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Os Antípodas da Realidade que nos é Pintada…

Nos antípodas da realidade que nos é pintada (à força) estão a Islândia e a Grécia, ou Portugal, ou a Irlanda, ou a Espanha, ou a Itália, ou os outros que obviamente se seguirão, a não ser que o mundo “acorde”. Desses antípodas é-nos continuadamente dito, transmitido, exclamado, escrito, proclamado de forma descomplexada que a presença de um país no euro é essencial, vital, importante, inquestionável, positivo, entre outros adjectivos, de tal forma que a esmagadora maioria do Zé Esquecido (povo) é esmagado pela sua própria incapacidade critica em relação à relação de promiscuidade existente entre os poderes políticos, económicos (casinos) e aqueles que deviam ter a função de informar. Chega a ser cómica a forma como o mundo nos é pintado pelos meios de comunicação generalistas, pelos seus pseudo-experts, pelos seus comentaristas de banca(da), tal a forma tendenciosa/silenciosa, pretensiosa e insistentemente quase ignorante como aborda os temas centrais que afectam o nosso dia-a-dia, o nosso futuro mais próximo, o nosso real futuro daqui a uns anos.

Islândia. Quantas vezes nos últimos anos ouvimos, lemos, vimos na televisão falar dela?
Porquê o continuado silêncio em relação ao que se passa na Islândia?

Quando em 2008 emergiu a crise dos mercados de crédito, os três maiores bancos comerciais islandeses colapsaram. O rating da dívida da Islândia caiu a pique até ao nível de lixo. O valor da sua moeda, a krona, desvalorizou-se acentuadamente e entrou numa profunda recessão económica.
In Marketwatch

Não foi a Islândia o primeiro país a cair por culpa da crise de 2008?
Se foi, porque razão desapareceu dos escaparates da comunicação que nos fazem chegar (à força) a nossas casas, às nossas mentes?
Porquê? Alguma razão terá de existir…

Na sexta-feira, a Fitch subiu o rating da Islândia de BBB- para BB+. A subida marca a passagem da dívida da Islândia de lixo de volta para nível de investimento. Ao mesmo tempo, a Fitch declarou as expectativas económicas para a Islândia como estável, algo que era visto como inatingível há três anos.
In Marketwatch

Wow! Mas o que fez de diferente a Islândia para andar em contra-ciclo com a Europa do euro?
O que fez a Islândia para fazer da desgraça que a envolveu em 2008 forças para se reerguer?

(…) os islandeses reconheceram imediatamente que tinham construído uma casa de cartas e tomaram medidas drásticas para recuperar o que fora envolvido, entre outras coisas, nacionalizaram um banco e passaram o controlo dos três maiores bancos para o equivalente a uma comissão de credores.
In Marketwatch

Não parece substancialmente diferente daquilo que foi feito pela Europa fora, não é verdade? Mas cuidado, as aparências iludem…

A estratégia de desvalorização e de controlo de capitais salvou a economia. (…] O país manteve intacto o seu sistema social nórdico e preservou a coesão social. Está novamente calmamente a voltar à prosperidade, mesmo que as dívidas privadas ainda sejam um fardo. (…) O resultado é justificativa para moedas nacionais e bancos centrais nacionais com capacidade para responder a choques.
In The Telegraph

Eis a diferença substancial; (para além do enorme “detalhe” da Islândia ter congelado os pagamentos de dívidas externas dos seus bancos que foram judicialmente consideradas abusivas e lesivas do estado de direito ) o controlo de capitais e a independência. Tudo aquilo que a Grécia, Portugal, entre outros, perderam com a entrada no euro foi o mesmo que salvou a Islândia, não só mas também.
E agora, Srs. dos meios de comunicação generalistas, pseudo-experts e comentaristas de banca(da), qual a justificação para justificar a lenta morte do estado social, o aumento do desemprego, a baixa de salários, a austeridade? Acho que terão de começar a cozinhar outras explicações para justificar o que se apresenta como injustificável.
Sabem uma coisa, a Islândia também adoptou a austeridade, mas foi uma austeridade virada para os interesses do país e não para os interesses dos credores de um país, não em favor dos casinos (banca), não em defesa das elites. E eis o seu resultado:

O desemprego irá cair de 7% no ano passado para 6,1% este ano e para 5,3% em 2013. O défice era de 11,2% em 2010. Irá encolher para 3,5% este ano, e será quase inexistente no próximo ano.
In The Telegraph

Em comparação…

(…) a Grécia está a evoluir para algo sem precedentes na experiência ocidental moderna.  Desde 2009 faliram um quarto de todas as empresas gregas, e metade de todos os pequenos negócios no país dizem não conseguirem cumprir as suas obrigações com os salários. A taxa de suicídio aumentou 40% na primeira metade de 2011. Surgiu uma economia de troca directa, com as pessoas a tentarem viver num sistema financeiro falido. Quase metade da população com menos de 25 anos está desempregada. Em Setembro, organizadores de um seminário patrocinado pelo governo de emigração para a Austrália, o evento tinha tido uma adesão de 42 pessoas um ano antes, foi inundado quando se inscreveram 12.000 pessoas. Os banqueiros gregos disseram-me que as pessoas levantaram um terço do seu dinheiro das contas bancárias; muitos, ao que parece, guardam as suas poupanças debaixo do colchão ou enterram-nas no jardim de casa. Um banqueiro, que hoje em dia parte do seu trabalho é tenatr persuadir as pessoas a deixar o seu dinheiro no banco, disse-me, “Quem pode confiar num banco grego?”
In Business Insider

Quem realmente pode confiar numa comunicação social que se remete constantemente ao silêncio daquilo que é contraditório à verdade que à força desejam passar?
Quem pode acreditar nos pseudo-experts e comentaristas de banca(da) que preenchem as páginas de opinião, a opinião na rádio e na televisão?
A Islândia não é um “case study”, a Islândia é apenas mais um exemplo de como reagir a choques económicos. Este tipo de acção foi anteriormente também tomado pela Argentina -apenas como mais um exemplo-, essa que actualmente cresce 9% ao ano há uma década. E que tal o Equador?

Por cá, pelo nosso burgo de burgueses mentais, as coisas estão como estão… não como na Islândia, infelizmente, pois por cá o silêncio das verdades inconvenientes para as elites é a chave de ouro que sela a ignorância que pauta o estar do seu Zé Esquecido.

Nove meses depois da troika, tudo falha (…) Está a falhar na economia. Ela encolheu 1,5% em 2011. (…) Está a falhar nas contas públicas. O défice em 2011 foi superior, em 1.893 milhões de euros, ao previsto no Orçamento do Estado. Sim, a despesa desceu mais 440 milhões de euros do que estava previsto, mas as receitas ficaram 2.332 milhões de euros abaixo. Dados da Unidade Técnica Orçamental da Assembleia da República. A dívida portuguesa aumentou em quase 20% do PIB entre o terceiro trimestre de 2010 e o mesmo período de 2011. (…) Está a falhar na vida das pessoas. O desemprego atingiu os 13,6 por cento. É a terceira maior taxa de desemprego da OCDE. Em Dezembro, 31% dos jovens portugueses com menos de 25 anos estavam desempregados. (…) Desculpem só ter números para vos dar e faltarem-me as frases mobilizadoras sobre os efeitos regeneradores da austeridade. Está a ser um desastre.
In Expresso

E para os amantes incondicionais das mais valias do euro – sejam elas o que forem…

A taxa de desemprego de 2011, hoje divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), é mais do triplo da registada em 2001.
In Sol

Coincidências com o ano de entrada no euro, apenas coincidências. Também apenas uma coincidência com o ano de perca de autonomia do nosso banco central, apenas coincidência, tal como tantas outras coincidências que irão continuar a ser apenas coincidências porque os nossos meios de comunicação serão incapazes de criar paralelismos entre a realidade de hoje e os efeitos das medidas assumidas desde 2001, porque tal poria em causa a linha condutora do discurso das elites cá do nosso burgo, as suas “verdades” pintadas à força.
Talvez por isso, o Zé Esquecido vá continuando pacificamente a encaixar pontapé atrás de pontapé na lógica da lógica perante uma ilógica que à força se torna lógica. Confuso, pois… tal como isto:

(…) o Estado vai ter que registar nas contas deste ano os 600 milhões de euros que se comprometeu a injectar no banco, antes de o vender ao BIC.
In Diário Económico

Mais 600 milhões retirados do estado social para pagar algo que de benefícios para a sociedade trás zero, ou algo muito próximo disso.
Ah! É agora que se levantam as vozes a dizer: “Mas se não fizéssemos isso os mercados deixariam de nos emprestar dinheiro e entraríamos numa falência violenta!”
Ah! Como uma mentira contada tantas vezes soa tão fortemente a verdade!
A Fitch subiu o rating da Islândia porque as medidas tomadas fizeram decrescer imensamente as probabilidades de quem agora lhe emprestar dinheiro não vir a receber o que lhe emprestou. Ao contrário dos países que se estão a auto-mutilar com medidas que destroem o sua independência económica e o seu tecido social. Quem quer emprestar dinheiro a um país que se auto-mutila a caminho do abismo e destroi o seu tecido social? Emprestam à Islândia ou a Portugal? Talvez à Grécia? A Espanha, Itália? Pois é…

E o que fazer contra este estado de coisas?
Pois…
Estando a elite a dominar e a controlar os meios de comunicação, as bancadas do bananal (parlamento), de mão dada com os casinos (bancos), a coisa não se afigura nada fácil para quebrar as barreiras da ignorância patenteada pelo Zé Esquecido.
Talvez tenha de dar razão a John Holloway, colunista no The Guardian, quando intitula um dos seus artigos desta forma “singela”: “Os gregos mostram-nos como protestar contra um sistema falhado”

A raiva demonstrada nas cidades gregas contra as medidas de austeridade inspira todos os que estão a sofrer em benefício dos bancos e dos ricos (…) Como podemos pedir às pessoas que aceitem docilmente os ferozes cortes na qualidade de vida que as medidas de austeridade implicam? Queremos que eles aceitem que o imenso potencial de tantos jovens seja pura e simplesmente eliminado, com os seus talentos enleados numa vida de desemprego de longo prazo? Tudo isso para que os bancos possam receber o seu dinheiro, os ricos ficarem ainda mais ricos? Tudo isso, apenas para manter um sistema capitalista que há muito passou a sua data de validade, que agora oferece ao mundo apenas destruição? (…) quanto tempo mais iremos ficar a assistir ao aumento das injustiças, a ver os sistemas de saúde serem desmantelados, a educação reduzida até a um nível acrítico, as águas do mundo sendo privatizadas, as comunidades destruídas e o planeta rasgado para o lucro das empresas de mineração? (…) Por todo o lado o dinheiro está a submeter toda a vida humana e não humana à sua lógica, à lógica do lucro. (…) Todos somos gregos. Somos todos sujeitos cuja subjectividade está pura e simplesmente a ser espalmada pelo rolo compressor de uma história determinada pelo movimento dos mercados financeiros. (…) A raiva pode facilmente transformar-se num evento nacionalista, numa raiva fascista; uma raiva que não faz nada para tornar o mundo melhor. Então é importante ser bem claro que a nossa raiva não é uma raiva direccionada aos alemães, nem mesmo uma raiva direccionada a Angela Merkel, ou a David Cameron, ou a Nicolas Sarkozy. Estes políticos são apenas símbolos arrogantes e patéticos do verdadeiro objecto da nossa raiva – o governo do dinheiro, a submissão de toda a vida à lógica do lucro. (…) Por detrás do espectáculo de bancos a arder na Grécia está uma processo mais profundo, um movimento mais silencioso de pessoas que se recusam a pagar os transportes públicos, as contas da electricidade, as portagens, as dívidas aos bancos; um movimento, nascido da necessidade e convicção, de pessoas que estão a organizar as suas vidas de forma diferente, criando comunidades de apoio mútuo e cadeias de bens alimentares, a ocupar edifícios abandonados e terras ao abandono, criando zonas agrícolas comunitárias, voltando para o campo, virando as suas costas aos políticos (que hoje em dia têm medo de aparecer na rua) e criando formas de democracia directa para tomar as decisões sociais. Talvez ainda não seja o suficiente, talvez ainda esteja em fase experimental, mas crucial. Por detrás das espectaculares chamas, é a procura por esta criação de uma forma diferente de vida que irá determinar o futuro da Grécia e de todo o mundo.
In The Guardian

Os Limites do Crescimento

Hoje vou começar pelo fim…

Desde o final da Segunda Guerra Mundial que o mundo tem vivido sobe a égide do crescimento, do PIB. Tem sido quase uma corrida contra o tempo a ver quem conseguia crescer mais e mais depressa – uma loucura. O crescimento passou a ser sinónimo, nas folhas de cálculo dos economistas e nas análises dos políticos, de felicidade e de bem-estar, de riqueza e de prosperidade. Era muito bom que tais cálculos ou análises se baseassem num mundo sem fronteiras, sem barreiras e ilimitado. Mas não o é. O mundo em que vivemos é esférico, tem barreiras, tem fronteiras e é limitado. Logo aqui são colocados em xeque os cálculos do necessário crescimento eterno para sustentar um sistema económico que não está desenhado para encontrar limites.
O crescimento que nós como sociedade temos vivido neste mundo desde a década de 1940 – em média aproximadamente 4,5% ao ano – foi um crescimento que assenta as suas bases numa fórmula matemática que foge ao entendimento da maioria do comum dos habitantes deste planeta; O crescimento exponencial.
Vou tentar explicar isso de forma o mais simplista possível.
– Uma taxa de crescimento de 4,5% em média por década significa que a cada 15 anos o mundo está a consumir aproximadamente o dobro daquilo que consumia há 15 anos de modo a conseguir alimentar esse crescimento – mais petróleo, mais carvão, mais matérias-primas, etc.
– Agora imagine que todos os recursos disponíveis no planeta equivaliam a 100.
– Imagine que na década de 1940 o consumo de recursos no planeta equivalia a 4.
– 15 anos depois, 1955, com o mundo a crescer 4,5%, o consumo de recursos no planeta equivalia a 8.
– Passados outros 15 anos, 1970, com o mundo a crescer 4,5%, o consumo de recursos no planeta equivalia a 16.
– Mais 15 anos, 1985… equivalia a 32.
– Mais 15 anos, 2000… equivalia a 64.
– Mais 15 anos, 2015… equivalia a 128.
(P.S: Uma explicação mais aprofundada do crescimento exponencial está no artigo O Petróleo, a Economia e os 7%)
Mas se este nosso mundo “imaginário” só tem 100 para servir de recursos, como então se adaptarão os cálculos e análises do crescimento, do PIB,  a um número que devia ser 128 para sustentar o tão necessário crescimento que serve de sustento a este sistema económico?
Pois é, pois é… as fronteiras, as barreiras e as limitações existem e estão sempre presentes no nosso mundo real.
Não poderá estar já actualmente o  nosso mundo a chocar de frente com as reais fronteiras, as barreiras e as limitações de um mundo que é esférico e não ilimitado?

Richard Heinberg:

A maré do crescimento económico que nos tem banhado desde a Segunda Guerra Mundial, poderá estar finalmente a perder força. Para os políticos e para a maioria dos economistas, é o mesmo que se dizer que o céu está a cair sobre as nossas cabeças. O crescimento tornou-se o guia e o Santo Graal, o sine qua non da existência económica. (…) o crescimento do PIB é impossível de sustentar a longo prazo, porque vivemos em um planeta com recursos naturais limitados. (…) No mundo “real” da política e da economia, questionar o crescimento é como questionar a gasolina numa corrida de fórmula 1. (…) À medida que as indústrias extractoras foram consumindo o produto que estava mais à mão no mundo do petróleo, carvão, gás natural e outros minerais, e se viraram para qualidades inferiores e, consequentemente para minérios e combustíveis mais dispendiosos, os gestores da economia tentaram preservar o crescimento acumulando dívida com a enganadora crença de que é apenas o dinheiro que faz a economia carburar, não a energia e as matérias-primas. (…) Com tanto os recursos energéticos como o crédito esticados ao limite, significa que poderá simplesmente não ser possível mais crescimento económico nos Estados Unidos e na Europa, independentemente da nossa opinião sobre o assunto. Se os políticos não reconhecerem isto e continuarem a assumir que a actual crise da dívida é apenas outro ciclo normal, então poderemos perder as oportunidades que ainda nos restam para tentar evitar um crash que poderá deixar a civilização de joelhos.
In The Guardian

Neste texto é-nos dito que a nossa sociedade já chocou de frente com os limites do planeta e que esses limites têm sido “escondidos” artificialmente nas contas do crescimento do mundo, no PIB, através da injecção de mais e mais dívida no sistema de forma a tentar encontrar um caminho para uma equação matemática que não levou em consideração limites aquando da sua criação, fórmula que serve de análise à felicidade ao bem-estar, à riqueza e à prosperidade… querem-nos fazer querer, nem que seja à força da mentira.
Qual está então a ser o caminho que os economistas e os bananas [políticos] estão a defender?
Abordar o problema central que afecta o sistema económico -barreiras ao crescimento, ou injectar mais dívida no sistema?

“O Banco do Canadá, o Banco da Inglaterra, o Banco do Japão, o Banco Central Europeu, o Federal Reserve americano e o Banco Nacional Suíço anunciaram hoje medidas coordenadas para ampliar sua capacidade de proporcionar liquidez ao sistema financeiro mundial”, anunciou o BCE.
In AFP

Pois é, pois é…
E então se lermos isto?

«Hoje, o Banco do Canadá, o Banco de Inglaterra, o Banco Central Europeu, a Reserva Federal, o Banco do Japão e o Banco Nacional da Suíça vêm anunciar uma medida coordenada que intenta aliviar as continuadas e elevadas pressões sobre o dólar americano nos mercados de financiamento.»
In Independet.ie

Não, não me enganei e coloquei uma repetição da mesma informação.
Ora, leiam:

Isto foi o que os bancos centrais fizeram ontem mas o testemunho acima foi feito a 18 de Setembro de 2008. Já aqui estivemos.
In Independet.ie

Pois é, pois é… deja vu.
A solução avançada esta semana como sendo a “solução” é nada mais nada menos a mesma “solução” que foi avançada como a “solução” final há três anos. Mesmo que esta “solução” funcione, quantos mais anos acham que ela irá ser solução?

«Desta forma, tal qual viciados, só estamos a comprar tempo. E sem a essencial terapia, só estamos a tornar o tratamento e a recuperação cada vez mais difícil»
In Der Spiegel

Pois é, pois é…
“Solução”? Terapia?
Mas analisemos então a qualidade da “solução” avançada pelos casinos centrais do nosso mundo.

A liquidez do mercado interbancário secou esta madrugada e os bancos tiveram de se socorrer dos empréstimos disponibilizados pelo BCE.
In Jornal de Negócios

Dois dias depois da grande “solução”, eis que o caso se torna ainda mais grave. Estas “soluções” diabólicas avançadas pelos mestres dos casinos com o apoio cego dos bananas e a anuência pela ignorância, ou pela preferência da irrealidade, dos Zé Esquecidos do mundo [povos], faz com que estas “soluções” só agravem o problema e não resolvam absolutamente nada de nada, bem pelo contrário. E quanto mais tempo os Zé Esquecidos continuarem cegamente esquecidos, o seu futuro irá continuar, dia-após-dia, a ser-lhes roubado em virtude de tal cegueira.

O Painel de Avaliação dos Auxílios Estatais da Comissão Europeia (CE) revelou, esta quinta-feira, que “o apoio nacional a favor do sector financeiro de que os bancos efectivamente beneficiaram no período compreendido entre Outubro de 2008 e 31 de Dezembro de 2010 ascendeu, no total, a cerca de 1,6 biliões de euros”, o que corresponde a 13% do PIB comunitário.
In Jornal de Negócios

Por acaso aqueles que ainda têm preferência em acreditar na irrealidade, ou os que desejam ardentemente continuar na ignorância, já pensaram que a crise dos periféricos e as medidas de austeridade adoptadas possam ser “apenas” fruto para dar frutos para alimentar os biliões de euros que estão a ser dados aos casinos que moram na Europa? Já sequer colocaram isso em questão?
Não?

