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Vergonha das Vergonhas!

Quão seguras são as dívidas soberanas da zona euro? Triunfo total da Alemanha com a subjugação do peixe miúdo da Europa. União Europeia desenvolve uma nova linha de salvação para Portugal. Portugal acha que os juros se situarão entre os 5% e os 6%. Novo programa de austeridade foi feito com técnicos do BCE e da Comissão Europeia. Reformados são os mais afectados pelas novas medidas de austeridade. Pensionistas com menores rendimentos irão ser os mais castigados nos impostos. Reformados pagam mais de mil milhões da consolidação. Pensionistas devem receber menos 449 milhões. IRS pode subir até mais de 540 euros para os reformados. Governo insiste no tecto às despesas com a saúde para 1,5 milhões de contribuintes. Saúde prepara novos cortes nas comparticipações. Executivo quer liberalizar rendas antigas. Finanças voltam à proposta de subida do IVA nos produtos alimentares. Executivo não vai forçar portugueses a comprar dívida pública. Governo vai encorajar a poupança automática das famílias. Governo prepara redução do IVA para o golfe.

Há momentos em que os dramas causados pela natureza neste nosso mundo fazem com que deixemos escapar os dramas evitáveis cozinhados usualmente por aquelas classes de Homens que são verdadeiramente anormais… os bananas e os casineiros.

Portugal, a sua soberania e o seu Zé Povinho – o que não faz parte do 1% – foram nestes últimos dias atacados por um tsunami de medidas dantescas com o cunho dos anormais. Infelizmente a natureza presenciou-nos com um tsunami que era, esse sim, imparável. O tsunami social que está a ser desenvolvido contra o Zé Povinho português é evitável… desde que…

Antes de entrar, propriamente dito, nos danos para Portugal, façamos uma pequena “tour” pelas dívidas soberanas e suas classificações atribuídas pelas entidades internacionais:

In The Telegraph
Há aqui coisas que saltam logo à vista.
– As economias mais fortes da Europa, quase sem excepção, são as que estão mais endividadas e todas elas estão no topo das classificações, exceptuando a Itália que é por sinal a rainha das dívidas.
– Porque razão a Estónia, que não pede quase dinheiro emprestado, não está classificada como AAA?
– Porque razão a Itália que é um monstro sorvedouro de dívida não está ao nível da Grécia?
Há por aqui coisas que derrotam o bom senso, digo eu.
Será esta uma classificação da força e poder da banca e não uma classificação ao risco de incumprimento de pagamento de um Estado, como nos é constantemente transmitido pelos nossos(?) meios de comunicação social?
A Estónia que nada deve tem um risco de incumprimento comparável ao de Portugal? Brincamos ou quê?
Os que mais devem são, por norma, aqueles que melhor classificação têm? Brincamos ou quê?
Como é possível a Itália não estar a ser consumida pelas agências de rating, tal a monstruosidade da sua dívida? Brincamos ou quê?
Pelos visto isto poderá ser mais uma brincadeira dos casineiros com a conivência dos bananas, tal a incongruência demonstrada nesta tabela quando comparada com as palavras usadas para explicar os seus porquês.

E então o facto da Alemanha ter uma vez mais imposto as suas medidas no seio da Europa?
Haverá um país que será mais que os outros nesta Europa a muitos… poucos? Pelos vistos…

A dama de ferro Chanceler da Alemanha não podia ter sido mais clara. “Quem quiser crédito terá de aceitar as nossas condições.”
In The Telegraph

Mas isto é uma Europa a 1 ou a 17?
A resposta? A 1!

E quais foram as imposições da Alemanha aos três párias da Europa, Grécia, Irlanda e Portugal?
Grécia:

À Grécia, os termos são a obrigação de vender bens do Estado no valor de 50 mil milhões no espaço dos próximos quatro anos, um aumento de dez vezes sobre os iniciais 5 mil milhões que o Primeiro Ministro George Papandreou julgava ter assinado no ano passado.
In The Telegraph

Os principais bens do Estado grego estão avaliados em pouco mais de 15 mil milhões de euros, onde irá o governo grego desencantar mais 35 mil milhões? Onde? Irá vender ilhas? Irá vender soberania? Irá vender o seu Zé Povinho? Talvez tenha de vender um pouco de tudo de forma a conseguir agraciar a banca alemã com o cumprimento das dívidas…

Irlanda:

Para a Irlanda, uma condição apenas – ainda não aceite – que é subir a taxa de IRC de 12,5% sobre o investimento, descrito pelo líder francês Nicolas Sarkozy como “obsceno”.
In The Telegraph

Para Portugal:

Para Portugal, é mais cortes, uma redução do défice para 5,3% num ano. Pensões, apoios sociais e gastos com a saúde terão de ser reduzidos, depois das medidas já adoptadas de redução dos salários.
In The Telegraph

Pessoalmente tenho muito orgulho em ser português, tenho muito orgulho das minhas origens e não aceito de bom grado, sob condição alguma, que alguém de fora do meu país decida o que o Zé Povinho português terá de sofrer de modo a que um grupo de bananas e casineiros possa lavar a sua face perante a alta sociedade do despesismo e da dívida europeia. Que moral tem essa dama de ferro para exigir o que quer que seja aos outros quando ela governa um dos maiores desgovernos na Europa? Que moral atesta esse Sarkozy para exigir aos outros aquilo que ele não faz?
Porque não exigem a vós, Alemanha e França, uma redução de 90% das suas dívidas públicas, de forma a ficarem equiparáveis às restantes da Europa? Porque não exigem à Itália a redução em 90% da sua dívida pública de forma a ficar comparável aos restantes membros desta Europa a poucos?
PORQUÊ?!?!?!?!?!?!?

E os bananas de Portugal aceitam ser subservientes do despesismo dos outros para que o seu despesismo possa ser salvo por uma linha de financiamento que permitirá aos nossos bananas poderem recorrer a ela caso os mercados lhe fechem a porta. Portanto, Portugal já está a receber o pacote de ajuda(?) – belo nome dado pelos predadores a um pacote de LUCRO – providenciado pelo União Europeia. Só falta o FMI, mas como as semelhanças entre EU e FMI são mais que muitas, venha o diabo e escolha o pior…
E os nossos bananas vendem a sua subserviência e soberania do nosso Portugal por taxas de juro entre os 5% e os 6%. Para quem já não se lembre, ainda não faz um ano e Portugal financiava-se nos mercados a taxas aproximadas a 3,5%. Onde está ajuda? Pelo menos digam a verdade… não é uma ajuda é apenas e quase só um lucrar POR VEZES um pouco menos do que se fosse em mercado aberto. Isto são acções de predadores e não de países que se dispõem a ajudar Portugal.
E claro, como confirmação da venda da soberania nacional a uns casineiros e bananas estrangeiros, ficámos a saber que as medidas de austeridade que estão agora a ser cozinhadas foram feitas sob anuência e presença física de membros da União Europeia e do Banco Central Europeu.
Perdoem-me a expressão: Em tempo de guerra a traição à pátria é um crime de extrema gravidade, e como considero que o Zé Povinho está a ser dizimado e bombardeado nesta guerra aberta dos casineiros com a conivência dos nossos bananas, isto é um crime de LESA PÁTRIA!

Uma equipa de técnicos do Banco Central Europeu de várias nacionalidades incluindo alemã, assim como técnicos da Comissão Europeia estiveram durante estas duas últimas semanas a desenhar com o Ministério das Finanças as medidas hoje anunciadas, apurou o Negócios.
In Jornal de Negócios

Eu tenho vergonha dos nossos bananas! VERGONHA!!!!!

