Arquivos de sites

O Carnaval no Cortejo dos Loucos

Uma conspiração com um revestimento de prata. A secreta “rede de especialistas” de Wall Street. BPN: Governo tentou esconder perdas mas a UE não permitiu. Censos “escondem” os falsos recibos verdes. Banco Central Europeu quer “despachar” as obrigações dos PIIGS. Subida dos juros castiga ainda mais as famílias. Tudo somado, há 70% das famílias portuguesas em risco.

Lembro-me de há cinco anos ter começado a afirmar que estava na altura de se  começar a investir no ouro. Na época, o seu preço estava aproximadamente nos 750 dólares a onça e hoje está aproximadamente a 1.450 dólares a onça. Poucos investimentos, em tão pouco tempo, teriam duplicado em lucro… (digo eu)
Desde meados do ano passado comecei a aconselhar (aos amigos) a compra de prata, porque (finalmente) foi intentada uma acção judicial por manipulação contra a JPMorgan, e a sua cotação começou a disparar, e digo mesmo que poderá crescer até níveis “do outro mundo”…

Eis os porquês de tal estar a acontecer pelas palavras de um meio de comunicação generalista… situação extremamente rara porque aborda o tema de modo fracturante para os meios casineiro e bananeiro…:

(…)como explicar o preço da prata? Nos últimos seis meses, o preço da prata aumentou quase 80%, até mais de 34 dólares a onça de aproximadamente 19 dólares a onça. Apenas no mês passado, o seu preço aumentou quase 23%.
In The New York Times

Portanto, a prata está a “estoirar”. Em seis meses, quem investiu em prata, viu o valor do seu investimento quase duplicar.
Venham de lá os certificados de aforro, as contas a prazo, os investimentos na bolsas… venha o que vier, os lucros comparados com o investimento na prata serão “peanuts”…

E porque está a prata a “estoirar”?

(…)o preço da prata disparou depois de um delator ter exposto uma alegada conspiração para manter os preços artificialmente baixos, mesmo com as pressões inflacionárias do dinheiro barato da Reserva Federal. (Alguns suspeitam até que a própria Reserva Federal esteve por trás da tentativa de manter baixos os preços da prata, como medida para sustentar um valor do dólar artificialmente mais elevado.) (…)
No entanto, o mais intrigante é que grande parte desta especulação se apresenta como altamente plausível.
In The New York Times

O que começou como uma dita teoria da conspiração está a ganhar contornos de realidade no preço da prata, e de forma mais mais significativa, digo eu, está a ganhar contornos de realidade nas análises dos analistas que têm direito a ter voz nos meios de comunicação para as massas.

Só o facto de estes analistas, ou pseudo analistas, consoante a análise que cada um faça das suas palavras, estarem a colocar em causa a idoneidade de uma instituição que quase podemos intitular de “a casa mãe da banca mundial”, é algo quase verdadeiramente inusitado.

Mas que especulação é essa que está a impulsionar o preço da prata?

Quando a JPMorgan Chase comprou a Bear Stearns em Março de 2008, herdou a enormíssima aposta da Bear Stearns de que o preço da prata iria cair. Com o passar do tempo, foi aumentando a aposta, e depois no mercado entrou o banco internacional HSBC  com o mesmo estilo de aposta. Estas acções “depreciaram significativamente o preço da prata.”(…)
In The New York Times

Antes de mais, gostava de salientar o uso da palavra “aposta”… Aposta é, infelizmente, a vida da banca nesta sociedade pseudo liberalizada para lucro de uns quantos loucos perversos… (digo eu)…
Portanto, dois dos maiores bancos, ou centro de casineiros, conforme os desejem catalogar, andaram a “brincar” com a prata… assim como “brincam” com quase todos os outros veículos de dinheiro neste mundo…  mesmo com alimentos… e se “bricam” com alimentos é então é quase certo que andem a “brincar” com a prata.

Esta manipulação foi posta a nu com uma acção judicial movida contra a JP Morgan, facto digno de registo porque foi intentada por um “insider”, um dos seus:

“A conspiração e o esquema foram altamente bem sucedidos, providenciando aos réus substanciais lucros ilegais”, em torno de milhares de milhões de dólares, entre Junho de 2008 e Março de 2010, de acordo com o processo crime. O processo afirma que em conjunto a JPMorgan e o HSBC “controlavam mais de 85% das posições comerciais de “short position” em contratos de futuros da prata na Comex, (…) e uma “quota de mercado de 90% de todos os contractos de derivados de metais preciosos, excluindo os do ouro.”
In The New York Times

Será coincidência terem sido estes dos bancos que maior crescimento nos lucros apresentaram no mundo?
Terão estado apenas distraídas as instituições que deviam controlar(?) os mercados e que existem para evitar(?) abuso na acumulação de matérias-primase manipulação dos mercados?
Estas são daquelas coincidências, não é verdade, e daquelas distrações, não é? Pronto… coincidências apenas… distracções… apenas… apenas palheta…

E como funciona\funcionava essa manipulação?

A JPMorgan andava a gabar-se do dinheiro que estava a ganhar “como resultado da manipulação”, que exigia “o inundar do mercado” com “short positions” sempre que o preço da prata começava a subir. (…) Os negociantes da JPMorgan’s mantinham dessa forma o preço da prata artificialmente mais baixo.
In The New York Times

Manipulação… o mesmo que cria as bolhas da loucura financeira que acabam invariavelmente por rebentar no colo dos Zé Povinhos deste mundo! Enquanto eles… vão de iate passar férias na sua ilha grega…

Estarão os poderres bananeiro e judicial a fazer alguma coisa em relação a este tipo de conduta?

