Um Futuro Com Mais e Melhor de Quê?

Endividamento público gera empobrecimento. Risco de Portugal bate recorde histórico. Portugal, Espanha e Irlanda em risco de não conseguirem financiar a dívida em Setembro. Banca nacional bate novo recorde no recurso ao BCE. Crédito mal-parado atingiu novo máximo em Julho. A Grécia está insolvente.

Dívidas e mais dívidas… a imagem de marca das sociedades desenvolvidas… talvez desenvolvimento signifique apenas e só dívida e não crescimento, ou crescimento da dívida… bem, estou a ficar baralhado…

Ora vejamos então:

Dois estudos de técnicos do FMI e do BCE afirmam que a dívida pública excessiva afecta o crescimento per capita. No caso português pode significar menos 1,75% no valor do PIB.
Os países com uma dívida bruta entre 60 e os 90% sofrem um impacto negativo no PIB.
Acima dos 90% estará Portugal em 2011.

Ficamos também a saber que o valor de risco que os mercados internacionais estão a colocar sobre o Republica portuguesa atingiu o seu máximo histórico… quer dizer, quase todos os meses tem vindo a bater o máximo histórico, acho que notícia é quando tal não acontece.

Ficámos também hoje a saber que Portugal, Espanha e Irlanda poderão não conseguir angariar dinheiro suficiente para pagar a dívida relativa ao mês de Setembro… hmmm…

E ainda que a banca portuguesa bateu o recorde de endividamento para com o Banco Central Europeu… pois, o contrário é que é notícia porque os recordes têm sido batidos todos os meses.

Também que o crédito mal-parado à banca bateu o recorde em Julho… … É mesmo o dia dos recordes…

Lá para os lados do Mar Mediterrâneo Andrew Bosomworth, da Pimco, diz-nos que não tem dúvidas que a Grécia está insolvente.
E juntamos essa notícia de hoje às que saíram ontem sobre a Irlanda – no artigo A Irlanda e o Fim da Linha – e o mote está dado…

Que me dizem destes factores todos juntinhos?

Dívidas até mais não… a imagem da loucura das instituições financeiras e das instituições políticas que embarcaram numa corrida tresloucada por uma vida de facilitismos despropositados, de forma a que as contas do crescimento, vulgo PIB, reflectissem números grandiosos…
Expliquem-me onde está a grandiosidade de estar a dever o que se tem e o que não se tem?

O que interessa se o PIB cresce “X” porcento se esse crescimento é sustentado em dívida desnecessária? Sim… desnecessária!
Um boa parte da dívida foi criada para apoiar o consumo das empresas e das pessoas… foram adquiridas coisas – nem lhes chamo bens – que de produtivo têm uma rentabilidade a longo prazo muito próximo de zero…
A visão de curto prazo do crédito fácil e de crescimento eterno da economia toldou a lógica da racionalidade dos mercados e das pessoas… e ainda tolda, por incrível que tal possa parecer a quem faça contas de somar dos resultados da economia real actual.

O mundo ocidental está a caminhar para um beco sem saída… bem, quer dizer… um beco sem saída para os pobres e classe média… bem, quer dizer… o beco já não tem saída sem a tomada de medidas que serão na sua essência dramáticas para o futuro de curto, médio e talvez mesmo o de longo prazo.
O que andámos a consumir a crédito irá começar a ser pago pela nossa geração mas acho que a geração que irá arcar com os maiores custos será a dos nossos filhos.
Um mundo cheio de pais egoístas! Consumiram ontem, e hoje ainda não pararam de consumir, aquilo que era de direito dos seus filhos!

Agora voltando um pouco à terra… já fizeram contas aos indicadores negativos em relação à economia portuguesa?
Já pensaram bem que isso não são apenas indicadores mas realidades inquestionáveis das finanças de um país à beira do precipício?
Já olharam bem para o que se passa na Grécia que caminha a passos largos para uma revolução civil?
Já viram o estado em que está a Irlanda, país modelo das políticas agressivas de apoio ao investimento de capital sustentado por crédito?
Já analisaram o estado dos Estados Unidos em que aproximadamente 4,5% do crescimento do PIB é atribuível aos pacotes de ajudas à economia, quando o PIB cresceu 1,6%?
Já viram a que preço está o dinheiro no Japão de forma a tentar incentivar o consumo interno e o investimento? 0,1%!

Já pensaram que o degradar de qualquer um destes factores pode ser o soluço que conduzirá a economia mundial para o abismo?

E de salientar que apenas usei indicadores económicos, nem sequer por cá coloquei os indicadores das matérias primas que conseguem ser ainda piores que os económicos… por isso…

Está na hora de deixar de ver o mundo como um mealheiro que está sempre a criar riqueza…
Os mundos económicos e dos recursos naturais estão a chocar com limites que dificilmente irão ser superados.
No mundo real não existe o eterno, existe apenas o eterno abuso até à exaustão.
De pouco vale ter esperança se essa esperança se tornou a maior inimiga da razão… esperar sempre por um  futuro com mais e melhor foi o que nos conduziu até aqui…

Notícia do Expresso – Endividamento público gera empobrecimento
Notícia do OJE – Banca portuguesa bate novo recorde no recurso ao BCE
Notícia do Público – Crédito malparado atingiu novo máximo em Julho
Notícia do Diário Económico – Risco de Portugal bate recorde histórico
Notícia do Diário Económico – Portugal, Espanha e Irlanda em risco para financiar dívida em Setembro
Notícia do Diário Económico – “A Grécia está insolvente”

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Em busca de mais conhecimento

Posted on 07/09/2010, in Banca, Economia and tagged , , , , , , , , , , , , . Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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