Mas vergonha deviam eles ter e não têm, pois é mesmo à descarada que assumem a defesa daqueles que não necessitam dela para desproteger ainda mais os mais pobres! VERGONHA!!!!
Então ficámos a saber que as medidas IMPOSTAS pelos casineiros e bananas alemães e afins servirão para retirar o pouco que ainda sobra aos mais pobres e aos mais desprotegidos de modo a conseguirem continuar a alimentar o seu modo de vida totalmente desconectado da realidade de 99% do Zé Povinho. VERGONHA!!!!

Reformados são os mais afectados pelas novas medidas de austeridade.
Cortes nos rendimentos mensais e aumento do pagamento de impostos em sede de IRS será a nova realidade dos pensionistas portugueses.
In Jornal de Negócios

Pensionistas com menores rendimentos vão ser mais castigados nos impostos.
Agravamento fiscal anunciado pelo Governo pode ultrapassar os 530 euros para reformados com pensões de cerca de 805 euros mensais.
In Diário Económico

Reformados pagam mais de mil milhões da consolidação em 2012.
Um quarto do esforço previsto para 2012 será pago pelos idosos portugueses através de cortes de pensões e aumentos de impostos,
In Jornal I

IRS pode subir até mais 540 euros para os reformados
Além de cortes ou congelamentos no valor na pensão, uma grande fatia de reformados poderá contar com outra ceifadela no valor da sua reforma por via do IRS.
Serão prejudicados todos os reformados com pensões abaixo de 2.300 euros/mês, mas o sacrifício maior será para quem ganhe abaixo de 1.700 euros. Nalguns casos, o IRS a pagar pode duplicar.
In Jornal de Negócios

Não há maior descaramento social que retirar àqueles que menos têm para dar aos que já têm demais. Alguém por acaso ouviu alguma medida para taxar mais os que mais têm?!?!?!?!?
Por acaso alguém ouviu alguma medida para retirar os benefícios fiscais e taxar mais a banca?!?!?!?!
Por acaso alguém ouviu alguma medida para taxar os lucros em bolsa?!?!?!?!
Por acaso alguém ouviu alguma medida para taxar o movimento de capitais para as offshores?
ALGUÉM?!?!?!?!?!?!
VERGONHA!!!!!!!

Ah, mas não nos esqueçamos que os alemães exigiram cortes na despesa com a saúde.
Quem, do Zé Povinho, é mais afectado por cortes da despesa com a saúde? Quem? Principalmente os reformados e os mais pobres!!!! VERGONHA!!!!

Os contribuintes com um rendimento colectável entre 7.410 e os 61.244 euros por ano arriscam-se a sofrer um forte aumento da carga fiscal nos próximos anos, caso as intenções do Governo em matéria de IRS avancem.
In Jornal de Negócios

Portanto, todos os contribuintes que ganhem mais de 610 euros por mês, ou seja, quase todo o Zé Povinho, deixará de poder deduzir despesas com a saúde…
Ok, ainda não tiraram tudo pois não?

Saúde prepara novos cortes nas comparticipações
Novas medidas de controlo da despesa do SNS podem passar pela redução nas comparticipações de medicamentos e pela revisão das tabelas da ADSE.
In Diário de Negócios

Ainda não tiraram tudo mas vão tirar mais uma talhada. E quem irá sofrer mais com mais esta medida? Os reformados e os mais pobres!!!! VERGONHA!!!!!!!!!

Será que ainda haverá espaço para mais vergonhas?

Executivo quer liberalizar rendas antigas.
Em causa está o aumento de 429 mil rendas anteriores a 1990.
O Governo anunciou ontem a intenção de liberalizar as rendas antigas – anteriores a 1990. Em causa estão 429 mil rendas de entre as cerca de 700 mil existentes, segundo dados dos Censos de 2001.
In Diário Económico

Então não há!!! Até conseguirem que deixe de haver Estado Social esta seita de predadores racionalmente bajuladores da banca e dos interesses internacionais irão sempre encontrar mais medidas para irem com as suas conspurcadas mãos de traição ao bolso dos mais pobres!
Quem paga rendas anteriores a 1990?
Na sua grande maioria os reformados!!!! VERGONHA!!!!!!

Mais?

Finanças retomam proposta de subida de IVA nos produtos alimentares.
Na mira do Executivo poderá estar novamente o aumento das taxas reduzidas e intermédias de IVA que incidem sobre alguns produtos. Isto é: passagem de alguns produtos com taxa de 6% para 13%, e desta taxa intermédia para a taxa normal que, desde Janeiro deste ano, passou de 21% para 23%.
In Diário Económico

Há sempre espaço para mais uma…
Quem senão os mais pobres irá sofrer com o aumento da taxa de IVA sobre os produtos alimentares de primeira necessidade?
VERGONHA!!!!!

E depois disto tudo ainda temos direito à ideia do século, que me fez recordar tempos passados num passado com muito pouca liberdade e ainda menos liberdade de expressão:

O ministro das Finanças anunciou hoje que está a trabalhar com o Banco de Portugal num plano de promoção da poupança interna e redução do endividamento das famílias.
O Ministério das Finanças não explica que forma vão assumir estas “poupanças automáticas”. Da oferta da banca fazem parte algumas soluções que prevêem a entrega mensal de montantes fixos para contas poupança.
In Jornal de Negócios

Hmmmm… quase sempre que os bananas colocam um título pomposo nas suas medidas como “poupança automática”, acaba invariavelmente por demonstrar ser o contrário. Por isso, talvez isto ainda venha ser uma “poupança compulsiva”, porque quase a única coisa que a esmagadora maioria do Zé Povinho português consegue poupar é na raiva para com os bananas!

“A poupança é voluntária”. Foi com esta resposta ao Diário Económico que o Ministério das Finanças descartou a possibilidade de o pagamento do 13º mês ser efectuado com títulos de dívida pública portuguesa. Isto significa que se Teixeira dos Santos decidir adoptar esta medida de contenção, a mesma não surgirá como uma imposição. Um ligeiro alívio para os portugueses que acabam de conhecer novas medidas de austeridade.
In Diário Económico

Ahhhhh… com que então esta medida poderá ser uma artimanha com um título todo pomposo para esconder o que na sua essência será um IMPOSTO COMPUSIVO SOBRE O 13º MÊS de ordenado do Zé povinho… ahhhh!!!! VERGONHA!!!!!

E para fechar por hoje nada melhor que aqui deixar um claro sinal dado pelos nossos bananas de que nem todos os impostos irão subir e quem nem todo o Zé Povinho irá sofrer ainda mais:

Os campos de golfe deverão voltar a ser tributados à taxa reduzida de IVA, de 6%, em vez dos 23% que são obrigados a praticar desde o início do ano, com a entrada em vigor do Orçamento do Estado (OE) para 2011. A mudança surge num momento em que o Governo prepara medidas de austeridade que também atingirão o IVA, mas será feita à margem delas, e dispensará inclusivamente qualquer alteração legislativa: passará por uma informação vinculativa do Fisco a estabelecer uma nova interpretação jurídica para a lei agora em vigor.
In Jornal de Negócios

Mal tenho palavras para conseguir descrever isto!!!!! Então rouba-se à descarada dos pensionistas, dos mais pobres,  retiram-se-lhes quase direitos consagrados na constituição portuguesa, aumenta-se o IVA para os produtos que são primeira necessidade para os pobres, e baixa-se o IVA para os campos de golfe?!?!?!?!?!?!?
ISTO É UMA CASA DE LOUCOS GERIDA POR LOUCOS BAJULADORES DESPRENDIDOS DE QUALQUER SENTIMENTO SOCIAL!!!!!!!!!!!
Alguém por aí joga golfe e paga a mensalidade (baixinha) de um clube de golfe????
VERGONHA!!!!!!!

