Desunião Europeia

UE e FMI chegam (Hoje) à Irlanda para discutir ajuda à banca. Ajuda à Irlanda poderá atingir os 100 mil milhões. Défice da Grécia de 2009 revisto em alta. Países europeus adiam para Janeiro o pagamento do empréstimo à Grécia. Crise da zona euro ameaça a União Europeia. Inflação na zona euro atinge máximo de dois anos. Inflação acelera em Inglaterra. China admite controlar os preços para combater a inflação.

Acho que já todos estão cientes dos problemas que assolam a Irlanda, mas hoje saiu uma parangona num jornal em Portugal que me deixou verdadeiramente surpreendido, não pela sua mensagem, mas por ela descrever na sua essência o tipo de salvamento que irá ser conduzido na Irlanda:

UE e FMI aterram amanhã na Irlanda para discutir ajuda à banca .

In Público

Ah!!! Até que enfim a verdadeira essência das medidas são expostas ao público sem usarem rodriguinhos e inversões na matéria!
Agora sim podem ver\ler quais são as preocupações da União Europeia e do FMI com a Irlanda: AJUDA À BANCA!
Pergunto:
Então e o Estado irlandês que está endividado até ao pescoço?
Que ajudas terá direito?
Hmmm????

Os ministros das Finanças da zona euro (Eurogrupo) e o FMI já admitiram a possibilidade de ajudar o sector bancário irlandês e o Governo aceitou, ontem à noite, iniciar negociações para preparar um potencial plano de apoio à banca irlandesa, de modo a garantir que este possa ser rapidamente accionado se for necessário.

In Público

Concluindo: É mais importante para a UE, para o FMI e para os políticos “bananas” locais salvar os bancos que estão a levar o país à ruína do que salvar verdadeiramente o país.
Estes são realmente os sinais dos nossos tempos… sem vergonha e à descarada, e na maioria das vezes com a anuência e complacência de um Zé Povinho adormecido, dormente e num estado de ignorância desejada.

Ficamos também a saber que essa ajuda poderá ascender aos 100 mil milhões de euros! PARA A BANCA!
Como também é facto recorrente os números inicialmente aventados virem a ser significativamente superiores, vou especular dizendo que o caso deverá ir parar perto dos 150 a 170 mil milhões de euros para salvar a BANCA…

Continuando a especular, o défice da Grécia de 2009 foi revisto em alta.
Pois, não, não é especulação, é mesmo uma realidade da realidade de faz de conta das instituições bananeiras que (des)governam o nosso mundo.

O défice público da Grécia em 2009 foi revisto oficialmente em alta para 15,4 por cento do seu PIB, quando antes estava em 13,6 por cento.

In Público

Fazem ideia do que está descrito nesta notícia?
Dois porcento de diferença entre os números avançados inicialmente e que serviram de base de negociação da dívida grega e os números divulgados ontem?!?!?
Desculpem… ou não sabem fazer contas, ou então foi uma vez mais manipulação de forma a apresentar números menos maus e menos embaraçosos. MAIS 2% DO PIB!!!!

Quem não achou graça nenhuma a estes números foi o governo austríaco que disse:

(…)a Grécia não cumpriu as condições para receber essa ajuda, tendo ficado aquém, nomeadamente, no seu esforço para combater a evasão fiscal.

In Público

Pergunto:
Como não iriam ficar aquém se as contas do défice estavam aquém? 1+1=2!

O governo grego respondeu ao adiar do envio do dinheirinho:

(…)“um ajuste técnico”, por causa do Natal e do Ano Novo, que “não criará qualquer problema ao país”.

In Público

Enquanto isso, nós por cá somos como a sardinha dentro da lata; até que alguém nos abra, nunca iremos saber a profundidade da verdade da nossa realidade: se somos banhados a óleo vegetal ou a água salgada. Pessoalmente suponho que na nossa lata esteja descrito óleo vegetal mas que na realidade já só haja dinheiro para a água salgada.

E enquanto os Zé Povinhos se vão entretendo a ver o que se passa na Irlanda, na Grécia e em Portugal, algo muito mais sério e grave começa a ganhar momento: Inflação.

A inflação na Zona Euro, em Inglaterra e na China (sem falar nos EU, no Brasil, Na Índia, etc… um pouco por todo o mundo) começa a ganhar contornos da realidade prevista e quase inevitável, desenhada e programada desde o lançamento para a economia mundial dos biliões de euros, de dólares e de ienes em formato de pacotes de estímulo. A estes temos agora de juntar mais 600 mil milhões de dólares do novo pacote de estímulo à economia americana e os milhares de milhões de euros que estão a ser injectados na Grécia, que irão ser injectados na Irlanda e que inevitavelmente terão de ser injectados em Portugal, em Espanha e em Itália – exactamente por esta ordem. A bem dizer, até lá talvez aconteça o que Herman van Rompuy disse ontem temer:

“Temos de trabalhar todos em conjunto de forma a conseguirmos manter a Zona Euro viva, porque se não conseguirmos manter a Zona Euro viva também a União Europeia morrerá.”

