À Beira De Um Mundo Novo

Nas últimas semanas, temos destacado constantemente na minha mOsca as notícias que foram saindo sobre o estado dos casinos [bancos] europeus. Alguns de vós ficaram um pouco confusos, “Então, mas o problema não está na Grécia? Qual a razão de estarem a dar maior destaque aos casinos?”
O problema central nunca foi a Grécia, nem Portugal, nem a Irlanda, muito menos a Espanha. O problema foi sempre, desde o início do descalabro dos últimos anos, os casinos e o jogo alto que jogaram desde meados de 1980 no insano mundo das finanças económicas globais.
Nas últimas décadas, o mundo foi crescendo ao ritmo das bolhas que foram sendo desenvolvidas pelos meninos de coro, pelos casineiros. O PIB, seja do mundo ou de um país individual, foi sendo paulatinamente empolado nestas últimas décadas, e agora, porque as funções exponenciais e cumulativas têm limites, começamos a assistir ao esvaziar desse falso mundo de crescimento económico. Só nos resta esperar que, no meio desta loucura de insanos casineiros e de um bananal [políticos] que se deleita nos restos doados pelos seus queridos, a bolha não estoire toda de uma só vez.

Por isso, de modo a tentarem evitar que a bolha estoire já, os casinos centrais – BCE, Reserva Federal, Banco Central do Japão, Banco Central da Suíça e Banco Central de Inglaterra – dos países mais casineiros do mundo, abriram as comportas da economia mundial para…

[…] inundar o sistema financeiro com quantidades ilimitadas de dinheiro.
In Daily Mail

Hmmm… só pessoas totalmente desprovidas de uma noção abrangente da economia podem assumir tal papel na economia. Ninguém no seu perfeito juízo adopta tal medida sem estar absolutamente ciente e consciente de que a água-oxigenada não cura infecções e que quando usada em excesso destrói até os tecidos sãos! Talvez não seja má ideia lembrar a estes senhores o que aconteceu no Zimbabué…

O acordo anunciado ontem significa que os bancos poderão pedir emprestado «qualquer quantia» de dinheiro em três leilões em separado, em Outubro, Novembro e Dezembro. […] Isto significa que o dinheiro dos contribuintes está uma vez mais a ser usado para salvar o sistema bancário. Os contribuintes poderão vir a ser obrigados a pagar a conta caso a economia mergulhe numa nova e catastrófica recessão.
In Daily Mail

Roda o disco e toca o mesmo… roubo!!!
Mas mesmo mantendo uma postura mais serena sobre o assunto, isto não resolve nada de nada dos problemas que estão na raiz do cancro na economia, é apenas um transitar de dívidas de um lado para outro lado. Nenhuma das dívidas desaparece, antes pelo contrário. O volume em dívida aumenta porque os casinos já de si endividados até mais não, terão de pagar juros sobre estes novos empréstimos. Esta é a solução milagrosa encontrada para salvar(?) os casinos. Mais dívida para saldar dívida que já ultrapassou matematicamente a aceleração exponencial e que irá criar ainda mais dívida. Se isto não é um mundo de doidos, o que será?!?!

Mas pronto, alguns ainda poderão pensar que este tipo de medidas dos casinos centrais serão só aplicáveis em três tranches até ao final deste ano. Terá isso algum pingo de verdade?

“Iremos conduzir o controlo da liquidez que serve para assegurar o funcionamento dos mercados o tempo que for necessário (…)
In San Francisco Chronicle

E se o “tempo que for necessário” for para sempre? Hmmm… alguém terá mesmo de explicar a estes “dumbs” que nos desejam fazer de estúpidos o que aconteceu no Zimbabué, e urgentemente.
Mas pronto, este é um mundo feito à medida deles, pintado por eles, desenhado e erguido por eles… por isso, até a mais estúpida possível das afirmações tem lugar por entre os seus dentes como se fosse a coisa mais natural do mundo… enfim…

Continuando…

Os custos de financiamento em dólares para financiar os bancos europeus subiu, o que mostra que os investidores vêem a oferta de empréstimos ilimitados de moeda pelos fazedores de políticas aos bancos europeus como uma medida que ajuda apenas no curto prazo e que não aborda os problemas centrais que afectam a região do euro.
«Os principais bancos centrais trataram apenas os sintomas e não a causa», disse Michael Derks, o estratega chefe da corretora FxPro, em Londres.

In Bloomberg

Pois, estúpidos são apenas aqueles que desejam acreditar na história da carochinha, porque basta somar 1+1 para se ficar a saber que o que acabaram de fazer é um voltar a tentar adiar para mais tarde o inadiável, e nada mais que isso.
Mas já agora, quais são os sintomas que os casinos centrais mais importante do mundo estão a tentar salvar(?)?

Gordon Brown, ex-primeiro ministro do Reino Unido, revelou que «no geral, a banca europeia está grosseiramente subcapitalizada» e que a crise da dívida que assola a zona euro é mais séria do que a crise financeira que afectou o mundo há três anos.
«Em 2008, os governos podiam intervir com o intuito de resolver os problemas dos bancos», mas em «2011, quer os bancos, quer os governos, têm problemas», referiu Brown.

In Diário Económico

Estão descapitalizados?!?!?! HMMMMM?!?!? Como?!?!? Quantas?!?!?!?

Os bancos depositaram no BCE 86.952 mil milhões na quarta-feira, acima dos 75.529 mil milhões efectuados na terça-feira e abaixo dos 197.75 mil milhões de segunda-feira.
In Marketwatch

Mas então descapitalizados?!?!? Mais de 350 mil milhões de euros em três dias e descapitalizados?!?! Pois, e a minha avozinha tem 10 anos…
Sim, alguns estão descapitalizados. São os mesmos que já estavam descapitalizados (e mais alguns) em 2008 quando foram salvos(?) com os dinheiros públicos. Os mesmos que continuaram a brincar aos casinos como se não existisse amanhã. E agora, hoje, depois de terem gasto o amanhã ontem, e para que não aconteça um abanão nos mercados financeiros mundiais, qual a solução que as supra-mentes dementes deste mundo encontraram para a falta de capitalização daqueles que foram já anteriormente salvos(?) por falta de capitalização?!?! A mesma que anteriormente falhou e que vai voltar a falhar, porque uma ferida infectada não se trata apenas com água-oxigenada!
Portanto, as mentes dementes vão continuar a trilhar o caminho do estoiro total, porque o crescimento exponencial da dívida e os efeitos cumulativos da mesma não se resolvem com mais dívida… mesmo que seja uma transição da dívida dos privados para o público.
O problema está numa coisa tão simples quanto esta: enquanto os podres do sistema forem sendo salvos(?), o sistema não se regenera! Nunca! Porque os podres vão subsistindo e agem como uma maçã podre no meio de uma cesta de fruta… a podridão alastra.
Não são eles que gostam de utilizar a expressão “risco sistémico” para justificar as “medidas-água-oxigenada”? Pois o que estão a criar é um verdadeiro risco sistémico em que os paliativos só agravam a situação. Provavelmente, em vez de terem de falir 10 ou 15 casinos no mundo ocidental, agora tenham de ser largas dezenas, porque cada vez mais são os que  já estão infectados… e quanto mais tarde… maior o risco sistémico. Não é engraçado este nosso mundo?

O bancos centrais não tomam este tipo de medidas a não ser que esteja algo para acontecer; e algo estará mesmo a acontecer. Na Zona Euro, uma tragédia grega em evolução está a caminhar para o seu último e brutal acto. […] Mesmo assim, é difícil analisar a sua intervenção como forma de resolver algo mais que apenas o problema a curto prazo. Isto porque o problema real não é a liquidez bancária, mas a solvência soberana. A Grécia está falida em tudo menos no adjectivo usado.
In The Telegraph

Pronto, e agora vem a “desculpa” do momento, a Grécia. Até parece que a Grécia foi a causadora da crise em 2008 e não os casinos. Até parece que os problemas que afectam a Grécia não foram em grande parte causa directa dos casinos gregos. Até parece que os problemas que assolam Portugal e a Irlanda nada têm a ver com o seus sistemas de casino. Pois, até parece que contar uma mentira muitas vezes transforma-a em verdade.
A verdade é que as soluções avançadas em 2008 para resolver(?) a crise causada pelos casinos no jogo nada resolveram, apenas adiaram e pioraram, arrastando Grécia, Portugal e Irlanda para a lama, e para lá caminham a Espanha e a Itália e mais alguns que têm passado anónimos nas linhas da comunicação social.
Meus senhores e minhas senhoras… o problema hoje é exactamente o mesmo, sem tirar nem pôr, de 2008… tem apenas actores principais com nomes diferentes… e mesmo esses, hmmmm, devem ter apenas conseguido passar anónimos, ou quase, pela crise de 2008, que afinal é a mesma crise de 2011.

Mas vou seguir a linha da Grécia como sendo a culpada disto tudo tal como é pintado nos meios de comunicação social e ver até onde vamos parar.
Começando…

Um gráfico na página do diário mostra que 66,5% da dívida grega está nas mãos de bancos franceses e alemães. Outros 9,6% pertence ao Reino Unido.
In Economia & Negócios

Portanto, os casinos franceses, alemães e ingleses são os reis do despesismo, dos empréstimos à toa e do jogo no casino que destoa.
(Em jeito de história para as criancinhas…)
Lindos meninos bem comportadinhos, correcto? Fizeram sempre o trabalhinho de casa e emprestaram sempre com a melhor das intenções, nunca lhes passando pela cabeça que alguém se pudesse comportar mal e não pagar as suas dívidas. Coitadinhos que agora sofrem tanto.
(De volta à realidade…)
Só alguém distraído acredita que esses meninos bem comportados não andaram a jogar alto no casino dos riscos sem rede! Foram obrigados? Não! Fizeram-no de livre vontade? Sim! Existem mecanismos para verificar a fiabilidade dos mutuários? Imensos! Portanto, se não são cegos e não desejaram ver é porque foram gananciosos e num sistema económico são, aqueles que dão passos maiores do que as pernas, caiem e não são salvos(?)!

E continuando…

A Finlândia não vê soluções para os empréstimos à Grécia.
In Agência Financeira

e…

[…] existem «duas ilusões. A primeira é a de que se pode fazer uma reestruturação ordeira» […] A segunda é a ideia de que a dívida da Grécia pode ser contida. O risco de contágio é enorme […]»
In The Independent

Portanto, este mundo não vê solução para a Grécia, mas obriga-a a pagar juros altíssimos pela ajuda(?) concedida. Mas exige-lhe medidas que são totalmente contraproducentes para que consiga pagar as suas dívidas. E culpa-a de (quase) todos os males que assolam a economia mundial.
Enquanto isso, os casinos que andaram décadas a jogar alto recebem empréstimos ilimitados a taxas de juro ridículas quando comparadas com as exigidas à Grécia. Recebem apoios constantes dos mesmos estados que já estão num estado lastimoso, da Grécia, Portugal e Irlanda – só para citar os que já estão atolados – como uma das exigências para receberem a ajuda(?) da UE e do FMI.
Ou seja, uma nação independente neste nosso mundo não tem quase valor quando comparada a um casino privado, que na sua ânsia de ganância gastou e usou mais do que aquilo que tinha e podia.
Este é um mundo de justiça, equilíbrio e igualdade entre pares de casinos e os outros que se lixem… não é verdade?

Sejamos claros: a principal razão para a Grécia não conseguir cumprir com a redução exigida do défice, deve-se ao facto de a UE ter imposto a deflação fiscal mais violenta alguma vez infligida a uma economia moderna desenvolvida – uma contracção de 16% do PIB em três anos – sem estímulos económicos, alívio no volume de dívida ou desvalorização. Isto enviou a economia para uma espiral descendente auto-alimentada, esmagando as receitas dos impostos. […] Agora, mesmo que o Governo de Papandreou respeite todas as exigências da troika, pouca diferença fará. Os cidadãos gregos já compreenderam isso e compreendem que os pacotes de ajuda da UE estão apenas a ser reciclados para os bancos a norte. Em vez de reconhecerem o falhanço colectivo em todas as etapas deste fracasso, os poderes dos credores estão a exercer a sua fúria sobre quem agora é uma vítima.
In The Telegraph

Eis um relato muito bem conseguido sobre este nosso mundo. Os mesmos que estão sempre disponíveis para salvar a qualquer custo os casinos, são exactamente os mesmos que estão sempre disponíveis para ajudar a enterrar ainda mais os países que estejam em dificuldade.
Se a Grécia está como está agora, grande parte da responsabilidade advém dos mesmos que a obrigaram a deixar de produzir os seus bens, recebendo subsídios e exigências para não criar, recebendo subsídios e exigências para privatizar os dínamos sociais públicos, recebendo subsídios para calar e comer. São os mesmos que impuseram a sua morte mais rápida e dolorosa no último ano, e são os mesmos que agora clamam e berram aos sete ventos como se tivessem sido traídos e enganados por quem agora é pura e simplesmente uma vítima dos mesmos que se consideram injustiçados. E são os mesmos que estão sempre e constantemente ao lado e em defesa dos interesses dos casinos privados.
Arre, que hipocrisia!!!!

E eis senão quando os meninos de coro dos casinos fazem contas às suas contas perdidas…

No aniversário de três anos do estouro da última crise, o Credit Suisse calculou perdas de € 184 mil milhões dos bancos europeus, contra um prejuízo potencial de € 213 mil milhões na crise dos títulos soberanos em 2011.
In Brasil Econômico

Ahhhh… terror!!!! A Grécia é a culpada!!! Queimem os Gregos!!! O Lehmans era melhor, já temos saudades dele!!!
Enfim…
Sabem uma coisa, até mesmo as contas dos meninos de coro não mostram todas as contas, porque se arriscam a destapar a manta e mostrar que a Grécia é apenas um pião minúsculo no meio da tempestade que foi sendo formada desde meados de 1980 pelo jogo no casino das loucuras financeiras.

Incumprimento grego custaria até 3 biliões de euros à banca europeia.
In Dinheiro Vivo

Três biliões de euros?!?!? (Para os meus amigos do Brasil, 3 biliões em Portugal equivalem a 3 triliões no Brasil)
Três biliões?!?! Ou estão a fazer contas às dívidas somadas da Grécia, Portugal, Irlanda, Espanha e Itália (mesmo assim não sei se chega aos três biliões) ou então estão a fazer contas ao buraco que existe nos casinos, e que foi crescendo, desde o primeiro descalabro em 2008. Três biliões por culpa da Grécia?!?!? Sejamos sérios, a Grécia por muito grande que seja – sarcasmo – não consegue criar um buraco de três biliões de euros!!!!!!
Não será antes porque…

[…] só Deus sabe quantos contratos de derivados (lembram-se deles?) existirão ligados às dívidas soberanas e a créditos privados na Zona Euro, os efeitos poderão ser explosivos.
In Marketwatch

Ahhhh, aqui está o segredo! Aqui está o silêncio dos últimos anos sobre os produtos tóxicos. Aqui está a verdadeira Grécia, não a de território físico e terreno, mas a Grécia do tamanho do mundo, esta sim enorme!!!
Então, agora sim, podemos esperar que, no mínimo, os bancos centrais tenham de injectar até 3 biliões de euros nos casinos da Europa para que o sistema se consiga manter à tona dos tóxicos e a carburar durante mais uns aninhos, ou mesinhos?!?! Será isso que este número nos conta?!?! Três biliões!!!
Então estaremos perante o nascimento de um novo mundo. Um mundo de inflação descontrolada para controlar um mundo imenso de imensa loucura. Um mundo que irá continuar a contrair por culpa dos podres do sistema que ainda sobrevivem à conta das ajudas(?) e que dessa forma irão continuar a consumir parte do excedente dos que ainda estão sãos e que poderiam estar a investir na economia. Estaremos agora neste preciso momento a assistir a um novo mundo desenhado em estagflação?!?!

Conclusão:

Banhem o mundo em dinheiro… de papel!!! Suguem o dinheiro do mundo… papel principal!!! Durante todo o tempo que o mundo durar… até ao último acto!!! E este mundo vai sendo tratado com água-oxigenada para combater uma infecção generalizada… E dizem-nos que é por falta do dinheirinho… que o mundinho… está estagnadinho… Mas depois sabemos que os casinos também depositam… dinheirinho… do tamanho deste mundinho… A CULPA É DA GRÉCIA!!! Grita o mini-mundo do 1%… 1% que assobia a inocência para o ar como meninos bem comportadinhos que nada tiveram a ver com os problemas na Grécia… Tadinhos… coitadinhos… tão injustiçadinhos. Três biliões!!! Buuumm!!! Cai a realidade aos pés dos meninos bem comportadinhos, coitadinhos, injustiçadinhos… mas que afinal são obviamente tóxicos – cai a máscara! Já chega de mentiras e de inverdades, pois a verdade é que neste mundo sem rumo lógico, a parede é o destino para a cabeça da economia!
Estagflação!!!

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Em busca de mais conhecimento

Posted on 17/09/2011, in Artigos, Banca, Corrupção, Economia. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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