Arquivos de sites

Tsunami Económico

Continuação do artigo: Tsunami Nuclear

As certezas da vida moderna foram num pequeno instante colocadas em causa por um terramoto imenso, por um tsunami de dimensões cataclísmicas e por um desastre nuclear.
O Japão, a terceira maior economia deste nosso mundo, ficou de rastos. Quais os impactos para o restante do mundo deste tsunami económico que se está a formar?
Esta é a pergunta que vou tentar parcialmente responder, e escrevo parcialmente porque a amplitude de tal solavanco para a economia mundial tem tantas ramificações que se torna quase impossível de conseguir extrair todos os seus impactos directos e indirectos.

Antes demais, para não variar, muita da informação que iremos ter acesso nos meios de informação generalistas tenderá a fornecer-nos uma visão optimista, na melhor das hipóteses… isto caso os meios de comunicação generalistas sigam com a sua conduta habitual, tal como podemos facilmente constatar neste caso:

Desastres no Japão não causarão recessão mundial, acreditam economistas.
In Deutsche Welle

Mas pior, é que esta informação anda quase esquecida nos meios de informação… e quando escrevo “quase”, estou a ser simpático para com a ausência de análises a este problema, pelo menos nos meios de comunicação em língua portuguesa.
Mas seguindo com as palavras dos economistas optimistas:

Wolfgang Leim, acredita que no momento não há perigo de recaída numa recessão. Ele acredita que, como ocorre após grandes greves, a redução provocada pelo cancelamento da produção em alguns setores pode ser recuperada. Parte da produção pode ser deslocada das empresas afetadas para suas unidades em outros países.
O economista-chefe do Unicredit, Andreas Rees, opina que, mesmo havendo um recuo nas atividades econômicas japonesas nos próximos dois ou três meses, este efeito será compensado posteriormente.
O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, (…) o Japão pode até mesmo experimentar um boom econômico, comparável ao dos Estados Unidos na década de 1930, durante o “New Deal” do presidente Franklin Roosevelt.
In Deutsche Welle

Quase tudo positivo e bonito, não é verdade? O Japão vai recuperar num instante, o mundo não sofrerá consequências e isto até poderá mesmo representar um “boom” económico para o Japão. Estarão estas noções correctas? Porque razão quase só deram voz a noções positivas? Será isto uma vez mais informação tendenciosa, a quase regra da informação presente nos meios de comunicação generalistas? A ver vamos, mas os indicadores…

Quais os impactos para o sistema económico, para as energias e para o crescimento económico deste mundo?

O desastre na terceira economia do mundo é um factor inesperado que veio baralhar todos os outros que estavam previstos e descontados por analistas e mercados financeiros.  (…) está agora em risco não só o crescimento económico no Japão e na Ásia, como também a nível global. Para além do drama humano, começam-se a fazer cálculos económicos, após os efeitos imediatos da destruição de cidades, infra-estruturas rodoviárias e ferroviárias, fábricas, bens de consumo duradouro, campos agrícolas e fontes energéticas.
Também serão severamente afectadas as relações comerciais com os seus principais parceiros, nomeadamente a China que é o seu principal fornecedor. Não só se quebrará parte da procura nipónica para as suas cidades e fábricas na parte norte do país (no cenário futuro de reconstrução esta situação será fortemente invertida), como as exportações serão menores, com os efeitos que tudo isto acarreta a montante e a jusante.
In Diário Económico

Comecemos então pelo sistema económico:

Weinberg questiona se as pessoas afectadas pelo desastre irão pagar as suas hipotecas, os seus créditos e as dívidas dos seus cartões de crédito.
Ele afirma: “Poderemos assistir aos bancos a terem de assumir perdas em parte do seu portefólio de empréstimos.”
In CNBC

Esta é uma questão de análise tão simples no entanto nem sequer tem sido identificada pela grande maioria dos meios de comunicação generalistas.
Que perdas terão de ser assumidas pela banca japonesa que está intimamente ligada à banca mundial?
Sabemos que o Banco Central japonês já injectou mais de 300 mil milhões no mercado. Terá de injectar quanto mais para “salvar” os portfolios dos seus bancos? E a inflação que daí resultará?

A economia japonesa, já enfraquecida, talvez já mesmo em recessão antes da calamidade, irá ficar ainda mais fraca.
In New York Times

Portanto, é quase uma inevitabilidade o Japão entrar em recessão, Japão que representa aproximadamente 6% do PIB do mundo…6%! Se o Japão entrar em acentuada recessão o que irá acontecer ao crescimento no mundo? Sabem, em matemática 1+1=2, e neste caso é igual a uma provável recessão…

“Uma acentuada desaceleração no PIB do mundo, na segunda metade deste ano, é algo que não pode ser descartado.”
In The Globe and Mail

Num mundo já assolado pela crise no petróleo, pelas “revoluções” no Norte de África e Médio Oriente, pela alta da inflação na Ásia e nos mercados emergentes, pelas crises do crédito e descrédito com a banca, e pela dívida monumental que assola as economias desenvolvidas do mundo, tem agora de se juntar a isso tudo a crise de fundo no Japão.

Analistas dizem ser possível que as consequências venham a ser sentidas pelo mundo na forma de inflação mais elevada, diminuição no crescimento, ou num choque potencial para o sistema financeiro.
In The Washington Post

Porquê uma aceleração da inflação?

Especialistas em logística afirmam que o terramoto expôs pontos fracos críticos para uma vasta gama de negócios comerciais, tal como para as indústrias electrónicas e de produção automóvel.
In The Wall Street Journal

Uma aceleração na inflação porque o Japão representava quase 40% das exportações de componentes electrónicos para o mundo. A destruição das áreas costeiras japonesas levou com elas tanto as centrais nucleares como outras centrais geradoras de energia eléctrica, assim como muitas fábricas produtoras. O Japão não tem actualmente capacidade geradora de energia eléctrica para alimentar todo o seu tecido produtor, nem tal será exequível num espaço de tempo inferior a seis meses. O mundo terá de encontrar novos fornecedores, ao mesmo tempo em que a oferta diminui, o que fará inevitavelmente disparar o preço dos bens… preço que daqui a uns meses estará reflectido no mercado para os consumidores.
E há outro factor que está a ser recorrentemente “esquecido”… o Japão tenderá a passar de economia exportadora para uma economia importadora de forma a conseguir reabilitar as infra-estruturas que ficaram destruídas, assim como para conseguir aumentar a sua produção de energia através dos métodos convencionais, petróleo e carvão, que irão ser mais um dos factores a criar pressão inflacionária sobre o mundo. O Japão irá aumentar a pressão da procura sobre matérias-primas que já estavam sobre pressão na produção, e em vários casos, até mesmo em declínio, o que criará uma vaga inflacionária sobre o mundo.

Para além de que esta falta de componentes já estar a arrasar com parte da economia mundial:

Na quinta feira passada, a General Motors Co. tornou-se no primeiro produtor de automóveis a ter de encerrar uma fábrica por causa da crise no Japão.
In The Wall Street Journal

Desengane-se quem pensar que será apenas um problema para as fábricas de automóveis… Quase todas as indústrias que necessitam de componentes electrónicos estão a ser afectadas de forma violenta, levando que a maioria das fábricas produtoras no mundo estejam a reduzir a produção de modo a tentar evitar a todo o custo a paragem, e a tentarem arranjar tempo para encontrar novos fornecedores num mercado já de si espremido.

Mas existe um problema que poderá vir a ser mesmo uma bomba atómica para a economia mundial:

As suas corporações e bancos estão imensamente interligadas com o mundo e fazem parte do tecido que liga a economia global.
In The Washington Post

O Japão foi o segundo maior comprador de bilhetes do Tesouro americanos, e comprou em Janeiro mais de 20% (…) da dívida emitida pelo Fundo de Estabilidade do Euro para financiar os países em dificuldades na periferia do Euro.
In The Globe and Mail

O Japão é um dos maiores e mais activos financiadores das economias mundiais. O Japão é o segundo maior detentor de dívida americana e um dos maiores de dívida dos países europeus. Se actualmente já é tão difícil para a maioria dos países encontrarem financiadores para a sua dívida, o que irá acontecer daqui para a frente com o quase desaparecer do Japão do mercado enquanto comprador?

