Mais Indicadores de Que Algo Não Vai Bem

Sampaio e Mello considera que Portugal pode entrar em bancarrota. O BCP continua em desmentidos, desta vez que não está a vender a sua participação no Millennium na Polónia. Ao mesmo tempo, a dívida dos bancos espanhóis ao Banco Central Europeu atingiu os 126,3 mil milhões de euros, um recorde. São esperadas mais falências de bancos na Islândia. E para fechar o rol, o fundo de emergência da Zona Euro deverá estar operacional até ao fim do mês.

Sampaio e Mello, economista, em resposta às afirmações de Paul Kruger, diz que a economia portuguesa é mais frágil – ele usa o termo: “menos robusta” – que a economia grega.
Esta afirmação só é surpresa para quem passa a sua vida agarrado às verdades do quadradinho mágico (TV), pois em quase todos os indicadores económicos a economia portuguesa é inferior à grega, e se eles estão no estado que estão…
Portugal é “uma empresa que não gera receitas e por isso não tem capacidade de endividamento, nem tem capacidade para distribuir e criar riqueza”, referiu o economista.
Portugal sobrevive há décadas num verdadeiro esquema em pirâmide, em que dívida é criada para pagar a dívida que tem de ser paga… um dia terá de estoirar, como todos os esquemas em pirâmide.

Juntamos a isso mais um desmentido do BCP, que não está a vender os activos que detém na Polónia. Este poderá ser mais um “pequeno” sinal da veracidade do “rumor” que o BCP está na falência… Já começam a ser desmentidos a mais.

A dívida da banca espanhola, como de todos os bancos europeus, está em níveis preocupantes… Também não é surpresa atestando ao total da dívida dos bancos europeus – metade do total das dívidas mundiais dos bancos está associada a bancos da Zona Euro.
As pessoas tendem a desvalorizar as notícias do outro lado da fronteira, por isso gostava de fazer uma pergunta: “E se for o Banco Santander o que tiver em carteira a maior dívida de todos os bancos espanhóis e a sua situação for alarmante?”

E para fechar o rol de boas notícias sobre as instituições financeiras, a implosão da economia islandesa ainda não parou. Costuma-se apontar a bolha imobiliária americana como a causadora da crise internacional de 2008, 2009, mas o primeiro indicador a emergir foi a falência da Islândia, meses antes da implosão da dita bolha.
Como está lá longe, a Islândia, não sabemos muito sobre o porquê de tal ter acontecido e qual a sua real influência na crise, e principalmente o surgir destes novos dados que emergem exactamente na altura do stress teste aos bancos da Zona Euro.
A economia islandesa cresceu sustentada no mercado bancário, era como se fosse um interposto bancário, que servia de intermediário entre o mundo ocidental e os países da cortina de ferro, ou seja, pedia emprestado aos países ocidentais e depois emprestava esse dinheiro aos países de Leste. Com a queda do muro de Berlim começou a degradação da sua principal função, intermediário.
Mas há ainda um senão associado a esta notícia. Os bancos islandeses ainda têm muitas dívidas por pagar, principalmente aos bancos alemães, franceses e ingleses, e muitas dívidas que receber, principalmente da Ucrânia, portanto anda por lá muito crédito mal parado, e se mais vão abrir falência mais crédito mal parado vai entrar para as contas dos bancos europeus…

Para acalmar os mercados o fundo de emergência da Zona Euro vai estar disponível no final deste mês.
Pode ser apenas uma forma de tentar pacificar os mercados, que por sinal têm vindo a subir – que é algo que neste momento me faz pensar no Banco Central Europeu a puxar os cordelinhos no mercado -, ou então a evidência que algo terá de ser disponibilizado em Agosto para segurar bancos, ou estados.

A soma de mais estes indicadores volta a não ser algo que augure bons ventos, antes…

Notícia do Diário Económico – Sampaio e Mello: Portugal pode entrar em falência

Notícia do Público – BCP desmente negociações para vender operação na Polónia

Notícia do Oje – Banca espanhola deve ao BCE o valor recorde de 126.300 milhões de euros

Notícia do Jornal de Negócios – Sector bancário islandês pode enfrentar nova onda de falências

Notícia do Oje – Fundo de emergência da Zona Euro deverá estar operacional até ao final do mês

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Em busca de mais conhecimento

Posted on 14/07/2010, in Artigos, Banca, Economia and tagged , , , , , , , , . Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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