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A Verdade é uma Aberração

Hoje vou começar pelo aberrante histerismo patente em muitas das parangonas dos meios de comunicação generalistas para escrever sobre os mais recentes desenvolvimentos que nos ajudam a compreender um pouco melhor o que podemos esperar, nos próximos tempos, do excedente de energia indispensável para o carburar desta sociedade moderna.

Ora então… nos espaço de 11 horas, os meios de comunicação deram destaque de parangona a isto:

Petróleo mais forte com reconstrução do Japão.
In Agência Financeira
Preços do petróleo recuam com receios de descida na procura pelo Japão.
In Jornal de Negócios

Compreendo que ainda todos andem a tentar compreender que influência na economia irão ter os problemas que assolam o Japão, mas um pouco mais de tino e bom senso, de modo a não nomearem logo os culpados mais fáceis, seria uma forma muito mais correcta de abordar esta questão e seria principalmente muito menos histérica. Este é apenas um dos incontáveis “erros” expostos diariamente nos meios de comunicação generalistas, culpa do aberrante copy\paste, pois, na maioria das vezes, nem se dão ao trabalho de verificar se o que escrevem hoje não choca de frente em incongruências fatais com o que escreveram ontem… mas enfim…
Continuando…
O engraçado nestas duas parangonas antagónicas é que ambas poderão reflectir o que se irá passar no futuro mais próximo com o preço do petróleo e, por inerência, a pressão da inflação, e não só, sobre todo o globo.
É uma verdade que os preços do petróleo tenderão nos tempos mais próximos a descer, culpa da quase paragem das industrias no Japão e de muitas outras noutros países que estavam e estão dependentes daquilo que as industrias japonesas produzem. É também verdade que quando as industrias japonesas voltarem a carburar a fundo, essa desalavancagem de pressão sobre a oferta de petróleo irá desaparecer, isto para além de que com o desaparecer de parte da capacidade geradora de energia eléctrica no Japão, especialmente das centrais nucleares que irão ser desactivadas, iremos assistir a um aumentar da pressão sobre a oferta de petróleo e consequente aumento do seu preço.
Podemos juntar a estes sinais de pressão mais um… quase todos os investimentos que estavam a ser feitos no mundo em novas centrais nucleares estão parados, novas centrais que iriam ajudar este mundo a reduzir uma fatia daquilo que consome de petróleo… iriam – nos tempos mais próximos…

A pressão que o Japão irá gerar sobre a oferta mundial de petróleo é apenas mais um dos factores que irão muito provavelmente conduzir este mundo até a um choque económico que porá todo o globo de gatas, que poderá ser em breve… se até lá isto não estoirar por culpa do vício da banca ao jogo, ou pelo excessivo endividamento das economias (ditas) desenvolvidas.

Para nos ajudar a compreender um pouco melhor as pressões que estão a ser exercidas sobre o petróleo, Robert Lenzner escreveu um excelente artigo na Forbes, que nos diz:

Iremos necessitar de 126 milhões de barris de petróleo por dia dentro de duas décadas – dos 90 milhões que actualmente a economia global requer. E metade desses 36 milhões de barris adicionais por dia estão ainda por desenvolver, até mesmo descobrir, de acordo com o relatório anual da Schlumberger para 2011.
In Forbes

Portanto, este mundo irá necessitar de mais 36 milhões de barris por dia daqui a 20 anos – isto claro se a economia global “não der o peido” até lá, sendo que mais de metade desse valor ainda não está desenvolvido, até mesmo descoberto e o que está actualmente a ser explorado nunca irá reduzir a sua produção? (Não existem poços de petróleo infinitos, por isso daqui a 20 anos a maioria poderá já ter deixado de produzir – isto nem vou levar em consideração, o que faria aumentar exponencialmente a insuficiência de petróleo para os próximos 20 anos)
Hmmm… portanto isto indirectamente diz-nos que o mundo tem uma margem de manobra para acomodar um aumento da procura de petróleo inferior a, na melhor das hipóteses, 18 milhões de barris por dia – a outra metade está por descobrir ou perfurar… ainda não conta, tal como ainda não conta para estas contas as reservas que daqui a 20 anos irão estar a produzir muito menos que hoje em dia, se é que mesmo grande parte delas ainda existirão como tal.
Para os mais incautos, que vivem num presente que para eles será sempre de crescimento eterno, tal número seja mais que suficiente para que este globo económico consiga continuar a crescer e que o amanhã venha a ser sempre melhor do que este presente… mas…

“Para encontrar petróleo, tem de perfurar. Mas não tem apenas de perfurar, também tem de aumentar a intensidade com que perfura em termos de sofisticação tecnológica, complexidades com os poços e reservatórios e eficiência operacional e a sua efectividade.”
In Forbes

Portanto, esses 18 milhões de barris aventados como colchão para o crescimento futuro deste mundo estarão intimamente dependentes dos factores acima destacados… hmmm… então este mundo está dependente da capacidade da tecnologia conseguir resolver essas questões, a mesma tecnologia que causou indirectamente o derrame de petróleo no Golfo do México e o acidente com as centrais nucleares no Japão… a mesma tecnologia que terá de ser cada vez mais infalível porque a margem será cada vez menor para acolchoar erros… hmmm…
Sabem, como pessoalmente não gosto nada de basear a minha vida em contos de fadas em que o bem triunfa sempre sobre o mal, gosto de fazer contas com os números que me vão surgindo à frente… Ora então, tendo este mundo actualmente capacidade de produzir, para lá do que consome, “apenas” mais dois milhões de barris por dia e que terá de encontrar\desenvolver mais 16 milhões barris por dia nos próximos 10 anos (metade do aventado na notícia da Forbes), ou seja, mais 1,6 milhões de barris a mais por ano durante os próximos 10 anos, significa que o mundo terá de margem apenas pouco mais de um ano de colchão para amparar problemas… Não sei se compreendem que 1 ano é igual a quase nada neste mundo económico que baseia todas as suas assumpções de que a economia irá continuar a crescer eternamente… 1 ANO!!!!
O nosso futuro está dependente que nada de mal corra que possa colocar em causa esse ANO de margem entre o precipício e o eterno crescimento eterno…
Sabem como reagem os mercados económicos mundiais quando colocados perante o risco?
1 ANO é NADA!

E que tal juntar a esta noção os problemas que estão a assolar actualmente o globo e a economia mundial?

O mundo está actualmente em modo de crise, culpa de um impensável desastre natural no Japão até às revoltas que assolam o Médio Oriente e a África do Norte.
Como se estes eventos não fossem já de si suficientemente preocupantes, está provavelmente a desenvolver-se uma crise ainda maior que poderá “abanar os mercados globais”, afirma o colunista da Forbes Gordon Chang: A luta pelos recursos globais de energia irá crescer conforme se forem agravando as pressões e os receios de uma diminuição na oferta de energia, já de si com preços bastante elevados.
In Yahoo! Finance

Portanto, este mundo, que tem pouco mais de 1 ano de colchão, está a ser acossado por problemas… hmmm…
E acho que o Gordon Chang não estava a falar sobre o futuro mas sim sobre o presente, pois a “guerra” na Líbia encaixa na perfeição na sua última frase – digo eu.
1 ANO… hmmm

E voltando um pouco atrás nesta história, quem no mundo tem capacidade para aumentar a produção diária de petróleo?A Arábia Saudita, correcto?

Impulsionada pelo crescimento populacional, aumento da qualidade de vida e crescimento da industrialização, está em crescendo a demanda de energia da região e uma diminuição não se perfila no horizonte.
Nos últimos anos, Kuwait, Qatar, Arábia Saudita e UAU, todos sentiram falhas no fornecimento de energia que resultaram em “blackouts” localizados que por vezes se estenderam durante vários dias. O consumo por vezes ultrapassa a capacidade de oferta disponível, principalmente nos meses de Verão quando o consumo destes países atinge o pico em resultado de aumento no uso dos ar condicionado.
In Arabian Business

Hmmm… a zona do planeta que é o colchão do globo – 1 ANO – está ela a braços com falta de energia?!?!?!
1 ANO, onde?!?!?!
Talvez haja 1 ANO a mais para esses países, ou então… guerra… por… petróleo… quer dizer, já está a ser tudo preparado para tal! Verdade? Será? Líbia? Bahrein? Síria? Iémen? Arábia Saudita? Todos?
1 ANO? Para quem? Para onde?

Conclusão:
E não é que as aberrações por vezes dizem a verdade… mesmo que a verdade seja antagónica da real verdade? E não é que é verdade que este globo poderá crescer ainda mais além… além das fronteiras da razão?
E não é verdade que um ano é mais que nenhum… mesmo que o nada seja apenas pouco mais que um?
E não é verdade que quem ainda tem já pouco mais terá?
Sabem… as ditas verdades são suspeitas nesta aberração…

Notícia da Agência Financeira – Petróleo mais forte com reconstrução do Japão
Notícia do Jornal de Negócios – Preços do petróleo recuam com receios de descida na procura pelo Japão
Notícia da Forbes – We Need To Find 36 Million More Barrels Of Oil A Day
Notícia do Yahoo! Finance – World at Crossroads Over Energy Supply: “This Is Not Over Yet,” Chang Says
Notícia do Arabian Business – Energy, not politics is Gulf’s top challenge

Tsunami Económico

Continuação do artigo: Tsunami Nuclear

As certezas da vida moderna foram num pequeno instante colocadas em causa por um terramoto imenso, por um tsunami de dimensões cataclísmicas e por um desastre nuclear.
O Japão, a terceira maior economia deste nosso mundo, ficou de rastos. Quais os impactos para o restante do mundo deste tsunami económico que se está a formar?
Esta é a pergunta que vou tentar parcialmente responder, e escrevo parcialmente porque a amplitude de tal solavanco para a economia mundial tem tantas ramificações que se torna quase impossível de conseguir extrair todos os seus impactos directos e indirectos.

Antes demais, para não variar, muita da informação que iremos ter acesso nos meios de informação generalistas tenderá a fornecer-nos uma visão optimista, na melhor das hipóteses… isto caso os meios de comunicação generalistas sigam com a sua conduta habitual, tal como podemos facilmente constatar neste caso:

Desastres no Japão não causarão recessão mundial, acreditam economistas.
In Deutsche Welle

Mas pior, é que esta informação anda quase esquecida nos meios de informação… e quando escrevo “quase”, estou a ser simpático para com a ausência de análises a este problema, pelo menos nos meios de comunicação em língua portuguesa.
Mas seguindo com as palavras dos economistas optimistas:

Wolfgang Leim, acredita que no momento não há perigo de recaída numa recessão. Ele acredita que, como ocorre após grandes greves, a redução provocada pelo cancelamento da produção em alguns setores pode ser recuperada. Parte da produção pode ser deslocada das empresas afetadas para suas unidades em outros países.
O economista-chefe do Unicredit, Andreas Rees, opina que, mesmo havendo um recuo nas atividades econômicas japonesas nos próximos dois ou três meses, este efeito será compensado posteriormente.
O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, (…) o Japão pode até mesmo experimentar um boom econômico, comparável ao dos Estados Unidos na década de 1930, durante o “New Deal” do presidente Franklin Roosevelt.
In Deutsche Welle

Quase tudo positivo e bonito, não é verdade? O Japão vai recuperar num instante, o mundo não sofrerá consequências e isto até poderá mesmo representar um “boom” económico para o Japão. Estarão estas noções correctas? Porque razão quase só deram voz a noções positivas? Será isto uma vez mais informação tendenciosa, a quase regra da informação presente nos meios de comunicação generalistas? A ver vamos, mas os indicadores…

Quais os impactos para o sistema económico, para as energias e para o crescimento económico deste mundo?

O desastre na terceira economia do mundo é um factor inesperado que veio baralhar todos os outros que estavam previstos e descontados por analistas e mercados financeiros.  (…) está agora em risco não só o crescimento económico no Japão e na Ásia, como também a nível global. Para além do drama humano, começam-se a fazer cálculos económicos, após os efeitos imediatos da destruição de cidades, infra-estruturas rodoviárias e ferroviárias, fábricas, bens de consumo duradouro, campos agrícolas e fontes energéticas.
Também serão severamente afectadas as relações comerciais com os seus principais parceiros, nomeadamente a China que é o seu principal fornecedor. Não só se quebrará parte da procura nipónica para as suas cidades e fábricas na parte norte do país (no cenário futuro de reconstrução esta situação será fortemente invertida), como as exportações serão menores, com os efeitos que tudo isto acarreta a montante e a jusante.
In Diário Económico

Comecemos então pelo sistema económico:

Weinberg questiona se as pessoas afectadas pelo desastre irão pagar as suas hipotecas, os seus créditos e as dívidas dos seus cartões de crédito.
Ele afirma: “Poderemos assistir aos bancos a terem de assumir perdas em parte do seu portefólio de empréstimos.”
In CNBC

Esta é uma questão de análise tão simples no entanto nem sequer tem sido identificada pela grande maioria dos meios de comunicação generalistas.
Que perdas terão de ser assumidas pela banca japonesa que está intimamente ligada à banca mundial?
Sabemos que o Banco Central japonês já injectou mais de 300 mil milhões no mercado. Terá de injectar quanto mais para “salvar” os portfolios dos seus bancos? E a inflação que daí resultará?

A economia japonesa, já enfraquecida, talvez já mesmo em recessão antes da calamidade, irá ficar ainda mais fraca.
In New York Times

Portanto, é quase uma inevitabilidade o Japão entrar em recessão, Japão que representa aproximadamente 6% do PIB do mundo…6%! Se o Japão entrar em acentuada recessão o que irá acontecer ao crescimento no mundo? Sabem, em matemática 1+1=2, e neste caso é igual a uma provável recessão…

“Uma acentuada desaceleração no PIB do mundo, na segunda metade deste ano, é algo que não pode ser descartado.”
In The Globe and Mail

Num mundo já assolado pela crise no petróleo, pelas “revoluções” no Norte de África e Médio Oriente, pela alta da inflação na Ásia e nos mercados emergentes, pelas crises do crédito e descrédito com a banca, e pela dívida monumental que assola as economias desenvolvidas do mundo, tem agora de se juntar a isso tudo a crise de fundo no Japão.

Analistas dizem ser possível que as consequências venham a ser sentidas pelo mundo na forma de inflação mais elevada, diminuição no crescimento, ou num choque potencial para o sistema financeiro.
In The Washington Post

Porquê uma aceleração da inflação?

Especialistas em logística afirmam que o terramoto expôs pontos fracos críticos para uma vasta gama de negócios comerciais, tal como para as indústrias electrónicas e de produção automóvel.
In The Wall Street Journal

Uma aceleração na inflação porque o Japão representava quase 40% das exportações de componentes electrónicos para o mundo. A destruição das áreas costeiras japonesas levou com elas tanto as centrais nucleares como outras centrais geradoras de energia eléctrica, assim como muitas fábricas produtoras. O Japão não tem actualmente capacidade geradora de energia eléctrica para alimentar todo o seu tecido produtor, nem tal será exequível num espaço de tempo inferior a seis meses. O mundo terá de encontrar novos fornecedores, ao mesmo tempo em que a oferta diminui, o que fará inevitavelmente disparar o preço dos bens… preço que daqui a uns meses estará reflectido no mercado para os consumidores.
E há outro factor que está a ser recorrentemente “esquecido”… o Japão tenderá a passar de economia exportadora para uma economia importadora de forma a conseguir reabilitar as infra-estruturas que ficaram destruídas, assim como para conseguir aumentar a sua produção de energia através dos métodos convencionais, petróleo e carvão, que irão ser mais um dos factores a criar pressão inflacionária sobre o mundo. O Japão irá aumentar a pressão da procura sobre matérias-primas que já estavam sobre pressão na produção, e em vários casos, até mesmo em declínio, o que criará uma vaga inflacionária sobre o mundo.

Para além de que esta falta de componentes já estar a arrasar com parte da economia mundial:

Na quinta feira passada, a General Motors Co. tornou-se no primeiro produtor de automóveis a ter de encerrar uma fábrica por causa da crise no Japão.
In The Wall Street Journal

Desengane-se quem pensar que será apenas um problema para as fábricas de automóveis… Quase todas as indústrias que necessitam de componentes electrónicos estão a ser afectadas de forma violenta, levando que a maioria das fábricas produtoras no mundo estejam a reduzir a produção de modo a tentar evitar a todo o custo a paragem, e a tentarem arranjar tempo para encontrar novos fornecedores num mercado já de si espremido.

Mas existe um problema que poderá vir a ser mesmo uma bomba atómica para a economia mundial:

As suas corporações e bancos estão imensamente interligadas com o mundo e fazem parte do tecido que liga a economia global.
In The Washington Post

O Japão foi o segundo maior comprador de bilhetes do Tesouro americanos, e comprou em Janeiro mais de 20% (…) da dívida emitida pelo Fundo de Estabilidade do Euro para financiar os países em dificuldades na periferia do Euro.
In The Globe and Mail

O Japão é um dos maiores e mais activos financiadores das economias mundiais. O Japão é o segundo maior detentor de dívida americana e um dos maiores de dívida dos países europeus. Se actualmente já é tão difícil para a maioria dos países encontrarem financiadores para a sua dívida, o que irá acontecer daqui para a frente com o quase desaparecer do Japão do mercado enquanto comprador?

“As suas poupanças irão agora ser redireccionadas, directa ou indirectamente (através da aquisição de títulos japoneses), para a reconstrução, estes fundos deixarão de estar disponíveis para financiar economias estrangeiras.”
In The Globe and Mail

Mas há ainda pior… e se o Japão tiver de vender os seus investimentos em dívida dos outros países de modo a conseguir financiar a sua reconstrução?

O iene ganhou terreno durante toda a semana ao dólar – o oposto que se poderia esperar. Mas as companhias japonesas e investidores estiveram a fazer retornar o seu dinheiro para o território japonês, de modo a conseguirem pagar os imensos custos de reparação.
In New York Times

O Japão poderá vir a vender parte dos seus investimentos em dívida estrangeira, incluindo dívida dos Estados Unidos, para financiar um aumento da despesa depois do maior terramoto registado no país ter deixado milhões sem electricidade e sem água, de acordo com a Brown Brothers Harriman & Co.
In Bloomberg

Este é o terceiro factor de pressão inflacionária directamente ligado aos problemas que afectam o Japão. Mais dólares e mais euros entrarão no mercado se o Japão começar a vender os títulos de dívida de países estrangeiros. Eis o porquê do desespero dos bancos centrais das sete economias mais fortes do mundo andarem que nem doidos a vender ienes de modo a tentar controlar uma implosão das moedas mundiais.
Se o Japão começar a vender dívida de terceiros o mundo económico irá mais que provavelmente explodir em inflação e em contracção económica.

E o que fará este mundo casineiro e bananeiro quando tiver de enfrentar pelos cornos estes problemas?
O mesmo que tem vindo a fazer até aqui (Já o está a fazer)… irá imprimir dinheiro para tentar acolchoar a queda, acção que irá aumentar e agravar as pressões inflacionárias sobre o mundo… que irão por si ajudar a contrair ainda mais fortemente a economia mundial…

E falta juntar a todos estes tópicos a cereja no topo do bolo.
Se acontecer um desastre nuclear tipo Chernobyl no Japão, como se afigura cada vez mais provável? Pois é… todos estes factores tenderão a ser exponencializados N vezes… e a seguir será apenas o início do fim há muito anunciado…

Conclusão:
Japão papão em apagão… apagão que já se estende a todo o mundo… e inflação que irá papar tipo comilão aquele mundo que julgava estar desenvolvido… mas desenvolvido poderá ser apenas um desenvolver em marcha-atrás… atrás daqueles sonhos que são na realidade mais pesadelos, criados por homens que se julgavam superiores ao planeta… mas este planeta é vida, e a vida não se padece com sonhos de crescimento eterno… e de inflação em inflação iremos chegar até ao porto da desgraça em que seremos violentamente consumidos pela onda de um tsunami económico que engolirá todo este mundo… de eterno… e ilusório… crescimento.

Notícia do The New York Times – Certainties of Modern Life Upended in Japan
Notícia do Deutsche Welle – Desastres no Japão não causarão recessão mundial, acreditam economistas
Notícia do Diário Económico – Godzilla existe!
Notícia da CNBC – Nikkei Losses to Double: Economist
Notícia do The New York Times – A Crisis That Markets Can’t Grasp
Notícia do The Globe and Mail – Global economy faced with a new recession
Notícia do The Washington Post – Japan earthquake’s aftermath: Economists more pessimistic about long-term impact
Notícia do The Wall Street Journal – Crisis Tests Supply Chain’s Weak Links
Notícia do The New York times – Stress Test for the Global Supply Chain
Notícia da Veja – Catástrofe no Japão pode mudar planos de montadoras
Notícia da Bloomberg – Japan May Sell U.S. Treasuries After Earthquake, Brown Brothers’ Thin Says

Tsunami Nuclear

Agência de segurança nuclear exclui acidente tipo Tchernobyl. Reactores nucleares Mark1 levaram à demissão de cientistas da General Electric. Reguladores foram avisados dos riscos com os reactores. Japão foi avisado sobre perigo de sismos para as centrais nucleares. Escândalos e dúvidas na história da central de Fukushima. Temida a fuga de radiações e especialistas nucleares focam um possível encobrimento. Líderes japoneses deixam o povo no escuro. Organização Mundial de Saúde: não há risco fora do perímetro de segurança. O risco de radioactividade para Tóquio é limitado, mesmo no pior dos cenários: dizem especialistas britânicos. O acidente nuclear japonês é território desconhecido. NRC afirma que a piscina de combustível usado da unidade 4 perdeu uma massiva quantidade de água; Japão nega a conclusão. Helicópteros lançam água para evitar fusão. Operação com helicópteros fracassa e níveis de radiação seguem altos em Fukushima.

O mundo está assistir, quase em estado de letargia, aos acontecimentos no Japão, depois de um dos maiores terramotos já registados, seguido por um tsunami de dimensões épicas e agora com um desastre nuclear em desenvolvimento.
A noção que o Homem tem do seu mundo… que a tecnologia nos irá salvar, que o desenvolvimento é imparável, que conseguimos controlar a natureza, etc., é facilmente e totalmente rebatida em menos de nada, quando confrontados com a volatilidade deste nosso mundo . Esta realidade menos positiva é constantemente descartada da mente das pessoas, criando nelas a perigosa noção de que o amanhã irá ser sempre melhor que o presente. O pernicioso dessa noção é que as pessoas nem sequer chegam a colocar em consideração a preparação para um mundo que nem sempre trará um futuro melhor. Quem não o faz coloca todo o seu futuro nas mãos de uma esperança e não com base numa realidade.

Amanhã, ou depois, irei tentar contextualizar os problemas com que se debate actualmente o Japão e as suas implicações para a economia do nosso mundo. Hoje vou abordar os problemas que assolam o Japão analisando “apenas” o quadrante da manipulação de informação que tem sido factor recorrente desde que se soube que quatro centrais japonesas tinham sido danificadas pelo terramoto seguido de tsunami. Acho que esta abordagem poderá facilitar a compreensão da questão quando for analisada pelo lado económico e de futuro para o nosso mundo moderno.

Antes de avançar… há uns dias um amigo meu disse-me: “a tua análise é tendenciosa para o negativo”, ao qual respondi: “sim é, e propositadamente, porque tendenciosos são os nossos meios de comunicação social que conseguem quase inacreditavelmente dar espaço a esperanças em mais de 90% da informação que eles disponibilizam, mesmo que essas esperanças possam muitas das vezes ser falsas, colocando em causa a preparação das pessoas para um amanhã que poderá ser menos bom.”
De que vale às pessoas uma continuada informação de que as coisas irão continuar tal como estão sem solavancos para sua vida, quando comparado com uma informação que ajude as pessoas a preparar-se para algo que os poderá ajudar a contornar com menos dificuldades as esquinas que a vida lhes poderá colocar à frente?

Escrito isto… na segunda feira, 14 de Março, começámos a ser bombardeados com informação mais positiva do que demonstrava a realidade da questão dos problemas nas centrais nucleares japonesas:

“Não há absolutamente qualquer possibilidade de um Tchernobyl”, declarou o ministro Koichiro Ganba aos membros do Partido no poder, com base num relatório da agência [de segurança nuclear japonesa].
In Expresso

Esta informação assumiu a preponderância na forma como os meios de informação começaram a abordar os problemas nas centrais nucleares japonesas.
Poucos meios de informação no mundo se deram ao trabalho de verificar a fiabilidade de tal comunicado com muito pouco sumo de real informação, e escrevo isto dessa forma porque bastaram um par de dias para que tal fosse liminarmente posto em causa. O jornalismo não é nem pode ser apenas copy\paste das informações (ditas) oficiais, sob pena de se transformar num veículo de distribuição de informação tendenciosa.

E quando os meios de informação fazem realmente jornalismo, o que acabam quase invariavelmente por descobrir é que a versão (dita) oficial dos acontecimentos é tudo menos… verdade:

Há 35 anos, Dale G. Bridenbaugh e dois dos seus colegas da General Electric demitiram-se dos seus cargos depois de ficarem mais que convictos que o desenho do reactor nuclear que estavam a rever — Mark 1 — tinha tantas falhas que poderia conduzir a um acidente devastador.
In ABC

Portanto… as instituições responsáveis por controlar o nuclear já estavam cientes que havia probabilidades bem reais de tal de poder suceder.
Portanto… como ler então esta afirmação: “Não há absolutamente qualquer possibilidade de um Tchernobyl”?
Falsa e manipuladora, talvez?