Passados dois anos e meio, a investigação da Comissão Futurs Trading ainda não chegou a uma conclusão, e pelo menos um dos comissários – Bart Childon – pensa que depois de entrevistar mais de 32 pessoas e rever mais de 40.000 documentos, diz já ter havido investigação a mais e acusações a menos.
In The New York times

Sim estão a fazer algo… o mesmo que se vê quase sempre em relação aos crimes de colarinho branco… estão a fazê-lo desvanecer no tempo da memória, com acções que raramente conduzem a algo mais que apenas comissões para investigar o que não desejam que seja realmente investigado… quase um jogo de “faz-de-conta que estamos a investigá-los”…
(Muito mais informação há no artigo do New York Times)

E das poucas vezes em que o mundo bananeiro e judicial aprofundam realmente um pouco mais os meandros da vida dos casineiros, e isso chega ao conhecimento do Zé Povinho, acabamos (todos) por ter de mergulhar dentro da lama deles, na porcaria e na insanidade das suas acções, na demência e no seu incontrolável vício!

Talvez as palavras de Danielle Chiesi nos ajudem a compreender um pouco melhor o seu mundo, o mundo dos “eles”:

A antiga analista de fundos de investimento, comparou o insider trading a ter um orgasmo, admitindo ter lucrado pessoalmente quatro milhões com as transacções ilícitas.
In The Guardian

O vício… o descontrolo… a loucura… a insanidade, tudo isto de mãos dadas com os poderes banananeiro e judicial que cada vez mais aparentam andar de caso na cama do casino das loucuras. E enquanto se deleitam na cama dos prazeres, o mundo vai sendo corroído no seu âmago…

Será diferente no bananal de Portugal?

O governo tentou diluir em vários anos as perdas para o Estado resultantes da nacionalização do Banco Português de Negócios (BPN), soube o i. E chegou a conversar com o Eurostat, o organismo da União Europeia (UE) que fiscaliza as contas dos estados-membros sobre esta hipótese.
A estratégia permitiria suavizar o impacto nas contas do Estado e ganhar tempo para recuperar perdas potenciais e reduzir o prejuízo. No entanto, o cenário acabou por não passar nas conversas com o Eurostat.
In Jornal I

As mesmas jogadas, os mesmos estratagemas, as mesmas ilusões para tentar alterar o numerário para que este fique mais de acordo com as suas pretensões, desvirtuando a realidade e criando bolhas que mais tarde ou mais cedo irão estoirar invariavelmente no colo do Zé Povinho. O mesmo tipo de manipulações… o mesmo tipo de vícios!!!
Isto dá aso a uma questão: Porque hão-de os bananas querer julgar as acções dos casineiros se eles próprios assumem o mesmo tipo de forma de estar na vida?
Massa do mesmo pão, farinha do mesmo saco!

“É esconder completamente e impedir que se saiba a realidade dos falsos recibos verdes. Quando saírem os resultados dos censos vai dizer-se que existem x trabalhadores por conta de outrem, quando o que sabemos, à partida, é que neste miolo estarão milhares de falsos recibos verdes identificados como trabalhadores por conta de outrem”
In Jornal I

Mais um exemplo de como a verdade é constantemente escondida debaixo do tapete da vergonha, pois a saber-se a verdade vir-se-ia a saber que seria o Estado o maior prevericador. Defender o Zé Povinho é que não, certamente… digo eu… e isto é apenas mais uma gota no oceano de pequenas e grandes injustiças a favor de uns muitos poucos e a desfavor de muitíssimos mais!
Será na defesa dos seus “mais que tudo”, dos seus queridinhos?

Talvez por isso, e não só, ficámos a saber que o Banco Central Europeu quer ver-se livre dos 77 mil milhões de dívida que comprou, em menos de um ano, aos PIIGS – Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha – e passá-los para o fundo de apoio ao euro.
Sabem quem paga o fundo de apoio ao euro?
Os Zé Povinhos da Europa.
Portanto, será o bolso dos Zé Povinhos da Europa a ter de pagar MAIS 77 mil milhões de euros de algo que, digo eu, de ajuda irá ter muito pouco, para que dessa forma os casineiros que andaram a brincar às dívidas dos Estados não venham a ter prejuízos directos…
Mais uma vez a natureza simplesmente anti-social desta raça de homens predadores e sanguinários… e a verdadeiramente bajuladoura e subserviente dos bananas…
Como acham que irá terminar esta história dos 77 mil milhões?
Para mim, e com muito poucas dúvidas em relação a isso… com o Zé Povinho a arcar com o fardo…

O mesmo Banco Central europeu que diz agora ter de subir as taxas de juro para controlar a inflação.
Ora bem, nem mais, um dos principais responsáveis pelo ecolodir desta inflação no mundo, através dos milhares de milhões injectados em forma de pacote de ajuda à banca, e não só, vem agora dizer que irá ajudar a controlar essa mesma inflação por si gerada. Inflação que tem ajudado a tirar o pão da boca de muitos, irá agora ser combatida com acções que irão ajudar a tirar ainda mais pão da boca de muitos mais.
Pode parecer mentira, ou um contra-senso, mas infelizmente:

Se o Banco Central Europeu (BCE) aumentar a taxa de juros de referência para a Zona Euro já em Abril, como sugeriu Jean-Claude Trichet na semana passada, as famílias e as empresas portuguesas vão ser das mais castigadas da União Europeia (UE).
In Correio da Manhã

Portanto, arranjam soluções para controlar os danos das suas próprias acções, como salvadores chegados num cavalo branco…. isto só é possível num mundo a viver num carnaval…
Merece uma pergunta.
Sabiam eles que isto caminhava para aí?
Desengane-se quem pensar o contrário…
Lucraram com a crise e irão continuar a lucrar com a crise!

E quem paga?

As premissas são simples, mas negras. 1. Em Portugal praticam-se salários baixos face aos pares europeus, num fosso que não pára de crescer. Segundo dados da Direcção-Geral dos Impostos, preenchem-se em Portugal 4,7 milhões de declarações de rendimentos por ano. Segundo esta fotografia global de “quem ganha quanto”, os desequilíbrios são evidentes: há 3,3 milhões de agregados (70% do total) que declaram um ganho médio mensal bruto igual ou inferior a 1200 euros e, nestes, há 2,7 milhões de famílias com rendimentos brutos mensais inferiores a 800 euros – ver gráfico nas páginas anteriores. Tudo isto atira para um ganho médio bruto anual de 18 mil euros por agregado em Portugal – daí os 1200 euros brutos/mês considerados neste trabalho -, contra os 21,5 mil euros de média em Espanha e os 27 mil euros médios na Europa (segundo estudo da Addeco de 2010). E nestes números não está reflectido o impacto de qualquer medida de austeridade europeia ou portuguesa.
Não fosse esta disparidade salarial um desequilíbrio suficiente, 2. os portugueses têm às costas uma carga fiscal que de ano para ano fica mais pesada e distante da praticada na Europa, tendo ainda 3. de “aturar” custos obrigatórios – luz, por exemplo – acima da média europeia e 4. apoios sociais agora em mínimos históricos.
In Jornal I

Os mesmo de sempre! O Zé Povinho!