O empenho foi tão grande que o Governo conseguiu transferir o fundo de pensões da banca mais do que uma vez. Transferiu-o uma vez e meia: uma para cá, meia para lá. (…) Não perca o fio à meada: seis mil milhões dos actuais pensionistas da banca estavam aplicados, “a render”, para pagar as pensões ao longo da sua velhice. Esse valor foi transferido para o Estado, em dinheiro vivo e em títulos de dívida pública. A dívida pública eventualmente consolidará (o Estado deve a si mesmo, logo abate a dívida pública); o dinheiro… será gasto. Entra por uma porta e sai pela outra. Voltando à casa da partida: ao banco.
In Jornal de Negócios

Provavelmente esta informação ainda não chegará para que os preferencialmente irrealistas desejem avançar um pouco mais no seu entendimento. Tal como em muitas coisas da nossa vida, há os que precisam primeiro que a casa lhes cai em cima para conseguirem entender que a sua estrutura tinha sido montada sobre mentiras.
E preparem-se, porque tal como em 2008, depois dos casinos centrais do mundo terem avançado para “salvar” o mundo, o mundo dos Zé Esquecidos poderá novamente vir a ser capitulado para salvar casinos que estão a ser “salvos” pelos casinos centrais do nosso mundo. Confuso? Pois é, pois é… é que os casinos centrais do mundo não salvam absolutamente nada, quem é chamado à salvação é o dinheiro dos contribuintes, dos Zé Esquecidos!
E para que tal afirmação não passe de forma ligeira:

Os bancos britânicos poderão vir a pedir mais dinheiro aos contribuintes.
In The Telegraph

Preparem-se que em breve voltaremos a ver o filme que já vimos há uns anos atrás, com as mesmas pieguices, choradeiras e clamores de fim do mundo. Aos que desejam continuar esquecidos e como parte adormecida do Zé Esquecido, desejo um bom assalto à vossa carteira e ao vosso futuro. O problema é que sendo poucos os que já acordaram para as mentiras, também eles terão de pagar pela cegueira amada dessa maioria surda do Zé Esquecido. Enfim, é característica da nossa espécie… a estupidez…

O défice de emprego global atingiu 64 milhões este ano, e serão necessários pelo menos quatro anos para regressar às taxas de emprego pré-crise de 2008, se o crescimento económico global continuar anémico, alertou hoje a ONU. (…) “Três anos depois do desencadear da Grande Recessão, a persistência do elevado desemprego continua a ser o calcanhar de Aquiles da recuperação económica na maioria dos países desenvolvidos”, refere o relatório.
In Destak

Calcanhar de Aquiles, o desemprego. “Soluções” avançadas em 2008 que levaram ao aumento do desemprego. Desemprego que está a conduzir a economia global para a recessão. “Solução” avançada em 2011 para resolver os problemas da economia mundial? A mesma aplicada em 2008 que piorou a situação em quase todos os vectores económicos. Pois é, pois é… daqui a três anos estaremos a falar do quê?
Pois é, pois é… austeridade…

A desigualdade aumenta quando os países usam os cortes nos gastos (…)
In Huffington Post

Vem aí mais austeridade para reduzir os efeitos da massiva injecção de dinheiro fiduciário (papel) no sistema e dessa forma controlar aquilo que poderá vir a ser inflação descontrolada pelo mundo fora. A austeridade está a servir de medida de controlo da inflação e não para controlo das despesas públicas dos estados, pois austeridade conduz ao aumento dos défices…

Como podem os países esperar superar a crise quando retiram dinheiro da economia através de mais impostos, quando mais dinheiro é retirado da economia através dos cortes nos gastos públicos e ainda quando mais dinheiro é retirado da economia pela redução dos salários e dos benefícios fiscais?
In Pravda

Pois é, pois é… E os que ainda acreditam na história da carochinha de que tais medidas são vitais para a sobrevivência do seu país, gostava de os relembrar do valor já colocado neste texto – a Europa até 2010 já DEU aos casinos que moram na nossa Europa 1,6 biliões de euros. A quem andam a tirar para poderem dar aos queridos amados meninos dos bananas? A quem?
Pois é, pois é…
E para os que preferem continuar a acreditar na irrealidade, ou para os que preferem continuar mergulhados na ignorância:

Contra factos não há argumentos e nem as agências de rating conseguem ignorar os efeitos positivos das decisões políticas. «A economia da Islândia está a recuperar das falhas sistemáticas dos seus três maiores bancos e voltou a um crescimento positivo depois de dois anos de contracção severa», disse esta semana a Standard & Poor’s, depois de ter subido o rating do país para BBB/A-3 (a Fitch mantém a Islândia com rating “lixo”). Das consecutivas decisões que o país foi tomando – e que continua a tomar – desde 2008 que não há vítimas a registar, a não ser os banqueiros e políticos que levaram à crise da dívida pública.
In Jornal I

Pois é, pois é… talvez também ainda não chegue para que quem deseja continuar agarrado com unhas e dentes à irrealidade consiga ver que nem sempre o que nos dizem ser a visão perfeita o é na realidade. E para aqueles que preferem nem saber, então fiquem a saber que a vossa desconexão e afastamento consciente ou inconsciente da realidade vos torna culpados por omissão da provável morte da vossa tão amada sociedade construida de ignorância.
Pois é, pois é… e voltando ao início que foi aqui anunciado como sendo o fim…

(…) a longo prazo irá indubitavelmente existir vida depois do crescimento, e não terá de significar que se desenrolará em condições piores. Com menos energia para alimentar a globalização e a mecanização, deverá acontecer um crescendo na procura da produção local e no trabalho manual. Poderemos conseguir suprir as necessidades básicas de todos dando prioridade ao trabalho na indústria transformadora e na agricultura, enquanto diminuímos as indústrias financeira e militar. Também teremos de reduzir as desigualdades económicas e a corrupção (…) Enquanto fazemos essas coisas, teremos de reformar a economia para reflectir a realidade ecológica: a Natureza, ao fim ao cabo, não é apenas um monte de matérias-primas à espera de serem transformadas em produtos e depois em desperdício; bem pelo contrário, a integridade dos ecossistemas é uma pré-condição para a sobrevivência da sociedade. (…) Existe luz ao fim do túnel. Se nos focarmos a melhorar a qualidade de vida em vez de aumentarmos a quantidade daquilo que consumimos, poderemos vir a ser mais felizes mesmo que a nossa economia regrida até se estabilizar dentro dos limites da Natureza. Mas é improvável que transpire um futuro benigno se todos continuarmos a viver num mundo de faz-de-conta onde o crescimento não conhece limites, onde a dívida pode ser paga com mais dívida e onde se assume que os recursos naturais são eternos. Os alarmes estão a soar. Acordem para a economia do pós-crescimento.
In The Guardian

Conclusão:
O crescimento cresce de ar feito de nada… de dinheiro que é dado a uns retirando a quem menos tem… num mundo de cegos conscientes e de conscientes na ignorância… consciência de nada que não conduz a nada de bom… entre mártires da cegueira e cegos na destruição… o mundo avança imparavelmente para um momento de decisão…
Ou abrimos os olhos ou então deixaremos de ver… futuro.

Ainda se Recorda da Democracia?

O nosso filme…

Cerca de 43 milhões de pessoas estão em risco de carência alimentar na Europa e não têm meios para pagar uma refeição completa e 79 milhões vivem abaixo do limiar de pobreza, indicam dados do Programa Europeu de Apoio Alimentar.
In Sol

Num mundo desenvolvido? Sociedade desenvolvida? Para quem? Por quem?

A União Europeia está a considerar cortar aproximadamente 75% nos fundos de um programa que ajuda a alimentar 18 milhões dos seus cidadãos mais pobres. Os cortes irão ter efeito a partir do novo ano, e chegam numa época de aumento no desemprego e no preço dos alimentos em muitas áreas da Europa, assim como um tumulto económico generalizado no continente.
In Yahoo! News

Estaremos sentados na fila do meio de uma qualquer sala de cinema de segunda categoria a assistir a um filme de terror onde os nossos auto-proclamados heróis e eternos defensores da democracia (bananas), nossos parceiros na defesa das injustiças, se transformaram em canibais sanguinários sem pingo de humanidade e sentido de colectivo?
A comparação até poderá ser macabra, mas dificilmente será mais macabra que a opção que está a ser considerada pelos nossos heróis eurocratas, tal a insensibilidade e desconexão com a realidade que consome o dia-a-dia do comum dos Zés Esquecidos [povo] da Europa. Tiram o pão a quem já nada mais tem, para o darem a…

Um relatório recente afirma que desde “a última grande onda” de alargamento na União Europeia em 2004, o volume de mão-de-obra na instituição cresceu de 3.946 para 6.245 mesmo que os membros de representantes eleitos no Parlamento Europeu só tenha crescido de 732 para 736 durante o mesmo período. (…) E o relatório afirma que os números ilustram um orçamento “fora de controlo” (…)
In The Telegraph

… para o darem a mais uns quantos burocratas que de tão longe estarem da realidade que assola os Zés Esquecidos da Europa, já nem se recordam que democracia verdadeira é uma democracia que representa as vontades e necessidades dos Zés Esquecidos. Nem se recordam que tudo o que não siga por esse caminho já, em diversos momentos na História, foi adjectivado com as mais “singelas” das palavras: corporativismo, autoritarismo, ditadura, totalitarismo e a que mais insultuosa se apresenta, fascismo. Cá pela minha mOsca isto é apresentado como demo-cracia.

Ainda se lembram quando os bananas [políticos] trabalhavam a pensar no Zé Esquecido? Ainda se recordam de tais tempos, ou terá sobrado apenas a vã dor da memória?

(…) por cada 1.000 euros de salário bruto, entre 2000 e 2013, os funcionários públicos perdem em média, sem contar com o aumento dos impostos, 350 euros por mês.
In Correio da Manhã

A culpa é do Zé Esquecido que trabalha para o estado! Que desperdício, dirão alguns que se afiguram como muitos, porque basta uns quantos Zés Esquecidos estarem contra outros Zés Esquecidos para ser sempre um atentado à união dos muitos que são poucos porque estão desunidos.
Por isso, essa desunião, praia de deleite para o bananal, vai servindo para servir de bandeja os desperdícios que alimentam os nossos heróis da história de terror e os seus mais-que-tudo escudeiros.

A eliminação dos subsídios de Natal e de férias a funcionários públicos e pensionistas que ganhem mais de mil euros não chega para cobrir o novo buraco do Banco Português de Negócios (BPN) que, segundo o primeiro-ministro, acaba de engordar 350 milhões de euros.
A factura a passar aos contribuintes sobe, assim, para 2.750 milhões de euros, quando o encaixe com os dois subsídios que não serão pagos rondará os 2,6 mil milhões de euros.

