Ainda se Recorda da Democracia?

O nosso filme…

Cerca de 43 milhões de pessoas estão em risco de carência alimentar na Europa e não têm meios para pagar uma refeição completa e 79 milhões vivem abaixo do limiar de pobreza, indicam dados do Programa Europeu de Apoio Alimentar.
In Sol

Num mundo desenvolvido? Sociedade desenvolvida? Para quem? Por quem?

A União Europeia está a considerar cortar aproximadamente 75% nos fundos de um programa que ajuda a alimentar 18 milhões dos seus cidadãos mais pobres. Os cortes irão ter efeito a partir do novo ano, e chegam numa época de aumento no desemprego e no preço dos alimentos em muitas áreas da Europa, assim como um tumulto económico generalizado no continente.
In Yahoo! News

Estaremos sentados na fila do meio de uma qualquer sala de cinema de segunda categoria a assistir a um filme de terror onde os nossos auto-proclamados heróis e eternos defensores da democracia (bananas), nossos parceiros na defesa das injustiças, se transformaram em canibais sanguinários sem pingo de humanidade e sentido de colectivo?
A comparação até poderá ser macabra, mas dificilmente será mais macabra que a opção que está a ser considerada pelos nossos heróis eurocratas, tal a insensibilidade e desconexão com a realidade que consome o dia-a-dia do comum dos Zés Esquecidos [povo] da Europa. Tiram o pão a quem já nada mais tem, para o darem a…

Um relatório recente afirma que desde “a última grande onda” de alargamento na União Europeia em 2004, o volume de mão-de-obra na instituição cresceu de 3.946 para 6.245 mesmo que os membros de representantes eleitos no Parlamento Europeu só tenha crescido de 732 para 736 durante o mesmo período. (…) E o relatório afirma que os números ilustram um orçamento “fora de controlo” (…)
In The Telegraph

… para o darem a mais uns quantos burocratas que de tão longe estarem da realidade que assola os Zés Esquecidos da Europa, já nem se recordam que democracia verdadeira é uma democracia que representa as vontades e necessidades dos Zés Esquecidos. Nem se recordam que tudo o que não siga por esse caminho já, em diversos momentos na História, foi adjectivado com as mais “singelas” das palavras: corporativismo, autoritarismo, ditadura, totalitarismo e a que mais insultuosa se apresenta, fascismo. Cá pela minha mOsca isto é apresentado como demo-cracia.

Ainda se lembram quando os bananas [políticos] trabalhavam a pensar no Zé Esquecido? Ainda se recordam de tais tempos, ou terá sobrado apenas a vã dor da memória?

(…) por cada 1.000 euros de salário bruto, entre 2000 e 2013, os funcionários públicos perdem em média, sem contar com o aumento dos impostos, 350 euros por mês.
In Correio da Manhã

A culpa é do Zé Esquecido que trabalha para o estado! Que desperdício, dirão alguns que se afiguram como muitos, porque basta uns quantos Zés Esquecidos estarem contra outros Zés Esquecidos para ser sempre um atentado à união dos muitos que são poucos porque estão desunidos.
Por isso, essa desunião, praia de deleite para o bananal, vai servindo para servir de bandeja os desperdícios que alimentam os nossos heróis da história de terror e os seus mais-que-tudo escudeiros.

A eliminação dos subsídios de Natal e de férias a funcionários públicos e pensionistas que ganhem mais de mil euros não chega para cobrir o novo buraco do Banco Português de Negócios (BPN) que, segundo o primeiro-ministro, acaba de engordar 350 milhões de euros.
A factura a passar aos contribuintes sobe, assim, para 2.750 milhões de euros, quando o encaixe com os dois subsídios que não serão pagos rondará os 2,6 mil milhões de euros.

In Dinheiro Vivo

BPN, nosso querido BPN. Sem ti a nossa praia não seria a mesma, pois sem ti não haveria como justificar que salvar escudeiros do privado com os interesses do público é feito em nome do Zé Esquecido. Corta, corta, corta, corta mais um pouco no futuro do Zé Esquecido para que um, ou mais, be-pe-énes continuem a servir de nevoeiro ao corporativismo, à  demo-cracia. Corta!

O salário mínimo nacional teve um acréscimo de apenas 88 euros desde 1974, enquanto que as pensões mínimas de velhice e invalidez aumentaram apenas 38 euros nos últimos 36 anos, segundo dados da Pordata.
In RTP

A culpa é dos salários do Zé Esquecido que subiram demasiado desde os tempo em que os adjectivos “corporativismo”, “autoritarismo”, “ditadura”, “totalitarismo” e “demo-cracia” eram pronunciados sem nevoeiro a envolvê-los. Corta! Corta, que assim o Zé Esquecido estará cada vez mais próximo dos tempos em que não eram necessários subterfúgios nas palavras para adjectivar os tempos que eram vividos. Corta no futuro para nos apresentarem uma vez mais o passado!
Saímos da sala de cinema para apanhar um pouco de ar…

As distorções tributárias do país prejudicam a classe média, que contribui com mais impostos do que os bancos. Análise feita pelo Sindicato Nacional de Auditores Fiscais da Receita Federal (Sindifisco), e confirmada por especialistas, indica que os trabalhadores pagaram o equivalente a 9,9% da arrecadação federal somente com o recolhimento de Imposto de Renda ao longo de um ano. As entidades financeiras arcaram com menos da metade disso (4,1%), com o pagamento de quatro tributos.
In Economia&Negócios

Publicidade! Publicidade! Exclamam alguns ainda cegos pelo ar de herói do herói do nosso filme de terror. Isso é no Brasil! Isso é lá longe!
Era bom que fosse longe. Era bom que fosse apenas no Brasil. Principalmente era bom que tivéssemos direito e acesso a um estudo no mínimo similar em Portugal. Portanto até têm razão, isso é no Brasil, isso é lá longe! Por cá ainda estamos pior!
Existem estudos da realidade portuguesa, sim senhor, feitos e conduzidos por elementos do Zé Esquecidos que foram e são votados ao esquecimento do nevoeiro do corporativismo, da demo-cracia. (Isto é um segredo…)

Voltemos para a sala que vai começar a segunda parte do nosso filme… de terror…

Os subsídios políticos à energia estavam abaixo dos 500 milhões de euros em 2005, quando José Sócrates tomou posse, e foram subindo até que, em 2011, obrigam famílias e empresas a um extra nas facturas de electricidade superior a 2.500 milhões de euros, três vezes o corte no subsídio de Natal decidido para este ano. (…) Nas facturas estão incluídos subsídios de 747 milhões de euros às renováveis, que ganharam o direito de vender à rede toda a energia que produzam, ao dobro do preço de mercado. E há ainda 1.075 milhões em subsídios às centrais a gás e carvão, subsidiadas para conterem a sua produção a níveis reduzidos.
In Agência Financeira

Sentámo-nos e eis que o nevoeiro do corporativismo, da demo-cracia, volta a assumir o papel principal na história do nosso filme… de pavor.
É para o nosso desenvolvimento futuro. Clamam os nossos heróis e seus mais-que-tudo escudeiros. Sem isso não existe capacidade para sustentar as eólicas, as solares e alimentar as centrais a carvão…
A carvão?!?! Mais um buraco no fundo do nosso chão!

Quase três vezes o défice de Portugal é quanto o Estado vai pagar à EDP e à Iberdrola, as concessionárias das futuras barragens na bacia do Douro, durante os próximos 70 anos. (…) As concessionárias das futuras barragens vão produzir “metade da energia prevista” no plano, com o dobro do investimento pedido, mediante o pagamento anual de um subsídio do Estado de 49 milhões de euros e ainda de 20 mil euros por megawatt produzido, (…) que produzirão apenas 0,5% da energia consumida em Portugal, representam só 2% do potencial de energia que poderia ser obtida através de um programa de eficiência energética e respondem por 3% do aumento das necessidades energéticas do país.
In Dinheiro Vivo

Só pode ser mais um erro de casting atribuível ao nevoeiro que envolve o corporativismo, a demo-cracia com que se deleitam os nosso heróis, porque uma real democracia não permitiria, nem permite e muito menos irá permitir que o futuro continue cada vez mais igual ao passado de 1974… ou irá permitir?

O memorando, assinado em maio, com a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional, previa o reforço do fundo de capitalização do sistema bancário para 12 mil milhões de euros e do limite máximo das garantias que o Estado pode prestar à banca para emissão de dívida para 35 mil milhões. (…) A nacionalização dos bancos é o temor que está na cabeça de todos os banqueiros, já que o recurso ao capital público significa a entrada do Estado nas instituições, apesar de o governador do Banco de Portugal ter garantido que essa entrada não significa uma nacionalização porque “não altera o controlo acionista das sociedades”, visto que a operação será “através de ações preferenciais”.
In RTP

Ajuda que é privado e ajuda porque é escudeiro desta praia de corporativismo, de demo-cracia!
Este é o nosso mundo feito de buracos atrás de buracos fortemente unidos aos corporativismos da nossa demo-cracia. Buracos que são remendados com o futuro de quem dá futuro à democracia, com o futuro do Zé Esquecido. Serão sempre apenas remendos, porque a insaciabilidade dos corporativistas é sempre maior do que os remendos à sua fome. Eis então que damos por nós numa encruzilhada: ou saímos da sala de cinema e clamamos pelos nossos direitos esquecidos pela demo-cracia, ou continuamos sentados a assistir à projecção do terror…  eis a opção que trará sempre consigo dor. A dor da perda da inocência, ou a dor da anuência e aceitação…

Conclusão:
De pão a pão enche o comilão o papo! E de mão entre mão é destituída a democracia…

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Em busca de mais conhecimento

Posted on 17/10/2011, in Artigos, Banca, Corrupção, Energias. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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