Conclusão:
A prata da casa dos casineiros está a soldo por preços bem inferiores aos de mercado… mercado que é regado por um bando de bananas que está a soldo da prata da casa dos outros… por isso escondem as mentiras das suas verdades em papelinhos de cor de carnaval… e no carnaval do casino ocidental, o BCE procura desesperadamente passar a outros os papelinhos com as cores dos “porcos”… e aos olhos deles, casineiros e bananas, os “porcos” somos nós, os párias somos nós, mas a verdade é que as máscaras são eles… e por causa das máscaras, mais de 2\3 do Zé povinho português está bem perto de dar o passo em frente na direcção do cortejo dos pobres… e por isso mesmo… pode ser dito que esta é quase apenas uma vida vivida no cortejo de carnaval dos loucos…

Notícia do The New York Times – A Conspiracy With a Silver Lining
Notícia do The Guardian – Wall Street’s secretive ‘expert networks’
Notícia do Jornal I – BPN. Governo tentou esconder perdas, mas UE não aceitou
Notícia do Jornal I – Censos “escondem” falsos recibos verdes
Notícia do Der Spiegel – European Central Bank Wants to Unload PIIGS Bonds
Notícia do Correio da Manhã – Subida de juros castiga famílias
Notícia do Jornal I – Crises. Tudo somado, há 70% de lares portugueses em risco

Vãs Memórias de um Passado Recente

A Agência Alimentar americana avisa os países produtores de alimentos em relação ao controlo das exportações. Especulação alimentar: Morrem pessoas de fome enquanto os bancos enchem o pote. Wall Street banqueteia-se em Davos no desvancer do temor da crise. Peter Schift prevê um pesadelo inflacionário nos Estados Unidos, made in China. Jim Rogers: O barril de petróleo pode chegar aos 200 dólares. Sauditas assinam acordo nuclear para reduzir o uso de combustíveis fósseis.

Os últimos dias foram passados e preenchidos com informações sobre as revoluções induzidas pelo aumento do preço dos alimentos – inflação-, e não só, no Norte de África, no Médio Oriente e na África Central.
Estará o mundo a entrar numa nova fase social revolucionária induzida pelo cada vez menor excedente de matérias primas?

Um dos principais medos do mercado, quase totalmente desregulado de matérias primas, é o da regulamentação, devido a isso a Agência Alimentar americana veio a terreiro avisar, em tom de temor, os países produtores para não cederem à tentação de reduzirem as exportações das suas produções de alimentos.
Decompondo o que esta agência está a “pedir”…
Pede aos países produtores que não invertam a tendência inflacionária que começa a surgir nos seus mercados internos de forma a não causar maior tendência inflacionária no resto do mundo.
Irão as populações locais aceitar que os outros possam pagar menos e que eles tenham de pagar mais por causa dos outros?
Irão as elites que governam esses países colocar em causa o seu status quo e deixar os preços dos alimentos disparar para que o resto do mundo possa pagar menos por eles?
Não esquecer que as elites bananeiras fazem de tudo de forma a perpetuar o poder, por isso, digo, o mais provável é o mundo começar a assistir a medidas de controlo das exportações. Quando tal acontecer, a palavra inflação irá em pouco tempo ceder lugar à palavra hiperinflação.

Mas o aviso da agência americana trás consigo um busílis do mercado, os especuladores. Talvez não seja má ideia dizer a essa agência americana que grande parte da responsabilidade do aumento exponencial do preço dos produtos alimentares é culpa de membros da sua sociedade, e que a limitação das exportações por parte dos países produtores não mais será que uma consequência das políticas usadas por esses destacados membros da sua estrutura social.

“(…)entre os negociantes e economistas está a emergir uma nova teoria. Os mesmos bancos, fundos de investimento e financiadores cuja especulação nos mercados financeiros conduziu à crise imobiliária são agora os principais suspeitos pelos preços dos alimentos andarem tipo yo-yo a inflacionar. São acusados de se estarem a aproveitar dos mercados serem desregulamentados para capitalizarem milhares de milhões na especulação dos alimentos, levando a miséria a todo o mundo.”
In The Guardian

Podemos daqui retirar uma pequena mas profunda conclusão: se os mercados voltarem a ser regulamentados o mundo poderá voltar a ter alimentos a preços mais acessíveis.
Porque será que a agência americana não faz menção a este ponto tão significativo?
Estará a soldo dos mesmos interesses que batalharam durante décadas pela eliminações das regulamentações dos mercados internacionais?

“(…) depois de intenso lóbie nos Estados Unidos e em Inglaterra por parte da banca, dos fundos de investimento e de políticos defensores da desregulamentação dos mercados, as regulações nos mercados de matérias primas foram sendo paulatinamente abolidas. Os contratos para compra e venda de alimentos foram transformados em “derivados” que podiam ser comprados e vendidos entre negociantes que nada tinham que ver com a agricultura. Como resultado disso nasceu um novo e irreal mercado de “especulação alimentar”. Cacau, sumos de fruta, açúcar, fibras têxteis, carne e café são hoje em dia matérias primas globais, a par do petróleo, ouro e outros metais.”
In The Guardian

Se não estiver a soldo dos mesmos interesses que têm uma relação directa e evidente com o aumento do preço dos alimentos, então é mais uma instituição internacional composta maioritariamente por pessoas incapazes e incompetentes.

Enquanto tudo isto está a acontecer bem à frente dos nossos olhos, chega-nos o retrato de que em Davos os maiores casineiros do nosso mundo andam de peito feito, quase em festa, pois este ano chegam à reunião anual para debate da economia mundial com lucros recorde e sem o temor da aplicação de novas regulamentações e taxas aos seus movimentos de capital.

“Finucane e outros banqueiros sénior dizem que as lições da crise financeira não foram esquecidas. Dizem também que o processo de reformas ainda não terminou. Muitas das regras exigidas na legislação financeira americana Dodd-Frank têm ainda de ser escritas, e que Basileia ainda tem de desenvolver regras para os bancos denominados “demasiado grandes para falir” e para o nível de capital requerido às unidades financeiras.”
In Bloomberg

Portanto, daqui pode ser concluido que o cancro que se foi desenvolvendo nas últimas décadas continua a crescer sem que haja tratamento para ele, e principalmente que a cura para tal maleita continua a ser adiada na esperança que o doente se cure por si só.

E outro dos factores que a agência americana deixou no recanto do silêncio foi a relação da quantidade de dólares em circulação e a inflação…
Peter Schift:

“A inflação «é consequência dos passos que o governo tomou para tentar estimular a economia», disse, em referência aos gastos com os pacotes de ajuda à economia. Basicamente, o Fed teve de imprimir dinheiro de forma a pagar o enorme défice do país, o que por sua vez fez aumentar o preço de quase tudo o que é tabelado em dólares, que continua a ser a moeda de reserva mundial.”
In Yahoo Finance

Portanto, uma vez mais, as agências internacionais fazem cócegas à verdadeira profundidade dos problemas, fingindo soluções e preocupações, quando na realidade não são nada mais do que representantes dos interesses que ganham com o perpetuar dos problemas sobre os quais afirmam estar preocupadas.
Querem continuar a dar crédito às vozes que de lá palram?
Façam favor…

E vou fechar o texto de hoje com Jim Rogers, a Arábia Saudita e o petróleo…
Jim Rogers, um dos maiores casineiros do mundo diz que o preço do barril de petróleo poderá, ainda este ano, chegar aos 200 dólares.
Jim Rogers:

“(…) o mundo tem cada vez menos reservas de petróleo. Talvez ainda haja muito petróleo no mundo mas, a existirem, não sabemos onde estão ou como o extrair.”
In BBC

Vindo de quem vem e da forma desprendida como o disse… meus senhores agarrem bem o vosso cinto de segurança que a descida da montanha russa irá ser provavelmente violentamente atribulada…

E para reconfirmar um pouco as palavras do Jim, que tal esta coisa estranha da Arábia Saudita andar a assinar acordos de energia nuclear para reduzir a sua dependência dos combustíveis fósseis?
O que me dizem disso?
Talvez seja para ajudar a reduzir o aquecimento global, poderão pensar alguns, levados pela onda de histeria que o assunto está a gerar, mas talvez não faça mal nenhum levantarem esta questão:
Porque razão o país, que nos é dito ter as maiores e mais duradouras reservas de petróleo do mundo, está a gastar parte do seu excedente financeiro e técnico numa energia em que a matéria prima não existe por lá quando tem petróleo a brotar por todos os poros do seu território?
Será a opção da Arábia Saudita pelo nuclear a confirmação não oficial de que o petróleo não é assim tão abundante como o proclamado?
Deixo-vos com esta pergunta…

Conclusão:
Mais uma agência internacional que fala, fala, fala, mas o que diz é apenas e quase só balelas… balelas essas que são apenas e só palavras que o vento vai levar, porque os países que produzem não irão querer ter os outros a comer aquilo que é deles, quando lhes começar a faltar… e isso irá fazer a palavra inflação morrer trucidada pela violência de uma torrente chamada hiperinflação… hiperinflação que será pasto e regalo para os olhos e bolsos dos casineiros que sugam o tutano de um mundo que levantou todas as suas fronteiras para que eles possam passear à vontade a sua ganância e insensibilidade… e por causa deles a montanha russa da hiperinflação poderá estar mais perto do que se imaginava… e aqueles que dizem banharem-se em ouro negro poderão na realidade estar apenas a mergulhar em vãs memórias de um passado recente…

Notícia da NewsDaily – FAO warns against food export curbs
Notícia do The Guardian – Food speculation: ‘People die from hunger while banks make a killing on food’
Notícia da Bloomberg – Wall Street Partying in Davos as Crisis Angst Fades
Notícia do Yahoo Finance – Brace Yourself: Peter Schiff Predicts U.S. “Inflationary Nightmare”, Made in China
Notícia da BBC – Oil ‘could hit $200 a barrel’ says investor Jim Rogers
Notícia do Arabian Business – Saudi signs nuclear deal in bid to cut fossil fuel use

Este Não é um Mundo Para Nós, é um Mundo Para os “eles”

A escravidão da dívida para os irlandeses. Pacote de ajuda à Irlanda protege os grandes investidores. Os bancos encontraram uma mina de ouro, os consumidores ficaram com o poço. Choque entre os países europeus sobre as taxas sobre a banca. BCE tenta acalmar os mercados prometendo liquidez ilimitada. Trichet diz que compra de dívida pública não vai comprometer a inflação.

Agora todos os dias é um vê se te avias de esclarecimentos sobre as verdadeiras linhas funcionais e decisórias das altas patentes que nos (des)governam, mas são publicados envoltos em prosa quase enganosa dos nossos meios de comunicação (anti)social.
Nestes dois últimos dias, as notícias que foram saindo mostram-nos a linhas gerais das decisões tomadas e qual a sua verdadeira direcção lógica.

Em mais um extraordinário texto jornalístico de Ambrose Evans-Pritchard, ficamos a saber – se é que é preciso escrever sobre isso – que os milhares de milhões da ajuda imposta à Irlanda pela Comissão Europeia e pelo BCE:

“(…)é uma imprudente ajuda aos banqueiros e credores britânicos, alemães, holandeses e belgas.”
“Os contribuintes irlandeses arcam com o fardo, e esvaziam o que resta do seu fundo de pensões de reserva para cobrir 1\4 dos custos.”

