O Crédito e o Descrédito

Crédito mal parado dos agregados familiares cresce quatro milhões de euros em Junho. Depósitos das famílias num valor recorde.

Este é apenas mais um sinal de como a economia do Zé Povinho anda pela rua da amargura. Gostava de lembrar que estes valores do malparado emergem no exacto momento em que os juros dos empréstimos das casas estão a um nível bem abaixo da média das décadas passadas.
O que acontecerá quando voltarem a subir?
Será que o Estado irá providenciar um pacote de estímulo para os agregados familiares em dificuldades? (Não critiquem… sonhar não faz mal a ninguém…)

E depois voltamos a ter o exemplo do descrédito de alguns meios de informação – puros veículos de marketing político e financeiro.
Hoje destaco o Jornal de Negócios – já é um “habitué”, o Público e o Diário Económico, onde esta notícia é representada com uma parangona cor-de-rosa:

– Jornal de Negócios – Crédito malparado estabiliza em Portugal

– Público – Crédito malparado estabilizou em Junho
P.S: Talvez envergonhado pelo facto de veicular um texto de marketing político, o Público teve o pudor de logo abaixo apresentar outra informação: Peso do malparado das famílias ao nível mais elevado desde 1998

– Diário Económico – Malparado dá sinais de estagnação em Junho

O Jornal de Negócios mente descaradamente na apresentação da notícia, nem vale a pena tentar encontrar outra palavra para adjectivar o seu comportamento.
O Público não mente, apenas desvia a atenção.
O Diário Económico “esconde” a informação dentro de outra notícia com uma parangona cor-de-rosa: Depósitos das famílias aumentam para valor recorde
(Pessoalmente sempre que oiço falar em números da economia revejo-os sempre em baixa, tal o emaranhado de fórmulas que usam para contabilizar os números transvestindo o seu valor final, principalmente todos os números que tenham directamente a ver com a banca.)

Para além do crédito mal parado, o nível de poupança dos agregados familiares disparou.

É bom saber que alguns agregados familiares estão a começar a ver a vida um pouco mais além do Presente, e mais… a lógica do Futuro vir a ser sempre maior que o Presente começa a ser colocada um pouco de parte. Um jogador que aposta tudo apenas numa casa tem muito mais probabilidade de perder tudo que o jogador que aposta em várias. Viver apenas no paradigma de crescimento eterno é uma aposta tão arriscada como quem aposta só para perder.

O aumento das poupanças é realmente um sinal positivo… bem… quer dizer… para o paradigma sócio-económico em que vivemos é o pior sinal possível. Viver numa economia que baseia o seu crescimento no crescimento contínuo da dívida e haver um aumento da poupança significa uma redução das compras, uma diminuição das vendas, o que por inerência significa estagnação ou contracção da economia.
Acho que este parágrafo ilustra bem o modelo económico em que vivemos. É um modelo de viciados, viciados no vício da dívida e do numerário, com uma perspectiva absolutamente redutora do que pode ser a vida…

Mais dia menos dia este esquema em pirâmide irá rebentar pelas costuras, como acontece com todos os esquemas em pirâmide… é apenas uma questão de tempo… tanto pode ser amanhã como daqui a cinco ou dez anos, mas irá rebentar à falta de alteração das mentalidades que (des)governam as economias… e à falta de um Zé Povinho que consiga ver a vida para lá dos bens supérfluos…

Notícia do Jornal de Negócios – Crédito malparado estabiliza em Portugal
Notícia do Público – Crédito malparado estabilizou em Junho
Notícia do Diário Económico – Malparado dá sinais de estagnação em Junho
Notícia do Expresso – Banca: Crédito às famílias sobe 483 ME em junho, malparado cresce 4 ME
Notícia da Agência Financeira – Malparado: calotes das famílias à banca batem novo recorde
Notícia do Público – Peso do malparado das famílias ao nível mais elevado desde 1998
Notícia do Jornal de Notícias – Crédito às famílias subiu em Junho
Notícia do Diário Económico – Depósitos das famílias aumentam para valor recorde

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Em busca de mais conhecimento

Posted on 19/08/2010, in Corrupção, Economia and tagged , , , , , , , , , . Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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