Os Bancos São Nossos Amigos

Hoje soube-se que os bancos são nossos amigos. Com “nossos” quero obviamente dizer do Estado, pois como se costuma dizer “o Estado somos todos nós”.

Dizem as notícias de hoje que os bancos nacionais ajudam o Estado. Curioso, fui ler o conteúdo das notícias para ver se os meus olhos liam bem, ou se não teria ocorrido nenhuma gaffe por parte de quem fez o copy/paste da notícia. Ao que parece, a quase totalidade da dívida emitida pelo Estado este ano foi comprada por entidades económicas sedeadas em Portugal, nomeadamente por bancos.
O Estado não divulga as taxas de juro que tem de pagar aos bancos pelo empréstimo do dinheiro, mas situar-se-ão entre os 3 e os 6%, dependendo do prazo em que o empréstimo tem de ser pago. Ora, como os bancos portugueses se financiam (leia-se: compram dinheiro) junto do Banco Central Europeu, que é a entidade pública que carrega no botão das impressoras para criar dinheiro, à taxa de 1% (!!) é fácil de perceber quem é que está aqui a ajudar quem… depois admiramo-nos todos com os lucros galácticos apresentados pelos nossos amigos…

Mas esta questão levanta outras bem mais profundas. Senão vejamos: quando o BCE a partir de Janeiro de 2011 acabar com o crédito ilimitado às taxas actualmente praticadas, onde vai a banca financiar-se e, por arrasto, o Estado? O Estado pagará juros bem mais altos no exterior ou ficará à espera do FMI ou do fundo de emergência europeu que ao que parece tem a comparticipação do FMI em cerca de 25%. Mas quem irá conceder crédito “pagável” às famílias e às empresas? Sabe-se que mais de metade da dívida externa nacional pertence ao sector financeiro, quando a teta secar… deixo à imaginação de cada um o que acontecerá a seguir. Num país que não produz, que não exporta, em que a classe média está arruinada e endividada, a receita do estado para pagar dívidas terá de vir de onde? Adivinharam. Aumento de impostos (IVA) em 2011, mais medidas de austeridade e quem sabe a cereja em cima do bolo: congelamento do 13.º mês e a consequente machadada no rendimento anual do trabalhador português. E rezemos para que o FMI não entre aqui “priadentro” aos repelões… se não acreditam, perguntem ao nosso ministro das finanças.

“não é possível atingirmos o nosso objectivo orçamental sem melhoria da receita”

in Jornal de Negócios (23-09-2010)

Notícia no Público – Bancos portugueses ajudam estado

Notícia na Agência Financeira – Bancos portugueses são os mais dependentes do BCE

Notícia na Reuters – ECB options to deal with liquidity-addicted banks

Notícia no Expresso AR: Teixeira dos Santos não esclarece se aumenta ou não impostos em 2011

Notícia no Oje – Lucro dos maiores bancos privados nacionais sobe 4,1% no semestre

Posted on 24/09/2010, in Artigos, Banca, Economia and tagged , , , , , , , , , . Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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