“As suas poupanças irão agora ser redireccionadas, directa ou indirectamente (através da aquisição de títulos japoneses), para a reconstrução, estes fundos deixarão de estar disponíveis para financiar economias estrangeiras.”
In The Globe and Mail

Mas há ainda pior… e se o Japão tiver de vender os seus investimentos em dívida dos outros países de modo a conseguir financiar a sua reconstrução?

O iene ganhou terreno durante toda a semana ao dólar – o oposto que se poderia esperar. Mas as companhias japonesas e investidores estiveram a fazer retornar o seu dinheiro para o território japonês, de modo a conseguirem pagar os imensos custos de reparação.
In New York Times

O Japão poderá vir a vender parte dos seus investimentos em dívida estrangeira, incluindo dívida dos Estados Unidos, para financiar um aumento da despesa depois do maior terramoto registado no país ter deixado milhões sem electricidade e sem água, de acordo com a Brown Brothers Harriman & Co.
In Bloomberg

Este é o terceiro factor de pressão inflacionária directamente ligado aos problemas que afectam o Japão. Mais dólares e mais euros entrarão no mercado se o Japão começar a vender os títulos de dívida de países estrangeiros. Eis o porquê do desespero dos bancos centrais das sete economias mais fortes do mundo andarem que nem doidos a vender ienes de modo a tentar controlar uma implosão das moedas mundiais.
Se o Japão começar a vender dívida de terceiros o mundo económico irá mais que provavelmente explodir em inflação e em contracção económica.

E o que fará este mundo casineiro e bananeiro quando tiver de enfrentar pelos cornos estes problemas?
O mesmo que tem vindo a fazer até aqui (Já o está a fazer)… irá imprimir dinheiro para tentar acolchoar a queda, acção que irá aumentar e agravar as pressões inflacionárias sobre o mundo… que irão por si ajudar a contrair ainda mais fortemente a economia mundial…

E falta juntar a todos estes tópicos a cereja no topo do bolo.
Se acontecer um desastre nuclear tipo Chernobyl no Japão, como se afigura cada vez mais provável? Pois é… todos estes factores tenderão a ser exponencializados N vezes… e a seguir será apenas o início do fim há muito anunciado…

Conclusão:
Japão papão em apagão… apagão que já se estende a todo o mundo… e inflação que irá papar tipo comilão aquele mundo que julgava estar desenvolvido… mas desenvolvido poderá ser apenas um desenvolver em marcha-atrás… atrás daqueles sonhos que são na realidade mais pesadelos, criados por homens que se julgavam superiores ao planeta… mas este planeta é vida, e a vida não se padece com sonhos de crescimento eterno… e de inflação em inflação iremos chegar até ao porto da desgraça em que seremos violentamente consumidos pela onda de um tsunami económico que engolirá todo este mundo… de eterno… e ilusório… crescimento.

Notícia do The New York Times – Certainties of Modern Life Upended in Japan
Notícia do Deutsche Welle – Desastres no Japão não causarão recessão mundial, acreditam economistas
Notícia do Diário Económico – Godzilla existe!
Notícia da CNBC – Nikkei Losses to Double: Economist
Notícia do The New York Times – A Crisis That Markets Can’t Grasp
Notícia do The Globe and Mail – Global economy faced with a new recession
Notícia do The Washington Post – Japan earthquake’s aftermath: Economists more pessimistic about long-term impact
Notícia do The Wall Street Journal – Crisis Tests Supply Chain’s Weak Links
Notícia do The New York times – Stress Test for the Global Supply Chain
Notícia da Veja – Catástrofe no Japão pode mudar planos de montadoras
Notícia da Bloomberg – Japan May Sell U.S. Treasuries After Earthquake, Brown Brothers’ Thin Says

A Favor da (in)Sustentabilidade do Euro

Ernst & Young aponta para recessão em Portugal. OCDE: Corte nos salários pode ser inevitável. Forte diminuição do rendimento das famílias explica quebra no IRS. Nações periféricas enfrentam declínio acentuado na qualidade de vida. Wall Street tem lucros recorde em 2009/2010. BCE considera aumento de capital para combater crise da dívida.

Mais uns dias passados inundados em informação contraditória, muita dela puramente ilusória e outra parte verdadeiramente demagógica…

Começo pela Ernst & Young que diz que Portugal vai entrar em recessão em 2011.
Dizer o contrário é que é ser verdadeiramente radical – como alguns dos “bananas” que nos tentam governar-, pois é mais que evidente que um crescimento acima de 2%, que é o mínimo para contrabalançar a inflação estatística num ano normal na Zona Euro, é algo quase possível apenas saído de um conto de fadas.
E para juntar ao rol:

“A banca portuguesa está frágil de saúde e, caso fique pior, o Estado pode ser obrigado a intervir no sistema financeiro.”
In Diário Económico

Não andámos meses, senão mais de um ano, a ser bombardeados com a noção de que a banca nacional era sólida e resiliente? Pelos vistos foi apenas mais uma daquelas verdades mentirosas que esta demo-cracia usa para controlar o pensar do seu Zé Povinho…
Depois a noção de inevitabilidade do Estado TER de INTERVIR caso a banca passe por dificuldades.
O Estado que intervenha na salvaguarda do dinheiro dos depositantes, que deixe cair os bancos maltrapilhos – quase todos -, fazendo dessa forma um “reset” ao sistema e limpando de uma vez só o lixo que emana e vive de lá e por lá! – sonhar não faz mal… mas todos sabemos que irá ser exactamente ao contrário, a não ser que…
Gostava ainda de salientar o número 0,7% aventado pela Ernst.
Ou andam todos com a mesma máquina de calcular de bolso, ou então falam de cor… Estes 0,7% é o que a comunidade internacional de uma forma agrupada acha que Portugal irá contrair. Vindo dos mesmos locais que têm constantemente falhado com os números económicos e macroeconómicos nos últimos anos, esta convergência mais cheira a texto decorado que a contas feitas… mas “prontos”, sou eu que sou má língua…

Saindo da Ernst e entrando na OCDE:

“Apesar de «estar em curso» uma «ligeira retoma», a Zona Euro «regista desequilíbrios económicos, orçamentais e financeiros importantes». E, nos países com um défice mais acentuado, o caminho para a recuperação poderá passar «inevitavelmente» pelo corte de salários.”
In Agência Financeira

Mais uma inevitabilidade que as instituições internacionais incitam como solução para conseguir combater o excesso de endividamento do Estado causado principalmente pelo vício ao jogo da banca…
Fico sempre com a sensação de texto decorado… de todos os quadrantes, de todo o tipo de instituição internacional, de tantas mentes que dizem pensar, a única e quase exclusiva solução avançada para restabelecer a vitalidade das economias que estão agarradas à máquina é a redução dos salários e dos benefícios sociais dos Zé Povinhos… e é verdadeiramente consensual esta ideia, tão consensual que mais me parece debitar de um texto do que o explanar de verdadeiras convicções.
Quem o andará a escrever?
Isso deixo para vocês…

E como há sempre outro lado para todas as histórias:

“A crise económica ditou uma queda dos rendimentos de muitos trabalhadores, provocando uma diminuição da receita líquida que, apesar do aumento do imposto, continua no vermelho.”
In Diário Económico

