Acção Concertada, Reacção Programada

Eric Cantona: Revolução é tirar o dinheiro dos bancos.

Esta notícia é algo que queria evitar comentar aqui no espaço aberto da mOsca, mas dada a sua capacidade destruidora irei fazê-lo. Espero que seja a primeira e última vez que tenha de entrar nos campos de especulação(?) que vou entrar.

Só muito raramente fico verdadeiramente apreensivo e surpreendido com as notícias veiculas pela comunicação social e esta é realmente algo tanto de surpreendente, ou não (?), como eminentemente castradora de uma revolução das mentes.

Cantona, antigo jogador de futebol do Manchester United, lançou uma campanha online para que no próximo dia 7 de Dezembro os cidadãos levantem todo o dinheiro que têm depositado nos bancos de forma a colocar de gatas o sistema que governa as nossas vidas e desta forma dar início a uma revolução pacífica.

Por muito que pessoalmente concorde com a ideia, também acho que o seu “timing” é o pior imaginável possível.

Primeiro não gosto de coincidências, e isto sair na mesma altura em que o governo irlandês abre “falência” faz-me comichão. Pode ser dito que ele aproveitou o “timing”, que é uma manobra publicitária, mas…
… é (quase) verdadeiramente sem paralelo os meios de comunicação para as massas, principalmente os que temos actualmente e como funcionam, servirem de veiculo para acicatar uma revolta popular que pode colocar em causa toda a estrutura social actual, e ainda mais impressionante é o seu “timing” de abertura a tal notícia.
Os meios de comunicação para as massas “bloqueiam” quase sempre iniciativas e informação deste tipo e logo quando a Irlanda abre falência abrem as suas páginas a algo que durante a última década teve sinal proibido nas suas linhas editoriais? Porquê agora?

Podem dizer que esta minha convicção se baseia em pura especulação, ao qual respondo que tem por base anos de análise do funcionamento dos meios de comunicação, das suas parangonas e dos seus silêncios.
Garanto-vos que há algo aqui que não está a bater bem, mesmo nada bem! No mínimo é algo verdadeiramente inusitado.

Pegando na palavra “inusitado”… Ainda mais inusitado é que a notícia está a espalhar-se tipo fogo em palha seca pelos meios de comunicação para as massas.
Sejamos realistas, os donos da grande maioria dos meios de comunicação para as massas são os mesmos donos do sistema bancário, sistema esse que é colocado em xeque por esta iniciativa. Se esta notícia está a ganhar notoriedade é porque quem define as linhas editoriais e que tem de responder ao concelho de administração, que por sua vez responde aos accionistas maioritários, que por norma são da banca, está a dar luz verde a esta história.
Meus senhores, 1+1+1=3!

Isto conduz-me a uma conclusão nada agradável.
Que melhor solução para o status quo instituído de salvar a sua face perante a eminente derrocada de um sistema impulsionado e manipulado por si, do que colocar o Zé Povinho a lutar entre si para ver de quem foi a culpa da desgraça?
Os bancos não têm dinheiro em caixa para cobrir todos os levantamento caso todos o tentem levantar. A reacção lógica disto será que quem tudo perder irá culpar quem os fez perder. E quem será? A parte do Zé Povinho que conseguiu levantar o seu dinheiro.
Esta situação já aconteceu na Argentina, por isso não é algo inusitado nem descabido.
Desta forma o status quo consegue “escapar” quase incólume de uma situação que foi criada e desenvolvida por si… e pior, sai desta situação de forma a manter o seu status quo, pois não foram eles que conduziram à derrocada mas sim, “Um bando de anarquistas marxistas” – as suas palavras não deverão divergir muito desta frase.
Que melhor solução para o status quo que esta? Que a crise final, a estocada final, seja dada pelo Zé Povinho!
Que melhor solução, logo agora que o Zé Povinho começava a acordar para a verdadeira história do mundo em que vivemos, do que deixar que as mentes sejam uma vez mais desviadas do caminho do entendimento de como funcionam as coisas para serem envoltas em guerrilhas de contestação entre si, deixando ao largo os verdadeiros culpados do estado das coisas?

Passo a vida a chamar à atenção para o outro lado da história que nos é contada diariamente pelo status quo e pelo poder bananal instituído, mas a linha que separa a verdade da ilusão é tão ténue para o mundo pintado em tons de cor-de-rosa que nos é vendido diariamente, como para o mundo que nos quer vender as soluções para a reestruturação de um sistema social que é desequilibrado e que está em decadência… Isto pode ser apenas uma acção concertada para gerar uma reacção já programada…

Para fechar aconselho as palavras, estas sim, sábias de Slavoj Zizek, numa entrevista à Aljazeera, onde realmente são abordadas as “verdadeiras” questões:

Notícia do Expresso – Eric Cantona: “Revolução é tirar o dinheiro dos bancos”
Notícia do Público – Cantona culpa os bancos pela crise e apela a uma revolução
Notícia do The Guardian – Eric Cantona’s call for bank protest
Notícia da Aljazeera – Are we living in the end times?
Notícia do Correio da Manhã – Eric Cantona incita pessoas a retirarem dinheiro dos bancos (COM VÍDEO)
Notícia do Diário Económico – Ex-jogador Eric Cantona propõe no YouTube colapsar o sistema bancário
Notícia do The Telegraph – Eric Cantona’s ‘bank protest’ becomes internet hit
Notícia do Daily Star – ERIC CANTONA’S BANK BUSTER

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Em busca de mais conhecimento

Posted on 23/11/2010, in Banca and tagged , , , , , , . Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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