Conclusão:
Quanto mais se deve mais famoso se fica, este é o sinal dado pelo mundo dos artistas… onde uma das maiores e mais famosas artistas é uma alemã que subjuga todos os outros que não são tão famosos na dívida quanto ela… e lança o isco da salvação ilusória para o peixinho miúdo morder no anzol da ilusão da fama… e o isco são 5 ou 6 chumbadas na cabeça do Zé Povinho… chumbadas que foram moldadas por outros que nos dizem não pescar em Portugal… e ainda mais miúdo é o peixe que se preparam para capturar, o peixe reformado e cansado, e o peixe pobre e quase seco…  retirando-lhes quase tudo o que já nem sequer têm… retirando-lhes a saúde e a casa que mal têm… retirando-lhes a papinha da boca que já nem têm… e dando-lhes aquilo que dizem ser bom mas que é realmente um pau de dois bicos… e entretanto… um “all in one” para aquele 1% do Zé Povinho que é peixe graúdo…
Vergonha das vergonhas!

Notícia do The Telegraph – How safe is Eurozone sovereign debt? – table
Notícia do The Telegraph – Total German triumph as EU minnows subjugated
Notícia do Diário Económico – União Europeia cria uma nova linha de salvação para Portugal
Notícia do Jornal de Negócios – Portugal aposta em que a ajuda europeia limite juros entre 5% a 6%
Notícia do Jornal de Negócios – Novo programa de austeridade foi feito com técnicos do BCE e da Comissão
Notícia do Jornal de Negócios – Reformados são os mais afectados pelas novas medidas de austeridade
Notícia do Diário Económico – Pensionistas com menores rendimentos vão ser mais castigados nos impostos
Notícia do Jornal I – Reformados pagam mais de mil milhões da consolidação em 2012
Notícia do Jornal de Negócios – IRS pode subir até mais 540 euros para os reformados
Notícia do Jornal de Negócios – Governo insiste nos tectos às despesas de saúde para 1,5 milhões de contribuintes
Notícia do Diário Económico – Saúde prepara novos cortes nas comparticipações
Notícia do Diário Económico – Executivo quer liberalizar rendas antigas
Notícia do Diário Económico – Finanças retomam proposta de subida de IVA nos produtos alimentares
Notícia do Jornal de Negócios – Governo vai “encorajar poupança automática das famílias”
Notícia do Diário Económico – Executivo não vai forçar portugueses a comprar dívida pública
Notícia do Jornal de Negócios – Governo prepara redução do IVA para o golfe

Este Não é um Mundo Para Nós, é um Mundo Para os “eles”

A escravidão da dívida para os irlandeses. Pacote de ajuda à Irlanda protege os grandes investidores. Os bancos encontraram uma mina de ouro, os consumidores ficaram com o poço. Choque entre os países europeus sobre as taxas sobre a banca. BCE tenta acalmar os mercados prometendo liquidez ilimitada. Trichet diz que compra de dívida pública não vai comprometer a inflação.

Agora todos os dias é um vê se te avias de esclarecimentos sobre as verdadeiras linhas funcionais e decisórias das altas patentes que nos (des)governam, mas são publicados envoltos em prosa quase enganosa dos nossos meios de comunicação (anti)social.
Nestes dois últimos dias, as notícias que foram saindo mostram-nos a linhas gerais das decisões tomadas e qual a sua verdadeira direcção lógica.

Em mais um extraordinário texto jornalístico de Ambrose Evans-Pritchard, ficamos a saber – se é que é preciso escrever sobre isso – que os milhares de milhões da ajuda imposta à Irlanda pela Comissão Europeia e pelo BCE:

“(…)é uma imprudente ajuda aos banqueiros e credores britânicos, alemães, holandeses e belgas.”
“Os contribuintes irlandeses arcam com o fardo, e esvaziam o que resta do seu fundo de pensões de reserva para cobrir 1\4 dos custos.”

In The Telegraph

Aqui ficamos a conhecer quem serão “os meninos” que irão capitalizar até 7% de juros!!! (Valor significativamente superior ao pago pela Grécia)
Ficamos também a saber que uma vez mais os senhores “casineiros” são os beneficiados às custas de uma população que não sabe com que linhas coseram o seu destino… um verdadeiro bacanal carnal entre “casineiros” e “bananas”!

E para compreendermos melhor como por lá (Irlanda) as coisas foram conduzidas:

“Forçar perdas nos detentores de dívida sénior (dívida mútua entre instituições bancárias e fundos), temia-se que atingisse a Europa com a mesma força do colapso do Lehman Brothers nos Estados Unidos – espalhando dúvidas sobre um sistema com ramificações potencialmente globais se lançasse a Europa de novo para recessão ou colocasse em risco uma economia importante, como a alemã. (…)aos credores de aproximadamente 50 a 60 mil milhões de títulos de dívida (sénior) foi garantido que irão receber o seu dinheiro.”

In The Washington Post

Portanto, de forma a salvaguardar um sistema que nos conduziu – Zé Povinhos – até um ponto em que temos de ser nós – Zé Povinhos – a arcar com as custas para salvar esse mesmo sistema, que movimenta lucros astronómicos para as instituições que são ajudadas, directa e indirectamente, é algo no mínimo perverso, descabido e insultuoso!
As custas destes erros têm de ser fardo para quem os cometeu!!!

Para entendermos melhor a disparidade de acções em relação às conclusões:

“Com 2010 a chegar ao fim, parece que irá ser outro ano em grande para Wall Street: as seis maiores firmas denominadas “grandes demais para falir” tiveram lucros que rondaram os 35 mil milhões (cada) nos primeiros nove meses do ano, e estima-se que os bónus anuais ascendam a 144 mil milhões.”

In Yahoo Finance

A incongruente noção de precisarem de ajuda e ter de ser o Zé Povinho a providenciar essa ajuda é algo verdadeiramente ultrajante! É um engano do tamanho do mundo! É a lógica do: “são lucros recorde mas continuamos a necessitar de ajuda”, algo que ultrapassa tudo o que de lógico existe no mundo, quanto mais o bom senso!

Alguns ainda argumentarão que será para preservar uma economia que já nos deu muito…
É uma boa noção das coisas, sem dúvida, mas como em tudo na vida é preciso haver regras justas e distribuição de apoios e obrigações equitativas entre os vários sectores da sociedade… coisa que não acontece actualmente, muito pelo contrário…
Para termos uma melhor noção se tal está a ser trabalhado ou preparado:

A Comissão Executiva da Comissão Europeia quer chegar a um acordo sobre a forma como taxar a banca de forma igual em toda a Europa. (…)
Mas tal como aquando da crise com os vários países a adoptarem posições individuais, agora defendem individualmente o seu direito de decidir de que forma taxar a banca e gastar esse dinheiro”

In Bloomberg

É impressionante como os mesmos “bananas” que rapidamente chegaram a acordo para que os Zé Povinhos da Europa vissem reduzidos os seus direitos e os seus apoios sociais de modo a combater a crise, no caso da banca digladiam-se que nem abelhas atrás do pote de mel, o que neste caso pode ser descrito de forma mais concreta como: “«bananas» atrás do tesouro”.
Uma vez mais levanta a pergunta?
Para quem trabalham os políticos eleitos democraticamente???? Para quem?????

E sSeguindo a linha da lógica de defesa de um sistema que está cada vez mais desfasado da realidade e vivência dos Zé Povinhos, Trichet, o Jean-Claude das finanças europeias, promete liquidez ILIMITADA para tentar acalmar os mercados de dívida.
Elisabeth Afseth, da Evolution Securities:

(…)”pode estar em curso um programa de compra de título de dívida pública no valor de 1 a 2 biliões de euros.”

In The Guardian

O pacote de ajuda às economias europeias não é de 750 mil milhões?
De onde vêem esse biliões?
Quem os pagará?
Mas a Europa defende o controlo da despesa ou o gasto indiscriminado?
E a inflação que inevitavelmente criará?

Mais tarde ou mais cedo iremos ter respostas para estas perguntas… quer dizer, temos tido direito a respostas em formato de mentira… uma, pelo menos,  já anda a ser veladamente e verdadeiramente respondida… Jean-Claude Trichet:

“O BCE tem no seu mandato manter a inflação controlada, o que é entendido como tendo um valor próximo, mas inferior a, dois por cento ao ano. No final do mês passado, estava em 1,9 por cento, tal como em Outubro. Teoricamente, a injecção de liquidez na economia tem tendência a fazer subir preços. No entanto, com o crescimento anémico que se tem registado e a difícil situação financeira por todo o mundo ocidental, esse risco é menor, sobretudo se a quantidade disponibilizada não for muito elevada.”

In Público

Ora, 1 a 2 biliões de euros… a resposta velada está dada:
Preparem-se porque vem aí inflação “à séria”!!!!!!

O senhor Jean-Claude do mundo das finanças da Europa está uma vez mais a demonstrar ter uma visão de muito, mesmo muito curto prazo. Toda a injecção de liquidez no mercado conduz sempre à existência de mais dinheiro em circulação. Se existe mais dinheiro em circulação, há mais dinheiro para comprar o mesmo número de bens, o que conduz ao aumento dos preços, não devido ao aumento da procura, mas porque existe mais dinheiro para pagar por esses bens. Esta é uma regra BÁSICA do sistema económico que (des)governa as nossas vidas, e ainda mais importante, é uma regra quase incontornável a curto prazo (3 anos), quanto mais a médio prazo!
Uma pergunta em duas para o Jean-Claude.
O que acontecerá ao excesso de dinheiro em circulação quando a economia voltar a crescer?
O que acontecerá ao excesso de dinheiro em circulação quando a economia der o “peido”?
Sabem a resposta?
Não?
1º caso: Inflação galopante
2º caso: Inflação galopante – (este caso pode ser mais difícil de compreender mas na sua essência é muito simples: crise = contracção na aquisição de bens = redução do número de bens disponíveis… mais dinheiro em circulação para comprar cada vez menos bens disponíveis – este segundo caso começa com deflação nos preços…)

Portanto Sr. Jean-Claude, a quantidade que está a ser disponibilizada é monumental e o resultado final será o mesmo: Inflação galopante que se alimentará principalmente daqueles que já pouca margem de manobra têm para conseguir sobreviver neste sistema desconectado da realidade dos Zé Povinhos!

Voltando um pouco atrás até Ambrose Evans-Pritchard:

“Deixem-me dizer que o BCE tem conduzido uma politica monetária que tem sido demasiado permissiva até para a Zona Euro como um todo, mantendo a taxa de juro nos 2% até bem para lá do «boom» do crédito e permitindo que o fornecimento de dinheiro se expandisse 11% (quando o «target» era de 4,5%). O BCE violou todos os meses, durante uma década, o seu tecto de inflação.”

In The Telegraph

Portanto, ainda por cima o caso da pressão inflacionária já vem de há 10 anos para cá, no mínimo… agora, para quem não conseguia compreender, é fácil de entender o porquê do preço do pão (como exemplo) ter passado de 5 cêntimos em 2000 para os 12 cêntimos em 2010 – 120% de inflação… 12% de inflação ao ano!!!! Não os 1,9% que nos é relatado quase todos os meses!
Este Jean-Claude é um verdadeiro Van Damme das finanças… um artista cheio de músculos quando em frente às câmaras, e um fraco e dependente atrás delas… um mentiroso no seu ser!

E irão todas estas políticas (mentirosas) ajudar a salvar a Europa e o mundo?

“Em 2014, os juros que a Irlanda terá de pagar sobre a dívida pública (em 2014 – 120% do PIB – o valor actual de Portugal) serão 10 mil milhões, enquanto as receitas com impostos serão 36 mil milhões. Este rácio está bem acima do ponto de «default» de 22%, como calculado num estudo da Moody’s.”

In The Telegraph
Não!

Conclusão:
Um mundo de finanças que mais parece o circo das vaidades… um mundo em que apresentar lucros desmedidos é sinal de mais apoios… um mundo em que quem menos tem, tem de pagar os apoios a quem já tem demais… um mundo em que as soberanias individuais dos seus países não mais são do que lucro palpável para os “bananas” que os (des)governam… um mundo em que quem define as finanças do sistema, que já por si é perverso, mais parece um Van Damme cheio de músculos mas que no seu ser é um fraco, perdido, que continua a alimentar um sistema viciado na dívida com ainda mais dívida…
Este não é um mundo para nós, é um mundo para os outros, os “eles”…

Notícia do The Telegraph – Ireland’s Debt Servitude
Notícia do The Washington Post – Irish rescue shields top investors
Notícia do Yahoo Finance – Bailout Nation: Banks Got the Goldmine, Consumers Got the Shaft
Notícia da Bloomberg – European countries clash over taxing banks
Notícia do The Guardian – ECB tries to calm markets by promising unlimited liquidity
Notícia do Público – BCE diz que compra de dívida pública não vai comprometer a inflação

A Cacofonia Num Mundo Que é Deles

Fundo europeu chega para todos e risco de colapso do euro é zero. Presidente do Banco Central Alemão diz que o fundo de apoio ao euro pode ser aumentado. Comissão Europeia  quer duplicar a dimensão do fundo de emergência. Governo alemão diz que aumentar o fundo de apoio não se coloca. A ajuda da Alemanha tem limites. Bundestag vota o orçamento de 2011 como o segundo maior endividamento de sempre. Como um monumental fundo de apoio se pode revelar escasso. FMI: Fosso entre ricos e pobres esteve na origem da crise financeira. Empresários pedem contractos flexíveis para evitar o FMI.

Fiquei confuso e zonzo só de escrever o parágrafo de “apresentação” das notícias que servem de base a esta dissertação. Verdadeira cacofonia de intenções, desejos e desígnios.

Começando pelo início…
Hoje, o responsável pelo Fundo de Estabilização, Klaus Regling, disse-nos que o fundo de apoio às economias europeias é suficientemente grande para garantir a solvabilidade de todos os Estados membros, e que o risco para o euro é zero.

Também hoje, o Presidente do Banco Central Alemão e que faz parte do conselho de administração do Banco Central Europeu, e principal candidato à sucessão do actual Presidente do BCE, diz-nos que os governos europeus podem vir a ampliar o fundo caso seja necessário.

Ainda hoje, é-nos dito que a Comissão Europeia está a envidar esforços para que o fundo de apoio, no valor de 440 milhões, venha a ser duplicado.

Continuando, hoje, o porta-voz do ministro alemão das finanças alerta-nos que a expansão do fundo de apoio é algo que nem se coloca.

E uma vez mais hoje, o porta-voz dos assuntos económicos da bancada parlamentar da CDU de Angela Merkel, reafirma que a ajuda da Alemanha tem limites.

Mas a quantas ficamos?
Na mesma, talvez mais, o dobro, nem pensar em tal ou vamos fechar a torneira?
A verdadeira cacofonia representativa da vitalidade democrática da União Europeia!
É óbvio que estou a “gozar” com esta situação, tal a díspar não confluência de opiniões, ainda para mais quando emanam quase todas da Alemanha e de alemães, exceptuando a posição “colectiva” da Comissão Europeia. Assistimos à quase incrível diferença de opinião do Banco Central Alemão e do Banco Central Europeu (representado pelo responsável do fundo), quando as suas sedes são quase porta com porta e os membros mais importantes do Banco Central Alemão quase todos terem assento no Banco Central Europeu. Juntamos as posições expressas pelo governo Alemão e obtemos tal cacofonia que só eles, num mundo que é deles conseguirão compreender.

Mas como tal confusão poderá ser “consumida” pelo comum dos leitores como apenas divergência de opinião, nada melhor que dizer que hoje também soubemos que o mesmo governo alemão que diz “nem pensar a mais despesismo”, apresentou uma proposta de orçamento para o ano de 2011 que é a segundo mais despesista da História na Alemanha.
Mais cacofonia?
O país que mais exige que todos os outros países cortem e recortem os seus orçamentos, que se vende aos Zé Povinhos da Europa como sendo o rei no controlo das despesas públicas, eis que faz exactamente o aposto ao que exige e ao que apregoa!
Será apenas uma divergência de opinião? Talvez…
Pois é, estas “divergências de opinião” no seio da classe dos “bananas” que nos (des)governa usualmente são mais que meras divergências, digamos antes que são mentiras “pontuais recorrentes”, ou “jogadinhas no xadrez do engano”.

Qual das afirmações destacadas neste texto ir-se-á revelar verdadeira?

E como ainda podem estar confusos ou em dúvida em relação às “mentiras pontuais recorrentes, ou jogadinhas no xadrez do engano”, que tal analisar os números reais, os verdadeiros números do fundo de apoio às economias europeias:
– Apregoado 750 mil milhões de euros, sendo que 1\3 vem do FMI, ou 250 mil milhões, e o restante, 500 mil milhões, da União Europeia.
– Dos 500 mil milhões da União Europeia, 440 mil milhões vêem do fundo recentemente criado e 60 mil milhões de outro “instrumento” já anteriormente orçamentado pela UE para tais contingências
– O fundo de apoio está classificado como AAA, ou triplo A, classificação que requer que 40% do seu valor fique cativo em dinheiro, ou seja, não pode ser emprestado. Assim chegamos a um valor disponível total de 250 mil milhões por parte da União Europeia, aos quais juntamos os 60 mil milhões anteriormente destacados, e ficamos com 310 mil milhões de euros disponíveis para empréstimo… não os badalados 500 mil milhões de euros… sempre são menos 190 mil milhões de euros, quase a quantia somada dada à Grécia e à Irlanda…
– Os 250 mil milhões disponibilizados pelo FMI estão e estarão sempre sujeitos à aprovação dos países pertencente ao FMI (Grande parte do mundo). Quem nos garante que, a determinada altura, não dizem finito, no more, acabou-se?
E se for necessário mais de 250 mil milhões, irão dizer “ok” uma vez mais sem mais nem menos?
Pode ser que sim, mas pode ser que não…

Portanto, esta é só mais uma das cacofonias com que nos bombardeiam de forma a ficarmos cada vez mais confusos e percebermos menos a sua história… ou seja, é uma cacofonia num mundo que é deles…

E já que coloquei o FMI no seio das cacofonias que o mundo deles nos dá a conhecer.. que tal demarcar a fabulástica conclusão que:

O crescimento do fosso entre ricos e pobres esteve na base da crise financeira actual e da Grande Depressão dos anos 30. Segundo um estudo feito pelos técnicos do Fundo Monetário Internacional (FMI), há uma relação causa/efeito entre uma maior desigualdade na distribuição de rendimentos e a criação de condições para o surgimento de uma crise financeira. Processos que ocorreram nos anos 20, antes da Grande Depressão, e agora, antes da explosão da crise financeira.

In Jornal I

Esperem lá! Esta não é a mesma instituição que apela à redução dos apoios dos Estados aos mais pobres, às privatizações dos centros económicos nevrálgicos dos Estados – água, electricidade, etc. (como exemplo) – que conduz ao aumento das tarifas pagas pelos pobres?
Não é a mesma instituição que “obriga” que as fronteiras comerciais entre países sejam abolidas, medidas que invariavelmente conduzem ao aumento do desemprego?
Cacofonia? Também?!?!
Pois é, a cacofonia é mesmo a forma de vida num mundo que é deles!
Por acaso alguém por aí vê governos a aprovarem medidas que ajudem a diminuir o fosso entre pobres e ricos?
Acham que esta crise vai passar ou continuar a agravar-se?

“Nos Estados Unidos, entre 1920 e 1928, o rendimento detido pelos 5% mais ricos aumentou de 24% para 34%. Entre 1983 e 2007, esse indicador passou de 22% para 34%. Ao mesmo tempo, o nível de endividamento dos restantes 95% da população praticamente duplicou nos dois períodos pré-crise.”

“Apesar da qualidade de vida da população ter continuado a melhorar na década de 70, grande parte dessa melhoria foi alicerçada na alavancagem, isto é, no crédito. A partir de 1970, os ganhos reais anuais dos 10% norte-americanos mais ricos subiram mais de 70%, ao passo que os dos 10% mais pobres caíram cerca de 60%. Para os restantes 80%, o rendimento desceu ligeiramente. Ainda assim, o aumento substancial da desigualdade de rendimento entre os dois extremos não foi acompanhado por um desfasamento tão grande do consumo. O que significa que, apesar estarem a ganhar menos, os mais pobres continuaram a comprar.”

“Entre 1976 e 2006, por cada acréscimo de um dólar no rendimento dos EUA, 58 cêntimos foram captados pelos 1% mais ricos. Isto foi acompanhado pelo endividamento dos mais pobres, com os ricos a investirem mais no sistema financeiro, gerando um circuito que propícia um aumento da especulação.”

In Jornal I

Mudanças? Algures? Onde? Cada vez temos mais pobres e mais ricos cada vez mais ricos!
Pois é, a venda de casas novas de luxo em Portugal disparou 9% de Setembro de 2009 a Setembro de 2010! Crise? Onde? E para quem?

João Rodrigues, investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra:

“Dadas as políticas que estão a ser implementadas, duvido que as desigualdades diminuam.”

In Jornal I

E nada melhor (?) que fechar este texto com a lógica da vida deles num mundo que é, cada vez mais, apenas deles:

“Fórum da Competitividade defende contratos flexíveis para jovens e desempregados para evitar uma intervenção do FMI em Portugal.”

“(…)os empresários chamam atenção para a necessidade de estabelecer dois acordos políticos, um de imediato e de urgência e um outro de médio e longo prazo 2012-2016. Quanto ao primeiro, em que se insere o congelamento salarial,(…)”

In Diário Económico

E como a cacofonia deles consegue ir mesmo longe, eis os pontos que irão(?) conseguir aprovar nos próximos 5 a 10 anos:

* Acordo político de médio-prazo 2012-2016

1. Modernização da constituição

2. Revisão da forma de governo por a promover governos maioritários, alargar as legislaturas para cinco anos e reforçar o estatuto do Ministro das Finanças
(…)
6. Reformulação das políticas de Pensões

7. Reformulação da política de atribuição de subsídio de desemprego e de reinserção

8. Revisão da legislação de defesa da concorrência

9. Modernização do mercado de trabalho

10. Eliminação do monopólio dos sindicatos na contratação colectiva

11. Redução acentuada da tributação sobre o trabalho

12. Regulação equilibrada da Lei da Greve

In Diário Económico

Alguém por acaso viu por aí alguma proposta que vise diminuir o fosso entre os ricos e os pobres?
Acham que são estas as soluções para a crise que estamos a enfrentar?