Esperem lá… mas então o aumento de impostos não ia contribuir para o aumento das receitas do Estado?
Porque estamos a assistir a uma diminuição?
Qual a razão para as mesmas instituições, a par dos mesmos “bananas” de sempre, falarem de cor, seguindo a voz de comando de vá lá saber-se de quem… ?
Portanto, o aumento dos impostos levou à contenção dos gastos das famílias, que conduziu e conduzirá à redução das vendas na economia, que levou e levará a ainda mais despedimentos, o que emperrará cada vez mais acentuadamente as receitas com os impostos.
Quem andará a ganhar com isto, pois nem o Estado português nem o Zé Povinho beneficiam?
Isso deixo para vocês…

E como tal:

“As nações sobreendividadas da periferia da Europa enfrentam um declínio acentuado nos seus níveis de vida, maior que o que a Grã-Bretanha enfrentou durante a 2ª Guerra Mundial.”
“O Centro de Pesquisa Económica (CEBR) diz que para manter o euro na sua forma actual, os gastos com o consumo terão de ser diminuídos em 15%, ou mais, na Irlanda, Grécia, Espanha, Portugal e Itália. Coloca a percentagem de sobrevivência do euro em 1 para 5.”
In The Independent

Ah!!! Agora já compreendi!!!
Para salvar o euro as economias periféricas fragilizadas terão de ver o seu consumo interno cair 15% ou mais para o euro sobreviver na sua forma actual!!!!
Ah!!! Por isso é que estão a aumentar os impostos e a tomar opções económicas que são puramente recessivas e castradoras do consumo!!!!
De forma a salvar o euro… de forma a salvar os bancos europeus que se aninharam no euro, nós, os Zé Povinhos da periferia da Europa teremos de enfrentar uma contracção no nosso nível de vida provavelmente superior a 15% nos próximos anos?!?!?!?!?!?!?
Sabem uma coisa… peguemos nas bestas que nos (des)governam, construamos-lhes uma jangada e larguemo-los à deriva algures no oceano, porque é à deriva que eles nos estão a deixar…

Enquanto isso, no outro lado do oceano, Wall Street está em festa – yeahhh, Yupppiiii, AaAA -, pois os seus queridinhos, os bancos que lhe dão a alma e a côr, bateram todos os recordes já registados de lucros num só ano.
Este não é o mesmo mundo, pois não?
Terão eles viajado para a lua e por lá estendido arraial de forma a conseguirem estar tão felizes quando o resto do mundo anda a contar os tostões da crise???
Sabem, o melhor talvez seja também construir uma jangada para eles, mas nesta colocar-lhe uns foguetes e mandá-los mesmo para a lua, porque se já por lá vivem por lá podem e devem ficar!!!!
Mas como fui logo direitinho aos meios insultos (as verdades), vou agora colocar aqui sucintamente os números da alegria deles, os mesmos números que para nós são uma verdadeira desgraça de miséria…
Os queridos banquinhos de Wall Street: Goldman Sachs Group Inc., JPMorgan Chase & Co., Bank of America Corp., Citigroup Inc. e Morgan Stanley, que receberam conjuntamente 135 mil milhões do pacote de ajuda, pago pelo Zé Povinho americano, para sobreviverem, irão este ano apresentar, no mínimo, um lucro de 128 mil milhões em conjunto…
Sabem, esse lucro é do Zé Povinho americano e devia ser confiscado de forma a criar um pacote de ajuda ao americano em dificuldades… Não foi o Zé Povinho que os foi ajudar quando eles disseram estar em dificuldades?!?!?!?!? Exijam o mesmo tipo de ajuda!!!!!
E por cá também!!!!!

E para fechar, o BCE está a pensar fazer um aumento de capital para combater a crise.
Mas que crise?!!?!??!?!?
Ainda a semana passada queimaram 147 mil milhões de euros por excesso de liquidez no mercado e hoje pensam realizar um aumento de capital?!?!?!?!?!?!?
Mas estão a gozar com quem?!?!?!?!
Mais dinheiro dos Zé Povinhos da Europa??!?!?!?!?!?
Mas que grandes montes de bosta mentirosa e viscosa!!!!!

Conclusão:
A recessão de 2011 mais não será que um plano programado para ajudar à sustentabilidade de um sistema euro que em quase nada beneficia os Zé Povinhos e que tem sido ouro sobre azul para aqueles que pouco ou nada acrescentam à elevação social… as mentiras e os textos decorados continuam a ser a lógica funcional de uma classe de homens que vive lá, na lua, de tão distante que está da realidade dos Zé Povinhos…
Eles não são humanos, são verdadeiramente viscosos, pois vivem, não pela humanidade, mas a favor da (in)sustentabilidade de um meio de troca que é a mais pura das imagens da desumanidade!

Notícia do Diário Económico – Ernst & Young aponta recessão a Portugal
Notícia da Agência Financeira – OCDE: corte nos salários pode ser «inevitável»
Notícia do Diário Económico – Forte diminuição do rendimento das famílias explica quebra no IRS
Notícia do The Independent – Fringe nations face huge cuts to living standards
Notícia da Bloomberg – Wall Street Sees Record Revenue in ’09-10 Recovery From Bailout
Notícia do Yahoo Finance – Wall Street Profits, Bonuses Set to Soar: Why It’s Too Late to Turn Off the Spigots
Notícia da Reuters – BCE considera aumento de capital para combater crise de dívida
Notícias de Apoio:
Notícia do Oje – BCE retira 147 mil milhões do mercado por excesso de liquidez

Negligência Crónica Sustentada Por Ganância Desmedida

Excerto do livro de Gordon Brown: Negligência crónica sustentada por ganância desmedida. BCE e financiadores lutam pelo destino do euro. Alemanha emite dívida mas não vende tudo. Economista alemão aconselha Espanha a sair do euro. Economista da EIU defende que a Irlanda deve sair do euro. BCE retira 147 mil milhões do mercado por excesso de liquidez.

Foram dois dias carregados de pequenas e grandes indicações para o nosso futuro…

Fiquei especialmente surpreendido –  quase comovido (lol) – com as palavras de Gordon Brown no seu livro:

“Um novo sistema financeiro global amplamente desregulado foi desenvolvido nos 20 anos que antecederam a crise e, num mundo cheio de riscos em que remunerações financeiras excessivas funcionaram às expensas do capital que os bancos necessitavam, criámos um novo fenómeno económico: CAPITALISMO SEM CAPITAL.”

“Se em 1990 tivesse dito que os fluxos globais de dinheiro, que na altura se cifravam nos 600 mil milhões de dólares por dia, iriam duplicar acompanhando o crescimento da economia, as pessoas talvez acreditassem em mim, mas se tivesse dito que esses fluxos iriam crescer mais de 2,000%, poucas iriam achar isso possível. Na realidade aconteceu algo muito maior: um aumento de 6,600% nos fluxos financeiros globais, de tal forma que por Abril de 2010 representavam 4 BILIÕES AO DIA.”

“Submersa na bruma estava uma quase invisível e desregulamentada rede bancária que crescera em volume até se transformar em MAIS DE METADE DO SISTEMA, e que operava deixando ao largo as regras e os procedimentos usuais.”

“Depois essas práticas espalharam-se até aos bancos comerciais, e num ápice todos sabiam que a prioridade era, citando as famosas palavras do Presidente do Citibank, Chuck Prince: «Continuar a dançar enquanto a musica durar».”

“O caso Lehmans revela que bem no coração dos grandes bancos mundiais havia a cultura de PRÁTICAS FINANCEIRAS POUCO ÉTICAS, que iam até ao topo da hierarquia, com o seu conluio, perdão e recompensa. Não era nada mais que NEGLIGÊNCIA CRÓNICA SUSTENTADA POR GANÂNCIA DESMEDIDA. Fiquei furioso ao descobrir que outros bancos também USAVAM DE FORMA NEGLIGENTE O DINHEIRO DOS SEUS CLIENTES PARA ESPECULAR.”