In Dinheiro Vivo

BPN, nosso querido BPN. Sem ti a nossa praia não seria a mesma, pois sem ti não haveria como justificar que salvar escudeiros do privado com os interesses do público é feito em nome do Zé Esquecido. Corta, corta, corta, corta mais um pouco no futuro do Zé Esquecido para que um, ou mais, be-pe-énes continuem a servir de nevoeiro ao corporativismo, à  demo-cracia. Corta!

O salário mínimo nacional teve um acréscimo de apenas 88 euros desde 1974, enquanto que as pensões mínimas de velhice e invalidez aumentaram apenas 38 euros nos últimos 36 anos, segundo dados da Pordata.
In RTP

A culpa é dos salários do Zé Esquecido que subiram demasiado desde os tempo em que os adjectivos “corporativismo”, “autoritarismo”, “ditadura”, “totalitarismo” e “demo-cracia” eram pronunciados sem nevoeiro a envolvê-los. Corta! Corta, que assim o Zé Esquecido estará cada vez mais próximo dos tempos em que não eram necessários subterfúgios nas palavras para adjectivar os tempos que eram vividos. Corta no futuro para nos apresentarem uma vez mais o passado!
Saímos da sala de cinema para apanhar um pouco de ar…

As distorções tributárias do país prejudicam a classe média, que contribui com mais impostos do que os bancos. Análise feita pelo Sindicato Nacional de Auditores Fiscais da Receita Federal (Sindifisco), e confirmada por especialistas, indica que os trabalhadores pagaram o equivalente a 9,9% da arrecadação federal somente com o recolhimento de Imposto de Renda ao longo de um ano. As entidades financeiras arcaram com menos da metade disso (4,1%), com o pagamento de quatro tributos.
In Economia&Negócios

Publicidade! Publicidade! Exclamam alguns ainda cegos pelo ar de herói do herói do nosso filme de terror. Isso é no Brasil! Isso é lá longe!
Era bom que fosse longe. Era bom que fosse apenas no Brasil. Principalmente era bom que tivéssemos direito e acesso a um estudo no mínimo similar em Portugal. Portanto até têm razão, isso é no Brasil, isso é lá longe! Por cá ainda estamos pior!
Existem estudos da realidade portuguesa, sim senhor, feitos e conduzidos por elementos do Zé Esquecidos que foram e são votados ao esquecimento do nevoeiro do corporativismo, da demo-cracia. (Isto é um segredo…)

Voltemos para a sala que vai começar a segunda parte do nosso filme… de terror…

Os subsídios políticos à energia estavam abaixo dos 500 milhões de euros em 2005, quando José Sócrates tomou posse, e foram subindo até que, em 2011, obrigam famílias e empresas a um extra nas facturas de electricidade superior a 2.500 milhões de euros, três vezes o corte no subsídio de Natal decidido para este ano. (…) Nas facturas estão incluídos subsídios de 747 milhões de euros às renováveis, que ganharam o direito de vender à rede toda a energia que produzam, ao dobro do preço de mercado. E há ainda 1.075 milhões em subsídios às centrais a gás e carvão, subsidiadas para conterem a sua produção a níveis reduzidos.
In Agência Financeira

Sentámo-nos e eis que o nevoeiro do corporativismo, da demo-cracia, volta a assumir o papel principal na história do nosso filme… de pavor.
É para o nosso desenvolvimento futuro. Clamam os nossos heróis e seus mais-que-tudo escudeiros. Sem isso não existe capacidade para sustentar as eólicas, as solares e alimentar as centrais a carvão…
A carvão?!?! Mais um buraco no fundo do nosso chão!

Quase três vezes o défice de Portugal é quanto o Estado vai pagar à EDP e à Iberdrola, as concessionárias das futuras barragens na bacia do Douro, durante os próximos 70 anos. (…) As concessionárias das futuras barragens vão produzir “metade da energia prevista” no plano, com o dobro do investimento pedido, mediante o pagamento anual de um subsídio do Estado de 49 milhões de euros e ainda de 20 mil euros por megawatt produzido, (…) que produzirão apenas 0,5% da energia consumida em Portugal, representam só 2% do potencial de energia que poderia ser obtida através de um programa de eficiência energética e respondem por 3% do aumento das necessidades energéticas do país.
In Dinheiro Vivo

Só pode ser mais um erro de casting atribuível ao nevoeiro que envolve o corporativismo, a demo-cracia com que se deleitam os nosso heróis, porque uma real democracia não permitiria, nem permite e muito menos irá permitir que o futuro continue cada vez mais igual ao passado de 1974… ou irá permitir?

O memorando, assinado em maio, com a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional, previa o reforço do fundo de capitalização do sistema bancário para 12 mil milhões de euros e do limite máximo das garantias que o Estado pode prestar à banca para emissão de dívida para 35 mil milhões. (…) A nacionalização dos bancos é o temor que está na cabeça de todos os banqueiros, já que o recurso ao capital público significa a entrada do Estado nas instituições, apesar de o governador do Banco de Portugal ter garantido que essa entrada não significa uma nacionalização porque “não altera o controlo acionista das sociedades”, visto que a operação será “através de ações preferenciais”.
In RTP

Ajuda que é privado e ajuda porque é escudeiro desta praia de corporativismo, de demo-cracia!
Este é o nosso mundo feito de buracos atrás de buracos fortemente unidos aos corporativismos da nossa demo-cracia. Buracos que são remendados com o futuro de quem dá futuro à democracia, com o futuro do Zé Esquecido. Serão sempre apenas remendos, porque a insaciabilidade dos corporativistas é sempre maior do que os remendos à sua fome. Eis então que damos por nós numa encruzilhada: ou saímos da sala de cinema e clamamos pelos nossos direitos esquecidos pela demo-cracia, ou continuamos sentados a assistir à projecção do terror…  eis a opção que trará sempre consigo dor. A dor da perda da inocência, ou a dor da anuência e aceitação…

Conclusão:
De pão a pão enche o comilão o papo! E de mão entre mão é destituída a democracia…

À Beira De Um Mundo Novo

Nas últimas semanas, temos destacado constantemente na minha mOsca as notícias que foram saindo sobre o estado dos casinos [bancos] europeus. Alguns de vós ficaram um pouco confusos, “Então, mas o problema não está na Grécia? Qual a razão de estarem a dar maior destaque aos casinos?”
O problema central nunca foi a Grécia, nem Portugal, nem a Irlanda, muito menos a Espanha. O problema foi sempre, desde o início do descalabro dos últimos anos, os casinos e o jogo alto que jogaram desde meados de 1980 no insano mundo das finanças económicas globais.
Nas últimas décadas, o mundo foi crescendo ao ritmo das bolhas que foram sendo desenvolvidas pelos meninos de coro, pelos casineiros. O PIB, seja do mundo ou de um país individual, foi sendo paulatinamente empolado nestas últimas décadas, e agora, porque as funções exponenciais e cumulativas têm limites, começamos a assistir ao esvaziar desse falso mundo de crescimento económico. Só nos resta esperar que, no meio desta loucura de insanos casineiros e de um bananal [políticos] que se deleita nos restos doados pelos seus queridos, a bolha não estoire toda de uma só vez.

Por isso, de modo a tentarem evitar que a bolha estoire já, os casinos centrais – BCE, Reserva Federal, Banco Central do Japão, Banco Central da Suíça e Banco Central de Inglaterra – dos países mais casineiros do mundo, abriram as comportas da economia mundial para…

[…] inundar o sistema financeiro com quantidades ilimitadas de dinheiro.
In Daily Mail

Hmmm… só pessoas totalmente desprovidas de uma noção abrangente da economia podem assumir tal papel na economia. Ninguém no seu perfeito juízo adopta tal medida sem estar absolutamente ciente e consciente de que a água-oxigenada não cura infecções e que quando usada em excesso destrói até os tecidos sãos! Talvez não seja má ideia lembrar a estes senhores o que aconteceu no Zimbabué…

O acordo anunciado ontem significa que os bancos poderão pedir emprestado «qualquer quantia» de dinheiro em três leilões em separado, em Outubro, Novembro e Dezembro. […] Isto significa que o dinheiro dos contribuintes está uma vez mais a ser usado para salvar o sistema bancário. Os contribuintes poderão vir a ser obrigados a pagar a conta caso a economia mergulhe numa nova e catastrófica recessão.
In Daily Mail

Roda o disco e toca o mesmo… roubo!!!
Mas mesmo mantendo uma postura mais serena sobre o assunto, isto não resolve nada de nada dos problemas que estão na raiz do cancro na economia, é apenas um transitar de dívidas de um lado para outro lado. Nenhuma das dívidas desaparece, antes pelo contrário. O volume em dívida aumenta porque os casinos já de si endividados até mais não, terão de pagar juros sobre estes novos empréstimos. Esta é a solução milagrosa encontrada para salvar(?) os casinos. Mais dívida para saldar dívida que já ultrapassou matematicamente a aceleração exponencial e que irá criar ainda mais dívida. Se isto não é um mundo de doidos, o que será?!?!

Mas pronto, alguns ainda poderão pensar que este tipo de medidas dos casinos centrais serão só aplicáveis em três tranches até ao final deste ano. Terá isso algum pingo de verdade?

“Iremos conduzir o controlo da liquidez que serve para assegurar o funcionamento dos mercados o tempo que for necessário (…)
In San Francisco Chronicle

E se o “tempo que for necessário” for para sempre? Hmmm… alguém terá mesmo de explicar a estes “dumbs” que nos desejam fazer de estúpidos o que aconteceu no Zimbabué, e urgentemente.
Mas pronto, este é um mundo feito à medida deles, pintado por eles, desenhado e erguido por eles… por isso, até a mais estúpida possível das afirmações tem lugar por entre os seus dentes como se fosse a coisa mais natural do mundo… enfim…

Continuando…

Os custos de financiamento em dólares para financiar os bancos europeus subiu, o que mostra que os investidores vêem a oferta de empréstimos ilimitados de moeda pelos fazedores de políticas aos bancos europeus como uma medida que ajuda apenas no curto prazo e que não aborda os problemas centrais que afectam a região do euro.
«Os principais bancos centrais trataram apenas os sintomas e não a causa», disse Michael Derks, o estratega chefe da corretora FxPro, em Londres.

In Bloomberg

Pois, estúpidos são apenas aqueles que desejam acreditar na história da carochinha, porque basta somar 1+1 para se ficar a saber que o que acabaram de fazer é um voltar a tentar adiar para mais tarde o inadiável, e nada mais que isso.
Mas já agora, quais são os sintomas que os casinos centrais mais importante do mundo estão a tentar salvar(?)?

Gordon Brown, ex-primeiro ministro do Reino Unido, revelou que «no geral, a banca europeia está grosseiramente subcapitalizada» e que a crise da dívida que assola a zona euro é mais séria do que a crise financeira que afectou o mundo há três anos.
«Em 2008, os governos podiam intervir com o intuito de resolver os problemas dos bancos», mas em «2011, quer os bancos, quer os governos, têm problemas», referiu Brown.

In Diário Económico

Estão descapitalizados?!?!?! HMMMMM?!?!? Como?!?!? Quantas?!?!?!?

Os bancos depositaram no BCE 86.952 mil milhões na quarta-feira, acima dos 75.529 mil milhões efectuados na terça-feira e abaixo dos 197.75 mil milhões de segunda-feira.
In Marketwatch

Mas então descapitalizados?!?!? Mais de 350 mil milhões de euros em três dias e descapitalizados?!?! Pois, e a minha avozinha tem 10 anos…
Sim, alguns estão descapitalizados. São os mesmos que já estavam descapitalizados (e mais alguns) em 2008 quando foram salvos(?) com os dinheiros públicos. Os mesmos que continuaram a brincar aos casinos como se não existisse amanhã. E agora, hoje, depois de terem gasto o amanhã ontem, e para que não aconteça um abanão nos mercados financeiros mundiais, qual a solução que as supra-mentes dementes deste mundo encontraram para a falta de capitalização daqueles que foram já anteriormente salvos(?) por falta de capitalização?!?! A mesma que anteriormente falhou e que vai voltar a falhar, porque uma ferida infectada não se trata apenas com água-oxigenada!
Portanto, as mentes dementes vão continuar a trilhar o caminho do estoiro total, porque o crescimento exponencial da dívida e os efeitos cumulativos da mesma não se resolvem com mais dívida… mesmo que seja uma transição da dívida dos privados para o público.
O problema está numa coisa tão simples quanto esta: enquanto os podres do sistema forem sendo salvos(?), o sistema não se regenera! Nunca! Porque os podres vão subsistindo e agem como uma maçã podre no meio de uma cesta de fruta… a podridão alastra.
Não são eles que gostam de utilizar a expressão “risco sistémico” para justificar as “medidas-água-oxigenada”? Pois o que estão a criar é um verdadeiro risco sistémico em que os paliativos só agravam a situação. Provavelmente, em vez de terem de falir 10 ou 15 casinos no mundo ocidental, agora tenham de ser largas dezenas, porque cada vez mais são os que  já estão infectados… e quanto mais tarde… maior o risco sistémico. Não é engraçado este nosso mundo?

O bancos centrais não tomam este tipo de medidas a não ser que esteja algo para acontecer; e algo estará mesmo a acontecer. Na Zona Euro, uma tragédia grega em evolução está a caminhar para o seu último e brutal acto. […] Mesmo assim, é difícil analisar a sua intervenção como forma de resolver algo mais que apenas o problema a curto prazo. Isto porque o problema real não é a liquidez bancária, mas a solvência soberana. A Grécia está falida em tudo menos no adjectivo usado.
In The Telegraph

Pronto, e agora vem a “desculpa” do momento, a Grécia. Até parece que a Grécia foi a causadora da crise em 2008 e não os casinos. Até parece que os problemas que afectam a Grécia não foram em grande parte causa directa dos casinos gregos. Até parece que os problemas que assolam Portugal e a Irlanda nada têm a ver com o seus sistemas de casino. Pois, até parece que contar uma mentira muitas vezes transforma-a em verdade.
A verdade é que as soluções avançadas em 2008 para resolver(?) a crise causada pelos casinos no jogo nada resolveram, apenas adiaram e pioraram, arrastando Grécia, Portugal e Irlanda para a lama, e para lá caminham a Espanha e a Itália e mais alguns que têm passado anónimos nas linhas da comunicação social.
Meus senhores e minhas senhoras… o problema hoje é exactamente o mesmo, sem tirar nem pôr, de 2008… tem apenas actores principais com nomes diferentes… e mesmo esses, hmmmm, devem ter apenas conseguido passar anónimos, ou quase, pela crise de 2008, que afinal é a mesma crise de 2011.

Mas vou seguir a linha da Grécia como sendo a culpada disto tudo tal como é pintado nos meios de comunicação social e ver até onde vamos parar.
Começando…

Um gráfico na página do diário mostra que 66,5% da dívida grega está nas mãos de bancos franceses e alemães. Outros 9,6% pertence ao Reino Unido.
In Economia & Negócios

Portanto, os casinos franceses, alemães e ingleses são os reis do despesismo, dos empréstimos à toa e do jogo no casino que destoa.
(Em jeito de história para as criancinhas…)
Lindos meninos bem comportadinhos, correcto? Fizeram sempre o trabalhinho de casa e emprestaram sempre com a melhor das intenções, nunca lhes passando pela cabeça que alguém se pudesse comportar mal e não pagar as suas dívidas. Coitadinhos que agora sofrem tanto.
(De volta à realidade…)
Só alguém distraído acredita que esses meninos bem comportados não andaram a jogar alto no casino dos riscos sem rede! Foram obrigados? Não! Fizeram-no de livre vontade? Sim! Existem mecanismos para verificar a fiabilidade dos mutuários? Imensos! Portanto, se não são cegos e não desejaram ver é porque foram gananciosos e num sistema económico são, aqueles que dão passos maiores do que as pernas, caiem e não são salvos(?)!

E continuando…

A Finlândia não vê soluções para os empréstimos à Grécia.
In Agência Financeira

e…

[…] existem «duas ilusões. A primeira é a de que se pode fazer uma reestruturação ordeira» […] A segunda é a ideia de que a dívida da Grécia pode ser contida. O risco de contágio é enorme […]»
In The Independent

Portanto, este mundo não vê solução para a Grécia, mas obriga-a a pagar juros altíssimos pela ajuda(?) concedida. Mas exige-lhe medidas que são totalmente contraproducentes para que consiga pagar as suas dívidas. E culpa-a de (quase) todos os males que assolam a economia mundial.
Enquanto isso, os casinos que andaram décadas a jogar alto recebem empréstimos ilimitados a taxas de juro ridículas quando comparadas com as exigidas à Grécia. Recebem apoios constantes dos mesmos estados que já estão num estado lastimoso, da Grécia, Portugal e Irlanda – só para citar os que já estão atolados – como uma das exigências para receberem a ajuda(?) da UE e do FMI.
Ou seja, uma nação independente neste nosso mundo não tem quase valor quando comparada a um casino privado, que na sua ânsia de ganância gastou e usou mais do que aquilo que tinha e podia.
Este é um mundo de justiça, equilíbrio e igualdade entre pares de casinos e os outros que se lixem… não é verdade?

Sejamos claros: a principal razão para a Grécia não conseguir cumprir com a redução exigida do défice, deve-se ao facto de a UE ter imposto a deflação fiscal mais violenta alguma vez infligida a uma economia moderna desenvolvida – uma contracção de 16% do PIB em três anos – sem estímulos económicos, alívio no volume de dívida ou desvalorização. Isto enviou a economia para uma espiral descendente auto-alimentada, esmagando as receitas dos impostos. […] Agora, mesmo que o Governo de Papandreou respeite todas as exigências da troika, pouca diferença fará. Os cidadãos gregos já compreenderam isso e compreendem que os pacotes de ajuda da UE estão apenas a ser reciclados para os bancos a norte. Em vez de reconhecerem o falhanço colectivo em todas as etapas deste fracasso, os poderes dos credores estão a exercer a sua fúria sobre quem agora é uma vítima.
In The Telegraph

Eis um relato muito bem conseguido sobre este nosso mundo. Os mesmos que estão sempre disponíveis para salvar a qualquer custo os casinos, são exactamente os mesmos que estão sempre disponíveis para ajudar a enterrar ainda mais os países que estejam em dificuldade.
Se a Grécia está como está agora, grande parte da responsabilidade advém dos mesmos que a obrigaram a deixar de produzir os seus bens, recebendo subsídios e exigências para não criar, recebendo subsídios e exigências para privatizar os dínamos sociais públicos, recebendo subsídios para calar e comer. São os mesmos que impuseram a sua morte mais rápida e dolorosa no último ano, e são os mesmos que agora clamam e berram aos sete ventos como se tivessem sido traídos e enganados por quem agora é pura e simplesmente uma vítima dos mesmos que se consideram injustiçados. E são os mesmos que estão sempre e constantemente ao lado e em defesa dos interesses dos casinos privados.
Arre, que hipocrisia!!!!

E eis senão quando os meninos de coro dos casinos fazem contas às suas contas perdidas…

No aniversário de três anos do estouro da última crise, o Credit Suisse calculou perdas de € 184 mil milhões dos bancos europeus, contra um prejuízo potencial de € 213 mil milhões na crise dos títulos soberanos em 2011.
In Brasil Econômico

Ahhhh… terror!!!! A Grécia é a culpada!!! Queimem os Gregos!!! O Lehmans era melhor, já temos saudades dele!!!
Enfim…
Sabem uma coisa, até mesmo as contas dos meninos de coro não mostram todas as contas, porque se arriscam a destapar a manta e mostrar que a Grécia é apenas um pião minúsculo no meio da tempestade que foi sendo formada desde meados de 1980 pelo jogo no casino das loucuras financeiras.

Incumprimento grego custaria até 3 biliões de euros à banca europeia.
In Dinheiro Vivo

Três biliões de euros?!?!? (Para os meus amigos do Brasil, 3 biliões em Portugal equivalem a 3 triliões no Brasil)
Três biliões?!?! Ou estão a fazer contas às dívidas somadas da Grécia, Portugal, Irlanda, Espanha e Itália (mesmo assim não sei se chega aos três biliões) ou então estão a fazer contas ao buraco que existe nos casinos, e que foi crescendo, desde o primeiro descalabro em 2008. Três biliões por culpa da Grécia?!?!? Sejamos sérios, a Grécia por muito grande que seja – sarcasmo – não consegue criar um buraco de três biliões de euros!!!!!!
Não será antes porque…

[…] só Deus sabe quantos contratos de derivados (lembram-se deles?) existirão ligados às dívidas soberanas e a créditos privados na Zona Euro, os efeitos poderão ser explosivos.
In Marketwatch

Ahhhh, aqui está o segredo! Aqui está o silêncio dos últimos anos sobre os produtos tóxicos. Aqui está a verdadeira Grécia, não a de território físico e terreno, mas a Grécia do tamanho do mundo, esta sim enorme!!!
Então, agora sim, podemos esperar que, no mínimo, os bancos centrais tenham de injectar até 3 biliões de euros nos casinos da Europa para que o sistema se consiga manter à tona dos tóxicos e a carburar durante mais uns aninhos, ou mesinhos?!?! Será isso que este número nos conta?!?! Três biliões!!!
Então estaremos perante o nascimento de um novo mundo. Um mundo de inflação descontrolada para controlar um mundo imenso de imensa loucura. Um mundo que irá continuar a contrair por culpa dos podres do sistema que ainda sobrevivem à conta das ajudas(?) e que dessa forma irão continuar a consumir parte do excedente dos que ainda estão sãos e que poderiam estar a investir na economia. Estaremos agora neste preciso momento a assistir a um novo mundo desenhado em estagflação?!?!

Conclusão:

Banhem o mundo em dinheiro… de papel!!! Suguem o dinheiro do mundo… papel principal!!! Durante todo o tempo que o mundo durar… até ao último acto!!! E este mundo vai sendo tratado com água-oxigenada para combater uma infecção generalizada… E dizem-nos que é por falta do dinheirinho… que o mundinho… está estagnadinho… Mas depois sabemos que os casinos também depositam… dinheirinho… do tamanho deste mundinho… A CULPA É DA GRÉCIA!!! Grita o mini-mundo do 1%… 1% que assobia a inocência para o ar como meninos bem comportadinhos que nada tiveram a ver com os problemas na Grécia… Tadinhos… coitadinhos… tão injustiçadinhos. Três biliões!!! Buuumm!!! Cai a realidade aos pés dos meninos bem comportadinhos, coitadinhos, injustiçadinhos… mas que afinal são obviamente tóxicos – cai a máscara! Já chega de mentiras e de inverdades, pois a verdade é que neste mundo sem rumo lógico, a parede é o destino para a cabeça da economia!
Estagflação!!!

Ao Ritmo do Casino

Uma pergunta tem-me perseguido nestes últimos tempos. Porque razão existe um silêncio quase ensurdecedor sobre o que está a acontecer aos casinos europeus (banca) nos meios de comunicação em português?
Não é que já não tenha assistido as situações que tal… e não é que tais situações não sejam recorrentes – infelizmente… e não é que os mesmos meios de comunicação não sejam na sua grande maioria pertença directa ou indirecta de um ou de outro casino. A surpresa advém do facto de desta vez poder ser mesmo a estocada final na economia global, e que mesmo assim pouco, ou nada mesmo, do que está a sair nos nossos ditos guardiões da democracia quase não revelar mais que meros detalhes da situação. Estarão os casinos portugueses todos com a cabeça enfiada na guilhotina tal o silêncio imposto?
Esta é uma pergunta válida perante o tamanho deste silêncio que preenche as paginas e ondas da comunicação social em português, e muito provavelmente só iremos obter a resposta quando pouco ou nada houver a fazer…

Há uns tempos quando escrevi o artigo A Tempestade Perfeita, demarquei quatro sintomas que estavam à época conjuntamente a fazer pressão sobre a economia mundial, e que bastava um desses sintomas evoluir de uma pressão para a implosão para que todo o mundo fosse arrastado numa espiral que poderá fazer a Grande Depressão da década de 1930 parecer um mero recreio.
E para pouco variar… serão novamente os casinos que pautam este sistema económico que irão lançar o foguete final?

Os bancos têm evidentemente imensos fundos para empréstimos, como evidencia o elevado volume de depósitos efectuados nas últimas semanas no BCE.
In The Wall Street Journal

A ser verdade o que é afirmado aqui nesta peça deste jornal de referência do mundo dos casinos, porque razão a Zona Euro estará, aparentemente, por entre portas e travessas a preparar…

[…]um “plano radical” para prevenir um novo aperto no crédito pan-europeu.
In CNBC

Uma destas duas informação não reflecte a verdade, ou a reflectir, na melhor das hipóteses, uma parte dos casinos andará a fugir da outra parte… uns depositam e outros não têm fundos.

[…]este movimento surge depois de a vários bancos europeus lhes terem sido encerradas as portas dos mercados internacionais de dinheiro.
In CNBC

E enquanto a maioria dos Zé Esquecidos tem andado entretido com a crise das dívidas soberanas, foi-se lentamente esquecendo da raiz que lançou as bases para a crise que enfrentamos actualmente… e essa raiz tem um nome: Casinos!!!
Terão os problemas nos casinos do mundo sido resolvidos desde 2008 para cá e mais especificamente os dos casinos na Europa?

Os esforços para evitar defaults nas dívidas soberanas foram em larga medida impulsionados não pela preocupação com os países. […] Ao invés, os esforços foram dirigidos como um bailout pela porta das traseiras aos bancos, os quais têm em sua posse muita da dívida soberana.
In CNBC

Em parte têm sido resolvidos através da errónea sensação de transição da dívida dos privados – bancos – para o público – BCE. E isso é erróneo porque quase nenhuma dívida, se é que alguma, foi realmente saldada, apenas transitou de um lado para outro, do privado para o público. Os problemas continuam a ser exactamente os mesmos e pior, agora a solução poderá vir a ser…

Isto poderá salvar os bancos europeus enquanto os países mais fracos serão deixados cair, o que irá atingir os detentores de créditos que ainda não se conseguiram livrar da dívida soberana.
In CNBC

Começa a cair a máscara que o bananal tem usado para distrair o Zé Esquecido do problema central, do problema com os casinos e casineiros. Sempre a mesma fonte central de problemas!
E quem já veio a terreiro “gritar” que nem um doido por salvação?

O regulador da banca europeia (EBA, na sigla do inglês) está a preparar um esquema para ajudar os bancos a conseguirem financiamento de médio e longo prazo no mercado.
Entre as propostas que estão em consideração, enumeradas pelo «Financial Times» está um novo esquema de garantias para as obrigações bancárias, uma medida controversa que implicaria a atribuição de mais poderes ao fundo europeu de estabilização financeira (FEEF),[…]

In Agência Financeira

Ora nem mais, afinal ainda vamos acabar por saber que o FEEF – fundo de apoio às dívidas soberanas – era na sua essência afinal um fundo de apoio aos casineiros. Cai de vez a máscara? Já não dá para esconder e enganar mais?
Hmmm… até lá o bananal ainda deverá conseguir encontrar uma nova forma de amolecer a mente dos Zé Esquecidos…

Há quatro anos, os gigantes fundos financeiros americanos pareciam ser um dos actores mais sem sabor na cena financeira global. Mas em 2007, sem ninguém dar por nada eles ajudaram a despoletar a crise do mercado imobiliário mundial quando silenciosamente deixaram de adquirir as obrigações imobiliárias. […] nas últimas semanas estes fundos têm estado silenciosamente a afastar-se dos bancos europeus, recusando-lhes empréstimos, ou cortando nas maturidades dos fundos que providenciam. […] Por exemplo, a Morgan Stanley calcula que dos 8 biliões de dívida que estão actualmente a cargo dos 91 maiores bancos da Zona Euro, cerca de 58% terá de ser pago nos próximos dois anos. Ainda mais impressionante é que cerca de 47% desses fundos tem menos de um ano de maturidade.
In CNBC

Quase 4 BILIÕES!!! Quase 4 biliões que terão de ser refinanciados no espaço de UM ANO!!! Isto é a verdadeira montanha da dívida!! Não são os 220 mil milhões da Grécia, ou os 90 mil milhões da Irlanda, muito menos os 75 mil milhões de Portugal que fazem tremer a economia mundial!!!
O problema está onde sempre esteve, na insanidade de uns casinos que jogaram alto demais durante décadas a mais!!! E por muito que se deseje salvar a economia mundial dos laivos de insanidade destes casineiros, a montanha já é muito maior que o mundo… não há solução… ou a única solução que existe e que está a ser praticada é a de retirar riqueza dos Zé Esquecidos para tentar tapar um buraco que somando todos os casinos da alta finança global poderá ir daqui à lua e voltar milhares de vezes!!!
Infelizmente este nosso mundo precisa de voltar à estaca zero e recomeçar tudo de novo. Não é possível sustentar algo onde todos devem dinheiro a todos e poucos, se mesmo alguns, terão dinheiro para pagar a todos!!!

E quem e por onde irá estalar o verniz?!? Quem e qual irá ser o ponto de partida para a chegada final?!?

Nos últimos 20 meses, os bancos do país sofreram um levantamento de depósitos sem precedentes. Dezenas de milhares de gregos-dos mais abastados até aos mais pobres- movimentaram as suas poupanças para fora do país, ou guardaram-nas em um cofre, ou colocaram-nas debaixo do colchão, afirmam os banqueiros.
In The Wall Street Journal

Será pelos bancos gregos?!?! Talvez, mas talvez também sejam quase insignificantes… talvez, ou talvez não…
Sabemos que os bancos gregos andam em fusões aceleradas para tentar conter os prejuízos. Irá isso resultar?

Banco grego já perdeu em bolsa o que ganhou com anúncio da fusão
In Jornal de Negócios

Não!!!
Então o que resta aos casinos gregos?

Numa medida descrita como “o último sustento para os bancos gregos”, o banco central do país em crise activou pela primeira vez a Assistência de Liquidez de Emergência (ELA) na quarta-feira. […] A ELA foi criada apoiada em regras da Europa para permitir que os bancos centrais nacionais possam providenciar liquidez aos seus bancos nacionais quando estes ficam sem colaterais de qualidade para serem usados para se financiarem junto do BCE. É uma ferramenta obscura que é suposto ser temporária e ser utilizada como último recurso para os bancos endividados.
In The Telegraph

Já nada mais resta a não ser a falência… do Estado…

E se o foguete final não partir da Grécia? E se for em Inglaterra?

O custo para assegurar dívida júnior do Royal Bank of Scotland atingiu um recorde porque os investidores de mercado estão cada vez mais nervosos sobre o financiamento dos grandes bancos ocidentais. […] “a demarcada subida nos CDS é indicativo do crescendo de preocupações dos investidores sobre a qualidade dos bens dos bancos numa perspectiva de enfraquecimento do crescimento económico e preocupações com a crise da dívida soberana na Zona Euro,”[…]
In The Telegraph

Hmmm…

E que tal se for em Itália? E em Espanha? Na França? Em Portugal? Na Alemanha? Na Noruega?
Todos estes países, e mais alguns não aqui mencionados, estão a contas com as contas travessas dos seus casinos e dos seus insanos casineiros.
As pontas estão soltas e alguma irá ser puxada e quando o for será o princípio do precipício já conhecido de todos os bananas e casineiros, só desconhecido dos Zé Esquecidos, porque na realidade o sistema financeiro europeu está há muito…

“[…] insolvente” […] “Se compararmos os bens dos bancos europeus com o mercado, as responsabilidades dos bancos excedem em muito o valor dos bens e do seu colchão de capital”, afirma Minerd. “A realidade é que todas as soluções que estão a ser avançadas pelos fazedores de políticas é mais e mais liquidez, e a realidade é que isto não é um problema de liquidez, é um problema estrutural.” […] “O sistema está tão instável que qualquer indicador de que o bailout [Grécia] está a ruir envia imediatamente ondas de choque pelos mercados. Existe um nível elevado de desconfiança e suspeita que a Europa não irá conseguir apresentar uma reestruturação de sucesso.”
In CNBC

Pois… presos por arames e no arame. Presos e suspensos no casino e pelos casineiros. Até a “pequena” Grécia, caso entre em incumprimento, fará muito provavelmente ruir o edifício financeiro insano e tresloucado de um sistema que há muito é gerido como se o amanhã pudesse sempre ser gasto hoje. Mas quem tudo gasta hoje no amanhã nada terá!!!
E o resultado irá chegar através de…

[…] um crash mais severo do que o despoletado pelo colapso do Lehman Brothers […] Os seguros da dívida de alguns dos maiores bancos europeus atingiram níveis históricos, mais elevados do que os registados durante a crise financeira causada pela implosão de um grupo financeiro americano, há quase três anos. Os CDS sobre as obrigações do Royal Bank of Scotland, BNP Paribas, Deutsche Bank e Intesa Sanpaolo, entre outros, deixaram sinais de alerta na quinta-feira. […] “Acho que estamos a caminhar para um choque nos mercados, em Setembro ou Outubro, que irá superar tudo o que já vimos até agora”[…]
In The Telegraph

Conclusão:
Silêncio um pouco por todo o lado… Silêncio que culpa quem cala… Silêncio ao ritmo dos… Casinos que nadam em nada… Dinheiro que não nada com eles… Uns que têm e outros que pelam e depenam… Um sistema sem sistema num projecto sem destino… Um destino já marcado mas desmarcado nos discursos… Sejam ricos ou pobres, os países, os seus donos são sempre os mesmos… Donos de um mundo sem noção e perdido na ilusão… Tudo reflexo em um espelho sempre feito e vivido ao ritmo dos casinos!!!

Keynes, Bananas e o Precipício Consciente

John Maynard Keynes talvez seja um nome desconhecido para a maioria das pessoas comuns mas não para a grande maioria dos bananas e dos casineiros que nos desgovernam (suponho eu).
Vivemos num sistema económico que se rege quase cegamente pelas teorias de Keynes, teorias que se moldam num emaranhado de encruzilhadas, decisões em cima do joelho e opções em tudo questionáveis. Esse é o nosso mundo.
Antes de avançar e de modo a dar a conhecer Keynes da forma mais simples possível, aconselho vivamente que primeiro se deleitem com os 10 minutos deste pequeno vídeo em formato de canção. É a forma mais simples que encontrei para dar a entender umas coisas; quais as teorias base de Keynes e que neste sistema económico coexistem teorias diferentes: (P.S: Quem não conhece as teorias de Keynes e não vir o vídeo dificilmente irá entender algumas das comparações e associações que irão ser feitas no texto abaixo)
Fight of the Century: Keynes vs. Hayek Round Two

P.S: Quem desejar ler sobre as teorias de Hayek aplicadas na realidade: Um Sonho Que é Realidade

Depois de passados esses belos 10 minutos de entretenimento que servem de contextualização para o que irei tentar descrever a seguir, o que dizer disto?

“«Não há plano B para a Grécia»”
In Diário de Notícias

Eu digo… há plano B, não existe é vontade para enfrentar a realidade das encruzilhadas nas teorias de Keynes que são aplicadas nesta economia que se julga moderna.
Mas porque razão não existe essa vontade?
Tentarei responder a isso lá mais para o fim deste texto, antes disso a Grécia:

“Albert Einstein afirmou que insanidade é fazer sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes. Segundo esse padrão, o novo acordo com a Grécia é insensato. […] A questão que se coloca sobre as perspectivas para a Grécia não é se o país vai entrar em incumprimento. Em minha opinião, nada poderia estar mais perto da verdade. A questão que se coloca é se o incumprimento será suficiente para a economia recuperar uma certa prosperidade. Tenho sérias dúvidas. […] O principal requisito neste momento é reconhecer a desagradável realidade. Não se pode tornar o incrível crível com sucessivos e intermináveis adiamentos. Isso só vai tornar o reconhecimento da realidade mais doloroso quando finalmente ocorrer. Chegou a hora de reconhecer a realidade das dificuldades gregas e de agir imediatamente sobre as consequências que daí possam advir para os seus parceiros.”
In Diário Económico

Este é um excelente texto mas que está em falta de umas coisitas que são realmente importantes para se tentar compreender o porquê de um incumprimento poder até já ser tarde demais para a Grécia.  Falta-lhe os porquês da Grécia ter chegado ao estado em que chegou.
Primeiro as imposições de uma UE que determina o que cada país deve produzir, facto facilmente verificável na agricultura de um qualquer país europeu pertencente à UE, reduzindo drasticamente a sua capacidade produtora e a sua diversidade, deixando as economias dependentes de alguns poucos sectores económicos que ao mais pequeno problema colocam esse país de gatas. A diversidade numa economia é sinal da sua vitalidade e não o contrário. As políticas económicas da Europa são encruzilhadas de keynes que deixam muito pouco espaço de manobra em caso de problemas.
Depois, nenhuma economia sobrevive sem o seu principal factor e motor de desenvolvimento, as pessoas:

“Oito em cada dez agregados familiares gregos cortaram radicalmente nas suas despesas, até mesmo nos gastos com a alimentação,”
In Ekathimerini

Não existe economia sã sem um consumo em alta pelas pessoas que a compõem!

“Até 2015, a Grécia deve cortar 25% dos gastos com funcionários, o que equivale ao salário de 150 mil servidores.”
In Economia&Negócios

Será impossível salvar a Grécia enquanto a sua força motriz principal, as pessoas, forem sendo esmagadas por uma lógica política assente em teorias que são descabidas no seu essencial, verdadeiras encruzilhadas no bom senso e na lógica, até mesmo contraditórias com elas próprias, contraproducentes!
Para além de não ajudarem em nada na recuperação da economia, antes pelo contrário, ainda trazem consigo outro factor ainda mais perigoso, factores que quando somados transformam o futuro da Grécia num mais que inevitável buraco sem fim:

“Um estudo recente da Transparency International na Grécia aponta que 9 em cada 10 gregos acreditam que os seus políticos são corruptos, e 80% dizem que o parlamento perdeu a credibilidade.”
In The New York Times

Um barril de pólvora…
Serão 90% dos políticos gregos corruptos?
Não creio… mas acho que até mais de 90% dos bananas gregos estarão corrompidos mentalmente pelas lógicas de Keynes, tão corrompidos que nem se apercebem que estão cada vez mais longe da realidade dos seus Zé Povinhos, tão longe que são quase seres de outro mundo que vivem e tomam decisões com base nesse outro mundo que não é nem real nem lógico para a vasta maioria do Zé Povinho.

E Portugal? Que difere Portugal da Grécia para além de serem países diferentes, culturas diferentes que vivem em meridianos diferentes?
Muito pouco ou quase nada! As mesmas lógicas de encruzilhadas económicas que estão a rasgar a Grécia e a sua sociedade estão a fazer exactamente o mesmo por cá… keynes é também por cá o rei.
Os problemas são tão os mesmos que as tentativas mais básicas para tentar voltar a dinamizar a nossa economia chocam de frente com as mesmas políticas que encarceraram a Grécia na sua espiral descendente:

“«Consumo de produtos nacionais é prioritário”»
In Diário Económico

Que produtos nacionais quando a grande maioria do tecido produtor foi deslocado para zonas do mundo com mão-de-obra mais barata? Que produtos nacionais quando a UE dá subsídios aos agricultores para não produzirem determinadas culturas? Que produtos nacionais quando grande parte da produção nacional se destina à exportação para tentar que a economia se mantenha à tona, onde as empresas recebem apoios para exportar e não para investir no mercado nacional? Que produtos ainda temos que sejam realmente portugueses?
Temos de agradecer às políticas europeias e aos nossos bananas por terem destruído a vitalidade da nossa economia, que pouco mais é que um conjunto de monoculturas tão precárias quanto as gregas. Obrigado pelo quase nada que nos deixaram!
Mas mais nadas desta lógica ilógica de políticas sustentadas pelas teorias das encruzilhadas de keynes, nos têm sido impostas como solução para um futuro mais próspero:

“temos praticamente 1,5 milhões de trabalhadores precários em Portugal.”
In Correio da Manhã

Como recuperar uma economia se o seu sangue está a ser consumido pelas lógicas de um sistema que não pensa em Portugal?
Como recuperar a nossa economia se nem mesmo o seu factor principal de dinamismo é aproveitado?
Como recuperar uma economia se as políticas do bananal fogem cada vez mais da realidade do dia-a-dia do seu Zé Povinho?
Como?
Assim só será possível com ajuda externa… mas essa ajuda, infelizmente, está cada vez mais distante da ajuda à REAL economia e sim cada vez mais próxima da ajuda às economias paralelas, à banca!
E essa mesma ajuda externa, que é uma imposição mais, é tratada desta forma pelos nossos bananas:

“O novo Executivo não terá muito tempo para estudar dossiês. Assim que a equipa estiver completa, tem de começar a tomar decisões. O calendário acordado com a troika é rigoroso e apertado.”
In Jornal de Negócios

Conclusão… ser um banana responsável é nem sequer analisar a fundo os prós e contras de políticas que nos são impostas de fora?!?!?! Isso é ser-se responsável?!?!?!
Desculpem-me o descaramento… os portugueses não têm sequer voz na Europa, que nos dizem ser de todos nós, para exigir uma análise mais atempada e cuidada das políticas que nos estão a ser impostas? Nada?!?!?!
Será que na sua essência os bananas preferem  que poucos possam ter tempo para compreender suficientemente bem a profundidade das políticas que nos estão a ser impostas?
Lá mais para o fim deste texto talvez consiga responder a esta questão…
É nestas alturas que me lembro recorrentemente de Dom Afonso Henriques e seus pares e nos largos séculos e centenas de gerações que lutaram pela independência e soberania de Portugal… e fico triste quando uma geração «vende» quase tudo isso em menos de nada e por, desculpem-me a ousadia, quase nada!

“A ex-conselheira da União Europeia Maria João Rodrigues alertou que os limites da democracia estão a ser postos à prova em alguns países ameaçados pela crise das dívidas soberanas, como é o caso da Grécia. E teme que a situação se alastre a países como Portugal, o que pode colocar em causa o projecto europeu.”
In Público

Que projecto europeu é esse que não tem os seus Zé Povinhos como o pilar base da sua condução?!?!?
Isso não é um projecto europeu, é um projecto financeiro!!! E projectos financeiros é coisa para a banca!!!
E claro, onde fica a democracia nisto tudo quando esta é envolta principalmente nos ritmos do dinheiro???
Quase deixa de existir democracia quando a base das políticas se cinge quase exclusivamente ao lado financeiro, ainda mais quando assente nas lógicas de Keynes. A democracia é sinónimo de liberdade e as finanças são na sua essência sinónimo de dependência… e não existe liberdade na dependência, nem nunca isso virá a ser sinónimo de independência! Nunca!!!

Então, entrando em Bruxelas… qual está a ser a nova solução aventada para ajudar(?) os países que estão em dificuldades na Europa?

“É uma gota num oceano de dívidas mas a antecipação de fundos estruturais parece ser o último recurso à disposição de Bruxelas para atenuar o impacto nocivo da política de austeridade que a Grécia terá de aplicar como contrapartida da ajuda financeira que está a receber.”
In Diário Económico

Mais uma solução à medida de Keynes. Quando será que irão compreender que mais dívida para saldar dívida não é salvação nem ajuda, sim apenas mais um passo em direcção ao precipício?
Os apoios estruturais providenciados pela UE são dívida, e mais dívida é exactamente o que estas economias menos desejam pois já ultrapassaram a barreira da sua sustentabilidade! Não dá para encaixar mais, quer dizer, a não ser que o objectivo seja mesmo esse… a ruína…
Cada vez mais fico com a sensação que não existe interesse nenhum em salvar o que quer que seja nestas economias, antes deixá-las lentamente ruir…

“vão fazer tudo o que estiver ao seu alcance para «assegurar a estabilidade financeira da Zona Euro como um todo».”
In Jornal de Negócios

Sempre na lógica financeira!!! Ainda há pouco escrevi: “Quase deixa de existir democracia quando a base das políticas se cinge quase exclusivamente ao lado financeiro”
Onde está a base de toda a economia, onde está a parte social desta economia? Sem isso não existe economia, existe apenas uma estrutura financeira que por este andar terá de se auto-sustentar sem pessoas num mercado não real de modo a conseguir sobreviver dentro de um sistema que de lógica choca de frente com toda a força com a realidade da vida vivida!
Há muito mais do que apenas o lado financeiro!!! O mundo é muito mais que apenas bancos, ou transacções, ou mercados de capitais, ou fundos sem fundo da Europa, ou mais do que a inflação programada, certamente muito mais que o mercado de derivados e seus afins políticos e financeiros! O mundo é a sociedade, é o Zé Povinho e quem disso se esquece irá garantidamente ser esquecido pela realidade.
E como já sabemos que a Europa irá fazer de tudo para assegurar a sua estabilidade financeira, gostava de comentar a nomeação do Sr. Draghi como novo Presidente do Banco Central Europeu e os paralelismos com a posição de força da Comunidade europeia em relação à estabilidade financeira:

“Draghi foi vice-presidente e director executivo da Goldman Sachs International e membro do comité internacional da empresa [2002-2005]. Existiu uma controvérsia sobre as suas responsabilidades enquanto empregado da Goldman Sachs. Pascal Canfin afirmou que Draghi esteve envolvido em movimento de swaps para governos europeus, principalmente para a Grécia, que tentaram disfarçar o estado económico desses países. Draghi respondeu que esses negócios «aconteceram antes de entrar para a Goldman Sachs [e] que nada tinha tido a ver com eles, em 2011 nas audições de nomeação para o cargo no BCE no Parlamento Europeu.”
In Wikipédia

Passei semanas à espera que a informação sobre o passado de Draghi na Goldman Sachs e as dúvidas que o acompanham no envolvimento da cobertura ao encobrimento da realidade das contas públicas gregas fosse alvo de algum destaque nos meios de informação… NADA!!!!
Talvez a culpa seja minha e isso não tenha mesmo nenhuma importância, nem seja mesmo digno de ser mencionado, ou talvez possa ser um caso de polícia tal a dimensão desse silêncio. Mas seja o que for, é no mínimo uma nomeação ou precipitada ou então a desejada…
Mas sito dá direito a uma pergunta: O Sr. Draghi irá defender os interesses económicos da Europa, da Goldman Sachs, de ambos, de quem?

“ninguém parece saber realmente, em larga medida por o mundo dos derivados ser tão obscuro. Mas a possibilidade de que uma companhia algures tenha segurado milhares de milhões de dólares de dívida europeia adicionou uma nova tensão ao debate das dívidas soberanas. […] As incertezas que se agigantam são se esses contractos — que seguram contra a possibilidade de um default da Grécia — estejam concentrados nas mãos de apenas algumas companhias, e se essas companhias serão capazes de pagar os milhares de milhões de dólares para cobrir essas perdas durante um default. […] O total da exposição, por alto, dos cinco países europeus em maiores dificuldades — Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha — é de aproximadamente 616 mil milhões de dólares. E um número efectivo e total dos derivados desses países é ainda desconhecido. […] «É por isso que os europeus avançaram com esta opção ridícula, porque não fazem ideia do que anda por aí. Temem um default. A indústria ainda se recusa a providenciar a informação necessária para se entender isto. Eles mantêm-nos reféns. […] O processo é controlado de forma restrita por um pequeno grupo de banqueiros num grupo intitulado de Associação Internacional de De Swaps e Derivados.”
In CNBC

Hmmm, 1+1 costuma ser igual a 2, quer dizer, neste sistema keynesiano nem sempre 1+1 é 2, por vezes transforma-se num múltiplo elevado do dois!
Goldman, Draghi, Grécia, derivados… Hmmm
E a Europa?

“Será possível que o que era tão óbvio para tantos tenha escapado aos olhos do exército de analistas especializados do Eurostat? Claro que sim, se por lá existir vontade em tapar os olhos. […] descobri que a contabilidade das contas do tesouro da UE não eram credivelmente auditadas há mais de uma década. Alertei os meus superiores e pedi reformas. Fui afastada. […] O segredo aberto que corre nos corredores da Comissão Europeia e do Parlamento Europeu é que há época da entrada da Grécia no euro, o Eurostat e o Comissário dos Assuntos Financeiros de então, Pedro solbes, sabiam que qualquer voz que alertasse sobre a entrada da Grécia no euro seria silenciada. […] os arquitectos e guardiões do euro em Berlim, Paris,no Luxemburgo e principalmente em Bruxelas tinham um forte incentivo para expandir a moeda a qualquer custo. O euro é a forma mais rápida na direcção de uma integração federal e política mais profunda entre as nações europeias.”
In The Wall Street Journal

Hmmm, Goldman, Draghi, Grécia, derivados, silêncio, encobrimento, euro…
Mas qual poderá ser o objectivo, qual o interesse, porquê tais opções? Serão mesmo todos corruptos como aponta a estudo realizado na Grécia, ou poderá existir algo mais além nestas promiscuidades estratégicas e perigosas para a democracia?

“a grande estratégia que é perseguida em Bruxelas. Tem como objectivo atingir, sem o recurso à guerra, a realização de um sonho por efectivar desde a queda de Roma, o primeiro império pan-europeu. […] A criação de uma moeda comum, ou para ser mais correcto, da única moeda, o euro, não foi apenas um meio para atingir um fim, mas uma arma para alcançar por meios económicos um governo europeu. Foi com objectivos políticos, não económicos. […] Por isso não demorará muito tempo para que o imperador colectivo em Bruxelas anuncie que Tebbit esteve todos estes anos correcto quando disse ao Chanceler Clarke que nenhuma moeda podia ter dois, quanto mais uma dúzia de chanceleres e que tinha de existir Um euro, Um chanceler, Um Ministro das Finanças, Uma taxa unificada de impostos e Uma economia europeia.”
In The Telegraph

Estaremos todos a ser engolidos pela maior mentira contada nos tempos modernos? Estará o sistema de keynes a servir de colchão a todas  estas jogadas de bastidores?
Sempre me fez muita confusão a ignorância colectiva no mundo bananeiro em relação às limitações das teorias keynesianas e suas encruzilhadas na aplicação prática à realidade das economias. Tenho preferido sempre pensar que não seria nada mais que um desejo, um sonho de um futuro de crescimento eterno que toldava as mentes que por obrigação tinham de estar mais despertas, a mente dos bananas. Terei estado enganado este tempo todo? O tempo o dirá… mas…

Conclusão:
A Grécia suspensa num precipício montado por keynes… ou não?
A ignorância dos bananas gregos e europeus deve-se a keynes… ou não?
Os Zé Povinhos revoltam-se, na sua essência, contra Keynes… ou não?
É o mundo de keynes que se esquece do Zé Povinho… ou não?
Portugal será vítima do mesmo Keynes… ou não?
Mais dívida para saldar dívida é por Keynes… ou não?
Não?!?!
Não é que o precipício é amigo de Draghi e da Goldman… e não é que Draghi é amigo da Grécia e dos seus trafulhas… e não é que os mesmos derivados que enterraram o Lehmans na escuridão de um colapso económico mundial poderão ser eles o mover deste bananal… e não é que nem sempre aquilo que aparenta ser o é… e não é que keynes poderá ser uma vítima de outros sonhos que não dos seus erros… e não é que cada vez menos a democracia é uma imagem visível reflectida no espelho do nosso futuro?????
Keynes e bananas… sonhos de uns, pesadelos para o geral… tudo isto cada vez mais se assemelha a um precipício conscientemente cavado no colchão de keynes e na ignorância dos Zé Povinhos…

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