In The Telegraph

Aqui ficamos a conhecer quem serão “os meninos” que irão capitalizar até 7% de juros!!! (Valor significativamente superior ao pago pela Grécia)
Ficamos também a saber que uma vez mais os senhores “casineiros” são os beneficiados às custas de uma população que não sabe com que linhas coseram o seu destino… um verdadeiro bacanal carnal entre “casineiros” e “bananas”!

E para compreendermos melhor como por lá (Irlanda) as coisas foram conduzidas:

“Forçar perdas nos detentores de dívida sénior (dívida mútua entre instituições bancárias e fundos), temia-se que atingisse a Europa com a mesma força do colapso do Lehman Brothers nos Estados Unidos – espalhando dúvidas sobre um sistema com ramificações potencialmente globais se lançasse a Europa de novo para recessão ou colocasse em risco uma economia importante, como a alemã. (…)aos credores de aproximadamente 50 a 60 mil milhões de títulos de dívida (sénior) foi garantido que irão receber o seu dinheiro.”

In The Washington Post

Portanto, de forma a salvaguardar um sistema que nos conduziu – Zé Povinhos – até um ponto em que temos de ser nós – Zé Povinhos – a arcar com as custas para salvar esse mesmo sistema, que movimenta lucros astronómicos para as instituições que são ajudadas, directa e indirectamente, é algo no mínimo perverso, descabido e insultuoso!
As custas destes erros têm de ser fardo para quem os cometeu!!!

Para entendermos melhor a disparidade de acções em relação às conclusões:

“Com 2010 a chegar ao fim, parece que irá ser outro ano em grande para Wall Street: as seis maiores firmas denominadas “grandes demais para falir” tiveram lucros que rondaram os 35 mil milhões (cada) nos primeiros nove meses do ano, e estima-se que os bónus anuais ascendam a 144 mil milhões.”

In Yahoo Finance

A incongruente noção de precisarem de ajuda e ter de ser o Zé Povinho a providenciar essa ajuda é algo verdadeiramente ultrajante! É um engano do tamanho do mundo! É a lógica do: “são lucros recorde mas continuamos a necessitar de ajuda”, algo que ultrapassa tudo o que de lógico existe no mundo, quanto mais o bom senso!

Alguns ainda argumentarão que será para preservar uma economia que já nos deu muito…
É uma boa noção das coisas, sem dúvida, mas como em tudo na vida é preciso haver regras justas e distribuição de apoios e obrigações equitativas entre os vários sectores da sociedade… coisa que não acontece actualmente, muito pelo contrário…
Para termos uma melhor noção se tal está a ser trabalhado ou preparado:

A Comissão Executiva da Comissão Europeia quer chegar a um acordo sobre a forma como taxar a banca de forma igual em toda a Europa. (…)
Mas tal como aquando da crise com os vários países a adoptarem posições individuais, agora defendem individualmente o seu direito de decidir de que forma taxar a banca e gastar esse dinheiro”

In Bloomberg

É impressionante como os mesmos “bananas” que rapidamente chegaram a acordo para que os Zé Povinhos da Europa vissem reduzidos os seus direitos e os seus apoios sociais de modo a combater a crise, no caso da banca digladiam-se que nem abelhas atrás do pote de mel, o que neste caso pode ser descrito de forma mais concreta como: “«bananas» atrás do tesouro”.
Uma vez mais levanta a pergunta?
Para quem trabalham os políticos eleitos democraticamente???? Para quem?????

E sSeguindo a linha da lógica de defesa de um sistema que está cada vez mais desfasado da realidade e vivência dos Zé Povinhos, Trichet, o Jean-Claude das finanças europeias, promete liquidez ILIMITADA para tentar acalmar os mercados de dívida.
Elisabeth Afseth, da Evolution Securities:

(…)”pode estar em curso um programa de compra de título de dívida pública no valor de 1 a 2 biliões de euros.”

In The Guardian

O pacote de ajuda às economias europeias não é de 750 mil milhões?
De onde vêem esse biliões?
Quem os pagará?
Mas a Europa defende o controlo da despesa ou o gasto indiscriminado?
E a inflação que inevitavelmente criará?

Mais tarde ou mais cedo iremos ter respostas para estas perguntas… quer dizer, temos tido direito a respostas em formato de mentira… uma, pelo menos,  já anda a ser veladamente e verdadeiramente respondida… Jean-Claude Trichet:

“O BCE tem no seu mandato manter a inflação controlada, o que é entendido como tendo um valor próximo, mas inferior a, dois por cento ao ano. No final do mês passado, estava em 1,9 por cento, tal como em Outubro. Teoricamente, a injecção de liquidez na economia tem tendência a fazer subir preços. No entanto, com o crescimento anémico que se tem registado e a difícil situação financeira por todo o mundo ocidental, esse risco é menor, sobretudo se a quantidade disponibilizada não for muito elevada.”

In Público

Ora, 1 a 2 biliões de euros… a resposta velada está dada:
Preparem-se porque vem aí inflação “à séria”!!!!!!

O senhor Jean-Claude do mundo das finanças da Europa está uma vez mais a demonstrar ter uma visão de muito, mesmo muito curto prazo. Toda a injecção de liquidez no mercado conduz sempre à existência de mais dinheiro em circulação. Se existe mais dinheiro em circulação, há mais dinheiro para comprar o mesmo número de bens, o que conduz ao aumento dos preços, não devido ao aumento da procura, mas porque existe mais dinheiro para pagar por esses bens. Esta é uma regra BÁSICA do sistema económico que (des)governa as nossas vidas, e ainda mais importante, é uma regra quase incontornável a curto prazo (3 anos), quanto mais a médio prazo!
Uma pergunta em duas para o Jean-Claude.
O que acontecerá ao excesso de dinheiro em circulação quando a economia voltar a crescer?
O que acontecerá ao excesso de dinheiro em circulação quando a economia der o “peido”?
Sabem a resposta?
Não?
1º caso: Inflação galopante
2º caso: Inflação galopante – (este caso pode ser mais difícil de compreender mas na sua essência é muito simples: crise = contracção na aquisição de bens = redução do número de bens disponíveis… mais dinheiro em circulação para comprar cada vez menos bens disponíveis – este segundo caso começa com deflação nos preços…)

Portanto Sr. Jean-Claude, a quantidade que está a ser disponibilizada é monumental e o resultado final será o mesmo: Inflação galopante que se alimentará principalmente daqueles que já pouca margem de manobra têm para conseguir sobreviver neste sistema desconectado da realidade dos Zé Povinhos!

Voltando um pouco atrás até Ambrose Evans-Pritchard:

“Deixem-me dizer que o BCE tem conduzido uma politica monetária que tem sido demasiado permissiva até para a Zona Euro como um todo, mantendo a taxa de juro nos 2% até bem para lá do «boom» do crédito e permitindo que o fornecimento de dinheiro se expandisse 11% (quando o «target» era de 4,5%). O BCE violou todos os meses, durante uma década, o seu tecto de inflação.”

In The Telegraph

Portanto, ainda por cima o caso da pressão inflacionária já vem de há 10 anos para cá, no mínimo… agora, para quem não conseguia compreender, é fácil de entender o porquê do preço do pão (como exemplo) ter passado de 5 cêntimos em 2000 para os 12 cêntimos em 2010 – 120% de inflação… 12% de inflação ao ano!!!! Não os 1,9% que nos é relatado quase todos os meses!
Este Jean-Claude é um verdadeiro Van Damme das finanças… um artista cheio de músculos quando em frente às câmaras, e um fraco e dependente atrás delas… um mentiroso no seu ser!

E irão todas estas políticas (mentirosas) ajudar a salvar a Europa e o mundo?

“Em 2014, os juros que a Irlanda terá de pagar sobre a dívida pública (em 2014 – 120% do PIB – o valor actual de Portugal) serão 10 mil milhões, enquanto as receitas com impostos serão 36 mil milhões. Este rácio está bem acima do ponto de «default» de 22%, como calculado num estudo da Moody’s.”

In The Telegraph
Não!

Conclusão:
Um mundo de finanças que mais parece o circo das vaidades… um mundo em que apresentar lucros desmedidos é sinal de mais apoios… um mundo em que quem menos tem, tem de pagar os apoios a quem já tem demais… um mundo em que as soberanias individuais dos seus países não mais são do que lucro palpável para os “bananas” que os (des)governam… um mundo em que quem define as finanças do sistema, que já por si é perverso, mais parece um Van Damme cheio de músculos mas que no seu ser é um fraco, perdido, que continua a alimentar um sistema viciado na dívida com ainda mais dívida…
Este não é um mundo para nós, é um mundo para os outros, os “eles”…

Notícia do The Telegraph – Ireland’s Debt Servitude
Notícia do The Washington Post – Irish rescue shields top investors
Notícia do Yahoo Finance – Bailout Nation: Banks Got the Goldmine, Consumers Got the Shaft
Notícia da Bloomberg – European countries clash over taxing banks
Notícia do The Guardian – ECB tries to calm markets by promising unlimited liquidity
Notícia do Público – BCE diz que compra de dívida pública não vai comprometer a inflação

E a Montanha Pariu um Rato, ou o Rato Escondia a Montanha?

Líderes dizem que a recessão ainda não terminou. Congresso reverte parte das reformas sobre Wall Street. Os americanos ricos estão ainda mais ricos.

O nosso mundo é feito e desfeito de verdades, meias-verdades, inverdades, mentiras e mentiras descaradas, talvez por isso seja tão complicado conseguir entender as nuances que definem tendências.

Há dias fomos “bombardeados” por uma parangona copy\paste que me apanhou de surpresa, a mim e à generalidade dos agentes financeiros, tal a sua disfuncionalidade lógica: O fim oficial da maior recessão em 70 anos.

O The National Bureau of Economic Research redigiu um estudo em que afirma que os Estados Unidos saíram da recessão em 2009… Acho que é tão fácil rebater esse estudo usando apenas os números do desemprego, do crescimento do PIB, do mercado imobiliário, etc, que no próprio dia em que saiu a notícia fui conduzido em direcção à criação de um paralelismo entre a data da sua apresentação pública, a revelação das preocupações da economia americana com a inflação e o início das discussões sobre quem fica com o poder nas Nações Unidas – foi tudo de seguida. (Coincidências que me fazem cócegas…)
Então fiquei pacientemente à espera das reacções dos senhores da economia…

Hoje, finalmente, alguém veio contrapor essa lógica, concretamente dois elefantes brancos do mundo das finanças: Timothy Geithner e Warren Buffett, que afirmam que a noção do fim da recessão é apenas na sua substância uma questão de semântica… Semântica? Está tudo doido?
Obviamente que não, é apenas a resposta politicamente correcta a um estudo politicamente correcto, ou seja, é mais um daqueles estudos para ler e deitar fora o quanto antes, pois por norma ponto a ponto os próximos tempos tenderão a rebater todas as afirmações que por lá estão…

Talvez mais abaixo neste texto se consiga compreender melhor esta aventada noção do fim da recessão…

Entretanto, entre os quilos de notícias sobre a reunião nas Nações Unidos e as dores da economia um pouco por todo o mundo, no Congresso americano já se debate e aprova adendas à nova lei de regulação dos mercados.
Surpresa?
Para quem anda distraído será indubitavelmente uma surpresa, para mim é apenas o início da desregulamentação das regulações de mercado, acção recorrente e usual nos meandros políticos dos “bananas”. Aprovam leis todas pomposas e depois lenta e gradualmente vão adicionado adendas de forma a tornar essa lei uma mera questão “artística”…
Ora então a primeira adenda – que temos conhecimento – é a que elimina a obrigatoriedade dos reguladores divulgarem (determinada) informação ao público.
Uma pergunta: Mas que “raio” de controlo faz uma entidade reguladora se não for obrigada a revelar os dados?
Todas as entidades reguladoras trabalham para o Estado e por inerência, porque o Estado é do Zé Povinho, para as pessoas.
Porque fica o público “proibido” de ver o que por lá se passa?
Sabem uma coisa, dinheiro compra muita coisa… O que acham que irá acontecer aos reguladores desta entidade reguladora, regulando ela um dos meandros em que circula mais dinheiro?

Um parágrafo exemplificativo do embrulho político que os “bananas” usam para justificar este tipo de actos injustificáveis:

“Ao revogar esta secção, reafirmamos o nosso empenho para assegurar que o SEC será transparente e responsável.” (Darrell Issa)

In CNBC

Brilhante esta frase, não é verdade?

O que acham que irá acontecer cá deste lado do oceano?
Esperem uns mesitos até começarem a surgir os toques de Midas nas leis de regulamentação de mercados…

E já que estou a falar em dinheiro, nada melhor do que sabermos que os ricos enriqueceram ainda mais durante o ano de 2010.
Enquanto todos os indicadores de riqueza entraram em colapso o 1% da população mais rico ficou.
Serão as crises más?
Para alguns não…
Haverá quem ganhe com estas crises financeiras?
Os mesmos do costume…

Sabem, apenas 217 pessoas representam 2,6% da riqueza existente nos Estados Unidos – até acho que este número está muuuuuiiiiiitttttoooo minguado.

Agora já consigo fazer outro paralelismo… entre o estudo que afirma que a recessão terminou em 2009 e os dados da riqueza do 1% – neste caso do 0,000001%.
Em 2009, “apenas” 86 dos 400 mais ricos nos Estados Unidos viram a sua fortuna pessoal aumentar, mas em 2010 já estão com saldo positivo…
Ah… já compreendi!!!! A recessão já terminou para 0,000001% da população! É isso!

Concluindo, o mundo é “medido”, gerido, jogado e manipulado pelos interesses de 0,000001% da população, até os estudos…
Podemos então afirmar que vivemos num mundo de justiça “paralela”, onde o que é justo para muito poucos se torna a injustiça para a maioria.
A face desta demo-cracia é realmente asquerosa e desvirtuada dos seus princípios basilares, onde a mentira é a verdade vendida ao público, onde as necessidades de 0,000001% da população são mais importantes que a dos restantes 99%, onde ser-se independente está dependente de um silêncio obrigatório, onde caminhamos a passo de corrida para o fim do mundo do Estado Social de forma a que os interesses de 0,000001% da população nunca venham a ser colocados em causa. Talvez por isso em Portugal o português comum tenha de vir a pagar ainda mais de IVA, de IRC, perder o 13º mês e ter de arranjar dois e três trabalhos para conseguir pagar a casa, alimentar a família e viver um pouco acima do limiar da pobreza.

Acho que é caso para dizer que a crise que passámos – nas palavras dos outros -, a crise que estamos a enfrentar – na realidade do dia-a-dia – e a crise que ainda teremos de aguentar durante mais não sei quanto tempo – digo eu -, é na sua essência uma montanha que pariu um rato, pois para 0,000001% da população a vida vai de vento em popa, caso para perguntar: Será que o rato é que escondia a montanha?

Notícia da CNBC – Leaders Say Recession Not Over, Despite Report
Notícia da CNBC – Congress Rolls Back Part of Wall Street Reform Bill
Notícia do The Telegraph – Forbes list: America’s super-rich get richer
Notícias de apoio:
Notícia do Público – O fim oficial da maior recessão em 70 anos
Notícia da RTP1 – Cimeira nas Nações Unidas para repensar estratégia

Mais um Pouco Sobre o Carrossel da Economia

O mercado imobiliário americano entrou em “double-dip”. Estímulo americano à economia ficou mais caro que a guerra no Iraque. Hindenburg volta a aparecer. Analista afirma que o DOW vai cair até aos 5.000. Presidente da Reserva Federal de Chicago diz que o risco de um “double-dip” na economia é cada vez maior. Défice alemão duplica.

Tenho passado uns dias calmos em relação à escrita sobre a economia… estava apenas à espera que as nuvens cor-de-rosa pintadas à força fossem desvanecendo e dando lugar à verdadeira cor que paira no ar… escurinha…

A primeira diz-nos que o mercado imobiliário americano já entrou em “double-dip”.
Para os mais distraídos, quando em 2008 o mercado imobiliário lá por aquelas bandas iniciou a sua primeira viajem no carrossel do desespero, cá deste lado fomos apanhados e quando demos por nós já íamos de boleia. Já não existe o lá e o cá, existe apenas um agora por lá e daqui a pouco por cá. É o jogo do toma-lá dá-cá…
Irá desta vez ser diferente?…

Ficamos também a saber que os pacotes de estímulo à economia americana ficaram mais caros que a guerra no Iraque.
Antes de falar directamente sobre o tema desta notícia, apenas salientar a verdadeira loucura abstractamente tresloucada americana de estar a conduzir duas guerras, reduções de impostos e um pacote de estímulo à economia, tudo em simultâneo. Digo que isto talvez seja comparável a um agregado familiar que tenha um rendimento mensal de mil euros e com ele comprar dois Ferraris, quatro mansões em Ibiza e mais uns quantos iates… e talvez ainda um aviãozinho particular…nada demais…
Em relação à notícia, ficamos a saber que o total dos estímulos à economia custaram mais 15% do que o combinado de todos os anos da guerra no Iraque, algo como 100 mil milhões de dólares mais!
Vai mais uma volta no carrossel dos chanfrados?

Hoje também fiquei a conhecer o “Presságio Hindenburg”.
Mas que raio é isso, perguntarão vocês? Foi o mesmo que eu fiz quando tive conhecimento dessa coisa com nome de filme de terror.
Ora, o “Presságio Hindenburg” (Hindenburg Omen) é um modelo de análise técnica que nos dizem ser capaz de prever as quebras dos mercados bolsistas.
Pois, eu também fiquei a abanar a cabeça depois de ler isso, mas não é que existe muito boa gente no meio de Wall Street que acredita convictamente nesse modelo de análise com um nome tão “sui generis”.
O modelo prevê um colapso das bolsas mundiais em Setembro – Já começo a compreender o porquê do nome tipo filme de terror.
Para ficarmos mais descansados também nos é dito que o modelo só acertou em 25% das suas previsões desde 1987 – Não sei quantos colapsos das bolsas aconteceram desde então – não apenas os mundiais, também os localizados… mas é melhor não deitar foguetes antes da festa porque também nos dizem que acertou em todos os colapsos…
Agora o carrossel entrou na casa do terror, em que estado irá sair de lá?