“(…) Estas histórias confirmam o que se passou um pouco por todo o mundo com outros bancos: que existia demasiada alavancagem (dívida) e falta de capital no sistema bancário. Também confirmam que a tomada de riscos era prioridade basilar acima do imperativo da protecção do capital dos bancos.
Assim sendo, regularmente pagamentos e bónus sobrepuseram-se à necessidade de capital. MODELOS DESEJUSTADOS DE ANÁLISE DOS RISCOS ERAM COMPLEMENTADOS POR UM PERVERSO SISTEMA DE INSENTIVOS QUE MAXIMIZAVA OS RISCOS EM VEZ DE OS MINIMIZAR.”

“Não eram os banqueiros que assumiam os riscos mas o governo – e as pessoas – a quem confiámos a segurança do risco, frequentemente com baixas perspectivas de retorno. Mesmo quando contribuintes por todo o mundo estavam a perder em resultado da sua negligência, os banqueiros continuaram a clamar que os grotescos bónus que gozavam eram essenciais para o sector bancário e de interesse público.”

“Agora podemos detalhar precisamente os custos da excessiva remuneração às expensas de capitalização adequada. Sabemos agora que, SE OS BANQUEIROS BRITÂNICOS TIVESSEM PAGO A SI PRÓPRIOS MENOS 10% POR ANO ENTRE 2000 E 2007, teriam mais capital, mais 54 mil milhões de euros, aproximadamente, para os ajudar a resistir à crise. A descapitalização dos nossos bancos era de 54 mil milhões, e foi a soma exacta disponibilizada pelos contribuintes para a estabilização de emergência do nosso sistema bancário.”

In The Guardian

Acham que mudou alguma coisa de ontem para hoje?
Acham que os “casineiros” deixaram de ser verdadeiros mafiosos e passaram a ser pessoas de bem e com princípios?
Se acham que sim… Banco Central Europeu e financiadores lutam pelo destino do euro – no The New York Times:

De um lado está o Banco Central Europeu, que está a gastar milhar de milhões para sustentar o cambaleante mercado de títulos e salvaguardar a moeda comum.
Do outro estão os fundos e as grandes instituições financeiras que estão a APOSTAR CONTRA OS MESMOS TÍTULOS, e por inerência, contra o Banco Central, o mais poderoso símbolo da união monetária na Europa.”

In The New York Times

Mudou alguma coisa?
transformaram-se?
OBVIAMENTE QUE NÃO!!!! É A MESMA SEITA DE SEMPRE!!!

E para contextualizarmos isto tudo um pouco melhor… hoje ficámos a saber que a Alemanha emitiu 5 mil milhões de dívida e não a conseguiu vender toda porque A PROCURA FOI INFERIOR À OFERTA. (Bela comparação com Portugal em que oferta é sempre algo do outro mundo)
Dois pontos a salientar:
1º- Os fundos e grandes instituições financeiras não estão interessados na segurança proporcionada pelos títulos de dívida da Alemanha.
2º- O BCE não compra títulos da Alemanha, por consequência a Alemanha não consegue emitir toda a sua dívida.
Está alguma coisa a mudar no comportamentos dos “casineiros”?
NÃO! Os dividendos no imediato são a sua quase e única lógica funcional… o risco desmedido e a destruição do sistema que os alimenta…

E assim começam a surgir cada vez mais vozes nos nossos meios de comunicação social – ou estes estão a começar a dar-lhes espaço – que (hoje) aconselham a saída da Espanha e da Irlanda do euro de forma a contornarem a crise criada por negligência crónica sustentada pela ganância desmedida dos “casineiros”. (Não podia estar mais de acordo… e para Portugal)

E gostava de fechar com a notícia dos “casinos” a desfazerem-se de fichas de euro que têm a mais.
Hoje saiu uma quase obscura e minúscula notícia no jornal Oje:

“O Banco Central Europeu (BCE) retirou hoje do mercado 147.046,5 milhões de euros devido a excesso de liquidez, divulgou hoje a instituição.
O BCE informou que retirou todo o dinheiro que lhe ofereceram os 139 bancos comerciais que participaram na operação.”

In Oje

Não estamos nós constantemente a ser bombardeados com a noção de falta de liquidez no sistema?
139 bancos comerciais são representativos de grande parte do sistema bancário europeu… são representativos de grande parte dos mesmos “casineiros” que andam a combater o Banco Central Europeu e o euro.
Porquê estarem 139 bancos comerciais e o BCE a “destruir” 147 mil milhões de euros?
INFLAÇÃO! PARA CONTROLAR A INFLAÇÃO!
O problema desta medida é que o sistema bancário anda realmente com falta de liquidez – devido à negligência crónica sustentada por ganância desmedida dos “casineiros” e do sistema financeiro criado para os seus derivados…
e quando, nesta fase, o BCE “queima” 147 mil milhões de euros – um pouco mais de metade do PIB de Portugal – é porque a coisa chamada inflação pode estar a tomar proporções alarmantes… e este tipo de medidas pode conduzir ao estrangular final da liquidez nos mercados… e aí meus senhores? Hiperinflação!

Conclusão:
“Casinos” e “casineiros” são os mesmos e iguais a outrora, só que agora brincam ao sistema… brincam com o sistema que lhes alimenta a negligência crónica sustentada por ganância desmedida…
Até quando?

Notícia do The Guardian – Gordon Brown book extract: Chronic recklessness powered by unchecked greed
Notícia do The New York Times – Central Bank and Financiers Fight Over Fate of the Euro
Notícia da Agência Financeira – Alemanha emite dívida mas não vende tudo
Notícia do Diário Económico – Economista alemão aconselha Espanha a sair do euro
Notícia do Jornal de Negócios – Economista da EIU defende que Irlanda deve sair do euro
Notícia do Oje – BCE retira 147 mil milhões do mercado por excesso de liquidez

A Cacofonia Num Mundo Que é Deles

Fundo europeu chega para todos e risco de colapso do euro é zero. Presidente do Banco Central Alemão diz que o fundo de apoio ao euro pode ser aumentado. Comissão Europeia  quer duplicar a dimensão do fundo de emergência. Governo alemão diz que aumentar o fundo de apoio não se coloca. A ajuda da Alemanha tem limites. Bundestag vota o orçamento de 2011 como o segundo maior endividamento de sempre. Como um monumental fundo de apoio se pode revelar escasso. FMI: Fosso entre ricos e pobres esteve na origem da crise financeira. Empresários pedem contractos flexíveis para evitar o FMI.

Fiquei confuso e zonzo só de escrever o parágrafo de “apresentação” das notícias que servem de base a esta dissertação. Verdadeira cacofonia de intenções, desejos e desígnios.

Começando pelo início…
Hoje, o responsável pelo Fundo de Estabilização, Klaus Regling, disse-nos que o fundo de apoio às economias europeias é suficientemente grande para garantir a solvabilidade de todos os Estados membros, e que o risco para o euro é zero.

Também hoje, o Presidente do Banco Central Alemão e que faz parte do conselho de administração do Banco Central Europeu, e principal candidato à sucessão do actual Presidente do BCE, diz-nos que os governos europeus podem vir a ampliar o fundo caso seja necessário.

Ainda hoje, é-nos dito que a Comissão Europeia está a envidar esforços para que o fundo de apoio, no valor de 440 milhões, venha a ser duplicado.

Continuando, hoje, o porta-voz do ministro alemão das finanças alerta-nos que a expansão do fundo de apoio é algo que nem se coloca.

E uma vez mais hoje, o porta-voz dos assuntos económicos da bancada parlamentar da CDU de Angela Merkel, reafirma que a ajuda da Alemanha tem limites.