E é assim um mundo que é deles, feito à medida deles, onde tudo funciona em prol deles… esperem, ainda existem algumas coisitas que precisam de ser aprimoradas de forma que todas as coisas funcionem ainda melhor direccionadas para o mundo que vai acabar por ser só e apenas deles e para eles!

Notícia da Agência Financeira – Fundo europeu chega para todos: risco de colapso do euro é «zero»
Notícia do Público – Presidente do banco central alemão diz que o fundo de apoio ao euro pode ser aumentado
Notícia do Jornal de Negócios – Comissão Europeia quer duplicar dimensão do fundo europeu de emergência
Notícia do Jornal de Negócios – Governo alemão diz que reforçar fundo de emergência europeu “não se coloca”
Notícia do Jornal de Negócios – “A ajuda da Alemanha tem limites”
Notícia do Dinheiro Digital – Bundestag vota OE2011 com 2º maior endividamento de sempre
Notícia do The Wall Street Journal – How Europe’s Massive Rescue Fund Could Fall Short
Notícia do Jornal I – FMI. Fosso entre ricos e pobres esteve na origem da crise financeira
Notícia do Diário Económico – Empresários pedem contratos flexíveis para evitar o FMI

E Tubarões aos Magotes a Meterem a Cabeça de Fora

Presidente do BCP aplaude medidas do governo. Patrões contra a redução dos benefícios fiscais. Bancos retiram clausulas abusivas no crédito à habitação. Bancos vão dar contribuição ao Estado com novo imposto. “Dormi mal, mas se não tomasse as medidas não era capaz de dormir”. “Medidas decididas com um aperto no coração”. Políticos são como o vinho, e de momento não prestam. Europa puxou as orelhas ao governo. Eurogrupo defende mais medidas “ambiciosas”. BCE, Comissão Europeia e Eurogrupo aprovam as orientações do governo. Ministro das Finanças anuncia mais reformas estruturais. Governo espera crescimento de 0,5% para o próximo ano. Economia volta a entrar em recessão já este ano. Economia portuguesa em risco de ficar em recessão até 2012. País mudou de regime com as medidas de ontem

Está lá? Está aí alguém? Hei! Alguém?
Magotes! Magotes deles!

Hoje as “bestas” vieram quase todas à babuje… umas mais tristes(?) e outras muito felizes… são como tubarões que se alimentam das carcaças dos pobres que começam a desvanecer aos magotes…

O primeiro dos tubarões de colarinho branco a mostrar os seus dentes de fome foi o Presidente do BCP, que diz estar muitíssimo feliz com as medidas adoptadas pelo Estado português… tal qual um animal raivoso que caça sempre na sombra e que se alimenta das carcaças dos mais fracos, esta “besta” só poderia estar nas nuvens a gozar um dos dias mais felizes da sua vida. (Isto é um exagero, mas é o que me vai na alma e servirá de tom para todo o artigo)

Carlos Santos Ferreira considera, por isso, que a opção política foi “escolher o menor dos males”, mas já que se assumiu o risco agora há que “manter o rumo, tentar ultrapassar rapidamente esta fase que vai ser uma fase dura para as pessoas e tentar partir para um novo período de crescimento económico e de mais emprego”.

In Dinheiro Digital

Acham normal alguém regozijar-se com o momento que o país está a enfrentar, principalmente quando ele é um dos responsáveis directos por grande parte do que estamos a enfrentar? Acham isso normal? Para mim é apenas o confirmar da anormalidade mental das “bestas”!

E claro, logo hoje, os bancos anunciam a retirada das clausulas abusivas que tinham nos créditos à habitação…
Acham que este timing foi apenas uma coincidência? Se acham que sim… pode ser que um dia achem um pote de ouro no fim do arco-íris.

E o nosso amado e estimado Primeiro-Ministro diz que os bancos também vão dar uma contribuição ao Estado com um novo imposto.
Opá – desculpa-me estar a tratar-te nestes termos – mas nós, o Zé Povinho, já não lhes demos milhares de milhões de euros para os meninos brincarem aos casinos?
Opá, que tal exigir de volta todo o dinheiro que lá foi enfiado e que conduziu (mais depressa) o país até este ponto?
Opá. estou para ver que esse tão afamado futuro imposto – quando todos os outros já aumentaram – irá ainda ter uma clausula que dirá que os meninos bancos, depois de acalmadas as hostes do Zé Povinho, ainda irão ter direito a mais benefícios fiscais… (é apenas o meu dedo mindinho a tilintar)

Ui… e então os patrões que aparecem a nadar na costa a dizer que a redução de benefícios fiscais é uma injustiça.

Associação Empresarial de Portugal, a Associação Industrial Portuguesa e a Confederação da Indústria Portuguesa referem que «não podem concordar com a redução de benefícios fiscais», que, a seu ver, «se justificam enquanto instrumentos de incentivo à competitividade».

In Dinheiro Digital

Mas contem-me lá que incentivos à competitividade foram realmente atingidos por esses benefícios fiscais. Que benefícios temos tido nós, Zé Povinho, de todos os benefícios que foram e são dados à banca? Mais crises financeiras? O aumento de mais impostos para pagar os pacotes de estímulo que estimularam apenas o acelerar em direcção do abismo de Portugal? O quê de positivo têm para mostrar para além de uma folha salarial cada vez mais minguada?
Mas claro, estes também bateram palmas a todas as outras medidas. Porque será?

E temos os nossos políticos “bananas” mais bananas que o normal… Um diz que já mal dormia e o outro que anda com um aperto no coração.
Sabem quem irá ter dificuldades em dormir porque terá de contar os tostões para ver se terá pão até ao fim do mês? Sabem que andará com o coração na mão por ter cada vez menos e ver que os que mais têm continuam a cada vez ter mais? Sabem? O Zé Povinho!
Mário Soares, patriarca da classe dos “bananas” portugueses teve hoje uma tirada que tenho de lhe tirar o chapéu:

“A Europa, infelizmente, está em decadência.”
“Fundamentalmente está por falta de lideranças europeias a sério. Eu penso que os políticos são como os vinhos. Não sabemos porquê. Há boas épocas em que o vinho é esplêndido e outras épocas em que o vinho não presta. Nesta altura nós temos políticos que não prestam.”

In Destak

Qual vinho qual carapuças! Olhem lá bem para baixo da mesa e vejam lá quem anda feliz com tudo isto… vejam bem… vejam bem que mais ganha com tudo isto… vejam bem…
Crise de 2008, pagámos à banca e eles ficaram felizes. Crise de 2009, pagamos nós pelo que pagámos à banca e eles ficam felizes. Há uns que ficam sempre felizes com as desgraças alheias, e são sempre os mesmos… coincidências? Só se for na cochinchina!

Ah!!!… Mas há mais tubarões que se vieram alimentar à babuje…
O Eurogrupo, o BCE e a Comissão Europeia estão felicíssimos da vida porque o Zé Povinho português terá de pagar com a sua fome os desvarios de uma classe de “bananas” e casineiros que andaram a brincar aos monopólios. E ainda… ficamos a saber que deram “tau-tau” ao governo português porque estava a demorar na adopção de tais medidas draconianas contra o Zé Povinho.