In Aljazeera

Vindo de uma das vozes mais silenciosas da União Europeia, tem realmente uma conotação verdadeiramente intensa.
Intenso é também o facto de estas mesmas afirmações terem passado um pouco despercebidas dos meios de informação ocidentais, porque será?

Voltando à inflação… se estão preocupados com os aumentos dos impostos, comecem mas é a preparar-se que os aumentos poderão vir a demonstrar ser quase insignificantes perante o escalar da inflação e o consequente aumento do preço generalizado dos bens e das hipotecas em dívida à banca.
É inevitável que todos os biliões de nova moeda criada de forma a relançar as economias mundiais cheguem mais cedo, ou mais tarde, à economia real. Os sinais que começam a emergir, um pouco por todo o mundo, é o do escalar da inflação, sinal de que está correcta a afirmação que por norma o dinheiro criado pelos bancos centrais costuma demorar dois a três anos até chegar à economia real… Ora, se fizermos as contas… 2008, pacotes de estímulo… 2010, começa a aumentar a inflação… 1+1=2
E para os mais incautos… Não, não é o preço dos bens que está a ficar mais dispendioso, – de há dois anos a esta parte o consumo tem estado em constante regressão, assim como o preço do petróleo -, é o dinheiro – moeda FIAT – que está a perder valo  devido aos biliões injectados nos últimos anos nos mercados para salvar (?) a banca.
Pensem só nisto:
Caso o consumo não tivesse entrado em retracção nestes dois últimos anos, por onde acham que andaria a inflação? Nos 2,8%? Nos 5%?
Pessoalmente acho que para o ano talvez venhamos a enfrentar taxas de inflação mensal entre os 7% e os 10%.
Para quem não consiga visualizar o que acabei de escrever, vou tentar explicar a gravidade e profundidade do que acabei de escrever:
O João ganha 500 euros por mês e gasta 200 euros em alimentos, 100 euros em gasolina e 200 euros com o seu bem estar. (Janeiro)
Em Dezembro, a uma taxa de inflação de 10% ao mês: serão necessários 440 euros para comprar os mesmos alimentos que em Janeiro e 220 para a mesma quantidade de gasolina…
Ok… estou a ser pessimista… então façam a mesma conta a 5% ao mês… e quem pensar que irá receber um aumento que venha compensar a perca de poder de compra causada pela inflação… pois bem, que pense…

Notícia do Público – UE e FMI aterram amanhã na Irlanda para discutir ajuda à banca
Notícia do Público – Ajuda à Irlanda poderá atingir os 100 mil milhões de euros
Notícia do Público – Défice da Grécia em 2009 revisto em alta para 15,4 por cento do PIB
Notícia do Público – Áustria ameaça novas ajudas à Grécia
Notícia do Público – Países europeus adiam para Janeiro pagamento de empréstimo à Grécia
Notícia da Aljazeera – Eurozone crisis ‘threatens EU’
Notícia do The Wall Street Journal – Euro-Zone Inflation Hits Two-Year High
Notícia do The Wall Street Journal – U.K. Inflation Accelerates
Notícia do Dinheiro Digital – China admite controlar preços para combater inflação

About minhamosca

Em busca de mais conhecimento

Posted on 18/11/2010, in Artigos, Banca, Economia and tagged , , , , , , , , , , , , . Bookmark the permalink. 3 comentários.

  1. Uma notícia de curto prazo, e alguém não quer que a Greve Geral decorra. Depois queixam-se do uso de stencils, depois de mandarem retirar os cartazes da greve geral:
    http://www.publico.pt/Local/greve-geral-sindicatos-do-porto-incentivam-ao-protesto-contra-retirada-de-propaganda_1466958

  2. Não obstante, entendo que o meu anterior comentário é de alguma irrelevância.

  3. Todos os comentários que nos ajudem a entender um pouco melhor o mundo em que vivemos, são tudo menos irrelevantes.
    Muitas das vezes é nas pequenas notícias que encontramos as informações mais prementes e sólidas.
    É absolutamente anormal a notícia que destacaste… quero dizer, anormal numa democracia mas cada vez mais normal na “demo-cracia” em que vivemos.
    As semelhanças com tempos passados são verdadeiramente prementes!
    Não podemos, nem devemos aceitar que num estado de direito (dizem-nos eles) as autoridades (assim se auto-intitulam) possam tendencialmente defender um dos lados mais que o outro… tendendo cada vez mais para a defesa de interesses que também não são os seus (eles têm de perceber isso e tem de lhes ser dado a entender isso).
    As ditas autoridades são parte viva integrante do Zé Povinho… é também neles que tem de começar a contestação à aceitação do estado das coisas… principalmente quando esse estado das coisas nos conduz com cada vez mais descaramento para caminhos já trilhados em Portugal antes de 1974.

    Obrigado Ricardo Pereira.

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