Mas a quantas ficamos?
Na mesma, talvez mais, o dobro, nem pensar em tal ou vamos fechar a torneira?
A verdadeira cacofonia representativa da vitalidade democrática da União Europeia!
É óbvio que estou a “gozar” com esta situação, tal a díspar não confluência de opiniões, ainda para mais quando emanam quase todas da Alemanha e de alemães, exceptuando a posição “colectiva” da Comissão Europeia. Assistimos à quase incrível diferença de opinião do Banco Central Alemão e do Banco Central Europeu (representado pelo responsável do fundo), quando as suas sedes são quase porta com porta e os membros mais importantes do Banco Central Alemão quase todos terem assento no Banco Central Europeu. Juntamos as posições expressas pelo governo Alemão e obtemos tal cacofonia que só eles, num mundo que é deles conseguirão compreender.

Mas como tal confusão poderá ser “consumida” pelo comum dos leitores como apenas divergência de opinião, nada melhor que dizer que hoje também soubemos que o mesmo governo alemão que diz “nem pensar a mais despesismo”, apresentou uma proposta de orçamento para o ano de 2011 que é a segundo mais despesista da História na Alemanha.
Mais cacofonia?
O país que mais exige que todos os outros países cortem e recortem os seus orçamentos, que se vende aos Zé Povinhos da Europa como sendo o rei no controlo das despesas públicas, eis que faz exactamente o aposto ao que exige e ao que apregoa!
Será apenas uma divergência de opinião? Talvez…
Pois é, estas “divergências de opinião” no seio da classe dos “bananas” que nos (des)governa usualmente são mais que meras divergências, digamos antes que são mentiras “pontuais recorrentes”, ou “jogadinhas no xadrez do engano”.

Qual das afirmações destacadas neste texto ir-se-á revelar verdadeira?

E como ainda podem estar confusos ou em dúvida em relação às “mentiras pontuais recorrentes, ou jogadinhas no xadrez do engano”, que tal analisar os números reais, os verdadeiros números do fundo de apoio às economias europeias:
– Apregoado 750 mil milhões de euros, sendo que 1\3 vem do FMI, ou 250 mil milhões, e o restante, 500 mil milhões, da União Europeia.
– Dos 500 mil milhões da União Europeia, 440 mil milhões vêem do fundo recentemente criado e 60 mil milhões de outro “instrumento” já anteriormente orçamentado pela UE para tais contingências
– O fundo de apoio está classificado como AAA, ou triplo A, classificação que requer que 40% do seu valor fique cativo em dinheiro, ou seja, não pode ser emprestado. Assim chegamos a um valor disponível total de 250 mil milhões por parte da União Europeia, aos quais juntamos os 60 mil milhões anteriormente destacados, e ficamos com 310 mil milhões de euros disponíveis para empréstimo… não os badalados 500 mil milhões de euros… sempre são menos 190 mil milhões de euros, quase a quantia somada dada à Grécia e à Irlanda…
– Os 250 mil milhões disponibilizados pelo FMI estão e estarão sempre sujeitos à aprovação dos países pertencente ao FMI (Grande parte do mundo). Quem nos garante que, a determinada altura, não dizem finito, no more, acabou-se?
E se for necessário mais de 250 mil milhões, irão dizer “ok” uma vez mais sem mais nem menos?
Pode ser que sim, mas pode ser que não…

Portanto, esta é só mais uma das cacofonias com que nos bombardeiam de forma a ficarmos cada vez mais confusos e percebermos menos a sua história… ou seja, é uma cacofonia num mundo que é deles…

E já que coloquei o FMI no seio das cacofonias que o mundo deles nos dá a conhecer.. que tal demarcar a fabulástica conclusão que:

O crescimento do fosso entre ricos e pobres esteve na base da crise financeira actual e da Grande Depressão dos anos 30. Segundo um estudo feito pelos técnicos do Fundo Monetário Internacional (FMI), há uma relação causa/efeito entre uma maior desigualdade na distribuição de rendimentos e a criação de condições para o surgimento de uma crise financeira. Processos que ocorreram nos anos 20, antes da Grande Depressão, e agora, antes da explosão da crise financeira.

In Jornal I

Esperem lá! Esta não é a mesma instituição que apela à redução dos apoios dos Estados aos mais pobres, às privatizações dos centros económicos nevrálgicos dos Estados – água, electricidade, etc. (como exemplo) – que conduz ao aumento das tarifas pagas pelos pobres?
Não é a mesma instituição que “obriga” que as fronteiras comerciais entre países sejam abolidas, medidas que invariavelmente conduzem ao aumento do desemprego?
Cacofonia? Também?!?!
Pois é, a cacofonia é mesmo a forma de vida num mundo que é deles!
Por acaso alguém por aí vê governos a aprovarem medidas que ajudem a diminuir o fosso entre pobres e ricos?
Acham que esta crise vai passar ou continuar a agravar-se?

“Nos Estados Unidos, entre 1920 e 1928, o rendimento detido pelos 5% mais ricos aumentou de 24% para 34%. Entre 1983 e 2007, esse indicador passou de 22% para 34%. Ao mesmo tempo, o nível de endividamento dos restantes 95% da população praticamente duplicou nos dois períodos pré-crise.”

“Apesar da qualidade de vida da população ter continuado a melhorar na década de 70, grande parte dessa melhoria foi alicerçada na alavancagem, isto é, no crédito. A partir de 1970, os ganhos reais anuais dos 10% norte-americanos mais ricos subiram mais de 70%, ao passo que os dos 10% mais pobres caíram cerca de 60%. Para os restantes 80%, o rendimento desceu ligeiramente. Ainda assim, o aumento substancial da desigualdade de rendimento entre os dois extremos não foi acompanhado por um desfasamento tão grande do consumo. O que significa que, apesar estarem a ganhar menos, os mais pobres continuaram a comprar.”

“Entre 1976 e 2006, por cada acréscimo de um dólar no rendimento dos EUA, 58 cêntimos foram captados pelos 1% mais ricos. Isto foi acompanhado pelo endividamento dos mais pobres, com os ricos a investirem mais no sistema financeiro, gerando um circuito que propícia um aumento da especulação.”

In Jornal I

Mudanças? Algures? Onde? Cada vez temos mais pobres e mais ricos cada vez mais ricos!
Pois é, a venda de casas novas de luxo em Portugal disparou 9% de Setembro de 2009 a Setembro de 2010! Crise? Onde? E para quem?

João Rodrigues, investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra:

“Dadas as políticas que estão a ser implementadas, duvido que as desigualdades diminuam.”

In Jornal I

E nada melhor (?) que fechar este texto com a lógica da vida deles num mundo que é, cada vez mais, apenas deles:

“Fórum da Competitividade defende contratos flexíveis para jovens e desempregados para evitar uma intervenção do FMI em Portugal.”

“(…)os empresários chamam atenção para a necessidade de estabelecer dois acordos políticos, um de imediato e de urgência e um outro de médio e longo prazo 2012-2016. Quanto ao primeiro, em que se insere o congelamento salarial,(…)”

In Diário Económico

E como a cacofonia deles consegue ir mesmo longe, eis os pontos que irão(?) conseguir aprovar nos próximos 5 a 10 anos:

* Acordo político de médio-prazo 2012-2016

1. Modernização da constituição

2. Revisão da forma de governo por a promover governos maioritários, alargar as legislaturas para cinco anos e reforçar o estatuto do Ministro das Finanças
(…)
6. Reformulação das políticas de Pensões

7. Reformulação da política de atribuição de subsídio de desemprego e de reinserção

8. Revisão da legislação de defesa da concorrência

9. Modernização do mercado de trabalho

10. Eliminação do monopólio dos sindicatos na contratação colectiva

11. Redução acentuada da tributação sobre o trabalho

12. Regulação equilibrada da Lei da Greve

In Diário Económico

Alguém por acaso viu por aí alguma proposta que vise diminuir o fosso entre os ricos e os pobres?
Acham que são estas as soluções para a crise que estamos a enfrentar?

