporações, instituições, etc, para apresentar números mais rosáceos. A isto chama-se hedonismo.

O hedonismo (do grego hedonê, “prazer”, “vontade”) é uma teoria ou doutrina filosófico-moral que afirma ser o prazer o supremo bem da vida humana.

in Wikipédia.

Acho que todos estão a par que quase nenhum banco apresentou resultados negativos na sua história, em vez disso, os lucros costumam ser números constantemente estrondosos, mas ao mesmo tempo é-nos dito que muitos deles estão à beira da ruptura financeira. Ou existe algo aqui que é realmente transcendental, ou então os números não batem certo.

As mesmas técnicas (formulas matemáticas) que são usadas pelos bancos para dar um melhor ar às suas contas são usadas pelos estados, tanto na contabilização da inflação – sobre a qual é “medido” os aumentos de ordenados e pensões, no PIB – sobre o qual se mede o crescimento ou não de um estado, e as implicações dos números sobre os quais o estado, a indústria, as empresas e o Zé Povinho vivem e preparam o futuro, e sobre todos os outros indicadores económicos.

E se os números forem bem pior do que o apregoado?

Como sinal disso mesmo são os números que emergiram do REAL(?) montante da dívida do estado inglês.
Desengane-se quem pensar que isto é só lá para aqueles lados, toda a economia moderna assenta em princípios pouco claros nas suas contas, e até mesmo muito duvidosos…

A continuada “manipulação” dos números económicos põe em causa as futuras gerações. Será isso o que desejamos para os nossos filhos? “Eles que paguem aquilo que nós consumimos hoje.”
Suponho que não, mas a nossa forma de vida actual é exactamente essa…

Para além da parte filosófica existe o lado económico.
Como será se por acaso as economias mundiais implodirem e se vier a verificar que tudo é muito mais negro do que aquilo que era apregoado?
Como dar a volta a algo que já era negro e de um momento para o outro pode ser quatro vezes mais negro?
A quem iremos pedir ajuda?

Acho que mais e mais dos números reais terão de vir à tona, é impraticável um esquema em pirâmide auto-sustentar-se ….

Notícia do The Independent – Britain’s debt: The untold story

Para uma melhor compreensão dos números dos estados…
Crash Course: Chapter 16 – Fuzzy Numbers by Chris Martenson

Agora Já é Real (Pico do Petróleo)

Lloyds é a mais recente voz de aviso em relação ao Pico do Petróleo e ao pico de matérias primas essenciais à economia moderna.

Antes de tudo, a Lloyds é das maiores e mais respeitadas seguradoras mundiais.

Diz:

A Inglaterra tem de se preparar para o Pico do Petróleo e para uma linha errática de fornecimento numa época em que a procura na China e na Índia está em alta, porque existem constrangimentos na produção de petróleo devido ao derrame no Golfo do México, e porque os movimentos políticos para cortar as emissões de Co2 ganham momento.

Este anúncio, para mim, é totalmente surpreendente porque vem mesmo do centro do núcleo financeiro mundial, o mesmo que vinha negando veementemente a probabilidade do Pico do Petróleo nos anos mais próximos.
Este tema é tão e só o mais importante com que se depara a nossa sociedade, sociedade moderna que deve o seu desenvolvimento e crescimento quase exclusivamente à existência de uma fonte de energia barata e abundante. O Pico do Petróleo é o fim não da abundância mas dos preços baratos, exactamente na altura em que a economia atravessa uma das fases mais periclitantes da história.

O Pico do Petróleo merece uma pequena explicação (merece uma leitura aprofundada do tema por todos).

O Pico do Petróleo não é o fim do petróleo, é o ponto em que o petróleo já extraído é superior ao que ainda existe por extrair, é o início do declínio.
Poderão perguntar: “Mas então ainda existe metade do petróleo por extrair, por isso temos mais 100 anos sem que ele falte, verdade?”
É uma afirmação totalmente correcta, mas como em tudo é nos detalhes que estão os segredos.

Primeiro um poço de petróleo quando é aberto até atingir o seu pico de produção não tem apenas petróleo, tem gás, metano, etc., matérias que ajudam que o crude seja expelido do solo sobre pressão, não requerendo um grande investimento de energia para o recolher. Passado o pico de produção a rentabilidade do mesmo poço cai a pique porque mais energia terá de ser investida para conseguir extrair o que já não sai espontaneamente do solo. A isto chama-se rede de energia. ou unidades de energia investidas versus unidades de energia recolhidas.
Peguemos no exemplo da Arábia Saudita onde quando foram descobertos os primeiros campos de petróleo havia um retorno de 100 para 1, ou por cada unidade de energia investida eram recolhidas 100. Com a passagem do pico de produção essa rede de energia cai para 50/1, 40/1, 30/1,5/1 até ser economicamente inviável a sua extracção. Um poço de petróleo ainda poderá ter crude por extrair mas a sua extracção torna-se economicamente não viável, podendo ter até ainda 25% de crude por extrair. Esta evidência mostra que a existência de ainda metade de crude por extrair não é sinónimo de 50% de crude explorável, antes é um número significativamente inferior a esse, para além de que a rede de energia decai de uma forma acentuada, gerando cada vez menos energia vendável em relação à quantidade de energia dispendida.

Voltarei a explicar mais um pouco deste tema quando surgir outra notícia sobre ele, porque a profundidade do mesmo dava para escrever 100 páginas no blog…

Notícia do The Guardian – Lloyd’s adds its voice to dire ‘peak oil’ warnings

Para uma melhor compreensão do tema têm o excepcional Crash Course:

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