Os Mais e os Menos

Portugal necessita de 16 mil milhões e tem apenas 4 mil milhões. Fitch diz que Portugal necessita de mais austeridade. A precariedade atinge 7 em cada 10 jovens empregados. 9,7 mil milhões, 5% do PIB, será a factura apagar em juros. FMI diz que os novos testes de stress à banca têm de ser acompanhados de uma rápida capitalização. A banca europeia está em piores lençóis do que a maioria das pessoas julga. Bancos não defendem valores mas sim os interesses dos accionistas. BCE, sobe juros em Abril e as famílias vão ficar mais apertadas. AIE alerta que já terminou a era do petróleo barato. Novos poços de petróleo na Noruega revelam-se um fiasco.

Que dias infernais! Tantas as novas definições e indefinições para o nosso futuro que foram descritas nos meios de comunicação para as massas…

Abro as hostilidades com esta informação digna de registo:

Portugal tem em dinheiro apenas quatro mil milhões de euros e necessita de pagar já em Abril dívida de longo prazo num valor superior. No total, o governo português necessita de 20 mil milhões este ano para refinanciar a sua dívida e cobrir o défice orçamental.
In Diário de Notícias

Portanto, Portugal vai ficar a zeros, ou lá muito perto, em Abril… hmmm…
Quantos meses ficarão a faltar até ao final do ano?
10! Dez meses! Hmmm…
Onde irá o Estado desencantar mais 16 mil milhões de euros para saldar as dívidas?
Em privatizações? Em mais impostos? Em mais empréstimos? Como?
Por alto respondo em relação às privatizações:
Só se venderem quase tudo o que Estado tem… por isso nem é necessário fazer muitas mais contas…
Talvez o Estado adopte o caminho aparentemente mais fácil, como aconselha a Fitch:

O Governo terá de adoptar novas medidas de austeridade porque, face à recessão em que o País irá mergulhar, não conseguirá cumprir as metas orçamentais que se propôs alcançar. Este é o prognóstico que a Fitch Ratings traça da economia portuguesa para 2011.
In Diário Económico

Portanto mais austeridade numa economia que por causa da austeridade está a contrair, e a solução para combater isso é mais austeridade? LOOOL… estes seres são verdadeiramente únicos.
Mas, “prontos”, assumamos então que será com mais austeridade que o Estado tentará pagar as dívidas:

A Interjovem, da CGTP, organizou hoje uma concentração na baixa lisboeta. A estrutura sindical diz que a precariedade atinge 7 em cada 10 jovens trabalhadores.
In Expresso

Mais austeridade irá invariavelmente conduzir a, para além de outras coisas menos agradáveis, um potencial no aumento da precariedade no trabalho, principalmente a precariedade no trabalho jovem.
Se o objectivo for criar o potencial para uma revolução social em território nacional, então acho que essas serão as melhores medidas para potenciar tal. Se o objectivo for pagar a dívida… hmmm… talvez fiquemos ainda mais endividados…
E se a opção for a criação de mais dívida para saldar a dívida?

Em 2013 o sector público terá que pagar 9,7 milhões de euros em juros, um valor que duplicou desde 2009 e que corresponderá dentro de dois anos a 5,2% do PIB.
In Jornal de Negócios

Hmmm… isto quer dizer que mais dívida poderá ser igual ao dobro a pagar em juros por 2014, e com a expectável contracção do PIB este ano e digo eu, nos próximos anos, o valor representativo dos juros a pagar em relação ao PIB poderá vir a ser o dobro de 2012. Parece-me mesmo ser a solução ideal para adiar os problemas para o amanhã…

Então que solução?
FMI?
Pessoalmente e a meu ver o FMI é a assumpção de uma bancarrota que será estendida no tempo – adiada para o amanhã – até cairmos numa verdadeira e mais profunda bancarrota, porque anjinhos salvadores são coisa que apenas existem nos contos, e este sistema não é um conto de fadas, é sim “contos de reis” nos bolsos…
Bancarrota?
Quase nem vale a pena abordar esta questão… é inevitável, seja hoje, amanhã, ou depois do amanhã…

E se a bancarrota acontecer já hoje impulsionada pelos mesmos “meninos” casineiros do costume?

Os novos testes de resistência da banca europeia têm de ser acompanhados de “planos de contingência” para a recapitalização rápida de bancos e do fecho daqueles que forem “inviáveis”, segundo o diretor adjunto do FMI para a Europa, Ajai Chopra.
In Jornal I

Portanto, é imperioso, pelas palavras do FMI, que a banca seja recapitalizada o mais rapidamente possível… hmmm…
Quererá isso dizer que grande parte dos centros casineiros na Europa estão presos por arames de apostas mais altas do que conseguiam sustentar?
Isso está implícito nas afirmações do FMI (Digo eu).
Será que…

O WSJ compara a situação portuguesa com a Irlanda. Os irlandeses tinham mais de 13 mil milhões em dinheiro no início de 2011 e dezenas de milhões disponíveis num fundo de pensões de reserva que tem sido usado em situações de emergência. A Irlanda foi obrigada a pedir ajuda à União Europeia e ao Fundo Monetário Internacional para poder cobrir o défice do seu sistema bancário.
In Diário de Notícias

Hmmm… será que Portugal estará a ser pressionado para aceitar a ajuda(?) da UE\FMI por causa dos mesmos sintomas que afundaram a Irlanda?
Não fui eu que disse isso, foi o The Wall Street Journal… Hmmmm
Irá esse capital de ajuda(?) servir apenas para encher uma vez mais os bolsos dos mesmos que o irão novamente e mais que provavelmente voltar a apostá-lo no casino das loucuras das finanças mundiais?
Talvez esteja na altura de ler o que Eichengreen nos tem para dizer:

Os actuais pacotes de ajuda nunca fizeram sentido. Essencialmente, o que a Alemanha e a França desejam assegurar com essas medidas é proteger o colapso de seus próprios bancos.
A crise do euro é antes de tudo principalmente uma crise da banca.
A maioria das pessoas entende agora que os testes de stress do ano passado não nos contaram quase nada. Os testes foram uma oferenda simbólica e não se basearam cenários realistas. (…) Aos reguladores não irá ser permitido outra vez o mesmo estilo de acção.
In Der Spiegel

Isto é um deja vu… parece que estamos outra vez em Abril de 2009 quando a Grécia estoirou, só que desta vez é Portugal que está no limbo.
Iremos uma vez mais voltar a assistir a ajudas indiscriminadas à banca de forma a salvar a banca às custas dos Estados e dos seus Zé Povinhos?

“Estão três mil milhões disponíveis para fazer face à necessidade” de recapitalização dos bancos, revelou o secretário de Estado do Tesouro. “Se for necessário usá-los, serão usados e devemos ver isto sem qualquer tipo de complexo”.
Mas há uma coisa que me parece absolutamente óbvia: os presidentes dos bancos defendem, não os valores, mas sim os interesses dos seus accionistas.
In Diário Económico

Onde é que existem 3 mil milhões para a banca se nem os há para pagar as dívidas do Estado?
Hmmm… quer dizer, que erro o meu… para a banca existe sempre mais… e mais… e sempre um pouco mais…. de modo a salvaguardar os interesses dos seus accionistas privados, exemplo da exuberante e excepcional condução democrática destes bananas maltrapilhos que pululam por aí tipo papoilas perdidas ao vento!
Estará na forja mais um pacote ajuda à banca no exacto momento em que Portugal cair na banca rota dos desvarios de umas seitas verdadeiramente predatórias? Hmmm?

Sabem o que acontece SEMPRE que é injectado dinheiro neste sistema?
Inflação… inflação que no caso dos pacotes de ajuda à banca demora entre 2 a 4 anos até chegar ao consumidor final.
Será apenas uma coincidência, três anos depois dos pacotes de ajuda à banca, a inflação estar a começar a disparar?

“A posição do Conselho de Governadores é que uma subida das taxas de juro na próxima reunião é possível”, afirmou o presidente do BCE, acrescentando que aplicaria uma “forte vigilância” à subida dos preços. A frase, em “linguagem do BCE”, tem significado um aumento certo no mês seguinte.
In Jornal I

Não é… é uma lei matemática, que só é colocada em causa aquando de uma depressão económica, e mesmo assim se houver excesso de liquidez no mercado a inflação pode continuar a subir, dando origem àquilo que os economistas chamam de estagflação.
Portanto… começam uma vez mais – os bananas que pululam por aí – a preparar mais um embrulhinho de ajudas aos seus queridinhos amiguinhos casineiros. Talvez tal mãos largas sirva para que os casineirinhos paguem uns jantarezinhos poupadinhos aos seus queridinhos amiguinhos bananinhas… enfim… enquanto os Zé Povinhos passam as passinhas do Algarve.

E depois se juntarmos a isso o incontrolável para os casineirinhos e bananinhas que pululam por aí, o petróleo.

(…)Fatih Birol, alertou que o mundo poderá ter de enfrentar a perspectiva de preços elevados do petróleo a longo termo. “Terminou a era do petróleo barato, mesmo que acções políticas possam vir a fazer baixar os preços internacionalmente.” (…)
“A Europa é o elo mais fraco da cadeia de recuperação económica,” disse. “75% do preço do gás [na Europa] está interligado ao preço do petróleo. Daqui a poucos meses o preço do gás irá aumentar.”
In The Independent

Hmmm…
Terminou a era do petróleo barato. Estará este senhor a dizer que o mundo já passou o pico de produção de petróleo e que agora será sempre a descer?
Estará este mundo a começar a sentir a falta do sangue que o faz mover?
Sim!
Para além das loucuras financeiras dos casineirinhos e bananinhas que têm impulsionado de forma execrável a inflação sobre os Zé Povinhos, temos de juntar a tudo isso o fim do petróleo barato… e o fim do petróleo barato conduzirá inevitavelmente à contracção económica do mundo e a uma continuada escalada da inflação no mundo, e isso será sinal de estagflação!

Pode ser que estejam apenas a exagerar sobre a questão do petróleo, pois esse é um dos membros da AIE que passa a vida a colocar informação enganosa no mundo – poderão alguns estar a pensar.

Todos o quatro poços perfurados este ano nos mares de Barent e da Noruega não encontrarem nem gás nem petróleo, os quais se juntam a mais dois poços secos no Mar do Norte, o maior numero de falhanços desde quando se iniciou a era do petróleo no país, de acordo com os dados do governo.
In Bloomberg

O segundo maior exportador de gás do mundo não consegue encontrar novos poços para exploração. Desengane-se que pensar que este problema é exclusivo à Noruega.
Bem-vindos ao fim da era do petróleo e gás baratos. Bem-vindos à era da stagflação… sejam muito bem-vindos – desejam-nos os bananas e os casineiros…

Conclusão:
Portugal tem uma caixa cheia de quase nada para apagar o quase tudo… e a Fixe diz que mais austeridade será igual a muito mais… enquanto isso, mais jovens têm muito menos do prometido a mais… mais… e mais… e cada vez mais do não prometido entra na caixa cheia de nada de Portugal… E eis que então: o stress!!! Stresss! O stress que assolada a mente dos bananinhas e casineirinhos por mais … e mais… e cada vez mais dinheirinho… mesmo que ambos se deleitem em cenas impróprias de amor nos lençóis da desgraça colectiva… porque querem sempre mais… e mais… e cada vez mais daquilo que devia ser de todos e que serve apenas para alimentar alguns muito poucos… e assim… menos… muito menos… cada vez menos sobra para as famílias que não têm a mais… e menos… cada vez menos ouro negro existirá para enconbrir a diferença entre os mais e os menos.

Notícia do Diário de Notícias – Portugal tem só 4 mil milhões e precisa de mais 16
Notícia do Diário Económico – Fitch diz que Portugal precisa de mais austeridade
Notícia do Expresso – Precariedade atinge 7 em cada 10 jovens trabalhadores
Notícia do Diário Económico – Factura do sector público com juros supera 5% do PIB em 2013
Notícia do Jornal I – Testes de resistência bancária têm de ser acompanhados de recapitalização rápida de bancos, diz FMI
Notícia do Der Spiegel – ‘Europe’s Banks Are in Far Greater Danger Than People Realize
Notícia do Diário Económico – “Bancos não defendem valores mas interesses dos accionistas”
Notícia do Jornal I – BCE sobe os juros em Abril. Famílias portuguesas vão ficar mais apertadas
Notícia do The Independent – Market turmoil as IEA warns ‘age of cheap oil is over’
Notícia da Bloomberg – Norway Oil Drillers Hit Record Dry Spell as Reserves Wane

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Em busca de mais conhecimento

Posted on 04/03/2011, in Artigos, Banca, Corrupção, Economia, Energias. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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