Janeiro é um Ano Novo

FMI está em Portugal para fazer um exame à saúde do país. Fitch em Portugal para a revisão anual do rating. Portugal foi o país europeu onde a carga fiscal mais subiu. Portugal tem o 3º mais baixo poder de compra da Zona Euro. Desempregados vão trabalhar para as obras. Futuros despedimentos serão pagos com descontos dos salários. Limite nas indemnizações não têm efeitos no combate à crise. Portugal tem 38% de ter de reestruturar a dívida. Portugal vai precisar de ajuda no espaço de um mês. Unicredit prevê ajuda a Portugal no início de 2011. Bruxelas saúda o pacote de 50 medidas anunciadas pelo governo.

Muita informação importante saiu nestes últimos dois dias. Hoje podia escrever sobre o efeito dominó presente nas economias europeias – a dívida partilhada de todos por todos -, a afirmação da Reserva Federal americana ser um cartel, os bónus pagos pelo governo irlandês aos administradores das PPP, os bónus pagos pelo banco AIB mesmo antes da aceitação do pacote de ajuda por parte da Irlanda, o facto da igreja católica poder estar a favor dos alimentos transgénicos, a visão do pico do petróleo e a sua interacção com a economia mundial analisada oficialmente com os mesmo argumentos das ex-teorias da conspiração sobre o assunto, o facto da China poder já ter chegado ao pico do carvão – sendo o maior produtor mundial-, ou o facto de ter sido Julian Assanje a ganhar o prémio de figura do ano da revista Times e de ter sido censurada a sua edição. Mesmo muito por onde pegar e escrever.
Acabei por escolher o tema do momento, Portugal, devido à imensidão de pequenos detalhes que em conjunto criam uma visão bastante alargada da noção que os “eles” nos querem impor para o futuro.

Abro as hostilidades com as coincidências – dito por eles – do FMI e da Fitch estarem em Portugal no exacto mesmo momento em que o governo adopta novas medidas de combate ao seu despesismo. Coincidência também o facto do governo ter mudado a sua opinião – usual no mundo “bananeiro” – sobre o código do trabalho, mal o FMI colocou os pés em solo nacional… Tudo coincidências, correcto? Não temos nada a temer sobre a nossa soberania, pois não?

Também no exacto momento em que o governo tenta adoptar novos caminhos para o futuro do seu Zé Povinho, surgem uma série de relatórios e estatísticas das instituições internacionais (ditas) oficiais.
Ficamos a saber que foi em Portugal que a carga fiscal mais subiu na Europa entre os anos de 1995 e 2008.
Gostava então de saber que escala terá de ser agora atribuída a Portugal depois dos aumentos entre 2008 e 2010. Acho que terão de criar uma nova escala…
Também, que Portugal é o terceiro país da Zona Euro com o poder de compra mais baixo. Isto, trocado por miúdos, quer dizer que Portugal tem o 3º mais baixo nível de vida na Europa apenas batido por Malta e Eslováquia. Temos um poder de compra 20% abaixo da média europeia.

Depois desta localização temporal e estatística de Portugal, as medidas que irão ser aprovadas pelo nosso (des)governo… (a não ser que…)
Uma das medidas ontem avançadas como medida para o futuro de Portugal é usar a mão de obra que está no desemprego, mais concretamente no fundo de desemprego – muitos mais há -, para trabalhar “compulsivamente” nas obras de recuperação urbana…
Deixem-me mandar uns bitaites…
1- Cheira-me que o subsídio de desemprego não irá aumentar para os trabalhadores convocados para as obras – é o meu dedo mindinho a tilintar. Esta é uma daquelas medidas puramente eleitorais, pois soa bem aos ouvidos da maioria do eleitorado distraído, mas que quando analisada na sua verdadeira extensão é uma pura imagem de escravidão.
2- Todos os trabalhadores que estão no fundo de desemprego descontaram para o Estado de modo a terem uma protecção em caso de falta de emprego. Esse é um direito consagrado na constituição!
Criar a imagem de maltrapilhos dos portugueses que não têm trabalho, quase culpando-os do facto de terem sido despedidos, faz-me lembrar tempos passados, não muito distantes, de eras não muito agradáveis para o Zé Povinho.

A seguir, ficámos a saber que irão tentar criar um fundo de despedimentos a ser criado e sustentado com descontos nos salários dos trabalhadores.
1- O que dizer disto?!?!?!
2- O que escrever sobre isto ?!?!?!?
3- Será que me conseguirei conter e não escrever só impropérios?!?!?!?! Vou tentar.
Num mundo democrático os direitos e responsabilidades têm de ser partilhados em igual medida por todos os intervenientes. Portanto, reduz-se o salário líquido dos trabalhadores para criar um fundo que irá ser prejudicial a eles, na sua essência, aliviando os patrões, principalmente no sector privado, dos custos associados ao despedir de trabalhadores.
1- Se o despedimento passar a ser algo fácil para os patrões, o que os impedirá de despedir por dá cá aquela palha?
2- Irá esta medida incentivar o emprego? Sim, sem dúvida, o emprego precário, os baixos salários e os recibos verdes. Aqui está o segredo – recibos verdes -, pois quem com eles trabalha não conta como trabalhador quando é despedido, é apenas trabalhador nas obrigações para com o Estado e não parte integrante do Estado Social.
Esta é uma das mais puras imagens de que a democracia já o era… vivemos numa falsa sociedade democrata, pois já não temos todos as mesmas obrigações e responsabilidades… esta é uma sociedade dos “eles”, eles que estão cada vez mais distantes dos “nós”!!!

