O Ouro Negro da Terra das Focas

Rússia e Noruega acordam sobre a divisão do Árctico. Rússia e Canadá disputam os fundos marinhos do Árctico.

Está aberta a corrida ao ouro negro da terra das focas…

O Homem e a sua ânsia incomensurável por mais e mais, vai uma vez mais destruir, consumir e violar o espaço onde irá meter o pé. Desta vez é para os mares gélidos do Árctico, uma das últimas fronteiras de recursos naturais por explorar no planeta, onde se supõe que existam aproximadamente 400 mil milhões de barris de petróleo…

Ora então, fazendo contas a 80 milhões de consumo diário actual no mundo… dá para suprir a demanda mundial por petróleo durante aproximadamente 13 anos… um número jeitoso…
Se levarmos em conta que a procura irá continuar a aumentar, talvez dê para 10 anos… se levarmos em conta que em média 20% do existente em cada poço deixa de ser de exploração viável, talvez 7\8 anos…

Valerá realmente a pena os riscos que irão ser tomados?

Enquanto isso, Rússia e Noruega já chegaram a acordo em relação às áreas que são de um e de outro… quase… porque a Noruega também se juntou ao grupo de discussão entre a Rússia e o Canadá na disputa por uma das áreas mais ricas em hidrocarbonetos por explorar no mundo, Lomonosov Ridge.

Para além de termos três matronas para a mesma poltrona, um dos pontos importantes a salientar é:
Se já assistimos a todos os problemas que acontecem com as explorações em alto mar, como será juntar esses riscos do alto mar ao gelo no alto mar?
Como será construir uma plataforma “segura” sobre o gelo quando o gelo não é terra e se desloca?

Bem actualmente ainda não foi desenvolvida tecnologia para explorar sobre o gelo, mas como por lá há dinheiro a rodos e como as ânsias de ganância do Homem tornam-o engenhoso, mais tarde ou mais cedo uma engenhoca irá ser desenvolvida.
Qual o principal problema nisso?
Bem… quer dizer… o principal problema será que o teste à engenhoca irá ser realizado em produção real… ou seja… se nunca antes foi testada como se poderá saber que riscos acarretará tal engenhoca?

Mas e então e as extremas temperaturas negativas que por lá se fazem sentir?
Pois é… como por a funcionar um processo industrial intensivo sobre tais condições?
Os metais quebram sobre tais condições, o que nos pode dizer indirectamente que o pão nosso de cada dia da exploração no Árctico poderá ser “sujo”… mas o Homem há-de conseguir desenvolver engenhocas para dar a volta a isso, nem que seja às custas de algo…

E agora imaginemos o provável pior cenário que por lá poderá acontecer… escrevo provável porque se em condições menos exigentes já acontece o que acontece, o que acham que irá (quase) inevitavelmente acontecer?
Imaginemos que isso acontece em pleno Dezembro, sem sol, um frio de rachar e sem linhas navegáveis para lá chegar…
Como acham que irá ser?
Um belo espectáculo certamente…

E agora o factor que poucos consideram quando analisam a questão da exploração de hidrocarbonetos nos pólos.

Já pensaram bem na quantidade de energia que terá de ser investida para retirar do solo a energia que irá ser vendida para os mercados do mundo?
Na minha opinião, o retorno de energia será algo na melhor da hipóteses de 3\1 ou 2\1… ou seja, lembram-se dos 13 anos, que depois passaram a 10 e depois a 7\8, e se desses 7\8 anos ainda tivermos de descontar que por cada três barris de petróleo extraídos um será para continuar a alimentar a exploração… 1\3 de 7\8 anos são pouco mais de 2 anos de energia para a humanidade…

Portanto todo este artigo foi escrito de forma a tentar fazer compreender que a lógica de exploração do Árctico não é fomentada pela extrema necessidade de combustíveis fósseis que aflige a sociedade moderna, o que é uma verdade, é uma lógica fomentada apenas pela ânsia de ganância do Homem… dinheiro, dinheiro, dinheiro… não se vê nada mais para além do dinheiro, dinheiro, dinheiro…

Quando ouvirem novamente dizer: “Ainda existem 400 mil milhões de barris de petróleo por explorar no Árctico“, lembrem-se que esse é apenas o número em bruto e que a realidade irá ser substancialmente diferente disso… tal como daqui para a frente a realidade das focas irá ser substancialmente mais “suja”…

Notícia do Jornal de Negócios – 40 anos depois, Rússia e Noruega chegam a acordo para dividir o Árctico
Notícia do Russia Today – Russia and Canada bicker over Arctic seabed
Notícia da NewScientist – Russia and Norway slice up the Arctic
Notícias de apoio:
Notícia da National Geographic – Ice, Cold, Ecological Risks May Hamper Arctic Oil Rush
National Master – Oil > Consumption (most recent) by country
The Encyclopedia of Earth – Energy return on investment (EROI)

About minhamosca

Em busca de mais conhecimento

Posted on 17/09/2010, in Ambiente, Artigos, Energias and tagged , , , , , , , . Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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