Voltando à Hungria

Governo húngaro deseja controlar as políticas monetárias. Moody’s baixa rating da dívida da Hungria.

A hungria é palco de uma verdadeira guerra entre o status quo financeiro do mundo e um governo que quer rasgar as amarras que o mundo financeiro lhe tem imposto.

Uma vez mais a Moody’s baixa o rating da Hungria como retaliação ao desaforo do governo húngaro… desta vez devido à tentativa de nacionalização – atenção à palavra NACIONALIZAÇÂO – do Conselho de Políticas Monetárias, que é quem define as taxas de juro no país.
Para além desta instituição, quer nacionalizar todos os fundos privados de pensões, que na sua maioria, senão mesmo a sua totalidade, estão nas mãos dos grandes aglumerados financeiros.
Nesta história entra outra parte interessada, que costuma escapar quase impunemente das linhas informativas apresentadas pela comunicação (anti)social, o Banco Central Europeu, que tem direito de veto sobre legislação que afecte Estados membros. Sublihando… o BCE é o responsável pela definição das políticas económicas de todos os Estados membros da União Europeia.

O que o governo húngaro está a fazer é algo digno de registo num mundo político-bananeiro subserviente ao poder financeiro, retirando das mãos dos privados – atenção à palavra PRIVADOS – a definição das linhas económicas do seu país.

O caminho tomado pela Hungria é muito mais importante para nós, mundo ocidental, do que todas as outras formas de luta que têm surgido para combater o sistema vigente. A Hungria está a atacar o sistema onde mais lhe dói, nacionalizando-o… tirando-lhes o poder e o poder de gerirem o país… por inerência o Zé Povinho húngaro.

Gostava de criar um paralelismo entre as acções do governo húngaro e a proposta de revolução (que está na moda) para que as pessoas levantem amanhã todo o seu dinheiro dos bancos – Cantona.
Uma é uma acção estrutural e estruturante. A outra, uma acção superficial e potencialmente desviadora das atenções do fulcral da questão.

E como é com estes temas que se “apalpa” a independência dos nossos meios de comunicação (anti)social, é extraordinário verificar que os silêncios em relação ao que não convêm o Zé Povinho saber são execravelmente comuns, e em contraciclo, o Copy\paste vergonhoso e indecente é quase a regra quando se referem a temas que podem ser fracturantes para o status quo, como se pode verificar com a forma como a notícia da baixa do rating da Hungria pela Moody’s é representada nos nossos meios de comunicação (anti)social.
Jornal de Negócios, Diário Económico, Oje, etc… escrevem exactamente o mesmo, na exacta sequência com os termos exactamente iguais… como se o mundo fosse pensado exactamente da mesma forma… uma uniformização de pensamento que cria uma unidade informativa obsolutamente redutora, ainda para mais porque omitem as políticas que a Hungria está a adoptar. Gostava de salientar, uma vez mais, a forma manipuladora como o Jornal de Negócios se refere a este assunto:
Moody”s baixa “rating” da dívida devido a “recentes temores” em torno da situação orçamental.
– É uma mentira declarada! Na melhor das hipóteses, é informação enganosa!

Conclusão:
Sempre que o governo Húngaro toma medidas que atacam o feudo financeiro do país – como o reduzir do salário do Presidente do Banco Central – a Moody’s e outras agências financeira baixam o rating do país logo no dia seguinte.
Esta é uma batalha entre o poder financeiro PRIVADO e o reganhar do poder ESTATAL por parte de um governo democraticamente eleito.
Nesta guerra dão a cara os poderes PRIVADOS que (des)governam o nosso mundo e controlam o sistema em que vivemos, e são: Agências de notação, FMI, BCE, UE, etc… todos estes poderes estão sériamente preocupados com a direcção das políticas húngaras.
Ester conflito é excelente para analisar a dependência, a quem eles chamam independência, dos meios de informação generalistas a poderes, que sabemos bem quais são mas, que são complicados de individualizar.

“Caguem” para as revoluções que não o são nem nunca o irão ser – Cantona – e coloquem a vossa atenção sobre a Hungria, que é onde está realmente a acontecer uma revolução contra o status quo financeiro do mundo ocidental.

Este artigo é o continuar da história presente em:
Filhos (Bancos) Pedem Ajuda ao Pai (FMI)
Hungria e FMI às Turras (E Reuters a Comer Parágrafos – VERGONHA!)
Hungria… Onde os Bancos Realmente Pelam (Que Inveja)
Os Dois Poderes Na Hungria

Notícia do The Wall Street Journal – Hungarian Government Seeks to Take Over Monetary Policy
Notícia do Jornal de Negócios – Moody”s baixa “rating” da dívida devido a “recentes temores” em torno da situação orçamental
Notícia do Diário Económico – Moody’s corta ‘rating’ da Hungria, Bolsa cai 2%
Notícia do Oje – Moody’s baixa rating da dívida da Hungria
Notícias de Apoio:

Notícia do The Economist – Who’s in charge of Hungary’s money?

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Em busca de mais conhecimento

Posted on 06/12/2010, in Artigos, Banca, Corrupção, Economia and tagged , , , , , , , , , , , , . Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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