Vende-se Loteamento À Beira-mar

China prepara-se para comprar dívida a Portugal e entrar na Europa pela porta dos fundos.

Ao contrário dos especuladores dos mercados financeiros de Wall Street e da The City, os Chineses lidam com produção real e tangível. Todos sabemos que são actualmente a grande força de trabalho mundial e a fábrica dos EUA. Mas não se ficam por aqui. Neste momento detêm 2/3 da dívida soberana dos States e investiram fortemente na dívida grega em meses recentes, o mesmo é dizer que compraram a possibilidade de assentar arraiais às portas da Europa limitando-se a adiar um problema que poderá tornar-se irresolúvel a curto prazo.

Perante a recente crise em solo português (apenas de nome, porque a soberania sobre este rectângulo tecnicamente não nos pertence) e com os juros da dívida a rondar os 6% (mais ou menos, dependendo do número de trapalhadas que os nossos governantes vão fazendo) eis que chegam os Chineses como os salvadores da pátria. Se no século XVI fomos nós a descobrir o Oriente e a China, nada melhor do que sermos agora salvos e ajudados pelos Chineses, passados que estão 500 anos dessa epopeia levada a cabo por homens corajosos e visionários que então ligaram o mundo conhecido. A ajuda processar-se-á através da compra de dívida nacional e em troca nós damos-lhes… bem, segundo as notícias que li na imprensa de hoje, parece que não lhes damos nada, porque os Chineses são nossos amigos e estão apenas interessados em ajudar-nos a sair da alhada em que deixámos que nos metessem.

Obviamente todos sabem que as contrapartidas não serão pequenas, veja-se o caso da Grécia, quem tem vendido dívida à China e não só… os acordos comerciais não passam apenas por restaurantes e lojas chinesas com os sempre apetecíveis benefícios fiscais. Os portos de carga gregos estão a ser literalmente tomados pelos Chineses que vêem aqui uma oportunidade de fazer na Europa o que já fizeram nos EUA: invadir ainda mais o espaço comercial, quem sabe de forma definitiva e irreversível. As consequências para o tecido empresarial e produtor serão negativamente incalculáveis. A China não só se coloca às portas da Europa como irá certamente desviar para os “seus” portos todo o tráfego marítimo vindo do Oriente, nomeadamente para o porto de Pireu, na Grécia, onde já têm um contrato de longo prazo assinado no valor de muitos milhões de euros, para os navios que atravessam o canal do Suez. Dali à China é apenas um pulinho. Vamos ver como se posiciona a UE nos próximos meses, em especial a Alemanha, o motor comercial da Europa.

O que eu vejo é um país (países) que já pouco produzem e que irão produzir ainda menos (muito menos). Basta para isso pôr os olhos no outro lado do Atlântico, no maior país consumidor do mundo e onde já quase nada se produz.

E o que é que Portugal tem para oferecer além de ficar refém daquela que será indubitavelmente a maior potência do século que ainda agora começou? Bem, a ver vamos, como diz o cego. Mas cheira-me que o alargamento da placa continental e a exploração do fundo marítimo será um doce bem apetecível para a máquina sedenta de energia chinesa… Não esquecer que os grandes contractos de exploração de petróleo e minério que se estão a fazer por todo o mundo têm assinatura chinesa.

Conclusão: o problema da dívida continuará a agravar-se tapada por mais umas emissões de dívida aqui e ali (até quando?) e o pouco que produzimos irá definhando até não ser mais possível competir com os preços chineses.

Poder-me-ão dizer: “Pelo menos vêm cá criar emprego”. Talvez criar 100 empregos para destruir 1.000 não seja o melhor modelo de desenvolvimento de um país, digo eu que sou um leigo na matéria.

Consumir sem produzir, é aquilo que espera aos países que vendem a sua capacidade produtiva à custa de um sistema que exige crescimento ilimitado numa esfera onde os recursos são cada vez mais limitados. Vamos ver de que lado rasga a corda, se do lado dos consumidores por não terem com que comprar o que querem consumir, ou do lado dos produtores que não têm com que produzir…

Notícia no Jornal de Negócios: China pondera comprar dívida pública portuguesa

Notícia no Público: Grécia espera aumento de investimentos pela China

Notícia em Presseurop.eu: Europa, um mercado chave para a China

Notícia na Agência Financeira: Chineses vêm a Portugal a pensar na dívida e com acordos na «manga»

Posted on 30/10/2010, in Artigos, Uncategorized. Bookmark the permalink. 2 comentários.

  1. Boas Fragha.
    Queria deixar um pequeno feedback. Se alguma vez ouviu falar do bloggista Rice Farmer.
    Ele tem um blog no estilo World Desk News, e pode lhe ser útil:

    http://ricefarmer.blogspot.com/

    ele colocou uma entrada à pouco tempo, relativa a Portugal, acerca da catástrofe que seria caso o PSD não concordasse com o OE 2011. Mas ambos sabemos que eles já cederam: http://www.zerohedge.com/article/portugal-budget-discussions-break-down-government-collapse-imminent

    PS.: Bom ver o seu blog ainda a correr. Por momentos pensei que estivesse morto. Se precisar de feedback, não hesite em pedir. Abraços.

    • Muito obrigado pelo feedback, R.Pereira.
      Iremos certamente analisar essa ferramenta que eu, pessoalmente, desconhecia.

      O tempo tem sido muito pouco para actualizar o blogue, mas encontra-se longe de estar morto😉
      Cumprimentos.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: