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O Caçador Vai Virar Caça

Estamos todos (?) atentos ao que se passa com Portugal e ao que se passa no Japão, mas a maioria poderá estar a leste daquilo que está a acontecer nos Estados Unidos e com o dólar, por isso hoje vou abordar os sinais que nos chegam dos “states”, sinais esses que a nível económico são tão ou mais perigosos para este sistema económico vigente como a crise do euro, ou a crise nuclear no Japão.

Howard Davidowitz, um dos mais acérrimos críticos de como a economia americana, especialmente a Fed, respondeu e responde à crise que assolou este mundo desde 2008.
Eis o que ele nos diz:

“Nunca o dólar enfrentou tamanho perigo”(…) Davidowitz acredita que se Washington não refrear os seus hábitos com a despesa, as taxas de juro irão aumentar e a inflação irá disparar. Vejam o valor do dólar, e a crise que se está a formar, com as nações soberanas a diversificarem os seus portfolios para além dos bens denominados em dólar.
In Yahoo! Finance

Mas que significa realmente isso das nações soberanas estarem a diversificar os seus portfolios?
Peguemos no exemplo da China e nas recomendações do seu banco central – recomendações que deviam ser as mesmas de todos os bancos centrais deste mundo:

O Banco Popular da China (PBOC) recomendou ontem a 1 milhão de chineses que levem em consideração a aquisição de ouro como salvaguarda contra a inflação, de modo a conseguirem preservar a sua riqueza num mundo em que as moedas podem perder valor.
In Forbes

Hmmm… o país que é hoje em dia o banco dos Estados Unidos – quem mais dinheiro lhes empresta – recomenda a compra de ouro em vez de dólares, facto que vai contra todas as suas directrizes no passado mais recente?
Hmmm… isto parece que a China vai começar a deixar de investir nos dólares, e se deixar de investir em dólares irá deixar de comprar, ou reduzir substancialmente a compra de dívida americana…. Hmmmm… se a China deixar de financiar a dívida americana, onde irão os Estados Unidos encontrar neste mundo alguém que lhes financie a dívida? Onde? No Japão que está a braços com a maior crise desde a Segunda Guerra Mundial, o seu segundo maior financiador da dívida? Tal não me parece de todo plausível. Então Onde?
Não há quem!

Bem, e se não há quem, então o que terão de fazer os Estados Unidos para conseguir sobreviver ao mais que provável choque que se está a formar?

“Temos de cortar na despesa. Francamente, temos de cortar na despesa mais do que tem sido falado e durante um longo período de tempo.”
Walker prevê que os Estados Unidos terão de enfrentar uma crise da dívida “nos próximos dois a três anos” e implorou aos legisladores em Washington para “acordar”.
In CNBC

O senhor que disse isto não é um qualquer, é o antigo responsável máximo pelas contas dos Estados unidos, de 1998 a 2008, o Sr. David M. Walker, um dos principais responsáveis indirectos pelas coisas estarem como estão nos Estados Unidos e no mundo, que agora tenta a todo o custo avisar os seus pares que as coisas estão a chegar ao precipício… ao fim.

Este nosso mundo está a enfrentar desafios dantescos gerados pelas mentiras que se têm vindo a acumular ao longo das últimas décadas, pelas noções arbitrárias de defesa constante dos que mais têm em prejuízo dos Zé Povinhos do mundo, pela noção que dinheiro barato nas economias resolvem os problemas… tudo isto somado, e mais algumas coisas que não identifiquei aqui, estão a conduzir este mundo para um abismo.
Para verificarmos as mentiras -parte delas-  se calhar basta analisar o gráfico abaixo:

A taxa oficial de inflação seguiu sempre de perto o aumento do preço do petróleo… bem… quer dizer… hmmm… por volta de 1995 as leituras deixaram de estar interligadas… hmmm…
Deixo ao vosso critério uma análise mais profunda, mas, para mim, isto reflecte aquilo que cada vez mais vezes assistimos nas contas que servem de sustento à economia, sejam as contas para Portugal, para a Europa, para os EU, ou para a cochinchina… aquilo que chamo de “mão”nipulação, ou seja, uma mãozinha nos números de forma a dar-lhes um ar muito mais cor-de-rosa do que a real realidade.

Este é um mundo que anda desvirtuado nas suas virtudes, onde aquilo que devia ser não o é, e aquilo que não devia acontecer acontece:

Enquanto os americanos continuaram a sofrer com o declínio na economia, alta taxa de desemprego e aumento na inflação, a Reserva Federal americana obteve um lucro recorde de 81,7 mil milhões em 2010 – um crescimento de 53% quando comparado com 2009.
In RT

Tudo o que seja instituição financeira neste mundo está a lucrar como nunca! Tudo o que é aglomerado de capitais está a lucrar como nunca! Todos os que são ricos ficaram ainda mais ricos!
Onde está a virtude nisto?!?!?
Onde está a decência nisto?!?!

No mundo financeiro actual não existe decência, existe apenas lugar para o lucro.
Ainda ouvimos falar, e falar, e mais falar, que iriam ser tomadas medidas para controlar os mercados e as loucuras dos casineiros nesses mercados. Ouvimos isso vezes sem conta quando o mundo entrou em recessão em 2008, mas passados três anos o caso está igualzinho ao que estava antes de 2008:

Segundo dados da entidade norte-americana responsável pela regulação e supervisão de todos os bancos nacionais e agências de bancos estrangeiros nos EUA, cerca de 95% desta indústria, avaliada em 174 biliões de euros, é detida por quatro bancos de Wall Street.
In Diário Económico

Os mesmo que brincaram com a economia mundial antes de 2008 são os mesmos que continuam a brincar com ela em 2011, tudo isto com o apoio tácito dos bananas deste mundo e das instituições que nos dizem defender a economia… mas defendem a economia de quem??????
174 biliões?!?!?!?!? Sabem, o pacote de ajuda da UE\FMI às economias em estado titubeante na Europa tem “pouco” mais de 400 mil milhões… 174 biliões?!?!?!?!
Façam um exercício para ajudar a entender o “tamanho” desse número… dividam esse valor pelo número de habitantes no planeta e vejam quanto dá per capita:
Portanto, 6,7 mil milhões de habitantes actualmente no planeta a dividir por 174 biliões… é igual a 25.970,000 dólares per capita… apenas em derivados…  e apenas nos Estados Unidos… e apenas o número que os 4 grandes controladores deste mercado dizem ter… porque as contas independentes feitas ao valor desse mercado ultrapassam e muito os 174 biliões… mas em muito!!!
Quantas pessoas neste mundo se dão ao luxo de ter em carteira 26 mil dólares? Quantas?

Se calhar acham que fui injusto ao escrever que os bananas continuam a dar o seu apoio tácito a estes monstros. Se consideraram tal, então talvez concordem, consigam compreender e dar razão a estas medidas aprovadas pelos bananas portugueses:

Ministros, autarcas e directores-gerais, a partir de Abril todos estão autorizados a gastar mais dinheiro. No caso dos presidentes de câmara, o montante dos contratos que podem decidir por ajuste directo pode chegar aos 900 mil euros (até agora o máximo era 150 mil).
In Diário de Notícias

Faz tudo parte da mesma festa das loucuras que vamos assistindo no mundo dos “eles”, onde uns podem muitíssimo mais que os outros, onde uns têm cada vez muito mais que os outros, onde os outros são cada vez mais espezinhados pela loucura insana e ganância destes seres sem adjectivação possível…

Mas nós, os Zé Povinhos deste mundo, não iremos ser os únicos a ser afogados na onda da loucura destes seres, eles também irão perder muito, e muito mais do que julgam ser possível perder:

“O verdadeiro impulsionador do preço do ouro é o oceano de reservas monetárias que estão a ser criadas pelos bancos centrais irresponsáveis do globo,” disse David Crichton-Watt, manager de um fundo sediado em Kuala Lumpur avaliado em 140 milhões de dólares. “O resultado provável será hiperinflação, por isso o ouro poderá chegar a valores impensáveis.”
In Bloomberg

Quando alguém que joga na mesma mesa dos casineiros vem a terreiro afirmar tal coisa – ele que ganha rios de dinheiro no jogo actual -, só pode ser algo que deve ser levado não apenas em consideração mas levado muito e muito a sério. Hiperinflação!!!!
Hiperinflação significa a morte do Zé Povinho, mas também a morte do sistema financeiro mundial e das economias deste mundo, quase sem excepção.
Se acham que estamos em crise, então, segundo as palavras deste Sr., preparem-se porque estamos a viver no paraíso e o inferno poderá estar aí mesmo à porta, tudo à conta do jogo dos casineiros, à conta da mama dos bananas e à conta da ignorância dos Zé Povinhos…

Sabem, já existem exemplos de hiperinflação neste mundo:

Os preços ao consumidor subiram 12,91% em Fevereiro depois de um ganho de 14,19% em Janeiro, disse a Agencia Federal de Estatísticas em 10 de Março. (Paquistão)
In Bloomberg

