WikiPlanet

Todas as gerações têm uma. Aproveitemo-la.

Já todos ouvimos falar dela, ainda que, nas ruas de aldeias, vilas e cidades por esse mundo fora, muitos não tenham tempo sequer para saber o que é, tamanho é o desespero e as dificuldades que grassam actualmente no seio das suas famílias. Talvez um pouco à imagem de outras, que foram feitas em nome de milhões de pessoas, ainda que nenhuma delas se apercebesse de que estavam a decorrer. Hoje assim é. Decorre diante dos olhos de muitos, mas a tremendamente esmagadora maioria do planeta não sabe, nem imagina, que está a ter lugar.

Trata-se de uma revolução social como nunca houve na história da Humanidade. E por um simples motivo: porque desafia aberta e ferozmente o sistema implementado para beneficiar alguns à custa dos restantes. O simples facto de isto estar a acontecer já seria digno de nota, a diferença está que desta vez “todos” estão a assistir. E isso, quer queiramos, quer não, muda tudo. Muda essencialmente consciências a um nível transfronteiriço e simultâneo, algo que no passado não foi possível. Muda a noção que temos dos limites do mundo e da realidade em que vivemos. Dos limites que nos foram impostos, mas que também muitas vezes impusemos a nós próprios.

Trata-se também de uma guerra. Uma guerra cibernética entre ideologias. A primeira realmente global e com impacto global. Uma guerra no mundo virtual, onde depositámos as nossas emoções, receios, desejos. Nesse cadinho, criámos as condições para nos libertarmos, para podermos ter acesso directo a nós próprios como parte da Humanidade e assim atacar a raiz de todo o mal através do conhecimento. Mas para nos expandirmos enquanto espécie e civilização, precisávamos de passar da libertação individual para uma libertação global. E é aqui que a guerra entra, em oposição à vontade de emancipação, levada a palco pelos que nada querem mudar, porque disso depende o sistema que sustenta as suas vidas.

Trata-se de uma oportunidade. A oportunidade inédita de começarmos a pensar em substituir os paradigmas insustentáveis e destrutivos com que optámos por gerir o planeta. A oportunidade de desmascarar o que está por detrás do que nos impingem e controla através da televisão. A oportunidade de decidirmos o que queremos para o futuro – nosso, dos nossos descendentes e do nosso planeta. Se alturas as há, esta é certamente uma delas.

Trata-se de uma obrigação. Obrigação de sermos mais do que isto – meros escravos sem correntes. Obrigação de não nos calarmos nem nos deixarmos calar. Obrigação de sermos a voz daqueles que não sabem que isto também é por eles, mas, acima de tudo, obrigação de envidar esforços para termos a coragem e a persistência de ser mais um remador com o intuito de levar o barco a bom porto.

Por tudo isto, guardarei para sempre este período como o início de caminhada para o meu 25 de Abril, tal como o meu pai fez e teve o dele. Guardá-lo-ei como marco temporal da queda da semente na terra. Assim a saibamos e aprendamos a regar.

Obrigado, Julian Assange.

Base de fácil acesso à informação que for saindo sobre as últimas revelações do Wikileaks: aqui na minha mOsca.

Posted on 10/12/2010, in Artigos, Corrupção and tagged , , . Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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