E é assim um mundo que é deles, feito à medida deles, onde tudo funciona em prol deles… esperem, ainda existem algumas coisitas que precisam de ser aprimoradas de forma que todas as coisas funcionem ainda melhor direccionadas para o mundo que vai acabar por ser só e apenas deles e para eles!

Notícia da Agência Financeira – Fundo europeu chega para todos: risco de colapso do euro é «zero»
Notícia do Público – Presidente do banco central alemão diz que o fundo de apoio ao euro pode ser aumentado
Notícia do Jornal de Negócios – Comissão Europeia quer duplicar dimensão do fundo europeu de emergência
Notícia do Jornal de Negócios – Governo alemão diz que reforçar fundo de emergência europeu “não se coloca”
Notícia do Jornal de Negócios – “A ajuda da Alemanha tem limites”
Notícia do Dinheiro Digital – Bundestag vota OE2011 com 2º maior endividamento de sempre
Notícia do The Wall Street Journal – How Europe’s Massive Rescue Fund Could Fall Short
Notícia do Jornal I – FMI. Fosso entre ricos e pobres esteve na origem da crise financeira
Notícia do Diário Económico – Empresários pedem contratos flexíveis para evitar o FMI

A Máquina Infernal

Portugal é o próximo cliente da máquina infernal da UEE. Mercados dizem que o salvamento da Irlanda foi um falhanço, devido à falta de transparência. Clube da bancarrota: Irlanda sobe ao 3º lugar. Mercados prevêem recurso de Portugal à ajuda internacional. Portugal e Irlanda são casos muito diferentes.

E aí vamos nós no 3º acto da novela: “gasto aquilo que não tenho e peço emprestado aquilo que não posso pagar”.
Depois do Lehmans e da Grécia, temos um terceiro acto totalmente preenchido com a Irlanda.
Irá ser o 4º acto dedicado a Portugal?
Aquando da queda da Grécia, a maioria dos analistas apontava Portugal como sendo a estrela para o 3º acto da peça, e conseguimos que a Irlanda nos roubasse o papel principal.
Conseguiremos que Espanha ou Itália, ou mesmo os Estados Unidos (dólar) nos roubem o protagonismo antecipado pela esmagadora maioria dos analistas?
Irá a Espanha ser consumida pela sua bolha imobiliária ou pela sua monumental dívida das regiões?
Irá a Itália, que tem passado quase despercebida, cair porque as suas contas e corrupção são uma imagem fidedigna da Grécia mas em escala incomparavelmente superior?
Os próximos seis meses o dirão…

Por enquanto, enquanto os nossos meios de comunicação para as massas continuam a fingir (na maioria das situações) fazer jornalismo “à séria”, temos de nos contentar com a explicação da nossa real realidade nas palavras de quem cá não está, nem tem responsabilidade cívica para o fazer: Ambrose Evans-Pritchard, a figura de proa da secção de economia do inglês The Telegraph.
Serão os nossos jornalistas assim tão mentalmente manipuláveis?
Até prova em contrário, estão a sê-lo!

Aos números do nosso Portugal:

Antes de lá entrarmos, vou primeiro escrever sobre a retórica que está a ser usada e abusada por quase todos os quadrantes político-bananeiros para descrever a situação de Portugal em relação à Irlanda e à Grécia, ou seja, aquilo que está servir de defesa a Portugal:
Olli Rehn, comissário europeu dos Assuntos Económicos e Monetários (apenas como exemplo de um dos intervenientes que anda a usar a retórica “programada”):

“A «natureza dos problemas» da Irlanda é «muito diferente» da dos problemas portugueses.”

In Sol

Agora sim os números e as palavras de Ambrose Evans-Pritchard:

“Os Portugueses estão confusos – e feridos – que os investidores possam sequer comparar o seu país com a Grécia ou Irlanda. Temo que muito em breve tenham de enfrentar alguns factos muito pouco agradáveis.”
“Enquanto a maioria dos líderes europeus, que encontram conforto no facto da Grécia ser um caso especial porque trapaceou os números, e que a Irlanda é um caso especial porque permitiu que os seus bancos entrassem num frenesim de empréstimos, ainda não reconheceram a verdade mais profunda em que a União Europeia destabilizou insidiosamente grande parte da Europa e aprisionou vários países (quase) inocentes numa depressão.”

In The Telegraph

Estes parágrafos estabelecem o tom para a descrição da nossa real realidade, não apenas aquela realidade (?) que nos anda a ser transmitida aos bochechos pelos nossos malfadados meios de comunicação social.
E assim chegamos ao rol dos números dispostos em sequência:
Défice externo:
2010: 10,3%
2011: 8,8%
2012: 8%
(Dados da OCDE)

Como criar riqueza no país do mundo desenvolvido com o maior défice externo?
Este défice será pago com empréstimos… este valor é o verdadeiro valor da dívida da República, não as contas manipuladas e manipuladoras do défice das contas públicas (também mas não só).
O problema maior é que a torneira dos empréstimos a Portugal pode fechar a qualquer momento… e depois?
Bem… depois…
FMI:

“Quanto mais tempo se mantiver este desequilíbrio, maior será o risco que a correcção seja repentina e angustiante.”

In The Telegraph

E como estamos na fase das comparações dizendo que Portugal é substancialmente diferente da Irlanda e da Grécia, que tal analisar essas diferenças por este prisma:
A Irlanda irá ter um superavit de 0,7% em 2011 e 3,2% em 2012.
Somos realmente diferentes!

Dívida pública:
Dívida da República: 86% do PIB (A oposição no bananal diz ser 122%)
Dívida Privada: 239% do PIB (Em 2008 – A maior no mundo)

As comparações com a Grécia e a Irlanda:
Grécia com 126,8% do PIB (Estado) e Irlanda com 101%… em 2014!
Como no endividamento privado somos reis, e no público andamos lá por perto… sim, as diferenças são realmente significativas para pior

A Banca, o mercado de trabalho e o mercado imobiliário:
A banca portuguesa e o mercado imobiliário são realmente as principais diferenças entre Portugal, Irlanda e Grécia.
A banca portuguesa foi menos “brincalhona” no mercado da especulação, mesmo assim o seu endividamento externo ascende em média a 40% dos seus bens, e se a torneira dos empréstimos fechar…
É-nos dito que a legislação do mercado de trabalho em Portugal é a mais rígida na Europa e que os apoios sociais representam 22% do PIB.
Este é provavelmente o único ponto que discordo em todo o texto do Evans-Pritchard.
Gostava de destacar que a Noruega, que tem um sistema social muito mais pesado para o erário público do que o português, e uma legislação laboral ao nível de Portugal, é a nona classificada no ranking mundial da competitividade. A culpa não é da legislação, é da forma como os impostos não foram e não são canalizados para a economia do Zé Povinho, ainda para mais quando a Noruega é o país do mundo em que a desigualdade entre os quadros superiores e os inferiores é a menor, aproximadamente 1 para cada 4 euros.
O mercado imobiliário é também uma diferença. Em Portugal ainda não estoirou, volto a frisar… AINDA não estoirou. Os indicadores mais recentes começam a apontar para que tal venha a suceder, como a brutal contracção que o sector das obras públicas tem vindo a registar, agravado no último trimestre para uma queda de 16,4% nas novas encomendas!

Depois Pritchard pega numa afirmação do nosso incontornavelmente brilhante Ministro de Estado e das Finanças que disse: “Se Portugal não fizesse parte da UEE o risco de contágio seria menor”, para escrever:

“Senhor, se Portugal não fizesse parte da União Europeia, certamente não estaria nesta situação. O país, no início dos anos de 1990, tinha um superavit na sua balança de transacções. Foi impelido pelas ilusões do não risco da EEU até a uns vermelhos 109% do PIB. Se a sua moeda ainda fosse o escudo, nunca teria conseguido acumular tanta dívida externa, e agora teria a capacidade de reganhar riqueza com uma taxa de câmbio inferior.”