Uma pesquisa de Charles Nenner – ainda não conhecia e vou ler mais sobre ele – diz que o DOW Jones vai cair até aos 5.000 pontos nos próximos dois a dois anos e meio. Será este mais um enviado das profundezas do terror?
Irá chegar a deflação acompanhada de uma nova forte recessão que empurrará os mercados até esse valores – exceptuando os dos bens alimentares. “Isto parece mesmo muito mal para os próximos 10 anos”, palavras de Nenner.
Mais um vidente com poderes sobrenaturais a prever como irá ser o futuro, ou apenas mais um dos incontáveis estudos que cada vez mais frequentemente dizem que o carrossel está prestes a apanhar uma descida acentuada?

Para nos confirmar um pouco se os presságios com nomes de filme de terror e os videntes têm alguma hipótese de estar correctos, nada melhor do que ouvir as expectativas de um dos “casineiros” que trabalha para o casino chamado Reserva Federal Americana.
Ele diz que os riscos de uma nova recessão são cada vez maiores… quer dizer na entrevista que ele dá nem sequer faz menção a um indicador positivo, quanto mais a um cenário cor-de-rosa.

E ainda… a estrondosamente poderosa e forte Alemanha, que cresce a olhos vistos, deixando todos os analistas de olhos em bico, apresentou um resultado em que o défice do Estado duplicou. Esperem lá… Pessoalmente as minhas finanças crescem quando eu poupo mais do que gasto. Terá sido o crescimento Alemão neste último trimestre resultado de apoios do Estado à economia que ainda não foram divulgados, ou que estão escondidos entre algum embrulho político com um nome pomposo de lei? Não esquecer que das medidas mais apertadas de controlo do défice e controlo da despesa foram as assumidas pelo governo alemão…
Lá estranho isto é!

Conclusão:
O carrossel está uma vez mais a ganhar balanço para entrar numa cada vez mais provável descida. Apertem os cintos e deitem as pipocas fora que esta coisa pode apanhar uma velocidade dos diabos…

Notícia da CNBC – Housing in ‘Double-Dip’: Economist Zandi
Notícia do The Examiner – Little-known fact: Obama’s failed stimulus program cost more than the Iraq war
Notícia do The Wall Street Journal – Yes Folks, Hindenburg Omen Tripped Again
Notícia da CNBC – Dow Faces Bouncy Ride to 5,000: Strategist
Notícia da CNBC – Risk of Double-Dip Recession Has Risen: Fed’s Evans
Notícia do Diário Económico – Défice alemão duplica para 3,5% do PIB

Derivados – 1,5 Mil Biliões (quanto é isso?)

A aterrorizadora bolha de derivados que um dia poderá destruir toda a economia mundial.

Contam-nos que existe uma bolha de derivados tão imensa que um dia poderá acabar com o mundo económico tal como o conhecemos.
As apostas dos “casineiros” têm sido tantas e tão altas e sem rede que o seu valor já é superior ao PIB do mundo “N” vezes!

Como os derivados não são regulados, apenas por estimativa se pode ter a ideia do tamanho da bolha.
Na melhor das hipóteses é de 600 biliões de euros, e na pior das hipóteses é de 1,5 mil biliões de euros!

Não sei se conseguem visualizar ou apalpar tais números, mas uma forma de os explicar é pegar no caso dos 1,5 mil biliões e dizer que se começar a contar um número por segundo até chegar aos 1,5 mil biliões de euros irá precisar de 32 milhões de anos até lá chegar – é essa a monstruosidade destes números!

Warren Buffet (Mogul das bolsas)

“São armas financeiras de destruição em massa.”

Jacques Chirac, antigo Presidente francês:

“SIDA financeira”

Os mercados de fundos e derivados são tão complexos que até muitos dos economistas de topo não os consegue entender.
Este é o sinal do descontrolo e da loucura em que os mundos financeiros navegam… navegam à boleia da brisa de um numerário em eterno crescimento, mas cada vez mais totalmente desprendido da realidade financeira do mundo, vivendo num mundo “conto de fadas”.

Webster Tarpley

“Em vez de ser uma actividade marginal e misteriosa, os derivados financeiros representam o principal negócio da oligarquia de Wall Street, de The City em Londres, em Frankfurt, e noutros centros financeiros. Os políticos e os meios de informação têm engajado num esforço concertado para esconder e camuflar o papel central que a especulação em derivados teve no desastre financeiro recente. Os jornalistas e RPs (relações públicas) fizeram todos os possíveis para evitar sequer mencionar os derivados, citando-os como “bens tóxicos”, “instrumentos exóticos”, e especialmente “bens problemáticos”, como no TARP (Programa de Ajuda aos Bens Problemáticos), mais conhecido como o monstruoso pacote de ajuda dado aos especuladores de Wall Street no valor de 800 mil milhões de dólares  que foi aprovado por Bush, Henry Paulson, John McCain, Sarah Palin, e pelos democratas de Obama.

in Pravda

Que mais dizer do que isto é verdadeiramente o circo dos loucos, dos viciados, dos verdadeiramente imbecis!
Não existe dinheiro no mundo para tapar o buraco que mais tarde ou mais cedo vai aparecer. É impossível sustentar tal vício!

Os Zé Povinhos do mundo têm de erguer as suas vozes e ajudar a acabar de vez com a loucura destes seres desequilibrados. Os Zé Povinhos do mundo têm de ajudar à criação de centros de recuperação da dependência de numerário, pois essa é uma dependência muito mais perigosa para a sociedade e para o mundo que qualquer outra.

Pessoalmente, só me apetece é causar galos atirando-lhes moedas de 1 cêntimo à cabeça! Esta é uma ideia que parece estúpida não é? Mesmo assim ainda consegue ser menos estúpida do que a acção destes “casineiros”!

P.S: É bom não esquecer que o investimento em derivados tem estado a aumentar – Europa, 11,1% – Portugal, 17% – Estados Unidos 26,8%
No post: Derivados “São Mato”, e se Pegarem Fogo…

Notícia do Pravda – The Horrific Derivatives Bubble That Could One Day Destroy The Entire World Financial System

%d bloggers like this: