O Lixo Político e o Jogo do “Lobby” na Regulamentação dos Mercados

A nova regulamentação de mercados “Dodd-Frank” é puro marketing político.

Que grande reportagem publicada hoje pelo expresso. Ainda que só muito raramente os jornalistas, neste caso Jorge Nascimento Rodrigues, e os meios de comunicação façam jornalismo e utilizem a regra do contraditório, e não usem apenas o método copy/paste.

O Expresso pergunta a quatro analistas internacionais, PETER COHAN, NATHAN MARTIN, BOB EISENBEIS e DAVID CAPLOE, qual a verdadeira profundidade da legislação Dodd-Frank.

E as respostas foram:

“O marketing político apresentou a nova lei de regulação financeira(…)”

“Paul Volker, o octogenário inspirador de alguns pontos-chave da lei, confessou ao The New York Times que daria um “B” ao texto final (…) em certos aspectos podem ocorrer prolongamentos do adiamento da sua aplicação…até 2022!”

“Alguns «buracos» são tão largos que dariam para que «um Boeing 747 passasse por eles» (…) Os próximos anos vão assistir a uma luta renhida dos lóbis junto dos «concretizadores» das disposições da lei, explorando os «buracos» e «alçapões».”

“(…)Deixa aos seus emissores a liberdade de pagar às agências de rating. Não há mudança no sistema que corrompe as agências de notação.(…)”

“Falha completamente em atacar o problema da dívida dos cidadãos e dos governos e a questão dos derivados financeiros.(…)”

“Dificilmente toca no problema, e onde toca ao de leve é, no melhor dos casos, incompleta e depende de regulação futura.”

“(…)Requer uma montanha de interpretações pelos reguladores. O que abre as portas para igual montanha de movimentos dos lóbis. E falha em exigir a transparência para todas – e sublinho, todas – as transacções de derivados.”

“(…)Para os banqueiros centrais, o ponto mais forte é dar-lhes, ainda, mais poder discricionário.(…)”

“(…)Mantém o esquema de compensações que premeia os banqueiros por gerarem operações e empurra quaisquer perdas consequentes para os contribuintes americanos (…) Cria uma dinâmica para o surgimento de instituições financeiras ainda maiores, que, se falirem, acabarão por ser salvas pelos contribuintes. E deixa os CEO e os gestores de fundos escrever os seus próprios relatórios de avaliação.”

“(…)o facto de dar mais poder aos banqueiros centrais. (…)”

“(…)expande o poder da FED (Reserva Federal) e com o abuso de colocar a agência de protecção do consumidor financeiro no universo da FED.(…)”

“(…)A dependência ainda maior no “julgamento” (subjectivo) dos reguladores. Quase tudo foi deixado para eles.”

“Os lóbis de Walt Street trabalharão atrás do cenário para conseguir que os reguladores fabriquem detalhes que ajudarão Walt Street a contorna-la.”

in Expresso

Antes de mais, por favor leiam a totalidade da notícia no seu formato original no Expresso, tanto por respeito ao raro acto de jornalismo de Jorge Nascimento Rodrigues – não do jornalista, mas do jornalismo em Portugal -, e porque o que aqui está são apenas e só excertos de um texto que vale muito, mas muito mais do que aquilo que está citado aqui.

Agora, gostava de realçar os paralelismos entre a lei Dodd-Frank e a recente regulamentação aprovada pelo Comité de Basileia para a regulamentação dos mercados financeiros europeus.
Como escrevi quarta feira no post Comité de Basileia Deixa Bancos em Estado Eufórico, podemos deduzir que grande parte dos defeitos e virtudes serão os mesmos, pois os lobbies financeiros são exactamente os mesmos e até mesmo o facto das leis terem saído na mesma altura – separadas por semanas – faz pensar numa negociação conjunta para os dois textos.
A gravidade destes actos políticos quase não tem direito a adjectivação para além da criação de uma palavra nova – Estrafulhice. “Estrafulhice” é uma trafulhice estratosférica.

O lixo político, os lobbies, o poder das instituições financeiras sobre as reguladoras e políticas, conduzem-nos a alta velocidade para um acidente em que quando o Zé Povinho acordar estará enfiado num tal imbróglio que a única via de salvação será estender a mão a pedir salvação àqueles que lhes retiraram tudo!

Está mais do que na hora de acordar e ver que o maior mal do mundo não é o aquecimento global, não são as dívidas públicas, não são os salários dos “bananas”, etc, mas sim esta corja de “casineiros” e os seus sistemas de moedas FIAT que induzem o vício e a corrupção na sociedade e na alma destes narcisistas afogados em numerário, como se isso fosse sinónimo de felicidade. Eles não têm mais nada do que numerário e bens, são seres vazios e pobres…

Para fechar, só relembrar o número em dívida que estes narcisistas terão de saldar até 2012 – no post A Dor de Cabeça dos 30 Triliões – 30 biliões de euros, ou seja, 30 com 12 zeros à frente, 30.000.000.000.000, o correspondente à quase totalidade do PIB da Zona Euro para os próximos dois anos!

Por favor leiam a totalidade do texto desta notícia na sua fonte original…

Notícia do Expresso – Reforma de Wall Street soube a pouco

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Em busca de mais conhecimento

Posted on 01/08/2010, in Banca, Corrupção, Economia and tagged , , , , , , , , . Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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