Ai soberania, por onde andas tu? Por onde andas Dom Afonsos Henriques? Quem diria que depois de séculos a lutar por uma pátria ela fosse sendo vendida às postas – talvez de cherne – para uns tubarões que apenas de vez em quando mostram os seus dentes… que são sempre os mesmos e facilmente distinguíveis.
Ah!!!… Mas ainda não são suficientes? Diz o Eurogrupo…
Portugal tem ainda de adoptar mais medidas de forma a estimular a competitividade… Outra vez a história da competitividade… competitividade do quê e de quem?
Ah!!!… Baixar ainda mais os salários, reduzir ainda mais os postos de trabalho, exigir flexibilidade horária e de posto de trabalho de forma a que a economia deles seja competitiva e a do Zé Povinho seja cada vez mais um aperitivo para a ânsia de ganância dos tubarões…
Uiiii!!!… O nosso fantasticamente brilhante Ministro das Finanças já ouviu o repto e ainda hoje disse que Portugal vai ter direito a mais reformas estruturais, nomeadamente no mercado de trabalho… Xiiii, ficou com as orelhas quentes e preferiu ter uma boa noite sem insónias do que ter de enfrentar o terror dos tubarões esfomeados…

E qual vai ser o resultado de tudo isto?
A economia vai voltar a entrar em recessão já este ano, talvez até 2012.
Hmmm… Quem mais ganhou com as últimas recessões? Quem ficou feliz com tal cenário? Hmmm…
Upppsss… mas o nosso fantasticamente brilhante Ministro das Finanças diz que Portugal vai crescer 0,5% em 2011… Ai como é bom sonhar com a carochinha, como é bom viver no mundo da cinderela… Poderá alguém dizer a esse senhor que no sistema económico actual um crescimento abaixo de um ponto percentual representa redução da riqueza gerada num país? Isto se a economia crescer(?) 0,5%…
É óbvio que até o maior leigo consegue perceber que o aumento brutal de impostos vai dar raia… uma raia tão grande que daqui a poucos meses estarei de certeza a falar sobre ela… Sabem a raia é um dos poucos peixes com que o tubarão não se mete…

Vou fechar este testamento à decadência do sistema usando palavras do economista Daniel Bessa:

“Portugal “mudou de regime” anteontem à noite com as medidas de austeridade anunciadas pelo Governo e que também acabaram “alguns tabus”.

In Jornal de Notícias

Regime? Com que então mudou de regime?… hmmm…
Não liguem, deve ser apenas a minha mente maléfica a criar um paralelismo com tempos passados, ele está certamente a referir-se a uma dieta…

“Isto foi o fim de um desvario colectivo em que 10 milhões de criaturas pensavam que se podiam endividar à ordem de dois milhões de euros por dia durante 10 anos sem se preocuparem com as consequências”

In Jornal de Notícias

Criaturas? Com que então criaturas? … hmmm…
Não liguem, deve ser a minha mente a lembrar-me das SS alemãs… não liguem…
Mas deixem-me dizer uma coisinha a esta esta “besta”:
Eu não tenho um cêntimo de dívida! Faz bastantes anos que não compro nada a crédito! 10 milhões? Tu talvez estejas enterrado em dívidas de consciência colectiva!

“Estou “aliviado” porque “alguém confessou um grande pecado e está em paz.”

In Jornal de Notícias

Aliviado? Com que então aliviado?… hmmm…
Sabes uma coisa, a maioria não está aliviada nem só um pouquinho… E sabes outra coisa, tu como economista sabes melhor que a maioria quais as verdadeiras causas para o que se está a passar… não apenas aquelas que são fáceis de apontar, as verdadeiras causas!

E é assim tubarões à babuje com Zé Povinho como alimento… há quem se empanturre e há quem vá passar muita fominha apenas para assegurar um sistema económico que já está totalmente desfasado da realidade, que vive num limbo paralelo de especulação e derivados, e alimentar o status quo de uns quantos tubarões que têm mais fome que barriga…

P.S: Peço desculpa pela “violência” imprimida neste artigo, mas por vezes mais vale falar de alma do que fazer cócegas à consciência…

Notícia do Dinheiro Digital – Presidente do BCP aplaude medidas do Governo
Notícia do Público – Bancos retiram cláusulas abusivas no crédito à habitação
Notícia do Dinheiro Digital – OE2011: Patrões contra redução de benefícios fiscais
Notícia do Dinheiro Digital – PM: bancos vão dar «contribuição ao Estado» com novo imposto
Notícia do Jornal de Negócios – Vídeo: “Dormi mal, mas se não tomasse as medidas não era capaz de dormir”
Notícia do Destak – Sócrates: “medidas decididas com um aperto no coração”
Notícia do Destak – Mario Soares diz que os políticos são como o vinho, e de momento não prestam
Notícia do Jornal de Negócios – Eurogrupo defende mais medidas “ambiciosas” para aumentar competitividade de Portugal
Notícia do Jornal de Negócios – BCE, Comissão e Eurogrupo aprovam orientações do Governo
notícia do Diário de Notícias -Europa puxou as orelhas a Portugal e exigiu medidas
Notícia do OJE – Ministro das Finanças assegura reformas estruturais, nomeadamente no mercado de trabalho
Notícia do Diário de Notícias – Economia volta a entrar em recessão já este ano
Notícia do Jornal de Negócios – Austeridade coloca Portugal a caminho da recessão em 2011
Notícia do Diário Económico – Economia portuguesa deve regressar à recessão
Notícia do Jornal de Negócios – Economia portuguesa em risco de ficar em recessão até 2012
Notícia da TSF – Governo espera crescimento de 0,5% para o próximo ano
Notícia do Jornal de Notícias – País mudou de regime com medidas austeras

As Vacas, as Gripes e a Agricultura

Vinte anos depois da crise da BSE, carne volta ao menu de alimentação do gado. Gripe dos porcos (H1N1) nas crianças é tão severa como uma gripe sazonal. Banco Mundial apoia o investimento nas fazendas globais.

Ainda se lembram da crise das vacas loucas?
Pois bem, talvez em breve venhamos novamente ouvir falar dela nas parangonas dos meios de comunicação.

Aproveitando o facto do público em geral já nem se lembrar de tal coisa, eis que as leis que proibiam o uso de carne animal na alimentação de gado foram.. como dizer… Aliviadas?… Ajeitadas?… Reajustadas?…Manipuladas?… Seja lá o que for permitem novamente que o erro que foi cometido há vinte anos possa voltar a ser cometido.

Quem acham que estás por detrás de tal alteração à lei?
Bruxelas!
E diz que:

“(…)qualquer alteração será baseada em ciência sólida, mas que é impossível controlar todos os riscos de que a doença volte a entrar na cadeia alimentar.”

In The Independent

Conclusão: Como o risco de doença da vacas loucas já não é um prioridade então reduz-se o seu controlo de forma a:

“(…)facilitar o controlo de salmonelas e resistência antimicrobiana.”

In The Independent

Podemos então concluir que… é por uma questão financeira que serão diminuídos os requisitos à lei… hmmm…
Se ela voltar em força, o que será muito provável (digo eu), que requisitos financeiros irão servir de justificação para a sua propagação?

Depois um estudo revelou que a gripe H1N1 é tão perigosa nas crianças como uma qualquer gripe sazonal… hmmm… estudo efectuado no pico da crise…

Pergunta:
Mas então e os estudos que levaram a Organização Mundial de Saúde a declarar estado sítio a nível mundial?
Qual dos estudos é o mentiroso?