Bem, para quem estes números não fazem logo disparar todos os alarmes de perigo, vou deixar aqui uma pequena explicação da verdadeira profundidade dos problemas que estão associados a isto:
Caso tenha um ordenado de 1000 euros em Janeiro e a taxa de inflação acumulada seja de 10% ao mês, em Outubro o seu poder de compra será inferior em 100%, ou seja, os seus 1000 euros valerão em Outubro o equivalente a 500 euros de Janeiro, portanto é o mesmo do seu ordenado ter sido reduzido para metade… isto no espaço de 10 meses… o mesmo que está a acontecer no Paquistão.
O Paquistão está longe, é distante?
A ver vamos…

Conclusão:
Os reis desta selva andaram e andam a brincar aos dólares… os mesmo dólares que são agora preteridos pelo ouro, dizem os reis da outra selva que compra a selva dos eles… e nesta selva aparecem animais, que já foram leões no seu tempo, a avisar que a selva está prestes a terminar… pois por muita mentira que se plante, o mundo não se irá dar eternamente ao desplante… mas enquanto isso, leões predadores continuam a angariar cada vez mais presas… e chegamos à conclusão que no reino dos leões existem apenas 4 que são machos de juba… e na selva que resta de Portugal os nossos leõezinhos que comem bananas continuam a caçar livremente… e no entanto… a caça… está a ficar cada vez mais escassa e complicada… tão complicada que o caçador vai virar caçado, porque a caça de hoje vai responder e morder nos leões que ontem o foram…

Notícia do Yahoo! Finance – “The Dollar Has Never Been at Greater Risk,” Says Howard Davidowitz
Notícia da Forbes – China’s Central Bank Recommends Gold For “Value Preservation”
Notícia da CNBC – US Finances Rank Near Worst in the World: Study
Notícia do Business Insider – A Look At The Margin Squeeze And Inflation Risk That’s Threatening The Economy
Notícia do RT – Fed reports massive profits
Notícia do Diário Económico – Mercado de derivados é dominado por quatro bancos
Notícia do Diário de Notícias – Lei autoriza Estado a gastar (muito) mais já em Abril
Notícia da Bloomberg – ‘Ocean’ of Money to Drive Gold’s Record Rally, Phoenix Says
Notícia da Bloomberg – Pakistan Holds Key Rate at 14% After Inflation Slows to Lowest in 7 Months

Tsunami Económico

Continuação do artigo: Tsunami Nuclear

As certezas da vida moderna foram num pequeno instante colocadas em causa por um terramoto imenso, por um tsunami de dimensões cataclísmicas e por um desastre nuclear.
O Japão, a terceira maior economia deste nosso mundo, ficou de rastos. Quais os impactos para o restante do mundo deste tsunami económico que se está a formar?
Esta é a pergunta que vou tentar parcialmente responder, e escrevo parcialmente porque a amplitude de tal solavanco para a economia mundial tem tantas ramificações que se torna quase impossível de conseguir extrair todos os seus impactos directos e indirectos.

Antes demais, para não variar, muita da informação que iremos ter acesso nos meios de informação generalistas tenderá a fornecer-nos uma visão optimista, na melhor das hipóteses… isto caso os meios de comunicação generalistas sigam com a sua conduta habitual, tal como podemos facilmente constatar neste caso:

Desastres no Japão não causarão recessão mundial, acreditam economistas.
In Deutsche Welle

Mas pior, é que esta informação anda quase esquecida nos meios de informação… e quando escrevo “quase”, estou a ser simpático para com a ausência de análises a este problema, pelo menos nos meios de comunicação em língua portuguesa.
Mas seguindo com as palavras dos economistas optimistas:

Wolfgang Leim, acredita que no momento não há perigo de recaída numa recessão. Ele acredita que, como ocorre após grandes greves, a redução provocada pelo cancelamento da produção em alguns setores pode ser recuperada. Parte da produção pode ser deslocada das empresas afetadas para suas unidades em outros países.
O economista-chefe do Unicredit, Andreas Rees, opina que, mesmo havendo um recuo nas atividades econômicas japonesas nos próximos dois ou três meses, este efeito será compensado posteriormente.
O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, (…) o Japão pode até mesmo experimentar um boom econômico, comparável ao dos Estados Unidos na década de 1930, durante o “New Deal” do presidente Franklin Roosevelt.
In Deutsche Welle

Quase tudo positivo e bonito, não é verdade? O Japão vai recuperar num instante, o mundo não sofrerá consequências e isto até poderá mesmo representar um “boom” económico para o Japão. Estarão estas noções correctas? Porque razão quase só deram voz a noções positivas? Será isto uma vez mais informação tendenciosa, a quase regra da informação presente nos meios de comunicação generalistas? A ver vamos, mas os indicadores…

Quais os impactos para o sistema económico, para as energias e para o crescimento económico deste mundo?

O desastre na terceira economia do mundo é um factor inesperado que veio baralhar todos os outros que estavam previstos e descontados por analistas e mercados financeiros.  (…) está agora em risco não só o crescimento económico no Japão e na Ásia, como também a nível global. Para além do drama humano, começam-se a fazer cálculos económicos, após os efeitos imediatos da destruição de cidades, infra-estruturas rodoviárias e ferroviárias, fábricas, bens de consumo duradouro, campos agrícolas e fontes energéticas.
Também serão severamente afectadas as relações comerciais com os seus principais parceiros, nomeadamente a China que é o seu principal fornecedor. Não só se quebrará parte da procura nipónica para as suas cidades e fábricas na parte norte do país (no cenário futuro de reconstrução esta situação será fortemente invertida), como as exportações serão menores, com os efeitos que tudo isto acarreta a montante e a jusante.
In Diário Económico

Comecemos então pelo sistema económico:

Weinberg questiona se as pessoas afectadas pelo desastre irão pagar as suas hipotecas, os seus créditos e as dívidas dos seus cartões de crédito.
Ele afirma: “Poderemos assistir aos bancos a terem de assumir perdas em parte do seu portefólio de empréstimos.”
In CNBC

Esta é uma questão de análise tão simples no entanto nem sequer tem sido identificada pela grande maioria dos meios de comunicação generalistas.
Que perdas terão de ser assumidas pela banca japonesa que está intimamente ligada à banca mundial?
Sabemos que o Banco Central japonês já injectou mais de 300 mil milhões no mercado. Terá de injectar quanto mais para “salvar” os portfolios dos seus bancos? E a inflação que daí resultará?

A economia japonesa, já enfraquecida, talvez já mesmo em recessão antes da calamidade, irá ficar ainda mais fraca.
In New York Times

Portanto, é quase uma inevitabilidade o Japão entrar em recessão, Japão que representa aproximadamente 6% do PIB do mundo…6%! Se o Japão entrar em acentuada recessão o que irá acontecer ao crescimento no mundo? Sabem, em matemática 1+1=2, e neste caso é igual a uma provável recessão…

“Uma acentuada desaceleração no PIB do mundo, na segunda metade deste ano, é algo que não pode ser descartado.”
In The Globe and Mail

Num mundo já assolado pela crise no petróleo, pelas “revoluções” no Norte de África e Médio Oriente, pela alta da inflação na Ásia e nos mercados emergentes, pelas crises do crédito e descrédito com a banca, e pela dívida monumental que assola as economias desenvolvidas do mundo, tem agora de se juntar a isso tudo a crise de fundo no Japão.

Analistas dizem ser possível que as consequências venham a ser sentidas pelo mundo na forma de inflação mais elevada, diminuição no crescimento, ou num choque potencial para o sistema financeiro.
In The Washington Post

Porquê uma aceleração da inflação?

Especialistas em logística afirmam que o terramoto expôs pontos fracos críticos para uma vasta gama de negócios comerciais, tal como para as indústrias electrónicas e de produção automóvel.
In The Wall Street Journal

Uma aceleração na inflação porque o Japão representava quase 40% das exportações de componentes electrónicos para o mundo. A destruição das áreas costeiras japonesas levou com elas tanto as centrais nucleares como outras centrais geradoras de energia eléctrica, assim como muitas fábricas produtoras. O Japão não tem actualmente capacidade geradora de energia eléctrica para alimentar todo o seu tecido produtor, nem tal será exequível num espaço de tempo inferior a seis meses. O mundo terá de encontrar novos fornecedores, ao mesmo tempo em que a oferta diminui, o que fará inevitavelmente disparar o preço dos bens… preço que daqui a uns meses estará reflectido no mercado para os consumidores.
E há outro factor que está a ser recorrentemente “esquecido”… o Japão tenderá a passar de economia exportadora para uma economia importadora de forma a conseguir reabilitar as infra-estruturas que ficaram destruídas, assim como para conseguir aumentar a sua produção de energia através dos métodos convencionais, petróleo e carvão, que irão ser mais um dos factores a criar pressão inflacionária sobre o mundo. O Japão irá aumentar a pressão da procura sobre matérias-primas que já estavam sobre pressão na produção, e em vários casos, até mesmo em declínio, o que criará uma vaga inflacionária sobre o mundo.

Para além de que esta falta de componentes já estar a arrasar com parte da economia mundial:

Na quinta feira passada, a General Motors Co. tornou-se no primeiro produtor de automóveis a ter de encerrar uma fábrica por causa da crise no Japão.
In The Wall Street Journal

Desengane-se quem pensar que será apenas um problema para as fábricas de automóveis… Quase todas as indústrias que necessitam de componentes electrónicos estão a ser afectadas de forma violenta, levando que a maioria das fábricas produtoras no mundo estejam a reduzir a produção de modo a tentar evitar a todo o custo a paragem, e a tentarem arranjar tempo para encontrar novos fornecedores num mercado já de si espremido.

