Os Jardins Ocidentais São Todos Iguais ao do João

Jardim exclui as empresas sediadas na Zona Franca da Madeira dos impostos anti-crise. Portugueses colocam 1,2 mil milhões em “offshores”. Desigualdade de Rendimentos e crises financeiras.

Mais sinais dos tempos em que vivemos…

JJ, de forma a acompanhar o esforço que o resto do país está fazer para combater a crise, aumentou o IRS, o IVA e o IRC aos contribuintes… mas… todas as empresas sediadas na Zona Franca da Madeira (Offshore) ficam isentas desse aumento!
Tal como temos vindo a assistir um pouco por todo o lado, as demo-cracias ocidentais preferem combater a crise expropriando ainda mais dos pobres e defendendo cada vez mais os mais ricos – para o Zé Povinho é que eles não trabalham!

Enquanto isso: “os portugueses estão a voltar a investir em força nos offshores“. (In DN)

– Desculpem?!… A investir?… Se retirarmos o colorido que os meios de informação dão às notícias isso quer dizer: Os portugueses estão a voltar a FUGIR em força dos impostos passando o dinheiro para “offshores”.

– Desculpem?!… Os portugueses?… Isto de usar o termo “os portugueses” tem muito que se lhe diga. Com que então todos os portugueses conseguem ter contas em “offshores”, ou isso não será algo limitado às contas bancárias de numerário bem acima da média dos portugueses?
As contas “offshore” são algo apenas disponível para alguns iluminados da nossa sociedade, por isso não venham cá com textos coloridos tentar dar festinhas na mente do Zé Povinho. Isto quer dizer que: Os portugueses mais ricos estão novamente a conseguir fugir ao aumento de impostos, usando para tal as “offshores” às quais os comuns dos cidadãos em Portugal não têm acesso.

– 1,2 mil milhões de euros? Se a grande maioria do capital que é “investido” (que falta de vergonha usar a palavra investir. IN DN) em “offshores” é-lo sem dar cavaco a ninguém, podemos então supor que esses milhões reportados serão apenas e só uma gota do total que foi/é transitado para os queridos paraísos fiscais. Isto quer dizer que: Dos 1,2 mil milhões de euros reportados, muitos mais estarão a fugir da carga dos impostos usando para tal os paraísos fiscais.

Muito bom — uma salva de palminhas para o Diário de Notícias e para os “bananas” que nos (des)governam…

E para juntar às notícias destacadas em cima:
“Uma desigual distribuição de riqueza entre os ricos e os pobres é a doença mais antiga e fatal de todas as repúblicas.” Plutarco

David A. Moss, um historiador de políticas de Harvard, passou anos a estudar a desigualdade nos rendimentos.
Há um ano, David Moss apercebeu-se de uma ligação entre as crises económicas e a desigualdade de rendimentos que aumentava consoante o Estado ia aliviando os controlos sobre os mercados e as falências bancárias cresciam.
Questionou se existia uma ligação casuística entre a liberalização financeira, a desigualdade económica e a estabilidade no sector financeiro. Estariam todas interligadas? (In The New York Times)

De forma a tentar provar isso, foram até 1928 e compararam a distribuição de rendimentos em 1928 e 2007 e encontraram estes números:
1928- Os 10% mais ricos da população arrecadavam 49,29% de todos os rendimentos. O 1% mais rico arrecadava 23,94% do valor total.
2007- Os 10% mais ricos da população arrecadavam 49,74% de todos os rendimentos. O 1% mais rico arrecadava 23,5% do valor total.

É claro que este é um conceito que irá ser rebatido até mais não por parte dos 10% e do 1% da população, os mesmo que são os donos dos meios de comunicação social – surpresa foi ter encontrado uma notícia destas neles, mas claro que mais de metade do texto é depois a descredibilizar o estudo…

Mas isto não é um factor novo, pois tal como acima coloquei, já Plutarco tinha chegado a essa conclusão, ele que viveu de 46 a 126 D.C., quase na Idade da Pedra…
O mundo do Homem é muita das vezes feito de uma leitura tão redutora que os erros do passado são quase sempre vistos como acasos e não como situações recorrentes. A situação que estamos a actualmente a vivenciar é algo recorrente e não algo novo.
Porque não aprender com o passado para criar um melhor futuro? Porque o passado invariavelmente mostra que as elites são as causadores de quase todos os problemas e crises, e são elas que sempre lutam contra a resolução dos problemas conduzindo a situação até ao ponto de deixar de haver solução possível (para além das drásticas)…

Estas são imagens e situações recorrentes na História e em que os resultados acabaram por ser quase sempre os mesmos: GAME OVER! (De uma forma ou de outra)

Notícia do Jornal de Negócios – Jardim põe empresas do “offshore” a salvo dos impostos anti-crise
Notícia do Diário de Notícias – Portugueses aplicam 1,2 mil milhões em ‘offshores’
Notícia do The New York Times – Income Inequality and Financial Crises

About minhamosca

Em busca de mais conhecimento

Posted on 23/08/2010, in Corrupção, Economia and tagged , , , , , , , , , , , , . Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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