“A origem desta crise vem desde a fatal decisão de entrar para a União Europeia 20 anos mais cedo do que devia. Depois Lisboa falhou com um controlo insuficientemente das políticas fiscais e de endividamento de modo a contrabalançar uma queda nas taxas de juro de 16% para 3%, de forma a conseguir entrar para a UEE – se é que é possível contrabalançar um erro monetário em tal escala.”

Portugal viu a sua competitividade ser destruída pelo «boom», e nunca mais conseguiu recuperar. O país tem desde então vivido num estado de permanente declínio por causa de uma moeda Teutónica que está constantemente a exacerbar os desafios. Perdeu incontáveis indústrias de baixa tecnologia para os rivais chineses e da Europa de Leste mais rápido do que as industrias de alta tecnologia que conseguiu criar.”

Portugal tem, de certa forma, sido uma vítima a EEU, uma casualidade das ideologias, dos bons ideais, e de teorias académicas não comprovadas de laureados com prémios Nobel sobre a eficiência das uniões monetárias.”

In The Telegraph

Pouco mais à a acrescentar que dizer que o que ele escreveu é quase proibido nos nossos meios de comunicação social, tal o silêncio degradante que continuamos a vivenciar, e usou apenas a lógica e contas de somar… 1+1=2… nada que necessite de um curso ou saber de predestinado para ser desenvolvido… fez um verdadeiro trabalho de jornalista mais profundo do que os que por cá vivem… no mínimo desprestigiante para a classe que vive em Portugal (digo eu)…

Para o ano que vem:
4% do PIB serão consumidos pelo aperto fiscal e assistiremos a uma contracção da economia em 1,4%. (OCDE)
A dívida total deverá ficar nuns incomensuráveis, inacreditáveis, absurdos 325% do PIB!!!!!!!
Acreditem, isto é mesmo diferente dos casos irlandês e grego, mas para pior!

Agora talvez seja mais fácil de compreender o porquê dos mercados terem pura e simplesmente respondido que o resgate da Irlanda não vale de nada, com o risco da dívida irlandesa a continuar a subir na tabela, assim como o de Portugal e da Espanha.
Agora é certamente mais fácil de compreender que estamos num beco sem saída, que nos próximos seis meses iremos entrar no grupo das soberanias totalmente vendidas e dependentes de terceiros, que o nosso sistema bancário irá ser varrido por essa maré, assim como o nosso mercado imobiliário. Então, nesse dia, talvez as diferenças entre Portugal, Irlanda e Grécia venham a ser apenas: Somados todos os indicadores é Portugal que está em pior situação…
E depois?
Bem, depois…a máquina infernal da União Económica Europeia irá continuar a funcionar tipo monstro aglutinador de tudo e todos…

Notícia do The Telegraph – Portugal next as EMU’s Máquina Infernal keeps ticking
Notícia do Sol – Portugal e Irlanda são casos muito diferentes, diz comissário
Notícia do Sol – Mercados prevêem recurso de Portugal à ajuda internacional
Notícia do The Telegraph – Ireland bail-out: Markets brand rescue package a failure due to lack of detail
Notícia do Expresso – Clube da bancarrota: Irlanda sobe ao 3º lugar
Notícias de Apoio:
Notícia da Bloomberg – Most Competitive Economies 2010
Notícia do Jornal de Negócios – Irlanda compromete-se a reduzir défice para 9,25% em 2011
Notícia do Economia & Negócios – Dívida pública da Grécia atingiu 126,8% do PIB em 2009
Notícia do Público – Joseph Stiglitz põe a hipótese de Portugal ou Espanha falirem
Notícia do IOL – Dívida pública total ficou acima de 108% do PIB em 2009
Notícia do Público – Portugal vai ter o maior défice externo da OCDE no próximo ano

ONU Mundo Deles

Os custos da importação de alimentos irão este ano suplantar em 1 bilião o ano de 2009, diz a ONU. Preço dos alimentos poderão aumentar até 20% em 2011, avisa a ONU. China irá subsidiar alimentos depois do recente aumento dos preços. O novo plano de Abu Dabhi para a segurança dos bens alimentares. Alterações climáticas e doenças irão causar novas crises alimentares. FMI reduz o peso do dólar e do Yen no cesto do SDR. China avança contra a liquidez para reduzir a inflação. Trichet: Juros podem subir antes de terminarem as ajudas à banca.

Tal como ontem, vou quase ignorar as crises das finanças públicas, que já estão a ter (quase) a devida exposição nos meios de informação para as massas, e focar a minha atenção em algo que julgo ser muito mais preocupante e verdadeiramente mais perigoso: a inflação e o preço dos alimentos.

Hoje foi um dia em cheio para decantar muitas das tendências que irão moldar o ano que aí vem, e os seguintes.

A nossa querida, amada e estimada ONU veio a terreiro expor as suas conclusões em relação ao preço dos alimentos praticados hoje, o que espera para amanhã e quais as suas causas primárias.
Para quem anda apenas a reboque daquilo que é dito nos meios de comunicação para as massas, poderá estranhar algumas coisas que irei escrever lá mais abaixo. Para quem já deixou de consumir a informação para as massas como a verdade absoluta, servirá apenas de clarificação das tendências futuras.

A ONU prevê:

– “Os custos da importação de alimentos irão este ano suplantar em 1 bilião o ano de 2009.”
– “É pouco provável que os efeitos do aumento dos preços fiquem contidos nos seus respectivos sectores, porque muitos destes bens servem de pasto principal aos sectores de criação de gado e dos biocombustíveis.”
– “Em relação aos cereais mais importantes, a produção terá de se expandir substancialmente para suprir a demanda e recuperar as reservas mundiais.”
– “Devido a estas causas, os consumidores poderão não vir a ter outra opção para além de pagar preços mais elevados pelos seus alimentos.”

In Bloomberg

A maior parte da informação exposta neste excerto é de simples conclusão e análise para todos. Gostava apenas de salientar como estes tipos da ONU conseguem ser irracionais, ignorantes e verdadeiramente estúpidos nas suas análises, julgando que todos nós somos tão ou mais estúpidos que eles de forma a engolir as suas mensagens publicitárias!
Com que então assumem pela primeira vez que uma das principais causas para o aumento do preço dos alimentos está directamente relacionada com o sector dos biocombustíveis!
Mais abaixo voltarei a esta causa…

Continuando…

– “Preço dos alimentos poderão aumentar até 20% em 2011.”
– “O preço do trigo, do milho e de muitos outros alimentos transaccionados internacionalmente cresceram até 40% no espaço de apenas alguns meses. Os preços do açúcar, da manteiga e da mandioca estão em valores máximos de 30 anos, e a carne e peixe estão ambos significativamente mais dispendiosos do que no ano passado.”
– “Inflação dos preço dos alimentos, alimentada pela especulação, a vaga de calor na Rússia e transacções nos mercados de futuros.” (…)
– “Os pobres são quem mais irão sofrer porque sentem directamente o efeito do aumento do preço dos alimentos.”

In The Guardian

Mais informação que ajuda a desenhar parte do nosso futuro, uma boa parte com valor verdadeiramente importante, como a noção da inflação do preço dos alimentos estar apenas a ser causada pela especulação.
Mais abaixo aprofundarei esta questão.

Alguns países estão já a entrar em “estado de choque” em relação ao aumento do preço dos alimentos, tal como a China e em Abu Dhabi nos Emiratos Árabes Unidos.
Sinal dos tempos que estão para chegar?
Para mim, mais do que sinais, a evidência que algo está verdadeiramente a mudar.

Voltando à ONU…
Quais as principais causas que irão colocar em causa a produção alimentar?

– “Alterações climáticas, especulação, biocombustíveis e o aumento da procura na Ásia são os factores que irão levar a um aumento exponencial dos preços no ano que vem.”
– “Além de conduzir ao aumento da inflação em Inglaterra e no mundo ocidental, outro episódio de hiperinflação no preço terá terríveis implicações para as pessoas mais pobres do planeta.”
– A produção terá de aumentar substancialmente (…) O principal obstáculo identificado para o aumento da produção alimentar é o potencial económico das explorações para biocombustíveis e as explorações não alimentares.
– “Efeitos adversos do clima são indubitavelmente um dos principais factores na quantidade das safras de trigo e, com as alterações climáticas, poderão vir a ser cada vez mais recorrentes.”
– “Não subsistem dúvidas que as actividades especulativas trouxeram grande volatilidade ao mercado, mas não existem provas que a especulação tem conduzido ao aumento dos preços até níveis não antes vistos.”

In The Independent

Antes demais, peço desculpa pela quase desconexão do texto até este ponto, mas acho que era por demais importante expor a informação divulgada pela ONU tal como a encontrei. Serve de exemplo de como o copy\paste praticado na maioria dos casos para a divulgação de informação nos meios de informação generalistas é por vezes trocado por divulgação em formato de puzzle: várias secções da mesma história espalhadas por várias fontes, onde só lendo a totalidade das fontes se consegue ter uma ideia mais concreta da informação que está a ser veiculada.
Este é um método que encontro ser recorrente para muita da informação veiculada pela ONU… vá lá se saber o porquê…

Depois desta pequena explicação, voltando à ONU e aos alimentos…
Pegando um pouco atrás gostava de relembrar que a ONU diz que no espaço de meses o preço de alguns bens aumentou mais de 40%, mas que a sua previsão para o ano que vem é de 20% de aumento… hmmm
Gostava também de relembrar que a ONU disse que mais episódios de HIPERINFLAÇÂO terão resultados dantescos nas economias.
Gostava de vincar que o preço dos alimentos é o valor mais importante para a contabilização da inflação…

Portanto, nas palavras da ONU, as causas são, os biocombustíveis – que são imensamente subsidiados pelo mundo ocidental, o mesmo mundo que governa a ONU -, a especulação – que segundo as palavras da ONU, não existem provas que comprovem o seu impacto nos preços… talvez porque a grande maioria dos especuladores sejam parte integrante do mundo ocidental, o mesmo mundo que governa a ONU -, o aumento da procura por parte da Ásia – área do mundo em que o mundo ocidental mais tem investido nas últimas décadas, o mesmo mundo  que governa a ONU -, e para fechar, as alterações climáticas que põem em causa a quantidade das safras mundiais.

Conclusão:
– Os biocombustíveis, altamente subsidiados, são uma das principais causas para o aumento do preço dos alimentos. Deixem de os subsidiar!
– A especulação que é acção dos mesmos mercados que estão a levar o mundo à bancarrota. Limitem a acção abusiva dos mercados de capitais sobre o preço dos alimentos!
– As alterações climáticas. Bem, o nosso mundo mudou tanto que secas ou cheias são situações que acontecem apenas agora… Pelas apalavras deles quase se pode chegar à conclusão que o clima foi sempre sinónimo de estabilidade… hmmm…

De todas as causas aventadas, existe uma que, para mim, é apenas a mais relevante e que não é identificada pela ONU, talvez porque tal coisa poria em causa quase todas as causas avançadas para explicar o porquê dos preços estarem a subir tanto.
Vou tentar explicar.
O dólar é a moeda de referência mundial, é a moeda de reserva mundial. Quase todos os mercados de transacção de bens são cotados em dólares, ou seja, esses bens são transaccionados em dólares. Como todos já devem estar a par, o dólar tem vindo a perder valor de forma exponencial, o que conduz ao aumento exponencial dos preços dos bens transaccionados nesses mercados, não pelo aumento da procura mas pela desvalorização da moeda que os transacciona.

Vou tentar explicar de forma simplista o que acontece neste mundo de dólar em desvalorização exponencial:
Eu sou Portugal. Em 2005 comprei 10 dólares com euros, que me custaram, nessa altura, 15 euros.
Hoje, em 2010, vou comprar trigo no valor de 10 dólares mas os mesmo 10 dólares, que comprei em 2005, valem hoje apenas 8 euros, o que quer dizer que os mesmos 10 dólares hoje compram metade do trigo que compravam em 2005, e principalmente como eu, Portugal, paguei 15 euros por esses 10 dólares, terei hoje de cobrar, não o valor do dólar de hoje, mas sim o valor do dólar de 2005 de forma a não ter prejuízo quando for vender o trigo que acabei de adquirir. Ou seja, os 10 dólares de 2005 perderam 50% do valor inflacionado 50% o valor do bem que adquiri em 2010.
Isto é o exemplo nu e cru de muito do que estamos a assistir hoje com o preço dos alimentos, dos bens de uma forma geral, e que terá tendência a ganhar contornos de cada vez maior gravidade, porque o governo americano (Reserva Federal) continua a injectar milhar de milhões de dólares no mercado na forma de pacotes de estímulo à economia.
Talvez não seja mal pensado dizer aos senhores da ONU que nem todo o mundo é tão estúpido ao ponto de acreditar nas suas constantes inverdades, por vezes puras falsidades e muitas da vezes verdadeiras inversões.

Para nos ajudar a compreender um pouco melhor esta situação… O FMI reduziu o peso do dólar e do Yen no cesto do SDR (O peso que cada moeda tem no mercado internacional, medido pela força das suas economias).
Ora mas que raio?!??!? Perguntará quem faz contas… mas a economia da zona euro não tem sido a que mais tem contraído nestes últimos anos, quando comparada à economia americana e chinesa?
Porque raio irão dar mais peso ao euro em comparação com uma redução do peso do dólar e do yen no cesto?
Simples, digo eu, o euro é a moeda, das três, que menos tem desvalorizado.
Já ouviram falar no jogo dos espertinhos? Este é um belo exemplo… usam a moeda que tem desvalorizado menos, mesmo que tenha um peso nas transacções mundiais incomensuravelmente inferior ao dólar e esteja a perder cada vez mais terreno para o yen, de forma que a inflação apresentada pelo FMI, para os vários mercados de bens no mundo, seja menos expressiva… O mundo dos espertinhos, não é verdade???

Ah! Também o BCE começa a dar os primeiros passos para combater o temor da inflação:

“O presidente do Banco Central Europeu alertou hoje que os juros podem subir, mesmo que permaneça em vigor o programa de cedência de liquidez à banca.”

In Jornal de Negócios

Esperem lá! Mas estando a Grécia, a Irlanda, Portugal, a Espanha e a Itália, sem falar noutros, tão dependentes das taxas de juro praticadas pelo BCE para conseguirem angariar liquidez para as suas economias, Trichet vem a terreiro dizer que as taxas de juro podem subir mesmo antes de terminar o apoio às economias titubeantes da Europa?
Ólálá, temos aqui contraditório… como ajudar as economias mais frágeis com juros mais altos se são esses mesmo juros altos que as estão a estão a queimar em lume brando?
Estará o BCE a querer dizer que é preferível que os Estados mais frágeis da UE sofram ainda mais, possam mesmo colapsar, e pior, terem até de sair da moeda única de forma que os países mais ricos da UE e o euro consigam sobreviver, sem ter e terem de passar por um processo inflacionário escalante?
O tempo o dirá, mas os sinais que começam a ser dados…

Notícia da Bloomberg – World Food-Import Costs Will Exceed $1 Trillion on Higher Prices, UN Says
Notícia do The Guardian – Food prices may rise by up to 20%, warns UN
Notícia do The Independent – Climate change and disease will spark new food crisis, says UN
Notícia da Associated Press – China to subsidize food after price spike
Notícia da Reuters – Abu Dhabi’s new plan for food security
Notícia da Bloomberg – IMF Reduces Weighting of Dollar, Yen in SDR Basket
Notícia do Jornal de Negócios – Trichet: Juros podem subir antes de terminarem ajudas à banca

%d bloggers like this: