Depois da Esquina o Beco

Administradora do Banco de Portugal diz que Portugal precisa de ajuda, seja do FMI ou do fundo Europeu. Carlos Costa diz que Portugal é capaz de resolver os seus problemas. Rebentou a barragem em Portugal. Pelo menos um país europeu vai cair na bancarrota.

Muitos dias passaram desde o meu último artigo… afazeres da vida… já agora ficam o votos de um feliz ano novo para todos os leitores.

Hoje ao ler as notícias do dia uma saltou-me imediatamente à vista: uma Administradora do Banco de Portugal a colocar em causa quase tudo o que o Governador do Banco de Portugal tinha dito menos de 24 horas antes.
Acho que já estamos todos acostumados com estes ataques de histeria das mentes pródigas que nos (des)governam. Para quem anda pouco atento talvez ache isto uma simples divergência de opinião, outros um abuso de confiança da Sra. Administradora, para mim é o ponto final na especulação sobre o pedido de ajuda de Portugal ao mundo financeiro internacional. Foi a forma subtil do Banco de Portugal dizer o que tem a dizer aos mercados não colocando em causa o poder bananeiro instituído que continua tipo Messias a pregar no deserto da felicidade que só eles conseguem atingir e sentir.

E passei parte do dia com esta noção de “lá estão eles uma vez mais a brincar com a mente do Zé Povinho” até dar de caras com mais um artigo simplesmente brilhante de Ambrose Evans-Pritchard no The Telegraph. O artigo aborda exactamente a linha de pensamento de que o comunicado da Administradora do Banco de Portugal é o ponto final na história do pedido de ajuda ao FMI-UE por parte de Portugal.
Ambrose foi ainda mais longe, e esta situação fez-lhe relembrar a Irlanda, pois por lá aconteceu exactamente o mesmo que está a acontecer com o discurso dos nossos  “bananas” e casineiros do Banco Central português.

“O Primeiro Ministro Cowen ainda insistia que o seu governo tinha fundos suficientes para governar durante meses e que não necessitava de aceder ao pacote de ajuda do FMI-UE, e eis que o Banco Central coloca um ponto final nessa charada.”
“O momento em que o Governador Patrick Hohonan disse que esperava que o seu país aceitasse um pacote de ajuda no valor de dezenas de milhares de milhões, foi o fim da história.”
In The Telegraph

Coincidências? Um acaso apenas? Será a Irlanda Portugal, ou Portugal a Irlanda?
Pensem o que desejarem pensar sobre estas recorrentes “brincadeiras” do mundo bananeiro e casineiro, mas uma coisa é certa, eles gerem e “brincam” com aquilo que nos é escondido.
Ambrose Evans-Pritchard:

“A minha simpatia fica para com o povo português que não tem culpa das estúpidas ilusões das elites que os governaram. E não se esqueçam, Cara Nação, este pacote de ajuda não é para vocês: é para os bancos europeus expostos à dívida soberana portuguesa, assim como os pacotes de ajuda à Irlanda e Grécia foram na realidade ajudas aos credores alemães, franceses, belgas, holandeses, britânicos e espanhóis, os mesmos que durante os anos do desenvolvimento da bolha de crédito se comportaram que nem doidos insaciáveis.
Mas serão vocês a pagar.”
In The Telegraph

Não conseguia escrever melhor e tão sucintamente o que aqui é dito. Obrigado Ambrose Evans-Pritchard pelas tuas palavras sábias e honestas, caso cada vez mais raro num mundo de jornalistas copy\paste.

Mas vou um pouco mais alem daquilo que o Evans-Pritchard escreveu no texto dele para dizer que 47% dos banqueiros alemães esperam que pelo menos um país europeu declare bancarrota durante o ano de 2011.
Para quem anda distraído, nem a Grécia, nem a Irlanda abriram falência, apenas pediram ajuda para tentar não entrar em falência. O mesmo irá acontecer com Portugal.
Sempre que oiço falar na bancarrota de um país europeu lembro-me sempre da Argentina. Passou 10 dantescos anos debaixo da pressão financeira do FMI, até que estoirou de vez. 10 anos depois do estoiro é uma das economias mais vibrantes do mundo. 3 anos após ter declarado bancarrota, e ter dito aos credores que ia saldar todas as suas dívidas com quem quisesse renegociar os prazos de pagamento, estava a crescer acima da média mundial.
Fico sempre com a mesma pergunta na cabeça:
Não será melhor estoirar de vez a andar arrastar um problema que tenderá a continuar a crescer e a ser de resolução cada vez mais complicada quantos mais os anos passam? Não será melhor declarar já bancarrota?

Conclusão:
Banco de Portugal e seus casineiros falam de dentro para fora como gralhas soltas perdidas no mundo da peixeirada, acompanhados por um grupo de bananas que vive num mundo nas nuvens junto aos passarinhos… talvez os mesmos que andam a cair dos céus… casineiros e bananas que são iguais em todo o lado onde até a sua retórica é exactamente a mesma… (isto é que é um mundo a uma só voz)… num mundo em que mais de metade dos casineiros alemães esperam que pelo menos um país europeu “dê o peido de vez”, peido esse que pode vir a ser melhor do que a me**a das soluções apresentadas e aventadas por uma classe de homens que é verdadeiramente predatória…
Para o Zé Povinho? Um beco..

Notícia do Destak – Administradora do Banco de Portugal diz que Portugal precisa de ajuda, seja do FMI ou do Fundo Europeu
Notícia do Diário Económico – Carlos Costa: Portugal precisa de crescimento sustentado
Notícia do The Telegraph – The dam breaks in Portugal
Notícia do Der Spiegel – At Least One Euro-Zone Country Could Go Bankrupt

About minhamosca

Em busca de mais conhecimento

Posted on 11/01/2011, in Artigos, Banca, Corrupção, Economia and tagged , , , , . Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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