Desta Vez (Não?) Vai Ser Diferente

Foi dito à banca que a recuperação poderá ser lenta. A China defende o controlo das exportações dos elementos raros do planeta como sendo uma acção para defender o ambiente.

Um estudo de Carmen Reinhart, com a co-autoria de Kenneth Rogoff e Vincent Raymond Reinhart , foi apresentado para uma plateia de banqueiros e economistas. O simpósio, no qual participaram grande parte dos “patos bravos” que fugiram aquando do colapso do Lehmans, foi de participação paga à cabeça, ou seja, foi apenas e só para os graúdos.

A apresentação das linhas orientadoras e conclusões desse estudo é-nos dito ter deixado muitos dos participantes a coçar a sua (in)consciência.

“A economia americana pode vir a experimentar um doloroso e lento crescimento e desemprego teimosamente elevado durante uma década ou mais, como resultado do colapso do mercado imobiliário de 2007 e do tumulto económico que se seguiu.”

In The New York Times

Entre mais umas coisitas que ficamos a saber que esse estudo apresenta, podemos então dizer que à porta fechada a palavra é uma, e para os meios de comunicação para as massas é outra, quase diametralmente oposta – quando proferidas pelos “casineiros” ou pelos “bananas” que nos (des)governam.

Não sei se se aperceberam mas uma década, ou mais, de recessão – é isso que esse estudo aponta – é um cenário muito pouco cor-de-rosa para quem tem empréstimos, para quem tem trabalho (in)seguro, para quem ganha pouco mais do que o suficiente para o mês, para quem é classe média… e nem quero pensar o que significará para aqueles que já são pobres…

Gostava só de fechar este pequeno espaço dedicado a esse estudo dizendo que ele se baseia nas reacções económicas das crises financeiras, 15 delas, que ocorreram desde a 2ª Guerra Mundial.

Como sei que alguns de vocês se irão agarrar com unhas e dentes à noção “desta vez irá ser diferente“, nada melhor do que juntar mais uns pozinhos informativos a essa esperança.

Uma tabela do crescimento dos impostos desde 1979 a 2007, que mostra que os impostos têm vindo a crescer para as classes mais ricas em comparação com os da classe média.
Isto seria realmente um excelente indicador não fosse o facto de esse aumento ser quase todo sustentado por um aumento tremendamente desigual dos rendimentos das classes. Esse aumento apresenta quase e só uma disparidade brutal no aumento  dos rendimentos das classes mais ricas em comparação com uma quase estagnação do aumento dos rendimentos da classe média. (Os rendimentos líquidos da classe média pouco subiram nas décadas de 80 e 90, e na primeira década deste século chegaram mesmo a perder terreno para a inflação registada)
Para quem julga que a economia consegue crescer sem classe média, bons sonhos, e para quem consegue entender que estes números podem na realidade representar que para a economia voltar a entrar nos eixos é imperativo um aumento significativo dos salários da classe média – o que contradiz quase todas as noções de combate a esta crise… e como fazer isso agora, no estado em que as economias estão? Pois é, as ânsias de ganância dos Srs do “pilim”, que engajaram numa espiral de redução do poder de compra da classe média com a redução do valor real dos seus rendimentos líquidos, estão agora a mãos com um dilema, ou dois, ou três…

E juntamos a estas pequenas noticias aquilo que eu considero o estrangular controlado das economias ocidentais e de todas as economias desenvolvidas… o controlo das exportações das matérias raras do planeta por parte da China.

O Japão já está a espernear dizendo que “baixas quotas poderão ter um impacto na indústria global“. Pessoalmente não poderia estar mais de acordo, até acrescento que o controlo das exportações irá ter inevitavelmente um impacto significativo na indústria e na economia global.
Os Estados Unidos também já se juntaram ao coro de medo que se está a espalhar pelos mercados mundiais dizendo já ter apresentado queixa à Organização Mundial de Comércio.
A China utiliza a mesma retórica que o Ocidente tem usado para justificar uma série de políticas: “é apenas por uma questão ambiental“.

Portanto podemos juntar estes três indicadores e criar um cenário:
– Conta-nos a História que todas recessões económicas levaram pelo menos uma década até que as dores da mesma deixassem de ser sentidas pela classe média.
– As disparidades de rendimentos entre ricos e classe média é tão grande que a classe dinamizadora da economia (Classe média) já está estrangulada em impostos, limitando em muito a possibilidade de implementação de aumentos nos valores cobrados, sem que isso conduza ao agudizar dos problemas da economia, a problemas sociais e até mesmo a sublevações.
– As matérias primas mais importantes para a economia da indústria que ainda existe nos países desenvolvidos – tecnologias de ponta – está a ser estrangulada pela China, país que produz 95% deles e detém 85% de todas as reservas do planeta.

Não sei se conseguem visualizar o caso, mas para mim estes três indicadores só pintam um cenário…
Desta vez irá mesmo ser diferente, provavelmente para pior

Noticia do The New York Times – Bankers Told Recovery May Be Slow
Notícia da The New Republic – The Rich vs. The Middle
Notícia da Bloomberg – China Defends Control of Rare Earth Exports as Move to Protect Environment

About minhamosca

Em busca de mais conhecimento

Posted on 29/08/2010, in Economia and tagged , , , , , , , , , , , . Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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