Mas existe um problema que poderá vir a ser mesmo uma bomba atómica para a economia mundial:

As suas corporações e bancos estão imensamente interligadas com o mundo e fazem parte do tecido que liga a economia global.
In The Washington Post

O Japão foi o segundo maior comprador de bilhetes do Tesouro americanos, e comprou em Janeiro mais de 20% (…) da dívida emitida pelo Fundo de Estabilidade do Euro para financiar os países em dificuldades na periferia do Euro.
In The Globe and Mail

O Japão é um dos maiores e mais activos financiadores das economias mundiais. O Japão é o segundo maior detentor de dívida americana e um dos maiores de dívida dos países europeus. Se actualmente já é tão difícil para a maioria dos países encontrarem financiadores para a sua dívida, o que irá acontecer daqui para a frente com o quase desaparecer do Japão do mercado enquanto comprador?

“As suas poupanças irão agora ser redireccionadas, directa ou indirectamente (através da aquisição de títulos japoneses), para a reconstrução, estes fundos deixarão de estar disponíveis para financiar economias estrangeiras.”
In The Globe and Mail

Mas há ainda pior… e se o Japão tiver de vender os seus investimentos em dívida dos outros países de modo a conseguir financiar a sua reconstrução?

O iene ganhou terreno durante toda a semana ao dólar – o oposto que se poderia esperar. Mas as companhias japonesas e investidores estiveram a fazer retornar o seu dinheiro para o território japonês, de modo a conseguirem pagar os imensos custos de reparação.
In New York Times

O Japão poderá vir a vender parte dos seus investimentos em dívida estrangeira, incluindo dívida dos Estados Unidos, para financiar um aumento da despesa depois do maior terramoto registado no país ter deixado milhões sem electricidade e sem água, de acordo com a Brown Brothers Harriman & Co.
In Bloomberg

Este é o terceiro factor de pressão inflacionária directamente ligado aos problemas que afectam o Japão. Mais dólares e mais euros entrarão no mercado se o Japão começar a vender os títulos de dívida de países estrangeiros. Eis o porquê do desespero dos bancos centrais das sete economias mais fortes do mundo andarem que nem doidos a vender ienes de modo a tentar controlar uma implosão das moedas mundiais.
Se o Japão começar a vender dívida de terceiros o mundo económico irá mais que provavelmente explodir em inflação e em contracção económica.

E o que fará este mundo casineiro e bananeiro quando tiver de enfrentar pelos cornos estes problemas?
O mesmo que tem vindo a fazer até aqui (Já o está a fazer)… irá imprimir dinheiro para tentar acolchoar a queda, acção que irá aumentar e agravar as pressões inflacionárias sobre o mundo… que irão por si ajudar a contrair ainda mais fortemente a economia mundial…

E falta juntar a todos estes tópicos a cereja no topo do bolo.
Se acontecer um desastre nuclear tipo Chernobyl no Japão, como se afigura cada vez mais provável? Pois é… todos estes factores tenderão a ser exponencializados N vezes… e a seguir será apenas o início do fim há muito anunciado…

Conclusão:
Japão papão em apagão… apagão que já se estende a todo o mundo… e inflação que irá papar tipo comilão aquele mundo que julgava estar desenvolvido… mas desenvolvido poderá ser apenas um desenvolver em marcha-atrás… atrás daqueles sonhos que são na realidade mais pesadelos, criados por homens que se julgavam superiores ao planeta… mas este planeta é vida, e a vida não se padece com sonhos de crescimento eterno… e de inflação em inflação iremos chegar até ao porto da desgraça em que seremos violentamente consumidos pela onda de um tsunami económico que engolirá todo este mundo… de eterno… e ilusório… crescimento.

Notícia do The New York Times – Certainties of Modern Life Upended in Japan
Notícia do Deutsche Welle – Desastres no Japão não causarão recessão mundial, acreditam economistas
Notícia do Diário Económico – Godzilla existe!
Notícia da CNBC – Nikkei Losses to Double: Economist
Notícia do The New York Times – A Crisis That Markets Can’t Grasp
Notícia do The Globe and Mail – Global economy faced with a new recession
Notícia do The Washington Post – Japan earthquake’s aftermath: Economists more pessimistic about long-term impact
Notícia do The Wall Street Journal – Crisis Tests Supply Chain’s Weak Links
Notícia do The New York times – Stress Test for the Global Supply Chain
Notícia da Veja – Catástrofe no Japão pode mudar planos de montadoras
Notícia da Bloomberg – Japan May Sell U.S. Treasuries After Earthquake, Brown Brothers’ Thin Says

Um Faz de Conta…

Médio Oriente é o espelho de revoluções por inflação desde 1200 DC. A América do Sul aprecia um “boom” na classificação de crédito… por ora. Bancos Centrais sul americanos vêem agravamento do risco económico. A economia brasileira vacila com o aumento dos preços. É dito que a Argentina está a ameaçar os economistas que questionam os dados. Colômbia aumenta inesperadamente a taxa de juro para controlar a inflação. Beijing irá crescer menos. Economia dos Estados Unidos cresce apenas 2,8%.

Os motores do mundo desde 2007, as economias dos mercados emergentes, principalmente as dos BRIC, estão a começar a sentir os solavancos de uma economia mundial excepcionalmente dependente da liquidez de dólares e do preço do petróleo.
Se os mercados emergentes começarem a reduzir o passo do seu crescimento (PIB) o mundo irá, muito provavelmente, começar a contrair num todo.

Já por aqui fui escrevendo sobre as economias asiáticas, sobre os Estados unidos, sobre a Europa, sobre o Médio Oriente, mas estava em falta falar das economias sul americanas e principalmente da economia brasileira.

Antes de mais, vou tentar contextualizar com a História aquilo que o mundo está a enfrentar hoje em dia, pois desengane-se quem pensar que estamos a lidar com um caso sem paralelo:

Desde a Idade Média que a inflação conduziu a revoluções politicas e podemos estar na presença da quinta revolução do género.(…)
A primeira vaga de alterações nos preços aconteceu durante a Idade Média, culminando com a peste negra. As outras três ocorreram no séc. XVI, no séc. XVIII e no virar do século passado. Cada uma dessas ondas inflacionárias durou aproximadamente 100 anos, de acordo com o trabalho de Fischer.
“Durante as últimas quatro revoluções nos preços, os alimentos e a energia lideraram o movimento de crescimento, seguidos de perto pelo aumento dos bens manufacturados e dos serviços,” escreve Yardeni, um reconhecido estratega de Wall Street que já fez parte da Reserva Federal americana e do Tesouro. “A relevância da história das anteriores vagas inflacionárias é simplesmente assustadora.”
In CNBC

Portanto, os homens que actualmente andam a brincar à inflação têm plena consciência dos danos que tal acção pode causar no nosso mundo, pois sabem o que aconteceu na História. Podemos então afirmar que andam a brincar com o fogo e que quem brinca com o fogo costuma queimar-se a si e a todos os outros…

Então que história é essa que a História nos conta?

(…) descreve o inicio das vagas com o aumento da inflação, seguida depois com os governos a imprimir moeda. Em resposta, começa a surgir um acnetuado aumento no preço dos bens, gerando um cavar das desigualdades entre rendimentos porque a elite resiste ao aumento de impostos. Os desprezados, especialmente os da geração mais jovem, ficam desesperados e irados e começam a mobilizar-se em grupos para estimular revoluções politicas. A vaga termina numa tremenda volatilidade financeira e no fim em um colapso dos preços e das taxas de juro.
In CNBC

Relembro que esta é uma análise do passado e não uma dos dias de hoje… mas é incrível a semelhança entre o que ontem o mundo enfrentou e o que hoje o mundo enfrenta e está a enfrentar..
Irá desta vez ser diferente?
Terão os Homens aprendido com os erros do passado?

Entrando agora na América do Sul, que servirá neste texto como exemplo para tentar responder às questões que salientei acima…

A América do Sul está a beneficiar de um “boom” na avaliação ao seu crédito, não obstante um declínio constante das credenciais financeiras nos bancos do Médio Oriente, mas existem sinais que isso poderá ser uma bolha que pode estoirar sem aviso.
Na semana passada o Brasil recebeu avisos de que o seu inflado mercado de crédito comporta riscos que podem arrastar a sua exuberante economia, depois de repetidos alertas de que as moedas sobreaquecidas de vários países emergentes, incluindo as do Brasil e do Chile, poderem minar o crescimento dos seus PIBs que são impulsionados pelas exportações.
In UPI

A verdade é esta… estes países estão quase totalmente dependentes das exportações para crescer e sofrem mais violentamente e directamente as agruras do aumento da inflação quando em crescimento, pois para se manterem competitivas as suas moedas têm usualmente de depreciar. Ao invés, caso o mundo no seu todo comece a entrar em contracção as suas exportações entram em declínio e com elas as suas economias, sobrando apenas altas taxas de inflação e depressão, aquilo que é o mais temido no mundo financeiro: a estagflação – contracção económica acompanhada de inflação.

Alguns poderão afirma que tal cenário de stagflação é verdadeiramente descabido perante a exuberância demonstrada por estas economias, mas atenção que:

Os principais bancos centrais da América do Sul concordaram na sexta-feira que a sua tarefa se tornou mais complexa diante de maiores pressões inflacionárias causadas pela alta dos alimentos e do petróleo.
Além disso, as entidades indicaram que os riscos de uma desaceleração mundial aumentaram devido à tensão no Oriente Médio e norte da África.
In Reuters

Portanto, não é de todo algo descabido, muito antes pelo contrário…

Mas existem outros problemas subjacentes ao crescimento desmedido e descontrolado que estas economias têm gerado.

O Brasil é um excelente exemplo de como décadas de fraco crescimento económico deixaram o país mal preparado para as exigências do crescimento que está actualmente a gerar .
Desde interrupções na distribuição de energia, a estradas incapazes, à falta de mão-de-obra qualificada, pontos de estrangulamento na economia que estão a fazer aumentar os custos de produção e de distribuição e a limitar o fornecimento de bens e serviços a um mercado devorador. As limitações, não obstante o constante crescimento, colocam em causa a capacidade do Brasil progredir em direcção a uma prosperidade sustentável a longo termo.
In Wall Street Journal

Portanto, o Brasil, assim como a maioria das economias emergentes, são (quase) apenas verdadeiras estruturas remendadas com pouca sustentabilidade e geradores de cada vez maiores discrepâncias de rendimentos entre classes. Como vimos atrás, a História conta-nos que isso foi o rastilho que impulsionou as sublevações sociais, assim como o presente nos está a apresentar os mesmos condimentos em acção no Médio Oriente.
O Brasil e as restantes economias emergentes têm de esperar que o mundo continue a crescer ao ritmo que lhes tem providenciado o seu crescimento económico, porque não têm mercado interno suficiente para manter uma sustentabilidade mínima das suas economias. A sua dependência das exportações é tal que um soluço da economia mundial poderá deixar várias destas economias emergentes em profundo estado de coma social.

Acho que alguns destes mercados emergentes já começaram a tentar controlar o eminente estado de coma… ora vejamos:

O governo argentino está aparentemente a entalhar a pressão gerada pelos economistas do sector privado que questionam a fiabilidade dos seus dados sobre a inflação.
O responsável de uma firma de consultadoria financeira afirmou esta sexta-feira ter recebido telefonemas em tom de ameaça de modo a tentar prevenir que tecesse comentários sobre a inflação.
De acordo com o Indec, os preços ao consumidor subiram 10,6% em Janeiro. Mas economistas dizem que a verdadeira taxa de inflação está próxima dos 25%, ou mais, e que os preços poderão subir ainda mais rápido este ano.
“Nem o governo militar chegou a tal ponto,” afirmou Ferreres. (…)
In Nasdaq

A História conta-nos também que o status quo instituído faz de tudo para manter a coesão social que lhes dá guarida ao poder, seja na Argentina, no Brasil, nos Estados Unidos, em Portugal, ou na cochinchina…
Estará a América do Sul, a América, a Europa, o mundo nas mãos do mesmo tipo de cambalachos nos números?
Acho que basta ir lendo as notícias do dia para terem direito a uma resposta concisa em relação a isso… SIM!

Talvez por isso seja quase sempre uma surpresa para os (pseudo) analistas internacionais quando um país aumenta as taxas de juro nos seus bancos centrais. Desta vez foi na Colômbia:

Os responsáveis colombianos subiram hoje inesperadamente a sua taxa de referência, pela primeira vez em dez encontros, para tentar acalmar a crescente demanda interna.
In Bloomberg

Isto só é uma surpresa porque os números não batem certo, porque a baterem nunca existe surpresa que conduza à tomada de tal medida que coloca em causa o crescimento económico, e como todos (?) já devem estar a par, as últimas medidas que as economias desejam tomar são as que colocam travão ao crescimento.
Daqui só há uma questão a retirar: A inflação está descontrolada!

Portanto, estes mercados emergentes que têm sido a âncora, nos últimos anos, do crescimento do mundo estão a braços com taxas de inflação quase inacreditáveis, com défices estruturais monumentais e com uma cada vez mais que provável manipulação dos dados que servem de sustento à sua realidade… tudo bons indicadores…

Falta juntar a isto mais um indicador, a China e os Estados Unidos:

O Primeiro Ministro Wen Jiabao afirmou que o objectivo oficial para o crescimento nos próximos 5 anos será revisto em baixa de 7,5% para 7%.
In The Wall Street Journal

A economia dos EUA cresceu 2,8% no quarto trimestre de 2010, face ao homólogo, e não os 3,2% anteriormente estimados, revelou esta sexta-feira o Departamento do Comércio norte-americano.
In Agência Económica

Por fim… os dois principais mercados mundiais que absorvem as exportações dos países emergentes estão em contracção no seu crescimento. A dependência dos mercados emergentes destes dois motores da economia mundial é tal que contracções marginais das suas taxas de crescimento poderão conduzir a pequenas catástrofes nas economias dos emergentes. E como o motor principal das grandes economias do nosso mundo, o petróleo, não dá sinais de querer parar de subir de preço, o que iremos inevitavelmente assistir será a uma contracção no crescimento dos seus PIBs que poderá conduzir a uma nova recessão no mundo.
Tenho poucas dúvidas ao afirmar que um mundo em recessão será desta vez muito mais violento para as economias emergentes, que escaparam do solavanco de 2008, do que para o restante deste mesmo mundo. As suas economias cresceram desmedidamente nestes últimos anos, impulsionadas por um aumento exponencial da procura de matéria-prima e excesso de investimento\liquidez nos seus mercados, e como estruturalmente são economias seguras quase apenas por arames poderão vir por aí abaixo tal como o que estamos a presenciar hoje em dia no Médio Oriente…

Conclusão:
A História está cheia de histórias de quem não olha para o passado e por ele acaba por ser sorvido… e os que hoje emergem nesta História fazem-no mergulhados num rio de liquidez de riqueza ilusória, de papel… papel que no papel mostra que são apenas meros agrafos o que os segura a essa ilusão… e do mesmo papel é rasurada a verdade da verdade, sobrando pouco mais que mentira descrita em linhas de um faz de conta… e alguns continuam a fazer de conta que é sempre uma surpresa a surpresa de serem surpreendidos com linhas que nunca bateram com as contas, um faz de conta…
Por isso e para quem hoje emerge, talvez seja melhor continuar a fazer de conta que as suas contas são feitas de futuro… e sem agrafos…

Notícia da CNBC – Middle East Mirrors Great Inflation Revolutions Since 1200 AD
Notícia do UPI – S. America enjoys credit ratings boom — for now
Notícia da Reuters – BCs da América do Sul veem agravamento do risco econômico
Notícia do The Wall Street Journal – Brazil Economy Flickers as Bottlenecks Drive Up Prices
Notícia do Nasdaq – Argentina Said To Be Threatening Economists Who Question Data
Notícia da Bloomberg – Colombia Unexpectedly Raises Rate to Tackle Inflation
Notícia do The Wall Street Journal – Beijing to Slow Growth
Notícia da Agência Financeira – Economia dos EUA só cresce 2,8%

Este Mundo é Uma Mentira Inundada de Mentiras

Seis tabelas que demonstram que os bancos centrais pelo mundo estão a imprimir dinheiro de forma imprudente. Bernanke pede para que as regras do jogo sejam clarificadas. Como os biocombustíveis fazem aumentar o preço dos alimentos pelo mundo. Exportações de petróleo da OPEP caiem 2% empurradas pelo declínio na Arábia Saudita. Portugal endivida-se cada vez mais para comer. Portugal vive numa democracia podre. Nicolas Sarkozy diz que é necessário agir contra a grande ameaça da inflação. Economia americana: um grande esquema em pirâmide. Barclays pagou apenas 1% em impostos.

Inflação… o mundo bananeiro e casineiro está a começar a acordar (nas palavras) para o que se tem vindo a amontoar há pelo menos três décadas, desde quando o dólar deixou de ser resgatável em ouro, e exacerbado pela crise financeira de 2008 – excesso de liquidez nos mercados, vulgo, inflação.

Uma excelente compilação de dados no Business Insider ajuda-nos a compreender melhor a extensão da loucura desenfreada de um pseudo crescimento económico sustentado no numerário, quase afastado do real, conduzido por uma classe de Homens verdadeiramente, ou quase, dementes e diminutos na sua forma de analisar este mundo que devia ser de todos e para todos.

Se o dólar americano está a ser desvalorizado de forma tão intensa, então quais os porquês de por vezes ganhar valor a outras moedas do mundo? Bem, é porque actualmente estão todos a imprimir dinheiro de forma imprudente.
In Business Insider

Este tema devia ser uma preocupação central faz muito tempo… mas não… a mesma pandilha de bananas e casineiros que estão por detrás desta loucura monumental, apoiados por um silêncio ensurdecedor dos meios de comunicação generalistas e seus pseudo especialistas, são os mesmos que agora se dizem preocupados com o problema que eles conscientemente e ardentemente criaram.
Vejamos:

Estados Unidos

Fonte: Reserva Federal de Saint Louis

Um crescimento aproximado de 500% dos dólares em circulação no espaço de 30 anos!!!!! Aproximadamente 16% de aumento ao ano da moeda em circulação!!!!!

Europa


Um crescimento aproximado de 950%, ou 31,6% ao ano!!!!! (comparando com 1980)

Inglaterra


Fonte: Banco de Inglaterra

Um crescimento aproximado de 800%, ou aproximadamente 26% ao ano!!!!! (comparando com 1980)

China


Fonte: Banco Central da China

Um crescimento aproximado de 600%, ou aproximadamente 20% ao ano!!!! (comparando com 1980)
(Mais tabelas e exemplos estão presentes na notícia original – 6 Charts Which Prove That Central Banks All Over The Globe Are Recklessly Printing Money )

As conclusões a retirar destas tabelas são verdadeiramente simples: Um dia, este sistema que nos (des)governa irá deixar de conseguir absorver o excesso de dinheiro em circulação.
Acho que os sinais são mais que óbvios que estamos quase a lá chegar, se é que não estamos já por lá, mesmo que os insanos que nos conduziram até aqui consigam encontrar mais um coelho na cartola… mesmo assim é quase uma impossibilidade matemática o dinheiro fiat em circulação continuar a crescer a estes níveis…
Acho que já todos estão cientes que uma contracção do dinheiro em circulação é igual a recessão… por isso… que soluções existem para contornar isto?
Nenhuma que seja exequível dentro deste sistema que nos (des)governa sem que tal não exija taxas de crescimento negativo pelo mundo fora, ou seja, uma longa e continuada recessão durante décadas de forma a absorver gradualmente o dinheiro em excesso.
Qual o caminho que está a ser adoptado?
O da constante e contínua desvalorização das moedas em circulação, vulgo inflação, solução que é um imposto indirecto sobre os poupados e principalmente sobre as classes média e pobre.

Escrito isto, voltemos ao mundo da realidade pintada pelos meios de comunicação social para as massas…

O presidente da Reserva Federal dos EUA alertou hoje que os capitais que inundam os países emergentes ameaçam a estabilidade económica global, pedindo aos parceiros do G20, reunidos em Paris, que tomem medidas para resolver o problema.
“Os fluxos de capital estão, outra vez, a levantar desafios notáveis à estabilidade financeira e macroeconómica”, disse Bernanke, à margem da reunião dos ministros das Finanças e governadores de bancos centrais das 20 maiores economias desenvolvidas e emergentes.
In OJE

Depois de verem as tabelas expostas acima, o que me dizem de tais afirmações e vindo de um dos maiores impulsionadores da criação de moeda para impulsionar o (pseudo) crescimento (numerário)?
Pois é verdade, este é o mundo deles que infelizmente também é o nosso por ignorância da grande maioria dos Zé Povinhos deste mundo!

E então se analisarmos as pressões inflacionárias causadas pelo excesso de moeda fiat em circulação e o que está à acontecer com o sangue que tem sustentado esse crescimento do numerário, as energias?

As exportações de petróleo da OPEP caíram 2% em Dezembro, comparando com Novembro, com a Arábia Saudita, o maior exportador mundial, a reportar um declínio de 4,9%.
As exportações sauditas caíram para 6,05 milhões de barris por dia em Dezembro , quando comparado com Novembro, mesmo que a sua produção tenha aumentado para um máximo de dois anos de 8,37 milhões de barris por dia.
“Esta é uma diferença significativa,” disse John Sfakianakis, economista Chefe do banco com sede em Riade, Saudi Fransi, sinalizando a diferença de 2,32 milhões de barris por dia entre o que produz e o que exporta.
“Não é claro que a Arábia Saudita tenha consumido os 2,32 milhões de barris durante esse mês, mas é evidente que um aumento do consumo interno está eminente”, disse.
O total de exportações no mundo caiu 14% em Dezembro, comparando com o mês anterior, para 55,5 milhões de barris por dia, o valor mais baixo desde 2002, principalmente nos produtores não alinhados com a OPEP, especialmente os da América Latina.
In The Washington Post

Um declínio da produção na Arábia Saudita, um declínio na produção dos membros da OPEP, um declínio da produção na América Latina, um declínio monumental na produção do mundo e o constante crescimento das moedas fiat no mercado… Isto é verdadeiramente explosivo, digo eu, porque o petróleo é o principal motor gerador de riqueza neste mundo, e se ele está em contracção e as moedas continuam a ser imprimidas como se não houvesse amanhã, então a riqueza estará a ser delapidada em duas frentes, inflação e contracção do petróleo, que a continuar assim só trilham um caminho para este sistema económico: Hiperinflação!

E o que anda este mundo a tentar fazer para combater o declínio na produção de petróleo?
Anda a investir nos biocombustíveis.
Qual a influência destas medidas para tentar amenizar as quebras de oferta de petróleo no mundo?

O investigador de Princeton, Tim Searchinger, na semana passada numa coluna no The Washington Post, afirmou que os biocombustíveis estão a contribuir para a crise no preço dos alimentos. Constatou que os biocombustíveis – tanto o etanol de milho nos Estados Unidos como os biocombustíveis, que dependem do óleo de palma – consomem actualmente mais de 6,5% da produção mundial de grãos e 8% do óleo vegetal. Em 2004, estava entre os 2% e virtualmente nada. Num pressionado mercado de alimentos mundial, constrangido pelas condições atmosféricas, onde a dispersão de óleos e grãos é sentida no seu preço, especialmente nos países em desenvolvimento onde o aumento nos artigos de consumo é passado directamente para os consumidores. (Nos países desenvolvidos, o marketing e embalamento são os responsáveis pela fatia de leão no preço dos artigos o que amortece o aumento do preço dos artigos aos consumidores.) “Hoje em dia, o mercado está desequilibrado, escreveu Searchinger.
In Time Magazine

Em que ficamos?
Inflação gerada por excesso de moeda em circulação, mais inflação gerada por uma contracção na oferta de petróleo e mais inflação gerada pelas soluções desenvolvidas para controlar a inflação gerada pelo aperto nas exportações de petróleo!
Inflação + inflação + inflação!!!!!!!

Será diferente em Portugal?

As primeiras previsões agrícolas do ano, feitas pelo Instituto Nacional de Estatística não deixam margem para dúvidas: “as elevadas precipitações ocorridas até meados de Janeiro impediram a realização das sementeiras, levando inclusivamente à diminuição generalizada das superfícies semeada”.
O ano passado Portugal importou 80% das suas necessidades de cereais. Este ano será seguramente pior. Ou seja, o desequilíbrio da balança de pagamentos agrícola irá aumentar.
In Expresso

Obviamente que não! Já sabemos que os euros andam a inundar o mercado, que o petróleo não está a baixar e que este ano ainda irá ser o pior de sempre em termos de importação de alimentos.
Que podemos esperar deste ano?
Inflação!

E serei apenas eu que ando para aqui neste blogue a escrever recorrentemente sobre a inflação, tentando chamar à atenção de quem por aqui passa? Serei eu apenas um pessimista, um pseudo divulgador das histórias mais negras?
Joe Berardo:

Numa entrevista à agência Lusa, o empresário disse estar “muito preocupado com o aumento do custo de vida em Portugal” e elegeu o desemprego entre os jovens como “o problema mais grave a nível mundial” porque “vai resultar em revoluções”, como as da Tunísia e Egipto.
Sustentou que os aumentos do petróleo, IVA, impostos, redução dos ordenados na função pública, ou a duplicação do preço do trigo em menos de um ano são situações que vão provocar “uma inflação incontrolável daqui a pouco tempo”.
In Diário Económico

Nicolas Sarkozy:

A inflação coloca uma significativa ameaça ao crescimento global, arriscando o surgimento de sublevações perigosas se os preços dos alimentos crescerem para lá das possibilidades das pessoas”, Nicolas Sarkozy, o Presidente francês, em forma de aviso aos ministros das finanças do mundo.
“Um mercado sem regras é um mercado que será controlado pela especulação,” disse Sarkozy. “Mercados têm de ter, A market without rules is a market which is governed by speculation,” Mr Sarzoky said. “Markets have to have, tecidos neles, regras.”
In The Telegraph

Não, não sou apenas eu! Este é o problema do momento e o momento actual já poderá ser tarde demais para a controlar… digo eu… ate´pode ser que os bananas consigam desencantar mais um coelho da cartola para adiar esta conclusão.
Portanto… inflação causada pelo excesso de moeda em circulação, mais inflação gerada pela redução das exportações de petróleo, mais inflação causada pelas medidas tomadas para amenizar a redução nas exportações de petróleo, mais inflação causada por especuladores…
Onde irá isto parar?
Quase certamente, tal a pressão generalizada, à hiperinflação!!!

E pegando numa das últimas frase que expus de Sarkozy, “um mercado sem regras é um mercado que será controlado pela especulação”, o que nos contam as acções dos mesmos bananas que agora se mostram tão preocupados com a inflação?
Danny Schechter:

Economia americana: um grande esquema em pirâmide.
Enquanto Bernie Madoff desvanece na prisão, os banqueiros continuam a lucrar enquanto os pobres perdem a esperança e as suas casas.
O melhor relato sobre esta matéria não está nos meios de comunicação generalistas mas numa revista de música, na Rolling Stone, onde Matt Taibbi investiga o porquê de todos em Wall Street não estarem ainda na cadeia: “Financeiros desonestos colocaram a economia mundial de gatas – mas o Fed faz mais para os proteger do que para os processar,” escreveu.
Agora os republicanos querem diminuir as regulações sobre o mercado de derivados presentes na legislação financeira Dodd-Frank, afirmando que as regulações irão conduzir a um aumento do desemprego. Isto era previsível: todos os esforços para defender os grandes interesses económicos são sempre apresentados como medidas para ajudar o público.
O The New York Times reportou: “O representante Stephen Lynch, democrata de Massachusetts, avisou: “Acham que a regulamentação é dispendiosa? Então o que me dizem dos 7 biliões que perdemos por não haver regulação no mercado de derivados?
Não obteve resposta.
A passividade do público é em parte resultado da inundação de meios de informação que não aprofundam as questões e de uma eficiente privação de informação.
In Aljazeera

Pois… a verdade é que os bananas que (des)governam este mundo, que já por si é (des)governado por este sistema económico que é gerido por casineiros desgovernados, não fazem nada de nada, ou quase nada, para que o descontrolado comboio das economias mundiais consiga retornar aos seus carris.

E como ainda poderá haver por aí alguém que diga: Ah, isso é o Danny Schechter que está sempre a falar mal – para mim uma das vozes mais lúcidas no jornalismo mundial -, ou isso é da Aljazeera que está sempre contra o mundo ocidental:

O facto de o Barclays, terceiro maior banco britânico, ter pago apenas 113 milhões de libras (134,3 milhões de euros) de impostos no Reino Unido em 2009, o que equivale a cerca de um por cento dos lucros (11,6 mil milhões de libras), gerou hoje vários protestos de indignação.
In Público

Pois… a verdade é que não são os Danny Schechter’s e Aljazeeras deste mundo que estão a falar mal, a verdade é que a verdade é a vida sumptuosa cheia de benefícios de uns quantos muitos poucos, e a vida cada vez mais complicada de muitíssimos mais que são os penalizados.
E também poderá haver ainda alguém que pense que o que aconteceu com o Barclays em Inglaterra se cinge a Inglaterra… e para isso basta ver e saberem o que aconteceu em Portugal com o valor dos impostos pagos pela banca. Este é um sintoma generalizado neste mundo ocidental intitulado de desenvolvido. Desenvolvido? Sim… desenvolvido pela ganância, pelo engano, pela mentira, pelo abuso, pela traição, pela indecência, por desavergonhados indecorosos!

Conclusão:
Uma maré de papel fictício inundou a nossa vida… tal como inundada está de falsos profetas que se escondem debaixo de um manto de virtuosismo técnico… E as soluções (des)encontradas para suster parte da maré que aí vem mais não são que água que está ajudar a transbordar ainda mais o dique da desgraça… Enquanto isso, é bombeado cada vez mais de menos do sangue vital para o sistema mundial… E assim a fome é agua que paulatinamente inunda o nosso mundo… E por vezes: Verdade! A verdade! Alguém fala da verdade com verdades! Homens que sugaram e sugam o tutano deste mundo começam agora a abrir as goelas em terror… AHHHHHHH!!!!!!… Este mundo é uma mentira inundada de mentiras!!! Este mundo é como o Egipto, uma pirâmide construída acima dos Homens e só para alguns homens…

Notícia do Business Insider – 6 Charts Which Prove That Central Banks All Over The Globe Are Recklessly Printing Money
Notícia do Oje – Ben Bernanke pede controlo nos fluxos de capitais
Notícia do The Washington Post – OPEC Oil Exports Fall 2% as Saudi Shipments Decline
Notícia da Time – Why Biofuels Help Push Up World Food Prices
Notícia do Expresso – Portugal endivida-se mais para comer
Notícia do Diário Económico – Portugal vive uma “democracia podre”
Notícia do The Telegraph – G20 Paris: Nicolas Sarkozy calls for action against inflation’s ‘great threat’
Notícia da Aljazeera – US economics: One big Ponzi scheme
Notícia do Público – Notícia de que Barclays pagou impostos equivalentes a 1% dos lucros gera protestos

A Sopa… da Pedra na Cabeça do Zé Povinho

China volta a subir os rácios de reserva para tentar controlar o excesso de liquidez no mercado. Economia chinesa começa a mostrar sinais de abrandamento. FMI avisa sobre os riscos para o crescimento, mas defende a desvalorização do dólar. O uso do crédito de emergência do BCE continua hoje em alta. Um futuro sombrio, para os bancos alemães. Bruxelas prevê resgate de Portugal em Abril. Estado reduz défice com venda de imóveis a si próprio. Portugal cada vez mais longe dos rendimentos dos países mais ricos.

O que vou escrever é quase uma continuação dos artigos de dia 15 (A inflação e os Homens da Lua) e do de ontem, tantos foram os indicadores e indicações que emergiram hoje nos meios de comunicação generalistas.

Passados apenas 10 dias de ter tomado a última medida para tentar controlar a descontrolada inflação que grassa em chamas na economia chinesa, eis que a autoridade monetária da China obriga, uma vez mais, os bancos sediados no seu território a aumentar o rácio de reserva para 19%… 19%!!!!
Escrito por eles o porquê (meios de informação generalistas):

“O mercado está inundado em dinheiro e é improvável que o Banco Central fique a assistir a isso como um mero espectador”, disse um negociante de um dos bancos estatais sediado em Beijing. “Será apenas a questão de saber que ferramentas irá utilizar (…)”
In CNBC

Desta fez a ferramenta é o aumento das reservas de capital. Há 10 dias foi o aumento das taxas de juro – preço do dinheiro.
Mas antes de continuar…O que é o rácio de reserva?
Explicando de forma simples… é o dinheiro (vivo) que os bancos têm de ter nos seus cofres.
Explicando um pouco tecnicamente… quer dizer que têm de ter em reserva no mínimo 19% do valor total do dinheiro “emprestado”.
Existem muitas formas da banca contornar isso, mas nem me vou alongar por aí porque senão não escreveria sobre mais nada…
Qual o rácio de reserva (capital) exigido na Europa à banca?
É de 4,5% é terá de ser de 6% em 2019.
Na Europa, sistema que melhor conheço, está envolto em tantas artimanhas que me arrisco a escrever que é quase apenas e só um organigrama funcional do que uma acção real.

Como resultado das medidas que estão a ser aplicadas na china, para salvar uma economia em chamas, o motor do mundo a nível de crescimento económico começa a mostrar os primeiros sinais de fadiga… começa a perder velocidade:

O indicador económico que mede a situação futura da economia chinesa deu sinais de queda pela primeira vez desde 2008, destacando assim que a economia de mais rápido crescimento mundial pode estar a dar sinais de abrandamento.
In Jornal de Negócios

Esta é explicação simplista fornecida pelos meios de comunicação para as massas, aquilo que não explicam (nunca) é que o crescimento económico está intimamente interligado com a criação de nova dívida, e que sempre que são tomadas medidas de controlo à circulação de moeda o resultado subsequente é invariavelmente uma contracção do investimento, o que depois se transforma numa contracção do crescimento.
Dívida = Crescimento = Mais moeda = Inflação… pum, pum, pum, pum… um, dois, três, quatro, tudo ligado!
Ah… e não se esqueçam, se a China começar a desacelerar o mundo poderá facilmente entrar em contracção económica…

Enquanto isso, o FMI:

O Fundo Monetário Internacional vai avisar os ministros das finanças do G20, que irá decorrer este fim de semana, dos riscos com que se depara a economia mundial devido ao aumento dos preços dos alimentos e do desequilibrio das finanças públicas, enquanto também irá defender um dólar um pouco mais fraco.
In Buenos Aires Herald

Não se esqueçam que há dias esta mesma instituição aconselhou os países asiáticos, onde se inclui a China, a não controlarem artificialmente o valor das suas moedas, deixando-as valorizar, afirmação que intitulei de dúbia e tendenciosa em favor do dólar americano e das economias ocidentais, e eis que hoje záasss… aí está ela da boca deles: Desvalorizem o dólar!!!! Dólar que é responsável por grande parte da inflação que está a queimar o mundo!
Ao mesmo tempo diz estar preocupada com a inflação que está a escaldar o mesmo mundo… Hmmm… verdadeiramente especial esta instituição… instituição de logros, mentiras e virtudes desvirtuadas… quase única, não fosse ela apenas uma das várias caras da demo-cracia…
Aconselho todos a não ouvirem o que eles dizem e a evitar fazer o que eles desejam!

Continuando… tal como ontem, hoje continuou uma correria desenfreada da banca aos empréstimos do BCE.
Já ontem deixei a pergunta no ar: O que se estará a passar?
Hoje começamos a ter direito a algumas sugestões em formato de resposta:

A concessão emergencial de crédito pelo Banco Central Europeu (BCE) se manteve excepcionalmente elevada pelo segundo dia seguido nesta sexta-feira, aumentando o temor de que um banco da zona do euro possa estar enfrentando sérios problemas de financiamento.
In Reuters

Hmmm… estará algum dos banquinhos queridos dos nossos bananas europeus agarrado à máquina de sobrevivência do Banco dos Endividados?
Hmmmm…
Será que poderá ser um banquinho alemão? (sou eu a mandar massa ao ar…)

Muitos dos maiores bancos alemães continuam com a apoio vital do governo, depois de terem efectuado más apostas durante os anos de desenvolvimento da bolha.
E com o acesso a capital barato há muito perdido, as perspectivas de se tornarem uma vez mais rentáveis são cada vez mais dúbias.
“A fragilidade do sector bancário alemão coloca uma ameaça substancial à sustentação económica da Alemanha”(…)
As autoridade europeias, abertamente frustradas com a falta de celeridade com que a Alemanha tem lidado com estas instituições, avisou que está a chegar o dia do juízo final.
“Não podemos simplesmente adiar este assunto para outro dia”, disse Joaquín Almunia, o vice presidente da Comissão Europeia responsável pelas políticas de competitividade. (…)
In CNBC

Hmmmm… a forte e imperturbável Alemanha poderá ao fim ao cabo andar de rastos… hmmm…
Os próximos tempos irão fornecer as respostas a estas perguntas… talvez…

E agora virando o bico ao pato para Portugal:

“Portugal está a afundar-se e não será capaz de aguentar após Março”, afirma fonte europeia, citada pela Reuters.
In Expresso

Já foram aventadas tantas datas que esta é apenas mais uma… ou… ou não?
Desta vez quem afirma isso não é um banco, um ministro, um economista ou um outro qualquer, quem o disse foi um elemento da estrutura da Comissão Europeia, não foi um qualquer!
Quer dizer que temos aproximadamente mais um mesito de acalmia antes de entrarmos no carrossel das loucuras do FMI e da UE… Aproveitem bem o tempo que resta…

E talvez já em desespero, quem sabe, o Estado volta uma vez mais a copiar as artimanhas financeiras tão queridas e amadas pelos casineiros.
Não é que o Estado teve o descaramento de:

O Estado diminuiu o défice com a venda de imóveis a si mesmo. A empresa pública comprou 393 imóveis cujo valor total ascendeu aos 290 milhões de euros, o equivalente a 0,2% do PIB. Segundo avança o Jornal de Negócios, a Estamo, empresa pública que apoia o Estado na gestão do património imobiliário terá sido fundamental na operação.
In Jornal I

Nem me vou dar ao trabalho de retractar tal inusitada operação, vou apenas tentar passar para a realidade do Zé Povinho o mesmo tipo de acção.
Imaginem que, em caso de aperto financeiro, pegavam , por exemplo, no vosso carro próprio e o vendiam a vocês próprios de forma a cobrir as dificuldades financeiras impostas pelos bananas e casineiros nesta economia… não seria tal solução tão boa e agradável?
Agora na realidade… acham que o Estado iria permitir tal coisa? Se calhar iam parar à prisão por terem cometido um crime de colarinho branco, não é verdade?
E agora imaginem que o Estado volta a vender os mesmos imóveis novamente à Estamo… Não seria esse dinheiro uma vez mais contabilizado como proveitos que iriam ajudar a reduzir o défice? E depois a Estamo voltava a vender ao Estado… e faziam isto vezes sem parar até colocar o défice em -20% do PIB… Descobrimos a pólvora!!! Portugal está salvo!!!!
Enfim… só possível num mundo de faz de conta que infelizmente é cada vez mais real para a vida de alguns e de algumas instituições que influenciam directamente a nossa vida… o mundo pintado ao tom que eles desejam que nós vejamos…

E é um tom tão ilusório que:

PIB per capita português cai nove posições no ranking mundial das economias mais ricas entre 2000 e 2015.
No início dos anos 80, os portugueses estavam na 39ª posição a nível mundial. Conseguiram subir até ao 34º lugar em 1990 onde ficaram até ao ano 2000. A partir daí tem sido sempre a descer. Se as projeções do FMI para 2015 se confirmarem, Portugal será ‘apenas’ o 43º numa tabela liderada pelo Qatar.
In Expresso

Esta é a realidade, infelizmente… esta é a verdade que os bananas andam sempre a tentar pintar em tons mais suaves… e mesmo depois de terem lido o artigo publicado no Expresso, não se esqueçam disto: os valores apresentados não foram ajustados à inflação, porque se o forem, quase aposto, até o numerário per capita é inferior ao da década de 1980… igual ou similar ao que aconteceu nos Estados unidos e reportado no artigo que antecede este.

Conclusão:
Em chamas, a China está em chamas!!!… E os bombeiros estatais despejam toda a água que têm para as tentar apaziguar… E o FMI, que se apresenta sempre como o bombeiro que salva o mundo, é ele próprio mais um dos incendiários… E o BCE lança mais palha para as chamas da vaidade da banca… banca que poderá estar a dançar a última valsa alemã na Alemanha… enquanto isso: Portugal! Portugal! Portugal! As couves de Bruxelas já preparam em lume brando a refeição a ser servida em Março… enquanto por cá se prepara a sopa com batatas que não chegaram a ser colhidas; a chamada sopa da pedrada na cabeça do Zé Povinho…

Notícia do Jornal de Negócios – China volta a subir rácios de reservas dos bancos para refrear inflação
Notícia da CNBC – Window Open for More PBOC Liquidity Tightening
Notícia do Jornal de Negócios – Economia Chinesa dá sinais de abrandamento
Notícia do Buenos Aires Herald – IMF warns of growing risks, would welcome weaker dollar
Notícia da Reuters – Uso de crédito emergencial do BCE tem alta inesperada
Notícia da CNBC – For Germany’s Banks, a Grim Future
Notícia do Expresso – Bruxelas prevê resgate a Portugal em abril
Notícia do Jornal I – Estado reduz défice em 300 milhões com venda de imóveis a si próprio
Notícia do Expresso – Portugal cada vez mais longe dos países mais ricos
Notícia de Apoio:
Notícia da Agência Financeira – Novas regras: bancos nacionais cumprem rácios de capital mínimos

A Inflação e os Homens da Lua

“Guerra das divisas” é o foco dos ministros das finanças do G20. Representante do FMI diz que os governos asiáticos têm de combater a inflação com divisas mais “livres”. Inflação na Índia diminui, mas as taxas de juro sobem. FMI e Citigroup afirmam que Vietname tem de atacar o problema da inflação, depois de ter desvalorizado o Dong. Défice do governo americano para 2011 irá ser superior ao total da economia americana. Político da Carolina do Sul quer criar uma moeda própria do Estado. Constâncio preocupado com o preço das matérias-primas.

Hoje vou tentar explicar as variáveis da inflação e que medidas andam os países, um pouco por todo o mundo, a adoptar para a controlar, tentando criar também uma comparação com as medidas que os países desenvolvidos andam a adoptar para tentarem dinamizar as suas economias, vulgo; espevitar o crescimento económico… usando como sempre notícias dos dias mais recentes como base para o texto.

Primeiro ficámos a saber que a principal preocupação dos ministros das finanças que vão estar na reunião do G20, representantes das 20 economias mais exuberantes do planeta, é a guerra silenciosa entre o dólar e o yuan.
Isto abre espaço a uma questão: Não deviam estar mais preocupados com o aumento dos preços dos alimentos, das matérias-primas e do petróleo?
Espero conseguir responder a esta pergunta com o desenrolar deste artigo, na medida que vou tentar descrever que grande parte dos problemas que estamos a enfrentar actualmente advêem dessa guerra, não só mas também.

Hoje também ficámos a saber que o FMI adverte os governos asiáticos a deixarem de controlar a valorização\desvalorização das suas divisas.
Primeiro temos o FMI a tomar posição de parte do mundo contra a outra parte do mundo; ao lado dos Estados Unidos e aconselhando o outro lado do mundo a deixar valorizar as suas divisas enquanto o dólar, por omissão, pode continuar a desvalorizar sem que tal seja motivo de aviso.
Como instituição que se diz independente tal conselho é no mínimo dúbio e tendencioso… mas acho que todos (?) estamos cada vez mais cientes que estas instituições (ditas) internacionais quase pouco mais são que representantes dos grandes interesses económicos ocidentais, por isso…

E hoje tivemos direito a uma (quase) excelente notícia vinda da Índia: a inflação está a baixar por lá… quer dizer, baixou marginalmente dos 8.43% para 8.23%…
Mas como foram obtidos tais resultados quando (quase) no restante do mundo a inflação continua a crescer?
Simples… aumentaram as taxas de juro no Banco Central, o que elevou o custo do dinheiro, o que reduziu o número de pedidos de empréstimo, o que por si acabou por reduzir o capital que está em circulação no país.
Mas esperem lá… a inflação não é sinónimo de aumento do preço dos bens que adquirimos? Que tem a ver essa redução do capital em circulação na economia com o facto da inflação ter reduzido?

Uma redução mais significativa na taxa de inflação de Janeiro podia ter ajudado a reduzir a pressão nas taxas de juro do Banco Central indiano, dizem os economistas; a elevada taxa de inflação pode conduzir o banco central a elevar rapidamente as taxas de juro de forma a acompanhar o aumento do preço dos alimentos e conter o perigo desse aumento se espalhar em pressão inflacionária até outros bens.
In The Wall Street Journal

Mas… mas… não é o aumento da procura que faz disparar a inflação?
Não é isso que ouvimos no quadradinho mágico, da boca dos (pseudo) especialistas, nos jornais, nos média generalistas?

Porque razão o aumento dos juros do Banco Central indiano e a consequente redução de capital em circulação na economia aliviam as pressões inflacionárias?
Simples… a inflação, maioritariamente, é um sintoma do excesso de moeda em circulação e não necessariamente um aumento da procura ou redução na oferta, ou seja, por exemplo… se existirem 10 pessoas com 10 euros cada para comprar 10 quadros, quanto acham que cada quadro pode no máximo custar?
10 Euros.
Mas se existirem 10 pessoas com 100 euros cada para comprar os mesmos 10 quadros, quanto acham que poderá o custar cada um dos (mesmos) quadros?
Pois, 100 euros.
Portanto, o que fez subir o preço do bem não foi o aumento da procura, nem uma redução na oferta, foi um aumento da moeda em circulação.
Este é o sintoma que é descrito estar a acontecer na Índia, de outra forma o Banco Central indiano não conseguiria, com o aumento das taxas de juro, levar com as suas medidas a uma redução da taxa de inflação.
Esta noção de inflação é algo que é recorrentemente sonegada da opinião pública… porquê?
Deixo para vós as possíveis respostas a essa questão…

No Vietname o problema da pressão inflacionária é aparentemente outro, o da desvalorização da moeda.
O FMI diz-nos que a desvalorização, ontem, de 7% do Dong vai aumentar a pressão da inflação sobre a economia vietnamita.
Como?
A primeira pergunta que se deve colocar é:
Como consegue um país desvalorizar a sua moeda?
Simples… injecta (cria) no mercado mais moeda, neste caso, mais 7% de moeda em circulação o que faz com que o valor nominal da moeda perca o valor correspondente ao colocado em circulação, neste caso, 7%.
Portanto, uma vez mais a inflação irá ser causa do excesso de moeda em circulação e não um aumento da procura ou diminuição da oferta de bens.
Hmmm…
Portanto, qual irá ser a medida que o Banco Central do Vietname irá adoptar no futuro para controlar a inflação?
Irá aumentar as taxas de juro.
O que aconteceu na Índia antes do Banco Central ter aumentado as taxas de juro?
Desvalorizou a sua moeda…
Hmm… 1+1=2… Hmmm…

O que levou a Índia, tal como o Vietname e tantos outros países, a desvalorizar a sua moeda colocando em causa o nível de inflação e a estabilidade social e económica nos seus territórios? Sim, porque nenhum país desvaloriza a sua moeda, nem aumenta as taxas de juros no Banco Central “por dá cá aquela palha”, fazem-no como últimas medidas para tentar conter uma depressão económica, uma diminuição da competitividade das suas exportações, ou um sobreaquecimento da economia, vulgo, taxas elevadas de inflação…

O orçamento apresentado pelo Presidente Obama, revelado na segunda feira, foi concebido como um plano de controlo dos gastos no futuro, mas também apresenta a mais assustadora imagem do corrente ano fiscal, que está a caminho de bater o recorde de défice federal e demonstra que o total de dívida já ultrapassa toda a riqueza gerada pela economia americana.
In The Washington Post

Alguns poderão perguntar: O que tem a dívida americana a ver com a inflação no resto do mundo?
Simples… o dólar é a moeda de reserva do mundo, e cada vez que o governo americano gasta a mais isso significa que irá ter de carregar no botão da impressora para criar mais moeda de forma a conseguir pagar o que está em dívida, o que por inerência faz desvalorizar o dólar, dólar que é a moeda usada na transacção da grande maioria dos bens transaccionados no mundo… e se o dólar perde valor, os bens ficam mais caros… e surge inflação a nível global… 1+1=2

O nível monumental a que chegou o défice nos Estado Unidos já está até a colocar alguns americanos em estado de alerta máximo… o último e mais singular caso de que tenho registo até ao momento é o do Senador do Estado da Carolina do Sul, Lee Bright, que propôs a criação de legislação específica para a Carolina do Sul para que em caso de colapso do dólar a Carolina do Sul possa cunhar a sua própria moeda…

No final de contas, a raiz do problema é que não estamos a imprimir o nosso dinheiro livre de dívida. É isso que precisamos fazer. Tal como o fez Abraham Lincoln com os greenback, precisamos de voltar a sermos nós a imprimir o nosso dinheiro e livre da dívida.
In Business Insider

Hmmm… conseguem perceber o que este senhor está a defender?
O que ele está a defender é um sistema monetário livre de dívida baseado no ouro e na prata, o mesmo sistema que providenciou ao mundo centenas de anos de inflação quase ZERO… sim QUASE ZERO!

Este sistema de criação de dívida para saldar dívida que origina inflação contínua de crescimento exponencial só caminha numa direcção… o da desvalorização total do valor nominal do dinheiro papel, porque enquanto os Estados Unidos continuar a imprimir dinheiro para pagar e sustentar um estilo de vida que está totalmente desfasado do mundo em que vive, todo o mundo (países) irá sofrer a constante erosão da inflação, e será constantemente obrigado a desvalorizar as suas moedas de forma a manter-se competitivo nos mercados, o que por si cria ainda mais pressão inflacionista sobre todo este mundo.
Este é mais um exemplo de como o nosso mundo está todo interligado e de como as acções facilitistas e desprovidas do real de uns colocam em causa todo o outro mundo, mundo que já começou a sentir na pele as revoluções geradas por essas políticas de um mundo que aparentemente nada tem a ver com o deles, como o exemplo do Egipto… (nada mais enganador a sensação de nada ter tido a ver com as medidas de uns senhores de fraque sentados num escritório agarradinhos às suas contas de “sumir”!)

E na Europa?
Na Europa tivemos direito a uma afirmação de Vitor Constâncio, actualmente um dos vice- Presidentes do Banco Central Europeu, que disse:

“Não sabemos se estamos perante uma escalada dos preços das matérias-primas ou não. Temos de esperar e ver”, afirmou hoje Constâncio, em entrevista à agência Market News Internacional, citada pela Reuters, reconhecendo que “isto é um assunto preocupante, tal como já sublinhámos”.
In Diário Económico

Não sabem?
Opá, basta olhar para o mundo e ver o que está a acontecer!
Opá, basta olhar para o aumento dos custos de produção na China para saber o que irá acontecer!
Opá, os produtos chineses baratos que durante a última década foram servindo de contra-balanço ao aumento dos valores da inflação total, mesmo quando todos os portugueses sentiam o aumento de quase todos os bens primários, vai deixar de funcionar como tal. Daqui para a frente, mais que todos os outros produtos, irão ser os produtos baratos chineses que irão fazer a inflação disparar, porque irão continuar a ser baratos demais para que a produção na Europa se torne competitiva em relação a eles e porque vão começar a subir de preço se calhar em duas casa decimais, mais de 10% ao mês. Adeus colchão dos últimos 10 anos a que se junta a inflação dos bens alimentares e das energias! Olá inflação!
Percebeste, opá?
Sabes, opá, se calhar daqui a uns tempos andaremos a discutir qual o significado da palavra hiperinflação… ou então que o mundo entrou uma vez mais em contracção porque não conseguiu sustentar tais pressões inflacionárias… “Capiche”, opá?

Conclusão:
Os Gs, militares e guerreiros das finanças deste mundo, apontam para a guerra aberta de desvalorização entre o dólar e o Yuan como a principal preocupação do seu mundo… e avisam os maléficos de olhos em bico para não fazerem aquilo que eles fazem… mundo que na Índia já começou a contrair de dores e que no Vietname se abre aos desprazeres da vida tipo rameira do povo… enquanto nos “states” se discute como e onde se gastar a dívida que se acumula como se fosse minas terrestres prestes a explodir debaixo dos pés do mundo inteiro… e depois.. alguns… alguns seres quase perdidos no meio de tanto tiroteio sem destino, perdidos num mar de ilógicas de numerário, começam a hastear a bandeira branca… Socorrooooo!!! Socorroooo!!!… Socorro digo eu! Não é que ainda existem seres, ainda mais representantes desta nossa terra, que abrem a boca para comer as verdades e brincar aos soldadinhos com as mentiras… os “opás”…
Opá, por vezes era melhor fechar os olhos e imaginar… … … a lua…

Notícia do The Independent – US ‘currency war’ is focus for G20 finance ministers
Notícia do The Wall Street Journal – IMF Official Says Asian Governments Need to Fight Inflation With Freer Currencies
Notícia do The Wall Street Journal – India Inflation Eases, But Rate Rise Looms
Notícia da Bloomberg – Vietnam Must Tackle Inflation After Dong’s Devaluation, IMF, Citigroup Say
Notícia do The Washington Times – Federal deficit on track for a record this fiscal year
Notícia do Business Insider – South Carolina Politico Wants to Create State Currency
Notícia do Diário Económico – Constâncio “preocupado” com preços das matérias-primas

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