“Os problemas que identificámos em 1975 foram, que ao desenharem o silo do núcleo, não levaram em consideração as cargas dinâmicas que podiam acontecer com uma perda no sistema de arrefecimento”, disse Bridenbaugh à ABC News. “As cargas que o silo conseguia suster desta rápida libertação de energia podiam destruir o silo e criar uma libertação incontrolável de radioactividade.”
In ABC

Hmmmm…. parece mesmo um relato fiel ao que está a acontecer no Japão… sem tirar nem pôr.

Os seis reactores nas centrais de Fukushima, que sofreram duas explosões, são reactores arrefecidos a água desenhados pela GE. Cinco são dos originais Mark1 e entraram em serviço entre 1971 e 1979.
in The Guardian

Acho que apenas munidos desta informação já teríamos informação suficiente para nunca dizer termos o descaramento de dizer descomplexadamente “não há absolutamente qualquer possibilidade de um Tchernobyl” e estar mais que preocupados em tentar afastar as pessoas do raio de acção destas bombas nucleares em potência.
Mas não, os meios de informação para as massas continuaram e continuam, em mais de 90% dos casos, a contar esperanças, a difundir informações (ditas) oficiais e a fazer muito pouco jornalismo… verdadeiro.

E Fukushima para os japoneses é sinal de mentiras e mentirosos, mas parece que para a maioria dos meios de comunicação é uma fonte segura que serve de sustento de grande parte das linhas que escrevem todos os dias:

No final de Agosto de 2002, a agência japonesa de segurança nuclear concluiu que, desde os anos 1980, havia uma prática sistemática de ocultar problemas detectados nas inspecções à central de Fukushima – incluindo fissuras nas estruturas dos reactores.
A Tepco admitiu tudo e desculpou-se publicamente, apenas para descobrir, um mês mais tarde, mais oito casos de omissão de informação sobre problemas nos tubos de circulação primária da central de Fukushima.
Em 2006, a empresa encontrou dados falsificados sobre a temperatura da água de refrigeração de Fukushima-Daiichi em 1985 e 1988. E em 2007, um sismo de magnitude 6,8 provocou um incêndio noutra central nuclear – Kashiwazaki Kariwa, a maior do mundo.
In Público

Portanto, os mesmos que mentiram constantemente no passado são agora a fonte das esperanças recorrentemente apresentadas nos meios de informação.
Haverá alguma lógica nisto para além do desejo de apresentar uma visão distorcida da provável realidade? Talvez… talvez…

Em Dezembro de 2008 a organização de vigilância internacional para questões nucleares fez saber ao Governo japonês que as regras de segurança das centrais nucleares estavam ultrapassadas e que sismos fortes poderiam ser um «sério problema», avança a edição online do The Telegraph.
In Sol

Ao juntarmos todos os problemas identificados há décadas; as mentiras e omissões recorrentes dos responsáveis, com a informação de que as centrais não estavam devidamente preparadas para lidar com terramotos, ficamos com? Ficamos com uma molhada de factores que nos dizem directamente que o futuro das centrais em causa tenderá a ser pior do que o que está a ser retractado em 90% das notícias presentes nos meios de informação para as massas.
Com que bases sustentam então os meios de informação essa tendenciosa noção que insistem transmitir? Que interesse?

Quando abrem espaço àqueles pouco menos de 10% de informação real, ficamos com isto:

Especialistas nucleares lançaram dúvidas sobre a fiabilidade das informações oficiais disponibilizadas sobre o acidente na central de Fukushima, afirmando que estas seguiam um padrão de secretismo e ocultação verificados em outros acidentes em centrais nucleares. “É impossível aceder às leituras de radiação,” disse John Large, um engenheiro nuclear independente que trabalhou para o governo britânico e que foi nomeado comissário da Greenpeace para o relatório do acidente.
“As acções do governo japonês são totalmente contrárias das suas palavras. Evacuaram 180 mil pessoas mas dizem que não existe radiação.
In The Guardian

Portanto… sustentam maioritariamente as suas afirmações num copy\paste desconexo da realidade apresentado pelas (ditas) fontes oficiais, que mais parecem fontes oficiais para a mentira, e raramente penetram em profundidade nas questões.
Fontes oficiais que pouco mais são que encobridores oficiais da verdadeira história:

(…) o povo japonês continua a esperar em vão por informação fiável sobre a possibilidade de fusão do núcleo e de instruções úteis sobre como se proteger. O que, por exemplo, deverão fazer as 30 milhões de pessoas que vivem na área metropolitana de Tóquio se no futuro Edano anunciar radiações elevadas?
O mesmo está a ocorrer com as instituições japonesas, que estão a confundir o público da mesma forma que o gabinete do Primeiro Ministro. Nessas está incluída a agência nuclear, NISA.
In Der Spiegel

E não são apenas as instituições japonesas e o governo japonês que estão a manipular a forma como a informação está a chegar até às pessoas, com a conivência do copy\paste dos meios de informação para as massas, pois as instituições e governos internacionais também por lá pululam no barulho ensurdecedor da manipulação de informação, nas mentiras:

A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que não há risco de radiação excessiva para a população japonesa que vive fora do perímetro de segurança em torno da central nuclear de Fukushima 1. Para já, também não existe risco fora do território japonês.
In Público

A Organização Mundial de Saúde a dizer tal barbaridade perante toda a informação que estava e está disponível? PARA JÁ não existe risco FORA do território japonês e no território japonês não existe risco para além da zona de exclusão?!?!?!
Podemos confiar nestes “monstros” que defendem quase exclusivamente interesses que não os das populações deste mundo?
VERGONHA!

Responsável das Ciências da Grã-Bretanha:

“Assumindo o pior dos cenários, acontecerá uma explosão”, disse. “Bem, isso é bem sério, mas será sério apenas para a área local. Não será um problema sério para outras áreas.”
Assumindo que os padrões de vento irão conduzir a radioactividade até Tóquio, não haverá “nenhum problema sério” para a saúde humana.
In Bloomberg

Inacreditável se não fosse verdade a inverdade monumental exposta nestas palavras de um “ser” que tem responsabilidades na defensa do respeito pelas bases com que a ciência deve proteger este nosso mundo!
Monumental… é única palavra que me vem à cabeça para adjectivar tal displicente comportamento!

Mas não ficamos por aqui…
Então o que disse a Agência de Energia Atómica ou, simplesmente, o braço político-cientifico da ONU para a energia nuclear?

O Secretário Geral da Agência, Yukiya Amano, diplomata japonês que assumiu o cargo em 2009 depois de lóbie intenso por parte de Tóquio. Amano e a sua equipa foram acusados de responsabilidade nas longas demoras na divulgação dos desenvolvimentos sobre o desastre em Fukushima.
“Depois de Chernobyl, todas as forças da industria nuclear foram dirigidas para o esconder deste evento, de forma a não manchar a sua reputação. Os acontecimento em Chernobyl não foram suficientemente estudados porque que tem o dinheiro para realizar esses estudos? Apenas a indústria nuclear. Mas a indústria não gosta disso,” disse Andreev à Reuters.
“Os japoneses foram demasiadamente gananciosos e utilizaram todos os centímetros de espaço. Mas quando se tem uma densa disposição na bacia de combustível usado, então terá um aumento das probabilidades de fogo, caso a água seja retirada da bacia,” disse Andreev.
In The Guardian

Podridão, dinheiro, interesses, são palavras que poderão qualificar a verdadeira essência do ser humano quando em presença de dinheiro a ganhar e de interesses.
Mas mais grave que isso, digo eu, é os meios de comunicação social ficarem agradavelmente à espera que esta carrada de seres asquerosos emitam comunicados pseudo-oficiais, ou seja mentirosos, para reportar em 90% das suas linhas editoriais aquilo que outros desejam que seja a verdade… quando na sua essência essas linhas escritas são apenas uma grande mentira.

Poucos foram os meios de informação que desde o início do acidente não seguiram o guião das informações (ditas) oficiais, as inverdades, e que deram lugar de destaque àquilo que hoje já é uma verdade quase inquestionável. E a verdade é que o que está a acontecer no Japão está a caminhar de forma imparável na direcção de um desastre total, que aparentemente irá continuar a ser “encoberto” na maioria das linhas editoriais da comunicação social deste mundo.
Mesmo assim há uma informação que está a ser recorrentemente “escondida” das páginas da comunicação social, mesmo naqueles exíguos 10% abertos à realidade:

“Cremos actualmente que a unidade 4 possa ter perdido uma parte significativa do seu inventário, se não mesmo toda a sua água,” disse Jaczko perante a Comissão de Audiência de Energia e Comércio. “O que sabemos da unidade 3, e reafirmo que a informação que temos é limitada, o que achamos é que também existe um rompimento na piscina de combustível usado da unidade 3, o que poderá conduzir à perda de água.”
“Estamos muito próximos do ponto sem retorno,” afirmou o Dr.Michio Kaku.
“Temos rompimentos, rompimentos nos silos… e se esses rompimentos aumentarem ou se acontecer uma explosão, estaremos a falar de Chernobyl, algo para lá de Chernobyl,” afirmou Kaku.
In ABC

Esta é muito provavelmente a real realidade da situação neste momento. Enquanto isso os nossos meios de (des)informação preferem dar lugar de destaque a algo que pessoalmente considero um desenho animado para a cabeça dos Zé Povinhos do mundo tal a sua insignificância, até mesmo estupidez:

Poucos minutos depois das 10.00 da manhã no Japão (2.00 em Portugal), helicópteros do exército atiraram água do mar (mais de 7.500 litros) para o reactor 3 (o mais perigoso porque contém plutónio em vez de urânio). No reactor 4 está prevista a injecção de água através de camiões preparados para o efeito.
In Diário de Notícias

Hmmm… os mesmos helicópteros que têm dificuldades em conseguir apagar um vulgar incêndio numa mata estão a ser usados para tentar fazer baixar temperaturas nos reactores que podem ultrapassar temperaturas quase incomensuráveis?!?!?!?!?!?!
Não sei se hei-de rir ou chorar tal o estado das coisas por lá, mas este poderá ser indubitavelmente um sinal que já estejam a tentar o impossível, a gastar os últimos cartuxos.
E mais simples ainda… meus senhores, se eles pensam que conseguem arrefecer os reactores com água lançada de helicópteros, então poderá ser porque o silo, que protege o mundo da radiação do reactor, está exposto, de outra forma seria apenas água contra as paredes do sarcófago nuclear… e se o silo está exposto…

O lançamento de água do mar a partir de helicópteros militares para tentar resfriar um dos reactores da usina de Fukushima 1 não surtiram os efeitos esperados e os níveis de radiação seguem altos no local, informou nesta quinta-feira a empresa Tokyo Electric Power (Tepco), que opera o complexo nuclear.
In Folha

Pois claro…

Conclusão:
Uma onda de mentiras inundou este mundo… mentiras compradas desde há décadas para que o mundo não se apercebesse da onda que já estava formada… e um tremor em formato de temor assumiu posição no mundo… exceptuando nos meios de informação para as massas que são quase apenas e só máquinas de impressão de mentiras… e por isso, grande parte do mundo vive ainda hoje como se não houvesse amanhã… o problema é que o amanhã pode não chegar como desejado hoje… pode não vir a ser um cantinho amado… pois poderá estar a caminho um tsunami nuclear…

Notícia do Expresso – Agência de segurança nuclear exclui acidente do tipo Tchernobyl
Notícia da ABC – Fukushima: Mark 1 Nuclear Reactor Design Caused GE Scientist To Quit In Protest
Notícia do The Guardian – Japan’s nuclear crisis: regulators warned of reactor risks
Notícia do Público – Escândalos e dúvidas na história da central de Fukushima
Notícia do Sol – Japão foi avisado sobre perigo de sismo nas centrais nucleares
Notícia do The Guardian – Japan radiation leaks feared as nuclear experts point to possible cover-up
Notícia do Spiegel – Japanese Leaders Leave People in the Dark
Notícia do Público – OMS: não há risco fora do perímetro de segurança
Notícia da Bloomberg – Radioactive Risk to Tokyo Limited Even in Worst Case, U.K. Official Says
Notícia do The Guardian – UN’s nuclear watchdog IAEA under fire over response to Japanese disaster
Notícia da France24 – Japan’s nuclear crisis is ‘uncharted territory’
Notícia da ABC – Nuclear Crisis: NRC Says Spent Fuel Pool at Unit Four Lost Massive Amounts of Water; Japan Disputes Claims
Notícia do Diário de Notícias – Helicópteros lançam água para evitar fusão
Notícia da Folha – Operação com helicópteros fracassa e níveis de radiação seguem altos em Fukushima

Quem Nos Salva?

Taxa de juro aumenta 249% em 11 meses. Portugal irá necessitar de 20 anos para conseguir regularizar a dívida. Doze bancos espanhóis têm de reforçar capital em 15 mil milhões. Fitch: Bancos espanhóis precisam de pelo menos 38 mil milhões. Moody’s: Bancos espanhóis necessitam no mínimo de 40 mil milhões. Molycorp diz que a China em 2015 passará a ser importadora de elementos raros. A contaminação do plástico no oceano Atlântico. Japão vai rever a lei de mineração, para tentar chegar até aos 3,6 biliões em recursos subaquáticos. A doença do derrame de petróleo está a destruir vidas.

Portugal, Espanha, China e mundo de candeias às avessas, aos solavancos, aos trambolhões na insanidade de uns quantos.

Ficámos hoje a saber, não é que seja uma surpresa, pelo menos para quem tem andando minimamente atento, que os juros cobrados a Portugal aumentaram, desde Abril do ano passado, 249%249%!!!!!
Portanto, já todos(?) deverão estar cientes que Portugal irá ter de pagar em juros, simplisticamente falando, mais 249% em milhares milhões de juros, para além dos imensos milhares de milhões que tem em dívida.
Se acham que tal é pagável, quem sou eu para contrariar tal convicção, mas mesmo assim gostava de referir que os sonhos não são necessariamente passíveis de serem transformados em realidades…

A realidade é, como ficámos hoje a saber, que Portugal irá necessitar de pelo menos 20 anos, duas décadas, para conseguir regularizar a sua dívida de modo que esta fique abaixo de 60% do seu PIB.
Isto para mim é puramente um sonho dentro da actual funcionalidade deste sistema monetário. Teria de escrever imensas linhas para tentar justificar toda essa minha opinião, por isso irei utilizar apenas os dados mais facilmente palpáveis para a tentar justificar, baseando-me apenas e como sempre em notícias dos meios de comunicação generalistas que saíram nos dias mais recentes.

20 anos… duas décadas… Será que estão cientes que isso poderá significar que irão ser duas décadas de contracção económica, duas décadas de aumentos nos impostos, duas décadas de redução da qualidade de vida, duas décadas de redução no rendimento per capita disponível, duas décadas de perdas de direitos adquiridos, duas décadas de diminuição do Estado Social, duas décadas de aperto no cinto? Duas décadas! Vinte anos!
Estará o Zé Povinho disponível para aguentar a contracção deste sistema e a regressão no seu nível e qualidade de vida durante duas décadas, vinte anos?
O povo é sereno, dizem alguns… por isso, talvez… mas também talvez não…

E então se forem (muito) mais que apenas duas décadas, como pessoalmente considero que é o mais provável, dados os indicadores que temos actualmente disponíveis?
Comecemos por pegar nos indicadores que nos chegam de Espanha…
Então, ficámos hoje a saber que doze, 12!, bancos espanhóis chumbaram nos testes de stress desenvolvidos pelo governo de nuestros hermanos, e que terão de aumentar em 15 mil milhões de euros o seu capital.
Ok, nada de mais, poderão alguns pensar… Talvez peçam uns empréstimos e tapem esses buracos com numerário (ilusório)… talvez… ou talvez não…
E se o tamanho do buraco for como a Moodys e a Fitch anunciam?
E se o buraco for de até 100 mil milhões de euros, cinco vezes mais que o total que o Estado português necessita de financiamento para este ano? Hmmm… quando analisado desta forma as semelhanças com a Irlanda são realmente peculiares, no mínimo… e no mínimo o Estado espanhol irá cair… de joelhos…
Hmmm, com que então vinte anos para Portugal conseguir acertar as suas contas, mas essa análise baseia-se no facto que a Espanha se mantenha de pé. Então, se a Espanha ruir, quantos mais anos teremos de adicionar a esses vinte? (Isto sem sequer contemplar a hipótese de Portugal cair)

Seguindo…
E ontem conheci a Molycorp, a maior produtora de elementos raros do planeta fora da China, que disse esta coisinha importante que poderá escapar à mente dos mais incautos:

“Elementos do governo chinês alertam consistentemente sobre a intento da China continuar a restringir as exportações dos elementos raros, e a possibilidade da China se tornar importadora dessas elementos por volta de 2015,” afirmou a companhia com sede no Colorado, Greenwood Village, quando anunciava os seus resultados do quarto trimestre do ano que findou. “O consumo interno de elementos raros da China irá continuar a aumentar ao ritmo do crescimento do seu PIB.”
In Bloomberg

Como para muitos esta coisa dos elementos raros do planeta poderá ser território desconhecido, irei fazer uma pequena abordagem a eles (simplista).
1 – Quase tudo o que são tecnologias modernas necessitam deles, sem eles não seria possível o seu desenvolvimento – LCDs, telemóveis, todos os desenvolvimentos tecnológicos nas renováveis, carros eléctricos, etc, etc, etc, etc,…
2 – A China é o maior produtor e exportador mundial, com uma cota de produção de 95% de todos os elementos raros do planeta.
Pegando nestes dados verdadeiramente primários… depois do mundo ocidental ter “despachado” quase toda a indústria transformadora para a Ásia e ter ficado “apenas” com as indústrias de tecnologia de ponta, que são as grandes sorvedouras dos elementos raros do planeta, vê-se agora a braços com o seu mundo a ficar sem as matérias-primas que são a base funcional dessas indústrias. A China já começou este ano a reduzir e significativamente as suas exportações de elementos raros e em breve, segundo o relato disponibilizado, juntar-se-á a todo o restante mundo na luta pelos restantes 5% do total produzido não extraído no seu território.
Hmmmm… portanto, aquilo que temos ouvido recorrentemente dos nossos bananas, “Portugal está a investir nas indústrias de ponta, nas novas tecnologias”, será realmente algo com futuro e que poderá realmente ajudar na redução de dívida?
Hmmm… talvez sim, se descobertas muito em breve formas para contornar esse problema… mas talvez não… muito provavelmente, não, e dados os dados que temos em mão, Portugal, que é quase insignificante neste mundo, dado o seu tamanho geográfico, não irá conseguir angariar matéria-prima para sustentar as suas empresas de tecnologias de ponta.
Portanto, ainda consideram que em vinte anos, duas décadas, Portugal poderá conseguir reduzir a sua dívida?

Ainda temos o mar. A nossa costa marítima é a mais extensa da Europa. Poderá estar por aí o nosso futuro, poderão alguns pensar… e bem, diga-se de passagem…
É sem dúvida uma das formas de Portugal desenvolver a sua economia, mas infelizmente também cada vez mais os oceanos são a casa de banho, a lixeira e zona aberta das loucuras de uma sociedade que está dependente do petróleo e das matérias-primas, e que vive em estado de espiral crescente sofreguidão.

A imagem dos oceanos como a casa de banho e lixeira das sociedades humanas:

O SES recolheu mais de 6000 amostras de plástico(…). Um dos espólios mais chocantes foi efectuado durante uma recolha que durou 30 minutos em 1997, quando os cientistas recolheram 1069 pedaços nesse pequeno espaço de tempo. Calcularam que isso equivalia a 580 mil pedaços de plástico por quilómetro quadrado.
Os plásticos contêm também químicos que são gradualmente libertados nas águas e na atmosfera. Os peixes ao respirar esses químicos presentes na água acabam por ficar contaminados. Depois são capturados pelos pescadores e essa contaminação acaba por entrar na cadeia alimentar humana.
In Earth Times

Portanto, se em 1997 andavam à deriva nos oceanos 580 mil pedaços de plástico por quilómetro quadrado, passados 14 anos, como acham que estará o quilómetro quadrado nos mares?
Ainda teremos mar, disso não restam dúvidas, mas que mar teremos e em que estado estará para ajudar a aliviar a dívida nacional?

Talvez por lá exista para Portugal o mesmo que os japoneses estão a pensar conseguir amealhar:

O ministro do Comércio japonês planeia simplificar a lei de mineração dos recursos marinhos, pela primeira vez desde 1950, para ajudar no desenvolvimento da exploração de recursos subaquáticos que poderão ascender a 300 mil milhões de yenes.
In Bloomberg

Talvez também tenhemos por lá ouro e outros minerais que tal. Mas quais poderão ser as consequências para o futuro da riqueza marinha e para a saúde da nossa população?
Talvez a melhor forma de se analisar isso seja tentar entender que danos foram até agora estabelecidos como causa directa do derrame e dos dispersantes usados para tentar controlar o desastre da BP no Golfo do México:

“Os dispersantes estão a diluir-se na água e a deixar solúveis os compostos químicos, que são depois transportados pelo ar, que chegam a terra através das águas da chuva.”
“Estou assustado com o que tenho descoberto. Estes compostos cíclicos misturam-se com o Corexit [dispersante] e geram outros compostos cíclicos que não são nada bons. Esta é uma catástrofe ambiental sem precedentes.”
In AlJazeera

Este é o resultado dos sonhos e vícios do Homem em sociedades que não medem as consequências dos seus actos para o seu futuro. O investimento nos oceanos, tal como é analisado por esta estrutura económico-social actual, resulta num perigo monumental para a natureza, para o Homem e para o planeta.

“Sr. Presidente, a minha preocupação é que estes componentes tóxicos lesivos ainda estejam a ser utilizados e que irão, a longo prazo, criar um grave problema ao nosso Estado, aos nossos cidadãos, ao nosso ecossistema, à nossa economia, à nossa indústria pesqueira, à nossa vida marinha e à nossa cultura.” Senador da Luisiana, AG Crowe.
“Não seremos enganados a acreditar que o petróleo e as toxinas já desapareceram. Como os dispersantes tóxicos foram, e ainda estão em uso actualmente, o petróleo está a descer até às colunas submarinas de água e entrar num ciclo interminável na corrente do Golfo afectando de forma adversa o nosso meio-ambiente.”
In AlJazeera

A corrente do Golfo passa mesmo aqui ao lado…
Nos oceanos não existem fronteiras, assim como no ar… a poluição e destruição causadas noutros pontos do planeta chegam quase sempre à nossa costa… e como poderá Portugal desenvolver uma solução económica para si próprio quando aquilo que julga ser seu é na realidade de todos? E pior, é na realidade a casa de banho do mundo…

Portanto, vinte anos poderá ser uma previsão no mínimo muito optimista, para não escrever mesmo sonhadora.
Não irão ser apenas vinte anos de prisão económica, de retracção social, irão ser muitos mais a não ser que todo este mundo em que vivemos comece a olhar para o seu mundo com olhos de gente realmente preocupada.
Só será possível em vinte anos se as desigualdades entre classes forem rebatidas, se os Estados aumentarem os apoios à união social através de estudos para todos, se os seus Zé Povinhos passarem a ser o seu maior bem e se a natureza que nos envolve passar a ser mais que apenas matéria-prima para ajudar nos ganhos pessoais, lucro, de uns quantos, muito poucos, homens que vivem como se não houvesse amanhã.

Conclusão:
O juro cobrado à nossa vida é medido pela taxa de loucura de uns quantos, muito poucos, que viveram e vivem num presente sem futuro… e que sem uma mudança radical na sua forma de viver a vida que é de todos, nem 40, nem 30, nem 20 anos mais haverão… até pode ser que os quantos, muito poucos, dos nuestros hermanos que viveram e vivem nesse presente sem futuro consigam desencantar mais uns anos para nós… mesmo que os árbitros das finanças dos loucos digam que os anos estão já contados para eles… até pode ser que o crescimento continuado da loucura chinesa nos possa vir a ajudar, mesmo que a sofreguidão com que cresce faça decrescer as esperanças de uma vida vivida para além deste presente… e talvez os mares nos salvem… mas… primeiro… temos todos de salvar os mares que vivem hoje ao ritmo de uma vida sem futuro…
Ao fim ao cabo, afinal de contas, quem nos salva… a nós… e ao mundo?

Notícia do Correio da Manhã – Taxa de juro dispara 249% em 11 meses
Notícia do Diário de Notícias – Portugal vai demorar 20 anos para regularizar dívida
Notícia do Diário Económico – Doze bancos espanhóis forçados a reforçar capital em 15 mil milhões
Notícia do Destak – Bancos espanhóis precisam de pelo menos 38 mil milhões de euros- Fitch
Notícia da Reuters – Moody’s reduz nota da Espanha e cita custo para recuperar bancos
Notícia da Bloomberg – Molycorp Says China May Become Net Importer of Rare-Earth Minerals by 2015
Notícia da Earth Times – Plastic Contamination in the Atlantic Ocean
Notícia da Bloomberg – Japan to Revise Mining Law, Seeking $3.6 Trillion in Undersea Resources
Notícia da AlJazeera – Gulf spill sickness wrecking lives

Às Contas Com os Números da Banca

Hoje, com base em notícias que fui recolhendo no espaço do último mês, vou fazer as contas às contas dos lucros da banca em 2010, algo que faço regularmente para ajudar todos a entenderem um pouco melhor que crise lá para aqueles lados é apenas uma palavra de circunstância, de retórica, pouco mais que retórica política e publicitária, porque a realidade é esta e bem diferente: (Em euros)

  • Banco BIG — 20,5 milhões
  • Montepio Geral — 37,72 milhões
  • Banco Pastor — 62 milhões
  • Maiores bancos comerciais de Moçambique — 83,7 milhões
  • BPI — 184,8 milhões
  • Caixa Geral de Depósitos — 250,6 milhões de euros
  • BCP — 301,6 milhões
  • Banesto — 460,1 milhões
  • BES — 510,5 milhões
  • Popular — 590 milhões
  • Credit Suisse — 637 milhões de euros
  • Banco Sabadell — 968 milhões
  • La Caixa — 1,3 mil milhões
  • Commerzbank — 1,4 mil milhões
  • Société Générale — 3,92 mil milhões
  • Barclays — 4,23 mil milhões
  • 3 maiores bancos japoneses — 4,5 mil milhões
  • BBVA — 4,606 mil milhões
  • Itau — 5,91 mil milhões
  • BNP Paribas — 7,8 mil milhões
  • Santander — 8,18 mil milhões
  • Maiores bancos russos — 13 mil milhões
  • TOTAL: 58.952,520 milhões de euros!

O lucro de apenas 30 bancos, aproximadamente, no ano de 2010… apenas 30 bancos, sem os americanos e sem milhares que pululam pelo mundo fora!!!
Quem desejar tentar extrapolar este valor para a totalidade do mundo… que o faça… aviso apenas que poderão chegar a um valor total que poderá ser absolutamente irreal para o nosso mundo…

Pessoalmente não conheço outro sector empresarial no mundo que registe lucros tão imensos, e principalmente quando o sector retractado não produz absolutamente nada a não ser dívida para o restante do mundo…
Quer dizer, talvez o mercado de venda de armas e o de droga consigam superar os seus números… talvez…

E o que dizer deste mesmo sector, que se banha em lucros abismais, ser um dos que menos impostos paga no mundo ocidental?(Escrevi “dos que menos impostos paga” e não “o que menos impostos paga” porque o tráfico de droga não paga impostos…)

E o que dizer que nós, os Zé Povinhos, tivemos de salvar este sector da ruína financeira? Mas que ruína financeira qual carapuças! Este sector é ele a ruína financeira do mundo! E enquanto não for tratado como tal, muitas mais ruínas ir-se-ão abater sobre este mundo… e isso é certinho como o destino, a não ser que os Zé Povinhos do mundo deixem de providenciar guarida de silêncio às acções dos bananas que os defendem com unhas e bolsos!

Notícias de Apoio:
Notícia do Jornal de Negócios – Banco BIG aumenta lucros em 66% mas reduz dividendos a metade
Notícia do Expresso – Moçambique: Lucros dos maiores bancos comerciais cresceram 18% para 83,7ME — KPMG
Notícia do Diário Económico – Lucro do Commerzbank excede expectativas
Notícia do Jornal I – Lucro do BNP Paribas sobe 34,5% para 7,8 mil milhões de euros em 2010
Notícia do Pravda – Russian banks earned record profits in 2010
Notícia do Diário Económico – Lucro do Barclays sobe 36% e bate previsões
Notícia do Jornal de Negócios – Lucros do Société Générale crescem quase seis vezes em 2010
Notícia do OJE – Lucro do Banco Pastor cai 38,6% para 62 milhões
Notícia do Jornal de Negócios – Lucros da CGD descem 10% com perdas na bolsa a pressionar (act)
Notícia do Diário Económico – Lucro do Credit Suisse desilude analistas
Notícia do NIKKEI – 3 Megabanks’ Combined Net Profit Rose 150% In April-December
Notícia do Diário Económico – Santander lucra mais de 8 mil milhões em 2010
Notícia do Público – Lucros do BBVA cresceram 9,4 por cento em 2010 para recorde de 4606 milhões de euros
Notícia do Jornal de Negócios – Popular com lucros de 590 milhões em 2010
Notícia do OJE – Lucro do BCP sobe 34% para 301,6 milhões e supera estimativas
Notícia do Sol – Lucro do BES desce 2,2% em 2010
Notícia do Sol – Lucros do BPI sobem 5,6%
Notícia do OJE – Lucro do Banco Sabadell cai 27,3% em 2010 devido a aumento de provisões
Notícia do Diário Económico – Lucros do espanhol La Caixa caíram 13,4% em 2010
Notícia do OJE – Lucro do Banesto cai 17,8% em 2010, para 460,1 milhões
Notícia do Diário Económico – Lucros do Montepio Geral ficam estagnados em 2010
Notícia do Diário de Notícias – Itau regista maior lucro da história do sector bancário

Um Mundo pintado a Números

A bomba relógio do desemprego entre os jovens. O porquê da importância da inflação no preço dos alimentos. Especialistas debatem os limites da aquacultura. Governos começam a dar aos seus cidadãos alimentos de graça. Apostas que o petróleo irá chegar aos 250 dólares, por causa dos riscos no canal do Suez. Arábia Saudita não consegue aumentar a produção de modo a controlar os preços no mercado. A teoria dominó e o síndroma saudita.

Os jovens…futuro das sociedades deste mundo… estão cada vez mais perdidos num mundo que está em provável contracção, mesmo que os números económicos queiram expressar exactamente o contrário.
Na Tunísia, no Egipto, em Portugal, na Europa, no mundo ocidental desenvolvido, são os jovens que mais estão a ficar desprotegidos, desamparados, desempregados… isolados… engolidos por uma onda de crescimento (numerário) económico desenfreado, desequilibrado e desprendido dos valores sociais.
Uma “monumental” peça jornalística da Bloomberg explica-nos de forma mais aprofundada esse crescente problema:

Os Hititas (tunisinos) e os Shabab (egípcios) têm irmãos e irmãs espalhados por todo o globo. Na Grã-Bretanha, são chamados de NEETs (Jovens que estão fora do sistema de educação, dos cursos profissionais, ou desempregados). No Japão, são os chamados “freeters” – uma amálgama da palavra inglesa freelancer e da palavra alemã, Arbeitr, ou trabalhador. Os espanhóis chamam-lhes os “mileuristas”, palavra que retracta os jovens que ganham menos de mil euros por mês. Nos Estados Unidos, são os “jovens boomerang”, jovens que terminaram a universidade e voltam para casa dos pais por não conseguirem encontrar trabalho. Até numa China em rápido crescimento, onde a falta de mão de obra é mais comum que o excesso de oferta, tem a sua “tribo-de-formigas”, jovens recentemente graduados que vão viver em grupos para apartamentos baratos nas franjas das grandes cidades por não conseguirem encontrar empregos suficientemente bem remunerados.
In Bloomberg

Isto devia servir de mensagem de alerta para todos os bananas deste mundo… mas não, o numerário económico, o excedente que a banca gere, a dívida para gerar mais crescimento, são invariavelmente preferidas ao abordar deste problema… e isto poderá vir a ter custos muito mais elevados do que os gerados por uma contracção do numerário (por vezes fictício) impulsionada pela contracção do crescimento…

A fissura entre os jovens e os que já não são jovens está a alargar-se. O antigo Primeiro Ministro italiano Giuliano Amato disse ao Corriere della Sera: “As gerações passadas consumiram o futuro das mais jovens”. Na Grã-Bretanha, o Ministro do Trabalho, Chris Grayling, comparou o desemprego crónico a uma “bomba relógio”. A. Jeffrey A. Joerres, chefe executivo da Manpower (MAN), uma companhia de trabalho temporário com escritórios em 82 países, acrescenta: “o desemprego nos jovens irá claramente ser uma epidemia na próxima década, a não ser que o abordemos já no imediato. Não se pode fechar os olhos a isto.”
In Bloomberg

Alguém vê por aí alguém (bananas, instituições internacionais, etc.) a abordar este problema de forma capaz… até mesmo ao de leve?
Eu não! O que vejo são os números… os números da economia a serem abordados de forma quase insana perante a realidade de um mundo que não se contabiliza nas folhas de cálculo de uns quantos economistas viciados no 1, no 2, no 3, na escala dos números, nos números que reflectem mais o mundo dos “eles” do que o verdadeiro mundo de todos nós:

No ano passado a ILO encontrou uma réstia de esperança. Depois de analisar os dados de 56 países, os investigadores estimaram que o número de desempregados entre os 15 e os 24 anos, em 2010, tinha regredido nessas nações, em quase 2 milhões, para menos de 78 milhões. “Inicialmente pensámos ser um bom sinal”, disse Steven Kapsos, economista da ILO. “Parecia que os jovens estavam a conseguir penetrar no mercado de trabalho. Mas depois apercebemo-nos que era o número de trabalhadores em busca de um emprego que estava a declinar. Os jovens estavam a desistir.”
In Bloomberg

Estará este sistema económico a criar párias? Revolucionários? Ladrões e criminosos? Pobres?
Talvez um pouco de tudo… jovens destruídos pela incapacidade de um sistema que se baseia nos números e que se afasta cada vez mais da realidade do real.

E se juntarmos esse cocktail potencialmente explosivo de jovens à deriva com a inflação dos preços do alimentos que está a ocorrer  por todo o mundo, inflação que na sua génese está intimamente ligada aos pacotes de estímulo que foram injectados um pouco por todo o mundo desenvolvido e não só?

Dos dados da inflação são excluídos os preços voláteis dos alimentos e da energia numa tentativa de pintar um quadro mais real a longo prazo. É por isso que Bernanke pode dizer que a inflação continua quase silenciosa. Se retirarmos os preços dos alimentos e dos combustíveis, a inflação é realmente baixa.
Mas até alguns dos economistas “bullish” já não estão a ir na cantiga, como Ed Yardeni, presidente da Yardeny Research. Está a começar a ficar preocupado que Bernanke possa, com o QE2, ter libertado a besta da inflação pelo mundo.
In Daily Finance

Pois é, num mundo pintado e gerido a números, pelas classes banananeiras e casineiras, quase nada mais lógico existirá para eles que criar novos algoritmos que os ajudem a pintar no tom desejado o mundo em que todos nós vivemos, de modo a que o mundo dos “eles”, distante e ilusório para a grande maioria, possa continuar a crescer no papel.
Quem em seu perfeito juízo pode retirar das contas da inflação os alimentos e os combustíveis? Quem se não os doidos, ou os mentirosos?
Eu próprio respondo à minha pergunta: Os bananas e os casineiros!

E como o verdadeiro mundo não se rege pelos números artísticos de uma classe que vive num número próprio, eis que parte dessa classe, a medo depois dos recentes desenvolvimentos e revoluções na Tunísia, no Egipto, etc., resolve começar a doar alimentos à população de modo a tentar controlar possíveis sublevações sociais nos seus feudos. Os mesmo que arriscam a real realidade do mundo numa folha contabilística desvirtuada, apresentam-se a partir de agora como os bons… amigos…

O Ministro do Comércio e Indústria embarcou esta terça-feira numa campanha de distribuição e oferta de provisionamentos alimentares a todos os cidadãos elegíveis para os receber, como parte de uma oferta do Amir HH para o público do Kuwait.
In Arab Times

Hmmm… que mãos abertas… hmmm…
E para quem estiver menos atento e pensar que isto está a acontecer apenas nos países do Médio Oriente, relembro que 15% da população americana recebe do Estado cheques mensais para se conseguir alimentar … 15%!!!!!

Enquanto isso, o mundo das ciências, e as suas constantes evoluções e soluções para quase todos os males que o apoquentam, líderes numa acção maioritariamente benéfica a nível social mas igualmente enganadora, vão também constantemente chocando de frente com os limites físicos de um planeta que não se coaduna com soluções finais e totais.
A aquacultura, método apontado como salvador dos bancos de pesca do mundo, está a chocar de frente com os seus limites:

“Vamo-nos deparar com cada vez mais constrangimentos em termos de espaço disponível, de acessibilidade à água  – principalmente água doce – e também com os impactos ambientais e no fornecimento de rações”, disse o Sr. Cochrane.
In The New York Times

Eis que passadas umas décadas depois de ter sido anunciada como a solução final para os problemas de excesso de exploração dos bancos de pesca do mundo, este mesmo mundo tem de chegar à conclusão que as soluções salvadoras finais não podem\devem ser vistas e analisadas como tal, sob pena de serem quase sempre apenas um engano. O mundo e o Homem são limitados… ilimitados são apenas os sonhos do Homem.
Portanto, para além das “brincadeiras” com os números que estão a levar os preços dos alimentos até ao inacessível a uma boa parte deste mundo, também temos de começar a analisar profundamente que não irão ser apenas os cereais, as frutas, as verduras e a carne que irão aumentar exponencialmente de preço.
É só boas notícias…

E para adicionar um pouco mais de sal a tudo isto, ficamos a saber que há casineiros a apostar que o petróleo irá em breve custar 250 dólares por barril. 250 dólares por barril!!!! Se os “eles” estão a apostar que o barril irá a estar a 250 dólares é porque na mente deles o preço tenderá, muito provavelmente, a passar largamente esse valor:

Os investidores subiram as apostas de que o preço do petróleo poderá chegar aos 250 dólares o barril, preocupados que a revolta no Egipto possa interromper o tráfego marítimo no canal do Suez e alastrar-se até à Arábia Saudita.
In Bloomberg

Quando li isto pensei: “custa-me a acreditar que seja apenas por causa do enunciado nesta notícia… 250 dólares é 150% a mais que o preço actual… é demasiado… e até os casineiros são minimamente sãos das ideias…
E eis que hoje surge algo que me parece bem mais real, para reflectir essas apostas, do que os problemas no canal do Suez:

A revelação do conteúdo de um telegrama liberado pelo Wikileaks urge Washington a levar seriamente em conta um aviso de um executivo petrolífero do governo saudita de que as reservas do reino podem ter sido exageradamente estimadas em mais de aproximadamente 300 mil milhões de barris – quase 40%.
In The Guardian

Bomba!!!! Se as reservas na Arábia forem menos 40% do que ao proclamado, detendo a Arábia as maiores reservas do mundo e sendo o maior produtor e exportador mundial, então este mundo poderá ter menos de 1\5 de todo o petróleo que julga ainda existir por explorar.
Talvez esta informação nos ajude a compreender muitos dos porquês de tantas das coisas que estão a acontecer fora das páginas contabilísticas do mundo dos “eles”. Quase tudo o que temos passado nos últimos tempos, sejam preços, bancos, petróleo, revoluções, dívida, quase tudo poderá não mais ser do que o mundo real a responder à falta do sangue que faz mover este sistema das coisas que nos (des)governa…

E levando tal cenário de menos 40% de reservas em consideração, o que poderemos esperar daqui para a frente?
Guerras? Revoluções? Fome? Colapsos? O quê?
Já assistimos a revoluções, já estamos acostumados a ver a fome, já vimos colapsos… aquilo que ainda não vimos, e que nos conta a História acontecer quase sempre em épocas de contracção, foram as guerras, ou guerra:

Obrigado, Chairman Bernanke, por alegremente ter derrubado o dominó de Eisenhower através de uma estúpida e míope negação dos impactos da sua política monetária no preço global dos alimentos e das energias. Obrigado por assumir o lixo do “hedonismo” que distorce os números da inflação, que também o defende por enviar para a rua desempregados quase esfomeados em áreas altamente instáveis do mundo.
No final do dia, Sr. Bernanke, o único grupo que talvez lhe vá agradecer poderá muito bem ser o complexo industrial militar americano… isto assumindo que a máquina de guerra não irá gripar por falta de petróleo.
In Taipan Daily

Conclusão:
Jovens sem tino nem destino, números de um papel escrito por quem os números são deuses… inflação que é bandeira que corrói e ao mesmo tempo defende os deuses dos números… números que são cada vez menos animadores para os grandes desenvolvimentos em forma de solução total desenvolvidos pelo Homem… os “eles” que de nós quase apenas têm só medo, já dão comida de graça para na graça do Zé Povinho voltarem a cair… e dos números para quem os números são deuses, ficamos a saber que o número para o futuro da nossa vida é imensamente inferior ao proclamado… número que na sua essência poderá mais não ser do que mais um algoriticamente embelezado de modo a pintar o nosso mundo num tom mais suave…
E no final?
No final a História é invariavelmente madrasta com os números… num mundo pintado a ilusões…  só nascem, por norma, desilusões…

Notícia da Bloomberg – The Youth Unemployment Bomb
Notícia do Daily Finance – Why Global Food Price Inflation Really Matters
Notícia do Arab Times – Govt starts giving citizens free food
Notícia do The New York Times – Experts Debate Limits of Fish Farming
Notícia da Bloomberg – Bets on $250 Oil Rise as Traders See Saudi, Suez Risk
Notícia do The Guardian – WikiLeaks cables: Saudi Arabia cannot pump enough oil to keep a lid on prices
Notícia do Taipan Daily – Domino Theory and Saudi Arabia Syndrome

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