E depois analisamos se estas medidas irão ter efeito no combate à crise que assola o país – a crise criada pelos “eles” em que os “nós” têm de a pagar -, e chegamos à conclusão que nada do aqui falado irá contribuir significativamente para melhorar o quer que seja da economia portuguesa… nada!!!!
Pedro Furtado da Sérvulo e Associados:

(…)”tenha «um impacto reduzido ao nível interno». «O tecto máximo ou é baixíssimo, o que não me parece que seja possível, ou então só terá efeitos daqui a uma dezena de anos.» Mas, reconhece, acabará por ter impacto na posição relativa que Portugal ocupa nos rankings internacionais: «É um sinal de que se quer mudar.»”
In Público

Portanto podemos concluir que estas medidas não visam ajudar a resolver o problema de fundo de Portugal, sendo apenas um rebuçado para os visitantes do FMI e da comunidade internacional que irão aplaudir estas medidas que em nada irão influenciar o dinheiro que terão de injectar em Portugal para – como nos querem fazer crer – nos salvar…
Portanto também podemos concluir que estas medidas são óleo para fritar outras batatas que não as que nos querem vender… e pelo caminhar da carruagem, há aqui muito que não nos está a ser dito… demasiado!
Na sua essência estas são medidas de um Estado… vou usar termos que até aqui nunca usei no minha mOsca … Fascista e Tirânico!!!!

E para selar esta sequência, gostava de salientar, a satisfação demonstrada por Bruxelas com a apresentação das 50 medidas para salvar a economia de Portugal pelo (des)governo português.
Os “eles” brindam as desgraças alheias… tão boas pessoas… tão… tão… estão cada vez mais longe… tão… tão… tão longe que talvez não consigam ver que o que os sustenta é o mesmo que os irá fazer cair…

E Janeiro… preparem todos o vosso Janeiro que vêm aí boas novas para os “eles”…
Bank of America Merrill Lynch:

“A possibilidade de Portugal ter de renegociar com os seus credores o pagamento da dívida é de 38%. Maior percentagem só têm a Grécia e a Irlanda. Espanha surge em quarto lugar, com 18%.”
In Público

UniCredit:

“O banco italiano UniCredit acredita que Portugal não terá alternativa se não recorrer ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) no início do próximo ano, enquanto que Espanha tem meios para evitar seguir o mesmo caminho.”
In Jornal de Negócios

Piers Curran da Amplify Trading:

“Por causa da exposição de Espanha a Portugal, a ajuda deve chegar o mais depressa possível… acho que acontecerá no mês que vem.”
In CNBC

Feliz ano novo…

Conclusão:
Num mundo de coincidências em que as entidades internacionais vêm a Portugal “dar uma voltinha” no exacto mesmo momento em que o nosso (des)governo aprova medidas para combater o défice, medidas essas que terão efeitos puramente residuais nos seus falsos desígnios, ao Zé Povinho continua a ser exigido todos os esforços – e mais alguns – para sustentar o status quo de uns quantos “eles” que estão demasiado desligados, desconectados, indiferentes e fascistamente déspotas em relação à estrutura social de uma democracia.
A democracia está moribunda… a soberania já quase o era… o Zé Povinho poderá em breve ser a imagem do terrorismo… terrorismo criado, fomentado, impulsionado, e acho que até, desejado pelos “eles”.
E deixo para todos um antecipado desejo de um feliz ano novo, pois a partir de Janeiro irá ser mesmo um ano NOVO…

Notícia do Diário de Notícias – Fundo está em Portugal para fazer exame de saúde ao País
Notícia do Diário Económico – Fitch em Portugal para revisão anual do ‘rating’
Notícia do Jornal de Negócios – Portugal foi o país da UE onde a carga fiscal mais subiu
Notícia do Jornal de Negócios – Portugal é o terceiro país da Zona Euro com poder de compra mais baixo
Notícia do Diário de Notícias – Desempregados vão trabalhar para as obras
Notícia do Diário Económico – Futuros despedimentos serão pagos com desconto nos salários
Notícia do Público – Limite nas indemnizações sem efeito no combate à crise
Notícia do Jornal de Negócios – Portugal tem 38% de probabilidade de restruturar a dívida (Correcção)
Notícia do Jornal de Negócios – UniCredit antevê resgate a Portugal no início de 2011
Notícia da CNBC – Portugal to Need Bailout in 1 Month: Head of Trading
Notícia do Jornal de Notícias – Bruxelas saúda pacote de 50 medidas anunciado pelo Governo

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Em busca de mais conhecimento

Posted on 16/12/2010, in Artigos, Corrupção, Economia and tagged , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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