Uma vez mais somos confrontados com o facto das instituições mundiais serem verdadeiros monstro de ciência duvidosa… e pior… que essas instituições internacionais conduzem constantemente a gastos por parte das nações em favor de interessas privados…
Muitas vacinas foram vendidas… muitas acções de empresas farmacêuticas subiram que nem foguetes nos mercados internacionais… muito dinheiro foi ganho por privados e muito dinheiro foi gasto pelos Estados.

Cada vez mais acho que quando as instituições internacionais abrem a boca é só para dizerem inverdades, ou verdades financeiras…

Pegando na última frase que escrevi, o Banco Mundial, essa instituição cheia de virtudes, está a apoiar os países que estão a vender grandes áreas de terras para a exploração agrícola.

Num estudo apresentado por si, mostra-se ao mundo muito preocupado com os abusos que podem advir dessas políticas, mas rapidamente muda de tom e começa a falar sobre o que realmente quer promover:

“Quando bem feito, a agricultura em larga escala oferece oportunidades para os países mais pobres com grandes sectores agrícolas e com vastas áreas de terras.”

In Financial Times

E a agricultura local, o que lhe acontece?
Nos países mais pobres é a agricultura local que fornece pão para a boca dos pobres…

Continua:

“A recentemente observada magnitude e frequente natureza especulativa da transacção de terras apanhou muitos de surpresa.” (…) “A demanda por terras continua e deverá crescer.”

In Financial Times

Ter-se-ão esquecido de mencionar o facto que quando eles aprovam empréstimos a esses países costumam colocar como obrigatoriedade a abertura dos seus campos agrícolas a investimento estrangeiro? Santinhos…

São rios os das criticas a este pacote de investimento apoiado pelo Banco Mundial… Quase todas as ONGs mundiais criticam fortemente estas políticas, às quais o Banco Mundial responde:

“(…) os países podem receber «benefícios tangíveis» na forma de apoio técnico, financeiro e de reputação internacional.”

In Financial Times

Primeiro gostava de salientar o “PODEM”… quer dizer que alguns PODEM não receber nada desses “benefícios tangíveis”…

Depois os benefícios de apoio técnico… suponho que sejam pagos… não estou a ver o Banco Mundial apoiar algo sem que isso traga dividendos…

Ainda os benefícios financeiros… os quais na sua grande maioria têm significado mais fome para as populações locais… boa forma de capitalizar dividendos… mata-se uns quantos à fome… Facto reconhecido pelo próprio Banco Mundial no estudo que apresentou… inacreditável!

E para fechar, o mais importante de todos os benefícios: A reputação internacional… podiam ter nomeado tanta coisa para justificar os benefícios de tais programas financeiros e foram logo apontar esse… Isso não é um benefício é uma imposição, pois todos os países que se negam a seguir as directrizes do Banco Mundial deixam de conseguir angariar dinheiro nos mercados internacionais…

Este foi uma acto de publicidade para esconder o facto de quase todos os investimentos que têm sido feitos, principalmente em África, terem tido o aval do Banco Mundial… É quase inacreditável a capacidade hipócrita que estas instituições conseguem ter para continuar dessa forma a manter o apoio dos Zé Povinhos do mundo ocidental, que são quem contribui para muitos desses planos que têm um nome pomposo mas que na sua essência apenas servem os interesses de alguns investidores privados…

Enfim…

P.S: É sempre curioso verificar que este tipo de relatórios costuma sair logo a seguir a uma revolução popular algures nas áreas em que o Banco Mundial anda a investir… desta vez foi Moçambique que teve lugar pelos escaparates do mundo…

Foi mais um bloco de notícias que retractam parte da realidade que se vive no nosso mundo, um mundo pintado com as cores deles e delas…

Notícia do The Independent – Meat back on menu for animal feed 20 years after BSE crisis
Notícia da Bloomberg – Swine Flu in Children Found to Be No More Severe Than Seasonal Viruses
Notícia do Financial Times – World Bank backs investment in global farmland
Notícias de Apoio:
Notícia do The Guardian – Fears for the world’s poor countries as the rich grab land to grow food
Notícia da Reuters – Egypt signs deal to allow farmland access in Sudan
Notícia da Afrik News – Ethiopia: Fear expressed over India’s massive land grabs in Gambela
Notícia do The Oakland Institute – Press Release: The Great Land Grab

As Fórmulas dos Contos de Fadas

Nove Estados membros propõem a alteração da fórmula que contabiliza a dívida pública. Estados membros criticam o orçamento da Comissão Europeia.

Antes de entrar na notícia propriamente dita, dizer que até agora essa notícia saiu em Portugal inteligentemente “recortada” de alguns parágrafos fundamentais para o Zé Povinho conseguir compreender o que está a ser proposto… é nos detalhes que estão os segredos e sem eles até parece outra coisa…

Com que então nove Estados membros propõem a retirada das contas da dívida pública dos valores dos seus sistemas de pensões… hmmm…
Pergunto:
“Que raio de dívida será então contabilizada se das contas for retirado parte dos pagamentos que os Estados têm de realizar?”

Já não nos chega o emaranhado de fórmulas que distorcem a verdadeira profundidade dos números, e ainda se propõe começar a retirar parte dos custos das contas da dívida pública de forma a dar um ar mais cor-de-rosa às contas escondendo parte da dívida?

A dívida pública polaca subirá até aos 59,3% do PIB em 2011, ficando este ano pelos 53,9%, de acordo com as contas da Comissão. (…) Se fosse isentada a dívida atribuível ao sistema de pensões faria baixar a percentagem para 35% até 2014, de acordo com o Ministro das Finanças Jacek Rostowski.

in Bloomberg

É isto que as notícias que têm saído em Portugal não nos dizem. Isto é apenas uma forma de mascarar os números e evitar terem de os controlar, conduzindo a cada vez mais despesismo.

Isto é uma proposta correcta num mundo faz de conta… é uma proposta correcta para o mundo dos dependentes de numerário… é uma proposta que vai ser analisada pela Comissão Europeia. Só o facto de ir ser analisada acho que ajuda a perceber bem qual a natureza dos sistemas políticos que nos governam… alguns deverão estar a pensar:
“Boa ideia! Assim já dá para construir mais três pontes sobre o Tejo, fazer o maior aeroporto da Europa, aumentar os salários de quem trabalha nos institutos públicos e comprar mais submarinos.”

Mas todos os mundos faz de conta acabam um dia por ter de enfrentar a realidade… talvez já não falte muito para tal…

Para além disto, a Comissão Europeia, enquanto quase todos os Estados europeus estão a conter as contas (Pelo menos é o que nos dizem estarem a fazer, mesmo que alguns continuem por baixo da mesa a fazer exactamente o contrário), apresentou mais um orçamento operacional sumptuoso.
Bem, também estão a viver no seu mundinho faz de conta, e nós cá deste lado temos de fazer de conta que somos burrinhos…

Para minha surpresa, alguns representantes de Estados membros ergueram a sua voz em critica perante tal despesismo… será que por lá, por entre todos aqueles “bananas”, ainda existe a espécie cada vez mais rara chamada: “Pessoa democraticamente eleita para representar os eleitores”?

Um bem haja ao mundo da Cinderela, ao mundo do Tio Patinhas, ao mundo da história da Carochinha… um bem haja a todos os mundos faz de conta, principalmente ao mundo das políticas e políticos modernos, vulgo “bananas”…

Noticia do Diário Económico – Estados-membros querem alterar cálculo de dívida pública
Notícia da Bloomberg – Poland, Eight EU States Seek Change in Debt Calculation; Germany Skeptical
Notícia do The Wall Street Journal – EU States Slam Commission Budget

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